3.)
Can you hear them?
(Você pode escutá-los?)
They talk about us
(Eles falam sobre nós)
Telling lies
(Contam mentiras)
Well that's no surprise
(Bem, isso não é surpresa)
Can you see them?
(Você pode vê-los?)
See right through them
(Ver através deles)
They have no shield
(Eles não tem nenhum escudo/proteção)
No secrets to reveal
(Nenhum segredo para revelar)
"Cara, com quem você vai?" Ron perguntou pela milésima vez. "Hermione? Com quem você vai?"
Essa era a questão chave por três dias. Podia-se dizer que não dava pra ter acontecido muita coisa nesse intervalo de tempo, mas a pergunta era repetida a cada hora de cada dia.
Hermione e Harry se olharam e então continuaram ignorando o amigo ruivo.
Foi no último dia de aula, antes do feriado. Harry e seus amigos tiveram que aturar um período duplo com Snape, que ameaçava envenená-los, se alguém fizesse um antídoto ruim.
O moreno passou para o desgosto de Snape.
"Harry, fala logo! Eu sou seu melhor amigo, quem é ela? Ou, quero dizer, ele?"
"Eu não vou falar até que você veja." O menino disse diretamente. "Um, eu sei como você vai reagir e dois, não quero brigar com você agora."
"Não é Malfoy, é?" Ron perguntou horrorizado.
"Não." Harry disse balançando a cabeça. "Ron? Apenas dê um descanso até lá, ok?"
"Hermione?" Ron questionou.
A garota balançou as mãos. "Agora não, Ronald."
"Você vai levar Parvati, certo?" Harry perguntou, tentando mudar de assunto.
"Sim." O ruivo resmungou. "Mas por que vocês dois estão de segredos?"
"É melhor desse jeito." O moreno insistiu.
Finalmente, Ron parou.
Era um sábado, quando Harry perguntou algo para o amante. "Você já tem suas vestes a rigor, certo?"
Franzindo o cenho, o sonserino balançou a cabeça. "Não, eu ignorei esse ítem da minha lista." Disse dando de ombros.
Marcus estava jogado no sofá transfigurado, apenas em suas boxers. Ele nunca seria um dos melhores dançarinos, mas ao menos não pisaria no pé de Harry, fazendo o menino cair. O sonserino era bom o suficiente para ser guiado nas primeiras danças e depois ficar sentado pelo resto do Baile.
"Nós precismo arranjar alguma."
"Aonde?" Ele perguntou.
"Hogsmead." Harry colocou a cebeça de lado. "Amanhã de manhã." Marcus fez cara feia, quando a 'manhã' foi mencionada. "Eu e você iremos."
"Como?"
O grifinório sorriu abertamente. "Você verá."
Marcus o encarou em desconfiança. "Você não pensa em nos levar pela Floresta Proibida?"
"Não, não, não!" O menino desfez o pensamento e sentou na ponta do sofá. "Eu tenho um jeito melhor. Confie em mim."
Marcus revirou os olhos, passou um de seus braços em volta da cintura de Harry e o puxou contra seu peito.
Na manhã segunite, o grifinório saiu de seu dormitório usando roupas trouxas. Calças de couro pretas, que agarravam seus quadris e soltavam em suas pernas. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo mais alto que de costume e usava um canino como brinco, cortesia de Bill Weasley. A camiseta que vestia era de manga comprida e gola olímpica, que moldava sua forma. Ele estava com uma mochila de couro, em cuja carregava sua capa da invisibilidade e seu mapa.
O moreno esperou vinte minutos na sala abandonada, até que Marcus finalmente apareceu. Ele parecia mau humorado e cansado, fazendo Harry gargalhar ao vê-lo.
"Cala a boca! Eu odeio manhãs." O sonserino grunhiu. Harry, ainda rindo, mostrou a língua antes de pular de cima da mesa.
"Você pode dormir amanhã." Ele disse e lhe entregou sua capa de invisibilidade.
Marcus parou ao ver o que Harry usava. Seus olhos observaram o menino. "Você vai vestido assim?" Ele perguntou. Sua voz rouca subindo uma nota.
Harry olhou para baixo e ficou todo feliz. "Vou! Melhor isso do que o que eu costumava a ter. Meu padrinho de consideração e Bill Weasley fizeram compras comigo nesse verão. Eu meio que ganhei um monte de roupa. Até gosto de couro."
"Todo mundo vai ficar encarando." O Sonserino sibilou.
"Eles sempre encaram e não por causa do que eu visto!" O menino disse passando uma mão levemente pela testa.
"Sim, mas agora eles vão ficar encarando sua bunda."
"Não, não vão." Harry disse. "Agora, entre aqui em baixo ou vamos botar tudo a perder." Ele declarou entregando a capa para Marcus.
