Capítulo 3 – 3º dia

- Cara, você não cansa? – Ouviu uma voz forte perguntar e levantou a os olhos, avistando uma Susan de sobrancelhas erguidas sentar-se ao seu lado.

- Poderia ser mais específica, Susu? – Ele perguntou, voltando a comer calmamente seu café da manhã.

- Detenções, Teddy, detenções! Você não cansa de pegar detenções? – Ela perguntou exasperada. E ele adorava aquele jeito espontâneo da amiga.

Mas o rapaz apenas a olhou de lado e esboçou um sorrisinho.

- Você tem que ser a pessoa mais destrambelhada que eu conheço! – Ela disse, erguendo as mãos em sinal de redenção. – De verdade, desisto de você.

Teddy começou a rir e a garota pôs-se a encher seu prato de torradas.

- Susu, você tem noção tem que nunca diz coisa com coisa, não é? – Perguntou divertido e riu mais ainda ao ver a amiga fazer uma careta.

- Vá se ferrar! Mas eu sei muito bem porque você está gostando tanto dessa. – Ela falou ferozmente, terminando de mastigar a primeira torrada. – Pode passar a noite inteira com sua princesinha.

O rapaz ergueu uma sobrancelha.

- Não acredito que, depois de tanto tempo, ainda tem ciúmes dela! – Brincou.

Susan lançou-lhe um olhar sarcástico.

- Veja lá se eu gosto de cabelos loiros! – Falou com descaso.

- Não, você gosta mais deles laranjas. – Teddy disse e a garota piscou para ele, mordendo outra torrada.

- Mas falando sério, Teddyco, você tem que maneirar. É a quinta em dois meses. – Ela falou séria e o rapaz bufou.

- Me erra. – Disse, revirando os olhos, no que Susan apenas deu de ombros.

- Onde estão os soldados? – Ela perguntou olhando ao redor e Teddy voltou a rir.

- O que você acha?

- Na cama, sonhando comigo, pra variar. – Ela respondeu rindo e tomando um gole do suco. – Vamos na Dedosdemel na próxima visita ao vilarejo, falou? Todos os meus doces acabaram, e você sabe como eu fico quando estou sem açúcar no sangue.

- Não se preocupe, Susu, você tem estoque o suficiente nele para viver longamente. – Ele disse, dando um empurrãozinho no ombro da amiga. – Mas não sei se vou com vocês na próxima visita.

Susan ergueu as sobrancelhas.

- Nem quero imaginar o motivo! – Ela disse, meneando a cabeça para os lados. – Chamou a princesinha pra ir com você? E ela disse que sim? Isso que é fofoca boa!

- Otária. – Teddy resmungou. – Não, ela ainda não aceitou, mas em breve aceitará.

- Eu só sou sua amiga por causa dessa auto-confiança ridícula que você tem.

- Eu sei. – Ele estirou a língua para ela.

A garota deu uma última mordida em sua torrada e levantou-se da mesa.

- Vou correr, Teddyco. Ainda tenho que revisar a redação de Feitiços antes da aula. – Ela se inclinou para o amigo e deu-lhe um beijo fraternal nos lábios. – Ah, e você é muito ledo mesmo. Eu cheguei depois e estou saindo antes. – Sem dizer mais nada, foi-se embora.

Teddy meneou a cabeça com um sorriso nos lábios e, com o movimento, olhou sem querer para a mesa da Corvinal. Victoire o encarava com os olhos meio cerrados, mas no instante em que seus os olhares se encontraram, ela os desviou para o prato.

E o moreno esboçou um sorriso ainda maior.

XXX

Vicky lançava constantes olhares a Teddy. Não haviam se falado muito desde que a detenção começara, e ela já estava perto de acabar. Não era que não quisesse falar com ele... Só não conseguia encontrar as palavras certas.

- Você está muito calada hoje. – Ele comentou sem olhá-la e Vicky se sobressaltou na cadeira.

Respirou fundo e voltou a encarar o livro.

- Não tenho assunto. – Disse seriamente.

O moreno devolveu um troféu à prateleira e se virou para ela.

- Há algo lhe incomodando. – Ele falou, fazendo-a encará-lo rapidamente.

Vicky cerrou os olhos e disse baixinho:

- Não há nada me incomodando, Lupin. – Falou e, antes que pudesse se conter, soltou o que estava guardando até aquele momento: - Só acho estranho duas pessoas que dizem ser só amigas se beijarem na boca.

Teddy arregalou os olhos. Realmente não esperava que ela falasse aquilo assim, tão diretamente. Ele se recuperou do choque e sorriu, aproximando-se dela.

- Sabe que não precisa ter ciúmes. – Falou serenamente.

As bochechas da loira se encheram de cor, de uma maneira que Teddy nunca havia visto, e ela se levantou da cadeira, fechando seu livro com força.

- Quem disse que eu estou com ciúmes? – Perguntou com uma voz aguda. – Apenas disse que acho estranho!

Teddy apenas a encarou com uma sobrancelha erguida e as bochechas de Vicky ganharam ainda mais cor.

- Eu não estou com ciúmes! – Falou num tom muito baixo, porém ainda raivoso.

O rapaz a encarou por mais alguns segundos e, em seguida, acenou afirmativamente com a cabeça.

- Tudo bem, você não está com ciúmes.

Ficaram em silêncio por um momento, Vicky com a respiração pesada e Teddy esforçando-se para não sorrir. Então a loira suspirou e disse:

- Pode ir, a detenção acabou.

O moreno acenou novamente com a cabeça e deixou a flanela na prateleira, voltando, em seguida, para junto dela.

- Não vou poder lhe acompanhar hoje... Ainda tenho um trabalho imenso para fazer. – Ela deu de ombros e ele a encarou profundamente nos olhos muito azuis, sorrindo de leve. – Não se preocupe, a Susan é só como uma irmã para mim. E ela sabe muito bem que só há uma pessoa no mundo que eu tenho vontade de beijar.

E então foi embora, deixando Victoire mais uma vez sozinha, imersa em pensamentos.

Continua...


N/A: Tudo bem, eu tenho a desculpa de esta ser a primeira TV que eu escrevo na vida! Kkk Tá bem fluffy, né? A próxima eu prometo que vai ser mais madura, sério. Mas e aí, tá boazinha ou péssima?

xx,

Mari.