Prisioneira
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Lágrimas
\Capítulo Três\
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Não acreditava no que seus olhos lhe mostravam, e devido ao seu nervosismo, acabou se atrapalhando ao tirar o sinto de segurança e abrir a porta do veículo. Tinha que parar aquela jovem e olhá-la mais de perto para ter certeza de que sua mente não estava lhe pregando peças. De que realmente era aquela menina que saíra de sua casa àquela noite chuvosa em direção a morte.
Entretanto, quando conseguiu sair de dentro do carro ela desaparecera como se tivesse sido engolida, novamente, pela terra sob seus pés. Praguejou baixo, sentindo a água molhar seu corpo e olhou ao redor procurando algum sinal da moça, ela não poderia ter desaparecido tão rápido assim.
Teria sido apenas fruto de sua imaginação?
Tudo por estar sonhando todas as noites com o dia que ela desaparecera misteriosamente depois de eles discutirem por causa do casamento dele? Seria apenas um fantasma a querer atormentar-lhe cada vez mais e mais, lhe revelando sua culpa em sua morte?
Entrou no carro e continuou o caminho para a casa de Kikyou, tentando se esquecer da ilusão que tivera, apesar de parecer tão real. Sacudiu a cabeça batendo-se mentalmente. Se realmente fosse a jovem que o considerava sua melhor amiga, com toda a certeza ela teria ficado para falar com ele.
"Kagome está morta Inuyasha!" - disse para si mesmo em pensamento. - "Você viu o corpo dela! Você estava lá para reconhecê-la. Estava lá no dia do enterro…"
E mesmo se não tivesse morrido. Ela não o esqueceria assim, esqueceria?
Estacionou o carro na frente da casa de Kikyou e saiu do veículo ainda pensando naquele assunto. Mas antes de caminhar e bater a porta da casa, ficou admirando cada detalhe da estrutura da casa onde sua entrada era extremamente proibida há alguns anos atrás.
Antes de Sesshoumaru se envolver emocionalmente com Kikyou Higurashi, ele nem sequer pudera ou chegara a ultrapassar os portões de ferro. Os pais das jovens sempre foram extremamente rigorosos, assim como não permitiam a visita da mais nova a ele, não permitiam que um ser não-humano profanasse o lar puro deles.
Por vezes ouvira Kagome falar aquilo, e em todas elas, ouvia o tom de mágoa dela, a certas vezes lhe revelar que odiava a própria família, enquanto chorava sem razão aparente. Durante um grande período de tempo os encontros dos dois, ficaram sendo segredo para os pais, já que era Kikyou quem tirava a menina da mansão e a levava até ele, na desculpa de querer passear com a irmã mais nova.
Um dia os pais delas descobriram a verdade, através de bocas alheias, a flagrar o ato, e passou mais de uma semana sem ver as irmãs Higurashi. Não sabia ao certo o que acontecera ou como, mas ficou extremamente feliz ao ver Kagome atravessar a porta de sua casa, dizendo que seus pais haviam permitido sua visita a ele, contando que elas não durassem mais de três horas e que ele a levasse de volta todos os dias.
Suspirou tristemente, abaixando a cabeça.
No dia do seqüestro dela, ele quebrara todas as regras impostas por eles, a desconhecerem o local onde ele morava. Ficara sozinho com a menina desde de manhã, e a deixara voltar sozinha para casa, na chuva. Por isso não culpava os pais da menina por odiá-lo, ele mesmo se odiava por aquilo.
Estreitou os olhos, sentindo o cabelo molhado cair sobre o seu rosto.
A visão dela, após o seqüestro jamais abandonara sua mente. O corpo retalhado, apenas lhe trouxera uma noção do que a autopsia viera lhe confirmar. Além de ter sido torturada, havia sido violentada até a morte, por alguém que se encontrava livre até os dias de hoje, por não terem nada que os levassem a ele.