Demorou um pouco para finalmente colocar o sonserino ali em baixo. "Minhas costas doem." Ele proclamou com um urro, fazendo Harry rir.
"Desculpe, não vai demorar! Me deixe ver uma coisa." Ele abriu o Mapa do Maroto e o checou. "Ok, vamos continuar."
O grifinório o guiou por vários corredores e atalhos. Harry conseguia escutar os passos de Marcus atrás dele e arfou quando dobrou o corredor e colidiu com Cedric Diggory. Respirando fundo, o menino quase caiu se não fosse pela forma invisível de Marcus o ter segurado.
"Whoa, desculpe."
"É, desculpe Cedric! Eu preciso ir, estou com pressa."
O lufano o observou por um momento e então percebeu o que estava vestindo. "Wow..."
Harry ouviu o rugido de alguém atrás dele e corou. "Hã?"
"Isso não é justo!" Cedric declarou e balançou a cabeça. "Não é justo mesmo. Vejo você por aí, Harry. Boa sorte." Ele passou pelo menino, fazendo-o refletir no que aquilo quis dizer.
"Hã?" Ele perguntou pela milésima vez.
"Maldito!" Marcus grunhiu ao lado dele.
O grifinório fez um barulho com a garganta, antes de continuar pelo corredor e encaminhar-se para a ala oeste do terceiro andar.
Eles pararam em frente a estátua da bruxa de um olho só. Harry vasculhou os arredores e então puxou seu mapa e o checou novamente.
"Saia daí debaixo." O menino disse e Marcus saiu dizendo algumas coisas sobre o estado de suas costas.
"Porra! Minhas costas e aquele maldito garoto bonitinho! Eu quero chutar aquele idiota." O sonserino vociferou acidamente.
"Não há necessidade." Harry disse calmo, enquanto massageava o ante braço do parceiro. "Ok, segure isso." Ele entregou o mapa para Marcus, que ficou boquiaberto ao ver o que era.
"Dissendium!"
A entrada abriu e Harry mostrou o pequeno espaço com um gesto de mãos. "Hehe, boa sorte."
O moreno de olhos negros observou o local, franziu a testa ao ver o tamanho e encarou Harry. "Você é inacreditável."
O menino sorriu. "Eu sei!" Ele empurrou o outro pela abertura. Demorou um pouco, mas o garoto entrou.
Quando Harry entrou, Marcus o segurou pela cintura. "Você faz isso frequentemente?" Ele perguntou chocado.
"Sim e por favor não diga a ninguém. Meu pai provavelmente está rolando em seu túmulo agora."
"Hã?" O sonserino perguntou.
"Aquele mapa era do meu pai, do meu padrinho, de Remus Lupin e…" O menino deixou a frase no ar, girou entre o abraço de Marcus e beijou de leve o queixo do garoto, antes de guiá-lo pelo túnel. "Um traidor."
"Traidor?"
"Pettigrew."
"Ele está morto."
"Não está não." Harry rebateu com leveza. "Ele ficou no meu dormitório por três anos e culpou Sirius Black por um crime."
"…"
"Existe muita coisa sobre mim que você não sabe, Marcus."
"Tô vendo."
Eles andaram por cerca de vinte minutos. Marcus estava encolhido e abaixado desconfortavelmente, mas ficou encantado ao ver o túnel, que levava até uma porta.
"Onde estamos?" O garoto perguntou, quando Harry parou para dar uma espiada.
"No porão da Dedosdemel." Ele riu ao ver a expressão surpresa do sonserino e saiu pela abertura.
Marcus pulou enquanto xingava. "Isso é muito pequeno!"
Era extremamente engraçado ver o garoto sair de lá. Ele estava com medo de bater a cabeça em algum lugar, enquanto suas pernas se mexiam, tentando manter o equilíbrio.
Harry pegou na mão dele e o levou até a loja de doces. O grifinório comprou alguns e então os dois saíram para o frio do ar livre.
"Você não está usando capa."
"Eu esqueci." Harry disse. Marcus retirou a sua própria capa e entregou ao outro. "Obrigado. Eu queria sair rápido para Ron não perceber a minha ausência."
O emblema da sonserina brilhou no peito de Harry, quando o menino colocou a capa. Era longa, mas quente.
Segurando a mão de Marcus, ele levou o garoto até a loja de vestes que havia na rua. O sonserino resmungou desgostoso ao entrarem. "Precisamos fazer isso?"
Harry olhou para ele. "Eu não vou deixar McGonagall gritar comigo!" Repreendeu. "Fique feliz por não ter que comprar vestes como as de Ron." Ele riu ao pensar nisso e foi para os fundos da loja.
Por uma hora Marcus ficou sentado, enquanto Harry andava entre montes de vestes e tecidos, porém quando um homem de mais ou menos trinta anos apareceu perguntando ao grifinório se ele queria ajuda, o sonserino levantou e rosnou. Sua mão indo parar na nuca do outro, automaticamente.
