Aviso: Esse capítulo é considerado M por conter situações sexualmente sugestivas. Se você não gosta ou se sente ofendido com isso, por favor, não prossiga. Caso contrário, espero que gostem!
HAPPY HOLIDAYS!
Capítulo 4
Desci para me juntar ao pessoal para o almoço, mas percebi que o clima era de ressaca total, acompanhado por algumas gotinhas de chuva que, segundo nosso guia, já estavam demorando para dar as caras por ali.
Cumprimentei todos e recebi reciprocidade deles, inclusive de Kurama. Porém, durante todo o almoço, ele não olhou para mim uma vez sequer, fato suficiente para começar a me preocupar.
Eu tinha a absoluta certeza de que ele estava com ódio por eu tê-lo chamado de Kido, e com razão. Eu poderia até ter feito um drama exacerbado na noite anterior sobre não querer compartilhar com ele meus pensamentos sobre Kido (embora eu não fosse obrigada), mas agora eu queria muito me redimir.
Mas ele não me deu nenhuma abertura, então desfrutamos das sobras de comida da noite passada sentindo a umidade do ar por causa da chuva, além de um leve friozinho. Eu tentava a todo custo resistir, mas aquele tempo impedia as pessoas de estarem radiantes, animadas para fazer alguma coisa diferente, e por conta disso desejava com todas as minhas forças estar deitada, dormindo.
Eu fiquei muito quieta durante o almoço, o que fez com que várias pessoas viessem me perguntar se eu havia melhorado da minha complicação nervosa, ou se minha mãe já tinha saído do hospital, entre outras coisas absurdas do tipo. Era até bom serem todos inocentes assim para que não se infiltrassem demais no meu "relacionamento" com Kurama, e eu tinha a certeza de que Keiko, Shizuru, Yusuke e ele próprio não haviam contado o real motivo do meu surto da noite anterior, mesmo porque a maioria que estava ali nem conhecia Kido direito.
Kurama foi o primeiro a terminar de comer e subir para o quarto. Quando sumiu de nossas vistas, Shizuru (ainda meio bêbada e sem dormir) veio até mim e agachou ao meu lado, perguntando discretamente se estava tudo bem. Eu apenas assenti positivamente com a cabeça, mas fiz um sinal de que depois poderíamos conversar.
Era óbvio que ele me ignoraria. Milhares de possibilidades se passaram na minha cabeça, entre elas a) eu correr atrás dele, me jogar no chão da recepção e pedir desculpas, b) eu correr para o mar e fingir um afogamento para ele me salvar c) me internar por considerar hipóteses tão idiotas quanto essas.
-Você está bem? – Keiko perguntou, um pouco apreensiva.
-Acho que ele não quer falar comigo. – respondi com a voz quase inaudível. Eu não estava triste, mas um pouco decepcionada comigo mesma. Detestava situações como aquela, principalmente quando eu tinha consciência de que a culpa era minha.
-Ora, não pense assim. Ele deve estar cansado, só isso. – ela sorriu com doçura para tentar amenizar o clima chato.
-Será que é melhor eu ir falar com ele? – perguntei, receosa.
Ela parou por alguns instantes e demorou para responder.
-Não.
-Não? Por quê? – uma pontinha de desespero transparecia na minha voz.
-Porque não. Fique calma, as coisas se acertam se você não tiver pressa. – ela concluiu enquanto tomava um gole enorme de suco.
Enquanto meu desânimo ia crescendo absurdamente, escutava o pessoal combinar de sair para conhecer a cidade, apesar de o tempo estar nublado. É claro que eu saí dali o quanto antes, fui para o quarto e só fui acordar novamente às nove horas da noite.
Quando acordei, demorou muitos minutos até que eu me levantasse completamente da cama para viver a vida, porém já era tarde demais; olhei para o relógio e quis gritar de raiva por ter dormido tanto tempo.
Fui até a sacada e notei que as luzes dos quartos de Shishiwakamaru e Yusuke estavam apagadas, e também não havia ninguém na praia. Shizuru não estava no quarto, o que começou a me incomodar de verdade.
Tentei ligar no quarto de todos, inclusive de Hiei, mas ninguém me atendeu. Eu realmente detestava aquele tipo de coisa e por isso, vesti meu casaquinho e fui até a moça simpática da recepção para pedir informações sobre o paradeiro dos meus amigos.
-Senhorita Botan, eles saíram com os carros alugados, provavelmente foram até a cidade. – ela respondeu com a usual simpatia.
