Capítulo 3 – The Christmas
A véspera do natal chegou com bastante ansiedade por parte dos londrinos. Havia propagandas, enfeites e músicas de natal nas lojas, nas padarias, em algumas cafeterias e por toda a cidade. A correria no centro havia aumentado ainda mais com as pessoas comprando os ingredientes para a ceia, compras de presentes de última hora, enfim, coisas para o feriado. Harry sentia-se de maneira animada, com um espírito de natal que nunca sentira na vida, pelo menos depois da morte dos pais. O feriado em particular ao qual estava acostumado em Cambrige era bem diferente. Todos os anos era sempre a mesma coisa. Hermione o convidava para passar o natal com sua família ou ele ficava apenas pelos arredores da faculdade jogando conversa fora com Lupin ou alguns de seus outros amigos.
Já em Londres era pura agitação e nada entediante. Naquela semana, Harry passou mais tempo na casa de Sirius que na sua própria, onde a solidão, que já fora sua companheira tantas outras vezes, não se fazia presente. Ele conversava com o padrinho e Marlene, ensinava a pequena Lily a tocar piano, ou mesmo ajudava em algum preparativo. Pela tarde ele ia ao escritório de Draco para que pudessem discutir mais ideias sobre seu livro.
Na tarde do dia vinte e três, ele encontrava-se no escritório do amigo, apenas jogando conversa fora e escutando o noticiário no rádio importado de Draco quando o primeiro ministro Winston Churchill começou a discursar para a população. Harry, que gostava de Churchill particularmente, escutou aos resmungos de Draco sobre como aquilo tudo lhe parecia uma baboseira tremenda. O primeiro ministro mostrou seus sentimentos, assim como os da família real, sobre o bombardeio que acontecera em Londres meses atrás e que matou milhares de pessoas. Falou sobre os tempos de guerra com a Alemanha e sobre a retirada das tropas britânicas dos campos de batalha, para que os soldados pudessem viver algum tempo de paz com suas famílias.
— Eu não concordo com o envolvimento da Inglaterra nesta guerra. — Declarou Draco, enquanto fumava e alisava a gravata indiferente ao gesto. — Só serviu para atrair bombardeios na cidade.
— Foi tudo muito horrível mesmo. — Concordou Harry. — Eu não estava aqui, mas sei que foi quase apocalíptico.
— Nem me fale. — Draco pegou o cigarro entre os dedos e pareceu pensar consigo mesmo. — Imagine essa Londres, agitada em tempo de ano novo e de repente, vazia como um deserto. Pessoas se escondiam em seus porões, viajavam para o interior ou até mesmo para outro país. Foi um verdadeiro caos.
— E quanto á você? — Perguntou Harry curioso. — Ficou aqui?
— É claro que não. — Ele voltou a por o cigarro na boca. — Os pais de Gina moram em Hempshire e ela praticamente implorou para que fôssemos para lá. Ela queria ver se todos estavam bem.
— Eu entendo. E quanto a sua família?
— Meus pais também moram ali por perto. No vilarejo de st. Ottery.
— Sei. — Respondeu Harry.
— Eu acabei comprando uma fazendo naqueles arredores. — Draco confessou. — Eu não vou até lá com a freqüência que gostaria porque eu não posso me ausentar por aqui. Gina também não gosta de ir sozinha. Mas ela sempre me pede para irmos.
— Você atende a todos os caprichos dela? — Harry não pode conter a pergunta. Ele tinha uma ânsia de descobrir mais coisas sobre a Sra. Malfoy e sobre o relacionamento do casal. Draco deu uma risada gostosa e olhou para Harry com conformismo.
— Sabe, Harry? — Ele inclinou-se na cadeira e olhou bem para o amigo. — Meu casamento com a Gina foi arranjado, admito. Nós mal nos conhecíamos. Mas na lua de mel eu descobri perfeitamente como ela era. Depois disso não foi difícil para que eu me apaixonasse por ela. A mulher tem um gênio forte e uma confiança que não lhe é má. A verdade é que eu tive muita sorte.