"Cai fora!"
O homem ficou escandalizado e saiu dali com medo. Ao ficarem sozinhos, Harry o cutucou no estômago e o repreendeu novamente. "Marcus."
"Ele tava... dandoemcima de você!" Marcus o segurou um pouco mais apertado do que o normal e o grifinório arfou.
"Ele apenas queria ajudar."
"Besteira."
"Calma aí! Você tem um abraço forte." Harry soltou um gritinho surpreso.
Marcus o soltou e deixou sua mão cair ao seu lado. "Eu não gosto quando falam com você daquele jeito." Ele grunhiu gelidamente.
"Acho que... isso e isso seriam uma boa combinação." Harry disse tentando relaxar o ambiente. "Sabe, Marcus, você não tem que parar de me tocar quando o abraço for muito forte. Apenas relaxe o aperto um pouco." Ele alcançou o braço do garoto e o colocou em volta de sua cintura para mostrar o que queria dizer.
Um pouco surpreso, o sonserino observou o outro, antes de colocar mais pressão no abraço e puxá-lo para perto.
"Viu?" O grifinório sussurrou e ficou na ponta dos pés para beijá-lo nos lábios.
Marcus não disse nada e o continuou segurando. Infelizmente, os dois tiveram que lidar com uma garota boba no caixa. O sonserino fechou a cara e jogou o dinheiro em cima do balcão.
O dia inteiro passou com o moreno de olhos negros, tentando atacar todo mundo que chegasse perto de Harry.
"Marcus?"
"Hm?"
"Eu não quero nenhum deles." O garoto segurou Harry mais perto, mas com cuidado para não machucá-lo. "Você não precisa ameaçar todo mundo que chegar perto."
"Preciso sim!"
"Não precisa, não." O grifinório disse e virou nos braços de Marcus. Eles estavam no meio da rua, ignorando a maioria dos pedestres. O mais novo puxou a cabeça de seu companheiro para baixo e o beijou na frente de toda Hogsmead.
Ninguém o reconheceu como o menino-que-sobreviveu, o que era uma coisa boa. Mas as pessoas abriram a boca, supresas ao verem os dois garotos.
Harry soltou Marcus, sorrindo de lado e deixando o sonserino mais do que chocado. "Pare de se preocupar!" Ele disse e o puxou em direção à Dedosdemel.
XxX
Na noite do Baile de Inverno, Harry estava uma pilha de nervos. E não por causa da dança.
Ele sentou com Hermione encostada nele. Ron e Seamus jogavam xadrez.
"Então, Harry… Com quem você vai?" Dean perguntou, com seu caderno de desenhos em mãos.
"Alguém."
"Quem?"
"Ele não fala." Ron resmungou. "Nenhum deles vai falar!"
"Vocês vão juntos?" Seamus perguntou.
Harry e Hermione balançaram a cabeça. "Eu sou gay, Seamus."
"Oh…" O garoto sorriu de lado. "Se soubesse disso, teria te chamado."
"Você vai com a Lavender."
"Sou bissexual," Ele disse alegre. "Os dois lados são legais."
Dean riu baixinho e voltou a desenhar. "É um cara então?"
"Sim." Harry respondeu.
"Hermione?"
"Vocês verão." Ela disse sorrindo fraco.
"Harry, você está saindo com esse cara?" Seamus perguntou.
"Sim, estou." Ele respondeu imediatamente. Esse era o melhor jeito de evitar o assunto. "Estou com ele desde novembro."
"Wow, e ainda não veio a público?" Dean perguntou chocado
Ron franziu a testa. "Desde novembro?"
"Mhmm."
"É o Diggory?" Seamus perguntou. "Fiquei sabendo que ele te convidou."
"Não, não é o Cedric e sim ele me convidou. Mas eu disse não."
"Fleur o convidou também." Hermione disse rindo.
Ron bufou e suas orelhas ficaram vermelhas. "Sorte sua. Eu a convidei e fui feito de idiota por mim mesmo."
Harry torceu o nariz. "Ela é uma garota." Ele murmurou.
Os gêmeos os agraciaram com a ótima presença de boa sorte deles. "Boatos correm que você está indo com alguém misterioso, companheiro." Fred sentou ao lado de Harry e George ao lado de Hermione.
"Hum, misterioso?" O moreno perguntou. "Está mais para… hã, diferente."
"E você, Hermione? Alguém te convidou?" George perguntou.
"Sim." A garota revirou os olhos.
"Quem? Claro que não deve ser tão surpreendente, né?"
Harry e Hermione se olharam. A garota sorriu. "Vocês terão que esperar e ver. Harry, acho que você deveria ir agora."
