James dirigiu-se a uma praia cerca de cinco quilômetros ao norte de Otter Point. No caminho em direção ao mar, Lily imaginava como se sairia em uma prancha de body board. Embora amasse a vida ao ar livre, jamais praticara esportes aquáticos. Porém o ruído crescente da rebentação impulsionava-a a seguir em frente como se fosse atraída pelo mar.
Sentia dificuldade em seguir os passos largos de James, que carregava toda a parafernália e ainda escalava as dunas com a destreza de um felino.
Finalmente as dunas cederam lugar a uma imensa extensão de praia, quilômetros de areia salpicada por rochas em uma área praticamente deserta. Lily pôde finalmente acompanhar o ritmo dele, embora no íntimo não se importasse em caminhar atrás daquele homem, tendo a visão de suas pernas fortes enrijecendo e relaxando a cada passo.
— Isto é maravilhoso! — exclamou ele, enquanto colocava seus pertences no chão junto a uma árvore seca. Esticando os braços, despira imediatamente a camisa. A luz solar derramava-se sobre seus cabelos, iluminando-lhe a face.
Lily aproveitou enquanto James vestia a roupa de mergulho para pôr seus pensamentos em ordem.
— Você não vem? — perguntou ele.
Lily olhou em sua direção, avaliando o espetacular espécime masculino parado à sua frente, mais de um metro e noventa milimetricamente delineados pela roupa de borracha. Seus olhos refletiam a cor do mar. O vento emaranhava seus cabelos que caíam em camadas sobre a testa, emprestando-lhe uma aparência jovial.
— Claro que sim — disse Lily prontamente. Levantou-se e despiu rapidamente sua saída-de-praia. Subitamente notou que seus seios estavam muito em evidência, porém como James a encarava, tentou disfarçar.
— Já usou roupa de mergulho antes? — perguntou ele.
— Ah... Não — admitiu Lily embaraçada, segurando a roupa e imaginando como entraria naquela coisa.
— Sente-se neste tronco — disse James, apontando para árvore. James ajoelhou-se à sua frente, ajudando-a gentilmente a vestir-se, primeiro com as pernas e depois ajustando suavemente a roupa ao contorno de seus quadris.
— Está bem, daqui para cima eu continuo — disse Lily, enfiando os braços nas mangas.
O zíper ficava atrás. James passou os braços ao redor dela e puxou-o lentamente até perto da nuca.
Em seguida olhou-a minuciosamente por um longo minuto, como um pai que examina seu filho antes de ir para escola.
— Você está aquecida? — perguntou, sorrindo.
— Sim — respondeu ela. Notou que ele a encarava e imaginou como estaria naquela roupa de mergulho cor-de-rosa choque que lhe evidenciava cada milímetro do corpo. Sabia que ele não pensava nela exatamente da mesma forma como pensava nele; que jamais notaria a cor dos seus olhos ou as formas do seu corpo, pois em sua mente só havia Natalie.
— Onde está o protetor solar? — perguntou James. Lily não pôde conter o riso.
— Está aqui. Mas se estamos cobertos do pescoço ao tornozelo, onde poderíamos passar protetor solar?
— Bem aqui — disse ele, tocando a ponta do nariz dela. — Permita-me. — E colocando um pouco do produto na ponta dos dedos, passou-o levemente no nariz de Lily. Seus dedos ágeis moviam-se pela face, acariciando as orelhas e descendo lentamente até o pescoço. Lily fechou os olhos, aquele toque era quase o de um amante.
— Assim está bem melhor. — Subitamente a voz de James trouxe-a de volta à realidade.
Ele agora passava protetor solar na própria face. Lily pensou em oferecer-se para a ajudá-lo, mas temeu que o contato de seus dedos com aquele rosto perfeito a traísse e revelasse os seus verdadeiros sentimentos.
— Você está pronta para entrar na água? — perguntou James.
— Claro que sim — disse Lily, segurando a pequena prancha de fibra de vidro que ele lhe dera. — Estamos parecendo um par de caipiras surfistas — disse ela brincalhona.
James deu uma gargalhada. Olhando por sobre o ombro, acrescentou:
— Lembra-se do que lhe falei sobre body board no caminho para cá?