— Nossa! — Exclamou Harry admirado, mas ele realmente estava. Draco realmente a amava. — Não é muito comum encontrar homens que amem assim as suas esposas.
— Eu sei. — Draco apoiou os braços sobre a mesa e continuou. — A princípio, quando meu pai me comunicou sobre o casamento eu realmente pensei que levaria essa vida de marido infiel, mas... Eu não preciso de outras mulheres. A Gina tem tudo o que eu preciso. E o engraçado é que ela nunca foi... Tímida.
— Tímida? — Harry perguntou sem entender muito bem a frase do amigo. — Como assim?
— Você sabe que todas as mulheres são muito recatadas. — Draco falou em um misto de hilaridade. — Principalmente quando vão perder a virgindade. Mas ela não... Por incrível que pareça ela foi quem tomou todas as iniciativas e foi... Perfeito.
Harry ouvia atentamente tudo o que Draco dizia e ficava a imagina-la com si próprio. Os dois na cama, em um dia de inverno, fazendo amor exaustivamente, aquecendo um ao outro e deixando que ela tomasse todas as iniciativas. "Haaa!" Pensou Harry. Por uns segundos ele teve inveja da cara sonhadora que Draco tinha agora. Realmente, a mulher tinha artimanhas incríveis sobre ele.
— Eu não costumo falar sobre esse tipo de coisa com mais ninguém. — Draco o fitou. — Acho que não preciso reforçar a ideia de que você não deve contar isso pra ninguém, ela me mataria.
— Não precisa se preocupar, Draco. — Harry o acalmou. — Eu não diria isso por nada.
— Acho bom.
Os dois passaram algum tempo em silêncio. O único som vinha do radio, que tocava uma música de Larry Pipper – Through my mind*. Alguém bateu na porta do escritório e Draco mandou a pessoa entrar.
— Sr. Draco. — Era a sua secretária. — Houve um pequeno erro na impressão de algumas páginas que o senhor precisa ver.
— Erro? — Draco ergueu-se da cadeira rapidamente. — Que tipo?
— As letras saíram inversas pelo que o Sr. Crabb comentou.
— Eu não acredito nisso. — Draco passou a mão pela testa e olhou para a mulher. — Diga á ele que já estou a caminho.
— Tudo bem, Sr. Malfoy. — E dizendo isso, retirou-se da sala.
— Já é a segunda vez que isso acontece. — Draco falou com aborrecimento e olhou para Harry em seguida.
— Bem, Draco. — Harry levantou-se da cadeira. — Eu posso ir embora se você preferir...
— Que é isso, Harry? — Draco fez um leve aceno com a mão. — Espere aqui. Eu volto já.
— Tem certeza? — Perguntou e olhou para o relógio na parede. — Já são três e meia da tarde e...
— Eu insisto. — Draco apontou o acento e Harry sentou-se nele. — Vou só resolver isso o mais rápido que eu puder e volto. — Ele já ia fechando a porta, mas voltou. — Aliás, sinta-se á vontade de mudar a estação do rádio ou pegar algum livro para ler enquanto eu volto. Só para se distrair.
— Não se preocupe comigo. — Falou por cima do ombro e Draco saiu da sala.
Harry ficou alguns segundos a apreciar o quadro do Burn-jones á sua frente e depois acendeu um cigarro. Levantou-se, foi até a janela, contemplou o tempo por alguns instantes e respirou o ar puro que preenchia a sala. Encaminhou-se até a estante totalmente repleta de livros e procurou por algo que o agradasse. Olhou, olhou e optou por escolher um clássico de Tolstoi, Anna Karenina. Ele sabia que contava sobre um caso de amor entre um conde e a esposa de um aristocrata, mas nunca o lera de fato. Na faculdade o livro fora citado muitas vezes.
Sentou-se de volta na poltrona confortável e começou a ler com atenção o começo da história. Estava tão entretido que deu um leve sobressalto quando a porta do escritório foi aberta sem cerimônia. Harry virou-se para encarar Draco, porém não era o amigo, e sim a Sra. Malfoy. O coração de Harry acelerou e ele pôs-se de pé rapidamente assim que ela fechou a porta e o encarou com um misto de surpresa e estranheza na face e depois de um segundo lhe lançou um sorriso.
