Autora: Emily Giffin

Título original: Something Borrowed.

Essa história não me pertence. Apenas estou a postando no universo de Card Captor Sakura.


CAPÍTULO IV

Editado por: Tammy Souza

Estamos a apenas alguns dias do começo oficial do verão e Meiling não fala de outra coisa que não seja os Hamptons. Ela telefona e me manda e-mails o tempo todo, encaminhando informações sobre festas no feriado do Memorial Day, reservas em restaurantes e lojas com vendas especiais de peças usadas em desfiles ou mostruários, onde nós certamente vamos achar as roupas mais bonitas do verão. E claro, estou absolutamente em pânico com tudo isso. Como nos últimos quatro verões, vou ficar numa casa com Meiling e Syaoran. Este ano também vão com a gente: Yue, Rika e Chiharu.

Você acha que deveríamos ter alugado por toda a temporada? – Pergunta Meiling pela vigésima vez. Nunca conheci alguém que refletisse tanto sobre decisões já tomadas. Ela se arrepende das compras que faz até quando sai de uma sorveteria.

– Não. Meia temporada é o suficiente. Você acaba não usando toda a temporada. – Digo com o telefone enfiado entre a orelha e o ombro, enquanto sigo revisando meu memorando que resume a diferença entre a regulamentação de seguro suplementar na Flórida e em Nova Iorque.

Você está digitando? - Indaga Meiling, sempre esperando receber atenção total.

– Não. – Minto, digitando ainda mais silenciosamente, se possível.

É melhor que não esteja!

– Não estou.

Bem, acho que você tem razão, meia temporada é melhor... E, de qualquer jeito, nós temos muitas providências a tomar para o casamento aqui na cidade.

O assunto sobre o casamento é o único assunto que desejo evitar mais do que os Hamptons. – Ahã.

E então? Você vai de carro com a gente ou vai pegar o trem?

– O trem. Não sei se vou conseguir sair daqui num horário decente. – Digo, pensando que não quero ficar presa dentro de um carro com ela e Syaoran. Não vejo Syaoran desde que ele saiu do meu apartamento. Não vejo Meiling desde a traição.

Olha a minha situação! Não sei se me desespero mais ou se me condeno pelo resto da minha vida. Hum, essas duas alternativas me parecem ser iguais demais. Que ambigüidade estou vivendo. SO-CO-RRO!

É mesmo? – Ouço Meiling indagar ironicamente. – Porque eu estava pensando que nós definitivamente, definitivamente devemos ir dirigindo... Não seria melhor estar de carro no primeiro fim de semana fora? Sabe como é; especialmente porque seráumfim de semana prolongado. Não queremos ficar dependendo de táxis e coisas do tipo... Ah, vai, vem de carro com a gente!

– Vamos ver. – Respondo, como uma mãe que diz a uma criança para mudar de assunto.

Nada de "vamos ver.". Você vem com a gente!

Suspiro e digo a ela que realmente preciso voltar ao trabalho.

Certo. Certo. Vou deixar você fazer o seu oh, tão importante trabalho... E aí? Nosso programa de hoje à noite está de pé?

– O que tem hoje à noite?

Alô? Senhorita Esquecidinha! Nem me venha dizer que precisa trabalhar até tarde. Você prometeu. Biquínis? Isso te faz lembrar-se de alguma coisa?

– Está bem. – Respondo. Tinha esquecido completamente da minha promessa de sair para comprar biquínis com ela. Uma das tarefas mais desagradáveis do mundo. Bem lá no alto da lista, ao lado de limpar banheiros e fazer tratamento de canal. – Ah, claro. Vamos sim. – Reafirmo mais animada, parecendo de fato convencê-la... ou a mim.

Ótimo. Encontro você no balcão do iogurte no subsolo da Bloornie' s. Você sabe, perto das roupas para mulheres gordas. Às 19h em ponto!

Chego à estação da Rua 59 com 15 minutos de atraso e corro nervosa até o subsolo da Bloomingdale's, imaginando que àquela altura Meiling já estaria fazendo beicinho. Não estou muito a fim de ficar me esforçando para acabar com um dos seus momentos de mau humor. Mas ela parece satisfeita, sentada no balcão com um copinho de sorvete de iogurte de morango. Ela sorri e acena para mim. Respiro fundo me lembrando de que não há nenhuma letra escarlate no meu peito.

