DDT5: NOSSAS VIDAS NA OUTRA VIDA

Capítulo 4

AUTORAS: Lady K & TowandaBR

DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions (não venham nos pentelhar).

GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, intrigas, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe?). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não nos responsabilizamos por qualquer dano psicológico ou moral. lol.

AVISO IMPORTATÍSSIMO: Essa fic é parte da série Depois da Tempestade, composta de DDT1: Páginas Perdidas, DDT2: Desvendando o Passado, DDT3: O Retorno de um Velho Amigo e DDT4: Segredos e Verdades.

COMMENTS: (por Lady K)

Marguerrite: Calma, né? O melhor fica pro final, por isso o Roxton tem que fazer um suspensezinho :D

Jéssica: Pior que nem lembramos da Gladys, acredita?

AmandaBBC: Na verdade não teve nada de bônus, mas estávamos empolgadas esta semana e como td mundo deixou review, resolvemos antecipar. Mas não fica se achando! Rs... Ah e a Towanda ficou toda feliz pq vc elogiou a fic dela :D

Mamma Corleone: Agora a Hellen vai deitar e rolar, espera só o próximo capítulo, vc vai ter um treco! Ei, publica logo essas fics!

Luanaa: Towanda pediu pra te dizer o seguinte "Saiba que uma amiga, apaixonadíssima por R&M encontrou o David Orth (Malone) na convenção de 2006 e seu relato (imparcial, pq como eu disse ela ama R&M) diz que ela ficou surpresa pq o homem é sarado e com um físico filé. Se vc olhar as pernas e o tórax do Ned no episódio em que ele trai a Verônica com a planta e em Prodigal Father. O Rox pode ser um carro luxuoso, mas o Malone é um carro esporte bem caro e veloz... He! He! He!"


Morrighan

O solstício de primavera finalmente chegou, indicando o momento exato para que eu assumisse a responsabilidade de governar o meu povo. Por um lado, ainda soava estranho que não fosse mais Bochra quem decidia tudo; ele era um homem forte, saudável e de uma sabedoria ímpar. Por outro lado, eu estava mais do que preparada. E também havia em mim uma dose de orgulho e prepotência. Não poderia ser diferente. Eu havia sido criada para aquele momento. Minha vida parecia se resumir a isso.

No dia da cerimônia, quando eu já estava vestida e arrumada, Vivian parecia mais ansiosa do que eu, cuidando de tudo antecipadamente. Bochra apareceu para uma última conversa.

"Você está linda, Morrighan. Hoje é como se me tirassem um grande peso dos ombros, pois vendo a mulher que se tornou, sei que meu trabalho foi concluído."

"Obrigada!" - sorri para ele - "Sei que devo tudo a você, e sou-lhe grata."

"Cumpri apenas o que me foi confiado. E agora, é a sua vez de assumir as responsabilidades." - ele fez uma pausa – "Ouça, esta noite eu lhe entregarei o punhal sagrado, especialmente forjado para a ocasião. É uma peça muito importante." - Ele retirou das roupas um saquinho de couro, revelando seu conteúdo em seguida.

"Oh, Bochra, você já me contou essa história, uma cobra que engole o próprio rabo..." - eu me antecipei certa de ter aprendido a lição, ao que ele fez sinal para que eu me detivesse.

"Você sabe a história que os outros sabem, mas não toda ela. Olhe o que lhe será entregue esta noite." - sobre o couro, eu via o oroborus, feito em metal dourado, onde havia uma cobra engolindo o próprio rabo. Era a representação da eternidade, do infinito e da reencarnação. Não me atrevi a tocá-lo, minha atenção estava focada no que ele me dizia – "O oroborus é feito de irídio, mas folheado a ouro. A lenda conta que foi entregue aos primeiros druidas, os quais não deveriam fazer uso de seus poderes, ou algo terrível aconteceria. Durante os séculos, muitas pessoas, cegas pela ganância, lutaram por isso. Mas a Grande Deusa é sábia, sempre fazendo com que pare nas mãos certas. O oroborus pode levar seu portador ao lugar onde seu coração mais deseje estar... tem noção do que é isso, Morrighan? Poder estar em qualquer lugar com a velocidade do pensamento?"

