Capítulo 4
Os Primeiros

— Seja bonzinho agora, meu amor — a Sra. Lupin beijou a bochecha do filho. — Estaremos de volta amanhã à noite.

— Certo, mãe — disse Remus sorrindo.

— Tem certeza de que vai ficar bem, filho? — o Sr. Lupin perguntou, preocupado. — Eu não quero que você fique sozinho se ainda não estiver se sentindo bem.

— Eu estou bem, pai — Remus insistiu, ajudando os pais a carregar a bagagem para fora. Ele e o pai a colocaram no porta-malas. — Eu vou ficar muito bem sozinho. É só um dia.

— Se você tem certeza... — a Sra. Lupin beijou-o na bochecha outra vez.

— Eu tenho certeza, mãe. Se divirtam — Remus beijou-a de volta.

O pai apertou seu ombro.

— Tudo bem, então. Mas ligue se precisar de alguma coisa.

— Tudo bem. — Remus deu um passo para trás enquanto seus pais entravam no carro. Ele acenou até que eles sumissem de vista, então voltou para dentro. Seu estômago estava cheio de borboletas nervosas, e ele agradeceu a Deus por deixá-lo escapar com tanta facilidade. Seus pais tinham ido visitar sua tia em Bristol, e iam passar a noite lá. E melhor ainda: a irmã dele, Serena, ia dormir na casa da amiga. Ele ia ficar sozinho em casa — o que significava, obviamente, que ninguém sentiria sua falta, não importava quanto tempo ficasse com Sirius.

O resto da tarde passou tão lento quanto uma lesma, embora Remus tenha tentado se distrair com a lição de casa, o jornal, e a tevê alternadamente; ele simplesmente não conseguia se concentrar. Sua mente ficava repetindo "Eu vou ver Sirius de novo!". Um jeito muito bobo de se sentir, e isso fez Remus sentir-se ridículo, mas não tinha problema.

Finalmente, às sete e meia, Remus não conseguia esperar mais tempo em casa. Trancou-a e saiu, pensando que devia ser mais fácil esperar na frente da loja de doces. Começava a escurecer conforme ele caminhava, murmurando baixinho para si mesmo, com as mãos nos bolsos.

Mas teve um belo dum choque quando chegou na Padaria dos Doces. Estava quase entrando para comprar um pouco de alcaçuz enquanto aguardava, quando a porta se abriu e Augustus Williams saiu carregando grande um saco.

Seus olhares se encontraram. Os de Williams se estreitaram perigosamente e uma mão do tamanho de um martelo levantou Remus pelo colarinho. Ele encostou Remus na parede, derrubando seu saco de doces. Remus olhou de relance para a porta, rezando para que o Sr. Baker tivesse visto e viesse para apartá-los, mas ele estava virado de costas enquanto reenchia latas de doces.

— Olá, Lupin — Williams bufou. Ele empurrou Remus contra a parede, fazendo seus dentes tiritarem. — Se achou muito esperto no outro dia, né? Com o seu namoradinho para te salvar? — seus olhos castanhos brilharam de malícia. — Não estou vendo-o aqui agora... Aliás, eu não estou vendo ninguém aqui agora.

Era verdade; as ruas estavam desertas. Remus engoliu em seco.

— Você deveria saber que eu ia voltar para te pegar — Williams rosnou, sacudindo-o de novo. — Adoraria dar um soco na cara do seu namorado, mas como ele não está aqui agora, serve você. — Sua outra mão recuou com o punho fechado. Remus fechou os olhos, quase chorando.

Mas o soco nunca veio. Em vez disso, ele ouviu Williams rosnar:

— Você de novo!

Os olhos de Remus se abriram imediatamente. Sirius estava lá, segurando o punho de Williams, fitando-o através de uma névoa de fumaça de cigarro. Um sorriso lento brincou nos lábios de Williams.

— Acho que não tem problema, eu queria acertar as contas com você mesmo. — Ele soltou Remus, que despencou da parede e esfregou a garganta.

Williams arregaçou as mangas.

— Vamos lá, venha.

— Acho que não — Sirius disse calmamente. — A não ser que você queira que alguém te veja. — Ele fez sinal em direção à loja de doces, onde o Sr. Baker tinha finalmente se virado e estava olhando desconfiado para os três garotos através do vidro. — Mas se você quer certar s contas, eu ficaria mais feliz em encontrá-lo em outra hora.