– Oi, Mei.

– Ei, você chegou! Oh, meu Deus! Vou ficar tão gorda para experimentar biquínis! – Ela aponta para o estômago com sua colher de plástico. – Paciência. Estou acostumada a ser cheinha.

Reviro os olhos. – Você não é gorda.

Todos os anos a gente conversa sobre a mesma coisa quando chega à época de usar biquínis. Que inferno, a gente fala nisso quase todos os dias. O peso da Meiling é uma fonte constante de energia e discussão. Ela me diz o quanto está pesando; sempre algo em torno de 57 quilos, sempre gorda demais para seus rigorosos padrões. Seu objetivo é chegar aos 54, o que insisto que é muito pouco para quem mede 1m74. Ela me manda um e-mail enquanto come um saco de batata frita: Faça-me parar! Socorro! Liga pra mim assim que puder! Ligo de volta e ela pergunta: Quinze gramas de gordura é muito? Ou então: Uma libra corresponde a quantos gramas?

O que me irrita, de fato, é que ela é sete centímetros mais alta do que eu, mas três quilos mais magra. Quando comento isso, ela diz: "É verdade, mas os seus peitos são maiores." então eu respondo: "Não três quilos maiores." ao que ela retruca: "Ainda assim, você fica ótima do jeito que está." Sempre sobra pra mim. Estou longe de ser gorda, mas quando Meiling me usa como parâmetro nesse assunto é como se eu fosse reclamar para uma mulher cega que tenho de usar lentes de contato.

– Estou tão gorda. Estou sim, completamente! E eu comi na hora do almoço. Enfim, seja lá o que for. Desde que eu não fique gorda como uma vaca no meu vestido de casamento... – Diz, dando sua última colherada no sorvete e jogando o copinho no lixo. – Só preciso que você me diga que tenho tempo de perder peso antes do casamento.

– Você tem tempo suficiente. – Digo a ela.

E eu tenho tempo suficiente antes do casamento para parar de pensar que fui para a cama com o seu futuro marido.

– Preciso me controlar, sabe como é: do contrário vou ter de vir fazer compras aqui. - Meiling aponta para a seção de roupas largas sem verificar se há por perto alguma mulher acima do peso. Digo a ela para não ser ridícula. – Bem, enfim, – Continua Meiling, enquanto subimos para o segundo andar pela escada rolante. – Rika disse que estamos ficando velhas demais para biquínis. Que maiôs são mais classudos (1). O que você acha disso?

A expressão dela e o tom deixam claro o que ela pensa da opinião de Rika sobre roupas de banho.

– Não acredito que haja limite de idade quanto a biquínis. – Explico. Rika é cheia de regras exaustivas. Uma vez ela me disse que caneta preta só deve ser usada para cartões de pêsames. Cada um pensa diferente do outro, ou seja, os pontos de vistas se fazem presentes nestas horas. Ela não estava errada, pelo menos para ela, não.

– Exato! Foi o que eu disse a ela. Além do mais, ela provavelmente só está dizendo isso porque não fica tão bem de biquíni. Você não acha?

Faço que sim com a cabeça. Rika faz ginástica religiosamente e há anos não come frituras, mas está destinada a fazer o tipo cheinha. Ela se redime, entretanto, por ser super bem-cuidada e usar roupas caríssimas. Chega à praia com um maiô de trezentos dólares, uma canga combinando, um chapéu chique, óculos de algum designer e tudo isso para disfarçar um pneuzinho na cintura.

Percorremos a loja em busca de biquínis razoáveis. A certa altura, percebo que nós duas separamos o mesmo modelo preto básico de Anne Klein (2).Se acabarmos as duas escolhendo esse modelo, Meiling ou vai insistir que viu primeiro ou dirá que podemos levar o mesmo. Então o próximo passo é ela passar o verão inteiro ficando melhor no biquíni do que eu. Não, obrigada. Isso me lembra da vez em que ela, Chiharu e eu saímos para comprar mochilas, uma semana antes do início da quarta série. Nós nos interessamos de cara pela mesma mochila. Era roxa, com estrelas prateadas no compartimento de fora; muito mais legal do que as outras. Chiharu sugeriu que comprássemos mochilas iguais e Meiling disse que não, que combinar era coisa de bebezinho, coisa de gente da terceira série.

