Nota da Tradutora: Eu aconselho ler este capítulo escutando essa música! É linda e se encontra na comunidade da fic! As melhores músicas dela são: Dear God, Elsewhere, Do what you have to do e Don't give up on us!

Nós Sempre Teremos Paris
Capítulo 15

Every moment marked Cada momento marcado

with apparitions of your soul Com aparições de sua alma

I'm ever swiftly moving Estou sempre me movendo

trying to escape this desire Tentando escapar desse desejo

the yearning to be near you O desejo de estar perto de você

I do what I have to do Eu faço o que tenho de fazer

the yearning to be near you O desejo de estar perto de você

I do what I have to do Eu faço o que tenho de fazer

but I have the sense to recognize Mas eu tenho o senso de reconhecer

that I don't know how to let you go Que não sei como de deixar você ir

I don't know how to let you GO não sei como de deixar você IR

"Do What You Have To Do" de Sarah McLachlan


"Sr. Malfoy, você está sendo solicitado na sala da Monitoria."

A cabeça de Draco move-se rapidamente quando o Professor Flitwick guincha seu nome. Ele olha ao redor da sala para os rostos curiosos de seus colegas Sonserinos e alguns Lufa-lufas que se atreviam a olhar diretamente no rosto de um Malfoy. Por alguns segundos, Draco ficou sentado sem reação em sua cadeira; Ele não tinha voltado à sala da Monitoria desde aquela Noite. O professor de Feitiços falou impacientemente. "Não perca tempo Sr. Malfoy. Eu gostaria de continuar minha aula."

O jovem sonserino caminhou vagarosamente pelos corredores; O bilhete que o Flitwick tinha entregado a ele não parecia urgente, apenas uma mensagem do Monitor Chefe pedindo a Draco para ir ao escritório. Lentamente, ele virou as curvas e subiu as escadas, temendo seu retorno à cena do crime. Quando alcançou a sólida porta de carvalho, ele apertou seus olhos bem forte. Ele tinha feito o mesmo gesto várias vezes nos últimos dias, mas ainda não tinha obtido sucesso em apagar da memória o rosto chocado de Hermione; até agora não tinha descoberto outro jeito de justificar.

Os olhos dela o assombravam. Cada minuto todo dia. Dormindo ou acordado.

Dizer a si mesmo que ele tinha agido para salvar a família de Hermione também não parecia ajudá-lo. Embora sua cena com Lissanne tivesse sido uma farsa, a dor que isso gerou era verdadeira. Ele achou que tinha experienciado o inferno aquela noite, destruindo Hermione tão malignamente, e que o pior tinha acabado.

Que pensamento ingênuo – seu inferno tinha só começado.

Rasgar o coração de Hermione não tinha sido suficiente – ele tinha que ficar mexendo na ferida para garantir que ela o desprezasse ainda mais, com cada ar que ela respirar. Ele não podia dar a ela a mínima pista de que o que ela presenciou tinha sido uma farsa. Se ela duvidasse disso por um segundo, ela começaria a investigar a veracidade e isso não levaria a um final feliz para ninguém... Menos ainda pra toda família dela.

De repente ele se deu conta de quão ridículo devia parecer, parado do lado de fora da sala dos Monitores, olhando para a porta como um retardado. Ele inspirou profundamente e lentamente liberou o ar quente de sua boca. Apropriadamente composto, falou a senha e girou a maçaneta.

"Oi Duncan." Ele cumprimentou enquanto abria a porta e observava o Monitor Chefe da Sonserina sentado em sua cadeira. "Por que você precisava me ver?"

Sua voz falhou visivelmente no final à medida que ele notava os outros ocupantes da sala.

Ella Benett, a monitora da Corvinal, de óculos e cabelos cacheados estava inclinada contra a janela, seus olhos fixos na porta, como se estivesse esperando por ele... Como também uma Hermione notavelmente perturbada, seus braços cruzados rijamente sobre seu peito, olhando determinada para uma estante de livros velha e empoeirada do outro lado da sala como se seu conteúdo fosse estar nos NIEMs.

Duncan Fitzwilliam se pôs de pé quando Draco entrou. O Monitor Chefe era um bruxo alto de ombros largos com um cabelo castanho cheio e olhos atraentes que mudavam de cor como camaleões. Alguns dias eles eram de um azul pálido, outros dias de um profundo verde, e outros mais cinzas que os de Draco. Eles eram olhos de um perfeito Sonserino, ajustando facilmente para se adaptar a toda e qualquer situação. Ele poderia te vender sua camisa e enquanto isso fazer você achar que estava lhe fazendo um favor. Ele criava suas oportunidades na vida usando seu encanto e sorriso de menino para conseguir o que queria. Suas covinhas adicionavam o perfeito toque de integridade de caráter. Mas ele não era o tipo de bruxo que se traia. Mesmo que os Fitzwilliam não fossem uma família de influência, todos em Hogwarts sabiam que não deveriam cruzar caminho com Duncan; sua tendência de guardar ressentimentos era infame seus métodos de vingança eram bem planejados. Ele reunia o melhor da Sonserina, e até mesmo as outras casas não podiam negar que ele havia sido um ótima escolha como Monitor Chefe.

As mãos de Draco moveram-se fracamente enquanto fechava a porta atrás dele, mas então ele agarrou a maçaneta como se ela fosse um salva-vidas salvando-o de um afogamento. Se não fosse pela porta, as ondas de ansiedade certamente o teriam derrubado no chão com um desafortunado boneco de pano sendo jogado num mar crespo. Ele limpou sua garganta algumas vezes antes de se virar para os outros.

"Sobre o quê é essa reunião? Onde estão os outros Monitores?" Foi consolador ver que sua voz não tremeu nem um pouco quando falou, assim, ele manteve seu comportamento experientemente frio.

"Hey Draco." Duncan cumprimentou um pouco rijamente enquanto caminhava em direção a seu assento. Ele se inclinou um pouco, descansando suas mãos em cima da cadeira enquanto esticava suas longas pernas antes de cruzá-las nos tornozelos. "Sente-se."

Ele acenou para a cadeira do lado de Hermione. A não ser por seu pé balançado pra cima e pra baixo em aborrecimento, Hermione estava uma estátua – imóvel, sem expressões e rígida.

Draco adentrou ainda mais a sala, parando do lado da cadeira que Duncan tinha indicado, porém, não fazendo nenhum gesto de que ia se sentar. "Do que se trata?"

Ele observou o olhar ansioso que Ella lançou a Duncan antes de sair da janela e também se inclinar sobre a carteira.

Ella Bennett uma beleza, mas sua autoconfiança e inteligência a faziam se sobressair sobre as outras bruxas de Hogwarts. Ela tinha as notas mais altas da sua classe, mas também tinha muito bom senso... E ela não se deixava intimidar, o que era uma característica necessária para qualquer um que dividisse responsabilidades com Duncan Fitzwilliam. Sua mente racional e cabeça fria a tinham ajudado a prevenir mais de uma discussão alterada durante a reunião dos Monitores. Embora Draco nunca fosse admitir isso pra ninguém, ele a achava a melhor escolha para Monitora Chefe, melhor do que a Sonserina que também tinha sido nomeada.

Ella chamou atenção dele para o motivo desta reunião improvisada com um suspiro. "Nós queríamos falar com você sobre seu comportamento recente."

"Meu comportamento?" Draco perguntou na defensiva.

"Não, seus comportamentos." Ella disse, acenando com sua mão entre ele e Hermione. Ela deu outro suspiro. "Acredito que todos nesta escola estão cientes de que vocês dois não estão mais juntos. Os detalhes não me interessam, porém, a agitação que está criando está ficando fora de controle."

"Não é de sua maldita conta Ella." Draco vociferou asperamente, irritado com a interferência de todo mundo em uma situação já delicada. Ele olhou rapidamente para Hermione, mas ela ainda estava examinando a maldita estante.