— Olá, Sr. Potter. — Cumprimentou gentilmente e foi em sua direção.
— Olá, Sra. Malfoy. — Harry a reverenciou levemente e pegou em sua mão, beijando-a com emoção. — Espero que não se incomode por eu estar aqui, é que...
— Não se preocupe Sr. Potter. — Ela olhou-o com indiferença á sua afobação. — Pansy me contou que Draco foi resolver um problema lá em baixo. É algo muito grave? — Perguntou com interesse.
— Bem... Foi um erro nas impressões pelo que a secretária falou.
Gina soltou uma risadinha relutante, encaminhou-se para detrás do birô, sentando-se na cadeira do marido, muito á vontade, e logo em seguida fez um gesto para que Harry sentasse.
— Da ultima vez que isso aconteceu, Draco chegou em casa furioso. — Ela mexeu no porta-cigarros e pegou um cigarro para si. — Ficou reclamando a semana toda que haviam perdido folha e tempo.
— Bem... — Harry pegou o livro que estava lendo e pôs sobre as pernas cruzadas, observando o jeito seguro da mulher á sua frente revirar as gavetas á procura de algo. — Então acho que é grave...
— Você tem fósforo ou algum isqueiro? — Ela mostrou o cigarro, que estava seguro entre os dedos. Ela usava uma luva de couro cor de vinho.
— Ah! — Harry levantou-se rapidamente da poltrona e ergueu-se em sua direção com o isqueiro já em mãos. — Desculpe-me.
Gina pôs o cigarro na boca e observou que as mãos de Harry tremiam levemente, enquanto o acendia. Os dois ficaram parados se encarando intensamente á medida que o cigarro começou a queimar. Ele observou-a levá-lo á boca de maneira casual e depois soltar uma leve baforada em sua direção. Neste momento, Harry viu-se incapaz de se mover, somente olha-la de maneira intensa.
— Anna Karenina? — Ela franziu o cenho e fez menção ao livro sobre a poltrona, tirando Harry de sua admiração. — Um gosto peculiar, não acha?
— Oh! Sim. — Ele voltou a sentar-se e pegou o livro delicadamente. — Nunca o li de fato, mas já ouvi muito sobre ele.
— Em minha opinião é uma obra prima. — Ela falou enquanto fumava tranquilamente, como se a cena de alguns segundos atrás jamais tivesse acontecido. — Eu gosto deste livro em particular.
— Ah é? — Harry sorriu. Havia descoberto mais uma coisa sobre ela. — O que chama a sua atenção na trama?
— A coragem que ela teve de largar tudo para fugir com o amante. — Ela falava de maneira pensativa. — Mesmo que o fim seja trágico.
— Trágico?
— Ah, Sr. Potter. — Gina voltou a olhá-lo. — Esqueci que nunca o leu antes. Mas espero que seja uma leitura fascinante assim como o foi para mim mesma.
— Muito obrigado. — Harry sorriu para ela. — Nada me satisfaz mais do que uma boa leitura. Mas me diga, que outro livro tem em sua afeição?
— Deixe-me ver. — Ela ajeitou-se na cadeira e cruzou as pernas. — São muitos, mas... Já leu o amante de Lady Chatterley?
— Sim. Esse eu li na faculdade. — Harry falou com modéstia. — É um romance bem...
— Erótico? — A voz dela saiu firme.
— É. — Admitiu ele, sem graça. Não se sentia muito á vontade de falar sobre aquilo, com ela, em particular. — Não é muito comum ver mulheres lendo estes livros.
— Eu bem sei. Mas sempre tive liberdade de ler tudo o que queria, desde que não fosse algo ruim de fato. Na verdade, meu pai me encorajava a ler quando eu era muito pequena, então comecei a cultivar o hábito da leitura.
— Fascinante. — Exclamou Harry. — Antes de minha mãe morrer ela também me incentivava bastante a ler.
— Foi por isso que formou-se me letras? — Ela parecia interessada de verdade quando perguntou.
