Capítulo IV – A Revelação.
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"Pode ser que eu gagueje sem saber o que falar"
"Mas eu disfarço..."
Segredos- Frejat.
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O som da música e as luzes da danceteria faziam os corpos dançarem freneticamente ao passo que pareciam estarem sendo fotografados a todo instante. A pista cheia e o copo de bebida a faziam dançar despreocupadamente. O suor já fazia alguns fios de cabelo grudarem em seu rosto.
Com a manga da camisa enrolada, Sasuke parecia muito mais preocupado em observar o ambiente do que em seguir o ritmo da música. Itachi não se comportava de maneira muito diferente. O olhar de Sasuke logo se encontrou com outro. Os olhos azuis o fitaram com tanto interesse que ele não se preocupou em disfarçar.
Mesmo não tendo contado nada sobre o trato com Sakura, pouco se importava com o que Itachi acharia, para ele, era indiferente.
Enquanto Sasuke se preocupava em dar atenção aos olhares que poderiam confirmar uma boa noite de companhia, Itachi preocupou-se em buscar mais uma bebida e a jovem de cabelos rosados que viu a troca de olhares, procurou sair dali. Levando o restante da bebida à boca, acompanhou o Uchiha mais velho e assim que ele pediu por mais, ela também o fez.
- Você não está exagerando? – perguntou ele.
- Não – respondeu, desinteressada. – Às vezes é melhor estar bêbado do que sóbrio – falou, olhando para Sasuke que a esta altura já se perdera em meio à multidão.
De alguma forma, Itachi sentiu pena ao ouvir a moça falar daquela maneira, pois mesmo que não tivesse perguntado, sabia exatamente do que ela estava falando. Sem ter o que dizer, levou de sua bebida até a boca enquanto analisava os orbes verdes destacados com preto. A falta de gelo no liquido a fez voltar-se para o balcão e pedir por mais.
Em um movimento rápido, Itachi viu Sasuke beijar a loira de olhos azuis. Por mais que estivesse acostumado a ver o irmão a atacar o público feminino, jamais imaginou que ele fosse capaz de tanto. Ao ver que Sakura viraria e veria a cena, tratou de puxar a moça pelo braço, a fazendo tropeçar em seus próprios pés e trombar contra seu corpo.
Assustada com a reação dele, olhou para o mais velho confusa. Ele, que não via outra saída, puxou a moça rapidamente para o outro lado da pista.
- Algum problema, Itachi? – perguntou, assustada com a reação dele.
- Vamos dançar – disse, ainda sério.
Ela, que estranhou a atitude masculina, não o parou e nem o questionou, pois para ela era melhor manter sua mente ocupada do que presenciar cenas desagradáveis. Mas mesmo não vendo onde Sasuke se encontrava, tinha idéia de onde ele poderia estar e com quem estar, mas evitou olhar para os lados e confirmar sua hipótese. Restou-lhe apenas Itachi a se olhar. Ela tentava distribuir sua atenção dançando e bebendo, mas os olhos tristes não se disfarçavam e o Uchiha começou a achar que seu esforço estava sendo em vão.
Percebeu que talvez fosse hora de ir embora, mas se ele a chamasse, teria de chamar o irmão que estava muito ocupado no momento e sem dúvida alguma, a dona de olhos claros veria alguma coisa. Também não queria perguntar o que incomodava a Haruno, pois talvez fosse outro motivo e questionar, poderia gerar um problema que não estava em seus planos.
Num ato impensado, pediu a Haruno que o levasse para casa. Sakura ficou surpresa, mas se prontificou e também colocou-se a perguntar por Sasuke.
- Ele deve ter se perdido ou ido ao banheiro, mas me leve pra casa e o avise por telefone – falou, sentindo-se um verdadeiro idiota.