— Claro que lembro — respondeu Lily prontamente. — Coloque a prancha na água, espere por uma onda bem grande, daquelas que ameace sua vida, e deslize por cima dela.
James arqueou as sobrancelhas e olhou-a surpreso.
— Mais ou menos isso. Não se esqueça de segurar sempre a parte dianteira da prancha.
Ao segui-lo em direção à água, Lily sentiu seus pés congelarem e à medida que a água alcançou sua cintura, ela tremeu da cabeça aos pés.
James posicionou sua prancha e pegou uma onda quase imediatamente, deslizando sobre a espuma branca, indo de encontro à praia e recuando em seguida. Ela deteve-se a olhá-lo segurar firmemente a prancha e vir em sua direção. O rosto dele estava iluminado por um sorriso radiante, parecia uma criança. Lily tentou pegar uma onda, mas não conseguiu erguer á prancha e a deixou escapulir. James estava em constante movimento, ora nadando em direção às ondas, ora flutuando sobre elas em direção à praia. Observava-o na tentativa de aprender algumas técnicas, pois estava determinada a ter êxito naquela aventura. Ao fracassar novamente, ouviu a voz de James atrás dela.
— Deixe-me ajudá-la. — Antes que pudesse responder, as mãos fortes de James agarraram-na pela cintura e colocaram-na em cima da prancha.
— Eu a empurro, e você bate seus pés fortemente — disse ele.
Olhava um ponto acima da cabeça dela esperando pela oportunidade perfeita de lançá-la em seu primeiro passeio sobre as ondas. Com uma mão segurava a prancha e, com a outra, segurava firmemente uma das pernas dela.
Então Lily avistou uma gigantesca onda. Era duas vezes maior do que esperava, uma massa de água que se avolumava em direção a eles.
— Vamos... — gritou ela.
— Talvez seja muito grande para você — disse ele.
— Está ótima — retrucou desafiadora.
— Lily...
Quando a onda os atingiu, Lily movimentou seus pés com toda força e nem percebeu se James a havia empurrado. Uma dose de adrenalina impulsionava-a, enquanto a prancha flutuava sobre uma tonelada de água que se agitava logo abaixo, arrastando-a em uma velocidade amedrontadora em direção à praia. Lily apertou tanto a prancha que sentiu seus dedos doerem.
Durante trinta segundos ou mais, voou livremente, sentindo-se uma criatura alada deslizando sobre o mar ao sabor do vento. Então inesperadamente a prancha virou, levando-a em um redemoinho de água salgada, areia e céu, arremessando-a em várias direções. Bateu com o ombro no chão arenoso e em seguida foi lançada novamente, desta vez batendo violentamente com o pulso esquerdo, torcendo-o de forma dolorosa. Subitamente, foi lançada à superfície. Seria a superfície? E novamente atrás, caindo sentada. Tinha areia nos olhos e no nariz, e sua expressão era de pavor.
Finalmente alguém a ergueu do chão, com um braço sob seus joelhos e outro enlaçando o dorso. Abriu os olhos e viu James que a contemplava atônito, enquanto a levava para a areia.
— Meu Deus, você está bem?
— Eu... Eu... Perdi a prancha — disse ela, em um tom de voz.
— Isso não importa. Você está se sentindo bem?
Lily achou que deveria insistir para que ele a colocasse no chão, mas, em vez disso, inclinou a cabeça, fechou os olhos e agarrou-se com força ao pescoço musculoso, deixando-se levar pelo sentimento de segurança que lhe proporcionavam aqueles braços fortes. O contato com seu tórax rijo, sob a roupa de borracha molhada, a fez sentir as batidas do coração dele. Ou talvez seu próprio coração?
James ajoelhou-se, pondo-a na areia.
— Lily? — repetiu ele.
Ela abriu os olhos novamente, e pequenas nuvens brancas flutuavam sobre sua cabeça. Então olhou em direção ao mar que agora lhe parecia tão sereno e inocente.
— Você está bem?
Ela tentou levantar-se, porém seu pulso esquerdo doía muito. James segurou sua mão, e ela gemeu de dor, fazendo com que ele a soltasse novamente.
— Está quebrado? — perguntou ele.
— Eu... Eu não sei — explicou ela enquanto tentava movê-lo.
— Perdoe-me — disse ele. — Eu vi a onda se aproximando e sabia que era muito grande para você, mas já era tarde demais.
