Fazendo "Novas" Amizades

Era complicado olhar para o garoto a sua frente sem sentir pena, Harry estava sentado na cama e seu corpo inteiro tremia e ele apertava fortemente o lençol da cama, os olhos verdes estavam firmemente fechados e seu maxilar estava travado, Dumbledore e Lilly se olharam sem saber o que fazer e depois se viraram para Harry novamente.

- Você é Alvo Dumbledore. – falou Harry, para a surpresa da dupla a sua frente ele havia se controlado totalmente, não dando mostra alguma de que a poucos segundos estava despedaçado.

- Sim. – respondeu Dumbledore, mesmo vendo que Harry não havia perguntado e sim constatado quem ele era. – E qual é o seu nome meu jovem?

Harry para disfarçar um pouco e poder pensar em um nome, olhou-os como se os tivesse avaliando, parecendo ponderar se poderia ou não confiar neles.

- Mallory, Harrison Mallory. – informou Harry, ele se lembrara de Hermione uma vez comentar que Mallory significava sem sorte ou azarado, para o menino-que-sobreviveu, o sobrenome lhe caia melhor que seu próprio. – Mas todo mundo me chama de Harry.

- Seu sobrinho…

- Afilhado. – corrigiu Harry interrompendo o diretor, subitamente ansioso, seu afilhado era sua prioridade. – Onde ele está?

- Tio Harry! – antes que Dumbledore pudesse responder a voz de Teddy se fez ouvir pela enfermaria, enquanto o garoto corria e pulava em cima do padrinho, Harry não pôde evitar uma careta de dor, mas quando olhou Teddy seu rosto só mostrava um grande sorriso.

- E aí campeão! – falou Harry abraçando fortemente o afilhado, mesmo com suas costelas protestando firmemente quanto a isso. – Como você está?

- Ele matou o papai e a mamãe. – falou Teddy com a voz chorosa, escondendo o rosto no peito do padrinho.

- Eu sei. – disse Harry com pesar. – Mas eu estou aqui, e eu vou cuidar de você, eu prometo.

Nem Lilly nem Dumbledore tiveram coragem de interromper aquele momento, por mais que estivessem extremamente curiosos quanto ao jovem.

- Mas sabe. – falou Harry dando um sorriso confortável. – Eu estou morrendo de fome, será que você pode buscar alguma coisa para mim?

- Como uma missão? – perguntou Teddy com os olhos brilhando.

- É isso aí! – confirmou Harry, e de forma conspiratória se aproximou de Teddy sussurrando de forma que todos ouvissem, mas que parecesse a Teddy que só ele ouvia. – Porque você não pede ajuda para a moça bonita?

Lilly corou levemente, mas entendeu que o garoto só queria ficar a sós com o diretor, com um leve sorriso ela pegou a mão de Teddy e ambos saíram da enfermaria.

Harry ficou observando sua mãe se afastando segurando a mão de Teddy, o afilhado estava usando cabelos pretos e olhos da cor dos seus, por mais que as feições dele não se parecessem em nada com as suas, Harry não pode evitar de imaginar que no lugar de Teddy poderia ser ele…

- Hum-hum. – um leve pigarro do diretor tirou Harry de seus devaneios.

Com um suspiro Harry se levantou e foi devagar até a janela observando a paisagem tão conhecida e ao mesmo tempo nova.

- Harrison Mallory não é o meu nome verdadeiro. – falou Harry, Dumbledore o olhou atentamente, havia uma desolação tão profunda naquele garoto que o diretor não conseguia entender. – Não posso revelar quem eu sou, não por enquanto.

Harry, que estivera olhando pela janela até então, se vira para Dumbledore e o encara de frente, seus profundos olhos verdes marejados, mas exalando uma força de vontade acima da compreensão de Dumbledore.

- Eu nunca me uniria a Voldemort. – Dumbledore se sobressaltou ao ouvir aquele nome, mas Harry percebeu que não por medo, mas sim surpresa por alguém tão jovem o pronunciar. – Ele me tirou tudo que eu mais amava, eu jamais poderia me aliar a ele.

