Culpa

Estava na hora de descobrir que aquelas preces de contrição não apagariam os erros – e que lançar-se por terra ou murmurar palavras de humildade não seria o suficiente para manter uma ilusão. O assovio agudo do vento conseguia cortar sua alma e passar desapercebido por seus ouvidos – o frio não importava.

Desejava tanto que sua respiração carregasse algo mais do que a vida – ou ao menos isso. Se estivesse em suas mãos conter os arrepios de dor... ou ver... – porque, a partir daquele momento, tudo era escuridão.

A única máscara que veste seu rosto é a da culpa – distorcendo seu próprio vulto. Permitira que a maldita palavra escapasse de sua boca, não impusera vontade contra ela. Seus sentimentos se transformaram em profundo remorso – algo que jamais poderia lhe trazer perdão.

Passaram-se anos frios, escuros e cheios de culpa. Com o tempo, um suposto perdão dela deixou de ser a questão – porque, mesmo que pudesse consegui-lo, nunca foi capaz de absolver a si mesmo.


A/N: "Com o tempo, um suposto perdão dela deixou de ser a questão – porque, mesmo que pudesse consegui-lo, nunca foi capaz de absolver a si mesmo."