— Está bem — disse ela, cuspindo areia.
— Nunca deveria tê-la encorajado a ir tão longe.
— Acidentes acontecem, James. Apesar de tudo, acho que valeu a pena. — Lily pigarreou.
Ele sentou-se e encarou-a perplexo.
— É melhor irmos ao médico — concluiu ele.
— Não. Meu pulso está apenas torcido. Não está doendo tanto assim.
— Pela sua expressão acho que está doendo muito — insistiu ele. — Além do mais há um arranhão em cima do olho que está sangrando um pouquinho — disse James preocupado.
— Não é nada... — Agarrando uma toalha seca com a mão direita, Lily limpou o ferimento.
Obviamente James não acreditou nela e, ignorando seus protestos, pegou a cesta de piquenique a procura de uma garrafa de água fresca com que pudesse lavar e retirar a areia dos seus olhos. Limpou suavemente os ferimentos e em seguida encarou-a novamente.
— Você não me parece tão mal assim — disse ele calmamente.
— Obrigada — ela retrucou.
— Ainda assim acho melhor irmos embora.
— Mas chegamos aqui há pouco... Olhe... Não é minha prancha ali adiante?
James olhou na direção que ela apontava.
— Vou pegá-la — disse ele, correndo em direção à prancha. Lily aproveitou para checar seu pulso que doía muito, mas definitivamente não estava quebrado e então puxou a cesta de piquenique para perto de si.
James voltou e colocou a prancha dela no chão, ao lado da sua.
— O que está fazendo? — perguntou ele.
— Também há comida nesta cesta? — indagou Lily.
— Comida?
— Estou faminta! — exclamou ela.
Ele deteve-se a olhá-la. Lily desejou saber por que fazia isso tantas vezes. Era tão difícil assim compreender o que ela dizia ou fazia?
— Há comida na cesta — disse ele afinal.
— Ótimo, vou ficar aqui sentada como uma rainha enquanto você me serve, está bem?
— Ainda acho que deveríamos procurar um médico...
— Não — disse ela firmemente e acrescentou, sorrindo: — Também estou sedenta, espero que tenha sobrado um pouco de água.
James abriu a cesta e retirou duas latas de chá gelado, oferecendo-lhe uma.
— Isto deve servir.
Lily observava-o enquanto sorvia a bebida avidamente.
— Não gosta de chá gelado? — inquiriu ele.
— O quê?
— Você não está bebendo. Pensei que estivesse sedenta.
Lily tomou um gole da bebida e fitou o vai e vem tranqüilo das ondas, enquanto James pegava alguns sanduíches na cesta. Comeram presunto cru e azeitonas pretas dentro de grossas fatias de pão de ervas finas. O mar e as gaivotas produziam um som harmonioso. Lily não sabia que pensamentos povoavam a mente de James, apenas sabia que os seus estavam cada vez mais voltados para ele. Reparava em cada gesto que ele fazia: como sua expressão mudava ao fitar o mar, como seus cabelos tremulavam ao vento. Seus sentimentos eram impróprios. James estava em um momento difícil de sua vida, ela estava ali apenas para consolá-lo e apoiá-lo.
Mas ele parecia tão feliz naquele dia... Seria apenas um disfarce?
— Estava delicioso — disse ela, começando a guardar o que sobrara.
— A cozinha do hotel é maravilhosa. Você está satisfeita?
— Estou — respondeu Lily.
— Parece que temos sobremesa — disse ele, pegando dois garfos presos à embalagem plástica.
— Sou louca por doces. Minha irmã costuma dizer que eu poderia viver à base de doces.
— Você tem uma irmã? Mais velha ou mais nova?
— Mais velha. Ela teve seu primeiro bebê há cinco dias.
— Parabéns, tia Lily. Onde vive sua irmã?
— Em Tacoma, Washington.
— E seus pais moram no Arizona?
— Sim, perto de Tucson. Papai agora é um homem do deserto, o jardim deles parece uma exposição botânica. E você? Tem irmãos ou irmãs?
— Uma irmã, dois anos mais jovem — disse ele.
— Ela vive perto de você ou de seus pais?