-Todo mundo saiu e ninguém me chamou? – gritei na cara dela. Claro que ela ergueu as mãos em sinal de que não tinha culpa de nada e que estava apenas respondendo à minha pergunta.
Inconformada, agradeci pela ajuda e voltei para o quarto. Sentei na cama e fiquei com uma vontade muito grande de chorar, porque eu era uma criançona mesmo. Eles saíram e nem tiveram a consideração de me chamar?
Logo, o desapontamento deu lugar à raiva e comecei a achar que aquilo tudo era por causa de ter chamado Kurama de Kido. Eu seria eternamente punida.
Quando já estava pronta para enfiar a cara no travesseiro e gritar como louca, ouvi alguém bater à porta.
-Graças a Deus, é Shizuru! – comemorei baixinho, correndo para abrir a porta super empolgada em saber que alguém ali se lembrava de mim. Para meu total desespero, era Kurama.
-Kurama-kun... – sibilei mecanicamente, com os olhos fixados nele.
-Boa noite. Shizuru me pediu para que te buscasse. Nós saímos e achamos melhor não te acordar, mas logo ela ficou com muito peso na consciência por conta disso. – ele riu. Se ele riu, é porque estava tudo bem, certo? Eu poderia colocar meu plano de pedido de desculpas em prática.
-Ah, sim! Eu estava procurando por todos e a moça da recepção me disse que vocês tinham saído. – expliquei para deixar bem claro que eu queria sim sair com eles.
Ele sorriu e, com um gesto cavalheiro, deixou eu passar na sua frente para que pudesse fechar a porta.
Nós andamos em silêncio por todo o trajeto, até chegar ao carro alugado. Eu sentia minhas mãos suarem frio, as pernas tremiam um pouco, em um pleno sinal de que eu estava muito nervosa.
Nós entramos no carro, ele deu partida, eu me remexi desconfortável no banco e ele ligou o rádio. Estava tocando uma música de Natal muito bonita, que eu particularmente adorava, mas era muito triste. Falava basicamente sobre passar o Natal sozinha, longe da pessoa amada, e o quanto isso doía e dava saudades. Eu costumava dizer que era a trilha sonora perfeita para um suicídio natalino.
Não agüentando mais aquele silêncio irritante, reuni forças vindas do além e respirei fundo, pronta para tentar consertar o erro.
-Kurama-kun, sobre a noite passada, eu-
-Você precisa ver como o barzinho que estamos é legal. É bastante moderno, muito colorido, e servem uns drinks ótimos.
Horrorizada pela mudança abrupta de assunto, permaneci com a boca aberta, como se minha intenção ainda fosse falar alguma coisa. Mas eu não tive força. Pelo que parecia, Kurama não estava afim de conversar sobre a noite passada, mas estranhamente continuava um doce de pessoa comigo.
-Oh... É mesmo? – respondi, desanimada.
-Sim. Tiyu estava nos convencendo a tomar uma dose de uma bebida muito forte, que é acompanhada de limão e sal. Como era mesmo o nom-
-Tequila.
-Isso! Você conhece? – ele perguntou em um tom um pouco surpreso.
-Sim. Quando estive no Brasil, eu experimentei uma dose. É realmente forte! – comentei ao relembrar de um porre categórico na praia de Copacabana, onde um dos meus colegas de trabalho precisou pedir ajuda para me segurarem, porque eu não parava de gritar que queria ficar nua e rolar na areia. Ao lembrar daquela tragédia, corei violentamente e me adverti mentalmente para não chegar perto da bebida, ou poderia estragar a minha viagem.
-Bem, eles estão esperando você chegar para começarem a beber. – ele piscou, malicioso.
-Oh... – gemi em sinal de desespero.
Todos estavam sentados em volta de uma mesa redonda gigante, com seus copinhos de tequila, limão e sal (inclusive Hiei e Yukina, pasmem). Tiyu tentava encorajar o pessoal a beber, mas todos estavam muito desconfiados do que aquela dose era capaz de fazer.
-Então, eu acho que a gente coloca o sal dentro da Tequila e espreme o limão, para dar um sabor... – Tiyu explicava o processo como se fosse o mais correto, fazendo os outros concordarem com as cabecinhas, totalmente sem noção do que estavam fazendo.
-Não é assim! – eu protestei, chamando a atenção de todos que antes estavam de olho no que Tiyu fazia.
-Não? – Tiyu perguntou surpreso.