— Na verdade sim. — Disse ele. — Embora, meu pai fosse advogado e quisesse que eu seguisse o mesmo caminho.
— Mas ele deixou algum negócio para você?
— Ele tinha um escritório de advocacia. — Ele não sabia por que estava falando todas aquelas coisas. A verdade era que doía muito falar da morte dos pais. — Mas Sirius o comprou para si já que não havia ninguém para tocar os negócios além de mim e eu só tinha sete anos de idade.
— Entendo. — A voz de Gina era solidária, mas não havia traços de pena em seu olhar o que deixou Harry menos angustiado. — Se não quiser falar sobre isso... Eu só estava tentando ser gentil.
— Não se preocupe. Já faz muito tempo e... — Harry suspirou pesadamente. — Pelo menos, agora, eu tenho o Sirius.
— Sirius? — Falou estranhamente. — Mas eu achei que vocês não eram muito próximos.
— E não éramos. — Harry ficou admirado por ela lembrar-se daquele detalhe. — Mas nesses últimos dias nos aproximamos bastante. Parece que ele mudou, eu não sei. Pra lhe falar a verdade, acho que fui eu que nunca dei espaço para ele em minha vida.
— Que bom pra você. — Ela falou com um sorriso delicado. — Ele tem família?
— Sim. Ele é casado com Marlene e tem uma filha chamada Lily. — Harry sorriu ao lembrar-se da pequena. — Lily. Esse era o nome da minha mãe e Sirius pôs o nome da filha em homenagem a ela.
— Então ele considerava mesmo a amizade com seus pais, não é?
— Sim. Muito.
A porta do escritório voltou a se abrir e Draco entrou com passos pesados. Sua cara não era das melhores, mas assim que ele deu-se conta de que Gina estava ali, logo suas feições mudaram para um sorriso carinhoso.
— Que surpresa, querida. — Enquanto passava por Harry ele deu uma leve batida em seu ombro e falou. — Desculpe-me pela demora, Harry. Mas tive que ir concertar tudo.
— Não se preocupe Draco. — Falou Harry, compreensivo. — Eu entedo.
Ele observou Draco ir ao encontro da esposa, rodar a cadeira para si, deixando-os frente á frente e depois dando um leve beijo em seus lábios. Mas na parte do beijo, Harry desviou o olhar e o concentrou na paisagem além da janela. Aquilo não deveria acontecer, já que os dois eram casados.
— Estava comprando algumas coisas no centro e resolvi passar por aqui para saber se você gostaria de alguma coisa. — Ela levantou-se da cadeira e deu passagem para o marido que sentou-se e logo em seguida, apertou os seus ombros, fazendo-lhe uma massagem.
— Não, eu não estou precisando de nada. — Ele respondeu de forma amorosa. — Mas era só isso?
— Bem...
— Com licença. — Falou Harry, educadamente e os dois olharam para ele. — Mas, Draco. Acho que já devo ir. Sirius está me esperando.
— Mas ainda está cedo e eu gostaria de convida-lo para jantar lá em casa esta noite. — Falou animadamente e Harry e Gina se encararam surpresos por alguns segundos.
— Muito obrigado. Mas fica para outra ocasião. — Desculpou-se Harry humildemente. — Eu vou jantar com Sirius e a família então...
— Tudo bem, Harry. — Falou Draco. — Entendi. Ele é seu padrinho, não é mesmo?
— Sim. Ele é.
— Tudo bem então. Mas quem sabe na festa de ano novo não possamos nos encontrar, não é mesmo?
— Eu prometo que vou.
Harry sorriu para ele e caminhou na direção dos dois. Ele apertou a mão de Draco com firmeza e tomou a mão da Sra. Malfoy com a sua e beijou-a, como sempre fazia.
— Eu lhe farei uma visita depois do natal. — Disse Draco, antes de Harry abrir a porta.
— Ou então o Sr. Potter pode nos fazer uma visita. — Gina falou, olhando nos olhos dele. — Não é mesmo Sr. Potter?