— Meus pais tinham seu próprio rancho ao lado da minha fazenda, mas se aposentaram alguns anos atrás e me pediram para tomar conta da casa. Associaram-se à Cruz Vermelha para prestar serviços sociais.
Lily sorriu.
— Você deve ter muito orgulho deles.
— Acertou. — James baixou a cabeça. — Eles estão lá em casa. Vieram da América Central para ao meu casamento.
Lily sentiu-se um pouco constrangida por ter tocado naquele assunto.
— Tenho certeza de que eles entenderão — murmurou ela.
— Bem... Pelo menos puderam se encontrar com Emily. Ela veio do Canadá com o marido e os três filhos. Você iria gostar dela, é uma verdadeira jardineira. Tem um jeito todo especial com flores e plantas. Assim como você.
— E como sabe que tenho jeito com flores e plantas? — perguntou ela, naturalmente curiosa.
— Eu a vi na loja e notei o esmero com que arrumava as flores. Comprei um arranjo feito por você para a esposa de um amigo meu que deu à luz gêmeas. A propósito, ela o adorou.
O fato de ele haver reparado nela anteriormente deixou Lily atordoada e, ao mesmo tempo, lisonjeada. Tola, uma vozinha sussurrou bem lá no fundo de sua mente.
— Tenho de admitir que adoro meu trabalho.
James assentiu.
— Eu sinto o mesmo em relação à fazenda. A terra, os animais, as árvores... Tudo ali faz parte da minha vida.
Eles se fitaram por um breve momento. Finalmente Lily apontou para o recipiente.
— Não vai abrir?
— Você realmente é apaixonada por doces!
— Realmente sou.
Lily sentiu seu coração disparar quando mais uma vez aqueles olhos castanhos encontraram os seus.
James desviou a atenção para o recipiente, e todo o vestígio de alegria sumiu de seu rosto, quando percebeu que a sobremesa era um bolo coberto de glacê branco com dois corações entrelaçados com os nomes de "Lily e James".
Natalie que pairava em suas mentes a todo instante agora estava ali no meio do piquenique, sentada entre eles.
— Bolo de casamento! — exclamou ele irritado.
— Eles pensam que...
— Eu sei — disse ele, fechando novamente a tampa do recipiente.
Quando finalmente seu olhar cruzou o de Lily, sua expressão estava distante.
— Não quero mais comer sobremesa — disse ele desgostoso.
— Nem eu — replicou ela.
James fechou a porta do quarto, permanecendo de pé, encostado à parede do corredor, olhando para o chão. Dentro do quarto, Lily era atendida pela médica do hotel. Embora não estivesse muito satisfeita com isso, cedera à insistência de James.
Respirando fundo, consultou o relógio e percebeu que já anoitecia. O tempo estava passando, e logo Natalie e Gerald Blackwell retornariam ao hotel. Tentou imaginar a reação dela: como o olharia; o que diria? Mais difícil era imaginar sua própria reação quando estivesse frente a frente com ela. Ficaria arrasado? Sentiria uma dor no peito? Não sentiria nada?
Ela destruíra seu futuro quando partiu sem olhar para trás. Jogara para o alto todas as promessas que fizera, os filhos que haviam planejado. Está bem, corrigiu-se mentalmente, que ele havia planejado. Ela não se interessava por filhos, queria viajar e aproveitar a vida. Tudo isto se fora.
A porta se abriu. Uma mulher de meia-idade, carregando uma pequena maleta preta, dirigiu-se a James com um sorriso profissional e disse:
— Sua esposa está bem, Sr. Potter.
James assentiu com a cabeça. Essa história de todos julgarem que Lily era sua mulher já o estava incomodando, porém não se sentia capaz de acabar com aquele mal-entendido.
— Apenas deslocou o pulso. Dei-lhe um antiinflamatório e sugeri que procurasse seu médico particular quando voltarem da lua-de-mel.
— Entendo — disse ele.
— É claro que ela terá de ter certo cuidado por alguns dias enquanto não se restabelecer totalmente.
— Sim, claro.
— Continue a tomar conta dela e não deixe que esse incidente estrague sua lua-de-mel.
A médica despediu-se e encaminhou-se ao hall dos elevadores. James voltou ao quarto.
Lily estava deitada fitando a janela e virou-se para olhá-lo.
— Ainda furiosa comigo por insistir que a médica viesse vê-la?