A Monitora Chefe era conhecida por sua diplomacia, entretanto, não era uma pessoa de se brincar também. Ela falou firmemente. "É com certeza mais do que da minha conta Draco, quando vocês abusam de suas posições e se atacam."

A cabeça de Hermione voltou a prestar atenção ao ouvir isso, mas seu pé continuou seu balanço nervoso. Draco cruzou os braços desafiadoramente. "Você está ficando maluca, sabia? Baboseira. Eu não abusei de nada." Ele virou-se para Duncan, apelando para que seu colega Sonserino o ajudasse. "Duncan, faça o favor de explicar para essa Corvinal mal informada que difamar um Malfoy não é inteligente. Eu não acredito que você me tirou da aula pra isso." Ele deu meia volta e, com dois passos largos, estava na porta.

"Volte aqui Draco." A voz de Duncan chamou. "Ella e eu concordamos que devemos lidar com esse problema o mais cedo possível. E, acredite, é melhor tratar conosco do que com a McGonagall, o que será exatamente você vai encarar se não se virar e voltar aqui."

De má vontade, Draco virou-se e marchou até a cadeira que Duncan gesticulou, e sentou-se com um audível e aborrecido acesso de raiva.

"Assim está melhor." Ella olhou bem nos olhos dos dois estudantes. "Dificilmente não perceberíamos... Ou os professores... Que desde o rompimento de vocês, as tensões entre Griffinórios e Sonserinos tem aumentado consideravelmente, levando a condutas problemáticas."

Uma risada furtiva escapou dos lábios de Draco, fazendo-o receber de Ella um olhar severo.

"Vocês são Monitores em suas respectivas casas, porém, ao invés de tentar atenuar os confrontos, vocês dois parecem incentivá-los, e isto não é um comportamento adequado para pessoas na sua posição."

"Não é culpa minha que os Grifinórios sejam piores que os monstros que o imbecil do Hagrid tenta nos ensinar." Draco disse com maldade. "Eles são uns selvagens."

Pela primeira vez desde que ele tinha entrado na sala, Hermione olhou em direção a ele. Seu olhar frio o perfurou como espadas de gelo. "Cale sua boca Draco." Ela gritou irritada.

"Pra começar você não sabe nada sobre o Hagrid; ele é um homem muito melhor do que você possa ser. Ele é honesto e leal, dois conceitos que são completamente estranhos a você, seu idiota pretensioso."

Draco forçou a si mesmo a não se hesitar com o olhar assassino nos olhos dela, ou desviar deles, mas seu estômago se revirou em tormento. "Seus amigos são uns selvagens Hermione. Eu perdi as contas de quantas vezes eles tentaram me abordar nos corredores. Você não pode colocá-los numa corrente ou algo parecido."

Seu pé agitado chamou a atenção de Draco e sua irritação subiu pela cabeça.

"E pelo amor de Merlin, pare de ficar batendo seu pé desse jeito. Parece um maldito pêndulo." Ele respondeu com irritado.

"O pé é meu e eu faço o que eu quiser com ele." Ela retrucou rispidamente. "Mesmo que isto signifique chutar a sua..."

"Pessoal, vamos tentar nos concentrar no trabalho." Duncan interpôs com uma voz agitada, se afastando da cadeira.

"Estamos aqui para discutir suas ações recentes - e não jeitos criativos de aumentar a mágoa do outro."

"Está bem." Draco grunhiu antes de afundar em sua cadeira. "Mas não vejo porque eu tenho que estar aqui por isso. São aqueles malditos Grifinórios que estão causando toda a briga. Eles são problemas da Hermione."

Hermione sorriu orgulhosamente pra ele. "Não sou eu que estou exibindo um olho roxo e um lábio estourado Draco. Mas acho que você está certo; você não estava brigando de verdade. O termo 'brigar' implica fazer alguma coisa além de cair no chão um monte de vezes e se queixar que nem uma garotinha."

Draco não precisou fingir a raiva em sua voz. "Você está correta Hermione, não é briga quando são dois ou três contra um. Isto se chama emboscada. Apesar de toda aquela história sobre a bravura dos Grifinórios, nenhum dos seus teve a coragem de me encarar no um contra um; eles sempre têm que ter seus camaradas para salvar suas caras patéticas."

Subconscientemente, sua língua passou rapidamente pela leve cicatriz de seu lábio ainda não completamente curado, onde o Weasley tinha batido numa tentativa sortuda uns dois dias atrás do lado de fora da sala de Transfiguração.

Não tinha passado nem um dia desde o incidente que Draco não tinha sido aferroado numa briga com alguns Grifinórios por causa de seu comportamento abominável para com um deles. Como se fosse, por exemplo, as manchas rochas que ele recebeu na bochecha, cortesia do compassivo e bondoso Harry Potter, pulsavam com uma dor entorpecente.

Ele direcionou seu olhar furioso para o Monitor Chefe. "Você sinceramente espera que eu não faça nada pra me defender contra aquelas bestas? Algumas vezes eles me atacam tão rápido que não tenho tempo para puxar minha varinha. Eu irei revidar sempre que for necessário, mas quero deixar registrado que são eles que sempre começam."

"Isto é discutível." Ella comentou olhando duvidosamente pra ele. "Todavia, problemas não devem nem ao menos chegar a essa proporção, onde Sonserinos e Grifinórios estão brigando entre cada aula."

Seu olhar caiu sobre a Monitoria Grifinória. "Hermione, isso é tanto sua responsabilidade quanto de Draco."

"Eu mal consigo suportar ficar na mesma sala que ele, imagine estar por perto o suficiente para topar nesse sujeitinho nojento." Ela replicou com raiva.

"Eu sei, mas, pelo que consta você tem estado presente em quase todo incidente envolvendo Grifinórios e o Draco, e ainda assim você não fez nada para interferir ou fazê-los recuar." Ella explicou racionalmente.

"Hermione, os Grifinórios são seus colegas de casa, e é sua tarefa como Monitora fazê-los entender que brigar não é perdoado... Quer a pessoa mereça isso ou não."

Draco ficou eriçado com a insinuação, mas, ela não falou a verdade?

"Você precisa explicar que esmurrar a cara dele até ficar uma polpa de sangue não ajuda ninguém... Pelo menos nenhum de vocês."

Draco inseriu. "Eu estou ofendido. Alguns golpes sortudos e um minúsculo arranhão no meu lábio dificilmente constituem uma 'polpa de sangue'."

Duncan lançou-lhe um olhar de aviso, suas sobrancelhas formando um severo V enquanto seu olhar de camaleão se estreitava. Draco sabia que suas covinhas não iriam aparecer durante essa reunião.

"Hermione, nós esperamos que você reúna e diga aos Grifinórios que esta briga tem que acabar." Duncan continuou enquanto direcionava seus olhos para a Grifinória, seu comportamento relaxado manteve tudo calmo.

"Neste caso, ambas as casas estarão com pontos negativos por uma semana, e não acho que ninguém queira vê-la assim pela primeira vez em Hogwarts."

Ele olhou friamente para os dois Monitores.

Hermione sentou-se abruptamente em sua cadeira e gesticulou freneticamente na direção de seu ex-namorado enquanto implorava.

"É ele que está tirando metade dos pontos da Grifinória esta semana, não os professores! E não foi nem mesmo pelas brigas! É por vingança e por coisas triviais."

Duncan caminhou até o outro lado da cadeira e pegou uma extensa folha de pergaminho. Ele deu uma olhada rápida nele antes de voltar sua atenção aos Monitores.

"Ella e eu temos examinado esta lista de infrações e os pontos tirados nos últimos dias, e nós temos que concordar com você neste ponto."

Draco olhou para seu colega Sonserino categoricamente, mas o garoto mais velho o ignorou.