-Não! – eu me levantei da cadeira para demonstrar qual a forma correta de beber – Primeiro vocês colocam o sal do dorso da mão, assim – coloquei um pouco de sal e mostrei a todos, sugando a pequena quantidade em seguida –Depois, a gente passa o limão no sal e segura ele em uma mão e se prepara para beber a dose – peguei o copinho, saudei-os e virei seu conteúdo de uma vez, fazendo uma careta ao chupar o limão com sal. Bati o copo na mesa, em sinal de que havia sobrevivido à primeira dose de tequila da noite.
Todos me olharam surpresos; não sabiam que o ritual era tão cabalístico daquele jeito, imaginavam que a bebida era para ser consumida em pequenos goles.
Esperei um pouco até a garganta parar de queimar e incentivei todos a fazerem o mesmo.
Houve vários protestos, principalmente por parte de Yukina e Keiko, que não gostaram nada do cheiro e do ritual da bebida, e alegaram estar morrendo de medo de passarem mal após beber aquilo.
Porém, obriguei todos a beberem, e foi o que eles fizeram. Eu queria dar muita risada da cara retorcida de todos eles após beberem o líquido amargo.
-Credo! – Shishiwakamaru foi o primeiro a se manifestar – Como você agüenta beber isso numa boa?
-Esse negócio é muito ruim! – Toya exclamou ainda com a cara amarrada.
-Nossa, gostei, quero beber mais! – Rinku estava com uma expressão psicopata no rosto.
-Acho que vou vomitar. – Kuwabara estava estranho, com a cor do rosto bastante pálida.
-Hn. – Hiei se manifestou com a habitual onomatopéia de sempre, embora também fez uma careta.
Eu mesma comecei a me sentir um pouco tonta depois de beber a dose, mas preferi não pensar muito naquilo e foquei minha atenção na expressão de Kurama; ele não tinha feito careta e estava aparentemente normal. Será que ele era alcoólatra?
Não demorou muito para que todos quisessem repetir a dose, o que me deixou bastante receosa. Duas doses era o limite máximo que eu poderia atingir. Caso eu tomasse a terceira dose, não seria mais responsável nem pela minha própria dignidade, mas aceitei o desafio do pessoal e todos nós repetimos o ritual da bebida mais uma vez.
Keiko ameaçou ter uma crise de vômito, Yusuke, Jin e Suzuki comemoraram a nova rodada com gritos e tapas na mesa, Hiei e Toya começaram a ficar vermelhos, Shizuru e Tiyu bateram os copos com muita força na mesa, e Yukina estava muito risonha. Kurama continuava com a habitual expressão de quem estava apreciando a bebida e eu senti um calor muito grande invadir meu corpo por causa do nível de álcool consumido.
O pessoal começou a me acusar de ensiná-los a beber aquele veneno e, o pior, a gostar dele. Eu tratei logo de ausentar a minha culpa daquilo, afirmando que a culpa toda era de Tiyu. Um burburinho enorme começou na mesa e eu vi que as coisas foram ficando cada vez mais desfocadas, embora eu sentisse meu corpo muito leve.
Fui correndo até o deck do bar, sozinha, para tomar um pouco de ar e tirar aquela tontura de mim, uma vez que eu sabia que não poderia ficar bêbada. Quando avistei a passarela de madeira que tinha seus pilares afundados no mar, sorri aliviada. Eu me sentei bem na ponta, de modo que conseguia tocar a água com os meus pés.
Não chovia mais, porém o céu estava encoberto de nuvens, o que indicava que possivelmente choveria forte nas próximas horas.
Fechei os olhos e dei um sorriso, que logo se tornou uma gargalhada. Eu estava bêbada novamente, Kurama estava me evitando, eu estava me apaixonando novamente, mas tudo estava girando e eu não sabia por onde prosseguir.
Senti que alguém sentou ao meu lado e pelo perfume já sabia quem era. Eu não quis falar nada daquela vez para não ser ignorada, mas consegui formular um pensamento sobre o porquê de ele ter me seguido.
-Agora entende o que eu queria dizer?
Eu continuei com os olhos fechados e respirei fundo.
-Não, porque você me ignorou quando eu procurei entender. – de onde eu tinha tirado aquela resposta tão maravilhosa?
-Era só pra ter certeza se você ia ter paciência para descobrir que talvez eu seja o que você procura.
-Presunçoso.
-Eu estou mentindo?
Fui obrigada a abrir os olhos para encontrar aquele homem que estava virando meu mundo de cabeça para baixo nos últimos dias ali, muito perto de mim, me encurralando de um modo que, intimamente, eu gostava.