Lily meneou a cabeça. Ela tomara uma ducha ao voltar da praia e colocara o felpudo roupão branco. Repentinamente James lembrou-se de sua silhueta naquele minúsculo maio azul, as alças cruzadas nas costas, o decote insinuante fartamente preenchido e a curva arredondada de seus quadris.
Os pensamentos se dissiparam no momento em que examinou o pulso de Lily envolto em uma bandagem elástica. Em seguida deu-lhe uma pequena almofada para que se apoiasse.
— Obrigada — disse Lily.
James consultou o relógio novamente.
— É melhor você descer.
— Não... Não posso deixá-la aqui...
— Estou bem, apenas um pouco cansada. Desça e espere Natalie e Gerald Blackwell voltarem. Eu o verei mais tarde.
— Não acho certo deixá-la...
— Este é o único motivo de estarmos aqui. Por favor, não se preocupe comigo, siga em frente. Vou descansar um pouco.
Dizendo isso, Lily fechou os olhos como se quisesse colocar um ponto final na conversa.
James não gostava da idéia de deixá-la sozinha ali.
— Pedirá para me chamarem se precisar de algo?
— Claro — disse ela, abrindo os olhos novamente. — Ficarei bem.
Seus longos cabelos ruivos penteados para trás ainda estavam molhados. Apesar de ter usado protetor solar, seu nariz estava queimado pelo sol, e os pequenos arranhões próximos aos olhos pareciam úmidos do remédio.
James deteve-se a admirá-la. Durante todo o dia seu bom humor, suas atitudes inesperadas, seu modo de olhar tinham-no surpreendido.
— Tem serviço de quarto — disse ele.
— Eu sei James. Não se preocupe comigo, vá.
Lily despertou algumas horas mais tarde. Olhou em direção à janela e percebeu que já havia anoitecido. Seu pulso latejava um pouco, mas a dor era suportável. Acendeu o abajur. O relógio marcava quase meia-noite. Durante algum tempo permaneceu estática sem saber o que fazer.
Natalie teria voltado ao hotel? James a teria encontrado? Será que se sentia sozinho e amargurado? Ou teriam acertado as diferenças e estariam juntos e felizes?
Incapaz de conter a expectativa por mais um segundo, pegou o telefone e ligou para recepção do hotel.
— Recepção — respondeu-lhe a voz do outro lado. Pareceu-lhe ser a mesma mulher da noite anterior.
— Alô, quem está falando é Lily. Isto é... Sra. Potter, da suíte nupcial. James... O Sr. Potter ainda está no saguão?
— Sim, ele está — respondeu Candy. — Está sentado aqui há horas. — Havia um tom de especulação na voz dela. Claro que deveria estar curiosa para saber por que um homem em plena lua-de-mel passaria horas sentado no saguão de um hotel.
— Obrigada — disse Lily.
Desligando o telefone, vestiu apressadamente a roupa que havia usado para ir à praia e desceu. Àquela hora o saguão estava quase na penumbra. Ao fundo podia-se ouvir uma música ambiente suave.
James estava sozinho, a cabeça pendida. Aproximou-se lentamente, sem saber se ele estava dormindo ou acordado.
— James?
— Lily? Você está bem?
— Estou, e você?
— Melhor impossível — disse ele sarcástico.
— Você encontrou Natalie? Falou com ela?
— Ela não apareceu.
— Oh...! — exclamou ela. Não havia pensado na hipótese de Natalie não aparecer, de aquela noite se estender até o dia seguinte sem uma solução. — Ela ainda pode aparecer — disse, sentando-se junto a ele.
— Liguei para o aeroporto — disse ele. — Natalie e seu... Amigo pegaram um avião particular. Alguma vez ela contou a você que o pai dela era piloto?
— A mim não.
— Nem a mim. Como se eu ainda acreditasse que esse homem é pai dela!
Lily não respondeu, pois concordava com ele.
— Você comeu alguma coisa? — perguntou ela.
— A recepcionista trouxe-me uma xícara de café meia hora atrás.
— Fique aqui — disse ela, encaminhando-se ao restaurante. Momentos depois voltava com duas latas de soda ê uma cesta de rosquinha. Por duas horas ela e James ficaram ali sentados, comendo lentamente aquele inusitado jantar.