Houve uma pausa. Williams pareceu estar pesando as opções em sua cabeça. Remus puxou a manga do sobretudo de couro de Sirius, tentando chamar sua atenção, mas Sirius o ignorou.

— Certo, então — Williams latiu finalmente. — Ok, então, bonitinho. Eu aceito. No parque. Amanhã à noite. — Pegou sua sacola e foi embora.

Sirius acendeu um cigarro e olhou para Remus, que ainda estava puxando sua manga.

— O quê?

— Ficou louco? — sibilou. — Ele é muito maior que você, vai te machucar feio, talvez até te matar.

— Tamanho não é documento — disse Sirius. — Vamos.

Remus o seguiu, segurando em seu braço.

— Como você consegue ser tão calmo? Você não o conhece como eu. Ele provavelmente vai chamar um monte de bandidos; você pode realmente se machucar.

Sirius parou e segurou o queixo de Remus.

— Deixe comigo. Eu vou ficar bem. Agora esqueça isso, ok?

Remus realmente não queria, mas concordou. Sirius sorriu e começou a andar de novo.

— Aonde a gente vai?

— Para a minha casa — disse Sirius. — Minha família foi está fora, ninguém vai se importar.

Remus reparou que não vira ninguém na casa de Sirius na primeira vez que estivera lá.

— Aonde eles foram?

— Alemanha — Sirius respondeu, jogando o toco do cigarro.

— O que eles estão fazendo lá?

— Não quero saber.

— Por que não?

Sirius suspirou, usando a mão livre para tirar o cabelo dos olhos.

— Eu não quero falar sobre isso.

— Mas...

— Cale a boca. — Os olhos de Sirius ficaram subitamente perigosos. Remus ficou quieto. Era obviamente um ponto sensível. Ele não disse mais nenhuma palavra enquanto caminhavam pelos becos Em vez disso, encostou a cabeça no ombro de Sirius e fechou os olhos, segurando-se ao braço dele. Não havia ninguém para vê-los, e Sirius não o mandou soltar, então estava tudo bem.

Eles chegaram à casa de Sirius bem na hora em que as estrelas começaram a aparecer no céu aveludado. Tiraram os sapatos perto da porta e penduraram os casacos.

— Quer comer alguma coisa? — Sirius perguntou.

Remus não tinha comido antes de sair de casa; estava nervoso demais.

— Tudo bem.

Seguiu Sirius até a cozinha. Era decorada basicamente em amarelo, com aparelhos de cobre aparentemente antigos. Remus sentou-se à mesa lascada enquanto Sirius pegava uma lata de sopa e uma caçarola velha. Remus observou curioso o pequeno cômodo, educado demais para comentar sobre seu mal estado. Em vez disso, se perguntou por que Sirius não queria falar sobre sua família, e o que eles estavam fazendo na Alemanha sem ele.

— Aqui está — Sirius pôs uma tigela de sopa na frente dele e lhe deu uma colher.

— Obrigado — Remus mergulhou a colher na sopa, mexendo e soprando.

— Aquele cara está sempre no seu pé?

— Williams? — Remus perguntou, surpreso. — Bem, eu não diria que ele está no meu pé ... Sei lá, eu só não sou muito atlético ou forte ou nada disso, então ele e os amigos dele ficam me enchendo o saco.

Sirius sugou um pouco do caldo direto da tigela. Ele tinha deixado marcas de batom na borda, Remus notou divertindo-se quando o moreno tirou a boca dela.

— Tem certeza? Ele tem uma pequena fixação por você, não tem? Não se lembra do que eu te falei da primeira vez em que o encontrei?

— Lembro, mas... — Remus mastigou pensativamente uma colher cheia de vegetais empapados. — Você não acha que está se excedendo um pouco?

— Ele estava tentando enfiar a mão nas suas calças — Sirius disse levemente, passando margarina num pedaço de pão e entregando a ele.

— Obrigado por me lembrar — Remus murmurou, dando uma mordida.

— Desculpe. A propósito, há quanto tempo isso vem acontecendo?

— Hum, desde que eu entrei naquela escola. Ele é um ano mais velho que eu.

— Aposto que você adoraria se ele saísse, não estou certo?

— Bem, não vou fingir que não ficaria feliz se ele fosse transferido ou se mudasse para o outro lado do país ou algo do tipo. Por quê?

Sirius encolheu os ombros.

— Por nada.

Eles fizeram o resto da refeição em silêncio. Remus insistiu em ajudar Sirius com a louça depois, mesmo que não tivessem muita coisa para lavar. Assim que terminaram, foram para o quarto de Sirius, esticando-se na cama.

