Capítulo 2 - Tradição
Assim que saimos do prédio, estamos eufóricos com a possibilidade /certeza de conseguirmos o apartamento, Jacob até vocaliza esse pensamento, mas não acho muito sensato. Vamos aguardar e ver no que dá.
Nos despedimos, com ele me pedindo para não me demorar no encontro com meu pai e acabar me atrasando para o nosso jantar especial hoje a noite antes de sua viagem para um congresso em Dublin, seja lá o que isso quer dizer.
Ugh. Odeio surpresas, mas ele me garante que eu irei gostar dessa. Veremos!
Me apresso a pegar um táxi, pois ainda tenho que fazer os últimos ajustes no vestido que pedi pra fazer juntamente para essa noite, antes de ir me encontrar com meu Pai, Charlie Swan, em um bar perto da sua nova casa. Enquanto isso, Jacob se apressa para um cirurgia de Ponte de Safena.
A caminho da loja, recebo uma mensagem de Sam, me atualizando das ofertas no apartamento dessa manhã.
Sam: Já são 2 ofertas em 2 horas. Você é realmente boa, garota!
Bella: Como se houvesse dúvida!
Sorrio, porque sou realmente muito boa no que faço e amo meu trabalho.
Chego a loja, e faço os últimos ajuste com Mike, meu afaiate, que jura que é italiano, ele se irrita um pouco comigo e "sem querer" me fura com a agulha de costura.
Estou o repreendendo quando de repente vejo Jéssica, entrando com várias e várias sacolas na mão e caminhando em minha direção
- Bella... Você não vai acreditar! - diz ela assim que chega próxima de mim.
- O que você comprou? - pergunto querendo saber o que foi que a deixou tão animada.
- Muita, muita coisa! Mais não é isso. Tenho uma coisa pra te contar - responde, acendendo a minha curiosidade, me viro para ela e, ela logo acrescenta: - Adivinha quem eu vi saindo de uma joalheria?
- Quem? - Pergunto, sem poder me conter.
- O Jacob. - diz ela.
-Sério? Quando- Digo, sem poder acreditar.
- Agora a pouco. O transito tava parado, ai eu olhei para o lado e o vi saindo da loja com uma sacola vermelha!
- Jura? - acrecento ainda sem poder acreditar.
- As pessoas só tem um motivo para ir à DePrisco's! Vai ganhar uma aliança de noivado melhor que a minha, vadia! - diz sua voz ficando mais fina com a excitação.
- Ai, meu Deus! - expiro.
- Já sabia? - pergunta.
- Não! Preenchi a ficha de uma loja com o nome dele, torcendo pra ele sacar a indireta, mas...
- Ah, ele sacou! Ele entendeu a indireta! - rimos juntas. - Espera... Você tem que ensaiar a sua cara de surpresa, não quero que ele saiba que eu te contei...
- Ok, pode perguntar.
- Pronta? - murmurro em afirmação, e quando ela fala engrossa a voz, para tentar imitar a voz de Jacob, - Casa comigo? - me seguro para não rir, e faço minha melhor cara de surpresa, o que deve ter ficado horrível, por que ela logo acrescenta: - O quê? Você se assustou? Foi horrível! Tenta de novo. - tento novamente ela diz: - Hm.. Abre os olhos. E talvez um pouco de: "Quem, eu?"
Tento novamente , dessa vez fazendo tudo o que ela mandou:
- Quem, eu? - digo, com minha voz mais doce.
- A boa notícia é que você vai ter tempo de praticar até lá - interrompe, então, nos abraçamos, pulamos e rimos como garotinhas do colegial.
Acabo os ajustes do meu vestido, e vou para casa me arrumar, já que irei para meu jantar especial com Jacob logo após, me encontar com meu pai.
Depois, pronta coloco um sobretudo, para não parecer muito arrumada em um bar qualquer. Desço para portaria e espero um táxi.