"Tem havido um, surpreendentemente extenso, número de pontos retirados da Grifinória pelo Monitor da Sonserina do Sexto ano, e isto também tem que parar Draco." Ele concluiu, direcionando seus olhos penetrantes para seu colega de casa. Draco virou-se com um ar ofendido.

"Eu sei o que você está pensando. Sim eu sou um Sonserino, mas também sou o Monitor Chefe, e eu não vou permitir que você abuse de sua autoridade para prolongar uma disputinha amorosa com uma Grifinória. A Sonserina tem uma boa Chance de vencer a Copa das Casas este ano e não quero nenhum rumor de que isso foi apenas uma questão técnica, já que o nosso Monitor do sexto ano ficou sedento de poder e tirou pontos excessivos de nosso principal concorrente."

Draco levantou-se de sua cadeira em defesa. "Eu mantenho todos os pontos que tirei daqueles hipócritas mal educados. Eles mereceram perder cada ponto retirado."

Ella revirou os olhos com raiva e foi até Duncan para olhar a lista. "Cinco pontos retirados de Lilá Brown por escrever com tinta verde-amarelada; Cinco pontos de Dennis Creevy por olhar nos seus olhos na hora do almoço; dez pontos de Dino Thomas por roncar alto na biblioteca; dez pontos de Neville Longbottom por ter derrubado seu pergaminho no corredor." Ela terminou a leitura e olhou, sobre seus óculos quadrados, para Draco que não se incomodou em esconder seu sorriso. "Draco tirar pontos por esse tipo de coisa é ridículo e você sabe disso."

Ele deu de ombros casualmente e repetiu claramente. "Eu mantenho minhas decisões."

"Bem, infelizmente, não podemos permitir." Duncan declarou com um pesado suspiro. Draco lançou-lhe outro olhar de surpresa. "Desculpe Draco, mas se Ella e eu não interferirmos agora, a McGonagall irá, e isso é um aborrecimento que nenhum de nós quer."

"Mas se você devolver todos os pontos, enfraquece minha autoridade como Monitor." Draco argumentou.

"Então mantenha isso em mente na próxima vez que você decidir abusar de seus privilégios." Ella explicou num tom que deixou pouco espaço para negociação. Suas sobrancelhas suavizaram um pouco.

"Nós não vamos devolver todos os pontos de qualquer jeito. Somente metade. Mas encare isso como um aviso de que nós observamos nossos Monitores e que seu poder não é absoluto. Você pode ser um Malfoy, porém, dentro desses muros você é somente uma sextanista. Isto está entendido?"

Draco acenou que sim bruscamente e cruzou os braços. Ela virou seus olhos para a outra garota.

"Hermione isto serve pra você também, não só pro Draco. Duncan e eu não queremos ver a quantidade de pontos que você tirou da Sonserina também." Hermione acenou que ela tinha entendido.

"Ah e esperamos que ambos vocês impeçam seus colegas de casa de se esmurrar em cada oportunidade."

"Já acabou?" Draco arrastou as palavras com uma voz entediada. "Eu preciso voltar pra aula de Feitiços."

Duncan e Ella se olharam e chegaram a um tipo de acordo silencioso. O Monitor Chefe gesticulou pra Hermione. "Você pode voltar pra aula Hermione, mas eu gostaria de dar uma palavrinha com você Draco."

Com um breve tchau para Duncan e Ella, Hermione se virou, ignorando Draco, e saiu rapidamente, seu ombro batendo fortemente no braço dele quando fez seu caminho até a porta. Ele fechou seus olhos e respirou fundo. O cheiro de baunilha e pêssegos de seu xampu doeu mais do que seu ombro.

Quando Ella se acomodou na macia poltrona de couro atrás da cadeira para analisar cuidadosamente alguns documentos, Duncan acenou com sua cabeça em direção a janela e gesticulou para Draco segui-lo. O Sonserino mais novo inclinou-se pesadamente sobre a parede; ele entendia que Duncan tinha agido com as melhores intenções para sua casa e como deveria um Monitor Chefe... Mas mesmo assim. Tirar pontos da Grifinória foi o único meio de Draco se divertir em dias difíceis, e Duncan tinha simplesmente acabado com isso. Draco jogou sua cabeça pra trás um pouco, para retirar uns fios de longos cabelos loiros de seus olhos; ele tinha estado preocupado demais nas últimas semanas para aparar seu cabelo. Com um ar desinteressado e arrogante ele perguntou:

"O que é agora Duncan? Eu já te disse que vou ser um bom menino de agora em diante." Ele arqueou um pouco sua sobrancelha e sorriu. "Qual é o problema? Não confia em mim?"

Pela primeira vez desde que Draco tinha entrado na sala, Duncan sorriu, expondo brevemente suas profundas covinhas. Seus olhos vagaram rapidamente para a Monitora Chefe para se certificar que ela não estaria ouvindo.

"Eu queria ter certeza que você entendeu o porquê de Ella e eu chamarmos vocês dois aqui."

"Perfeitamente. Vocês não querem que nenhum dos desagradáveis estudantes sejam atingidos pelo fogo cruzado. Eu entendi."

"Não. Você não entendeu." Duncan respondeu, seus olhos verdes acinzentados examinando significativamente os olhos prateados de Draco.

Seu tom sério capturou a atenção de Draco. "Eu tenho certeza que seu pai provavelmente contou-lhe, neste meio tempo, que a Câmara já decidiu sobre as denominações para Monitor e Monitora Chefe logo após a última rodada de entrevistas."

Sim, ele já me deu a 'boa' notícia,Draco pensou tristemente.

"Mas isso não é totalmente verdade. Eles podem mudar de idéia a qualquer tempo antes de Dumbledore ler os nomes no Baile de Despedida. Então não estrague tudo Draco. Se alguns dos votantes ouvir sobre sua briguinha com os Grifinórios, eles poderão decidir que você não é a melhor escolha apesar de tudo." Ele avisou. "Seria uma grande vitória para a Sonserina vencer este título por três anos consecutivos. Nenhum dos estudantes, incluindo eu, sabe os resultados até o Baile, mas eu sei que você e o Potter são os principais concorrentes para Monitor Chefe. E também posso te afirmar que muitas pessoas estão surpresas pelo forte competidor que você tem se mostrado. Graças a você, nomear Potter como Monitor chefe não é mais um fato como muitos pensam." Ele sorriu novamente, a cordialidade e afabilidade do movimento era traída somente pelo olhar astuto protegido por suas grossas sobrancelhas.

"É hora de ser inteligente, não uma criança mal-criada e metida a besta."


Hermione saiu apressada da reunião. Já tinha sido ruim o suficiente ela ter recebido o bilhete mandando-a para aquele Lugar durante a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, porém, quando Ella contou-lhe rapidamente sobre o que era a reunião, Hermione desejou que o chão do Castelo se abrisse e engolisse-a. Como ela iria suportar vê-lo naquela sala outra vez? Não fazia nem uma semana que ela o tinha flagrado com aquela prostituta, e ela tinha procurado evitar aquele corredor com êxito... Até agora.

Ela mal tinha deixado a Torre da Grifinória aquele final de semana, escolhendo, por exemplo, sair pra comer com Harry e Rony na casa de Hagrid, embora ela mal conseguisse suportar o cheiro de comida, sem falar no gosto. Mas seus amigos tinham insistido: "Você não pode ficar confinada aqui Hermione." Eles lhe disseram, ficando a seu lado todo o tempo a não ser quando era hora de dormir. Embora ela também não tenha dormido muito. A experiência toda a deixou com uma forte dormência, deixando-a física e mentalmente exausta. O silêncio ensurdecedor de seu quarto a levou a procurar conforto na cálida e estalante lareira do salão comunal onde poderia olhar sem expressão pela janela, perdida em seus pensamentos, se perguntando o que teria feito de errado.