Alvo Dumbledore nunca tinha se encontrado em uma situação tão desafiadora, tudo no jovem clamava suspeita, no entanto… algo… alguma coisa lhe dizia para confiar nele, como se já o conhecesse, como se fosse alguém querido, alguém que esteve muito tempo distante, mas estava de volta agora.

E aqueles olhos… aqueles terríveis olhos verdes, falavam de uma dor tão grande que não devia existir. Eram piores que os olhos de Lilly Potter logo depois de perder o filho, e mais uma vez Dumbledore se perguntou quem era aquele garoto, como alguém tão jovem podia carregar uma aura tão grande de dor e tristeza?

- Tudo que peço é um voto de confiança. – disse Harry quando o diretor ficou muito tempo em silêncio.

- Nestes tempos…

- Não se deve confiar em ninguém. – interrompeu Harry, seu rosto transparecendo confiança e seriedade. – Não estou pedindo que me aceite sem restrições, ou que me deixe andar por aí a solta, apenas… apenas deixe que eu siga meu destino.

- E qual é? – perguntou o diretor pressuroso por respostas.

- Derrotar Tom Marvolo Ridle. – disse Harry com um sorriso triste, Dumbledore novamente se sobressaltou.

- Co… como?

- Eu sei de muitas coisas sobre Tom e seus asseclas. – respondeu Harry com um sorriso malicioso. – Não tenho nenhum problema em lhe passar algumas coisas, mas creio que esse não seja o lugar para uma conversa assim.

Dumbledore estava sem palavras, e isso era algo para se impressionar, se o que Harry dissera fosse verdade, talvez (finalmente) ele poderia dar um passo maior em direção a destruição de Lord Voldemort.

- Você tem razão. – falou Dumbledore se recuperando de seu mutismo. – Nós conversaremos em minha sala no sábado a tarde, tenho que convocar alguns aliados.

- Aliados confiáveis eu espero. – disse Harry se lembrando de Rabicho, era melhor ele se inteirar bem dos acontecimentos daquela dimensão, alguma coisa poderia estar diferente.

- Com toda certeza. – confirmou Dumbledore, já saindo da enfermaria, parando, no entanto no batente da porta. – Talvez você queira assistir algumas aulas, mas creio que seria melhor começar depois de nossa conversa.

- Que dia é hoje? – perguntou Harry, imaginando quanto tempo teria ficado desacordado, e totalmente perdido quanto à datas.

- Quinta-Feira. – respondeu o diretor já sumindo pela porta.

Com um suspiro Harry se pôs a planejar, antes que sábado chegasse ele já devia estar inteirado de tudo sobre aquela dimensão, mas como? Obviamente não podia simplesmente ir a biblioteca e pesquisar nos jornais antigos, isso com certeza não passaria despercebido para Madame Pince, talvez devesse passar no Beco Diagonal, na verdade ele precisava mesmo ir lá, apesar de ter suas roupas consigo, Teddy não tinha nenhuma ali, e a maioria das roupas dele eram trouxas, já que ele, Hermione e Rony passaram a maior parte de sua caçada escondidos em barracas ou em pequenos hotéis trouxas.

- Aaaaaah!

Harry se levantou imediatamente ao ouvir o grito, ele reconheceria aquela voz em qualquer lugar, saindo apressado da enfermaria ele encontrou uma cena que fez seu sangue ferver, Hermione estava em um canto acuada por três sétimo-anistas da Sonserina, suspirando fundo para se controlar Harry falou.

- Veja só o que temos aqui, três idiotas com vontade de apanhar, e eu que estava começando a achar que ficaria entediado nesta escola.

- Não se meta idiota. – falou um dos garotos que Harry reconheceu como Theodore Nott.

Os três agressores e Hermione haviam se virado para ele assim que sua voz soou, os garotos parecendo preocupados que fosse algum professor, e Hermione com um pouco de esperança que Harry se espantou em ver sumindo assim que ela o viu.