-Eu não sabia o que estava acontecendo... – respondi, cabisbaixa.
Ele segurou meu queixo com uma das mãos e forçou meu rosto, me fazendo encará-lo diretamente nos olhos. Ele tinha um olhar muito doce e carinhoso, e daquela vez eu tinha certeza de que não era o álcool que me fazia ver coisas.
-Você não tem culpa.
Muito parecido com os filmes água-com-açúcar que eu adorava, uma brisa nos tocou levemente, causando aquele arrepio delicioso que sempre precede alguma situação indescritível.
-Há tempos espero por isso... – ele sussurrou com os lábios quase encostados nos meus.
Ele me beijou.
Naquele momento, eu tive a certeza de que ele tinha muito potencial para ser o que eu estava procurando, mas enxergar aquilo só dependia de mim. Enlacei o pescoço dele com os braços e ele fez o mesmo com a minha cintura. Eu sentia nossas línguas em total sintonia e sincronia e era incrível como o beijo dele me fazia desejar... outras coisas.
Senti algumas gotas de chuva caindo na minha perna, além do cheiro característico do fenômeno. Não demorou nem um minuto e a chuva ficou mais forte, mas nós não nos importamos nem um pouco. Eu sentia os pingos de água escorrendo pelo rosto, fazendo o contorno da bochecha até tentar fazer parte do nosso beijo.
Logo, ficamos totalmente encharcados por conta da tempestade que nos atingiu. Só assim para interrompermos o beijo, mas não foi tão fácil. Ficamos de pé e Kurama me segurou pela cintura e me levantou, não descolando os lábios dos meus nem um segundo sequer; sim, nós estávamos fazendo parte de um beijo cinematográfico debaixo de uma tempestade, totalmente encharcados, porém felizes.
-Ei! Saiam da chuva! – Keiko berrou um pouco alterada, chamando nossa atenção. Saímos dali correndo de mãos dadas, até chegarmos debaixo do toldo do bar. Gargalhamos por conta do estado deplorável em que estávamos. Kurama me abraçou bem forte, depositando pequenos beijos por toda a minha boca, dando um show para quem estava presente.
-Vamos para o hotel? – sugeri, um pouco receosa.
Ele apenas sorriu. Pediu que eu esperasse um pouco e foi até onde Yusuke e os rapazes estavam, e ficou ali por um tempo. Aproveitei que Shizuru estava por perto para dar um recado à ela.
-Por favor, não vá até o nosso quarto hoje.
Ela arregalou os olhos em sinal de plena surpresa, mas logo concordou com o que eu disse e me desejou boa sorte, no melhor estilo adolescentes-que-encobertam-as-amigas.
Nós dois corremos em direção ao carro para tentar escapar da chuva, embora fosse visivelmente inútil pelo simples fato de que já estávamos molhados o suficiente.
-Eu espero que ninguém fique doente na virada do ano. – eu comentei enquanto entrava no carro.
-Nós somos mais fortes do que isso. Eu espero que a senhorita não acorde de ressaca amanhã. – ele deu partida no carro e me advertiu enquanto dirigia.
-Sou mais forte do que isso. Eu só preciso ficar um tempo acordada para que o efeito do álcool vá embora. – respondi, não me dando conta de que aquilo parecia uma indireta.
-Bem... Acho que posso te ajudar. – ele me lançou um sorriso muito sedutor e piscou maliciosamente.
Eu dei uma gargalhada.
Durante o trajeto, ele acariciava minha coxa desnuda com uma das mãos, enquanto a outra segurava o volante do carro. Aquele toque estava me causando sérios problemas, e naquela hora eu agradeci muito por ser mulher.
E quando chegamos no hotel, parecia realmente que um de nós dois estava para dar à luz, porque corremos com uma rapidez que eu desconhecia até chegar ao meu quarto. Durante o trajeto do elevador, aproveitamos que estávamos sozinhos e demos um beijo um pouco menos casto, embora soubéssemos que havia uma câmera ali dentro que poderia complicar nossas vidas.
Ao chegar no quarto, minhas mãos estavam tão trêmulas que eu mal conseguia segurar o cartão para abrir a porta. Depois de alguns segundos errando o alvo, consegui fazer a porta se abrir. Deixei que Kurama passasse antes de mim e assim que ele o fez, me encostei na porta, fechando-a atrás de mim.
Eu só queria admirá-lo por mais alguns instantes e assim eu fiz, analisando como ele ficava bem somente com uma calça jeans simples e uma camisa branca. Minha respiração tinha dificuldades para sair e dei a impressão de estar ofegante demais naquele momento.