Havia lágrimas, é claro; algumas eram de tristeza, vários tipos, mas também havia a raiva, um tipo de aversão também. Ainda que na maioria das vezes ela sentisse como se estivesse com uma corda amarrada em volta de seu coração, apertando tão forte até ele ficar completamente dormente.

Ela temia contar a Rony o que tinha acontecido incerta se poderia agüentar o "Eu te disse" que ela devidamente merecia. Mas isso não aconteceu. Quando ele se sentou em sua cama no domingo de manhã, totalmente confuso com o comportamento misterioso de Harry dizendo que Hermione precisava falar com ele, ela contou a Rony o que aconteceu há apenas algumas horas. Ela imaginou que o segundo relato dos acontecimentos seriam mais fáceis do que quando ela contou pela primeira vez ao Harry, porém, foi igualmente doloroso e a fez sentir-se tão vazia quanto antes. Rony a abraçou fortemente junto a ele, dizendo-lhe que tudo iria ficar bem. Uma vez que ele e Harry sabiam, eles pareciam alimentar a hostilidade que ambos sentiam pelo adversário Sonserino que eles repugnam há anos. Foi com muitas súplicas e sinceros apelos que eles não derrubaram a porta do salão comunal da Sonserina e rasgaram Draco em pedaços. Mas ela foi egoísta; ela queria seus melhores amigos com ela, não recebendo detenções.

No santuário da Torre da Grifinória, era fácil ignorar todo o resto do castelo, fácil de esquecer que o mundo inteiro não tinha parado por que seu coração estava em pedaços. Algumas vezes ela queria ir até Draco e colocar tudo em pratos limpos com ele, mas seus amigos a convenceram que isso não era uma boa idéia. Depois de julgar o Phillippe e o Draco tão erroneamente, sua confiança em fazer julgamentos tinha abalado. Ela deixou seus amigos pensarem por ela nesses primeiros dias porque sabia que eles se importavam com ela.

Quando Hermione sentou na sala da Monitoria, esperando a chegada de Draco, ela tinha prometido ignorar a presença dele tanto quanto possível; quanto mais cedo isso acabar melhor. Ela tinha jurado silenciosamente que não iria falar nem olhar pra ele. Entretanto, ela falhou ao calcular o quanto ele cheirava bem; no momento que ele fechou a porta, prendendo-os em uma sala, seu perfume seu perfume caro insultou seus sentidos, o cheiro fresco e recém chegado a provocou com lembranças dele; o primeiro beijo deles em um beco escuro de Paris, a última noite deles em Beauxbatons, aconchegada junto a ele enquanto caminhavam para Hogsmead, as noites deles na sala de estudos da livraria. Seu coração estava rompendo em duas direções distintas – metade queria fugir para o mais longe possível e nunca olhar pra trás... Mas a outra metade traidora só conseguia se lembrar do quanto ela o amou. Se ela pudesse chutar a si mesma, ela teria feito isso.

Com uma surpreendente firmeza, Hermione permaneceu fiel ao seu voto de silêncio, porém, quando Draco fez aquele comentário sobre o Hagrid, ela não conseguiu mais segurar sua língua; toda sua raiva e desprezo com seu ex-namorado tinha se espalhado como um caldeirão virado. Olhar dentro de seus olhos impenetráveis pela primeira vez em dias aumentou seu desejo pela verdade sobre o que tinha dado tão terrivelmente errado.

Então ela esperou.

Demorando-se do lado de fora da porta, ela andou nervosamente, ansiosa para ele sair e, todavia temendo que ele saísse. Ela sabia que não estava pronta para essa conversa e que se Harry e Rony estivessem ali, a teriam levado pra longe.

Mas ela estava sozinha.

A compreensão tinha solidificado sua decisão. Hermione tinha amigos maravilhosos para ajudá-la a lidar com a traição dele, mas ela nunca tinha se sentido tão sozinha em toda sua vida. E isto era por causa de Draco.

Antes que tivesse tempo de preparar um discurso, Draco estava parado na saída da porta. Os passos dele falharam quando a viu, obviamente, esperando por ele, e ele lançou seus olhos para todos os lugares pelo corredor, se recusando a olhá-la diretamente. Ele hesitou por alguns segundos dando-lhe um curto aceno com a cabeça e então, sem falar nada, ele caminhou em direção à escadaria com passos largos e elegantes.

Antes que ele pudesse escapar, Hermione perguntou enquanto ele se retirava: "Só uma pergunta Draco... Por quê?"

Mesmo de costas para ela, ela podia afirmar que um lado de sua boca estava curvado em um sorriso. "Não é óbvio?"

Hermione fincou seus pés no chão firmemente e cruzou os braços. "Eu quero que você diga."

Ele suspirou pesadamente antes de balançar a cabeça casualmente. Sua resposta saiu com uma leve impaciência. "Porque Liss me ofereceu o que você nunca deu."

"Um amasso sórdido! Isso é a causa de tudo?" Ele se virou abruptamente, suas vestes girando ao seu redor como uma nuvem de fumaça negra.

"Não, embora tenha definitivamente sido uma vantagem, e certamente não foi sórdido." Seus lábios se curvaram ainda mais enquanto seus olhos de aço zombavam dela. "A maioria dos homens não gosta de ser segunda opção. Liss entende isso."

Ela colocou seu peso em seu pé esquerdo. "E você acha que tinha que ser isso comigo?"

"Não, com você era mais como quinta ou sexta opção." Sua voz exaltada de perturbação com as últimas palavras.

Hermione ficou de boca aberta em descrença. "Como você pode dizer isso? Nós estávamos no mesmo relacionamento? Porque eu passei a maior parte do meu tempo livre com você." Ela concluiu enquanto mexia rapidamente a mão em direção a ele.

Ele apontou de volta asperamente. "Correto. Seu tempo livre, o que dificilmente você tinha porque você estava ocupada demais ajudando as dúvidas intelectuais dos Grifinórios ou engajada em alguma atividade amigável e nauseante com o Potter e o Weasley. Você mal arranjava tempo pra mim... Pra nós. O que você esperava que eu fizesse? Ficasse esperando a sua disposição até que você pudesse me incluir na sua agenda cheia?"

A raiva crescente dele deixou suas bochechas vermelhas e suas sobrancelhas formaram um nítido "V" à medida que suas palavras saiam como gotas escaldantes de lava de um vulcão em erupção. "Isso é uma grande mentira! Eu passei a maioria das minhas noites de estudo com você ou com aqueles trogloditas que você chama de colegas de equipe. Além do mais, se você não gostou do que estava acontecendo, porque você não disse nada?"

"Quando eu teria a oportunidade?" Ele retorquiu com um riso melancólico.

"Mesmo quando você estava comigo, um de seus parasitas sempre estava por perto ou nos interrompendo esperando conseguir as repostas para de algum dever de casa do grande cérebro de Hermione Granger. Eu provavelmente poderia contar nos dedos quantas vezes ficamos sozinhos e sem ser interrompidos por mais de dez minutos." Ele se aproximou dela enquanto olhava com desprezo. "Isso dificilmente é o que eu chamo de um relacionamento satisfatório."

Ela não fugiu de seu ataque verbal. Agora que eles tinham ficado frente a frente, a raiva dele envolvia também a dela. "E aposto que aquela prostituta ficou mais do que feliz de estar disponível pra você quando você precisava."

"Você está certa. Liss correspondeu com muito entusiasmo as minhas necessidades."

"Você alguma vez cogitou me contar?"

Os olhos dele brilharam maldosamente. Uma parte do cérebro dela implorou para que ela desse um passo pra trás, mas seus pés se recusaram a cooperar com sua cabeça.

