- H-Hikari-chan? O que está fazendo aqui?

Daisuke se levantou rapidamente da mesa, olhando para a jovem, que vestia um vestido vermelho.
Mas não era um vestido comum. Ele lembrava o de uma bruxa.

- Hikari-chan... E-eu pensei que... – o goggle boy estava totalmente confuso ao ver aquilo.
- Mestra! – disseram os demais digimons – É uma honra tê-la aqui conosco.
- Espera aí! Ela é a dona deste castelo? Impossível! – Dai ficava cada vez mais sem entender a situação.

- Então é este o jovem que eu vi no meu espelho? – falou a jovem.
- Sim, mestra.. – respondia o lupino.
- É... ele me parece interessante. – sorriu.

- Hikari! Não está me reconhecendo? O que é que está acontecendo aqui? – Motomiya fitou os olhos na dona, meio trêmulo.
- Te reconhecer? – disse ela – Eu nunca te vi antes. É a primeira vez que conheço um humano.
- Ahn?
- Acho interessante o fato de um humano ter coragem de entrar nesta floresta sombria e dotada de trevas...
- Se... Se você não é a Hikari-chan... Então quem é? – perguntou, perplexo.
- Yami.
- Yami? – pica os olhos – Parece loucura, mas você me lembra muito uma amiga e... – volta a olhar pra ela – Parece ser uma versão inversa da Hikari-chan... – pensou ele.
- Loucura?
- Ahn, deixa pra lá...

A Camareira dirigiu-se até Yami: - Mestra, o que estava fazendo naquela sala? Sabe que...
- Black Tailmon, isso não é da sua conta. Eu fui resolver um assunto em particular.
- Oh, perdão.
- O banquete já foi servido, não? E como estão tratando o convidado?
- Bem. Muito bem.
- Ok... Continuem a tratá-lo dessa forma. E atendam tudo que ele pedir.
- Sim, mestra.

A jovem sentou-se na ponta da mesa, próximo do lobo e de Daisuke.
O escolhido, ainda confuso, resolveu logo descobrir o motivo do tal 'convite':

- Uh... Hika- digo.. Yami...
- O que deseja, humano? – voltou sua atenção a ele.
- Me disseram que gostaria de falar comigo... Do que se trata?
- Conversaremos disso depois.
- É que eu tenho um amigo que ficou pelo campo e... E eu preciso voltar pra casa.
- O tempo não é importante.
- Como não? Só se for pra você. Eu tenho que voltar para o meu mundo ou irei deixar minha família preocupada!
- Cale-se, humano! Não levante a voz para a mestra! – rosnou o lupino.
- Por favor, José... Não trate o convidado desta maneira.
Daisuke ao ouvir aquilo segura o riso e pensa: - JOSÉ? O NOME DESSE CARA GIGANTESCO É JOSÉ?
- É José, não me trate dessa maneira... – debochou o menino, olhando pro digimon.
- Mestra Yami... Eu peço que me chame por Okami.
- A propósito, o trouxe para cá em segurança?
- Sim, mestra.
- Se "segurança" significar me nocautear... – Daisuke resmungou, encarando-o.
- Mas que pirralho-
- Como assim o nocauteou? – Yami levantou e olhou para WereGarurumon.
- Esse troglodita me acertou um golpe na nuca e eu desmaiei... Que forma educada de levar um convidado, hein? E ainda acabei perdendo meus goggles nisso.
- O que eu lhe falei sobre nocautear os convidados? – bufou a garota.
- Mas...
- Ele não é nada gentil, hein? – provocou o jovem.
- Mas que humano... – Okami rangia os dentes enquanto encarava Daisuke.
- Chega! Não vou permitir que quebrem a paz e harmonia do banquete! José, vá comer do outro lado da mesa. Humano, vá para seu quarto.
- Hein? Mas foi ele quem começou! – disseram os dois, apontando um pro outro.
- Eu quem mando neste lugar! Minha palavra é LEI. – ergueu o punho direito, que começava a brilhar.
- Erm... até mais! – ambos saíram da mesa, tremendo de medo.

No quarto...