Lá fora, o barulho da chuva batia no vidro da porta da sacada, e Kurama decidiu que não era necessário acender a luz do quarto, uma vez que os relâmpagos lá fora iluminavam o suficiente para que nós dois começássemos ali uma sessão de paixão incondicional.
Ele caminhou até mim e colocou uma mão de cada lado meu, me prendendo entre os braços fortes. Eu me sentia como uma presa encurralada, sem chance alguma de fazer objeções. Eu pensava que ele ia começar a me beijar nos lábios, mas ele desviou a direção da boca para o meu pescoço. Ali, depositou pequenos beijos ao longo da pele, chegando até a orelha para circular meu lóbulo com a língua.
-Você não sabe...
Uma das mãos que antes me prendia passou a deslizar do meu ombro para os seios, passando pela cintura, barriga, até chegar no quadril e ali depositar uma força um pouco brusca.
-...por quanto tempo...
Sua língua quente a macia deixava um rastro de puro desejo por onde passava, fazendo meu corpo arquear quando em um movimento rápido, ele apertou uma das minhas nádegas e me puxou de encontro ao seu corpo. Propositalmente, ele fez com que eu sentisse o volume da calça roçar de encontro à minha virilha.
-...desejei que isso acontecesse.
Quando eu abri os olhos, ele estava na posição inicial, mas daquela vez não eram os olhos verdes que eu conseguia ver. Era aquela criatura que me perturbava tanto nos sonhos, com os cabelos longos e prateados, a pele branca e os olhos dourados queimando de puro desejo.
Ele me beijou nos lábios e, lentamente, abriu o botão do meu short e deslizou a peça de roupa pela extensão das minhas pernas, até que estivesse ao chão. Movi meus pés para que a peça não ficasse presa pelas pernas e de uma forma que permitisse que Kurama fizesse o que bem entendesse. Ele rosnou em sinal de aprovação, me pegando no colo logo em seguida para me levar até a cama.
Não paramos de nos beijar e logo ele começou a trilhar outros caminhos com os lábios. Desceu pelo pescoço, chegou ao colo, aos seios, e por ali ficou por uns minutos. Rodeava as formas arredondadas com a língua, fazendo algumas brincadeiras com os dentes vez ou outra. Desceu até a barriga e eu pensei que fosse desmaiar quando trilhou a região do elástico da minha lingerie com a boca. Com o instinto de Youko encarnado em sua pessoa,arrancou a minha peça íntima com os dentes, provocando um forte arrepio em todo o meu corpo.
Eu senti algo indescritível quando ele atingiu o meu centro com a língua se movendo em círculos, para depois sugar o meu ponto íntimo, me obrigando a gemer alto. Não satisfeito com aquela tortura, penetrou um dedo dentro de mim e sorriu maliciosamente quando viu meus olhos nublados de desejo. Depois de alguns segundos, introduziu o segundo dedo, fazendo movimentos circulares dentro de mim, me levando a um tipo de êxtase que ninguém jamais havia conseguido antes.
Consegui recuperar parte da minha consciência em meio àquela onda de prazer e quis retribuir as carícias, deslizando minhas mãos até a sua ereção. Massageei a região, sentindo que enrijecia cada vez mais, como se implorasse para que eu desse a ele logo o que queria.
Em um rápido movimento, ele inverteu as posições e me fez sentar-se sobre ele, o que permitiu que meu ponto sensível entrasse em contato diretamente com a protuberância dele para começar uma leve fricção em um movimento de vai e vem que fez um gemido escapar dos lábios dele. Sorri satisfeita quando ele fechou os olhos e levou uma das mãos á testa.
Retirei a calça e a cueca dele com pressa, me esquecendo completamente que uma das minhas fantasias sexuais mais secretas era ver Kurama de cueca boxer. Ele se sentou para desabotoar a camisa e retirá-la, e eu mordi o lábio inferior quando percebi que seu membro pulsava de desejo, com toda a sua grandeza e imponência implorando para que eu me colocasse sobre me puxou com força para me sentar sobre o seu sexo, e eu prontamente obedeci. Soltei um grito quando o senti dentro de mim, tão boa foi a sensação.
Com um ritmo sincronizado,começamos a nos mover lenta e sensualmente. Ele cravou as unhas no meu quadril, agarrando-o com força para movê-lo no mesmo ritmo em que me penetrava. Joguei minha cabeça para trás e senti as mãos dele saírem do quadril para subirem até os seios, até que os encaixasse perfeitamente nos dedos.