Ele assentiu, percebendo o que ela dizia. Era quase seis e Marcus o encontraria em uma hora. "Você está certa." O moreno conseguia imaginar o terror que o sonserino colocaria nele.
"Isso não leva duas horas!" O ruivo declarou.
Hermione levantou.
"Leva sim. Quando você tem que vestir seu namorado..." O moreno murmurou saindo de lá e deixando todo mundo curioso.
Bill ajudara a desenhar as vestes a rigor de Harry naquele ano. Ele tirou a caixa branca de seu malão e foi tomar um banho para se refrescar. O corte das vestes era o de melhor qualidade. A veste era negra, com calças de seda. O corte apertava nos quadris e nas coxas e soltava nas pernas, mas deixava o movimento bem flexível. A parte de cima era mais interessante. Enquanto a base era negra, havia um tecido prateado, que brilhava, por baixo, em volta da manga e dos lados. A veste moldava sua forma e lhe dava uma aparência graciosa e felina. As mangas eram um pouco soltas e grossas. O fecho prata deixava seus olhos em evidência. O cinto era de tecido preto e cinza. As botas eram um pouco altas, feitas com couro trouxa e fechadas com zíper nas canelas. Dava a aparência de vestir água. O menino nem mesmo conseguia usar boxers com a roupa.
Mesmo sabendo que estava bonito, o moreno ficou em frente ao escpelho. Ele tirou o brinco de canino, colocou uma serpente enrolada prateada em seu lugar e penteou o cabelo até o ponto em que ficou reto e brilhante contra suas costas.
Harry saiu da torre em silêncio e encaminhou-se para a sala que dividia com Marcus. Ele abriu a porta e depois fechou-a novamente.
Marcus estava sentado na mesa, vestido até a metade. Fuzilava a parte de cima de suas vestes. O garoto estava sem camisa e o grifinório não conseguiu se impedir de olhar o peitoral do parceiro. Podia não haver muita perfeição nele, mas o corpo era bem interessante.
Harry riu baixo e saiu debaixo da capa. O sonserino parou de fazer careta e ficou com uma expressão neutra.
O grifinório sorriu. "Bem, você colocou uma parte." Ele disse, dobrando a capa e colocando-a em cima de uma prateleira.
"Por que você está indo ao Baile comigo?" Marcus perguntou verdadeiramente curioso.
Parando, em frente a ele, Harry esticou a mão para alcaçar as vestes. "Porque eu quero."
"Não, Harry, isso não é suficiente." Marcus replicou e passou seus dedos pela bochecha do companheiro. "Por que você está fazendo isso comigo? Por que está dormindo comigo? Eu?"
"Não sei o que você quer dizer." O menino disse arrumando as vestes. A calça era negra como a sua. "Eu quero ir com você. Eu gosto de você, Marcus."
"Não era pra gostar!"
"Venha, vamos vestir você." Harry beijou o homem que considerava seu namorado. Como poderia não considerar? Com toda essa coisa acontecendo… era apenas natural. "Como disse mais cedo, eu não vou deixar McGonagall gritar comigo, porque meu namorado foi com vestes normais."
Marcus achou um ponto fixo e o encarou sem expressão. Ele deixou que o outro o vestisse e o arrumasse. "Eu sou seu namorado?"
"Bem…" Harry disse, arrumando o colarinho. "Eu te beijo todo dia… você me reivindicou, certo?"
O sonserino sorriu de lado. "Sim. Mas ainda não entendo."
"O que você não entende?" Dando um passo para trás, o grifinório levantou Marcus." Wow, você está maravilhoso!"
Bufando, o garoto cruzou os braços e encarou Harry. "Isso é uma mentira."
"Não, não é." O menino proclamou, quando o outro calçou os sapatos. "Você realmente... wow... fica bem com veste formal."
"Não gosto disso." Ele passou os braços por Harry e o puxou para perto. "Você está usando o brinco." Disse tocando o objeto.
"Claro que estou. Amei, obrigado." Harry depositou alguns beijos na boca do sonserino, antes de pegar a escova e o spray. "Sente..." Ele murmurou contra os lábios do namorado.
O grifinório fez a parte de cima do cabelo de Marcus bagunçado, já que havia um pouco mais a arrumar dos lados.
O garoto ficou brincando as vestes de Harry. Ele mexia no cinto, ou puxava as mangas. Quando tudo terminou, o moreno de olhos negros puxou o outro para sentar em seu joelho. Harry beijou as bochechas do sonserino e o segurou apertado.
O moreno de olhos esmeralda ficou imaginando no que seu parceiro estaria pensando. Eles ainda tinham alguns minutos e o menino não conseguiu resistir e descansou seu corpo contra o de Marcus, tocando suas bochechas e mandíbula.
"Eu não consigo entender como você pode me querer." O sonserino admitiu, sua voz ríspida e rouca. Ele estava falando sério.
