Capítulo 4 — Lovelines
"Eu te vi num sonho
Te conheci num sonho"
Todas os dias em Bayland pareciam seguir a mesma rotina: praia durante o dia, uma rápida chuva no meio da tarde e uma noite estrelada quase sempre acompanhada de uma festa. Aquela noite não havia nada de especial e a garota supunha que já não precisavam de bons motivos para festejar. Eram jovens, curiosos, e a vida era suave e interessante lá.
Todos estavam reunidos, com grande quantidades de bebidas espalhadas pelas mãos. Ginny tinha lhes dado um bom motivo para comemorar no dia seguinte: era seu aniversário. As meninas faziam planos em forma de fofocas, e os meninos conversavam sobre quadribol e bebiam cerveja.
— Podemos fazer um show para o seu aniversário — ofereceu Blaise, sorrindo.
A ruiva meneou com a cabeça mas, antes que respondesse, Allison tinha resolvido algo mais urgente para discutir.
— Você precisa de um vestido novo!
A ruiva olhou para a corvinal, exasperada. Luna não conseguiu entender a lógica do olhar e resolveu continuar a andar pelos convidados, cantando baixinho. Uma mão firme pousou em sua cintura e, com alguma surpresa, percebeu que era Blaise.
— Não vai falar comigo? — ele perguntou, sorrindo felinamente.
— Olá — respondeu, distraída.
— Só isso? Olá? — o negro abaixou, colando os lábios aos dela. — Ou não quer mais saber dos meus beijos?
A loira o ficou fitando, sem saber o que responder. Não tinha a menor idéia de como deveria reagir em uma situação assim.
— Eu quero saber dos seus beijos, mas eu quero saber muitas outras coisas também — falou, finalmente. — Você sabe, por exemplo, qual a cor da casca de um Nargle? Eu adoraria saber, mas nunca achei as crias em um azevinho. Embora, claramente, estejam sempre infestados de Nargles, também são muito bons em se esconder.
O garoto a observava, não com uma expressão de quem a achava maluca, mas com um sorriso cordial.
— Eu quero saber mais de você, também — falou, sorrindo.
— Eu posso te dar boas dicas sobre como fazer chá de raiz-forte – falou, meneando a cabeça.
O negro riu gostosamente, abraçando-a pela cintura.
— Eu já mencionei que você é fantástica? — perguntou, sorrindo.
— Eu não sou fantástica — corrigiu. — Os animais são fantásticos.
Blaise riu novamente, beijando-a de leve nos lábios.
— Você gosta de animais mágicos, então?
— Eles são fascinantes, não acha — falou, sua voz soando área. — Especialmente as espécies mais recentes, que ainda não conseguimos monitorar...
— Como assim?
— O Crumpled Horned Snorckak, por exemplo — seus olhos brilharam. — Eles são fascinantes! Seus chifres podem chegar a ter a altura de um homem adulto! E quantos usos diferentes eles podem ter!
E a loira continuou a falar sem notar que, pela primeira vez na vida, estava tagarelando. O assunto a enchia de paixão, de uma curiosidade incessante, o verdadeiro espírito de conhecimento da Corvinal. Menos ainda notou a forma intensa como o sonserino a encarava.
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Era uma festa como qualquer outra e o que mais intrigava Ginny era a normalidade de tudo aquilo. Não conseguia entender como aquelas pessoas poderiam simplesmente não perceber que "Alex", "Marvin" e "Austin" não eram quem diziam ser. E, principalmente, o que teria acontecido para que os meninos tivessem perdido a memória?
Seus dedos apertavam firmemente a garrafa em sua mão, observando a todos tão discretamente quando poderia. Mais surpreendente que tudo era o fato que Blaise Zabini estava conversando com Luna e parecia, de fato, interessado no que ela tinha a dizer. Não via sinal de Goyle em lugar algum, especialmente não na sala onde todos estavam reunidos.
Já tinham planejado toda uma nova festa, supostamente para comemorar seu aniversário, no dia seguinte. Com direito a bebidas e bandas e, pela primeira vez, sentiu o coração apertar com saudades de casa. Uma reunião simples, com seus pais e seus irmãos.