"Qual é o objetivo da existência de algo tão poderoso se ninguém se atreve a fazer uso dele? E que ainda desperta a cobiça dos homens?" - perguntei consciente de minha necessidade em entender aquela lógica.

"Não fizeram uso porque ainda não existia a pessoa certa, Morrighan. Em mãos erradas, seria catastrófico. Desde o primeiro druida a guardar esse segredo, tudo se encaminhou para que hoje você o recebesse. Quando você nasceu, com o símbolo do nosso povo em suas costas, foi o sinal que eu esperava. Por isso fiz tudo para que se tornasse uma sacerdotisa à altura da missão. Também pela grandiosidade disso é que os sacerdotes pensam que o oroborus é só uma lenda. E é melhor assim."

Aquilo era demais para minha imaginação.

"Se me permite, tenho um presente para você." - Ele pegou outro saco de tecido e tirou algo de dentro. colocando em minha mão. Olhei o pedaço de metal prateado e sem polimento. De formato triangular, no centro havia um pequeno espiral. Olhei curiosa para Bochra.

"Eu o chamo de trion. Também é feito de irídio e dizem que foi forjado juntamente com o oroborus e por isso criaram lendas fantasiosas a seu respeito."

"Que tipo de lendas?"

Bochra deu de ombros.

"Bem, a história diz que desde a criação há duas forças em constante luta, porém em equilíbrio: o bem e o mal. Entretanto, uma dessas forças pode subjugar a outra caso conquiste uma terceira força, as quais, juntas, venceriam. Para que o platô continue existindo tal como é, sem que ninguém se aproveite de sua energia criadora para o mal, a terceira força teria de estar sempre junto à do bem. Exceto por essa simbologia e ter sido forjado com o oroborus, com certeza não há nada de especial nele. Mas, apesar de rústica, é uma bela peça, e achei que você gostaria de usá-la como adorno."

Agradecida pelo presente, coloquei-o na corrente de ouro branco que pendia em meu pescoço e sorri concordando com ele. O trion era um lindo adorno.

Minha mente fervilhava com mil perguntas. Então, eu poderia decidir a disputa entre o bem e o mal? Quem seriam as outras forças? O que eu deveria fazer com o oroborus? Eu realmente era uma pessoa tão íntegra para receber tamanha responsabilidade?

A sorte estava lançada. Antes do fim do dia, eu seria a sacerdotisa dos Tuahta de Dannan.

Pouco depois, meu rosto, coberto por uma máscara, passava por todas aquelas pessoas tão familiares, reunidas no templo sagrado, aguardando o grande momento. Apesar da seriedade daquilo, eu não tinha outro pensamento que não fosse relacionado à conversa com Bochra. Tive a impressão de entrar em transe. Ouvia algumas vozes distantes, sem ter certeza se vinham dos deuses e seus mensageiros ou dos sacerdotes. Quando realmente voltei a mim, recebia o pequeno saco de couro cujo conteúdo eu sabia muito bem do que se tratava.

"Que a Grande Deusa a acompanhe em seus passos, dando-lhe a sabedoria, serenidade e senso de justiça. O seu povo, assim como este punhal, está em suas mãos." - Bochra abaixou a cabeça levemente, numa reverência respeitosa. Conforme já fora instruída antes, levantei o punhal sagrado aos presentes, que responderam com palmas e gritos de alegria. Estava tudo terminado, enfim. Seguir-se-iam três dias de festas, mas tudo que eu desejava era apenas pensar e, com um pouco de medo, admiti, testar as possibilidades do oroborus e do trion.


Andrew levou Hellen até seu veículo, após a 'gentil' surpresa preparada por ele e os homens que a perseguiram anteriormente. Não perguntou mais nada a respeito da viagem, afinal, já imaginava o que teria acontecido a seu pai. Também tinha noção de que Hellen provavelmente não o havia procurado por puro descaso: ela não se preocupava com ninguém.