"Por que não? Quero dizer, eu sei que as circunstâncias são meio estranhas..." Harry começou a dizer, tentando entender a mente de Marcus. Ele queria saber o que o outro pensava e porquê pensava. "Eu nunca tinha beijado outra pessoa..." O sonserino o segurou mais apertado. "Mas, você meio que levou meu pânico embora."
"Eu estava voltando de uma detenção com Filch." Marcus explicou. "Segui você e quando te vi... seus olhos me fizeram querer beijar você... possuir você." Harry corou, se mexeu e escondeu a face no pescoço do parceiro. "Pensei que você iria me chutar ou me amaldiçoar."
O menino riu. "Mas eu não fiz isso! Admito que estava meio delirante naquela noite... sabe, entre Rita Skeeter se metendo na minha vida, a idiotice de Ron e todo mundo pensando que eu tinha colocado meu nome no Cálice de Fogo... eu não conseguia respirar! Sentia como se estivesse sufocando."
Essa era , talvez, a primeira vez que tinham uma conversa séria. Uma conversa em cuja Marcus falava. Harry percebeu, de repente, que não sabia nada sobre seu namorado. Seu primeiro namorado.
"Você não se arrepende?"
"Não."
"Por quê? Eu não fui exatamente gentil com você antes." O sonserino relembrou.
Harry deu de ombros. "Você foi no momento certo... eu acho? Você foi gentil."
"Eu não fui atrás de você para te machucar." Marcus fez careta. "Eu queria você, não machucar você."
"Sim e isso fez toda a diferença, Marcus." O grifinório bateu de leve em seu nariz e beijou-lhe as bochechas. "O que também fez a diferença, foi que no dia segunte, você não ficou se gabando e me zoando."
"Nunca passou pela minha mente." O mais velho sibilou, enquanto massageava os cabelos do outro.
"Sim, mas naquele momento, Marcus, eu não sabia disso."
"Eu não sou fácil de lidar."
Harry riu. "Não, você não é." Ele concordou. "Você só me perturba." Marcus riu roucamente ao ouvir isso. "Mas você vale a pena."
"Não valho, não." Ele disse ríspido.
"O que te faz dizer isso?" O grifinório perguntou. "Eu acho que você vale."
"Porque eu não valho, Harry." Marcus vociferou. "Você sabe muito bem disso. Eu não valho o seu…"
Harry colocou sua mão sobre a boca do namorado. "Ssh, pare com isso, Marcus!" Ele repreendeu. "Não gosto quando você fala desse jeito sobre você mesmo. Eu quero você... você vale a pena para mim, ok?" Os olhos negros o encararam e ele pôde ver confusão neles. "Seja o sonserino esperto, que eu sei que você é. Você sabe que eu te quero. Estou aqui no seu colo e não quero estar em mais nenhum outro lugar."
Ele massageou a face de Marcus. O garoto apenas assentiu e foi atrás da boca do mais novo, dando-lhe um beijo profundo.
A língua de Harry passou pelos lábios inferiores do namorado. O Beijo ficou mais sério, até que, sem querer fazer tal coisa, o grifinório os separou.
"Melhor irmos." Ele disse baixo contra os lábios do amante.
"Está pronto pra isso?" Marcus perguntou depois de um momento de silêncio.
"Sim."
"Não vai ser bonito."
Harry rolou os olhos. "Não me importa. Francamente, não é o problema de ninguém com quem eu fico." Ele passou os braços pelo pescoço de Marcus e apertou. "Nós lidaremos com tudo." Lançando um feitiço 'tempus', o menino se arrepiou. Cinco minutos restantes. Ele beijou o namorado de novo, mas dessa vez, ao invés de ser algo sexual, era para assegurar.
"Ninguém mudará minha decisão. Eu sou teimoso, Marcus. Acalme seus medos."
O sonserino grunhiu e o beijou novamente, antes de balançar a cabeça, visivelmente tentando apagar algo da mente.
Os corredores encontravam-se completamente vazios. Harry estava de braços dados com Marcus ao descerem as escadas. Ambos viram uma pequena comoção quando chegaram ao Saguão de Entrada. Todos estavam no Salão Principal, exceto os Campeões. O grifinório viu todo mundo em fila. Cedric e Cho Chang, Fleur e Roger Davies, Hermione e Viktor.
"Aonde está o Sr. Potter?" A Professora McGonagall esganiçou. Ela estava em pânico e com os olhos arregalados.
Hermione os viu primeiro do que todo mundo e soltou um gritinho. "Maravilhoso! Vocês estão perfeitos." Ela bateu palmas, fazendo a Vice Diretora virar para encará-los.
Cho Chang e Roger Davies ficaram boquiabertos ao verem Harry e Marcus Flint.
"Você tá de zueira comigo?" Roger sibilou chocado.