Notou, de repente, que Draco a observava, sem jeito. Estivera com seu olhar perdido, lembrando de casa, e, por coincidência, na direção do rapaz. Sentiu sua testa ficar vermelha de vergonha e abaixou os olhos. Para sua surpresa, o rapaz se aproximou, puxando assunto.
— Eles nunca se cansam, mesmo — falou, dando um sorrisinho.
— Não entenda errado, eu gosto de festas, eu só... — ela abaixou a cabeça, imaginando que tipo de insulto ele jogaria ao saber seu problema. — Estou com saudades de casa.
O rapaz estreitou os olhos, franzindo a testa, antes de responder.
— Acho que isso soa certo — falou, dando de ombros. — Eu nunca senti saudades de casa... Meus pais... — ele pareceu um tanto desnorteado por um instante, antes de continuar. — Eu tenho certeza que eles me amam muito, mas sempre foi uma coisa meio distante, eu acho.
— Entendo — falou, sem saber o que pensar. Parecia muito claro para ela que Narcissa e Lucius tinham sido pais afetuosos, mas quem sabia do que "Marvin" poderia lembrar?
— Alex e Austin têm sido minha família desde os onze — falou, antes de dar um sorrisinho. — E, por mais que você duvide, somos apenas amigos.
A garota tornou a corar, balançando a cabeça firmemente. Tinha entendido perfeitamente bem da primeira vez e tinha que controlar sua língua se quisesse descobrir algo de interessante. Ao mesmo tempo, tinha que fazer as perguntas certas.
— Vocês se conheceram... Na escola?
Ele acenou afirmativamente.
— Éramos do mesmo ano em Salem.
A grifinória franziu a testa. Era fato notório que os três tinham se conhecido quando bebês, criados no mesmo circulo de convivência, embora supunha que os Estados Unidos, sendo um país muito maior, faria aquilo menos crível.
— Eu e Luna também éramos do mesmo ano em Hogwarts — falou, gratuitamente, incentivando a conversa. — Mas éramos de casas diferentes. Vocês tinham casas em Salem?
O loiro balançou a cabeça, negando.
— Todos os homens devem ser tratados iguais, independente do credo, raça, ou gênero — recitou, sério. — Seria ilegal ter separações.
A menina consentiu com a cabeça, sem saber o que mais dizer. Ultrapassava o linha do surreal ouvir Draco Malfoy falando algo tão... A favor da igualdade. A idéia de superioridade tinha sido à base de sua criação, seu motivo de orgulho. Tentou não deixar transparecer, afinal, aquele era, supostamente, Marvin Zaphs.
— É uma grande honra, claro, ser convidado para Salem. Eles são muito criteriosos com seus alunos e o ensino é bastante puxado, mas eu me divertia.
— Vocês jogavam trancabola? — perguntou, arriscando. Sabia que o quadribol não era muito popular na América.
— Não! — exclamou, parecendo quase ofendido. — Em Salem nós tínhamos equipes de Quadribol. Nada da falta de classe do trancabola.
— Ah, entendo. Vocês... Jogavam quadribol?
— Eu jogava — confessou, olhando para o outro lado. — Era apanhador.
A ruiva sorriu, tocando de leve seu braço, e ouviu as próprias palavras, incontroláveis.
— Você era um bom apanhador.
Ele a observou atentamente por alguns segundos, antes de ela emendar.
— Você é magro e apanhadores devem ser ágeis. E... Você observa as coisas também.
O garoto deu uma risada, abaixando a cabeça. Ginny se sentiu absurdamente patética, especialmente por ter certeza que tinha soado como um flerte. E ela jamais flertaria com Draco Malfoy.
— Você me surpreende — ele falou, enfim. — Como a chuva no meio de um dia ensolarado de verão.
Foi a vez de a menina abaixar os olhos, sem jeito.
— É bom – ele falou, como se pedisse desculpas. — Eu gosto dessa intensidade.
Havia algo de terrivelmente errado na forma como ela se sentiu melhor ao ouvir isso.
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Ginny precisava pensar e, definitivamente, o barulho infernal da república não era o melhor lugar. Seus passos a levavam em direção à areia, e tirou as sandálias, as escondendo sob um banco. A praia estava completamente vazia e ventava forte em direção ao Oceano Pacífico. Os sons da festa chegavam até ela como se viessem de muito longe, perdendo-se no espaço aberto à sua frente.
