N/A: Gostaria de pedir desculpas pela demora em atualizar, estava ocupada com algumas provas finais na faculdade mas correu tudo bem e já voltei ;)

Agradecimentos a Blond Handsome Strange e Mel Itaik pelos comentários :D

Agradecimentos a LadySakuraS2, Lyra Snape Malfoy Black, Lyrica Vasenchin e sak093 por adicionarem a história às suas favoritas :)

Boa leitura!


4. Remember the first dance we shared?

Por quase duas semanas Hermione se sentiu estranha ao descobrir o grande segredo de Remo Lupin. Sentiu o sentimento que estava alimentando por ele fosse enfim retribuído. Passou os últimos dias pesquisando na biblioteca. O livro mais completo que achou foi o Criaturas da Noite e seus Hábitos, explica bem mais ou menos o que isso seria.

Era uma conexão rara e bastante primitiva, geralmente ocorrendo com lobisomens alfa e beta. Era o laço mais importante e respeitado quando a fera estava em alcatéia, fazendo as companheiras e os companheiros se tornarem intocáveis.

Tinha entregue a sua redação a Lupin fazendo a relação entre o conto e o filme. Estava visivelmente nervosa, não sabia como se portar. Ela o viu olhá-la com alguma preocupação. Nas reuniões da Armada as coisas foram ainda piores, o seu patrono fazia questão de se manifestar somente na presença dele, como que se tivesse esperando-o para poder se sentir confortável. A lembrança mais comum que utilizava era a da noite em que o acariciou na sala dos Weasley, depois do chocolate quente.

Gina a estava achando estranha. Sempre com pressa e nunca fazia contato visual com ele. O aniversário dela estava próximo, seria no dia seguinte. Isso tudo a deixava ainda mais nervosa. Seria maior de idade e isso dava um certo frio na barriga.

Saiu da reunião sozinha e rumou a biblioteca, ainda faltavam alguns minutos para o jantar e decidiu pesquisar mais sobre lobisomens.

"Espero que não se incomode", ouviu uma voz conhecida falando enquanto a pessoa afastava a cadeira.

"Você nunca incomoda, Profe-Remo. Você nunca incomoda, Remo", o viu sorrir sinceramente. Não saberia se era certo confrontá-lo.

"Pesquisando sobre lobisomens? Por que disso?", ele expressou um olhar curioso e preocupado para ela.

Se muniu de toda a coragem do mundo e falou, não havia porque esconder. "Eu sei de tudo, Remo", disparou de uma vez só, vendo o rosto dele empalidecer. "Por que não me contou antes?"

Viu Remo ficar sem palavras. Se tivesse como calcular mentalmente, diria que se passaram mais de quinze minutos em silêncio, apenas ouvia-se o som de estudantes mexendo nas estantes altas e dos dedos dele tamborilando a mesa.

"Você é muito jovem, Hermione. Não merece carregar esse fardo", ele falou triste. "Você sabe o que isso implica?"

"Sim. Li bastante a respeito. Eu... Eu estou com você, não se preocupe", ela tocou a mão dele por baixo da mesa. Sentiu o pulso dele acelerar com o contato. Ele a segurou, como que buscando algum tipo de carinho nisso. Era o que a companheira deveria prover. "Vai dar tudo certo, Remo, tenho certeza", ela disse sorrindo amavelmente.

Honestamente, Remo não sabia o que dizer. Ficou bastante surpreso e estava implícito o que Hermione disse sobre estar com ele. Não entendeu muito bem, mas só de ter tirado das costas o fardo dela ser sua companheira já o fazia se sentir mais leve. Alguma coisa mudou ou estava para mudar. Se sentiu mais relaxado ao saber que poderia procurar conforto sem parecer um velho maluco.

"Hermione, apenas gostaria que isso fosse um segredo nosso por enquanto, sem problemas para você?", ele perguntou sério.

"Sem nenhum problema", ela concordou enquanto fechava o livro sobre lobisomens. "Podemos conversar mais sobre isso? Eu não sei bem o que pensar ainda, mas acho que devemos começar a nos conhecer".

Pela primeira vez, não pensaram milhões de vezes antes de falar, apenas falaram. Falaram e ouviram. A cada palavra que diziam tinham medo de enfartar ou desmaiar. Ela ficava cada vez mais vermelha quando ele de aproximava. Não devia ser assim.

"É mais complicado do que imagina, Hermione. Não se trata apenas de conforto, também tem o lobo, ele quer mais que isso. Os livros não explicam tudo. A companheira é o que mais importa na vida dele, na nossa vida. Eu não queria assustá-la, me desculpe", ele disse sentindo a pulsação dela acelerar.

