Capítulo 4 - Sentimentos Reprimidos.

MEU PEQUENO HERDEIRO

SASUKE

As coisas não andavam nada boas para o meu lado. Eu já tinha consciência de que quando eu voltei para a vila, eu teria que pagar por todos os erros que cometi quando eu estava fora de Konoha. Peguei três meses no presídio, amarrado numa camisa de força que sugava o meu chakra e uma venda em meus olhos, impedindo-me de enxergar algo ou usar meu sharingan. Esses três meses haviam sido um inferno, mas havia sido concluído, e agora eu só estava prestando os nove meses de serviços comunitário e proibido de usar meu chakra e meu sharingan durante esses nove meses. Isso estava me matando, não por causa dos serviços - como ajudar a construir as casas destruídas e entre outras coisas -, mas sim pela proibição de usar o meu chakra.

Passei a minha vida toda usufruindo esse grande poder que estava dentro de mim, e agora eu estava incapacitado e proibido de usá-lo. Isso era muito frustrante.

Mas tenho consciência de que mereço tudo de ruim que está acontecendo comigo. As pessoas da vila me olham torto, outras tem medo de mim, e tinham aquelas corajosas que soltavam piadas quando eu passava. Eu não podia fazer nada, a não ser abaixar a cabeça e seguir o meu rumo.

Aliás, eu só me fodo nessa vida mesmo.

Eu vivi a minha vida a base de mentiras. Era horrível a sensação de que quando a gente vive apenas para um propósito nessa vida e no final, isso não passava de uma grande ilusão.

Desde que os meus pais morreram e o meu clã aniquilado anos atrás, eu só tinha uma meta depois desse dia; ir atrás do assassino de minha família, que no caso o meu irmão mais velho, Itachi.

Eu cresci com o ódio que aumentava em mim e me que consumia aos poucos, conforme os anos iam passando. Fiz amigos nesse meio tempo, amigos verdadeiros que não desistiram e nem deixaram de acreditar em mim. Tivemos momentos de apertos, mas também tivemos momentos alegres, apesar de que eu e o dobe do Naruto brigarmos quase sempre, mas eu o considerava um irmão.

Ele me fez enxergar que a vingança não leva ninguém a lugar nenhum. Ele me mostrou que eu era um idiota, que estava fazendo tudo errado de novo. Ele me fez enxergar o que eu estava fazendo não iria dar em nada. E pelo incrível que pareça, ele estava certo.

Também tinha aquela irritante que sempre estava alegre e na primeira oportunidade que tinha, dava em cima de mim.

Eu a odiava.

Por causa dela, que por um tempo eu pensei em abandonar essa história de vingança. Por causa dela eu vi o mundo de outra forma que não seja preto e branco. Por causa dela eu me sentia em casa e seguro. Por causa dela, eu me sentia amado. Por causa dela, meu coração acelerava quando ela estava por perto com aquele cheiro de cereja. Por causa daquela irritante, eu sentia raiva quando um imbecil chegava e começava a paquerá-la, principalmente aquele anormal do Rock Lee. Será que ele não se enxergava de que ela era muito areia para o caminhãozinho dele?

Mas eu apenas ignorei, menosprezei e humilhei cada um deles e principalmente ela, que deveria me odiar por isso.

Escolhi o lado obscuro da vida, e segui Orochimaru. Ele me treinou, e me ensinou técnicas, mas eu tinha consciência de que ele estava fazendo aquilo só por um motivo; ele queria o meu corpo para hospedar a sua alma imunda. Mas no final das contas, deu tudo errado, e eu o matei.

Nesse dia eu soube que tinha chegado a hora de procurar Itachi, queria mostrá-lo que eu era o inferno em pessoa, queria fazê-lo sofrer por tudo que ele me fez sofrer. Eu queria matá-lo lentamente, para ele sentir a dor que eu sentia todos os dias. Queria que ele visse o pesadelo que eu podia ser, assim como os pesadelos que eu tinha todas as noites com a morte de meus pais.

Eu queria mandá-lo para o inferno.

Mas como sempre, deu tudo errado. Eu matei a pessoa que mais me amou nesse mundo. E agora eu tinha que carregar esse peso na consciência para sempre.

Saí de meus devaneios ouvindo a porta do meu apartamento sendo esmurraçada.

— Teme seu desgraçado, abra essa porta... teme!

Revirei os olhos, desse jeito aquele idiota iria acabar arrombando a minha porta.

Eu estava morando num pequeno apartamento no centro da vila, já que o distrito Uchiha estava quase todo destruído por causa da invasão do Pain.

Abri a porta e encontrei o dobe com um sorriso do canto a outro de cegar qualquer um.

— Da próxima vez que você esmurrar a minha porta desse jeito, eu vou enfiar essa sua cara para dentro. – era notável o meu tom irritado.

— Calma aí, estressadinho, paz e amor. – o idiota levantou o dedo indicador e o médio em sinal de paz.

Babaca.

— Hm.

— Vamos logo, que o pessoal já estão todos lá.

Hoje nós iriamos para um bar beber e se "divertir", deixar um pouco o estresse de lado.

Revirei os olhos e fechei a porta para seguir o dobe que já descia as escadas a minha frente com aquela animação e gás que só ele tinha.

Tínhamos chegado ao bar que estava meio lotado, odiava ficar imprensado no meio de tanta gente. Aliás, eu nem sei o que eu estava fazendo ali, só vim mesmo por que o idiota do Naruto iria ficar me enchendo.

Encontramos Shikamaru sentado numa mesa num canto junto de Chouji, que estava comendo churrasco no espeto.

— E aí pessoal, chegamos! – gritou Naruto assim que chegamos à mesa onde eles estavam.

— Nós já vimos, Naruto. – disse a baleia do Chouji, com a boca cheia de carne.

