Stefan's POV

Por Deus...

Eu fiz isso realmente? Não foi nenhum daqueles sonhos pecaminosos que algumas pessoas tem com familiares?

Não.

Uma voz em minha cabeça dizia em alto e bom som.

A cama que estava embaixo de mim de repente sumira, tornando-se um enorme espaço vazio que ia, aos poucos, sugando-me para dentro dele. Mas eu nunca caía, pois ele estava comigo...

Aqueles lábios finos e róseos sugando os meus... As mãos passeando por meus ombros, dedilhando por meu pescoço... Deus do céu...

Ele sorriu-me de forma marota, provavelmente divertia-se ao ver-me corar tão fortemente no rosto. E Katherine... Bem, Katherine sorria como uma criança que ganhara o que queria de aniversário.

- Eu amo vocês... – Sussurrou feliz.

Damon me encarava. A íris azul estava fixa em meu rosto, analisando como a cor vermelha tornava-se um pouco mais clara a cada instante. Isso parecia divertí-lo, pois seus lábios estavam se movendo com o normal desdém de sempre.

- Acho que eu vou... Er... – Hesitei, engolindo em seco. – Buscar vinho. – Disse rouco, analisando como a seda dos lençóis ficava bonita contra a pele pálida de Katherine.

- Claro, querido. – Ela rira de forma bonita, entregando-me a camisa.

Olhei Damon pelo canto dos olhos, vestindo-me rapidamente. Precisava pensar... Pensar muito sobre aquilo. O quão era errado e maravilhosamente perigoso que fazia as borboletas em meu estômago se debaterem loucamente.

Deixei o quarto e caminhei pelos largos corredores da casa de meu pai. Sempre adorei aquele lugar quando era garoto, correndo atrás de Damon enquanto brincávamos de quem era o mais veloz e, claro, ele sempre ganhava.

Só de me lembrar de nossos jogos de "faz de conta", minha cabeça girava feito um pião, e as recentes lembranças vinham junto num turbilhão, deixando-me confuso.

- Senhor Salvatore, precisa de algo? – A bondosa criada baixinha e loura questionara.

- Ah, sim, obrigado Marie, eu gostaria de uma garrafa de vinho. – Sorri de forma cálida, enfiando as mãos nos bolsos.

- É claro, senhor Salvatore. – Fez uma breve reverência, caminhando em passinhos curtos e rápidos até a cozinha, abrindo a enorme adega de vinhos de meu pai, tirando uma garrafa de cor verde com o líquido cor de sangue. – A melhor safra deste ano.

Sorri levemente, apanhando a garrafa. – Obrigado. – Movi a cabeça de forma positiva, voltando a caminhar pelo corredor.

Agora seria uma boa hora para fingir que estou cansado e deixar Katherine e Damon a sós, mas uma pulga atrás de minha orelha sussurrava o oposto, que eu deveria voltar lá.

Aquilo era errado.

E bom.

Era pecado.

Mas era bom.

E mesmo que eu fosse para o inferno, não temeria.

Pois teria a certeza que ele me ama.

Bem mais que um irmão.