Alguns personagens e o universo abordado pertencem a Stephenie Meyer

Ela entrou e me deu boa noite sem notar que eu estava ligeiramente apavorada. Ela notou os copos sobre a pia e me perguntou sobre eles, eu não respondi –não achei voz.

- Heloisa você esta bem?

- eu, eu... – eu desatei a falar, falei sobre o tombo que tomei depois de bater em um cara, falei sobre não conseguir dormir por causa dele, sobre a briga dos vizinhos e quando cheguei à figura do telhado não consegui por isso para fora, algo me disse que não era boa ideia.

Ludi se sentou, e olhou para mim por uns instantes antes de dizer

- você deveria ter ido tomar vinho com agente.

Ela me contou que o Sr Marcello batia na mulher sempre que estava bêbado, e que ninguém fazia nada, pois ele ameaçava não só a esposa bem como os vizinhos e que foi bom a policia prende-lo senão estaríamos com problemas.

-bom não se preocupe, vai dar tudo certo. Só me pergunto o que vai ser das crianças- ela disse pensativa enquanto me contorcia no lugar.

-eh...- eu comecei a dizer já que tinha editado parte da história, quando ela me fitou e ouvi o click de entendimento de onde eu estava

-o que você fez?

-é só por hoje, amanhã alguém vem buscá-las

-porra Heloisa!

- eu sei que é sua casa, que eu devia ter falado com você, mas, eu não podia deixá-las em um abrigo depois de tudo- supliquei

Ela respirou fundo e perguntou onde elas estavam e depois subiu ate meu quarto, entreabriu a porta e espiou quanto voltamos para sala ela parecia cansada.

- não me olhe assim, parece ate que vou afogar filhotinhos- ela disse mal humorada- não estou sendo insensível, acho que teria feito o mesmo é só que isso me preocupa.

- Lourdes eles vem buscar as crianças amanhã

-não são as crianças que me preocupam é o pai delas

- você disse que tudo ia dar certo e ele ta preso.

- sim, mas ele conhece muita gente na cidade ter tido as crianças aqui ajuda a identificar o vizinho que o denunciou

- eu...

- tudo bem, se você não fizesse eu ia fazer, só tome cuidado por onde anda e tranque bem a casa- olhei para ela, eu havia metido minha amiga em problemas tentando ajudar uma estranha

- Helô sei me cuidar e só estou sendo paranóica e se preocupe com você afinal foi você que falou com a policia

Dormi no sofá, tive pesadelos sobre maridos violentos e monstros em telhados. Acordei as seis da manhã com alguém me cutucando. Era um dos meninos o do meio. Sentei e ele me disse algo que não entendi de primeira ate que ele fez cara de agonia e saquei que o moleque queria o banheiro.

Estávamos todos sentados a mesa tomando café quando bateram na porta. Era o policial Biardi com uma mulher, eles entraram e nos cumprimentaram. A mulher, era uma assistente social, eles explicaram que a esposa do Sr Marcello estava se recuperando e que sairia da cidade com as crianças assim que possível.

Eles conversaram com as crianças e as levaram para o tal abrigo. Elas pareciam assustadas e o menor que eu fiquei sabendo que se chamava Paolo chorava muito porque não queria ir. Depois de por as crianças no carro e dispensar a viatura o policial Biardi havia retornado par nos assegurar que havíamos feito o melhor e fazer um alerta velado para que tomássemos cuidado e não hesitássemos em ligar se fosse necessário.

Ludi saiu para o trabalho e eu não consegui ficar em casa, fui até a praça e sentei em um dos cafés. Minha manha havia sido um reflexo da noite anterior- um lixo. Ainda estava com o individuo do telhado na cabeça, não podia ir embora e deixar ludi com o possível perigo dos amigos do vizinho, e não conseguia afastar aquela maldita sensação de alerta que eu tinha quando sabia que vinha problema dos grandes.