# Os pais dela nem chegaram a vê-la… - murmurou para si mesmo, sem notar que Kikyou encontrava-se parada a sua frente com um guarda-chuva.
# Já lhe disse para parar de se martirizar com a morte de minha irmã, Inuyasha. Faz seis anos… - a voz cálida da moça o assustou, e ele a encarou. - Sesshoumaru me disse que havia chegado, e mandou vir lhe buscar me dizendo algo sobre provavelmente você ser idiota o bastante para não saber o caminho até a porta. - sorriu colocando o guarda-chuva sobre a cabeça dele. - Mas creio que o motivo foi outro… - passou o braço pelo o dele. - Vamos entrar. Lhe darei uma roupa de seu irmão e poderemos em fim comer.
Inuyasha deixou-se ser guiado por Kikyou até o interior da casa, e em seguida até o quarto que ela dividia com Sesshoumaru, ouvindo as reclamações do mesmo sobre o motivo pelo qual ele demorara tanto para entrar e ainda tinha de emprestar uma de suas roupas para ele.
# Não dê ouvidos a ele, Inuyasha. - disse indo até a porta do quarto, de onde havia acabado de expulsar Sesshoumaru. - Está com fome e com ciúmes… conhece seu irmão, embora não deixe aparentar tem sentimentos humanos. - murmurou. Se troce e desça antes que ele realmente perca o controle e lhe arranque as tapas do quarto.
O Hanyou agradeceu e tratou de vestir as roupas secas emprestadas pela cunhada. Desceu, entregando as roupas imediatamente para Kikyou e sentou-se a mesa, finalmente, permitindo que a comida fosse servida e todos pudessem se alimentar.
E em pouco tempo, os três estavam sentados nas poltronas da biblioteca, tomando um chá que Kikyou preparara antes de ir para a cozinha, juntamente a Ayame, para lavar a louça do jantar.
# E então, Houshi? - Sesshoumaru começou. - O que de tão importante você descobriu a respeito de nosso novo trabalho?
# Quer saber qual das duas, primeiro? - mostrou uma pasta roxa e outra laranja. - Bem… - sem obter respostas jogou a pasta laranja sobre a mesinha de mármore no centro deles, para que Sesshoumaru a pegasse e visse seu conteúdo. - Ykai Tomoy conhecia Rin Chyo… ou melhor… a filhinha mais nova dele a conhecia. - Sesshoumaru estendeu uma das fotos de Rin para Inuyasha. - Estudavam na mesma escola, e apenas se falavam lá. - encostou-se melhor na poltrona. - Os documentos que encontrei dizem que Ykai estava pesquisando sobre a vida de Rin.
# Então ele era um dos envolvidos?
# Não acho! - disse com convicção, dando com os ombros. - As datas dos documentos são de alguns dias depois do desaparecimento dela. Tentei recuperar algo no disco rígido dos computadores da mansão, mas não há nada neles. - suspirou, largando a outra pasta para que Inuyasha pegasse. - Outra coisa que eu descobri é que Tomoy vendia dragas para um tal de Hitomi… - resumiu, sentando-se de maneira séria na poltrona ao lado de Inuyasha, e recebendo olhares sérios dos dois irmãos. - São sete anos de fornecimento, e tenho quase certeza que se trata do tal sujeitinho que temos desenhado em um retrato falado e que conhecia a família Tomoy e Chyo.
Inuyasha olhou rapidamente alguns dos papéis, os passando para Sesshoumaru. Entretanto fixou a atenção numa delas, onde havia a xérox do recibo de pagamento da compra de algo extremamente caro.
# Tomoy comprava de outra pessoa e revendia para Hitomi. É uma droga específica, para ser mais exata, e que eu nunca havia ouvido falar na vida. - acrescentou Ayame, entrando na sala sem esperar autorização. - Tentei traduzir o nome dela e procurar algo a respeito, mas não encontrei absolutamente nada. Facilitaria se tivéssemos uma amostra dela. - disse, cruzando os braços, e olhando para Sesshoumaru. - Kikyou foi atender ao telefonema da agência. Parecia urgente!
