Harry estava sentado à beira do lago, olhando a Lula Gigante fazer gracinhas para os alunos do primeiro ano. Sentiu-se ridiculamente mais velho ao lembrar que há quatro anos atrás era ele que se divertia com Ron e Hermione, vendo a Lula esguichar água e molhá-los.

Hoje, como sempre, Ron estava fazendo companhia a Harry, deitado ao seu lado, de olhos fechados, mas com um leve sorriso de satisfação no rosto. Harry parou de olhar os calouros e voltou seu olhar para Ron, sentindo uma alegria boba invadir-lhe.

– Vai fazer alguma coisa hoje à noite? – Harry sabia que a pergunta em si era idiota e desnecessária.

Ron abriu os olhos e seu sorriso aumentou. Levantou-se, se apoiando nos cotovelos, aproximando o rosto do de Harry.

– Só se você quiser – e passou os lábios nos dele, voltando a deitar-se.

Harry olhou em volta, mas para sua tranquilidade, os primeiro-anistas já haviam se retirado dos jardins. Estavam a sós, ao pôr-do-sol, como faziam antes, no natal. Então, deitou-se ao lado de Ron, mas passados alguns segundos, tornou a levantar e sentar. Tirou os óculos.

– Você sabe o que eu quero.

– Claro.

Fez-se um silencio calmo. Harry e Ron se encararam por um tempo, então Harry se inclinou sobre o namorado.

– Hmmm – fez ele, dando um sorriso pequeno.

Ron puxou a gravata vermelha e dourada de Harry e o beijou.


Pela primeira vez desde que estavam juntos, Harry se pegou pensando nele e Ron.

Com tudo o que estava se passando com ele, Voldemort, a Ordem, Umbridge... Ele só conseguia pensar em Ron.

O que sentia pelo amigo era mais do que amizade... Só que, ele chegou à conclusão, era menos do que amor. Na verdade, Harry tinha plena certeza que não amava Ron. Talvez o sentimento fosse um tipo de paixão. Quando "descobrira" o que sentia por Ron, fora, para Harry, algo normal, sem implicações como serem do mesmo sexo ou preconceitos. Ao ver que Ron o corresponderia, Harry jogara-se, literalmente, nesse relacionamento.

Harry, porém, não sabia se queria levar isso mais para frente.

– Ei, Potter! Já deu a hora, vamos embora – chamou Malfoy, sacudindo-o.

Com violência, Harry desvencilhou-se da mão do outro.

– Calma! – exclamou Draco, levantando mão como se tivesse acabado de levar um choque. – Vai me atacar agora, Cicatriz?

Harry pôs-se de pé, olhando em volta da sala de Transfiguração, então a detenção tinha, finalmente, acabado.

– Só não... – Harry deu as costas a Draco, corando ligeiramente. – Não encosta em mim.

Draco ficou olhando-o, curioso. O que para Harry fora uma novidade. Sempre que Malfoy o olhava, era com desprezo. Talvez fosse coisa da sua cabeça. Excesso de detenções o deviam estar deixando louco.

– Não encosto mais, Potter.

Quando Harry voltou a olhar, só viu Draco desaparecendo pela porta da sala. Rapidamente juntou suas coisas e jogou a mochila no ombro. Ainda estava um pouco corado quando entrou na sala comunal vazia, exceto por Ron, que lhe esperava.

– Oi – disse Harry quando o viu.

– Ei! – respondeu Ron, animado. – Está tudo pronto! Eu já preparei a Sala Precisa e...

Ele parou ao ver a expressão cansada de Harry à idéia.

– Nós ainda vamos... não é? – perguntou.

Harry hesitou em responder. Forçou sua voz o máximo que pôde fazê-la ficar entusiasmada e falou:

– Claro! – e sua voz saiu incrivelmente animada, surpreendendo a ele próprio.

Então, Ron pegou a mão de Harry e o puxou em direção à saída de onde Harry acabara de chegar. Juntos, entraram na Sala Precisa. O lugar estava preparado para ser aconchegante, um quarto bom o suficiente para os dois. Harry largou a mochila num canto, vencendo o cansaço físico e mental, e beijou Ron.

Não sentira, em momento nenhum que se beijaram, desejo pelo corpo de Ron e pesou se seria porque estava sem descanso por muito tempo. E, enquanto faziam amor, uma imagem de alguém veio-lhe a mente. Ron sentiu que Harry mudou com ele nessa hora. Harry, porém, não sentiu nada.

E isso o incomodou. Muito.


Outra detenção com McGonagall naquela noite, pensava Harry com felicidade. A professora lhe dera aquela semana de detenção para que ele pudesse "descansar" de Umbridge um pouco. O único porém era que Malfoy as estava cumprindo junto com ele.

Naquele dia, ambos excederam o horário fazendo as cópias dos exames. Perderam a hora e Harry se deu conta somente quando seu estômago roncou de fome. Draco soltou uma risada sem graça e lançou outro daqueles olhares curiosos a Harry.

– Tem um trasgo na barriga, Cicatriz?

– Te interessa, Malfoy? – rebateu Harry.

– Se você for ficar roncando alto assim perto de mim, me interessa.

Harry se levantou sentindo uma raiva estranha por Malfoy se alastrando por seu corpo.

– Então, o problema é seu. Se te incomodar, é só você sair.

Draco apontou o dedo na cara de Harry, intimidador.

– É melhor você medir suas palavras para falar comigo, Potter. Eu faço parte da Brigada Inquisitorial.

– E daí? – Harry deu uma risada exagerada, carregada de deboche.

– Você vai ver... – O sonserino já estava avançando para ele, os punhos fechados.