Com uma leve curva em seus lábios, ele percorreu a curta distância que os separava e colocou uns fios de cabelo atrás da orelha dela, um simples gesto que ela recebia com alegria há dias atrás. Agora o seu coração pulsava de pavor e vergonha, sua pele treme com a eletricidade quando as macias pontas dos dedos dele tocaram sua orelha.

"Isso depende."

"De que?" Ela perguntou pesadamente, seus olhos colados nos dele como ímãs enquanto ele pegava o queixo dela em suas mãos e começava a puxar seu rosto em direção do dele. Ele tinha infligido tanta dor nela, ele a tinha humilhado além do limite, ele tinha mentido pra ela do jeito mais cruel possível... E ainda assim ela não conseguia resistir ao seu toque. O desejo de estar próximo a ele ainda estava com ela.

Enquanto se aproximava, ele respirava calorosamente contra os lábios dela. "De quão longe você estava disposta a me deixar ir."

Seus lábios encontraram os dela num beijo esmagador antes que ela pudesse se afastar. Enquanto sugava seu lábio inferior, sua mão forte agarrou o pescoço dela e segurou a sua cabeça firmemente contra a dele. O beijo dele não foi gentil, foi exigente. Não era nada parecido com as carícias delicadas e sensuais que ela tinha trocado com ele. Isso era mais uma mensagem cruel do que uma demonstração de carinho.

E ela o entendeu perfeitamente.

Finalmente, ela empurrou fortemente seu peito, impulsionando-se com segurança pra fora do alcance de seus braços. Ela enxugou seus lábios molhados com as costas de sua mão enquanto ofegava. Ele a encarou presunçosamente, zombando dela por permitir que o beijo durasse seu tempo. Sua mente vacilou, procurando por uma repulsa adequada, porém, é claro, ele conseguiu organizar seus pensamentos primeiro.

"Eu devia ter esperado isso. Você sempre dá um jeito de parar antes de chegarmos de fato na melhor parte."

"Bastardo." Ela murmurou com os dentes cerrados.

"Olhe Hermione, me desculpe, mas você queria a verdade. Não me culpe se você é fraca demais para encará-la." As palavras dele foram como um tapa. Ela se afastou alguns passos, saindo do ataque do círculo de fogo.

"Por que você está sendo tão cruel Draco?" Ela perguntou finalmente com uma voz ferida. As palavras frias e dolorosas dele e suas ações insensíveis criaram uma pergunta que ela não estava certa se a queria respondida, mas sua razão exigia isso. Pela primeira vez desde que eles começaram a discutir, lágrimas estavam se acumulando em seus olhos, mas ela se recusou deixá-lo ver uma lágrima sequer cair. Ela fungou calmamente e olhou pra cima, fixando seu olhar no lustre, rezando para conseguir manter sua cabeça erguida e para que as lágrimas não tivessem chance de escapar. Depois de alguns suspiros profundos, ela fungou novamente antes de abaixar sua cabeça e olhar pra ele de novo.

"O que você disse e fez desde setembro foi tudo uma grande mentira?"

Draco não respondeu imediatamente, mas ele não se mexeu ou piscou. Ele apenas a encarou. Difícil. "Não faça perguntas que você sabe que não quer as respostas Hermione."

Mas Hermione não se intimidaria. "Responda a pergunta seu canalha. Você me deve isso."

Ela encarou os olhos imóveis dele, se perguntando se conseguiria ver algum indício do jovem bruxo que tinha aquecido sua alma com palavras e gestos carinhosos. Mas foi um estranho que olhou de volta.

Um silêncio desagradável se estendeu entre eles por alguns agonizantes momentos enquanto ela esperava sua resposta.

"Não. Não tudo." Estranhamente a confissão dele não a fez se sentir nem um pouco melhor do que ela previa.

"Então o que deu errado?"

"Você disse uma pergunta Hermione, e eu já respondi mais de uma." Ele disse de modo enfadado. "Agora eu vou para a aula."

"Bem, as suas respostas não foram satisfatórias. Eu quero mais." Ela replicou com sua voz trêmula contendo suas lágrimas.

Ele sorriu condescendentemente para ela. "Isso querida foi o nosso maior problema."

"O que você quer dizer?"

"Eu serei o primeiro a admitir que algo aconteceu entre a gente antes do Baile de Inverno, mas não foi nada certo ou exclusivo. Porém, mal completou três meses no nosso relacionamento "oficial" e você declarou seu amor por mim."

Hermione cerrou seus punhos tão forte que pôde sentir as unhas cavando em suas palmas, mas ela não estava ciente de nenhuma dor a não ser a dor de ter seus sentimentos postos de lado como um aborrecimento casual.

"Você pode negar tudo que quiser, mas em seu pequeno e puro coração Grifinório, você queria que eu dissesse de volta."

Embora ela odiasse admitir isso pra si mesma, uma parte dela, lá no fundo, sabia que ele estava certo. E embora a sinceridade dele a machucasse, ela precisava saber.

Ela devia saber que tudo era bom demais pra ser verdade.

Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, cada um contemplando seus pensamentos, refletindo sobre os tumultuosos meses passados. Ela podia sentir que o elo de honestidade entre eles ainda não tinha se partido. Um pensamento inquietante lhe ocorreu, e não foi pela primeira vez.

"Isto tem alguma coisa a ver com o seu pai? Porque quando ele veio te visitar eu pensei que..."

"Eu e a Lissanne dormimos antes disso Hermione. Na verdade, algumas semanas antes disso." Ele disse monotonamente.

"Oh."

Não é de se admirar que ele tivesse sido tão compreensivo todas as vezes que ela tinha que adiar os encontros deles. Lissanne estava esperando pronta pra agir.

Ele respirou fundo. "Quando começamos, eu nunca planejei fazer isso. Quando nós estávamos na França, eu sentia uma ligação com você e quando voltamos a Hogwarts, os sentimentos se intensificaram... Exponencialmente. Você se tornou minha obsessão. Eu tinha que ter você. E então eu tive."

"Então, uma vez que você me teve, você não me queria mais?"

"Eu nunca fui o tipo de bruxo que se contenta com o que tem. Eu sempre quero mais."

"E a Pansy?"

Ele a olhou perplexo. "Pansy? O que ela tem a ver com isso?"

"Você a namorou por mais de um ano."

"Namorei, bem, ela não era uma pessoa tão ligada à monogamia como você mostrou ser." Ele tentou esconder seu sorriso, mas ele já estava formado em seus lábios. E depois seu olhar ficou sério. "Quando te beijei no Baile de Inverno, eu nunca tencionei fazer com que as coisas terminassem desse jeito, mas, tudo foi diferente do que eu esperava... Você era diferente."

"Como eu era diferente? Você achou que eu faria sexo com você depois de um beijo na frente da escola toda?"

"Não, é claro que não, mas eu esperava que você fosse um pouco... Sei lá... Diferente da garota que eu conheci em Beauxbatons. Nós estudamos juntos lá e nós ajudamos a passar, então eu vi em primeira mão, como seu trabalho escolar é importante pra você. Caramba, eu admiro isso em você, mesmo depois de tudo que aconteceu. Mas eu pensei que ter você como minha namorada iria adicionar um outro nível no nosso relacionamento." Ele explicou com um olhar significativo. "Um nível mais físico. Mas isso não aconteceu."

Ele respirou profunda e inconfortavelmente, parecendo, pela primeira vez durante todo o dia, que ele se arrependia da dor que estava causando a ela. "Era chato Hermione. Você era entediante."

"Bem." Ela anunciou, ficando de pé ereta, inalando profundamente e passando as costas de sua mão nas bochechas para certificar de que nenhuma lágrima errante tinha escapado. Elas ainda estavam secas, mas ela sabia que não ficariam por muito tempo. "Bem eu pedi respostas e agora acho que as consegui. Eu devo voltar para a aula de Defesa Contra As Artes das Trevas antes que o sino toque."