# Não havia nada na casa de Tomoy? - perguntou Sesshoumaru, após um gesto de entendimento sobre a fala de Ayame.
# Não… o que é lógico se levarmos em consideração o fato de ele apenas ser um intermediário. - caminhou, sentando no braço da poltrona onde Inuyasha estava. - Se verem… segundo a agenda pessoal dele, - virou as folhas grampeadas, sob o poder de Inuyasha e indicou uma frase específica numa delas, com o dedo. - O último carregamento foi entregue semana passada… Mas posso dizer, claramente, por conhecer alguns dos vários ingredientes que constam na fórmula descrita desta droga, que boa coisa com ela, esse tal de Hitomi Kajawaki não esta planejando.
# Ele é cliente dele há bastante tempo para ele decidir assassiná-lo, repentinamente.
# Se realmente foi ele quem o matou, Tomoy deve ter descoberto algo e por isso desistiu de vender as drogas. - Inuyasha falou pela primeira vez, deixando de analisar os papéis. - É sempre assim. - entregou as folhas para Ayame, pegando um envelope pardo e o abrindo para verificar o conteúdo.
# Mas o que de tão grave ele poderia ter descoberto? - quis saber Sesshoumaru, estreitando os olhos, quando Inuyasha retirou todas elas do envelope pardo. - Fotos? - estendeu a mão para pegar metade das fotografias nas mãos do irmão.
# Encontrei os negativos escondidos no cofre da casa de Tomoy e mandei revelar. - disse Miroku, observando as expressões de Inuyasha e Sesshoumaru. - Verifiquei cada uma delas e são definitivamente, dos locais onde ocorreram os dez últimos crimes.
Inuyasha parou a atenção uma das fotografias que e mostrava um homem preso à parede gritando de dor enquanto uma força invisível o retalhasse. Deixou aquela de lado para ver a próxima, onde o mesmo homem encontrava-se caído sobre uma poça de sangue no chão.
# Ele espionava seu cliente. - concluiu Sesshoumaru, examinando a foto onde uma mulher estava caída no chão com a mão no pescoço, demonstrando seu desespero pelo ar. - Ele descobriu e mandou matá-lo.
# É assim que as coisas são… - tirou uma agenda de capa negra de dentro do envelope negro e a abriu em uma página qualquer. - Olha só isto… Aqui dentro constam os números e os nomes de todos os fornecedores e de todas as pessoas para quem Ykai fornecia drogas. - ficou de pé e jogou a agenda na mesa para que Sesshoumaru e Inuyasha a vissem. - Depois de amanhã à noite, Ykai tinha uma festinha social para ir. Ele iria se encontrar com um dos fornecedores. - olhou para os dois irmãos Youkais e Ayame, de soslaio. - Poderíamos aproveitar isso para bater um papinho amigável com os amiguinhos dele.
Sesshoumaru girou algumas páginas da agenda em suas mãos, para ler o nome de todos os fornecedores da droga. Seria uma ótima idéia se eles marcassem um encontro com um daqueles. Provavelmente, o tal de Hitomi Kajawaki iria atrás deles em busca de mais da tal droga cujo nome eles desconheciam por estar escrito em língua antiga.
# Pedirei para ver se conseguem um convite para nós. Fingiremos ser um dos amigos de Tomoy, com a intenção de comprar a droga. - fechou a agenda e ficou de pé. - Ligue para Kaede e peça uma equipe de espionagens, Miroku. Precisaremos de algumas escutas para gravar a conversa.
# Providenciarei isto! - disse Miroku.
O silêncio caiu sobre os três e Inuyasha saltou da poltrona, largando a fotografia até em tão em suas mãos, de qualquer maneira sobre a mesinha de mogno, e caminhando até a janela que dava visão ao jardim posterior da casa que pertencera à família de Kikyou.