Harry na verdade estava perplexo, a Hermione de sua dimensão já teria dado conta daqueles imbecis sem nem suar, o que diabos tinha acontecido a ela nesta dimensão? Ela parecia um ratinho assustado!

- Não creio que vocês vão querer se meter comigo. – disse Harry, sua voz saindo tão gélida, que faria inveja a Voldemort.

- E quem você pensa que é para nos amedrontar? – riu em deboche Blaise Zabini. – Saiba que nossos pais…

- São comensais da morte, mais precisamente, membros do circulo intimo de Voldemort. – Harry sorriu sarcástico quando eles tremeram ao nome de Tom.

Os três garotos se entreolharam e como bons sonserinos que eram se afastaram, nenhum sonserino que se preze atacaria alguém que não tivessem certeza de que poderiam vencer e o fato do estranho falar o nome do lorde já dizia que ele não era qualquer um.

Com um resmungo de deboche Harry se aproximou de Hermione vendo ela se afastar até estar encostada contra a parede do corredor, Harry fingiu não se importar e se abaixou pegando os cadernos e livros que ela estava segurando, pois aparentemente não couberam na sua mochila, Harry sorriu saudoso, parece que aquilo não havia mudado nem um pouco em sua amiga.

Hermione observava fixamente o garoto que a havia salvo, ele estava só com a calça dos pijamas, seus pés contra a pedra fria do castelo, seu abdômen estava totalmente enfaixado, seus olhos eram de um verde profundo e podiam ser frios ou bondosos como estavam agora ao lhe entregar seus materiais, ele tinha cabelos vermelhos e compridos, que estavam soltos cobrindo parte de suas feições.

- Obrigada. – murmurou baixinho pegando suas coisas, os lábios ostentando um sorriso incerto.

- Eu sou Harrisson Mallory, mas todos me chamam de Harry. – cumprimentou Harry tentando parecer normal e amigável, era estranho para ele cumprimentar uma amiga de tantos anos.

- Meu nome é Hermione Granger. – se apresentou Hermione segurando a mão que seu salvador lhe ofereceu.

- Um bonito nome, mas acho, se me permitir é claro, que vou lhe chamar de Mione, se não meu afilhado vai passar anos tentando falar seu nome sem conseguir. – falou Harry rindo feliz, afinal aquela era Hermione, mesmo que de outra dimensão ainda era sua melhor amiga, que estava ali, viva!

- Afilhado? – perguntou Mione sorrindo.

- Teddy Mallory. – respondeu, afinal Teddy assim como ele não poderia usar seu sobrenome verdadeiro.

- Mallory? Não significa azarado? – perguntou Hermione, corando logo depois, e o olhando receosa dele ter se zangado.

Harry só soltou uma gargalhada e concordou, dizendo que combinava bastante com ele e apontando para seu próprio corpo o que fez Mione rir. Como era o horário do almoço e Harry sabia que ela estava atrasada ele a convidou para comer com ele na enfermaria, afinal ele sabia que os elfos sendo elfos mandariam comida para um batalhão.

Como Harry previra, assim que Teddy e Lilly chegaram, havia comida o suficiente para os quatro comerem e muito bem, mas Lilly recusou o convite, ainda espantada com a facilidade com que Harry fizera amizade com Hermione.

Lilly auxiliava Remus nas aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas, junto com os marotos e o diretor eles haviam descoberto como quebrar a maldição que Voldemort um dia lançara contra o cargo e os dois já lecionavam à quase cinco anos.

E exatamente por ser professora ela conhecia muito bem Hermione, quando chegara em Hogwarts era uma menina alegre e com uma sede de conhecimento que ela mesma tivera em seu tempo de escola, mas a medida que o tempo passava e os colegas gozavam mais dela Hermione foi se afastando de todos, se fechando em si mesma, respondendo os professores somente quando era perguntada diretamente.