Havia uma sensação de paz muito peculiar perto do mar durante a noite, tão diferente da confusão de cores e pessoas que normalmente se espalhavam por toda a areia durante do dia. Seus passos não faziam barulho. Achou que conseguia ouvir a voz de Blaise ao fundo e imaginou o que Luna estaria fazendo enquanto o suposto Alex brincava de ser um popstar.
Tinha certeza absoluta que ficaria sozinha, todo mundo gostava demais de ouvir os meninos se apresentando para sair de dentro da festa e ir até ela. Sua cabeça parecia rodar com tanta informação. Não fazia o menor sentido nada daquilo. Os Malfoy tinham gastado uma parte considerável de sua fortuna — assim como a mãe de Zabini, e os Goyle — para garantir que o desaparecimento de seus filhos fosse amplamente divulgado no Mundo Bruxo, em todas as partes do mundo. Não era possível que ninguém mais tivesse feito a conexão entre os três jovens que surgiam do nada e os famosos meninos perdidos, como Rita Skeeter os chamara.
Quanto mais informações reunia, mais estranho tudo aquilo parecia. Todos os três pareciam plenamente convencidos de que tinham freqüentado o Instituto das Bruxas de Salem, a escola mais exclusiva de toda a América. De certa forma, era prático, pois os alunos de lá eram uma minoria tão absurda que seria quase impossível lembrar de alguém para confirmar ou desmentir a história. Eles tinham yearbooks¹ condizentes com a mentira, mostrando seus rostos e nomes juntos aos demais colegas de classe e, segundo Luna, o livro de Blaise tinha várias anotações à pena de diversos colegas desejando que "mantivessem contato" e chamando-o de "O Smith mais festeiro que já conheci".
Mas nada daquilo fazia sentido, pois sua memória dizia que, quando supostamente tinham se formados, Draco, Blaise e Goyle ainda estavam em contato com a família, viajando pelo Oriente. Aquilo cheirava mal, o tipo de mistério que Harry adoraria desvendar. Com uma dor surda, lembrou do ex-namorado com seu irmão e Hermione. tentando desvendar todos os mistérios possíveis.
Tinha horas que se perguntava se tinha feito a coisa certa ao deixá-lo. Não que tivesse esperanças de que fossem ter um bom relacionamento, que relevaria tudo o que acontecera mas porque sentia falta da amizade que Harry não tinha sido capaz de manter. E, naquelas horas, em que ele poderia ajudar tanto, não havia nenhuma forma lógica de contatá— lo sem parecer interesseira.
Sentou— se no chão, observando as estrelas. Sua mente começou a divagar conforme encarava o céu, lembrando do que Sirius tinha lhe explicado, tantos anos antes, quando se conheceram. Cada Black tinha o nome de uma constelação ou estrela. Seu dedo se ergueu no ar, tentando relembrar os desenhos que aprendera em Astronomia, tentando encontrar Andromeda – pobre Andromeda, tinha ficado viúva, perdido a filha e agora tinha uma criança para criar – ou Cassiopeia. Será que tinham tido alguma Cassiopeia? Alguma Black tão bela e vaidosa... Provavelmente perdida em alguma parte da árvore genealógica.
Queria achar Draco entre as constelações, mas lembrou-se da professora Sinistra dizendo que ficava tão ao norte que mesmo da Escócia era difícil vê-la. Tinham visto, claro, quando passaram pela Noruega. Luna ficara impressionada com a delicadeza do desenho de dragão no céu. Tão diferente da beleza direta e feroz de todos os Black, tão suave como... Como a beleza no rosto de Narcissa Black e de Lucius Malfoy. Que tinha se repetido no filho dos dois, e que se repetiria nos filhos de Draco.
Estava tão perdida em pensamentos que só quando ouviu a areia se remexendo percebeu a aproximação de alguém. A falta de luz a impedia de ver o rosto, mas o brilho que a lua fazia refletir em seus cabelos era inconfundível. Da mesma forma que nenhuma pessoa em Bayland tinha o cabelo da mesma cor e tom que ela — e os Weasley — ninguém também tinham aquele tom de loiro.