- Ela pode perecer a Hikari-chan... Mas tem um temperamento pior que o da Jun!
- Mas o que será que ela quer comigo? – perguntou-se, enquanto olhava pela janela.
- Ah cara... Hoje não é o meu dia.

'Toc toc'

Alguém bate na porta.

- Huh? – Daisuke se vira, fixa os olhos na porta – Quem está aí?
- Sou eu, a camareira.
- ... Ok, Daisuke... relaxa. Pelo menos a camareira e o mordomo são legais... - disse a si mesmo.

Anda até a porta, abrindo-a minutos depois. Olha para a gata.

- Algo errado? – perguntou a ela.
- Não, senhor Daisuke. A mestra está a sua espera na sala de estar.
- Até agora não entendi qual é a dela... – suspirou. Logo voltou a atenção nela – E onde fica?
- Por gentileza, me acompanhe.
- Ok.

Black Tailmon o guiou pela imensa residência. Passaram por três corredores, desceram quatro escadas,
Entraram em duas portas, passaram por mais quatro corredores, por mais três postas...
E subiram mais cinco escadas. E chegaram a uma sala.

Uma sala com um carpete de Ikkakumon, várias tochas nas paredes e dois candelabros centrais no teto.
Também havia um imenso sofá vermelho com duas poltronas viradas para o mesmo, da mesma cor.
E mais a frente uma lareira acesa.

- Ô salinha longe... – comentou a si mesmo, exausto e tonto de tanto que andara.
- Mestra – disse a servente – O jovem humano está aqui.
- Ótimo. Entre. – disse ela, sentada no sofá.

Daisuke entra e se aproxima do sofá, mas para uns 2 passos antes.

- Poderia me dizer por que mandou aquele lobo idiota me trazer até aqui?
- Sente-se. Eu quero tratar de um assunto sério contigo.
- C-comigo? – disse, trêmulo.
- Sim. Se ainda quiser viver, sente-se já.
- Que delicadeza hein? – pensou. Em seguida sentou na poltrona.
- Eu só vou falar uma vez. Então preste muita atenção... Ou irá se arrepender por isso.

Daisuke suou a frio depois de ouvir aquilo.

..
Quanto ao V-mon...

- O que deseja, forasteiro? – saiu uma voz da pequena abertura. O digimon azul só via um olho também.
- Eu... eu posso entrar? Está ventando muito. E quero saber se viu um menino humano andando pela floresta. Estou a procura dele!
- Menino humano?
- Sim. Ele tem um cabelo espetado, está usando uma jaqueta azul com umas chamas e... Ele usa isto na cabeça – aponta para os goggles – O viu por aí?
- Ah sim...
- Você o viu? Onde? – V-mon sorriu, ao perceber que o tal digimon sabia de algo.
- Sim, ele está neste castelo. Porém não pode te atender no momento.
- Ahn? Mas... por quê?
- A mestra quer falar com o humano a sós. Isso significa que não posso deixar você entrar.
- O que? E eu vou ter que esperá-lo aqui fora? Está frio!
- Sinto muito... São ordens da mestra.
- Não pode me deixar ficar aqui fora! Eu vou congelar!
- Sinto muito.
- Não, espera!

O digimon misterioso fechou a porta e deixou V-mon ali mesmo.
Mas pra quem suportou aquela tortura toda proporcionada pelo cenário sombrio da floresta...

- ABRA A PORTA! POR FAVOR! – bateu outra vez.
- EU ESTOU PROCURANDO POR ELE FAZ HORAS JÁ!

Dentro, o digimon apenas ouvia os berros do dragãozinho.

- POR FAVOR! DAISUKE É MEU PARCEIRO!
- EU DEVIA TER O PROTEGIDO! NÃO SEI SE ELE ESTÁ BEM, ESTOU PREOCUPADO!
- ME DEIXE ENTRAR!

E ele continuou batendo na porta. Até que ela se abriu mais uma vez.

