Capítulo 4: Destino

Descendo as escadas do dormitório feminino, Lily encontrou o salão comunal cheio. Bom, isso era uma grande melhora comparada a hora em que acordara, confundindo sábado com qualquer outro dia de aula... Trazia embaixo do braço um novo livro, "Como Mover Um Castelo", por Diana Wynne Jones. Notou que uma das poltronas em frente à lareira estava vaga, e logo rumou para lá se sentando próxima ao calor confortante do fogo.

Não muito depois que sentara, entretida com seu livro, alguém sentou ao seu lado. Ela tentou ignorar, mas a pessoa logo se manifestou:

- Isso é tudo que você faz? Ler e correr?

- Potter – Lily bufou, fechando o livro e já se levantando para ir embora, mas foi puxada para sentar novamente.

- Uma conversa, Evans – ele pediu – Apenas uma por hoje, pode ser?

Ela o encarou por alguns segundos, parecendo refletir. Sentou-se um pouco de lado para melhor olhá-lo.

- Me deixe perguntar uma coisa, Potter. O quê você está procurando?

- Como assim? – ele perguntou.

Os dois se encararam, olhos nos olhos, praticamente não piscavam.

- O que você procura na vida? Felicidade? Amor? Saúde? Ou talvez uma rota de fuga?

James parou um pouco para pensar e um estranho silêncio parou entre os dois. Lily não tirava os olhos de cima dele, esperando a resposta. Quando a ruiva se cansou e ia falar algo, o rapaz resolveu se pronunciar.

- Eu acho que o que busco na vida é... Bom, é o sentido da vida mesmo, sabe?

- O sentido da vida? – Lily perguntou, mostrando contrariedade na voz.

James corou diante do olhar que ela lhe lançou.

- Eu sei que isso é meio clichê... Mas eu tenho isso como um tipo de hobby... Eu gosto de ficar procurando o porquê de estarmos aqui.

Lily não parecia satisfeita, embora a resposta do rapaz a tivesse surpreendido. Sempre achara que a vida dele girava em torno de quadribol e a listinha de garotas do "irresistível James Potter" (imaginem uma careta da Lily aqui!). Ela não ia deixá-lo escapar de sua pergunta nem se sair bem...

- E o que faz você pensar existe um único motivo para a vida?

James a encarou um pouco confuso, ela realmente estava a fim de deixá-lo doido. Nos seis anos que tinha em Hogwarts, ninguém nunca havia feito isso com ele. Em geral, garotas apenas se derretiam com ele e não faziam perguntas que o deixavam sem saber o que responder. Lily tomou o silêncio como um incentivo a continuar falando.

- Você tem que estar aberto para várias possibilidades, ou ao menos aceitar outros pontos de vista. Quem pode dizer que existe uma única razão para estarmos aqui? Talvez existam inúmeras razões.

- E o que você acha? – ele perguntou.

- Eu acredito que cada ser tem seus próprios sentidos. Cada um de nós é único, e estamos onde estamos por nossa culpa e responsabilidade. Eu acho que cada um tem sua razão.

James balançou a cabeça devagar, assimilando o que ela dissera.

- Deixe-me perguntar outra coisa a você, Potter. O que é vida? – ela perguntou, com os olhos esmeraldas brilhando.

- A gente não acabou de falar sobre isso? – ele perguntou confuso.

- Eu não estou perguntando o sentido da vida – ela disse respirando fundo – Vamos por desse jeito, como você definiria a vida?

Ele não respondeu, a confusão estava estampada no rosto. Definitivamente, ela devia ter algo muito sério contra ele... Não dava um segundo se quer para que respirasse. Lily começou a se irritar.

- O que você acha que a vida é? Uma série de testes? Um lugar para que um ser supremo nos veja evoluir? Quando você escuta a palavra vida, você acha que a vida é...

O maroto continuou sem responder, perdido em seus próprios pensamentos.

- Excitante? Divertida? Chata? Sem importância? – ela ofereceu – Vida é o que para você, James Potter? Eu não posso fazer com que fique mais claro! – a frustração crescia na voz dela – A vida é o que? Vida é...

- Bonita – James praticamente sussurrou.

Lily parou com o mantra que tanto repetia, encarando em estado de choque. Isso sim ela nunca esperaria do maroto, mas de certa forma era uma surpresa boa. Não queria acreditar que ele tivesse dito, por isso perguntou rapidamente.

- AHN?

- A vida é bonita – ele repetiu, com um sorriso.

Pela primeira vez em todo o dia, Lily sorriu sinceramente. Os dois ficaram sentados, lado a lado, em silêncio. Estranhamente, os dois se sentiram confortáveis assim. James olhou para fora da janela, o sol estava se pondo.

- Noite de lua cheia – Lily disse, vendo para onde ele olhava.

- Eu tenho que ir – ele disse levantando-se.