Seu coração deu uma remexida desconfortável conforme ela olhava para ele, e o rapaz abaixou, um sorriso semivisível agora que estavam próximos. Não o sorriso desdenhoso tão característico de Draco Malfoy. Mas, forçou-se a lembrar, aquele era Marvin Zaphs, e não tinha idéia de sua verdadeira identidade.
— Achei que estivesse assistindo ao show.
— Eu vejo Alex todos os dias, o tempo inteiro. Não é exatamente uma novidade.
Reparou que ele tinha algo em sua mão e tentou ver, curiosa. Um imenso galão estava encostado em sua perna. Ele seguiu seu movimento e riu, usando a luz da varinha para mostrar o que era.
— Vinho de baixa qualidade. A tradicional bebida dos recém— formados.
— Eu só vejo vocês bebendo cerveja.
— Hábito trouxa, você sabe. Ou talvez... Todo mundo se sinta mais másculo bebendo cerveja.
— E você prefere o vinho?
Ele sorriu, balançando a cabeça.
— Não, mas é o que tinha hoje. Eu tenho vinte e um anos e às vezes também sinto vontade de me embebedar.
Ele tomou um longo gole do galão e ofereceu para ela, que fez o mesmo apenas para mover suas mãos. Já tinha conversado sozinha com Draco, mas era a primeira vez em que estavam isolados daquela forma.
— E, você sabe, eu não sou exatamente o ser mais sociável do mundo.
— Marvin Zaphs, o menino deprimido — ela falou, bebendo um pouco mais. — Não é assim que Alex te chama?
— Alex diz que eu sou paranóico. É um tanto diferente.
— Por que ele te acha paranóico?
— Porque... Eu tenho idéias estranhas de vez em quando.
Os dois ficaram em silêncio. Ginny sabia perfeitamente bem que idéias estranhas eram aquelas: os mínimos reflexos da sua memória alterada. Alternaram o galão de entre os dois, tomando longos goles. Tentava achar a linha do horizonte que separaria o mar escuro do céu noturno e ele olhava pra cima.
— Eu sinto com saudade... De umas coisas que não fazem sentido.
— Como o quê?
— Pedras — ele falou, parecendo sonhador. — Eu sinto falta de Stonehenge.
A ruiva ficou calada, segurando a vontade de sorrir e encará— lo, explicando tudo. Não podia perder a confiança dele, não se quisesse realmente descobrir o que tinha acontecido.
— Você já foi a Stonehenge? — ele perguntou.
— Só uma vez. É muito bonito.
— É forte e intenso! — parecia tão animado e ela achou que era seguro virar o rosto na direção dele, seus olhos brilhavam. — E tão grande, parece que se você voar até o topo da pedra você pode alcançar o céu.
Ele parou, subitamente, levando a garrafa à boca novamente e dando diversos goles seguidos.
— Eu nunca fui até lá — disse, de repente. — Eu nunca fui até a Europa.
— Como? — perguntou, genuinamente confusa.
— Eu nunca fui até Stonehenge e eu sinto falta de lá... Como se... Fosse em outra vida. Você acredita nisso, outras vidas?
A ruiva meneou a cabeça.
— Não sei. Nunca pensei realmente sobre isso.
— Eu sempre tenho essa sensação de que meu passado é muito maior do que realmente é.
— Eu sei do que você está falando.
O loiro acenou, tomando a frase como se ela sentisse exatamente o mesmo, antes de beber mais vinho.
— Você sempre me dá essa impressão, Ginevra.
Seu coração deu um pulo imenso ao ouvir aquela frase. Por um lado, soava absurdamente romântica — ou talvez fosse só sua atração quase incontrolável falando — por outro, não se lembrava de jamais ter mencionado que seu nome de batismo era aquele.
— Eu?
— Quando te vi pela primeira vez... Achei que você não fosse real.
A ruiva franziu a testa, sem entender.
— O que você quer dizer?
— Eu sempre lembro dos meus sonhos. E eu te vi em muitos deles...
— Me viu?
— Bom, eu acho que sim... Só... Mais jovem.
— Como assim mais jovem?
— Mais menina. Mais criança. Não sei...
Ele olhou diretamente no rosto dela.