Ela girou rapidamente descendo pelo corredor, rezando para que pudesse alcançar o banheiro das meninas que ficava perto, antes que o dilúvio a envolvesse.

Ela tinha respostas. Quando isso veio completamente à tona, os problemas eram por conta dela. Ele gostou dela no início; ele não mentiu em relação a isso pelo menos. Resumindo, o medo que ela tinha de não ser uma namorada interessante o suficiente para alguém como Draco Malfoy tinha se tornado realidade.

Os ombros de Draco caíram em uma falsa vitória. Ele respirou fundo várias vezes enquanto se perguntava se o caroço, que se formou em sua garganta quando ele partiu o coração de Hermione pela segunda vez em uma semana, iria misericordiosamente, ficar grudado e sufocá-lo.

Enquanto Draco engolia para resistir a um gosto desagradável rastejando-se contra seu estomago ele ouviu uma voz gentil atrás dele.

"Você também tem assuntos a tratar na sala dos Monitores Sr. Malfoy? Eu tenho uma reunião com o Sr. Fitzwilliam e a Srta Bennett. Algo sobre o Pirraça e os banheiros novamente, tenho certeza."

Ele nem mesmo tinha ouvido os passos do Diretor se aproximando, por isso não percebeu o tom de humor. Levando alguns segundos para se recompor antes de encarar o Professor Dumbledore, Draco segurou e alisou sua gravata verde e prata e depois limpou sua garganta. Quando ele finalmente se virou, o bruxo de cabelos brancos estava observando-o curiosamente sobre seus oculozinhos de meia lua. Foi somente nesse momento que ele percebeu que já tinha esquecido a pergunta do diretor. Dumbledore sorriu bondosamente e repetiu sua pergunta, dando a Draco uma chance de responder.

"Na verdade, eu tive uma reunião com Duncan e Ella. Eu estou voltando pra aula."

Draco podia sentir as camadas do seu labirinto de mentiras sendo tiradas pelo olhar imóvel e da cor do céu de Dumbledore. Esse era o diretor. Ele não estava aqui para ajudar todosos estudantes, não só os idiotas com cicatrizes na testa? Seria tão fácil deixar toda essa bagunça nas mãos de Dumbledore, ter uma das mentes mais brilhantes na história bruxa para descobrir a resposta pra ele.

Era uma fantasia infantil e fraca; Draco sabia disso. Os riscos eram grandes demais para perder. Mas, quando os olhos brilhantes , quase cientes, de Dumbledore atravessou por ele, Draco sentiu que talvez, possivelmente, o velho podia ser confiável. As palavras estavam envenenadas em seus lábios, prontas para escapar, quando a porta da sala dos Monitores abriu.

Ella olhou entre os dois ocupantes do corredor surpresa. "Professor Dumbledore, Senhor, pensei ter ouvido sua voz. Duncan e eu temos nosso relatório pronto para o senhor, se o senhor fizer o favor de entrar." Ela abriu mais ainda aporta para permitir que o diretor entrasse na sala. Quando ninguém se mexeu, Ella virou-se para Draco.

"Pensei que você voltaria pra aula Draco. O sinal vai tocar em breve e você precisa pegar seus livros."

Antes que pudesse dar uma boa desculpa, Dumbledore colocou uma mão gentil, porém firme, em seu ombro. "Bom dia Senhor Malfoy. Talvez possamos conversar de novo, quando o senhor tiver um pouco mais de tempo. Ele reuniu seu juízo e afastou-se respeitosamente do velho bruxo."

"Bom dia Senhor." Em seguida, retornou para o paraíso seguro das escadas antes que mais alguma idéia idiota aparecesse.


Era como assistir Hagrid pentear seu cabelo – completamente inútil e terrivelmente doloroso. Hermione Granger era uma das amigas mais íntimas e queridas de Rony, e não havia limites para a inteligência dela. Entretanto, ela teve duas evidentes imperfeições. 1) A inabilidade de voar facilmente com uma vassoura. 2) A arte de namorar. Foi esse último defeito que fez Rony tremer de angústia. Ele supunha que, tendo em vista que é seu ex, podia fazer com que até a garota mais racional como Hermione se comportasse estranhamente, e, considerando o pequeno showzinho que Draco e aquela vadia Sonserina estavam exibindo pra todo mundo no bar, Rony não podia culpá-la por tentar pagar na mesma moeda. É, o salão estava quase cheio, mas haviam muitas cadeiras para Lissanne plantar sua carcaça. Ela realmente precisava ficar no colo do Malfoy pra ele apalpá-la por debaixo da mesa? As pessoas estavam tentando comer, e na última vez que ele tinha checado o cardápio, o pacote Combo Doninha Nojenta não estava nele.

As risadinhas molecas de Hermione trouxeram a atenção de Rony de volta para seus colegas Grifinórios. Hermione nunca dava risadinhas. E por uma boa razão; ela parecia a Trelawney com overdose de Poção apimentada. Ele observou enquanto os olhos dela passavam rapidamente em direção ao outro lado do salão onde o jogo de hóquei de amídalas de Malfoy e Lissanne tinha se prolongado. A face de Hermione ficou vermelha de raiva e ciúme antes dela virar seu sorriso grande e cheio de dentes para Neville. Não foi a primeira vez que Rony teve compaixão por Neville, uma dos caras mais legais e atenciosos em sua opinião. Tirando o fato de que Neville nunca tinha namorado nenhuma garota na casa deles; ele deve ter ouvido a frase "Você é um amigo tão bom." Mais do que qualquer outro Grifinório na história de Hogwarts. Avaliando a cena diante dele, Rony percebeu que a cara alegre e vermelha de Neville e a agitada tentativa de conversa eram totalmente justificadas. Afinal de contas, se Hermione tinha memorizado as 101 Maneiras de Xavecar como um Profissional e tentado testá-las nele em um período de dez minutos, Rony também se sentiria dominado, e ele não era estranho às astúcias femininas. Obviamente ele não era tão popular com as garotas quanto Simas ou seu irmão mais velho Carlinhos, mas Rony tinha reunido uma justa quantidade de admiradoras com o passar dos anos. Ainda que toda sua experiência pudesse não tê-lo preparado para tal assalto de atenção de Hermione. Se ele tivesse adicionado todas as vezes que Hermione tinha batido as pálpebras, enrolado o cabelo sobre seus ombros, descansado sua mão alegremente no braço de um bruxo, ou perguntado sobre o time favorito de Quadribol de um cara nos seis anos de sua amizade, o total ainda seria menos do que a quantidade dessa tarde. Neville nem estava tão excitado sobre o término de seu projeto de Herbologia quanto Hermione parecia estar.

Mas a principal preocupação de Rony não eram os sentimentos de Neville. Neville nunca era o objeto de tão excitante atenção para uma garota; seu cérebro receberia uma sobrecarga sensorial e o pobre coitado mal retribuiria um terço dos elogios que ela fazia a ele.

Rony estava preocupado com Harry.

Algo tinha acontecido entre Harry e Hermione, mas nenhum dos dois falava. Depois das experiências que eles três tinham passado juntos, Rony sabia ler o rosto de seus amigos mais fácil do que sua cópia muito amada e usada de Quadribol Através dos Séculos.

Entretanto, o rompimento de Hermione com Draco tinha requerido atenção imediata para certas situações, mais do que descobrir um segredo não confirmado entre seus dois melhores amigos. Coisas como sentir os ossos do nariz perfeito do Malfoy quebrar embaixo de sua soqueira, assistir alegremente enquanto o presunçoso sonserino cuspia vários dentes no chão, ou chutar o filho da mãe tão forte no estômago que ele se curvasse de joelhos se arrastando e depois chutar um pouco mais, estavam no topo da lista das prioridades de Rony. Claro, Hermione tinha suplicado a ele e ao Harry para não fazer nada que pudesse metê-los em grandes problemas… Pelo bem dela. E nenhum deles podia suportar deixá-la mal depois do que aquele idiota tinha feito com ela, então as surras eram mantidas em um nível respeitável.