— E aí, Sasuke. – cumprimentou Shikamaru quando nós estávamos nos sentando na grande mesa.

— E aí. – murmurei com o meu jeito de indiferente e minha animação de merda.

— Cara, cadê o resto do pessoal? – Naruto não falava, ele gritava.

— Oi.

Olhamos o anêmico do Sai que havia acabado de chegar. Até agora eu não acreditava que essa lombriga esquisita havia ficado no meu lugar. E era totalmente ridícula a comparação daquele troço comigo. Nada haver. Eu era mil vezes mais bonito que essa lagartixa de parede. Um pouco de sol não faz mal a ninguém.

— Fala aí, Sai. Senta, cara! – disse o Naruto.

O anêmico se sentou ao lado à direita, uma cadeira afastada do Naruto.

— Bom, um já chegou. – começou Chouji. – O Kiba e a Hinata deve estar vindo, e a Ino disse que viria com a Sakura...

Parei de ouvir o que o Chouji dizia depois quando ele mencionou o nome da Sakura. Ela iria vir?

Um sentimento estranho se apoderou em mim, quando eu ouvi o nome dela. Meu coração estava acelerado, igual à ontem, quando eu fui me desculpar com ela.

Eu estava indo para casa, depois de um dia ajudando os construtores a erguer as casas quando eu senti alguém esbarrando em mim. Eu iria xingar o indivíduo, alegando onde ele estava com o olho para não enxergar direto, quando vi cabelos cor-de-rosa.

Na hora eu fiquei sem reação, e seu nome escapou por minha boca sem eu ao menos perceber, atraindo sua atenção para mim, completamente surpresa. Eu também estava surpreso por vê-la, ela estava mais bonita, tinha crescido, o seu corpo estava mais definido e cheia de curvas. Os seus olhos esmeralda que por várias noites fazia parte dos meus sonhos, me fitavam.

Eu estava querendo vê-la há algum tempo, para me desculpar por tudo que eu fiz e por tentar matá-la. Eu fiquei perturbado e confuso naquele dia quando ela veio me procurar, implorando para levá-la comigo. Meu coração naquele dia parecia que iria explodir, eu tinha invadido a reunião do conselho, acabado de matar o miserável do Danzou e tinha ferido a minha companheira de equipe gravemente, tudo no dia só. E para fechar com chave-de-ouro, aquela idiota tinha aparecido para colocar a vida dela em risco, depois de tudo que eu disse e fiz para deixá-la segura.

Naquele momento, até fiquei tentado, vendo-a decidida e... linda, na minha frente. Mas eu não podia fazer aquilo, eu não podia fazer aquilo com ela, e nem comigo. A minha vida estava estragada, ela só teria sofrimento para ela mesma. Abandonar o seu lar, os seus pais e amigos para vir atrás de um vingador e traidor como eu. Eu não queria isso para ela, eu não merecia o seu amor, que era puro e doce. Ela merecia coisa melhor, e foi por esse motivo que eu tentei matá-la. Era um meio idiota que eu achei para ela me esquecer de vez. Fazê-la me odiar, acho que seria mais fácil.

Mas ela não podia saber disso, Sakura tinha que me esquecer e seguir a vida dela. Por isso não respondi aquela pergunta de ontem. E me doeu vê-la segurar as lágrimas que teimavam em cair, enquanto saía correndo naquela noite. Eu cogitei a ideia de ir atrás dela, mas eu tinha sido surpreendido com uma mão em meu ombro, me fazendo virar bruscamente e fitar o meu ex-sensei com aquele livro estúpido nas mãos.

Ele completamente deveria ter ouvido tudo.

Eu estava tão perdido nos pensamentos que nem vi o Kiba e a Hinata chegando, eles estavam se sentando.

— E aí, Sasuke, eu pensei que nem fosse vir. – revirei os olhos com a voz debochada e o sorriso escroto dele.

— Hm.

Idiota. Que milagre que não veio com o pulguento à tira colo. O cara só fede a cachorro, e acho que até os melhores dos perfumes não tiraria aquele futum horrível.

— Que belo comprimento para os amigos. – ele continuou me amolando.

— Imbecil. – resmunguei, agora o ignorando. Eu nunca gostei dele mesmo.

— O quê? - ele gritou. - Você está se achando o rei da cocada preta, mas você não é nada, seu babaca!

Kiba estava pedindo para ser espancado. Olhei para ele enquanto sentia meu cenho franzir, se ele quer briga eu vou ter o prazer de acabar com esse cachorro de rua.

— Kiba-kun, se comporte. – a voz de Hinata soou repreendedora e depois virou-se para mim. - N-não liga para ele não, Sasuke-san.

— Hm.

- Oi gente, chegamos! – a voz de Ino soou alta, chamando a atenção de todos para si e a minha também. Ela estava vestida com um vestido bem provocante.

— Demorou, Ino. – Chouji falou com a boca cheia.

— Culpe a testuda aqui. Foi muito difícil tirar essa garota de casa. – Ino puxou a... Sakura? Ela estava perfeita.

— Oi, gente. – sua voz soou baixa e tímida, lançando aquele sorriso lindo que só ela conseguia dar, mas percebi que era forçado.

— Sakura-chan? É você mesmo? – tinha que ser o Naruto para fazer todo aquele estardalhaço.

— Claro, Naruto. – ela revirou os olhos.

Eu não conseguia tirar os meus olhos dela, o meu coração estava acelerado de novo. Eu a queria para mim, mesmo sabendo que eu não era o cara certo para ela, mas eu a queria.

Ela passou um olhar pelo pessoal que estavam sentados à mesa até parar em mim. Ficamos nos olhando, e percebi que seus olhos verdes e alegres agora transmitiam magoas.

E eu era o culpado.