PARTE 4 – Um pequeno imprevisto
Não tinha me dado conta de que tinha desmaiado até acordar na emergência do St. Mungo's. Normalmente apenas um desmaio não teria sido razão suficiente para me levarem para lá, não fosse o super-zelo de madame Pomfrey e Harry combinados.
Foi ele que acordou ao meu lado e explicou:
– Você está no hospital.
– Isso é bom. Pensei que eu tivesse morrido e estivesse num céu bruxo particular. Vou ficar bom?
– Você já está bom.
– Eu acho que alucinei. Sonhei que estava no nosso casamento e que Severus Snape, veja só, tinha se erguido do reino dos mortos para dizer que queria impedir nossa união.
– Er... Sabe esse sonho? Não foi sonho.
Encarei Harry e ele não parecia estar brincando. Então, num impulso, eu falei:
– Tem algo que eu preciso lhe dizer.
Ao mesmo tempo, Harry disse:
– Eu preciso lhe dizer uma coisa.
Enquanto nós nos olhávamos, senti que havia algo ali que era cômico, ao mesmo tempo que era admirável.
– Você... e Snape?
– Você... e Severus?
Agora sorríamos um para o outro, as mãos unidas. Porque sabíamos que nós nos amávamos. Severus não ia influenciar na nossa relação.
Ainda assim, trocamos algumas palavras. Descobri que eles se conheceram em Hogwarts, uma relação proibida. Confessei que tive um caso com ele também em Hogwarts, mas quando éramos estudantes, depois retomamos quando éramos professores e ele morreu de ciúme ao saber que eu retomara o caso com Sirius. Depois, quando Sirius morreu, ele voltou.
– Eu não sei se consigo ficar longe dele, se ele me quiser de volta – murmurei, envergonhado de minha própria fraqueza. – Mas não quero perder você, Harry.
Ele me beijou, longamente. E a decisão foi tomada. Chamamos Severus ali mesmo, no quarto de hospital, para dizer o que havíamos decidido. Decidimos que as palavras sobre como ele tinha sobrevivido, ou o que ele estava fazendo deveriam ficar para depois. Tínhamos tempo.
No final, não foi difícil convencê-lo.
Então voltamos ao Leaky Cauldron, para a cerimônia. Amos Diggory nos encarou, os olhos arregalados. Shacklebolt disse que era para prosseguir com o ritual, e o pai do falecido Cedric deu de ombros.
– Irmãos, estamos aqui reunidos para unirmos nos laços mágicos do matrimônio Harry, Remus e Severus. Se alguém tiver alguma coisa contra esse casamento, que fale agora ou se cale para sempre.
Todos se entreolharam, rindo. Quais as possibilidades de um casamento ser interrompido duas vezes? Eu e meus noivos também estávamos rindo.
Mas nenhum de nós contava que as coisas mais impossíveis só acontecem na presença de Harry Potter.
– Ei! O Sebosão não!!
Os convidados deram um grande suspiro quando Ron Weasley se levantou, mãos nas cadeiras.
– Se você se casar com ele, Harry, eu tiro toda a minha roupa.
"Ohs" de indignação se ouviram, e o ruivo deu um safanão na mão da Hermione:
– Não vou me sentar! Não vou deixar meu melhor amigo se casar com alguém que ele detesta!
Do outro lado da sala, porém, uma outra voz se levantou, fazendo todos se virarem para o dono da voz:
– Não se preocupe, Ron! Eu faço isso por você!
– Seamus?
E foi quando todos os convidados, oficiantes, nubentes e curiosos viram o irlandês louco sair correndo pelado pela cerimônia gritando:
– Não se case com ele, Harry! Se não eu fico pelado!!
McGonagall soltou um grito, alguns outros riram, especialmente crianças. Dean Thomas, Lino Jordan e Neville Longbottom correram atrás dele. Contudo, o irlandês pelado era mais escorregadio do que quiabo molhado, e a cerimônia estava perigosamente próxima de se transformar em uma comédia pastelão. Havia cochichos intrigados:
– Mas... ele já está pelado.
– Por que ele tirou a roupa?
– Vai ver ele gosta de nudez.
– Vai ver ele não tem timidez.
– Vai ver ele é irlandês.
– Querem parar com as rimas??
– Mas se ele já está pelado, como ele pretende sensibilizar o Harry para ele não se casar com Snape?
– Você viu o tamanho do cara?
– E como alguém iria perder aquilo?
– Que injustiça! Dean e Lino vão ter tudo aquilo só para eles!
– Vamos atrás deles!
– O que está fazendo? Escrevendo agora?
– Alguém precisa escrever o testemunho desse casamento. E já aconteceu tanta coisa que eu fico com medo de esquecer algum fato importante!
– Eu só vou assistir. Não me divirto tanto assim desde a reencenação da Grande Queima de Bruxas de Salem!
Como eu conseguia ouvir tudo isso tudo ainda no altar, com meus dois noivos era realmente só explicado pelo meu aguçado sentido de audição. Era bom ser lobo, às vezes.
Amos encerrou a cerimônia da maneira mais breve que conseguiu imaginar. Demos os nossos "sims" mútuos e Harry conjurou uma aliança simbólica para o dedo longo e fino de Snape. Será que eu era muito pervertido por ficar imaginando as coisas que esses dedos estariam fazendo na lua-de-mel?
– Agora vocês podem... se abraçar.
Foi com um abraço a três que nós selamos nossa união. Eu estava duplamente feliz. Era casado com o rapaz a quem queria dedicar o resto da minha vida e ao homem que tinha me auxiliado em diversos momentos difíceis da minha vida passada.
A vida futura ia ser de delícias a três.