E agora tinha se passado uma semana. Hermione ainda estava evidentemente abatida e insegura, por ter seu coração partido pelo seu primeiro namorado de verdade. Ela tinha enfrentado os olhares questionadores dos Grifinórios, Lufa-Lufas e Corvinais com graça e compostura, e os insultos zombeteiros e as alfinetadas cruéis dos Sonserinos com um ar indiferente. Mas, na maior parte do tempo, ela parecia apenas parcialmente ciente de que o mundo existia e que ela estava vivendo nele. Ela tinha deixado Harry ou Rony decidir o que eles iriam fazer ou aonde eles iriam. Ela nem reclamou com Rony quando ele entregou um trabalho de História da Magia que era cerca de 10 centímetros mais curto.

E ele odiava isso. Odiava que sua amiga sensata, mandona e reclamona tivesse perdido sua auto-estima por causa de um Malfoy, nem mesmo por um curto tempo. Ele sabia que a maior parte de sua energia era gasta nas coisas cotidianas, como se levantar da cama toda manhã e se certificar que ela comeu pelo menos alguma torrada com chá pra se alimentar; contudo, ocasionalmente ele veria flashes de sua Hermione.

Depois de sua conversa particular com aquele idiota desprezível, a Monitora Chefe da Corvinal e aquele bajulador do Fitzwilliam, Hermione tinha contado a Rony e ao Harry que as doses diárias de Divertindo-se com a Doninha tinham acabado. Ela disse que tinha tomado algumas decisões na reunião e insistiu que queria deixar toda essa experiência no passado. Rony acreditou nela; ele a tinha visto todos os dias se esforçando para entender tudo isso.

Testemunhar a evidência esmagadora de que o Malfoy tinha partido pra outra – até mesmo antes de seu relacionamento com a Hermione terminar – criou uma situação constrangedora. Embora Rony admirasse a decisão de Hermione de não se afugentar do Três Vassouras por causa da demonstração de afeto sem disfarce, ele se sentia culpado pela execução do "Eu vou lidar com isso do meu próprio jeito" dela. Afinal, ele não poderia deixar o Malfoy com ciúmes se ele estava preocupado com a calcinha de Lissanne. O canalha inescrupuloso nem mesmo tinha olhado na direção dos Grifinórios desde que entrou no bar. O caso era que Hermione parecia determinada a remediar.

E isto deixava Harry tão tenso quanto ele estaria se tivessem pedido para ele ser o apanhador da Inglaterra amanhã.

A olhares conflitantes que o jovem amigo de cabelos pretos de Rony lançava para a bruxa determinada e seu antigo rival fizeram Rony entrar em ação. Antes que Hermione pudesse exibir suas extremamente destreinadas habilidades de flerte num infeliz Neville, Rony tinha visto um estranho olhar de culpa ou vergonha trocado entre Harry e Hermione, quase como se suas intenções iniciais tinham sido para Harry, mas depois ela tinha recalculado rapidamente.

E agora Harry parecia tão desconfortável quanto Rony.

Finalmente, decidindo que esta charada inconfortável tinha causado estragos suficientes aos pobres espectadores, Rony levantou-se rapidamente de sua cadeira.

"Hermione você me ajudaria a pegar mais algumas cervejas amanteigadas pra gente?" Três olhares caíram sobre ele; Os pares de esmeralda de Harry o agradeceram silenciosamente.

Hermione olhou esquisito para os meninos, mas, como nem Harry nem Neville fizeram alguma objeção, ela acenou e se levantou para contornar a mesa. "Está bem Rony, eu ajudarei, mas espero que não demore muito. Neville estava explicando seus planos para transplantar as algas."

Rony revirou os olhos com um suspiro quase inaudível, ela nem percebeu. Os olhos dela percorreram o lado do bar que fica a Sonserina subconscientemente. Rony não comentou nada. Ao invés disso, ele puxou seu braço, chamando sua atenção para ele mais uma vez.

"Não se preocupe, eu não vou demorar. Eu sei o quão excitada você fica quando se trata de estufas e ervas. Minhas pernas estavam ficando com cãibras debaixo daquela mesa pequena." Ele inclinou-se e sussurrou perto de sua orelha enquanto eles voltavam. "Além disso, eu queria falar com você sobre uma coisa."

Quando eles iam em direção ao balcão, ela se virou para encará-lo, olhando-o diretamente nos olhos pela primeira vez desde que eles tinham sentado na taverna. "O que é Rony?Você está com esse olhar horrível na cara como se os Chudley Cannos tivesse acabado de contratar Dorian Pitt como o novo goleiro."

Rony balançou sua cabeça em agonia e esfregou sua mão no rosto.

"Primeiramente, Dorian Pitt se aposentou pelos Wasps, não pelos Cannons, duas temporadas atrás onde ele passou toda sua carreira, e segundo, ele era um apanhador, não um goleiro.

Ele olhou diretamente em seu rosto, sabendo que ela realmente não sabia o que estava fazendo na mesa ou o porquê. Mas isso não significava que ele se sentisse como se estivesse asfixiando-a forte. "Terceiro, como Neville só estava contando ao Harry sobre como seu tio o tinha levado ao jogo final dos Pitt dois anos atrás no seu aniversário de quatorze anos, você saberia disso se mesmo um pouquinho da atenção arrebatadora que você estava demonstrando pelo Neville fosse verdadeira e não uma tentativa dolorosa de deixar o Malfoy com ciúmes."

Hermione não fez nenhum gesto para responder quando Rony pausou para respirar fundo; ela estava claramente espantada com sua aguçada observação. Ele sorriu de modo estranho.

"Eu presto atenção a outras coisas além de garotas e Quadribol, sabe."

Ela balançou sua cabeça. "Não é isso. Eu apenas não consigo acreditar que você usou a palavra "arrebatadora" numa frase. E corretamente."

Rony deu um empurrãozinho em seu ombro e ela sorriu pra ele naturalmente. "Sua tentativa de me distrair não funcionou Hermione. Eu sei o que você está tentando fazer. Mesmo que o Malfoy tenha estado ocupado demais pra notar."

Sua boca abriu e fechou algumas vezes. Com uma risada vazia, ela finalmente falou: "Me diga, por favor, o que é que eu estou fazendo demais? È imprudente ter uma simples conversa com alguns bons amigos?"

Ele soltou uma gargalhada alta. "Se aquilo foi uma simples conversa, então, eu sou o aluno favorito do Snape. Eu não sei o que você espera ganhar flertando desavergonhadamente com um bom amigo como Neville, mas é uma péssima idéia. Uma muito ruim mesmo."

Ela abriu sua boca em uma fraca negação, mas Rony ergueu sua mão para acabar com os protestos dela. "Não me olhe assim. Eu estou ficando com uma doença de pele por causa da quantidade de vezes que você bateu seus cílios para o pobre coitado, e o seu pescoço vai ficar imensamente dolorido depois de jogar tanto seu cabelo. Você tem muitos talentos Hermione – mais do que as bruxas da sua idade – mas, por favor, para de flertar com seus colegas de casa. Pelo nosso bem."

Ela abaixou os olhos e observou os utensílios do bar atrás dela. "Eu fui tão horrível assim?" Ela murmurou miseravelmente. "Eu não sei o que me deu pra fazer aquilo. Honestamente."

Seu olhar seguiu o dela, que se moveu inconscientemente para o lado da Sonserina. Ele olhou novamente para a forma distraída dela nos utensílios do balcão, onde a tristeza velava seus olhos como uma cortina pesada e seus ombros se curvavam em derrota. Ele deu um suspiro alto chamando sua atenção.