Então jogamos pedra, papel e tesoura para ver quem ficava com a mochila. Escolhi pedra, – Notei que era a opção que saía ganhando na maior parte das vezes – bati meu punho cheio de júbilo sobre as tesouras estendidas e arrastei minha mochila roxa para dentro do carrinho que estávamos dividindo. Chiharu recuou, resmungando que nós sabíamos que roxo era a sua cor favorita.

– Pensei que você gostasse mais de vermelho, Sakura!

Chiharu não era páreo para mim. Simplesmente disse a ela que sim, preferia vermelho, mas como ela podia muito bem observar, não havia mochilas vermelhas. Então Chiharu optou por uma amarela com uma daquelas carinhas sorridentes no compartimento da frente. Meiling agonizou entre as opções que restavam e finalmente disse a nós que iria pensar e voltar no dia seguinte com a mãe. Não pensei mais no assunto, até o primeiro dia de aula. Quando cheguei ao ponto de ônibus lá estava ela, com uma mochila roxa exatamente igual à minha. Apontei para a bolsa sem conseguir acreditar.

– Você está com a minha mochila!

– Eu sei. - Disse Meiling. – Decidi que queria esta. Quem se importa se a gente está igual?

Não foi ela quem disse que mochila igual era coisa de bebê?

– Eu me importo! – Respondi, sentindo o ódio crescendo dentro de mim.

Meiling revirou os olhos e estalou a língua. – Ah, Sakura, como se isso fizesse diferença! No fim das contas é apenas uma mochila.

Chiharu também estava chateada, por suas próprias razões. – Como é que vocês duas acabaram ficando iguais e eu fui deixada de fora? Minha mochila é muito espalhafatosa.

Meiling e eu a ignoramos.

– Mas você disse que não deveríamos ficar iguais. – Acusei Meiling, enquanto o ônibus surgia na esquina e parava na nossa frente com um barulho forte do freio.

– Ah, eu disse, é? – Falou Meiling enquanto passava os dedos pelo cabelo cortado em camadas e todo duro pela quantidade de spray que ela tinha acabado de passar. – Bem, quem se importa com isso?

Meiling costumava usar a expressão quem se importa com isso – Substituída mais tarde por seja lá o que for – como resposta que tendia mais para uma agressividade passiva. Naquele momento não reconheci sua tática como tal; apenas sabia que ela sempre dava um jeito de fazer as coisas a seu modo e que eu me sentiria idiota se tentasse revidar.

Entramos no ônibus, Meiling primeiro. Ela sentou e eu fiquei logo atrás dela, ainda furiosa. Observei que Chiharu hesitou e depois decidiu sentar comigo, reconhecendo que era eu quem tinha razão. Todo esse assunto de mochila roxa poderia ter evoluído para uma luta descomunal, mas eu me recusei a permitir que a traição de Meiling arruinasse o primeiro dia de aula. Não valia a pena guerrear com ela. O resultado final raramente era satisfatório.

A caminho das longas filas dos provadores, devolvo discretamente o biquíni de Anne Klein para o cabide. Quando uma das cabines fica livre, Meiling decide que nós devemos dividi-la para economizar tempo. Ela fica só com uma calcinha preta e um sutiã combinando, tentando decidir qual biquíni experimentar primeiro. Dou uma olhada discreta para ela no espelho. Seu corpo está ainda melhor do que no verão passado. Os músculos de seus longos braços e pernas estão definidos por causa da rotina de exercícios preparatórios para o casamento, e sua pele já está morena por conta das aplicações freqüentes de creme bronzeador e de algumas sessões adicionais de bronzeamento artificial.