Lilly, MacGonagall e alguns outros professores até tentaram ajudá-la, mas quanto mais eles tentavam pior era para a menina, mais os colegas a gozavam e muitas vezes até a atacavam, com o tempo Hermione em nada lembrava a menina que chegara em Hogwarts, quando os pais dela morreram, em mais um dos muitos ataques as famílias de nascidos trouxas, Hermione ficara mais distante ainda.

Já fazia muito tempo desde a ultima vez em que Lilly vira Hermione sorrir, e pensar quem era a causa do sorriso, fez Lilly rezar para que o garoto não fosse um comensal, apesar de algo dentro dela lhe dizer que ele era confiável, com um aperto no coração ela se lembrou de seu filho, enquanto Mallory estava transfigurado… era como se visse seu Harry deitado na cama, quase podia fingir que ele não havia morrido…

Com mais um suspiro, Lilly se despediu dos adolescentes e deu um beijo em Teddy saindo da enfermaria em seguida, perdendo o olhar emocionado de Harry, que assim que viu que era observado por Hermione disfarçou e voltou sua atenção para o almoço.


Kurohige: o Harry vai usar um disfarce, pois ele não quer envolver as pessoas que ele ama em sua luta, na cabeça dele ele só irá contar aos pais e amigos quem ele é quando derrotar Voldemort, se mantendo afastado deles enquanto isso, mas é claro que ele não vai conseguir, como bem mostra esse capítulo, outro motivo também é que ele sabe que se ele falar quem ele é não o deixarão lutar por si mesmo, ou você imagina a Lilly e o Thiago deixando ele lutar? Eu também adoro mitologia, e na verdade as parcas são retratadas de várias maneiras, como velhas com um único olho que passam entre si (eca) e como jovens, eu acho que como uma espécie de deusas elas podem ser o que quiserem não?

Isinhaa: fico feliz que tenha esclarecido algumas de suas dúvidas, mas já vou avisando tem muitas coisas diferentes do mundo horiginal do Harry, como você bem pode perceber neste novo capítulo, com o Harry em falta muitos personagens vão se comportar de outra maneira e também é uma dimensão diferente, por isso não estranhe, e qualquer coisa pode me perguntar, vou ficar feliz em responder, beijos.

Emmerlyk: na realidade você acertou, o Rony e a Mione não serão amigos, na minha opnião a pessoa que vai ser mais diferente vai ser a Hermione, pois se a gente voltar na história ela era insuportável no comecinho, somente depois de começar a andar com o Harry e o Rony que ela foi mudando, sem a influência deles, creio que ela não conseguiria nenhum amigo, e por mais forte que ela seja, eu duvido que ela não iria "qubrar", acho que todos sabemos o quanto as pessoas podem ser cruéis, mas felizmente o Harry apareceu e vai mudar muita coisa.

BahSantos: eu não sei se a Gina ficaria desesperada por ser primo dela, entre famílias puro-sangues é comum casamentos entre primos, mas concordo que ela não ia gostar muito dessa história, e seria estranho também um Weasley aparecer do nada, beijos e obrigada pelo comentário.

Vanity: não é que o Teddy não podia existir nessa nova dimensão, é apenas que o tempo dele nascer já passou, a Tonks e o Lupin não estão juntos, e sem a interferência do Harry eles jamais ficarão juntos nessa nova dimensão, Remus sendo ele como é não se acha no direito de ficar com Tonks, e lembre-se que Voldemort jamais deixou de existir, sendo assim o preconceito está mais forte ainda, se na história normal ela já é perseguida por se casar com o Lupin, imagine numa realidade onde todos estão estressados e amedrontados pela guerra? Se nesta dimensão o Harry não tivesse morrido ele não poderia ter ido parar nela, uma alma não pode existir duas vezes no mesmo lugar, por isso mesmo Lupin e Tonks ficarem juntos não vai nascer um outro Teddy, entendeu? Se não é só falar que tento achar um jeito diferente para explicar, beijos.