Ayame fixou os olhos bronze sobre ele, sem evitar demonstrar sua tristeza por ele se encontrar daquela maneira. Sesshoumaru e Miroku, no entanto, trocaram olhares, e o segundo deu com os ombros, afinal de contas, desde que chegara, o Hanyou se comportava de maneira estranha.
# Algo errado, irmãozinho?
A voz de Sesshoumaru, cansado e preocupado com aquela situação, rompeu o silêncio e retirou Inuyasha de seus pensamentos, o fazendo voltar a atenção outrora voltada para o nada, para o rapaz moreno. Sacudiu negativamente a cabeça, afundando a mão no bolso da calça, não querendo necessariamente conversar a respeito de sua visão. O chamariam de louco, assim como ele estava se achando naquele momento.
# Passou o jantar todo com cara de babaca e agora está ai novamente, com a cabeça nas nuvens. O que foi? Você nunca fica distraído desta maneira.
# Vi Kagome no caminho para cá.
Ayame abaixou o olhar. Miroku arregalou os olhos em choque quando o amigo respondeu aquilo de maneira tão direta. Sesshoumaru manteve uma expressão séria, franzindo o cenho, tentando descobrir o que exatamente o irmão queria dizer com aquilo. Inuyasha desviou o olhar para o lado de fora. Sabia que aquela seria a reação deles, ao ouvirem tal coisa.
# Sei que parece loucura, mas era ela… quase a atropelei. Ela olhou para mim, como se tentasse me dizer algo, mas quando consegui sair do carro ela simplesmente desapareceu.
# Foi por isso que não entrou assim que chegou? - Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha. - Ficou na chuva em choque pensando se havia enlouquecido?
# Acho que você tem trabalhado de mais, meu amigo. - disse Miroku antes que Inuyasha respondesse de forma malcriada a provocação de Sesshoumaru. - Está começando a ter ilusões.
# Tenho sonhado com a última vez que a vi a mais de uma semana, Miroku! Isso não pode ser normal!
# São sonhos, Inuyasha. - disse Sesshoumaru. - Tudo coisa da sua cabecinha fértil.
# Inuyasha… - Miroku deu uns tapinhas nas costas do amigo, e sorriu, - Olha, é sério, cara. Kagome morreu ha seis anos atrás… Você e Kikyou viram quando o corpo dela foi enterrado. Eu estava lá também. O que diabos ela estaria fazendo, vagando viva, pelas ruas de Tókio agora? Sou um Houshi, confesso, mas geralmente espíritos não aparecem anos após a sua morte. Nunca ouvi nada a respeito disso em toda a minha existência. Você só está estressado e sobrecarregado com essa história de Tomoy vender drogas para Hitomi… Mas agora é hora de pensarmos a respeito de nosso trabalho com um dos fornecedores.
Inuyasha fez um gesto afirmativo com a cabeça, evitando os olhos do irmão mais velho. Realmente, aquela não era a hora certa para se preocupar com coisas de sua cabeça. Aquele assassinato, naquele momento era mais importante. Embora algo dentro de si lhe dissesse teimosamente que aquela que ele quase atropelara, não era um espírito. Era real demais para ser um espírito.
Bateu-se mentalmente.
"Kagome está morta Inuyasha! Infelizmente… ela realmente está morta!"
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Kikyou sorriu agradecida para Ayame, enquanto fazia um gesto de negação com a cabeça, respondendo a pergunta dela de forma silenciosa. E da mesma maneira viu a moça desaparecer ao entrar no carro juntamente a Inuyasha, que a deixaria em casa antes de ir para o apartamento onde morava.
Fechou a porta e encostou-se nela, feliz por seu marido já ter ido para o quarto, tomar um banho para poder se deitar. Não estava com vontade de encará-lo naquele momento, pois sabia que ele iria querer saber o motivo pelo qual ela estava naquele estado.
Pegou o ar com força pelos lábios e subiu lentamente as escadas que levavam até o segundo andar. Passou pela porta do próprio quarto, ouvindo o barulho do chaveiro e tirou de dentro do bolso da calça um molho de chaves.