Chego ao bar ás 19 horas em ponto e, é claro, que meu pai ainda não chegou, então sento no balcão do bar e espero por ele.
Depois de 30 minutos esperando, o bêbado que estava a algumas cadeiras de mim já está sentado justamente ao meu lado.
- Então... - diz ele, de repente e me viro para ele. - Quer Casar comigo?
- Não - respondo com naturalidade.
- Ah, já é casada - diz desanimado.
- Não, - respondo - mas vou ficar noiva. - digo, e nessa hora meu pai aparece.
- Noiva?! Minha filha vai ficar noiva! - diz exultante de alegria. - Garçom! Champagne! - então, ele olha em sua carteira, e então diz: - Uma cerveja, talvez...
- Eu pago. - digo ao garçom e me sento novamente.
Ele senta e se apresenta, para o meu pretendente, e começam a conversar como velhos amigos.
- Já estava me perguntando, quando ele faria isso - riu - Eu pedi a mãe dela em casamento depois de uma semana... - disse para seu amigo bêbado
- Eu a pedi em casamento depois de meia hora...
- Exatamente! - exclamou e se virou para mim - E onde está o felizardo?
- Arrumando as malas, ele vai para um congresso de cardiologia em Dublin. - digo.
- Então ainda bem que ele já te pediu em casamento, se não você teria que segui-lo até Dublin, e dar uma de Vovó Marie.
- Por favor, pai... Essa história de novo não, é uma lenda da família...
- Não é uma lenda, é uma história real, uma tradição da família!
- Pai...
- Você sabe que é verdade, é uma tradição que em todo dia 29 de fevereiro, a cada 4 anos, na Irlanda, as mulheres podem pedir os homens em casamento. - continua, como se eu não tivesse falado nada. - E foi exatamente isso que a sua vó Marie fez, quando seu avô não tomou a iniciativa, ela foi atrás dele e o pediu em casamento, e ai se foram 60 anos de casamento.
- Ok, mas eu não vou precisar dar uma de Vovó Marie, por que ele vai me pedir em casamento. - disse e olhei para o relógio em meu telefone - Agora, eu tenho que ir! Até mais! - digo já me levantando e pegando minha bolsa.
- Mas já? Eu acabei de chegar! - diz um pouco surpreso.
- Sim, mas o senhor chegou atrasado... Nós marcamos às 19 horas, lembra?
- Ah sim, claro.. A gente se vê, então!
Saio do bar, pego um táxi novamente, e me direciono ao restaurante.
Chego ao restaunte, juntamente de Jacob e entramos. Após pedirmos os nossos pratos entramos em uma conversa confortável, e eu estou muito nervosa, mas tento disfarçar o melhor possível. Até que entramos em uma conversa, que parece se desenvolver para o desfecho que tenho tanto tenho ansiado.
- Estou certo, de que vamos conseguir fechar o contrato. - diz ele.
- Estou tão feliz que queremos as mesmas coisas. - digo em resposta.
- Você sempre quer o melhor para nós, né? - diz de repente.
- Do que você tá falando? - digo sem entender.
- Tenho pensado nisso há algum tempo e, por isso, resolvi te dar isso... - diz, e empurra na minha direção uma caixinha preta.
Suspiro realmente surpresa. Olho para ele e digo com um fio de voz:
- O que é? Não precisava! Obrigada!
Então abro a caixa e... Brincos!
Fico sem palavras...
- São brincos... Pras orelhas... - digo, ainda sem acreditar.
- Sim, gostou?
- Claro, são lindos... - fico olhando sem reação para os brincos.
- Não vai colocá-los? - pergunta.
- Sim, claro! Que cabeça a minha... - sorrio sem graça.
Então, ele recebe uma mensagem do trabalho, e precisa ir e de lá irá direto para o aeroporto, e tudo isso enquanto tento manter meu sorriso de satisfação forçado em meu rosto.