-Ah, isso... – ele rosnou, aumentando o ritmo.
Naquela posição era possível que eu conseguisse beijar seus lábios, e assim fiz com muito desejo. Mas ele parecia um pouco impaciente e logo quis mudar novamente a posição, se colocando atrás de mim. Eu estava ofegante e não esperava que ele fosse querer tentar aquela posição tão erótica comigo.
-Apoie os joelhos e as mãos no colchão para mim. – ele sussurrou no meu ouvido, provocando um arrepio na minha pele.
-M-mas... – tentei protestar, em sinal de que não achava que aquela posição fosse adequada para uma primeira vez. Eu me sentia um pouco envergonhada por aquilo.
-Eu estou na minha forma de youkai. E youkais tem instintos animais e primitivos – ele continuava a sussurrar em meu ouvido, enquanto acariciava meus mamilos com a ponta dos dedos. Aquelas duas palavras me causaram uma sensação muito boa entre as pernas, o que indicava que eu estava claramente excitada. – Portanto, minha Botan, faça isso para mim.
Não hesitei mais e tratei de obedecê-lo, para o total deleite dele. Sem esperar mais, ele se ajoelhou atrás de mim e me penetrou novamente. Eu não soube discernir o que estava sentindo, mas me repreendi mentalmente por jamais ter experimentado aquilo antes.
Foi a melhor sensação do mundo, que só aumentou quando ele pressionou meus quadris com força e aumentou o seu ritmo.Não demorou nada para que eu atingisse o ápice e uma onda de formigamento preenchesse meu corpo todo. Logo em seguida, foi a vez de ele chegar ao êxtase, e ainda permanecemos naquela posição até que as batidas dos corações voltassem ao normal juntamente com a respiração.
Ele desabou na cama e me puxou para me deitar ao seu lado. Estávamos suados, ainda ofegantes e cansados, muito cansados. Ele beijou minha testa com ternura, para depois beijar meus lábios.
-Foi maravilhoso... – ele sussurrou com um pouco de dificuldade por causa da respiração alterada. Eu o abracei um pouco mais forte e sorri, concordando com ele.
-Muito maravilhoso.
-O que acha de tomarmos um banho? – ele propôs em uma voz lânguida e sensual. Eu ri e aceitei com prontidão, e nós dois caminhamos em direção ao chuveiro no banheiro.
Não demorou nada para que começássemos novamente com a sessão de paixão, dessa vez debaixo do chuveiro.
Aquela seria uma longa noite.
Depois de mais uma exaustiva sessão com Kurama Youko, percebemos que já era madrugada e talvez fosse melhor deitarmos para descansar.
-Kurama?
-Hm?
-Será que o pessoal vai tirar muito sarro de nós dois? – eu olhava para a porta da sacada, e fui puxada de forma possessiva de encontro ao corpo forte dele. Kurama já estava na sua forma normal e mantinha os olhos fechados, apenas escutando o que eu dizia.
-Por que?
-Ah, é que... Acho que demos muito na cara e-
-Botan... Eles nos incentivaram a fazer isso...
-Eu sei, mas-
-Não se preocupe com isso. Deixe eles para lá e vamos dormir. Só de pensar que eu tenho pela frente uma semana inteira junto com você, já me encho de vontades... – ele sussurrou ao pé do meu ouvido, dando um beijo na minha orelha em seguida.
Eu dei uma risadinha e decidi dormir, para o bem das nossas férias.
Estranhamente, eu me sentia feliz de um jeito que nunca tinha sentido antes.
A claridade de um dia ensolarado invadia o quarto, curiosa. Parecia que ela queria fazer parte daquele momento tão gostoso e único, mas infelizmente tudo o que fez foi nos acordar. Me espreguicei por alguns segundos e quando abri os olhos, Kurama me observava com um sorriso no rosto.
-Bom dia. – ele disse com uma voz rouca de quem acabou de acordar, mas que soava muito sexy.
-Bom dia. – sorri para ele, e dei um beijo nos seus lábios.
-Está um dia muito bonito lá fora. Vamos levantar? – ele perguntou carinhosamente, mas fazendo uma careta se estampar no meu rosto. Eu estava tão exausta que poderia dormir até o pôr do sol.
-Agora? – perguntei manhosa.
Kurama riu por conta da manha e me abraçou forte, me beijando mais uma vez. Obviamente eu gostaria de repetir tudo o que aconteceu na noite anterior durante todo o dia, mas eu precisava me controlar.