Em pouco tempo, ele abria a porta do carro para a ruiva, conduzindo-a a um discreto e elegante café.

Sentados à mesa, os olhos de Andrew estavam perscrutadores sobre ela, atento a seus movimentos.

Incomodada, Hellen rompeu o silêncio.

"Não foi nada gentil ter me acuado daquele jeito. Você não poderia ter simplesmente ido à minha residência?"

"E correr o risco de que você não me recebesse, ou pior, que chamasse a polícia dizendo que eu invadi sua propriedade?" - ele deu uma pequena risada, fazendo sinal para o garçom - "Por favor, um chá para a senhorita e para mim." - voltou-se para Hellen - "Vamos pular as formalidades, eu bem sei o tipo de gentilezas que aprecia. A meu ver, como não regressou com meu pai e, eu não tendo recebido notícias dele, já supus o pior, mas esperei que tivesse a decência de me informar. Não que você saiba o que é isso, não é?" - ele sorria cinicamente, mostrando os dentes alvos e bem alinhados.

"Sei tanto quanto você, Andrew. Mas já que estamos aqui, serei direta: a protetora conta com o apoio de um grupo civilizado, e não somente de selvagens como seu pai supunha. Esse foi um erro crucial."

"Do que está falando?"

"Já ouviu falar da expedição Challenger?"

"Quem não ouviu? Houve todo um alvoroço quando partiram."

"Então, queridinho, deixe-me contar umas coisinhas."

A partir daí, Hellen passou a narrar o encontro com Verônica e os moradores da casa da árvore. Obviamente, a maioria das cenas pintadas foi realçada por seu veneno. Ela precisava garantir que Andrew continuasse sendo um aliado de peso rumo a suas conquistas.


Morrighan

Quando finalmente as pessoas foram deixando o templo, me afastei, indo para trás da rocha sagrada que abrigava as esmeraldas do meu povo. Retirei o colar que usava, substituindo seu pingente pelo trion. Embora não tivesse nada de especial, era bonito. Quanto ao oroborus, sequer o toquei; ficaria guardado em lugar seguro até que eu tivesse o momento propício para testá-lo.

Bochra estava muito mais à frente, conversando com Verônica e Erick, e todos fizeram sinal para que eu me apressasse. Assustei-me quando, do nada, alguém segurou meu braço.

"Deve estar muito satisfeita ostentando seu poder." - Warbeck me olhava de cima a baixo com um sorriso de escárnio. Puxei meu braço, irritada.

"Para ser sincera, estou sim. É bem diferente quando o poder bate à nossa porta e quando precisamos esmolar por ele, não é?" - eu também sorria.

"Aproveite enquanto pode. Eu juro, nem que seja a última coisa que faça: vou retirar tudo que lhe foi dado injustamente. Você e Bochra são tão idiotas que provavelmente não saberão o que fazer com o que têm nas mãos... mas eu saberei."

Ele me deu as costas, saindo. Agora não restavam dúvidas: se eu quisesse sobreviver, teria de manter meus olhos alertas sobre Warbeck e sua odiosa família. Em breve, provavelmente, seria ele ou eu. Uma certeza ele também me deixou: sabia sobre o oroborus. Saberia também usá-lo?


Com graça e delicadeza, Lady Elizabeth Roxton se acomodava na poltrona de veludo em frente à escrivaninha onde, sentada em cadeira do mesmo material, olhava-a uma curiosa Anne Mayfair.

"Perdoe-me por não tê-la avisado antes de minha visita inesperada. Receei que talvez não me recebesse se soubesse antecipadamente que eu viria."

Começou testando o terreno onde pisaria.

"Eu tenho motivos para isso?" - Anne também estava na defensiva - "O fato de não termos tido uma boa relação no passado justificaria minha falta de educação?"

Fez-se uma incômoda pausa. Até que a dona da casa resolveu quebrar o silêncio.

"Olhe, Elizabeth, tudo isso já ficou há muito tempo atrás no passado, como você mesma disse. Espero que seu assunto seja algo mais atual, porque essas coisas de que me fala perderam a importância para mim."