Cedric franziu o cenho e os assistiu chegando, seus olhos encararam o sonserino e se arregalaram ao ver a mudança na aparência, mas quando observaram o grifinório, permaneceram ali.
Pessoalmente, Harry achou que os dois ficavam bem juntos. A roupa de Marcus complementava a sua, o que era o propósito.
"Sr. Potter?" A Professora McGonagall arfou, quando seus olhos observaram o sonserino setimanista.
"Esse sou eu." O grifinório respondeu risonho.
"E seu parceiro?" Ela parecia estar engolindo em seco.
Cho estava escandalizada e olhava de um para o outro. Fleur bufava.
"Ele é meu namorado, Professora." Harry respondeu, puxando Marcus para mais perto. "Onde você quer que fiquemos?"
A compostura de McGonagall havia ido embora. Ela estava perdida.
"Atrás de nós, Harry!" Hermione riu. Suas vestes eram azul bebê e seu cabelo estava solto e liso.
"Você está maravilhosa, Mione!" O menino disse a abraçando.
Ela riu e corou. "Obrigada, Harry."
"Viktor."
"Harry, é bom vê-lo novamente." O búlgaro inclinou a cabeça para Marcus que repetiu a ação.
"Bom vê-lo também! Marcus, esse é Viktor Krum. Viktor esse é meu namorado, Marcus Flint. Ele é o capitão do time de Quadribol da Sonserina."
"Prazer em conhecê-lo." Viktor disse seriamente e apertou a mão do adolescente.
"Digo o mesmo. Vi seu jogo, você foi fantástico." Marcus disse mais empolgado.
Viktor sorriu distorcidamente. "Obrigado, n'ão ganh'amos, claro…"
"Não, mas fez seu trabalho. Pegou o pomo. Harry aqui fode com o meu time todas as malditas vezes."
O grifinório riu corando, enquanto Hermione corou ao ouvir o tipo de linguagem falada.
Krum pareceu não se incomodar e riu. "Verdade? Ad'oraria jogar contra você, Harry."
"Oh Deus, não precisa me envergonhar!" O menino disse engasgado. "Eu não teria chance."
A Professora McGonagall terminou de falar com os Campeões, seus olhos caindo sobre Harry com preocupação, antes que as portas duplas abrissem, revelando uma bonita decoração. Por um segundo, Harry sentiu como se fosse realeza. Cedric e Cho abriram caminho, quando Bagman anunciou todos eles.
Aqueles que viram Hermione e Viktor arfaram surpresos.
"Hermione Granger e Viktor Krum?"
"Por que ela?"
"Wow, não sabia que ela era tão linda!"
Mas quando todos viram Harry e seu par, a confusão começou.
"Aquele não é o sonserino Marcus Flint?"
"Acho que sim, mas por que ele está com Harry Potter?"
"Por que Harry está segurando nele?"
"Isso não pode ser real!"
"Harry escolheu ele ao invés de mim?"
"Isso tem que ser piada!"
"Debaixo de algum feitiço?"
"Bem, olhe Krum e Granger! Aquilo é esquisito também."
Harry se aproximou de Marcus e seguiu Hermione e Viktor, confiantemente, até a mesa principal, em cuja os juízes e os professores jantariam. Os sussurros e olhares os seguiram por todo o Salão decorado. Alguns eram mais rudes do que Harry gostaria que fossem. Choque era uma coisa, mas alguns eram apenas estúpidos.
Foi uma supresa, quando Harry viu Percy sentado ali. "Percy?"
Hermione virou, chocada ao ver o ruivo.
"Harry…" Percy disse de repente. "É bom vê-lo de novo." Ele ofereceu a mão e o grifinório arqueou a sobrancelha antes de apertá-la.
"Sim, bom te ver também, Percy. Mas... o que você está fazendo aqui?"
O ruivo não escutou a pergunta do menino e encarou o sombrio Marcus Flint. "Harry... esse é seu par?"
"Claro que sou, seu idiota." O sonserino vociferou.
Harry riu hesitante. "Sim, Percy. Ele é meu namorado também."
Olhos azuis se arregalaram. "Percebo…" Ele disse inquieto.
"Então, por que você está aqui?"
Percy voltou a si e encheu o peito, parecendo um pássaro sufocado. "Eu estou no lugar do Sr. Crouch."
"Por que?" Harry perguntou, sentando ao lado de Marcus. Viktor sentou do outro lado do sonserino e imediatamente começou uma conversa sobre Quadribol, enquanto o grifinório ficou à mercê de Percy, que falava sobre como Barty Crouch confiava nele de olhos fechados. O ruivo disse como estava cheio de trabalho e continuou falando e falando...
Marcus olhou para o namorado, quando ele deitou contra seu corpo. O moreno de olhos negros riu ao ouvir Percy falar e Harry gemer em desgosto. "Por que fui abrir a boca?" O menino murmurou.
