Capítulo – 4

Julho de 1993-Berkeley

- O que você prefere? Menino ou menina? – Tomas vira-se para Sara apoiando-a confortavelmente a cabeça no braço esquerdo e com a mão direita faz carinho na barriga em evidência de quatro meses de Sara.

- Sinceramente? Uma menina. – ela dá um sorriso singelo.

- Eu também.

- Que bom porque eu já tenho um nome.

- Mas nós nem sabemos o que é?

- Eu sei e é uma menina.

- Então me diz – ele a puxa para mais perto – qual o nome?

- Samantha.


Ao ouvir a porta abrir, Emma, sem olhar para trás, fala com ar superior.

- Será que alguém aqui pode me dizer o por que de me trazerem para esse lugar horrível.

- Assim que você nos disser o que fazia na casa dos Jhonson ontem a noite. – Sara fala sentando-se à frente da garota fazendo com que a mesma a olhe.

No instante em que seus olhares se cruzam, Sara sente um arrepio, Emma é uma garota de rosto angelical com seus olhos verdes, cabelos loiros e ondulados e a pela tão branca quanto podia ser.

- E você é?

- Aqui quem faz as perguntas somos nós. – o silêncio reina a sala por alguns segundos e é quebrado por Vartan que senta-se ao lado de Sara e joga a foto de Annelise na mesa.

- Tivemos a informação que você e Annelise discutiram ontem a noite.

- E advinha! Poucos minutos depois ela foi encontrada morta.

- O que vocês estão querendo dizer? Eu não a matei. É verdade nós discutimos ontem, mas quando sai ela estava viva.

- E por que a discussão?

- Ela não quis me deixar ver a Sam, eu fiquei irritada e disse que ela não tinha o direito de me proibir de vê-la, talvez eu tenha me exaltado um pouco e falado mais alto que devia, mas não a ponto de matá-la. Ela disse que enquanto meu pai estivesse viajando quem mandava era ela, ai a Sam apareceu e depois disso resolvi ir embora por que sabia que eu não iria conseguir o que queria.

- Você disse pai?

- Sim. Tomas é meu pai. – Sara congelou, e agora ela tinha uma certeza, aquela garota à sua frente era sua filha, a filha que ela achava estar morta.

Vartan a olhou, notando seu olhar triste e que ela não tinha condições de continuar o interrogatório.

- Sara? – ela numa última tentativa de ser tudo um engano, continua.

- Segundo os registros seus pais morreram há alguns meses, então como o Sr. Jhonson pode ser seu pai?

- Eles também dizem que eu sou adotada e que minha guarda é provisória à meu tio, até que encontrassem meus pais biológicos ou uma das partes. – antes que Sara fale algo mais, Vartan rapidamente liga um fato ao outro. O sangue encontrado no quarto da menina que afirma ser feminino e com alelos em comum com o de Sara, e a expressão de dor e tristeza da mesma, só podia dizer uma coisa. Mãe e filha estavam frente a frente, uma filha que provavelmente é uma assassina.

- E quanto ao sangue encontrado no quarto de sua irmã.

- Sangue? – a garota realmente está confusa.

- Sim, encontramos sangue feminino no quarto de Samantha, e ai você sabe não é, vocês discutiram, você irritou-se demais, pegou uma garrafa, quebrou e a atingiu, mas enquanto quebrava a garrafa você se machucou, depois subiu ao quarto da menina e acidentalmente deixou seu rastro.

- Olha aqui, eu já disse que não a matei, se eu realmente tivesse feito isso, não acham que a Sam teria me acusado.

- Quem sabe, você pode ter ido até lá para matá-la também, mas não teve coragem e a ameaçou.

- Não ela é esperta demais pra se deixar levar por uma ameaça. Além do mais que motivos eu teria para matar a Anne. Sim confesso não nos dávamos bem, mas só por que ela queira assim. Ela não gostou nem um pouco quando eu apareci e – ela faz aspas no ar – "destrui o castelo de areia dela". Ela não aceitava que eu fosse filha dele também e que ele quisesse ficar com a minha guarda. Já disse e repito, eu não a matei, vocês estão atrás da pessoa errada. Agora será que eu já posso ir?

- Ainda não mocinha, você ficará aqui sob nossa custódia. – a garota arregalou os olhos e pela primeira vez seu tio e também advogado se pronunciou.

- (Neintan Murrie): Vocês não podem mantê-la aqui, não há provas que ela seja a assassina.

- Só o fato de termos encontrado seu sangue no local já é o suficiente e também pelo que vejo ela tem um curativo na mão. – ela diz essas palavras com o coração partido, não estava crendo que durante todos esses anos acreditou numa mentira e sua filha está viva ali na sua frente, e pior sendo acusada de assassinato;

- Tio! – Emma não tinha mais argumentos

- Não se preocupe querida, não será por muito tempo.

Um policial algema Emma e sai da sala sendo seguido pelos outros.

No instante em que eles saem da sala, um homem loiro, cabelos cacheados e olhos verdes, além de alto e forte chega desesperado.

- O que estão fazendo? Pra onde vão levar minha fil... – ele para ao notar a morena a sua frente – Sara?