Esta história é uma fan fiction sobre a obra de Charlaine Harris, Southern Vampire Mysteries. Algumas personagens e passagens têm direitos de autor pertencentes a CH.

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CAPÍTULO 4

CPOV

O que se há de errado com estas pessoas hoje? MEU DEUS! Será algum tipo de loucura colectiva? – Perguntei-me mentalmente.

As segundas-feiras são por norma complicadas, mas esta estava a bater recordes. Levantei-me cedíssimo para conseguir estar a horas no trabalho. Escolhi o mesmo género de roupa que costumo usar para trabalhar em dias que não tenho alguma reunião mais formal. Jeans, uma ''sweatshirt'' justinha e com decote em V, botas de salto alto por fora das calças e um blusão que pode ser de pele ou até de ganga.

Geralmente as pessoas vestem-se de uma forma mais casual nos dias que sabem que vão ficar no escritório, exceptuando as funcionárias administrativas que se vestem sempre com conjuntos de saia-casaco de preferência de cor berrante e muitas jóias. Parecem árvores de Natal com pernas! Os meus colegas do sexo masculino oscilam entre as calças de ganga ou sarja, com uma camisa ou ''sweatshirt'' de forma descontraída. Eu detesto sítios em que há um código de conduta muito rígido sobre vestuário. Prefiro mil vezes um local onde as pessoas se vestem com se tivessem escolhido a primeira peça do armário onde puseram a mão mas que para sua sorte lhes assenta sempre na perfeição.

Como não consigo guiar, pois o meu carro tem caixa de velocidades manual, chamei um táxi para ir para o trabalho.

Desde as 8 horas que não faço outra coisa do que dar explicações sobre o meu braço. Já respondi às perguntas do Gerald e do Ryan, da Eva da contabilidade, do Paul dos recursos humanos, do Jack do departamento jurídico, da Isa, secretária do Gerald e até à senhora que não sei o nome mas que vem sempre a meio da manhã oferecer-nos um café.

Será caso de enviar um memorando para todos os colaboradores por e-mail?

''Sim, uma vampira partiu-me o braço. Não, não estou zangada. Não, não estou maluca. Não, não vou processa-la. Foi um acidente!''

Será que por aqui nunca ninguém teve um cão que acidentalmente lhes mordeu por estar assustado? ''Ok'', comparar um vampiro com um cão é um bocadinho forçado mas estava a pensar em como ambos tem fortes instintos de sobrevivência. Por muito domesticados que estejam, quando se sentem encurralados ou em pânico mordem a mão do dono.

Na realidade, qual é o espanto? Os humanos não atacam também? Vamos afirmar que eles são assassinos e nós não? Nós e eles somos máquinas letais. Eles são mais fortes, mais rápidos e têm presas mas nós também matamos para comer, ou melhor, vamos ao talho comprar carne já morta para comer. Vamos imaginar por ridículo que as barras de chocolate agora tinham vida e andavam por aí a falar connosco. Não sei até que ponto eu me conseguiria conter e não dar uma dentada em uma! Quase salivei com a ideia.

O disparate foi tal que desatei a rir às gargalhadas sozinha dentro do gabinete.

O meu chefe Ryan Portman enfiou a cabeça pela porta:

- Isso é que é bom humor!

Ryan Portman era um bom chefe. O melhor que já tive. Alto, bem constituído, cabelo já grisalho, mostrando a passagem dos seus 54 anos. A Portman Inc foi criada por ele, mal terminou os estudos universitários e anos mais tarde ofereceu sociedade ao Gerald. A sua sociedade tinha cerca de 15 anos e nesse espaço de tempo tinham conseguido passar de uma pequeno negócio para uma empresa de alguma dimensão e com uma facturação anual impressionante. Apesar de tudo parecia que nada disso lhe tinha subido à cabeça e nos quatros anos de trabalho que lá levo, sempre falou comigo como se fosse apenas uma colega e não uma subordinada. O Gerald que era o chefe do André, também não era antipático nem pouco mais ou menos, apenas tínhamos menos à-vontade e como tal não lhe passaria pela cabeça dizer-me uma piada, ou eu a ele.

- Tristezas não pagam dívidas Ryan!

- Estás com muito trabalho? – Perguntou-me ele aproximando-se da minha secretária

- Algum! Estou a aproveitar para fazer tudo aquilo para o qual só preciso de um braço. Hoje dediquei o dia aos contactos telefónicos.