Elizabeth já esperava a resistência de Anne. E sabia que era justa. Mas viera com um objetivo e não sairia dali sem alcançá-lo.

"E se esse passado tiver repercutido em fatos ainda presentes? Ou ainda: e se esse passado tiver repercutido por toda a sua vida?"

Finalmente a senhora Roxton conquistara a atenção de sua anfitriã, fazendo com que se mostrasse mais receptiva. Ajeitou-se na cadeira.

"Sou toda ouvidos."

"Peço que não me interrompa. Estou aqui porque quero e de boa vontade, o que não significa que seja fácil o que tenho a contar. Eu poderia dizer que estava cega, influenciada por sua irmã, Charlote. Hoje sei que meu erro foi uma falha gravíssima e que, se eu tivesse sido mais sensata, poderia ser muito diferente." -Elizabeth respirou fundo – "Anos atrás..."


Verônica

Enquanto Bochra, Erick e eu esperávamos Morrighan, apenas eu observei Warbeck segurá-la pelo braço e lhe dizer alguma coisa. Senti algo muito, muito ruim. Se existia alguém que eu considerasse uma pessoa verdadeiramente ruim, esse alguém seria Warbeck. Quem permitiu que ele se tornasse um sacerdote?!

Como sempre fazia, Morrighan respirou fundo e veio até nós na maior naturalidade, ela era perita em esconder o que sentia ou pensava de verdade. Mas não de mim.

"Vamos? Tenho muita fome! Ansiosa com a cerimônia, não comi nada hoje." - ela agora nos falava. Meu olhar foi atraído para o pingente prateado em seu pescoço. Parecia que eu já tinha visto aquele símbolo antes, mas onde? Não conseguia parar de olhá-lo. Voltei a mim quando Erick apertou mais forte a minha mão.

"Que lindo pingente, Morrighan!" - eu não queria deixar de saber o que era.

Tocando-o com a ponta dos dedos, ela falou sem muito interesse.

"Gostou? Bochra me deu hoje."

"É maravilhoso." – disse eu quase hipnotizada pela peça.

"Estrelinha..."

"Erick!" – Morrighan interrompeu o primo fingindo aborrecimento – "Em minha posição não é conveniente que as pessoas o ouçam me chamar de 'Estrelinha'."

"Tem razão. Então vou tentar de novo." – ele se aproximou do ouvido da prima e sussurrou alto o suficiente para que escutássemos – "Estrelinha..." – depois se afastou e elevou a voz continuando – "... o que acha?" - Erick levantou minha mão mostrando a aliança que acabara de me dar. E lá se ia, naquele momento, a oportunidade de satisfazer minha curiosidade crescente. Eu havia até esquecido do pedido que ele fizera! O que estava acontecendo comigo? - "Eu pedi Verônica em casamento... e ela aceitou!"

O rosto de Morrighan abriu-se num grande sorriso, em seguida abraçando a nós dois.

"Céus! Não acredito! Até que enfim! Verônica, você tem certeza de que é isso que quer? Tenho convivido com ele toda a minha vida e lhe asseguro que não é boa influência." – ela brincou. Antes que eu pudesse responder ela continuou – "Oh, não! Precisamos organizar tudo! Os convidados! A cerimônia!"

Foi a vez de Erick trazê-la à realidade, sacudindo-a carinhosamente pelos ombros.

"Prima, prima, prima!!! Uma festa de cada vez, sim? Temos tempo."

"Ah claro! Mas do jeito que vocês demoraram a admitir que se amam, tenho medo que levem o mesmo tempo para se casarem." - Começamos a rir.

Não demorou muito para que Brigit escutasse algo. Primeiro, vi que saiu soltando fogo pelas ventas, sumindo de vista. Depois, ficou em volta, encarando Erick, parecia um corvo agourento.

Mais tarde, Erick me contou que ela o chamara para uma conversa. Disse que sempre o amara e era a pessoa certa para ele. Que melhor união do que a filha do sacerdote com o comandante do exército celta? Em sua lógica, ela havia se esquecido de um pequeno detalhe: Erick não compartilhava de seus sentimentos ou de seu plano. Finalmente percebendo seu fracasso, Brigit garantiu que Erick viveria para lamentar a escolha mal feita.