A tentativa desesperada dele em parecer convincente a fez acatar ao pedido sem delongas. Com a feição ainda triste, colocou-se a andar pelo lugar a fim de procurar a saída. Sakura era astuta o suficiente para entender o que acontecera ali e riu conformada ao ver que tudo aquilo era uma forma de Itachi não deixar que Sasuke fosse visto. Infelizmente, ao correr os olhos para o andar de cima, viu uma figura muito conhecida sendo agarrada por uma mulher que obviamente, ela não conhecia.
Como ela estava na frente, Itachi não percebeu que a Haruno os tinha visto já que nem ele os via mais. Sakura ignorou a cena e saiu da danceteria testando sua capacidade de encenação ao mostrar que estava tudo bem. Mas na verdade, estava tudo bem mesmo.
Ele não era mais nada dela e o que ele fazia, ainda que a ferisse, não era da sua conta.
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A porta do apartamento foi destravada e os dois entraram. Itachi suspirou fundo e tirou a camisa, colocando a roupa no sofá. Jogou-se nele, enquanto ela tirava as botas de salto alto. Assim que se livrou do incomodo calçado, fez a mesma coisa que ele.
Com as luzes acesas, ele que estava em frente a ela, não sabia o que dizer e optou por não permanecer em silêncio. Encurvou-se e com os braços por sobre os joelhos, passou as mãos pelos cabelos e se manteve na mesma posição.
- Você está bem? – perguntou ela, indo até ele.
Sem usar palavras, balançou a cabeça positivamente. Ao ver o gesto dele, ela sentou ao seu lado e num ato não muito pensado da parte da moça, que já se encontrava desiludida e levemente alcoolizada, passou os dedos por entre os fios dele, fazendo-o estranhar e a olhar com certo estranhamento.
Os olhos frios e negros pararam a moça que cessou o movimento, mas manteve seu olhar ao dele. O tempo que passou não foi medido, tão pouco lembrado. Ele não sabia como, mas aqueles dedos lhe arrepiaram a nuca assim que sentidos.
Fechou os olhos, aquilo era bom mesmo que já não sentisse o toque mais. Mas era inexato e tomou conta disso, por mais que a consciência dele já não estivesse em sua total integridade. Itachi não poderia sonhar acordado e muito menos desejar que os dedos da namorada do irmão o tocassem.
Abriu os olhos. Era isso o que ele podia fazer, afinal.
- Eu me sinto melhor – falou ele, quebrando o clima que se instalara.
- Imaginei – disse, enquanto se levantava e agarrava o par de botas.
- Avisarei Sasuke que estamos aqui – falou, pegando o telefone.
- Não se incomode – falou, cortando-o. – Ele não virá – concluiu, deixando o homem sozinho e sem entender coisa alguma.
Ainda um pouco constrangida por ter mexido no cabelo dele, fechou a porta e se livrou das roupas que depois de danças e suores, já não cheiravam o perfume que ela usava, mas sim a cigarros e a bebidas. Apesar do frio, o corpo suado devido à dança clamava por um belo banho. E foi o que ela fez, enquanto o Uchiha de cabelos compridos interrogava o comportamento dela.
Dissipou os pensamentos ao ouvir o chuveiro ser ligado e imediatamente retornou à ação que estava prestes a fazer quando ela o parou.
- Perdeu a noção do juízo? – perguntou, indignado.
- Estou ocupado – falou, com a voz cansada. – Não traí ninguém – disse, defensivamente. – Até mais – falou, antes de desligar.
Assim que o mais novo desligou o telefone, Itachi encostou-se totalmente no sofá e de lá, ficou a observar o nada. O barulho da água cessou e o barulho da porta sendo destrancada assim se fez. O som do relógio da sala era o único que ficou a emitir ondas sonoras durante alguns minutos.
Desistiu de tentar se intrometer e não comprometer o irmão ao ver que aquilo parecia mais estranho do ele podia imaginar. Num impulso, levantou-se e foi atrás de algo doce. A torta de Amy era o prato principal de sua fome.