"Uma boca tão linda." Ele brincou, fazendo o grifinório rir e descer uma mão para seu joelho e subindo pela coxa. O mais novo apertou o local e o outro deu um pulinho. "O que você pensa..." Marcus arfou quando Harry passou a mão casualmente por cima de suas calças, o deixando um pouco ereto. "Você não fez isso!" Grunhiu o sonserino, recebendo um risinho sapeca do moreno de olhos esmeralda.
"Eu fiz, Marcus." O menino ronronou. Sua mão desceu para a coxa e parou ali, deixando o parceiro, obviamente, entretido.
Quando Percy finalmente calou a boca, Harry vasculhou o lugar. Ron estava ao lado de Parvati, com a boca aberta, olhando horrorizado para ele e Hermione. Os gêmeos estavam, ao lado de seus pares, com os olhos arregaldos e ficaram encarando ele e Marcus.
Harry percebeu que os sonserinos os observavam de um modo especulador. Marcus os ignorou completamente. Ele podia apostar que as pessoas da casa da serpente pensavam que o moreno de ohos negros apenas queria fazer algo malicioso. Draco Malfoy estava boquiaberto, enquanto Pansy Parkinson esganiçava sobre alguma coisa. O grifinório conseguia ver a boca da garota funcionando rapidamente e naquele momento sentiu pena do herdeiro dos Malfoy.
Quando Dumbledore e os outros professores sentaram, o homem parou ao ver Harry e seu par. "Boa noite, Harry." Disse amigavelmente.
"Professor!" Harry falou animado, segurando o namorado um pouco mais apertado.
O Diretor observou a expressão do menino e de seu pareceiro. Harry suspirou e balançou a cabeça, antes de se focar em Marcus que estava desdenhando de alguma fofoca.
O grifinório começou a fazer movimentos circulares na coxa do namorado para distraí-lo. Ele riu baixo, quando Marcus encostou na cadeira desengonçadamente e deixou sua mão cair em cima da sua.
"Aproveitando?" Marcus perguntou divertido.
"Bastante." Harry disse sapeca.
"Você não se incomoda?" O sonserino perguntou.
"Com?" O moreno sabia o que ele queria dizer, mas quis ter certeza.
"Os rumores."
"Sempre existem rumores sobre mim, Marcus. Não dou a mínima para o que eles pensam sobre você." Harry disse afiado. "É o que eu penso que conta. Se me preocupasse com essas coisas vinte quatro horas por dia, teria saído da escola no momento em que entrei aos onze anos."
Marcus inclinou a cabeça ao ouvir isso. "O que quer que seja que os senserinos estejam falando, não é verdade." Ele disse sério.
Harry apertou sua coxa. "Eu sei. Deixe-os fofocarem e nós ficaremos com os nossos segredos."
Rindo, o moreno de olhos negros esticou a mão e tirou o cabelo do namorado do caminho, mostrando a serpente prateada e mexeu de leve no brinco.
Foi o Professor Dumbledore que começou a festa. Era bem um esquema de 'peça seu tipo favorito de comida'. Harry riu ao ver e pediu um pouco de frango grelhado com vegetais cozidos. Ele ignorou Ron, que o encarava, e as tentativas dos gêmeos de lhe chamar a atenção.
"Então Harry, como isso aconteceu?" Percy, entre todas as pessoas, perguntou no meio da refeição.
"Apenas aconteceu." O menino respondeu.
"Ele é um sonserino." O ruivo lembrou.
Marcus fechou a cara. "Ele sabe disso."
"Uma cobra." Percy disse e se encolheu sob o olhar de Flint.
Harry rolou os olhos. "Eu estou bem ciente da casa dele, Percy. Você sabia que antigamente as cobras eram usadas para determinar se algo era bom ou ruim?"
O ruivo engasgou. "Isso não é verdade."
Harry sorriu. "É sim, pergunte a Hermione. De qualquer modo, qual é o problema dele ser uma serpente? Eu adoro serpentes, muito obrigado. Falo com elas!"
Isso fez o homem empalidecer e Marcus sorrir sinistramente. "Esqueci sobre esse talento." O ruivo disse baixo.
Percy parou de falar com eles e voltou a comer. Harry apenas balançou a cabeça e virou para olhar o namorado que o encarava. "Além do mais..." Disse baixo. "Eu seria um hipócrita se tivesse algo contra a sua casa, afinal era pra eu estar lá."
Marcus ficou com a boca aberta, sua compostura acabada. "Sério?"
O menino assentiu. "Não que muita gente saiba. É culpa de Malfoy eu ter brigado com o chapéu." Segundos depois, Harry teve que fechar a boca do namorado.
Marcus se endireitou e balançou a cabeça. "Não acredito."
