Título: Elemental.
Autora: DarkAngel
Sinopse: Eu precisava dos olhos de mar. E não da água.
Shippers: Harry Potter/Tom Riddle(Lord Voldemort)
Gênero: Universo Alternativo/Romance
Classificação: PG
Spoilers: nenhum
Disclaimer: Os personagens do universo de Harry Potter me pertencem, e eu definitivamente não ganho dinheiro com isso.
N. A: E o nonsense chega ao fim.
Agradecimentos especiais a Agy que betou e à CarineCG que deixou review em todas as partes.
Beijos, meninas.
XD
Elemental
3.
Retorno.
Por anos a fio tentei recuperar minhas forças, meu corpo, meu Poder e agora, depois de dezessete anos, retorno.
Não tenho que considerar o que devo fazer, retornei para buscar o que é meu. Retornei para tomar do Herdeiro a Água que me pertence. O Mestre dos Ventos agora está velho e fraco, por anos tentou atrasar meu retorno, mesmo sabendo o quanto isto seria inútil. Ele já não está em meu caminho quando invado o castelo onde treinam a Criança que um dia tentei matar.
Não importa quantos guardas, quantos amigos, quantos Elementos protejam a Criança, eu sei onde ele está. Porque Nele há uma parte de Mim.
Encontro-o no alto de um das torres, encarando os terrenos do castelo. Ele sabe que estou ali. Posso sentir que ele me sente.
A Criança já não é mais criança, é um Filho.
E pelo que vejo no fundo dos olhos verdes, ele mereceria ser mais.
Meu primeiro impulso, tantos anos atrás, foi destruí-lo.
Vendo-o agora, hesito. Há algo nos olhos dele, há muito de mar, há muito de lágrimas, há Água salgada no olhar verde que me encara, do sal que existe no agridoce do pranto, do mar que surge do sofrimento, do brilho salinizado que há naqueles que já perderam tudo e sentem que nada mais têm a perder. Nada mais tem a dar.
Quem já não tem nada só pode ganhar.
Sinto o Fogo, meu Elemento Fundamental, agitar-se dentro de mim. É Ele, é o Fogo que se agita e encontra Ele. Ele não luta, parece saber que eu vim para destruí-lo, não percebe que já não desejo isso.
Vejo a maneira como seu Elemento existe nele. É como se ele fosse um só. Sua Água não o serve, eles existem, um no outro, entrelaçados, essências unidas. Tirar a Água dele é extingui-lo, eu sei.
No entanto, deixá-lo existir é desistir de meus objetivos. Desistir do que lutei desde sempre. Abrir mão da causa que me atormentou, guiou, me fez existir desde o início dos meus tempos. Minha hesitação some.
É uma pena algo tão belo acabar, mas é ele ou meu objetivo de vida.
Ele ou eu.
Não me surpreende ver quem ganha minha pequena batalha interna.
Encaro os olhos de mar para roubar-lhes a Água que ali existe, e é então que percebo. Ele também me sente. Ele também hesita ao retaliar meus ataques, e é por essa união, essa estranha ligação que ele arma seus ataques contra mim.
Ele não abre mão de seu Elemento e vejo que o Mestre dos Ventos o treinou bem.
É com sua Água que ele combate meu Fogo. É por ter sua Amizade e não seu domínio que ele consegue vencer os primeiros obstáculos. É por subestimar o próprio valor de tal Amizade que eu perco.
Olhos de mar encaram minhas íris de chama e sinto que já não controlo meu próprio elemento, mas nem tampouco ele controla. Ele o instiga, o convence a fazer o que ele deseja. Meu Elemento me trai. E ao perder minha base, perco minhas outras duas conquistas. Terra e Vento me abandonam, porque é a Água que consegue tornar-se parte deles.
Ele se integra. Ataca a mim, usando as minhas armas, e tem sucesso. Minhas barreiras caem, meu mundo cai, minha alma cai.
E então resta apenas ele.
Ele, seus olhos de mar e os elementos livres que ele devidamente conquistou.
Por um segundo inteiro, penso que ele se tornará o Mestre dos Quatro, o que eu sempre quis ser.
Olhos de mar me surpreendem mais uma vez. Os Três Elementos que ele mesmo conquistou refulgem à sua volta. Ele os descarta um a um.
Manda o Vento para eu legítimo Filho e a Terra ele envia ao Herdeiro próprio. Ele guarda o Fogo.
E me encara.
Vejo toda a imensidão do Universo dentro dos olhos dele. Vejo minha vida e vejo o passado dele. Vejo o futuro daqueles a quem eu fiz mal e vejo o passado de todos aqueles que cruzaram o caminho dele.
E percebo, finalmente, que não se pode confiar no que se possui. Não podemos pôr confiança em algo que não é nosso por direito. Meu Elemento é o Fogo, e é a ele que me apego nos últimos momentos. E vejo, a segundos de meu próprio fim, que ele é Água. Que ele é parte de mim. E vejo, por fim que ele, também, deve vir comigo.
Fogo e Água se encontram. Rendição forçada, opostos conflitantes, medos e angústias e certezas.
Fumaça e fuligem.
Consumir e derrotar.
E é no fim que me sinto completo. É no fim que vejo que eu não necessitava de Todos os Quatro. É no fim, com os olhos de mar me encarando e quase sorrindo, que vejo que eu precisava apenas dele.
Eu precisava dos olhos de mar.
E não da Água.
FIM
R E V I E W !