Lily mordeu o lábio inferior e o viu indo embora. Se sentiu estranha, mas resolveu não pensar sobre aquilo, voltando a ler o livro. Antes que James deixasse o salão comunal, ele virou-se encarando Lily compenetrada na leitura novamente.

- Hey, Evans – ele disse, fazendo com que ela levantasse o olhar até ele – Qual o sentido da vida para você?

O salão comunal já estava vazio novamente e o silencio feito foi tão grande que James quase conseguia ouvir o som do sol se pondo. Ela sorriu.

- Hum... Viver, oras. – respondeu a ruiva sorrindo, voltando a ler o livro.

James abanou a cabeça e riu. Ela era realmente surpreendente...


O dia passara sem maiores acontecimentos, apenas um sábado normal. Entretanto, Lily não conseguia dormir de jeito nenhum, ficava apenas encarando o teto. Ela tinha feito exatamente o que ela tentara evitar durante tanto tempo: ter uma conversa "insignificante" com James Potter.

No dormitório masculino, alguém encarava o teto também. James Potter não conseguia dormir. Ele, finalmente, tinha conversado "pacificamente" e visto Lily de um jeito diferente, sem aquela fachada toda, mesmo que por alguns instantes, e isso soava estranhamente familiar...

- Por que eu odeio tanto ele? – ela perguntou a si mesma, esquecendo-se daquele, agora distante, primeiro ano em Hogwarts.

- Por que ela me odeia tanto? – James resmungou consigo, ao mesmo tempo que Lily.

Os dois se viraram, insones, buscando o relógio. Era exatamente meia-noite.


18 de dezembro, 00:00.

Nada de aula durante as duas semanas seguintes. A grande maioria dos alunos estava feliz, aproveitando as vantagens e brincadeiras do inverno e da neve, além da ausência de aulas. Por alguma razão, esses dois não conseguiam sorrir, ao menos não verdadeiramente.

00:01

Lily rolou na cama novamente. Ela não tinha jantado e o estômago começava a roncar em protesto pela ausência de comida.

"A cozinha está sempre aberta", pensou silenciosa. "Mas como chegar lá sem ser pega?"

O estomago de James roncou alto e exigiu que ele pegasse a capa da invisibilidade e descesse até a cozinha. E ele SEMPRE ouvia o seu estômago.

Engraçado como a vida faz as coisas, não? Quando Lily acabou de descer as escadas do dormitório feminino, ouviu passos descendo as escadas vindos do dormitório masculino, mas não viu ninguém lá. Abanou a cabeça, devia estar ficando doida ou tento alucinações por causa da fome. Nunca mais deixaria de jantar, isso era perigoso.

- Evans! – ela ouviu um sussurro atrás de si, fazendo com que desse um pulo de susto.

- Quem está aí? – ela disse assustada, num sussurro forçado.

James, com um lindo sorriso, tirou a capa da invisibilidade, acenando para uma confusa Lily.

- Você está me seguindo, Potter? – ela ralhou.

- Não seja tão desconfiada, Lily... O que você está fazendo de pé a essa hora da madrugada?

- Evans – ela disse levantando a sobrancelha – Enfim... Só levantei para fazer um lanchinho...

- Nossa, que coincidência, eu também. Mas me diga como você pretende chegar à cozinha sem ser pega, hein Lily? – ele disse, vendo que chamá-la pelo nome soava tão bem.

- Evans... Eu tenho cérebro, Potter, consigo encontrar um jeito.

- Com certeza – ele disse, rolando os olhos – Anda, entra logo embaixo da capa.

- Sei me virar sozinha, obrigada – disse a ruiva.

Ela parecia furiosa, odiava receber ordens... E odiava a idéia de ter que depender de alguém para algo, por isso ela era uma solitária, mesmo sendo popular no colégio. Algo paradoxal, mas Lily Evans é assim: doce e solidária, mas não se meta na vida dela.

- Deixe de ser tão turrona, Lily!

- Evans! E deixe de ser tão imaturo, Potter.

- Eu sou o imaturo aqui? – ele disse em tom de revolta.

Lily achou melhor não responder. O problema era que ela sabia não haver jeito de chegar à cozinha... Então, ela via duas opções: uma era dividir a capa (e consequentemente a comida) com Potter, e a outra era roubar a capa e fazer loucura...

James, com certeza, não gostou da opção que ela escolheu... Ele não conseguia ver onde ela estava, tendo que confiar nos seus sentidos desenvolvidos pelo quadribol para pegá-la antes que deixasse o salão comunal. E ele conseguiu, bem na hora que ela chegou a saída.

A posição dos dois era um tanto inconveniente (N.A.: Depende do ponto de vista!). Quando ele atacou o que viu pela frente para puxar a capa, acabou caindo e levando Lily ao chão junto dele. Resultado: a tal posição, com James por cima de Lily, os rostos próximos, um ouvindo a respiração do outro. Ele, na tentativa de não cair, segurara os pulsos dela contra o chão. Pior, ao menos na concepção da ruiva, era que ele não se mexera e ela ficara sem ter como fugir.