"Eu acho que estar tentando fazer ciúmes em alguém que nem mesmo merece tocar a bainha da sua roupa seria um bom palpite. Ou pelo menos fazê-lo notar você. Mas esse não é o jeito de superar ele Hermione. Em primeiro lugar, é inútil e idiota, e em segundo lugar, você está arrastando inocentes com você."

Ele acenou em direção a mesa deles, onde Harry parecia mais zangado do que o normal e Nevill estava alisando sua gravata e passando as mãos nervosamente pelo cabelo. "Eu não quero que mais nenhum amigo meu se machuque por causa do Malfoy."

Ela riu levemente sem acreditar. "Eu acho muito difícil o Neville ou o Harry cair aos meus pés visto que, como você mesmo disse delicadamente, minhas habilidades na paquera deixam muito a desejar"

Rony não queria deixar a porta aberta, nem mesmo uma fresta, para essa possibilidade. Ele aproximou-se dela, para que somente ela pudesse ouvi-lo. Lambendo os lábios nervosamente, ele confessou; "Eu estou prestes a contar-lhe algo que pode me meter em problemas, mas você precisa saber. Mas primeiro você tem que jurar que você nunca contará a uma outra alma que foi eu que te contei."

Seus olhos giraram em choque e preocupação. "Eu juro Rony."

O ar entre eles estava pesado de expectativa, seus olhos colados nos dele sem piscar, como se ela estivesse com medo de perder alguma coisa importante se seus olhos se fechassem por uma fração de segundos. Ele respirou fundo e sorriu conspiratoriamente. "Todos os bruxos de dezesseis anos pensam que toda garota quer eles."

A expressão de Hermione relaxou e seu olhar preocupado suavizou em um risinho aliviado. "E eu pensei que você ia me dar algumas palavras de sabedoria. Honestamente Rony, toda garota com metade de um cérebro já sabe disso." Ela empurrou o ombro dele enquanto revirava seus olhos brincando.

Ele se arrepiou um pouco com a reação cavalheira dela, mas ficou encantado de vê-la sorrindo, por ser um fato raro durante essa semana que passou. Ele também estava feliz por ela estar prestando atenção em uma coisa que não fosse o Malfoy.

"Enquanto é verdade que uma pequena porcentagem de caras são indubitavelmente irresistíveis para as mulheres." Ele pausou com um sorriso convencido.

"A maioria das jovens bruxas são lamentavelmente iludidas."

Ela cobriu a boca com as mãos enquanto sorria sinceramente, mas ele puxou sua mão e a segurou. Ele queria que ela percebesse que não estava mais brincando. "O mínimo estímulo pode fazer queimar as chamas mais intensas Hermione. O que você considera inofensivo pode ser interpretado de várias formas diferentes, e você pode, involuntariamente, acabar magoando pessoas que não merecem."

Ela olhou pra ele duvidosamente. "Honestamente, você não pode achar que eles levaram aquilo a sério." Ela olhou incerta para os dois bruxos em questão.

"As coisas nunca foram assim para o Neville... Ou Harry."

"Eu duvido, mas quando se trata de garotas, as regras gerais não se aplicam aos caras de dezesseis anos. E nada é mais tentador do que uma donzela em perigo que precisa ser salva... Especialmente de um dragão."

Ela balançou sua cabeça. "Mas eu não preciso ser salva."

"Eu sei disso, e você sabe disso, mas eu conheço alguns caras que ficariam mais do que felizes em ajudar você a superar o Malfoy... E tudo que precisaria seria algumas palavras de incentivo." Ele podia ver a preocupação escurecendo seus olhos de novo. "O que eu estou tentando dizer é que eu acho está encarando isso de forma errada. Ao invés de deixar o Malfoy com ciúmes, o que sejamos francos..." Ele acenou sua mão em desgosto para o sonserino. "... Não está funcionando nem um maldito pouquinho, já que ele nem mesmo notou que você está em Hogsmead, sem falar na mesma sala."

Ele a viu estremecer com suas palavras, mas sabia que era a coisa certa a fazer. "Por que você não faz alguma coisa que realmente o deixaria puto da vida?"

"Como o que?"

"Continuar de onde você parou antes dele ter te deixado em pedaços."

"E você não acha que é isso que eu estou tentando fazer?" Ela sibilou.

"Só tem uma semana. Eu ainda sinto tudo girando fora do meu controle. Quando acho que consigo encarar, alguma coisa acontece para deixar tudo confuso mais uma vez."

"Eu sei que tem sido difícil, mas se você realmente quer se vingar dele, a melhor coisa a fazer é pelo menos fazê-lo pensar que você já seguiu em frente." Enquanto ele falava o ritmo de suas palavras acelerou enquanto as palavras brotavam de seus lábios, uma fraca idéia ainda se formando. "Por agora, é óbvio pra todo mundo que olhe pra você que você esta se insinuando para..."

"Eu não estou me insinuando." Ela interrompeu com severidade.

"Sim você está, mas ele não tem que saber isso. Você não me disse que uma das coisas que mais incomodava aquele idiota era o quão próxima você era de seus amigos? Se você se dedicar as coisas de antes – e sejamos francos, nós somos mais interessantes do que aquele cretino qualquer dia da semana – ele ficaria completamente fora de si por você ter retomado sua vida de volta ao normal sem cicatrizes, como se ele mal tivesse sido um eco no radar de sua vida."

Rony podia ouvir a idéia aparecendo enquanto ela pensava no assunto, analisando rapidamente a proposta dele.

"Essa realmente seria uma forma doce de vingança."

Ela sorriu afetada. "E no momento, não será tudo fingimento."

Ele segurou a mão dela firmemente na dele. "Logo, logo você estará se perguntando o que foi que você viu naquele canalha do Malfoy. E conhecendo você, você estará tão ocupada revisando para as provas finais que você nem vai se lembrar..."

Hermione lançou-se de pé, seu rosto completo branco. "Ah não!" Ela gritou.

"Só faltam três meses pras finais, não é? E eu relaxei a semana inteira, tudo por causa dele e daquela rameira." A fascinação de estudar foi forte demais para ela resistir, e ele admirava aquele brilho ardente de determinação que corava suas bochechas quando ela tomava uma decisão sobre alguma coisa.

"Eu tenho que fazer a minha agenda, notas para revisar, capítulos pra ler..." Ela murmurou fazendo uma lista mental em sua cabeça, enquanto seus olhos adquiriram um olhar focado familiar. Ele sorriu sabiamente – ela deve estar pensando sobre seu sistema de tabela colorido. Finalmente seus espantados olhos felizes fixaram-se nele.

"Obrigada Rony. Esta conversa era exatamente o que eu precisava."

Ele respirou aliviado. "Deus. Então podemos voltar à mesa sem mais nenhum fio de cabelo girando ou risadinhas femininas?" Só lembrar disso o fez estremecer visivelmente.

"Você está brincando? Eu tenho que voltar a Hogwarts. Ao contrário do que você e o Harry acreditam, uma pessoa não pode estudar somente por segurar um livro muito perto."

Continua...


Nota da Tradutora: O próximo capítulo acontecerá o antecipado Baile de Despedida!Se preparem! Muahahahahaha

A autora estava lendo Orgulho e preconceito quando estava escrevendo esse capítulo e foi de onde ela tirou os nomes Ella (Bennett) e Duncan's (Fitzwilliam). Tem o filme também... com Natalie Portman eu acho, muito bom, mas como sempre, o livro é melhor!

Já leram as outras fics que eu traduzo? Todas são fics que eu gostei muito, as minhas favoritas entre as favoritas.

Hermione Malfoy

Tornando-se a Senhora Malfoy

Pais Jovens Demais

A Vida é Feita de Escolhas (1,2,3 e 4) da Mickky (Aqui no FFN)

Apaixonada Pela Serpente da Angy (Presente no Floreios e Borrões)