"Isso é assustador." – comentei com ele, que me abraçou e garantiu.

"Não se preocupe. Brigit sempre foi dramática."


Morrighan

Eu ainda me recuperava daqueles três dias de festa e já estava preparando outra: o casamento de Erick e Verônica. Obviamente, era decisão unânime que eu realizasse a cerimônia. E como detalhista que sempre fui, desejava que tudo fosse perfeito. Eles mereciam que tudo fosse maravilhoso.

De acordo com a tradição Celta os melhores guerreiros das duas aldeias deveriam lutar entre si pela mão da noiva. Na verdade, os guerreiros restringiam-se aos do meu povo, já que, devido a sua natureza pacífica, os Vados não possuíam grandes lutadores. Eles deveriam deixar que o noivo vencesse, sendo considerada extrema grosseria quando isso não ocorria. Não que Erick precisasse.

Quando o noivo vence a batalha, então sua amada lhe entrega uma taça com água, que representa a origem da vida, para que a nova vida em comum seja repleta de bênçãos e que possam ter filhos fortes e saudáveis.

Por fim, em nossa tradição, os noivos devem pagar um dote. Na verdade, era mais um ato simbólico. Ambos devem reunir um valor, o máximo que conseguirem, o qual deve ser de igual para ambos e, então, um 'compra' o direito de se casar com o outro. Ao contrário de outros povos, não há casamentos forçados entre nós, cabendo à mulher dar a última palavra para que a união se realize ou não.

De apenas uma coisa Erick e eu não conseguimos dissuadir Verônica: ela queria que a cerimônia se desse em sua aldeia, e não na nossa, onde passaria então a viver. Após várias tentativas de convencê-la, percebemos que ela tinha razão: seria muito triste para seu pai, o velho Belfort, que fizéssemos tudo longe do lugar onde crescera. Ela não tinha outros irmãos ou familiares. Mas eu sabia que o dia em que Belfort partisse deste mundo, Verônica teria de assumir o comando de seu povo. E levaria Erick consigo.

A propósito, continuo a acreditar que os fatos da vida são pequenas peças de um quebra-cabeça maior... Essa teoria se confirmou novamente quando, em meio aos preparativos, Belfort me mostrou um tipo de sabão artesanal, muito simples de se fazer e de perfume agradável. Como boa conhecedora de plantas e dos locais onde ficavam, seria tarefa simples prepará-lo para que Verônica usasse em sua noite de núpcias.

Naquela manhã saímos juntas, bem cedo, para colher o último ingrediente, uma trepadeira de flores brancas responsável pelo perfume da fórmula. Após pouco mais de uma hora de caminhada, começamos a ouvir vozes. Meu corpo retesou-se. Romanos.

Andamos mais devagar, sem fazer qualquer barulho. Abaixamos-nos atrás de um imenso tronco onde cresciam algumas samambaias e ficamos observando.

Vários soldados estavam reunidos. O grupo parecia esperar por algo, que demoramos a entender o que era, até que dois deles surgiram arrastando um homem pelos braços. Usava uma toga romana em frangalhos e, apesar de seu físico forte e definido, via-se estar em péssimas condições, provavelmente privado de água e comida há um bom tempo. Além disso, estava cheio de hematomas, como se tivesse sido surrado por uma multidão enfurecida. Seu rosto era apenas uma grande mancha arroxeada. Eles o amarraram a duas estacas em forma de X.

"General Guilherme, você foi acusado de facilitar a fuga de escravos celtas, os quais eram prisioneiros de guerra e, portanto, mercadoria a serviço do governo. Julgado, tem como pena a perda de sua patente de general, passando a ser um inimigo traidor do estado. Também foi condenado a ser deixado amarrado neste local, sem alimento algum, para ser destroçado até a morte pelas feras." – o capitão romano fez uma pausa antes de continuar – "Deseja dizer alguma coisa?"