— O mesmo formato dos olhos. Mas sua testa tinha menos marca de expressão. O mesmo sorriso, o cabelo. O mesmo cabelo. Não tenho dúvida quanto a isso. Nunca tinha visto uma pessoa com esse tom de vermelho no cabelo. Tão flamejante, tão... Vivo.
— E o que você sonhava?
O sonserino deu os ombros.
— Coisas estranhas. Coisas que não fazem muito sentido, talvez... Tão desconexo.
A grifinória limpou a garganta e quando falou sua voz soava melodiosa e ao mesmo tempo como se implorasse.
— Conte para mim.
Ele olhou novamente para o céu, como se procurasse uma forma de explicar aquilo.
— Você... Tinha outros como você, sempre. Mas nenhuma garota, sempre homens. Com o mesmo tom de cabelo, isso é. E você vestia um uniforme... Preto. Bom, a maior parte era preto. Não eram coisas especificas, só você andando, você voando, você rindo... Em vários lugares. A não ser...
— A não ser? – ela estimulou.
— Às vezes eu te via como se você fosse criança. Com um monte de livros. Com um livro estranho nos braços, parecendo tão triste... Tão diferente de você mesma. Você muito pequena, olhando para mim, irritada.
Os dois se encararam por algum tempo. Ginny sentia como se ele pudesse ouvir seu coração batendo: era claro que a mente de Draco lutava contra o feitiço imposto e mostrava a ele durante os sonhos flashes de sua vida real.
— Eu sempre anoto os sonhos... E, de repente, tive muitos seguidos. E então você apareceu aqui. Foi um susto e tanto.
Ela o observava, quase hipnotizada. Aquilo era absolutamente fantástico, um progresso inegável. Quando ele abriu a boca novamente ela se assustou com o tom arrastado de suas palavras.
— Eu achava que você não existia.
Ele tomou mais alguns goles do vinho antes de passá-lo para ela, que bebeu também. Suas mãos tremiam com a tensão e um pouco escorreu pelo canto de sua boca.
— Eu claramente existo.
— E isso faz tudo ainda pior.
Ele a olhou, parecendo corado mesmo na escuridão da praia. O vento zumbia em seus ouvidos, e ele enterrou as mãos na areia.
— Por que pior?
— Eu... Sonhava tanto com você que comecei a procurar mulheres que parecessem com você. Você me parecia... Perfeita, em seus pequenos gestos. E ao mesmo tempo completamente inatingível. E não era minha culpa que eu não pudesse te ter: você era só um sonho... Mas agora você é verdade, e eu sei que eu nunca terei a menor chance. Afinal, por que uma mulher como você, daria atenção para um cara como eu?
— Por que não? — ela falou, com um fio de voz. — E se eu quisesse dar atenção?
— Por que ia querer? — ele insistiu, limpando as mãos.
— O que tem de tão especial em mim?
Ele a olhou de perto, sem conseguir conter o impulso de colocar a palma da mão no rosto da garota, e sua voz era rouca e arrastada como em Hogwarts quando ele respondeu.
— Você... É absolutamente bela... É feita de... Seda e fogo.
Aquilo era demais até para ela. Sem saber exatamente o que a impulsionava, ela suspirou, aproximando-se mais do rapaz, e depois disso, como em um salto cósmico, estavam se beijando. Ginny não sabia — não queria saber — o quanto daquilo era Draco Malfoy, o quanto era Marvin Zaphs. O que sabia é que precisava beijá-lo, desesperadamente, e se não o fizesse coisas terríveis aconteceriam.
Ele a beijava, claramente com tanta vontade quanto ela sentia. Havia força demais naquele ato, uma coisa diferente na forma como os dedos dele entrelaçavam nos fios de seu cabelo e a puxavam mais para perto. Não importava quem ele era ou quem pensava ser. Aquele beijo era verdade.
Nota da Autora:¹ Yearbook é um livro que os americanos fazem na escola, uma reunião de fotos de cada turma, em diferentes momentos do ano-letivo.
Talvez eu devesse avisar que esse é, também, cronológicamente, o capítulo mais antigo da fic inteira. O primeiro a ser escrito. Espero que esteja coerente com o resto, e com tudo, honestamente. xD
Agradecimentos à Lety que deveria fazer um cadastro no para eu poder responder decentemente. xD