Remus brincou inconscientemente com uma ponta do lençol. Queria perguntar a Sirius sobre a outra noite, por que ele não tinha respondido quando Remus confessou que o amava. Olhou para o outro garoto.

— Sirius...

Ele foi interrompido quando Sirius o beijou, seus braços escorregando pela cintura de Remus e puxando-o para perto. Remus fechou os olhos e beijou de volta, seu coração batendo fortemente conforme Sirius rolou para cima dele. Sirius aprofundou o beijo, suas mãos perambulando pelo peito de Remus, puxando sua camiseta para fora dos jeans e enfiando as mãos embaixo dela.

— Ah — Remus arfou quando romperam o beijo. As mãos de Sirius estavam geladas, mas ele não protestou, mesmo quando Sirius gentilmente tirou sua camiseta, logo em seguida tirando a dele. Eles se beijaram de novo, os dedos de Remus caminhando delicadamente pela pele branco-neve do peito de Sirius. Ele sentiu-se sem ar e um pouco tonto, o coração batendo tão alto que ele podia jurar que Sirius estava ouvindo.

— Oh — Sirius beliscou o lóbulo de sua orelha, então deu beijos na lateral de seu pescoço e ombros. Seus dedos moveram-se até o zíper de Remus, descendo-o e abrindo o botão.

— Sirius... o que... — Remus sentiu-se atordoado.

Sirius beijou a ponta do nariz dele.

— Está tudo bem. Eu serei gentil.

— Mas, ah... — Remus arfou quando os dedos de Sirius entraram em seus jeans. — Sirius...

— Relaxe — Sirius sussurrou. Sua voz estava rouca. — Apenas confie em mim, ok?

— Mas... — ele parou de protestar e gemeu suavemente quando Sirius encostou um dedo gentilmente nele.

— Vai confiar em mim?

— Sim — Remus falou sufocado enquanto Sirius descia seus jeans. — Sim, Sirius, eu te amo...

Sirius o beijou, tirando o próprio jeans e puxando Remus para um abraço. O moreno arfou quando Sirius se empurrou contra ele com um gemido de desejo.

— Remus...

— Vá em frente — Remus murmurou, fechando os olhos, descendo a mão para tocar Sirius. — Por favor, Siri...

— Siri. Isso é fofo — Sirius estava arfando, olhando para ele com o cabelo caindo nos olhos. Seu batom estava manchado, a testa suada. Ele lambeu os lábios, separando os joelhos de Remus. — Vai machucar.

— Eu não ligo — Remus sussurrou. Ele era bonito, mechas castanho-amareladas entrando nos olhos, uma expressão quase desesperada no rosto. — Eu te amo, está tudo bem. Eu te quero dentro de mim.

— Pronto ou não, aqui vou eu — Sirius sorriu. Remus fechou os olhos e mordeu o lábio, se preparando. Com um gemido, Sirius investiu.

— OOOWWW!!


Remus estava deitado perfeitamente, mesmo depois, coberto pelos lençóis até o queixo, com o braço de Sirius em torno de sua cintura. Sirius fumava um cigarro, muito despenteado e sexy ao luar. Remus queria levantar e ir ao banheiro, mas não achava que conseguia nem ficar de pé, muito menos andar. A parte interna de suas coxas estava desagradavelmente pegajosa.

— Tudo bem? — Sirius perguntou. Remus gostou de ouvir uma nota de preocupação na voz.

— Eu estou bem — Remus suspirou e se aproximou um pouco. Doía se mexer, mas ele ignorou a dor.

— Não está não — mas Sirius somente sorriu para si mesmo e plantou um beijo com cheiro de tabaco na testa dele. — Eu avisei.

— Uh, que grande coisa da sua parte.

Sirius deu um riso sarcástico do duplo sentido não-intencional, depois ficou quieto. Remus estava começando a ficar desconfortavelmente sonolento, apesar das circunstancias. Bocejou feliz, encostando a cabeça no ombro de Sirius e fechando os olhos.

— Remmie?

Remmie? Remus abriu os olhos, apoiando-se no cotovelo e olhando para Sirius surpreso.

— O quê?

— Você disse que me amava.

— Ah — Remus se sentiu quente e sabia que estava corando. Era bom que estivesse escuro. — Bem... era verdade. Eu realmente te amo. Quero dizer, é idiota e tal... a gente mal se conhece, mas... quando te conheci... foi... sei lá. Não sei explicar.

