Capítulo Quatro- Nuit Rouge

O salão principal de La Couleur estava ocupado por muitos homens que pareciam não se preocupar por beber demais. Copos de Péchés e outras bebidas estavam jogados por tudo quanto era canto do salão. Enquanto esperavam ansiosamente pela apresentação tradicional da Nuit Rouge, se concentravam nas demais dançarinas, que não se importavam em apenas dançar, sem receber.

James estava na entrada, recebendo alguns homens, antigos clientes do La Couleur.

- Olá, Potter.- Um homem alto e forte cumprimentou James.

- Frank! É um prazer recebê-lo aqui.- James sorriu.

- Obrigado. Então, a apresentação já começou?- Ele consultou seu relógio e depois o colocou de volta no bolso interno de seu casaco.

- Não... Acontecerá daqui alguns minutos. Mas enquanto isso você pode beber algo...

- No Bar?- James o encarou.- Eu vi a placa alí na frente. Bar e Cabaré, não? Seus lucros irão dobrar.

- Você acha?- Ele levantou a sobrancelha.

- Claro.- Ele sorriu.- Terá mais variedade de bebidas, acredito.

- Claro que sim! Péché não é a única coisa que servimos aqui.

- Você está certo. Mas é a bebida que é vendida somente aqui.

Frank sorriu e entrou. Alguns segundos depois, Lupin saiu dos camarins e foi em direção de James.

- Como as moças estão indo?- James lhe perguntou.

- Estão prontas.

- A apresentação pode começar?

- Claro!

James sorriu. Mandou Lupin chamar as dançarinas, e, enquanto isso, ele iria anunciar o show. Andou até o salão principal, onde fora colocada uma decoração para a apresentação. O palco estava decorado com plumas de todas as cores, o chão coberto por um veludo vermelho e, ao fundo, havia uma escultura em forma de coração, que chamava atenção de todos pelas luzes que estavam em seu contorno. As luzes piscavam freneticamente, causando uma sensação de euforia aos homens que esperavam ansiosamente às cortesãs que iriam dançar sobre o palco.
James subiu ao palco e foi aplaudido com muita exaltação.

- Não é a mim que vocês devem aplaudir.- Ele olhou para a imensidade de homens que estavam alí.- Que comece o show.

James saiu rapidamente o palco. Por alguns segundos, a luzes se apagaram; várias dançarinas apareceram, a música começou e elas começaram a dançar o famoso can-can. Os homens gritavam, chamavam as dançarinas pelo nome e jogavam notas de dinheiro no palco.

Lilian observava tudo aquilo de longe com uma expressão de tédio. Ela continuava servindo péchés para dois ou três homens que ainda estavam no bar. Dentre eles, Lupin.

- Ei, moça!- Ele chamou Lilian.

- Pois não?

- Hã... você não vai dançar, não?

- Não.- Ela respondeu seriamente.

- Ah... você não gostaria de sentar-se comigo?

Primeiramente, ela olhou um pouco desconfiada para ele. Mas vendo que não teria muito o que fazer, já que os outros homens estavam assistindo a apresentação, ela sentou-se ao lado dele.

- Então, você que é o novo, não?- Lilian não arriscou olhar nos olhos de Lupin, então abaixou a cabeça e começou a brincar com o avental que estava preso em sua cintura.

- Desculpe?

- Você que está ajudando o Potter aqui?- Ele podia perceber uma mistura de desprezo e curiosidade em sua voz, e ele próprio ficou curioso por isso.

- Sim, sim. Eu era amigo do pai dele.

- Hey, não foi você que deu a idéia do bar?- Lupin sentiu o desprezo diminuir, mas a curiosidade não.

- É, fui eu sim.

- Bem...- Lilian sorriu.- Obrigada.

- Por quê? Pelo bar...?

- É. Bem, eu não sei se você sabe, mas... e-eu só trabalho aqui servindo bebidas.

- Ah... sim, claro.- Ele riu.- A única, não?

- É...- Lilian olhou para a última garçonete, que agora estava indo em direção do palco.- Agora sim.

- A propósito!- Remus estendeu sua mão.- Remus Lupin, prazer.

- Lilian Evans.- Ela apertou sua mão.- Prazer é todo meu.

Os dois conversaram por alguns minutos. Ele mostrava ser uma pessoa de confiança, e Lilian sentiu-se segura em conversar com ele. Parecia que ele a conhecia há anos, pois sabia parte sua vida.

- Então quando o senhor Ulisses veio a falecer, eu continuei trabalhando aqui.

- Do mesmo jeito que trabalhava antes.- Ele completou.

- Exatamente. No começo James me forçava a trabalhar como... bem, você sabe. Mas depois ele foi me deixando em paz.

- Não o leve tão a mal assim! Ele é uma boa pessoa.

- O quê?- A ruiva ficou indignada.- Ele é um egoísta e...

Lilian não conseguiu terminar de falar, pois a música havia começado a ser tocada num volume maior. Ela olhou para o palco e Rafaella Dahlem dançava o can-can meticulosamente. A cada movimento que a loira fazia, os homens gritavam mais desesperadamente e a música tocava mais alto. Ela vestia um curto vestido, com brilhos e purpurinas espalhados por todo o tecido. A cinta-liga que vestia estava quase se soltando da meia, de tanto que ela se remexia. Os cabelos loiros, que cobriam parte de sua visão e caíam sobre seus ombros nus lhe davam um charme discreto e sutil.

- Ela é linda.- Murmurou Lupin.

- É, sim.- Lilian coçou o queixo.- Pena que não saiba fazer uso de sua beleza.

- Mas de que outro jeito uma mulher bonita pode viver?

- Casando-se.