- Se não tens nada muito urgente, vai para casa. Aproveita para descansar! – Disse ele mexendo-se nervosamente na minha frente.

Olhei o relógio, eram 15 horas. Que raio?

- Ryan, se eu não pudesse não estava aqui. Não estou doente, posso bem trabalhar!

Ele fez uma cara estranha e disse:

- Bom mas não fiques até muito tarde. Às 18 horas vai descansar.

Fiquei a olhar para ele enquanto se afastava. Estranho! Parece que me quer ver pelas costas. Acho que está tudo louco por aqui.

Concentrei-me no que tinha para fazer ainda. Havia muitos orçamentos para reabilitação de edifícios que ainda não tinha analisado e havia também muitos contactos a fazer com potenciais clientes que andava há imenso tempo para fazer.

Afundei-me no trabalho e nem vi as horas a passar. Arranjei uma posição confortável na cadeira que até me fez esquecer do gesso que carregava no braço.

- O que fazes ainda aqui?

Levantei a cabeça para ver um impaciente Ryan na minha frente.

- O quê? Que horas são?

- 20:30! Eu não te disse para ires embora às 18? Já todos saíram! O que ainda fazes aqui?

Ele estava com um ar de poucos amigos. Acho que nunca o tinha visto tão irritado e tudo me parecia muito estranho e desprovido de lógica. Desde quando um chefe se irrita por um empregado ficar a trabalhar até mais tarde?

Resolvi não argumentar. Era óbvio que não me queria ali.

- Estou de saída! Fechei o PC e agarrei na minha mala e encaminhei-me para a porta.

Quando lhe disse ''até amanhã'', ele pareceu aliviado. Estranho, muito estranho!

Entrei no elevador e procurei o telemóvel na minha infindável e gigantesca mala para chamar um táxi. Já estava fora do edifício e nada de o encontrar. Esvaziei a mala e nada.

Bolas! Voltei para trás e as portas automáticas estavam já desligadas o que não me permitia entrar de novo.

Bolas, bolas! Como é que eu vou para casa?

Lembrei-me do acesso pelo parque de estacionamento e dei a volta ao edifício. Por sorte o parque tinha as portas abertas e eu entrei por lá.

Plano: Ir sorrateiramente até ao meu gabinete, pegar no telemóvel e voltar a sair sem ser vista.

Esgueirei-me pela rampa de entrada do parque. Reparei que estavam lá três carros. Dois sobejamente conhecidos, o do Gerald e o do Ryan. Ao lado estava um carro desconhecido, um BMW Z5, preto, com vidros fumados, topo de gama!

Corri para o elevador, vi que as portas estavam a fechar e segurei-as com a mão direita para evitar que fechassem totalmente. Quando as portas abriram entrei desvairada.

Estava alguém no elevador, era extremamente alto e quando finalmente os meus olhos encontraram os dele não evitei disparar a primeira coisa que veio à cabeça:

- Oh merda! – Era o Eric Northman.

As portas do elevador fecharam e ele ficou a olhar para mim muito sério. Eu não sabia se havia de pedir desculpa pela minha frase pouco convencional ou se havia de desatar aos gritos por socorro. O elevador começou a subir e eu estava com dificuldades em respirar. Passava-me tudo pela cabeça. Ele era lindo, os olhos dele perturbavam-me profundamente. A sua boca era apetecível e ao mesmo tempo era a personificação da morte. Pensei que estava ali para me atacar e no mesmo instante percebi que estava a ser palerma, que tudo se devia relacionar com negócios, os mesmos que o André já me tinha falado na noite da inauguração do centro de congressos. Pensei em dizer qualquer coisa para aliviar o ambiente mas não sabia por onde começar. Sentia o coração a bater na garganta, a boca ficou seca, as pernas tremiam e não sabia o que fazer com a mão direita. Estava encurralada num elevador com um vampiro. Se por um lado estava em pânico por outro não conseguia evitar sentir-me atraída por ele. Ele não desviou os olhos de mim e eu estava a ter imensas dificuldades em manter-me calma. De repente ele tocou no botão de stop. O elevador imobilizou-se a meio do percurso e o meu coração parou de bater por uns segundos!

Sim, fui má ao parar o capítulo exactamente aqui mas tive vontade de vos deixar a pensar no que irá acontecer dentro do elevador.

Espero que não levem a mal!