- A mestra está falando com ele neste momento. Mas acho que ela não irá se aborrecer se deixar você esperar aqui dentro. – disse o digimon, demonstrando estar com pena dele.
- Sério? Obrigado!
- Aquele menino... é seu parceiro?
- Sim. Nós somos parceiros! – sorriu.
- Bem... entre. Antes que você adoeça aí fora. – abre a porta, deixando que o azulzinho entrasse.

- Obrigado, muito obrigado. – falou V-mon, agradecido.
- Disponha...
- Eu me chamo V-mon, e você?
- Candmon. Sou o mordomo deste castelo.
- Prazer em conhecê-lo. – deu outro sorriso.
- Venha... te levarei ao quarto dele... Assim que a conversa terminar eu irei avisá-lo.

V-mon acenou positivamente com a cabeça e seguiu Candmon até o quarto.

Porém o lupino o observava de longe.
E os seguem.

- Aqui está. – diz Candmon, abrindo a porta do quarto – Espere aqui. Creio que não vá demorar muito.
- Ok, mais uma vez... obrigado.
- Disponha, senhor. – sai do quarto, deixando V-mon sozinho.

- Wow, isso aqui parece um paraíso. Até que essa floresta não é tão assustadora assim... – V-mon adentrou o quarto, e se sentou na cama – Pelo jeito o Daisuke está bem, que bom...

- Talvez... – ecoou uma voz pelo local.
- Ahn? Quem é? Daisuke?
- Não... – uma sombra surgiu na porta.

E pra completar o clima de terror, lá fora começava uma tempestade.
Logo um trovão cai e faz aquele efeito clássico dos filmes.

- Q-Quem é você? – perguntou V-mon, assustado. Apenas via um par de olhos amarelos o encarando.
- Eu sou Okami, um dos servos da mestra.
- Okami?
- É esse meu nome, alguma coisa contra?
- Nada não... – suspira – Mas você me deu um susto! Não é legal assustar os outros, sabia?
- Hmpf... Parece aquele pirralho que a mestra mandou pegar...
- VOCÊ O QUE? ENTÃO O DAISUKE FOI CAPTURADO? ONDE ELE ESTÁ SEU...
- Acalme-se. – entra o quarto e olha para o digimon de Daisuke – Eu fiz isso a mando da mestra.
- Quem é sua mestra? E o que ela quer com o Daisuke?
- Não posso te responder... Pois nem eu sei.
- Não sabe? Não é um dos lacaios dela?
- Ela quer falar com o humano. Portanto não interrompa.
- Ele é o meu parceiro. Acha que vou deixá-lo correr risco? Nem pensar! Eu vou encontrar o Daisuke agora mesmo! – salta da cama e anda até a porta.
- Você sabe mesmo onde ele está?
- Erm... não? – respondeu, parando no corredor.

Okami suspirou, olhou para o digimon criança e disse:

- Na sala de estar. Fica do outro lado do castelo.
- Ah, deve ser fácil...
- Este lugar é um labirinto... Não é tão simples assim ir praquela sala.
- *doki* N-não é? – virou-se lentamente, pasmo.
- Se quiser chegar lá a tempo...
- POR FAVOR ME DIGA COMO! – V-mon deu outro salto, voltando pra dentro do quarto e implorando ao lupino.
- O que eu ganho com isso? – fazendo pouco caso do baixinho.
- Você é do tipo difícil, não é? Não ajuda nem mesmo quando te imploram...
- Aquele pirralho me chamou de lobo troglodita...
- E não me ajudar só por causa DISSO? – bufou, indignado.
- Não.
- Ah qual é! O Daisuke é o meu parceiro! Nunca se importou com alguém antes?
- Só com a... mestra.
- Então! O Daisuke é importante pra mim! Assim como sua mestra é importante pra você!
- Eu...
V-mon o olha nos olhos, com uma carinha de gatinho manhoso, implorando: - Por favor, Okami-san~
- ... Esse olhar...
- Por favor! – continua.
- OK, OK. SÓ PARE COM ESTE OLHAR FOFO! Isso é... medonho!
- Obrigado!

Então o lobo guia V-mon até o local que se encontra o goggle boy.
Problemas a vista? Daisuke corre algum risco ou não?