Volto para casa, e vou para cama, mas tudo o que eu consigo pensar e no que meu pai me disse sobre dar uma de Vovó Marie. Então, me levanto e busco sobre isso na internet.
- Ah, isso é besteira! - desdenho.
Mas por algum motivo, 1 hora depois, estou com as malas prontas, no carro do meu pai com ele encorajando a minha ideia maluca, a caminho do aeroporto com destino a Dublin.
No avião, me sento ao lado de um padre, e começamos a conversar, quero dizer eu converso, porque no final depois de me aconselhar e eu lhe falar sobre cada esfera do meu relacionamento com Jacob, olho para ele e vejo que está dormindo.
Algum tempo depois, entramos em uma turbulência e o piloto avisa que teremos que pousar em Cardiff, no país de Gales, devido a uma forte tempestade.
Enquanto, todos estão agradecidos por estarmos a salvo, tudo que posso pensar é que não tenho tempo para estes contra-tempos, tenho mil coisas pra fazer em Dublin antes de me encontrar com Jacob, e simplesmente não tenho tempo para isso.
Ao pousarmos vou direto, para o guichê de informação, a após tentar convencer as atendentes, Tumdle dee e Tumdle doo , inutilmente, me encaminho ao porto em busca de um barco, se não posso ir pelo ar, vou pelo mar.
Mas é claro, que os barcos também, não estão saindo também por causa da maldita tempestade. Qual o problema desse país?
Mas eu vou conseguir ir pra Dublin ainda hoje, haja o que houver, ou eu não me chamo, Isabella Marie Swan!
Quando consigo um barco para me levar, é um barco pesqueiro na verdade, e só até Cork, na Irlanda, mas só de sair daquele país eu já estava contente.
No entanto, assim que chegamos a metade do caminho somos apanhados de forma violenta pela tempestade.
O Capitão diz que terá que me deixar em Dingle, e estou prestes a me rebelar e dizer que paguei para que me levasse até Cork então ele vai me levar até Cork, quando, de repente somos atingidos por uma onda que quase vira o barco, então concordo em ficar em Dingle.
Uma vez que, ele vai embora caminho até encontar um bar chamado Caragh's. Entro e me deparo, com um babar cheio de velhos bêbado, porém bem humorados. Pergunto sobre um ônibus indo para Dublin, e eles discutem sobre isso.
Então peço ao garçom, um homem bonito, alto, e com lindos olhos verdes, que acredito que também seja o dono do bar, o telefone de um táxi, ele me entrega, e pego meu telefone para ligar mas descubro que ele está sem bateria, então um dos caras do pub me indica o telefone público, coloco algumas moedas, disco o número do cartão e aguardo enquanto chama.
- Alô? - diz uma voz masculina do outro lado da linha, carregada com o sutaque irlandês.
- Alô! Oi! Preciso de um táxi que me leve até Dublin.
- Onde a senhora está?
- Em um pub esquisito, chamado Caragh, Caraga, sei lá, não importa...
- Tudo bem, mas não levamos americanas morenas...
- Como assim vocês não levam americana morenas? Como sabe a cor do meu cabelo? - o pub todo de repente inrrompe em gargalhadas e me viro, para ver o garçom com o telefone na mão e um sorriso brincalhão nos lábios - Ah, então você é...- digo e vejo que ele coloca o telefone no ganjo, então também desligo o meu, e digo: - Quero que você me leve até Dublin.
- Vou te dizer uma coisa sobre Dublin, moça! Dublin é uma cidade de cobras traiçoeiras, enganadores e trapaceiros. E eu não te levaria a Dublin nem por £ 500,00.
Depois de muita discussão sobre qual estaria menos bêbado e poderia me levar até meu destino, decido passar a noite em um hotel, só pra descubrir que também era ali, enquanto o garçom sorria debochado para mim...
É vai ser uma longa noite...