"O que? Você não acha que a Sonserina iria gostar de ter um ofidioglota? Ou uma pessoa que pode fazer um monte de bagunça e nunca ser pego?"
O setimanista apertou os lábios e pensou sobre isso. Harry pensou se esse processo era doloroso, mas decidiu não perguntar. "Você está certo."
"Claro que estou." O menino disse desdenhando. "Agora, deixe eu terminar aqui e desejar que as danças acabem logo."
"Hmm." Marcus franziu a testa ao pensar em dançar.
Harry apenas riu por trás de seu Cálice de suco de abóbora. Ele sentia o mesmo.
XxX
As sobremesas desapareceram dos pratos dourados, as luzes do Salão Principal começaram a diminuir e o chão pareceu, de repente, mel líquido. A magia passava no ar e a banda chamou todos os Campeões, que tomaram seus lugares.
Harry e Marcus grunhiram ao mesmo tempo, antes de se levantarem juntos. Ron mal tocou na sua comida, o que era uma raridade, ele ficou encarando os amigos, dividindo-se entre eles. Era como se não conseguisse decidir entre os dois, o que piorava tudo.
Harry e Hermione apenas abafaram o riso ao pensarem nisso, antes de voltarem para seus pares.
"Tudo bem?"
"Um pouco irritado." Marcus grunhiu. "Os sussurrou continuam."
"Eu sei." Harry disse com a mesma irritação.
"Eles estão certos, sabe…" O sonserino disse amargo.
Harry franziu a testa. De onde vinha essa auto depreciação? Ele não achava que todos da casa da serpente pensavam desse jeito. O menino parou ao lado de Marcus, quando o garoto o segurou pela cintura. "Olhe para mim Marcus Owen."
O garoto piscou, surpreso por ser chamdo pelo segundo nome. Os violinos começaram e Harry sorriu. Eles dançaram juntos em um mesmo compasso. Os pés de Marcus seguiam o de seu par, em uma quase perfeita dança que não envolvia xingamentos. Era quase prazeroso.
"Por que você pensa que estão certos, Marcus?" Harry murmurou, o puxando um pouco mais para perto, assim poderiam falar sem serem ouvidos.
"É verdade." Ele sibilou em seu ouvido.
O grifinório suspirou. "Queria que você não dissesse isso. Me deixa triste, Marcus."
O sonserino parou e passou sua mãos pelas bochechas dele. "Desculpe."
"O que eles pensam não deveria te incomodar nem um pouco!"
"Normalmente não incomoda."
"Então não deixe que aconteça agora!"
A melodia mudou e as pessoas começara a entrar na pista de dança. Harry e Marcus continuaram aonde estavam. Eles dançavam devagar e juntos até o ponto de se encostarem, o mais novo segurando nos obros do outro. O queixo de Harry não conseguia nem alcançar os ombros do namorado, mostrando o quão baixo era, mesmo com o auxílio do salto da bota. O grifinório o beijou no pescoço, sem se importar com quem estava vendo ou o que estavam sussurrando. Esse simples ato, fez Marcus o segurar mais apertado e ele pôde sentir a leve pausa em seus passos.
"Você realmente me quer?"
Harry rolou os olhos e se afastou um pouco, encarando Marcus, antes de colocar as duas mãos em suas bochechas e trazê-lo mais para baixo. "Sssim." Ele sibilou em ofidioglossia.
O sonserino não conseguia entender a linguagem, mas sabia que esse era o jeito do namorado de dizer sim. Harry o beijou profundamente no meio do Salão e no meio de todo mundo.
Careless talk
(Conversa negligente)
Through paper walls
(Entre paredes de papel)
We can't stop them
(Não podemos pará-los)
Only laugh at them
(Podemos apenas rir deles)
Spreading rumors
(Espalhando rumores)
So far from true
(Bem longe da realidade)
Dragged up from the underworld
(Trazidos do submundo)
Just like some precious pearl
(Como uma pérola preciosa)
Our Lips Are Sealed - Hilary Duff
XxX
N/T: Hum… Gostaram?
Mathew Potter Malfoy: Que bom que gostou do Harry e do Marcus. Quando eu comecei a ler essa fic também estranhei, mas depois...
Rafaella Potter Malfoy: O Marcus é beeeem ciumento e possessivo, mas isso que o faz especial. Que bom que está curtindo a fic!
L. Malfoy: Que bom que curtiu a personalidade deles... É tão legal e ao mesmo tempo diferente.
Simon de Escorpiao: "Um sonserino enorme e cheio de ciumes", adorei essa sua frase! Rsrsrsrsrs... Pois é... O Harry dançando e ensinando é uma imagem um tanto peculiar. O que achou da cena do Baile? Eu adorei! Achei tão emocionante! Huahuahuahuah...
Bom gente, até o próximo! Beijos Brielle