Ele se levantou e foi até o banheiro, e eu arregalei os olhos quando vi que ele estava totalmente nu. Era óbvio que ele estava nu, mesmo porque eu também estava. Apesar de saber daquilo, eu me senti um pouco constrangida por relembrar de algumas cenas da noite anterior. Cobri o rosto com o lençol, me sentindo envergonhada.
Quando estava com Kido, minha vida sexual costumava ser ativa, mas de uma forma um pouco monótona. Eu mesma não costumava sentir muita atração por coisas selvagens, então era adepta ao modo mais "comportado".
Porém, depois daquela noite com Kurama, minha concepção sobre sexo havia mudado completamente, e eu começava a apresentar sinais de que ia acabar me viciando naquilo, cedo ou tarde.
Ele voltou ao quarto, vestindo a mesma roupa da noite anterior. Pediu para que eu o encontrasse no bangalô à beira da praia assim que estivesse pronta, porque ele precisaria passar no quarto dele para trocar de roupas. Eu concordei e aproveitei que ele saiu para enrolar um pouco mais na cama.
Eu dava risada sozinha, fechava os olhos de forma sonhadora, e precisei me conter para não começar a dar gritinhos de felicidade ou pular na cama como uma menina estúpida.
Depois de minutos sem tomar nenhuma atitude, tomei coragem para me levantar e ir até o banheiro para me trocar.
Eu estava passando tranquilamente pelo corredor dos quartos quando senti alguém puxar meu braço.
Ninguém pior do que Shishiwakamaru poderia aparecer naquele momento. Ele me puxou com força de encontro ao corpo dele e eu quase morri de susto; olhei para todos os lados para averiguar de que ninguém tinha presenciado aquela cena grotesca, e fiz o que pude para me desvencilhar do toque dele. Eu já imaginava que aquilo aconteceria, e ele tentou me beijar à força. Eu me debati tanto que acabei acertando o cotovelo no nariz dele, que imediatamente se esquivou de mim e levou as mãos ao nariz.
-Shishiwakamaru! Você tem problema? – perguntei, desesperada.
Ele nem respondeu porque estava gemendo de dor. Eu tentei me desculpar, mas aquilo soaria muito incoerente. Ele logo ergueu as mãos em sinal de derrota e me pediu desculpas.
Eu saí dali o mais rápido que pude, torcendo para que ninguém tivesse visto aquilo. Pensei em qual seria a reação de Kurama se ele estivesse de passagem por lá, mas chacoalhei a cabeça para espantar aqueles pensamentos.
Ninguém ia conseguir estragar minha felicidade com ele.
Durante toda aquela semana eu e Kurama vivemos intensamente como um casal de verdade, movidos a risos, suspiros e beijos. Há tempos eu não sentia aquelas cócegas na boca do estômago por conta de tudo o que aconteceu comigo. Porém, eu estava decidida que ia aproveitar ao máximo o meu tempo junto com Kurama, embora não fizesse a mínima idéia sobre como seriam nossas vidas quando voltássemos para o Japão. Eu procurava ocupar minha mente com outras coisas.
O único problema de tudo aquilo foi a perseguição de Shishiwakamaru. Ele não podia me ver sozinha em um lugar porque já tentava vir me seduzir de alguma forma. Eu já havia deixado claro para todos que meu relacionamento com Kurama estava sólido o bastante, mas parecia que ele não estava nem aí se era verdade ou não. Suas investidas foram ficando cada vez mais fortes e descaradas, até que chegamos a um ponto insuportável e, em um pôr do sol na véspera da virada do ano, resolvi ser bem franca com ele.
-Veja bem, só porque eu cheguei aqui totalmente desimpedida e tolerante, não quer dizer que eu quero alguma coisa com você, mesmo porque eu estou junto com o Kurama e você sabe disso. Não quero ficar ressentida com você, por isso peço que pare de tentar me convencer do contrário. – estávamos na praia, sozinhos. Eu não abominava Shishiwakamaru, ele era até interessante. Mas não era por ele que eu me interessava, e infelizmente precisei falar tudo o que estava sentindo.
-Ah, eu acho você muito complicada. Não vale a pena tentar tanto esforço para te beijar por uma aposta. – ele disse com a maior naturalidade do mundo, como se apostar um beijo em outra pessoa fosse a coisa mais normal.
-U-uma... O quê?
-Bom, me desculpe, de verdade. Essa aposta rolou naquele dia da tequila, depois que todos chegaram bêbados e foram jogar "Verdade ou desafio" no meu quarto. Tiyu me desafiou a te beijar até a virada do ano, e pensei que seria fácil, já que você está solteira.