Penso em Syaoran. Ele certamente comparou nossos corpos depois da nossa noite juntos, – Ou mesmo durante, já que ele não estava tão bêbado – o meu não chega nem perto de estar tão bem. Sou mais baixa, mais mole, mais branca. E embora meus peitos sejam maiores, os dela são melhores. São mais empinados, com a proporção ideal entre bico, auréola e peito.

– Pare de olhar para as minhas gordurinhas. – Reclama Meiling com uma voz esganiçada, flagrando meu olhar no espelho.

Agora sou obrigada a elogiá-la. – Você não está gorda, Mei. Você está ótima. Dá para perceber que você tem malhado.

– É mesmo? Qual parte do corpo você acha que melhorou? – Meiling sempre gostou de elogios específicos.

– Ah, todos os lugares. Suas pernas estão alongadas...

Que ótimo. Isso é tudo o que ela vai levar de mim.

Ela estuda as pernas, franzindo o rosto para o reflexo no espelho. Tiro a roupa, notando que minha calcinha de algodão e meu sutiã não estão combinando, um pouco gasto. Rapidamente experimento minha primeira opção, um duas-peças branco e azul-marinho que revela apenas cinco centímetros entre o tórax e o abdômen. Fica no meio do caminho entre o maiô de Rika e a preferência de Meiling por biquínis.

– Oh, meu Deus! Este fica tão bem em você! Você tem de levar este. – Insiste Meiling. - Você vai levar?

– Acho que sim. – Respondo. Não está sensacional, mas não está mal. Durante esses anos todos tenho estudado revistas sobre roupas de banho e imperfeições do corpo para saber que modelos vão ficar decentes em mim. Este passa. Meiling experimenta um biquíni pretinho, mínimo, com a parte de cima triangular e a parte de baixo mal cobrindo qualquer coisa. Ela fica simplesmente sexy.

– Você gosta?

– Está legal. – Digo, pensando que Syaoran vai adorar.

– Você acha que devo levar?

Digo a ela para experimentar os outros antes de tomar uma decisão. Ela obedece tirando o próximo do cabide. Obviamente, todos os biquínis ficam maravilhosos nela. (Comentário da revisora: Odeio essa mulher! – Sakura pensa contidamente. -hahahahaha!) Meiling não se encaixa em nenhuma dessas categorias de imperfeições que se vê nas revistas. Depois de muita discussão, fico com o duas-peças e Meiling se decide por três pequenos biquínis: um vermelho, um preto e um modelo cor da pele que vai fazê-la parecer estar nua a qualquer distância (Comentário da revisora e da Wendy: Oxê! o.o Que sem-vergonha!) Quando estamos indo pagar pelos biquínis, Meiling agarra o meu braço.

– Oh, droga! Quase me esqueci de dizer!

– O quê? – Pergunto amedrontada por sua repentina explosão, embora saiba que ela não vai falar: esqueci de dizer que sei que você foi para a cama com o Syaoran! – O Yue gosta de você!

– Gosto dele também. – Digo. – Ele é um cara legal. – Sorrio. "E um álibi dos diabos." – Complemento em pensamento.

– Não, sua boba. Quero dizer que ele gosta de você! Você deve ter feito um bom trabalho na festa, porque ele ligou para o Syaoran e pediu seu telefone! Acho que ele vai chamar você para sair neste fim de semana! É claro, eu queria que nós fôssemos juntos, mas o Yue disse que não, que ele não quer testemunhas.

Ela deixa cair os biquínis sobre o balcão e vasculha a bolsa em busca da carteira.

– Ele conseguiu meu telefone com o Syaoran? – Pergunto, pensando que esse é um desdobramento interessante.

– É. Syaoran foi uma graça quando me falou sobre isso. Ele foi... – Ela olha para cima buscando as palavras certas. – Ele foi meio protetor a seu respeito.

– O que você quer dizer com protetor? – Pergunto muito mais interessada no papel de Syaoran nessa troca do que nas intenções de Yue.

– Bem, ele deu o número, mas quando desligou o telefone me fez um monte de perguntas, se você estava saindo com alguém e se eu achava que você iria gostar do Yue. E, você sabe, se ele era inteligente o suficiente para você. Coisas desse tipo. Foi realmente uma graça!