— Claro que sim. — Harry falou um tanto quanto confuso. Havia algo implícito na voz da senhora que ele não pode discernir completamente. — Até mais.
Lá fora nevava forte e o tempo não havia dado trégua desde que amanhecera.
Naquela manhã, Harry havia recebido uma carta de Hermione e pelo que percebeu, a amiga falou pouco e demonstrou nada na carta, além de coisas muito superficiais. E ele sabia o por quê do mau humor dela. Praticamente, desde que chegara a Londres, ele havia ligado somente umas duas ou três vezes. E ele sentiu-se culpado quando leu a carta e deu-se conta disso. Não mentia. Ele estava empolgado com a publicação do livro e com a reaproximação de Sirius.
Assim que ele terminou de ler a carta. Correu a procura de um telefone e pediu para que passassem a ligação para a cidade de Cambrigde. Depois de passar quase uma hora esperando por sinal, já que as ligações estavam congestionadas devido ao feriado. Assim que o telefone começou a funcionar mais uma vez, Harry ouviu a voz da Sra. Granger. Ela perguntou como ele estava, se tudo corria como planejado e desejou feliz natal antes de passar o telefone para Hermione.
A princípio, Harry parecia sem jeito de falar com a amiga. Foi logo pedindo mil desculpas e prometeu que ligaria freqüentemente dali em diante. Falou da publicação do livro, omitindo a nova amizade entre ele e Draco. Falou sobre a Sirius e como eles estavam se dando bem. Hermione ficou feliz com a notícia e parabenizou Harry pelas suas conquistas. Ela também contou que havia conseguido um estágio no hospital e que estava extremamente feliz com a oportunidade. Ela disse também, que havia visto Lupin na rua certo dia e que ele perguntara se ela tinha notícias dele, alegando estar preocupado com o seu sumiço.
Harry também prometera ligar para o ex-professor depois do ano novo, quando as coisas ficassem mais calmas. Ele desejou feliz natal e ano novo para a amiga e pediu desculpas mais uma vez por não ter dado tantas notícias. Ele desejou saúde e paz para toda a família e desligou, sentindo o seu coração mais leve depois de falar com a amiga e dela o ter desculpado pela falta de notícias.
O resto do dia fora calmo para todos na mansão dos Black. Sirius não fora trabalhar e Harry pode passar o dia conversando com ele sobre os mais diversos assuntos. Desde o acidente de seus pais até o desentendimento com Lupin. Não que ele tenha entendido totalmente o teor da briga, mas o padrinho disse: "Ficamos vulneráveis e nos exaltamos mais que o necessário, não concordávamos com muitas coisas e no final, o orgulho e a teimosia se tornou mais forte."
Já eram onze e meia da noite quando todos se sentaram á mesa para a ceia de natal. Sirius sentou-se na ponta da mesa, Marlene ao seu lado e Lily do outro. Harry sentou-se ao lado de Lily e percebeu a cara satisfeita do padrinho ao ver a família reunida com tanta paz. Depois de mais tempo do que necessário para comer, já que eles riam e conversavam durante a ceia, finalmente levantaram da mesa. Harry caminhou para a sala com o padrinho, enquanto Marlene e Lily retiravam a louça de volta para a cozinha. Já que eles haviam dado folga para todos os empregados. Mas logo as duas se juntaram á eles e Lily começou a tocar de maneira desengonçada no piano uma das músicas que Harry lhe ensinara, tirando vários sorrisos dos adultos ali presentes.
O som do fogo crepitando na lareira era aconchegante e agradável. No íntimo de Harry, ele sentia-se feliz como jamais estivera desde a morte dos pais. Marlene já estava se tornando quase como uma mãe para Harry e Lily era uma garotinha tão afetuosa que Harry se sentia como seu irmão mais velho e Sirius... Jamais pensara que o padrinho pudesse ser um homem bom, apesar de seu jeito pomposo e imaturo, ás vezes.
Obviamente ele dormiu na mansão mais uma vez. Estava um pouco tonto, devido á alguns copos de uísque que tomara naquela noite. Mal vestiu o pijama de lã branco e logo caiu pesadamente na cama, quase adormecendo em seguida. Mas antes que pegasse no sono profundamente, pensou em como aquele natal havia sido bom e especial.