Achou a chave que desejava - uma em prata e com um pequeno coração rosa preso no cabo - e abriu a porta trancada no final do corredor, se deparando com o quarto de uma criança.
O quarto de Kagome estava da mesma maneira que ela havia deixado no dia em que desapareceu, há seis anos. Sua mãe, jamais permitira que ninguém tocasse nos brinquedos caros da filha e os tirasse do lugar, pois todas as vezes que se lembrava da filha mais nova, se trancava ali dentro e chorava por horas, se lembrando dos erros que cometera com ela.
E depois da morte da ente materna, também não deixou tocarem no lugar. mantinha a porta sempre trancada, e apenas a abria vez ou outra para limpeza, ou quando ela mesma, se sentia na necessidade de ver o rosto da irmã.
Sua mãe havia feito aquele quarto para Kagome, três dias antes de seu desaparecimento.
Bateu a porta do quarto e olhou para a cama, embutida no armário branco, coberta por um lençol branco com pequenos e delicados detalhes em lilás, quase oculto por milhares de ursos de pelúcia e almofadas desenhadas.
Varreu cada canto do quarto infantil e feminino, e ficou olhando para as prateleiras, tomadas de fotografias e bonecas intocadas ainda em suas caixas.
Sentou-se na cama, olhando a própria imagem no espelho de corpo inteiro, enquanto pegava um urso branco com uma rosa vermelha na boca. Lembrava-se que quando a irmã o ganhara, passara dias o encarando, perdida nos próprios pensamentos sem querer fazer mais nada, como uma menina de colegial apaixonada. Era o urso preferido dela, e não gostava que ninguém tocasse nele.
# Esse era o brinquedo preferido de Kagome… - disse num sussurro, quando a porta do quarto se abriu, revelando Sesshoumaru. - Inuyasha deu a ela, no dia dos namorados, e ela passou horas me falando que se casaria com ele quando ficasse mais velha. - sorriu, se perguntando, quando, exatamente, passara a ser tão sentimental. - Ela sempre foi apaixonada por ele… e não deixava ninguém tocar no urso, que ela dizia ser o Inuyasha. Depois do presente, ela ficou louca por rosas vermelhas. Seu irmão dava uma a ela sempre que podia, ou quando queria que ela calasse a boca, ou quando os dois brigavam.
# Você gostava tanto assim de Kagome, Kikyou? - perguntou em voz baixa, vendo a mulher, passar as mãos pelo pêlo incrivelmente branco do urso.
# Ela era a única da minha família que realmente prestava atenção em mim. - disse, e sorriu alguns tempos depois, mostrando ter se lembrado de algo. - Sabe… - olhou pata o Youkai. - Mamãe e Papai estavam viajando… deixou a mim e Kagome sozinhas em casa, com vovô. No dia ela havia saído para resolver alguns problemas… Não me lembro ao certo… mas sei que Kagome se aproximou de mim durante a noite… e me disse que eu poderia dormir tranqüila… pois jamais deixaria o mal se aproximar de mim… disse que antes de chegarem a mim… teriam de matá-la. - sentiu Sesshoumaru se aproximar e se ajoelhar diante dela. - Só vim entender o que ela quis dizer dois dias depois… Estava mexendo em um dos remédios loucos de meu avô, pois ele me pedira para ajudá-lo na arrumação do depósito, quando um deles quebrou, cortando o meu dedo.
Pegou o ar com força e sorriu tristemente para o marido, se sentindo extremamente fraca naquele momento, por estar deixando ele lhe ver naquele estado.
# Vovô enlouqueceu! Disse que mamãe iria o matar, pois o conteúdo do frasco era uma espécie de veneno. Não me lembro ao certo. Mas era para ter me matado… fiquei com um pouco de febre, e morrendo de medo de adormecer e não acordar mais. - olhou para o marido. - Acordei no dia seguinte completamente saudável, apenas com o ferimento em minha mão, inchado e arroxeado. Mas Kagome teve de ser interna as pressas, com problemas respiratórios e febre alta.