Fico digerindo essas informações enquanto a caixa registra os biquínis de Meiling. – E aí? O que foi que você falou para ele? – Pergunto com um tom ansioso na voz.

– Eu apenas disse que você era totalmente solteira e que obviamente estaria interessada no Yue. Ele é tão fofo! Você não acha?

Dou de ombros. Yue se mudou de São Francisco para Nova Iorque alguns meses atrás. Sei muito pouco sobre ele, a não ser que ele e Syaoran se tornaram amigos na Georgetown, onde Yue ficou famoso por ter se formado em último lugar. Aparentemente, Yue nunca ia às aulas e sempre ficava bêbado. A história mais infame é que ele perdeu a hora no dia da prova final de Estatística, apareceu com vinte minutos de atraso e ainda descobriu que, em vez da calculadora, havia jogado o controle remoto dentro da mochila. Ainda não consegui determinar se ele é um cara que não se prende a convenções ou um fanfarrão.

– E aí, animada? Se você sair com ele antes da nossa viagem vai levar vantagem em relação à Rika e Chiharu. – Eu rio e balanço a cabeça. – É sério. - Meiling assina o papel do cartão e abre um sorriso rápido para a funcionária. – Rika adoraria dar uns bons arranhões nele.

– Quem disse que vou sair com ele?

- Oh, pooor favooor. Nem começa com essa merda! Você vai, porque: A) Ele é uma gracinha. E B) Sakura, sem ofensa, você não pode se dar ao luxo de ser toda exigente, senhorita não-fica-com-ninguém-há-mais-de... O quê? Há mais de um ano?

A funcionária da loja olha para mim solidária. Olho para Meiling enquanto empurro meu duas-peças sobre o balcão. – É, isso... Um ano. – Afirmo sem graça, não pelo motivo que elas acham e sim por outro.

Saímos da Bloomingdale's e procuramos um táxi na Terceira Avenida.

– E então, você vai sair com o Yue?

– Acho que sim.

– Promete? – Pergunta ela, tirando o telefone celular da bolsa.

– Você quer que eu faça um juramento de sangue? Sim, eu vou – Digo. - Para quem você está telefonando?

– Para o Syaoran, ele apostou vinte pratas que você não iria.

Meiling tem razão: não há mais nada acontecendo na minha vida. Mas o verdadeiro motivo para eu dizer sim a Yue quando ele me telefona convidando para sair é Syaoran ter dito que eu não iria. E apenas no caso de ele ter pensado que tinha lançado alguma maldição sobre mim, e que eu iria rejeitar Yue por estar preocupada com o incidente, vou sair com Yue. Mas logo que digo sim, começo a ficar paranóica a respeito do que Yue realmente sabe. Será que Syaoran disse alguma coisa a ele? Preciso telefonar para Syaoran e descobrir.

Já em meu apartamento, bem acomodada, mas mais apreensiva do que nunca, desligo três vezes antes de conseguir completar o número todo. Meu estômago está dando voltas quando ele atende no primeiro sinal.

Syaoran Li.

– Então, o que Yue sabe sobre o que aconteceu no sábado passado? – Digo de repente, meu coração disparado.

Bem, olá para você também. – Ele diz irônico. Relaxo um pouquinho.

– Oi, Syaoran.

Sábado passado? O que aconteceu no sábado passado? Refresque a minha memória.

– Estou falando sério. – Reviro meus olhos. – O que você disse a ele? – Estou horrorizada de me pegar falando daquele jeito menininha-resmungo, no qual Meiling tão bem aperfeiçoou.

O que você acha que eu disse a ele? – Pergunta Syaoran.

– Syaoran, diga para mim!

Oh, relaxa. – Diz ele, num tom de quem ainda está se divertindo. – Não disse nada a ele... O que você acha que é isso? Um vestiário de escola? Por que eu contaria a alguém o que só interessa a nós?

Só interessa a nós. Nós. Nós dois.

– Eu só estava imaginando o que ele sabia. Quer dizer, você disse a Meiling que estava com ele naquela noite...

É. Eu disse: Yue, eu estava com você na noite passada e depois tomamos café da manhã juntos, certo? E isso foi tudo. Sei que não é assim que as coisas funcionam com vocês meninas... Mulheres.