Quando chegou perto de Harry o bastante, agarrou suas vestes, corando ao fazê-lo. Draco tentou falar, tentando manter um tom de ameaça por trás do inseguro, mas nada saiu de sua boca. Passados alguns silenciosos segundos, Harry soltou a mão de Draco de sua roupa.

– Você não tem coragem de fazer nada comigo, Malfoy. – E se virou, voltando à sua mochila, procurando algo comer.

– Toma – falou Draco, atirando algo que bateu nas costas de Harry e caiu no chão.

Este se virou para ver o que era, e viu um sanduíche natural caído, bem embalado em plástico transparente. Harry lançou um olhar desconfiado a Draco, mas este só sacudiu os ombros, os olhos baixos.

– Pode comer – disse ele, em voz baixa. –, no Salão Comunal da Sonserina vai ter outra coisa para mim.

Mas Harry ainda estava desconfiado.

– Não vou comer isso – sua resposta foi rude; Malfoy levantou seus olhos cinza e o encarou. – Deve estar envenenado.

– Nossa – bufou Draco com impaciência.

Andou até onde o sanduíche estava caído e o apanhou, abrindo-o e tirando um pedaço. Olhou bem dentro dos olhos de Harry, como se o desafiasse, e jogou dentro da boca, mastigando devagar e depois engolindo. Seus lábios curvaram-se em um sorriso muito malicioso.

– Eu sei ser legal, Potter. Não iria gastar veneno com gentinha como você. – Ele deu uma risadinha desdenhosa. – Você não vale tudo isso.

– Droga, Malfoy – sussurrou Harry, arrancando o sanduíche da mão de Draco e se virando para o outro lado.

Terminou de abrir a embalagem plástica com pressa e devorou tudo quase instantaneamente. Como já esperava, era muito pouco para atenuar toda a fome que estava sentindo, mas ajudaria a disfarças, daria para aguentar até chegar à torre da Grifinória.

Draco começou a bater o pé, inquieto, atrás de Harry.

– Não vai agradecer, Potty? – Sua voz arrastada não irritara Harry dessa vez.

– Tá. – respondeu Harry somente.

– Obrigado, Malfoy. – Corrigiu Draco, sorrindo. – Vamos, Potter!

Por mais que quisesse, Harry não conseguia sentir raiva de Draco por estar falando daquele jeito com ele. Bem ao contrario, divertia-se com o riso omitido na voz do outro. Assentiu uma vez e se virou para ele de volta.

– Obrigado – disse Harry, dando um sorriso sincero. – E isso já é muito!

Isso contradizia tudo o que já fizeram um ao outro até agora, mas se deram as costas e riram gostosamente em sussurros. Quando terminaram a pilha de provas dos alunos do terceiro ano; ambos com sorrisos pequenos e rostos corados, novamente Malfoy já estava quase desaparecendo pela porta, quando parou. Virou-se para Harry e acenou.

– Vê se amanhã você se alimenta antes de vir, Potter-tem-um-trasgo-na-barriga – riu ele, fazendo Harry rir também, escondido. – não garanto que vou ser legal sempre – e deu uma piscadela, dando as costas e saindo da sala.

Harry sorriu para si mesmo, fechou a mochila e saiu. Ao chegar no Salão Comunal, como sempre, sem ninguém, exceto por Ron, Harry sentiu vontade só de ir para sua cama e dormir. Mas não podia ignorar o namorado.

– Ei! – Saudou Ron com animação.

– Oi, Ron.

– Então, vamos...?

Droga, pensou Harry. Esquecera-se completamente que haviam combinado de ir a Sala Precisa para namorar. Mas ele perdera a vontade de ir. Queria digerir o que acontecera entre ele e Malfoy hoje.

– Ron, desculpa, mas eu estou muito cansado hoje. – Ficou na ponta do pé e lhe deu um beijo rápido. – Outro dia, ok?

E subiu para o dormitório, deixando o outro lá embaixo, parado em frente à lareira apagada. Arrancou suas roupas com rapidez, ficando apenas com seu samba-canção, e se jogou em sua cama de dossel, com um sorriso escapando por seus lábios finos.

Já estava quase pegando no sono quando ouviu Ron subir os degraus. Harry não se forçou a ficar acordado para falar com ele, por isso virou para o lado aposto ao da cama de Ron. E pegou no sono antes mesmo que percebesse que Ron entrara.


Ron se sentou na beirada de sua cama, olhando Harry adormecido e estirado na cama. Seu coração ardia de paixão por aquele garoto que estava ali. Levantou-se, indo tirar os óculos de seu rosto, porque Harry estava dormindo com eles. Então Ron o fez, colocando-os cuidadosamente sobre sua mesa de cabeceira.

Estava deitando em sua cama quando ouviu Harry soltar um risinho embargado. Ron riu consigo mesmo ao pensar se Harry estava sonhando e com o quê estava sonhando. Mas sua dúvida fora respondida do jeito que ele menos esperava. Harry falou, com tom de inocente diversão na voz:

– Malfoy... valeu... até amanhã... – E Harry soltou outra risada e o silêncio voltou a se instalar no dormitório.

Ron deitou-se, incomodado com o tom que Harry usara ao se referir a Draco. Será que Harry estava sonhando com Malfoy...?

Sem querer, Ron deixou-se sentir a pontada amarga do ciúme arder em seu peito pela primeira vez. Naquela noite, ele não dormiu.


Acabou Unb. Passion!! (: Obrigada a quem leu e espero que esse "fim" tenha agradado :D Maaaas, vêm ae mais fics da série e eu vou voltar a falar de HarryxRon n_n'

Qualquer sugestão, podem enviar (:

A próxima da série vai ser Unbreakable Peace que é Ginny/Luna (mas não é Yuri (; )