# Ela…
# Ela foi envenenada no meu lugar. - disse. - Não sei como… mas ela conseguiu sugar para si o mal que tinha em meu corpo. Passou uma semana na CTI por causa disso. Quando acordou e melhorou, ela chegou até mim e disse: Eu não disse que podia dormir tranqüila. - sentiu uma lágrima escorrer pelo seu rosto ao se recordar daquilo.
Sesshoumaru limpou as lágrimas da esposa e a abraçou fortemente, enquanto afundava o rosto em seu ombro e começava a chorar, o deixando preocupado, já que ela, jamais havia feito aquilo na vida.
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Inuyasha parou o carro na rua e o desligou, olhando para os enormes portões de um lugar que ninguém gostaria de visitar em sua vida, especialmente àquela hora da noite. Ou por detestarem a idéia de perder algum ente, embora este seja inevitável já que todos os seres morem. Ou por acharem o lugar assustador e que espíritos caminham por todo o território durante a noite.
Saiu do carro e pulou o muro do cemitério, fazendo um caminho, para ele já bastante conhecido por ele praticamente ir todo mês ali, visitar o túmulo de sua amiga assassinada. Entrou em uma das capelas, onde estavam enterrados quase todos os componentes da família Higurashi e parou diante do túmulo onde o nome 'Kagome Higurashi' estava escrito, embaixo de uma foto dela sorridente.
Tirou uma rosa de dentro do bolso de sobretudo e se ajoelhou, a colocando sobre a lápide, depois de a beijar.
# Creio… que desta vez eu irei cumprir a promessa que fiz. - disse em voz baixa, fixando os olhos, no sorriso da moça na foto. - Vou descobrir e matar com minhas próprias mãos quem fez isso a você, Kagome. Vou poder vingar o seu assassinato.
Várias vezes havia sido censurado por seu irmão, por causa da manai de ir visitar o túmulo da criança morta, pelo qual um dia, ele nutriu uma paixão proibida. Embora discutisse com a criança a viver lhe atormentar, gostava dela, de uma maneira alheia aquela, que era verdadeiramente saudável.
Sentiu um frio percorrer sua espinha e estremeceu, olhando para o lado de fora da cabana. Havia sentido uma presença atrás de si, e um cheiro que lhe era estranhamente familiar, tomou conta do local por alguns breves segundos. Sacudiu a cabeça, abaixando o olhar e achando, realmente, que havia enlouquecido depois de tantos anos.
Levantou e saiu da capela e em fim, do cemitério, chegando a conclusão, que chegara a hora de nunca mais voltar àquele local novamente. Pelo menos, até a hora em que o caso de Kagome Higurashi, realmente fosse solucionado.
A porta da capela da família Higurashi se fechou misteriosamente, e a mulher de olhos vermelhos surgiu diante da lápide aonde Inuyasha depositara a rosa vermelha. O quimono negro, cobria por completo seu corpo magro e pálido, e ao abaixar o leque que cobria seus lábios, uma pequena camada de ar bateu na rosa a destroçando em pequenos pedaços. Fechou o leque e sorriu mais ainda, antes de girar no mesmo lugar e encarar a jovem que acabava de entrar na capela, usando uma roupa de colegial.
# Nosso mestre não vai gostar de saber que Inuyasha Takahashi está atrás dele, novamente. - a morena abaixou o olhar, e a mulher de olhos vermelhos olhou para a fotografia na lápide. - É Kagome Higurashi… você sempre nos foi um problema… - tornou a abrir o leque. - Mesmo morta…
Uma camada de ar mais forte envolveu as duas mulheres em um roda moinho e quando o mesmo se desfez, as duas haviam desaparecido, deixando que a luz do luar iluminasse a fotografia da jovem de doze anos de idade, assassinada impiedosamente, há seis anos atrás.