– O que você quer dizer com isso?

Quero dizer que você e Meiling compartilham exaustivamente cada detalhe uma com a outra. Como o que vocês comeram em tal dia e que marca de xampu planejam comprar.

– E quando uma dorme com o noivo da outra? Esse tipo de detalhe?

Syaoran riu. – Esse seria outro exemplo.

– Ou coisas como você ter apostado que eu diria não para o Yue?

Ele ri outra vez, sabendo que se deu mal. – Ela contou isso para você, não foi?

– Sim. Ela me contou.

E isso ofendeu você?

Percebo que estou começando a relaxar, quase me divertindo com a conversa. – Não, mas me fez dizer sim.

- Oh. – Syaoran riu novamente. – Agora entendo como a coisa funciona. Então você está dizendo que se ela não tivesse compartilhado esta informação com você, você teria dispensado o meu amigo?

– Ah, você está querendo saber? – Pergunto fazendo charme, quase não me reconhecendo.

Na verdade, quero! Por favor, me livre da ignorância!

– Não tenho certeza... Por que você achou que eu diria não?

Ah, você está querendo saber? – Retruca ele. Sorrio. Isso é flertar descaradamente. – Tudo bem. Achei que você diria não porque Yue não parece ser o seu tipo. – diz ele, afinal.

– E quem é? – Pergunto e logo me arrependo. Flertar assim não leva ao caminho da redenção. Não é a maneira de consertar o que fiz de errado. É isso o que meu cérebro me diz, mas meu coração dispara enquanto espero a resposta.

Não sei, há sete anos venho tentando descobrir.

Fico imaginando o que ele quer dizer com essa afirmação. Enrolo o fio do telefone no dedo e não consigo pensar em nada para dizer em resposta. Nós deveríamos desligar agora. Isto está tomando um rumo ruim.

Sakura? – A voz dele está baixa e num tom de intimidade.

Fico sem fôlego, ouvindo-o dizer meu nome desta forma. Soa familiar, caloroso. – Sim?

Você ainda está aí? – Ele me sussurra.

Consigo dizer: – Sim, ainda estou aqui.

O que você está pensando?

– Nada! – Minto. Tenho de mentir. Porque o que estou pensando é: talvez você faça mais o meu tipo do que já cheguei a pensar!

.

CONTINUA!

Dicionário:

(1) Classudos: Expressão para quem tem classe, refinamento.

(2) Anne Klein: Marca de roupa famosa nos EUA e em alguns países, inclusive no Brasil.


N/A: E aí, gente? :D

Antes de mais nada quero agradecer a todos vocês por terem me enviado reviews! Fiquei super feliz de ver vocês comentando, muito obrigada mesmo! Vocês não fazem ideia de como eu me sinto ao receber reviews. E por favor, não parem de mandar, é muito importante pra mim. Okey? Pessoas, pessoas. Faço aniversário amanhã, então estarei esperando um presente de vocês viu! :D É, acho que é isso mesmo. Tomara que o capítulo esteja agradado a todos. Porque eu simplesmente amei ele. *-*

Beijos e abraços pra vocês, meus amores. :)


N/E: Antes de mais nada: Obrigada Wendy por me dar essa oportunidade de ser a editora desta estória intrigante e super interessante. VALEU!

Agora sim: Meu comentário (bem básico mesmo) sobre o capítulo: Ficou claro neste capítulo que Sakura é realmente uma tonta de carteirinha e não notou que Syaoran sempre gostou dela; eu já estava desconfiada disso há uns capítulos atrás, mas nesse veio a confirmação que eu estava esperando: Syaoran gosta de fato de Sakura, mas acabou ficando com Meilyn para ver se Sakura gostava dele ou não. Como ele não obteve nenhuma conclusão acabou pedindo a amiga da amada em casamento, querendo dizer: VOCÊ QUER OU NÃO ME QUER? hehe. Algo bem gritante assim. E: ACORDA SAKURA! Aiaiaiai. É mole?

Muito obrigada e abraços carinhosos a todos que estão acompanhando esse Fiction.
Tammy.