— Sei que não — Sirius inclinou-se levemente para beijar seu maxilar. — e eu tenho que te contar uma coisa. Quando nos conhecemos, eu fiquei meio irritado com você. Achei que você fosse mais um riquinho que estuda em escola particular. — ele tirou os cabelos de remus da frente dos olhos. — meu conceito sobre você mudou desde então.

— Que nem um fungo — disse Remus, e eles explodiram em risadas.

— Não, sério. — A voz de Sirius era gentil. — Eu me acostumei com você. E... eu também te amo.

O coração de Remus fez uma pirueta.

— V-você ama?

— Sim. Eu não faria isso com qualquer pessoa, sabe. Era com você que eu queria estar.

— Siri... — Remus limpou as lágrimas que já estavam escorrendo por suas bochechas.

— Legal. Pare de chorar, ok? — Sirius sorria. — Você fica mais bonito quando está feliz.

— Eu estou feliz!

Sirius riu consigo mesmo e puxou Remus para deitar-se ao lado dele.

— Durma, agora.

Remus sentiu como se fosse explodir de alegria. Ele se aconchegou, passando um braço em volta de seu amante. Seu i amante /i ... as palavras soavam tão bem. Era como se um peso enorme tivesse sido tirado de seus ombros.

Sirius ficou acordado até bem depois da meia-noite, fumando e passando a mão no cabelo de Remus. O outro garoto dormia profundamente em seus braços, um pequeno sorriso nos lábios. Sirius não conseguia evitar sorrir também, apagando seu último cigarro e se aproximando para sussurrar na orelha de Remus.

— Não e preocupe. Depois disso... você nunca mais vai ter que se preocupar com aqueles caras de novo. Eu vou me certificar disso.


O dia seguinte amanheceu brilhante e ensolarado. Remus abriu um olho, depois o outro, piscando sonolento para o que havia à sua volta. A luz do sol batia no papel de parede vermelho e marfim e na mobília mogno-escuro. Sirius estava adormecido ao lado dele, respirando suavemente, a luz fazendo mechas douradas em seu cabelo cor-de-ébano.

Remus sentou-se, lembrando dos acontecimentos da noite passada. O encontro com Williams... a ida para a casa de Sirius... fazer amor na cama dele. Ele sorriu, olhando para Sirius, afastando mechas de cabelo do rosto de seu amante. Pôs as pernas para fora da cama, contraindo-se ligeiramente, e enfiou-se na primeira roupa que viu — a camiseta de Sirius da noite passada. Era preta e chegava até os seus joelhos. Em silêncio, para não acordar Sirius, Remus saiu do quarto e foi na ponta dos pés até o banheiro.

No caminho de volta, uma foto chamou sua atenção. Curioso, parou para olhar. Parecia uma foto de família. Ele reconheceu Sirius de cara, de pé com as mãos nos ombros de uma mulher de aparência majestosa. Ela tinha longos cabelos pretos salpicados de branco e olhos azul-escuros. Ao lado dela estava sentado um menino que parecia mais novo que Sirius. Ele tinha cabelos pretos também, que chegavam quase aos ombros, e olhos azuis. Havia algo vagamente desagradável em seu sorriso, mas Remus não sabia o que era. Atrás dele estava um homem alto com cabelos cinza-metálico, sobrancelhas grossas, e um bigode de morsa. Seus olhos eram negros e estreitos. Todos os quatro estavam vestidos em cores escuras e as únicas jóias em qualquer um deles eram o brinco na orelha esquerda de Sirius e o broche na garganta da mulher.

— Essa é a minha família — Sirius falou por trás dele, fazendo Remus pular. Ele se virou e viu Sirius fazendo uma careta para a foto. Seu cabelo caía sobre os olhos e ele vestia somente um jeans desabotoado. Ele suspirou, a careta deixando sua face, tirando o cabelo da frente e acendendo um cigarro.

— Desculpa... Eu só estava olhando — Remus disse nervoso.

— Não, está tudo bem. — Sirius tirou a foto da parede, olhando tristemente para ela. — Minha mãe — murmurou apontando para a mulher. — Adhara. O menino é meu irmão, Regulus. E meu pai, Cepheus. Ele sempre ficou puto porque eu e Regulus parecemos mais com a mamãe do que com ele. — Ele exalou um jorro de fumaça na imagem de seu pai. — Eu o odeio — disse simplesmente, colocando a foto de volta no lugar.

Remus se surpreendeu.

— Por quê?

Sirius só balançou a cabeça.