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A escuridão do quarto fora cortada pela entrada de luz que adentrara o recinto. As cobertas e edredons que aqueciam o corpo dela foram reviradas e do lado frio da cama, pôde sentir a quentura que o corpo dele exalava. O forte cheiro de sabonete saía do corpo masculino e mostrava que Sasuke havia estado em outros lugares além daquela danceteria.
O cheiro também revelava que os flertes e amassos renderam bem mais do que alguns minutos dançando juntos. E tudo aquilo era bem mais dificultoso do que ela julgara ser. Ela teria de ter sangue frio. Mas não era de frio que ela precisava. Ela precisava de calor e era o dele que mais fazia falta.
Sentiu o peso dele afundar o colchão e seus braços puxarem um pouco do que a aquecia. Sentiu ódio por ali estar. Tornou a fechar os olhos e a se encolher, pois noites frias eram sempre frias.
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As luzes da sala pareciam fracas para iluminar o rosto que se afundava entre contratos e procurações de clientes importantes. A preocupação era evidente no rosto do dono da corporação japonesa. Nem mesmo a noitada parecia ter abatido os ânimos do moreno de cabelos espetados. O som do celular o fez parar todas as suas ações e atender com inigualável atenção.
Os olhos negros de Itachi se ergueram e o acompanharam enquanto passeava pela sala. Itachi afrouxou um pouco a gravata e deu atenção à conversa do irmão.
- Estarão prontos na próxima semana – falou, guardando o celular no bolso.
- Achei que providenciariam ainda hoje – falou, desanimado.
- Melhor assim, estou morto – resmungou o moreno mais novo.
- Você é ridículo – retrucou o mais velho. – Não cogito o que você fez nem mesmo em uma cena de filme – falou, reprovando a atitude do irmão.
- Eu não fiz nada – começou. – Sakura e eu não estamos juntos, deveria ter dito antes – concluiu.
A expressão do homem de longas madeixas era abobada.
- Terminamos e ela apenas me acompanhou para que eu parecesse mais responsável aos olhos daqueles miseráveis – iniciou. – Não me dariam dinheiro se eu continuasse a aparecer como um desenfreado – continuou. – É um favor que ela fez, já que eu me ofereci a pagar os estudos dela – terminou.
O tom das palavras de Sasuke o embasbacava cada vez mais. Era como se ele estivesse apresentando uma proposta simples a um grupo de empresários. Mas depois disso, entendeu a reação da Haruno em relação à noite anterior.
- E qual foi a razão de terminarem? – perguntou, curioso.
- Não podia continuar com ela apenas por sexo – contou. – Apesar de mesmo estando cansado quando cheguei nessa madrugada, me segurei para não tocá-la – falou, sem pudor.
- E quando foi isso? – tornou a indagar.
- Tem uns vinte dias – respondeu.
O profundo olhar que Itachi lançou sobre o irmão parecia intimidar a qualquer um que entrasse na sala, mas na verdade, tudo aquilo parecia muito mais ridículo quando ouvia os comentários aleatórios que Sasuke fazia. Soube que a moça de olhos verdes ainda nutria algo pelo irmão e também soube do trato.
Ridículo. E Itachi fez questão de fazer o mesmo comentário, mas não podia negar que aquilo poderia ajudar. Ridículo, porém eficiente. Voltou a atenção ao trabalho assim que a secretária lhe chamou, abrindo a porta. Seus compromissos também tinham o dever de se mostrarem de alta confiabilidade.
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N/A: Para quem esperava e para quem não esperava, o primeiro momento SakuxIta. Fraco e leve, sem graça talvez. Mas, venhamos e convenhamos, eu ainda tenho que cumprir alguns desenrolares da fic.
Agradeço aos fofos e lindos leitores pelas reviews. São todas lindas e gostosas, sim, hoje estou melosa. Acho que é a lua.
Responderei as reviews no próximo capitulo.
Agora aos que gostaram e aos que odiaram, Reviews??
Kisssus e dêem GO!