- Sai de cima de mim, Potter – ela disse encarando os olhos castanhos dele. "Castanhos esverdeados...", ela mesma se corrigiu, antes de brigar novamente consigo por estar reparando.

- Não antes de eu encontrar um castigo razoável para você. – ele repetiu frio, encarando os olhos esmeralda flamejantes.

Lily ficou realmente irritada, tentou se livrar, mas o maroto era mais forte que ela, não deixando alternativa, a não ser esperar impaciente para ser torturada...

- Me beija – ele disse tranqüilo.

- NEM MORTA! – ela respondeu furiosa.

- Ah! É só um beijinho... Encostar os lábios, não doi nada – ele replicou.

- Vai, vai sim – ela disse, mordendo o lábio inferior irritada.

- Você não quer que seu primeiro beijo seja comigo? – ele disse sorrindo

- E quem disse que seria meu primeiro?

- Eu... Ahm... Presumi? – ele disse, já sem o sorriso bobo.

- Presumiu que por eu andar sozinha, eu sou assim a minha vida inteira? – ela disse com aquele quê de "você é deprimentemente idiota".

James corou, pouco, mas corou. "Essa Lily…" pensou sonhador, internamente.

- Presumir coisas sobre mim é bem tipico de um idiota como você. Agora, sai de cima de mim, Potter!

- Não – ele disse, sorrindo novamente – Eu não ligo de não ser o seu primeiro. O único jeito de você sair daqui é se me beijar, simples assim.

Lily grunhiu com raiva, desejando imensamente que acontecesse um milagre para tira-la daquela encrenca toda.

- Não, Potter. Eu mal te conheço, apenas trocamos algumas palavras durante o dia. Eu NÃO VOU TE BEIJAR!

- Não tem problemas... Se bem que é bem fácil eu te beijar nessa posição, de qualquer forma.

Lily o fuzilou de tal forma que até Voldemort tremeria na base. Maldita hora que esquecera a varinha no quarto...

- Oras Lily... Não é tão ruim assim!

- Realmente – ela disse irônica – é pior!

Antes que James pudesse fazer alguma coisa, uma voz os distraiu.

- Jamesy, Jamesy – disse uma voz afetada vindo pelo retrato da Mulher Gorda.

Os dois levantaram os olhos e encontraram Sirius Black parado, suado e sujo na entrada do salão comunal.

- Eu já estava indo pro dormitório atrás de você, Pontas – ele disse com uma sobrancelha levantada diante da cena a sua frente.

James se levantou e ajudou Lily a ficar de pé, um tanto quanto sem graça. Lily agradeceu internamente por Sirius tê-la salvo de um destino, ahm... Melhor nem comentar.

- Jamesy, meu querido Jamesy, tendo que implorar a uma garota para que ela o beije? – disse Sirius, imitando quase perfeitamente a mãe de James. – Oh! Me beije, por favor Lilyzinha! Ohhh...

- Cala a boca, Almofadinhas – disse James irritado, jogando a capa para Lily – Pronto, ta aí Evans, se divirta. Eu tenho coisa mais importante pra fazer.

Com essas palavras, ele seguiu Sirius para fora do salão comunal, deixando uma confusa Lily Evans para trás. Não só confusa, como curiosa... E uma Lily curiosa pode ser um problema...


N.A.: Desculpa pela demora gente... Pelo menos fiz o capitulo um pouquinho maior! Meu pc andou me sabotando e, além disso, eu tive uns posts do rpg (sim eu jogo rpg de fórum . amooo³) pra fazer, aí embolou a coisa toda e eu me atrasei.

Ahm... Minha fic chegou a seis reviews! Kath feliz comemorando Obrigada! Ok, vamos agradecer decentemente:

Mel.Bel.louca : que bom que você gosta do meu Sirius! Se você ver que ele não pegou uma ironia, tenha certeza: passou mulher na área e desconcentrou ele!

Mary M Evans: Desculpe não ter postado tão rápido, mas já expliquei, né? É minha primeira fic sim, embora baseada em outra. Espero que um dia você resolva postar sua fic qnd o fizer, me avise que eu vou ler! Well... Quanto ao Sirius, ele só parece lerdo, é que geralmente passa algo mais interessante, e ele acaba "perdendo alguma coisa", sabe? E quanto a Lily e James... Espere pelos próximos capítulos xD rs...

Thaty: Que bom que você adorou o capitulo espero que continue gostando!

DeH: Fic atualizada! Pedido atendido, e já providenciando o próximo capitulo!

É isso aí povo e pova, até o próximo capítulo! E se quiser fazer uma autora feliz... Aperte aquele botãozinho roxo ali e me deixe uma review xD