O ano novo estava para chegar daqui á três dias, quando, atendendo ao pedido de Draco, ele foi até a casa do amigo para uma visita. Sirius pediu para que seu motorista o levasse até lá. Era cinco da tarde quando Harry chegou a mansão. Enquanto esperava que alguém viesse abrir os portões ele pode dar uma boa olhada na casa.
Havia um vasto jardim, com flores de todos os tipos, além de uma grande piscina em frente a casa. Os tijolos eram bem antigos e cor de areia. Parecia ter um estilo muito vitoriano na opinião de Harry e ele pode ver como tudo ali combinava com a dona. A aparência autêntica e delicada. Pensar que ela estava protegida além daquelas paredes e que logo a veria, fez seu coração bater fortemente, o que o fez se sentir culpado e atordoado. Aqueles pensamentos eram proibidos, mas nada aquietava o seu coração ardente ao pensar naquela mulher também ardente. A culpa era mais forte devido a sua nova amizade com Draco. Ninguém merecia ter um amigo que observasse sua esposa mais que o normal.
Harry sentia-se em um completo sentimento platônico. Ela parecia amar o marido, assim como Draco a amava e mais que tudo, ela parecia ser totalmente indiferente a si. Apesar desse pensamento o decepcionar, sabia que era o certo. Seria mais fácil se ela não retribuísse a sua atenção. Ele se perguntava se não era só uma admiração. A conhecia pouco menos de um mês e conversara pouquíssimo com ela. Embora, nas poucas conversas, ela conversara de igual para igual, com aquele jeito felino e sensual que tinha aos olhos dele.
Se ele fosse mais sensato, escutaria os conselhos de Sirius e sairia a procura de uma namorada. Quem sabe se assim ele não se distraía e acabasse percebendo que não sentia nada por ela...
— Sr. Potter? — Perguntou um moreno alto do outro lado do portão.
— Sim. Sou eu. — Respondeu ele, saindo de seu devaneio.
Sem mais nenhuma palavra o homem abriu o portão e Harry caminhou pela estrada de pedra até a sacada da casa. A porta foi aberta antes que ele batesse e a empregada olhou para ele de forma interessada.
— Você é o Sr. Potter?
— Sim. — Disse humildemente.
— O Sr. Draco o está esperando no escritório. — A empregada lhe deu passagem. — Venha. Pode deixar seu casaco no cabide.
— Ah, claro. — Harry retirou o casaco e o pendurou. — Obrigado.
Ele seguiu a empregada pela entrada e logo ela abriu a porta e deu passagem á sala de estar. Era uma sala bem ampla, com muito branco e detalhes dourados. Havia as escadas que levavam ao andar superior e foi com muita satisfação que ele viu quando a Sra. Malfoy surgiu em uma delas e lhe sorriu simpaticamente.
— Olá Sr. Potter.
— Olá Sra. Malfoy.
Harry retribuiu com um sorriso sedutor, enquanto a observava descer os degraus lentamente. Ele foi até o começo da escada. Ela vestia uma saia preta e uma blusa cor de vinho de mangas que iam até os punhos. Uma roupa casual, mas que ficava maravilhosamente perfeita nela. Harry reparou o quanto ela gostava da cor vinho.
— Espero que tenha tido um bom natal. — Ela falou assim que chegou perto dele.
— Foi ótimo na verdade. — Respondeu, enquanto pegava a sua mão e a beijava. Mas desta vez, ele não se curvou como das outra vezes, apenas a encarou atentamente e a viu abrir os lábios levemente. — Espero que o seu também tenha sido ótimo.
— Oh! — Ela exclamou animada. — Foi sim. Fomos passa-los com a minha família e a de Draco em Hempshire. Ficamos na fazenda
— Sei.
— Venha! — Ela terminou de descer a escada e fez sinal para que ele a seguisse. — Draco está lhe esperando. — E com um olhar para a empregada, quase, esquecida, disse: — Pode voltar Silva. Eu mesma acompanho o Sr. Potter.