Lupin percebeu que era inútil tentar discutir com a ruiva, então se calou. Enquanto Lilian estava distraída ajeitando o avental que não chegava a cobrir um terço de seu minúsculo vestido, Lupin a fitou. Notou que aqueles olhos verdes possuíam uma melancolia pura misturada com uma ironia maviosa; como se ela fosse capaz de sentir todas as sensações que o ser humano fosse capaz de suportar. O jeito calmo com que tentava desamarrar o avental exibia uma monotonia imensa, como se estar alí, naquela momento, naquele dia, fosse a coisa mais entendiante do mundo.

- Lupin?

- Hã? Desculpe, eu não estava ouvindo.

- Você gostaria de beber algo?

- Está bem.- Ele sorriu.

Ele a observou mais uma vez, quando ela se levantou da mesa. O jeito como andava; passos pesados, apressados, fúnebres. Trabalhar no La Couleur devia ser um desgosto muito grande para Lilian, Lupin não pôde deixar de pensar.

- Aqui.- Lilian serviu uma garrafa de Péché para Lupin.

- Obrigado, Lily. Posso te chamar de Lily?

- Claro!- Ela riu.- Quase todo mundo me chama assim.

Lupin tomou um gole da bebida que lhe foi servida. Péché. O gosto doce, da mistura de frutas tropicais da América do Sul com uma pitada de canela típica da Europa passava pela sua garganta, lhe causando uma sensação de calmaria total, como se a música cessasse, as luzes se apagassem e ele estivesse sozinho alí.

- Bebe isso com calma, homem!- Lilian exclamou.- Se não... bem, você sabe. Um gole de cada vez.

- Hey, Lupin!- James apareceu na pub.- Como você está?

- Bem...

- Lily está servindo você bem? Quero dizer, ela está sendo educada, não?

- Claro que sim!

- E se eu não fosse?- Lilian falou.- Iria fazer o quê?

- Não se meta, Lily.

- Como assim 'não se meta, Lily'? Você está falando de mim!

- Lilian...- Lupin a chamou.- Calma...

A ruiva encarou os dois e saiu dalí rapidamente.

- Ficou braba.- James comentou.

- Você deu motivos a ela.

- Ela se irrita muito fácil!

- Isso é verdade.- Lupin bebeu mais um gole do Péché.

- Péché? Beba devagar. E não beba mais de quatro drinques.

- Eu sei. Já me avisaram sobre o que pode acontecer.

- Então, já arranjou alguma moça para você?

- O quê?- Lupin se engasgou com a bebida e tossiu.

- Ora, vamos! Você não escolheu nenhuma?

- James, eu... bem, eu estava conversando com a Lily e...

- Evans? Ah, esqueça. Essa aí não irá ceder nem por uma montanha de ouros.

- Não... eu só estava conversando com ela. E eu pretendia continuar conversando com ela...

- Pra quê? Pra ouvir as coisas que ela fala de mim?

- Não!- Lupin riu.- Eu gosto de conversar com ela.

Os dois se calaram por alguns segundos. De repente, James se levantou e foi até uma das cortesãs que estava na pub, conversando entre si. Lupin viu que James apontou para ele enquanto falava com a mulher. Pelo visto, ele ignorou o que eu disse, pensou Lupin, ao ver a cortesã caminhando em sua direção.

- Olá.- Ela sentou-se em seu colo.

- Desculpe, eu não...- Lupin tentou tirar a garota de cima dele, mas ela resistiu.

- Eu sou Emmeline.- Ela sorriu.- E você?

- Olha, é um belo nome, mas eu realmente não...

- Qual é seu nome?

- Remus. Mas é que...

- Você freqüenta o La Couleur há quanto tempo?

- Não costumo vir sempre. Mas eu...

- Ah, é praticamente um novato.- Ela beijou sua face.

- Não! Quero dizer, eu tenho que ir e...

- Será que você não pode se calar por um segundo?

Ele parou e encarou Emmeline. Morena, cabelos escuros e muito bonita. Mas ele realmente não poderia fazer aquilo; não depois de ter conversado com Lily. Seria hipocrisia de sua parte.

Porém, quando estava prestes a tirar a morena de seu colo, ela pressionou seu corpo com mais força sobre o dele.

- Você está fingindo que não quer.- Ela suspirou.

- Não é isso...- Ele sentiu um arrepio ao ser tocado pela morena.

- Então é o quê?

Ele não se viu em condições de responder. A morena estava o tocando de todas as maneiras possíveis. Ele estava enlouquecendo com o dualismo do momento. O gesto vulgar de Emmeline não apagava seu jeito doce e sutil. Arriscou encostar os lábios nos ombros dela; aquela pele macia parecia ser feita de seda, de tanto que ele deslizava suas mãos constantemente pelo corpo dela. Lupin percebeu que não agüentaria.

- Eu sabia.- Emmeline riu.

Quando percebeu, Lupin já havia beijado a prostituta.


N/A: Bom dia! (tarde, ou noite. hihihi). Desculpem a demora. Mas é que tem acontecido taaantas coisas... eu estou rodada em matemática, química e física; o Vinnie terminou comigo; brigas com meus pais... ai, tudo que vocês podem imaginar :T e depois eu ainda tinha que mandar pra Gween Black betar e coisa e tal.

Mas enfim! Eis o capítulo da Nuit Rouge. Não gostei muito desse capítulo, mas o outro estará melhor :D

Trilha sonora da fic: Moulin Rouge Original Soundtrack
Trilha sonora do capítulo: Because We Can- Moulin Rouge.

N/B: Hmm, uma dica pra fic em si. Nos teus diálogos, só aparece quase a fala dos personagens.Tu podia descrever melhor.
Resp: escorre lágrima eu sei, eu sei. droga! bate com a cabeça no teclado

Obrigada pelos reviews meigos :) amo vocês forever.

Beijão

Donna Black.