-É, não estou tão solteira, mas enfim... E ninguém falou nada sobre a aposta?
-É claro que e Shizuru e Yusuke foram os que mais protestaram. Aí eu achei melhor não colocar o desafio em prática, porque eu não sei se Tiyu sabia de você e Kurama ou se ele queria ver o circo pegar fogo. Eu concordei para ver se ele parava com as gracinhas e levava a Shizuru pro quarto logo para nos deixar em paz.
- Bom, eu entendo que tenha sido por uma boa causa, mas sinto muito não poder ajudar.
-Mas na verdade, eu queria te beijar de verdade desde quando chegamos aqui. Só que bem agora, você e Kurama começaram com o casinho.
-Me desculpe, mas acho que não sou culpada por isso. As coisas acontecem naturalmente.
Ele sorriu um pouco desapontado, me deu um beijo no rosto e um abraço, e depois foi embora. Não fiquei perplexa, era melhor que ele entendesse de uma vez. Eu estava sentada na areia, admirando o sol se pôr no horizonte, quando senti alguém se aproximando de mim e sentar ao meu lado.
-Incrível como você gosta de ficar sozinha.
-Pois é, esse é o único jeito para conseguir pensar em algumas coisas com sucesso.
- Eu também quis admirar um pouco essa cena que raramente vejo. E sentir um pouco sua presença.
Ele era outra pessoa por quem eu já gastei bastante tempo em toda a minha vida. Quando comecei a ajudar Yusuke em suas missões, eu fazia parte do Reikai e era sua serva. Ele sempre estava por perto e sempre tivemos uma proximidade e química muito grande, embora às vezes eu o achasse um tanto insuportável. Porém, era quase impossível não se deixar levar pela sua beleza e carisma, e me peguei pensando nele por diversas vezes.
Quando conheci Kido e as missões acabaram, pedi que ele me desse a chance de ter uma vida normal como ser humano, mais uma vez. Eu queria muito ter a minha família de volta, um lar e um emprego, e ele me concedeu tudo isso de uma forma muito caridosa. A minha família não teve conhecimento algum sobre os assuntos do Reikai, mas Koenma conseguiu apagar a memória dos meus pais e irmã, para que não notassem o tempo em que fiquei fora me dedicando às tarefas do mundo espiritual. Aquilo para mim foi um presente muito grande, e por isso era eternamente grata a ele.
-Vejo que você e Kurama se acertaram, finalmente.
-Finalmente? Falando assim, parece que ele passou décadas tentando algo comigo...
-Não exatamente décadas, mas uma década, talvez.
-Então isso é verdade mesmo? Desde o Torneio das Trevas?
-Sim. Eu sempre achei estranho ele nunca tentar se aproximar de você, mas sabemos o jeito dele. O que importa é que agora vocês estão juntos e felizes.
-Tomara que dure por mais tempo. Mas e como você está? Faz tempo que não conversamos.
-Sim. Eu continuo na mesma, com exceção de que agora prefiro muito mais essa vida de humano à vida de príncipe do Reikai.
-Me desculpe a curiosidade, mas... E a Ayame?
-Bem, nós nunca saímos da estaca zero. As oportunidades que tive para me acertar com ela foram poucas e eu sempre estava cheio de coisas para fazer. Acabou ficando para segundo plano, mas eu me arrependo muito de não ter tomado alguma atitude com ela.
-Koenma, nunca é tarde. Não existe isso de "a oportunidade perfeita". Você precisa ser sincero e se expressar, porque aposto que ela sente o mesmo por você. Já parou pra pensar quanto tempo você perdeu com essa história? Se declare logo, não há outra saída senão essa.
-É, como sempre, você tem razão. Eu só precisava de um incentivo, assim que voltarmos para casa, acho que vou ligar para ela e marcar um café.
-Eu acho digno. Boa sorte.
Ele sorriu e foi embora, me deixando sozinha mais uma vez.
Eu suspirei de alegria mais uma vez, por conta de sentir uma paz muito grande dentro de mim. Quantos romances, quantas risadas e quantas histórias todos que estavam ali passaram...
Decidi que já era hora de voltar para o hotel por que já estava quase na hora do jantar.
Joguei uma pequena concha no mar, fiz um pedido e fui embora.
Continua...
N/A: Oi! Espero que tenham gostado do capítulo. O próximo já é o último...agradeço a todos que estão acompanhando a reedição! Beijo, LS.