— Com licença, então. — A empregada fez uma leve reverência e saiu.
— Venha, Harry. — Gina continuou a andar e Harry seguiu atrás dela.
Enquanto eles passavam por um comprido corredor, onde havia algumas portas e que estava repleto de quadros antigos pendurados na parede branca. Ele a observava á sua frente. Seu andado feminino fatal, rebolando de uma maneira decente, sem se dar conta do mal que fazia. Ele tentou desviar o olhar dela e começou a olhar para as paredes e para os quadros. Ao fazer isso não percebeu quando ela parou e acabou chocando-se contra ela de maneira abrupta. Involuntariamente ele a segurou pela cintura e com o impacto dos corpos, ele pode sentir o cheiro gostoso de seu perfume.
Harry não fez nenhum movimento depois disso e ficou á esperar que ela o fizesse. Ela virou-se lentamente, e saindo dos braços dele o encarou ultrajada, mas ao mesmo tempo um tanto quanto confusa. Vendo a expressão no rosto dela, ele afastou-se rapidamente e falou com a voz baixa para que Draco não ouvisse.
— Desculpe-me senhora. Eu me distraí olhando para os quadros e não a vi parar. — Ele lhe reverenciou mais uma vez. — Desculpe a minha falta de mazelo.
— Tudo bem, Sr. Potter. — A voz dela saiu falsa e uniforme. — Não se preocupe. Contanto que não volte a se repetir.
— É claro. Desculpe-me, mais uma vez...
Ela bateu na porta do escritório e entrou. Draco que escrevia algo entretido olhou para os dois e depois sorriu alegremente.
— Olá, Harry. — Ele levantou-se e estendeu a mão.
— Olá Draco. — Foi até seu encontro e apertou sua mão.
— Teve um bom natal? — Draco sentou-se e fez um gesto para que Harry se sentasse também.
— Vou mandar preparar um chá, já que os homens vão falar de negócios. — Gina falou e com um sorriso enviesado, saiu da sala.
Depois que ela saiu da sala naquela hora, Harry não voltou á vê-la, nem mesmo quando foi embora. Draco insistiu para que ele ficasse para o jantar, mas recusou. Estava tonto com a proximidade com Gina mais cedo e queria ficar um pouco sozinho. Antes de ir, Draco o chamou de volta.
— Já tem planos para o ano novo?
— Na verdade não. — Disse Harry com sinceridade.
— Nesse caso... Eu tenho um amigo. O nome dele é Horácio Slughorn. Já ouviu falar?
— Na verdade não.
— Bem... Horácio é um homem muito rico e em todas as viradas de ano novo ele dá festas. Mas tem um porém.
— Ele só convida as pessoas mais influentes e ricas do país. — Ele sorriu um pouco e continuou. — Não é querendo me gabar, nem nada do tipo, mas... Eu recebi três convites dele.
— Mesmo? — Perguntou Harry pouco admirado. Provavelmente ele teria convidado Sirius.
— Será que você não gostaria de ir? Eu tenho um convite sobrando e posso dá-lo a você se quiser.
— Bem... Draco. Por mim tudo bem. — Respondeu, sem realmente se importar.
— Ótimo. — Draco levou á mão ao bolso da calça e retirou um pequeno convite preto com branco e entregou a Harry. — Aqui está.
Harry recebeu o pequeno papel e o examinou. Logo percebeu um aviso em particular. "Baile de máscaras"
— Baile de máscaras? — Repetiu Harry.
— Isso mesmo. — Draco gargalhou. — Será a noite dos mascarados.
— É. Pelo visto essa festa vai ser muito boa.
— Com certeza. — Draco deu uns tapinhas gentis nas costas de Harry e sorriu e o alertou. — Roupa de gala. Smoking, gravata borboleta, sapatos brilhando, tudo bem?
— Sem problemas.
— E a máscara é por sua conta.
*Esse cantor não existe, nem essa música. Eu apenas os inventei na hora.
N/A:Depois de uma eternidade, aqui estou eu de volta. Espero que gostem do capítulo.
BJS!