"Que hipócrita! Como ele vai falar? Está quase morto!" – resmungou Verônica. Ela estava revoltada. Eu apenas continuei assistindo.

Assim que terminaram de falar, fizeram alguns cortes em seus braços. O homem mal reagiu a dor. Se ele não morresse de inanição, os predadores da região cuidariam dele, sendo que esta segunda opção era a mais provável. O cheiro do sangue os atrairia rapidamente.

Os homens ainda permaneceram alguns minutos por ali, talvez para se certificarem de que ele sangraria o suficiente. Depois, foram embora. Ficar naquele lugar esperando que o homem morresse era uma perda de tempo. Ao sumirem de vista, Verônica foi se levantando e me puxando pelo braço.

"O que está esperando, Morrighan? Temos que tirá-lo dali antes que os predadores comecem a chegar!"

Eu olhei bem séria. Não entendi como ela me pedia isso.

"Verônica, isso não é problema nosso. O que vamos fazer com um homem sangrando? Morreremos com ele. Esqueça isso."

"Você ouviu o que eles disseram?! Esse homem libertou gente nossa, por isso o condenaram."

"É? E quantos da nossa gente ele matou antes disso? Ele não vale o esforço. Mesmo que o levássemos, provavelmente morreria." - ela começava a me irritar. Mas Verônica não desistiria tão cedo.

"Nós não sabemos! Independente do que tenha feito, é um ser humano que está sofrendo. E se existe alguém que pode salvá-lo, esse alguém é você. Não diga que não pode. Você já salvou gente em pior estado."

"Um maldito romano é sempre um maldito romano, Verônica. E eu não vou mover um dedo por ele, não conte com isso." - cruzei meus braços, dando por encerrada a discussão.

"Está bem, não posso obrigá-la. Mas minha consciência não me permite deixá-lo aqui. Vou carregá-lo com ou sem você. Vá na frente e quando chegar à aldeia, por favor, avise ao Erick." – tirando a faca, ela foi até o homem, começando a cortar as amarras.

Onde Verônica havia aprendido a ser uma trapaceira e chantagista? Era óbvio que eu jamais a deixaria ali. E mesmo que o fizesse, Erick me mataria se voltasse para casa sem ela. Corri até onde o homem estava preso.

"Está bem, está bem. Vamos tirá-lo daqui e limpar o sangue depressa."

E foi assim que, pela primeira vez, me vi ajudando um romano.

CONTINUA...


Meninas, o capítulo 5 será especial, bem mais longo que o normal. Vcs querem ver? Só se chover review na nossa modesta horta!


Da série "fic também é cultura" aí vão mais duas:

1) Para simbolizar o casamento muitos usam as alianças. Sua forma é um circulo que significa a unidade perfeita, sem começo ou fim, chegando assim à eternidade e para alguns ela representa santidade, perfeição e paz, assim como o Sol, a Terra e o universo.

Acredita-se que por volta de 2800 a.C., os egípcios usavam um anel para simbolizar o casamento. Dois mil anos depois, surgiu entre os gregos a crença de que um anel imantado usado no dedo anular da mão esquerda podia atrair o coração, isso pelo fato de se acreditar que neste dedo existia uma veia ligada diretamente ao coração.

As primeiras alianças eram feitas de ferro, alianças em ouro com pedras preciosas e tornaram-se moda na época Medieval.

Então não digam que Erick e Verônica não podiam usar alianças naquele tempo.

2) O irídio é um metal precioso. É o mais denso que se conhece e o que apresenta maior resistência à corrosão. É notável pela sua resistência mecânica e pelo elevado valor do seu módulo de elasticidade (o segundo entre todos os metais, logo a seguir ao ósmio). É duro e frágil, embora se trabalhe com relativa facilidade entre os 1200 ºC e 1500 ºC.

Estão pensando que a gente não pesquisa? He! He! He


Para facilitar:

Vivian = Anne Mayfair

Belenos = Summerlee

Verônica = Verônica

Belfort = Challenger

Morrighan = Marguerite

Erick = Malone

Guilherme = Roxton