— Esquece. Eu não quero falar disso agora. Vamos tomar café?

— Ok. — Remus seguiu Sirius até a cozinha, ligeiramente confuso.

Depois do café, tomar um banho rápido e vestir as próprias roupas, Remus foi levado para casa por Sirius. Eles andaram despreocupados, de mãos dadas. Remus não se importou em estar atrasado para a escola. Só queria estar com Sirius... seu amante. Porém, cedo demais eles estavam na frente de sua casa.

— Como você vai explicar dessa vez? — Sirius perguntou.

— Meus pais estão fora. Eles não vão voltar até à noite. Eu só vou ficar por aí se, fazer nada e quando eles chegarem eu falo que tive uma recaída.

— Você está virando um bom mentiroso.

Sirius deu um beijo na bochecha dele.

— Parece que você não precisa de ajuda. Se eles suspeitarem de algo, diga que eu fiquei com você por um tempo. Eu confirmo.

— Obrigado. — Remus o beijou. — Hm... Você ainda vai... encontrar o Williams hoje à noite?

— Nem pense em aparecer — Sirius o avisou. — Eu dou conta sozinho. Confie em mim, ok?

— Ok — Remus suspirou. — Mas eu fico preocupado.

— Não precisa. Agora ponha o seu traseiro fofo lá para dentro e comece a fingir que está doente. Tchau, querido.

Remus o observou até que ele desaparecesse da rua, mordendo o lábio incerto. Sabia que não podia dar uma espiada em Sirius à noite, para ver se ele ia ficar bem mesmo, não se quisesse que seus pais acreditassem em sua doença.

— Deus, olhe por ele — murmurou para si mesmo, entrando em casa.


Augustus Williams pulou o portão do parquinho, aterrissando pesadamente no chão. Ele se endireitou e olhou para frente cautelosamente, seus olhos correndo de um lado para o outro. Não ia deixar o namorado daquela putinha se aproximar dele.

Mas o namorado da putinha nem tentou. Ele estava encostado na cerca em torno dos balanços, seus cabelos pretos e a bainha de seu sobretudo de couro balançando levemente à brisa. O final de um cigarro brilhava na escuridão como um único e vigilante olho, e o cheiro da fumaça flutuava até o nariz de Williams. Ele não estava nem tentando se esconder.

— Aí está você — Williams rosnou, arregaçando as mangas. O luar dava ao camarada uma aparência estranha, fazendo sua pele ficar branco-azulada e ainda mais pálida em contraste com seu cabelo e roupa, os olhos negros escondidos em bolsos de sombra.

— Aqui estou eu — Sirius concordou suavemente, derrubando o cigarro e o esmagando.

— Achei que você certamente fosse se acovardar — Williams desdenhou.

— E eu estava aqui pensando o mesmo de você — veio a resposta fria.

— Eu não sou covarde! — Willimas cuspiu, furioso à insinuação.

— Nem eu. Acho que agora a coisa está bem distribuída, você não acha? É muito mais educado pegar alguém do seu tamanho.

— Do que você está falando?

— Remus. Ele é menor que você, mais doce, e nunca machucaria ninguém. Por alguma razão, você está determinado a espancá-lo ou agarrá-lo sem motivo algum.

— O Lupin é uma puta. Ele merece o que eu dou a ele.

— Ah, é? — sua voz ainda estava calma, baixa, educada. Ele se adiantou de forma que eles estavam separados por centímetros. — Sabe de uma coisa? Eu acho que i você /i merece o que i eu /i vou te dar.

A dor subitamente explodiu na garganta de Williams; líquido quente borrifou em seu peito. Ele engasgou e tentou falar, mas a voz não saía. Sob a luz da lua, podia discernir uma mancha escura se espalhando em sua camiseta. Ele chorou para ela freneticamente, olhando para suas mãos — sangue. Seu próprio sangue!

A lâmina veio de novo, se enterrando em seu ombro até o punho. Williams soltou um grito de dor que se perdeu no ar, tentando alcançar a faca em seu ombro, mas ela não estava mais lá.

— Bons sonhos — a voz fria disse, antes da faca ser enfiada no estômago dele.


N.A.: Tenho uma coisa a tratar aqui. Fumo. Essa é a única história que eu escrevi que o Sirius fuma, e eu prefiro que ele não fume, mas é inegável o fato de que ele fica sexy com um cigarro entre os lábios pintados. Mas naturalmente eram os anos 70, as pessoas não estavam muito conscientes dos perigos do cigarro. Crianças, não tentem isso em casa.