Eram quase três horas da manhã quando James tocou no ombro de Lily que parecia estar cochilando.
— É hora de voltarmos ao quarto. Vamos dormir e resolver esta situação amanhã.
Lily assentiu.
— Amanhã vou convencer Alfred a dar-me o número do apartamento deles — disse James, levantando-se e oferecen do-lhe a mão.
— Pobre Alfred — disse ela.
De volta ao quarto, James examinou o sofá desconsolado.
— Eu durmo aqui esta noite — disse Lily.
— Nada disso. Com seu pulso desse jeito? Você fica na cama.
— Nós dois precisamos de uma boa noite de sono, James.
Ele deu de ombros.
— Ambos ficaremos na cama — informou ela.
James pareceu aliviado, mas educadamente perguntou:
— Tem certeza?
— Claro. É grande o bastante para um time de futebol. Pegue um cobertor extra.
— Mas Lily... Realmente... Não me sinto bem...
— Estou muito cansada para discutir sobre isso — disse ela, cobrindo-se até o pescoço.
Lily estava consciente da presença dele a seu lado. Ele tinha tirado o robe, e o calor de seu corpo chegava até ela, atravessando as cobertas. Usava apenas um short de seda. Suas costas eram largas, musculosas e provocantes.
— Você está bem aquecido? — A voz dela soou fraca na escuridão do quarto.
— Estou ótimo.
— Queria agradecer-lhe, James, por ter me salvado hoje na praia e por ter chamado o médico. Você foi muito gentil.
— Você quer me agradecer? Você não tem uma roupa de cente, comeu rosquinha no jantar, e está com o pulso torcido. E tudo isso por minha causa. E ainda quer me agradecer?
— Bem...
— Eu é que tenho de agradecer a você, Lily. Você tem sido muito paciente.
— Está bem, então vamos nos agradecer mutuamente — disse ela, sorrindo e fechando os olhos.
O tempo passou, e o sono não veio. Era difícil tentar dormir com aquele homem a seu lado. Olhou na direção dele e ficou surpresa ao distinguir o branco de seus olhos.
— Você ainda está acordado?
— Não consigo dormir. E você?
— Acho que estou muito cansada para dormir — concluiu Lily. Não era verdade. Não conseguia dormir, pois ficara ouvindo o ruído sensual da respiração dele. O que estava acontecendo com ela? Há menos de quarenta e oito horas, James era apenas o noivo de sua amiga.
— Fico imaginando onde estará ela — disse ele.
— Em Seattle — disse ela.
— Com ele — acrescentou James. — O que será que ele tem que eu não tenho? Diga-me, Lily, como é a aparência dele?
Ela ficou muito quieta, fingindo ter adormecido. Não queria falar de Natalie nem de Gerald.
— Não importa — continuou ele. Sua voz soava distante. Lily pensou que ele deveria estar quase dormindo, mas ele continuou: — Você alguma vez notou a cor dos olhos dela? São de um azuis profundo, como as águas do oceano. Aqueles olhos podem causar um estrago em um homem. Você já amou Lily?
Lily mordeu o lábio. Natalie tinha realmente enfeitiçado aquele homem!
— Acho que não — continuou ele, obviamente pensando que ela estava dormindo. — Ou não estaria aqui nesta cama com um estranho e sim na cama dele.
Eu estou na cama dele, pensou ela.
— Vou contar-lhe um segredo, Lily. Nunca mais vou entregar meu coração à outra mulher.
Lily enterrou a cabeça no travesseiro. Sabia que um dia ele iria esquecer Natalie, e então se apaixonaria por outra mulher como ela. Lily Evans nunca seria capaz de conquistar o coração de um homem como aquele. Ela não sabia usar as armas femininas para manipulá-lo.
Julia Menezes: Oi Julia, tadinha da Lily mesmo, aquelas roupas ninguém merece. Aos poucos vocês irão conhecendo Natalie, qual é a dela, mas já da pra notar que a personalidade dela não é das melhores. Beijos
Layla Black: Oi Layla, fico muito feliz mesmo que você esteja adorando os caps. Tadinha mesmo da Lily com aquelas roupas. Mais para frente Gerald será devidamente apresentado e saberemos porque Natalie fugiu com ele. Beijos