"E-eu estou um pouco assustada, sim. É tudo muito novo. Esta situação, você. Agora eu entendi bem. Eu meio que sempre tive algum sentimento maior que mera amizade por você", ela falou ficando violentamente corada. "Se sou a sua companheira, é isso que eu vou ser daqui pra frente. Não se preocupe. Não sei como faremos a partir de agora mas vamos dar um jeito, eu prometo", ela tocou a mão dele novamente.

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Hermione não soube explicar o que foi mais estranho tocá-lo ou oferecer conforto a ele, assim, sem mas. Geralmente a castanha agia por racionalidade, mas pela primeira vez, deu voz a consciência e ao sentimento dela por ele. Pela primeira vez, sentiu a tal conexão que o livro dizia. Algo mais poderoso que a racionalidade, mais forte que todas as forças da terra juntas. Pela primeira sentiu e foi maravilhoso.

Saíram da biblioteca sorrindo um pouco abobalhados, ela pontuou. Concordaram em começar sendo apenas amigos e que se realmente fosse para acontecer algo entre eles, aconteceria normalmente, sem pressões.

Entrou no Grande Salão para jantar e Ron estava sentado com Lilá Brown. Achava patético ela o chamar de Uón-uón, mas não falou nada, podia pagar pela língua se Remo um dia a chamasse de algo parecido. Ela pousou os olhos na mesa dos professores e observou ele conversar entusiasmadamente com Dumbledore. O diretor olhou para ela e sorriu calorosamente, fazendo-a corar, provavelmente Remo estava contado que havia dito a ela que era a sua companheira. Gina se sentou ao lado dela, notando a estranha felicidade da amiga.

"O que aconteceu? Não se esqueça, sexta-feira vamos para o dormitório da Corvinal com Luna. Consegui alguns sapos de chocolate e feijõezinhos de todos os sabores, fora uma garrafa de cerveja amanteigada que Fred e Jorge mandaram", ela disse animada.

"Falei com Remo hoje", a castanha falou com os lábios próximos ao ouvido da amiga, temendo que alguém escutasse.

Gina bateu os talheres na mesa fazendo-a passar vergonha. "Mione, conte como aconteceu!", a ruiva falou sinalizando para Luna na outra mesa. A loira se levantou com o prato de correu para a mesa das amigas, se sentando ao lado de Hermione.

"Conversamos um pouco, não posso contar ainda, mas é um motivo muito bom. Temos um encontro sábado em Hogsmeade", ela disse fechando os olhos. "Abriu um pequeno café numa rua escondida, marcamos de nos encontrar lá depois de irmos ao Três Vassouras", ela disse sorrindo.

"Você não vai ao Três Vassouras! Comemoramos o seu aniversário aqui amanhã. Mione, você tem um encontro! Precisamos saber o que você vai vestir, o que vai falar, como vai se portar", Gina quando desatava a falar, era pior que um papagaio brasileiro.

"Tão romântico, Hermione, você merece", disse Luna com seu tradicional olhar sonhador.

A refeição chegou ao fim e seguiram cada uma para o seu dormitório. Sentiu os olho de Remo pousarem nela. Olhou uma última vez para a mesa dos professores e ele gesticulou um boa noite. A castanha acenou de volta discretamente.

Dormiu o sono dos inocentes e acordou com Gina e Luna pulando em sua cama com uma caixa branca. Cantaram os parabéns e ela abriu o presente. Era uma camisa negra de algodão com botões brancos na frente. Era bonita e ficaria elegante nela, o presente era de Gina. Luna deu a ela um par de sapatilhas pretas com patinhas pintadas a mão. Segundo as amigas, os presentes faziam parte da Operação Encontro com RJL. Riu quando elas nomearam assim. Foi ao banheiro, tomou banho, escovou os dentes e se vestiu. Desceu para tomar o café da manhã. Harry, Ron e Nevillea aguardavam com um pequeno bolo confeitado e um 17 dourado e vermelho flutuando em cima. Os grifinórios também a parabenizaram, afinal, tinha atingido a maioridade e poderia fazer magia fora da escola.

Quatro corujas chegaram ao Grande Salão. A marrom era a da sua casa, trazia um pequeno embrulho. Era uma edição especial de O Hobbit, assinada por Christopher Tolkien. A branca era Edwiges e trazia um pacote com um livro de contos russo-judaicos. A pequena era Pichitinha, e trazia um embrulho que provavelmente seria da Toca; abriu o embrulho e era um cachecol vinho bordado HJG em uma ponta. A Sra. Weasley era uma ótima mãe. A última coruja parecia ser do correio de Hogsmeade.

A ave era pequena e tinha grandes olhos amarelos, penas acinzentadas e era extremamente carente pelo modo como inclinou a cabeça para Hermione pedindo carinho. O embrulho era pequeno e dourado com um laço vermelho. Ao abrir, viu um exemplar de bolso trouxa de A Bela e a Fera e uma caixinha de chocolates belga, que por sinal, deveriam ter custado uma pequena fortuna. Abriu o livro e na primeira página tinha uma dedicatória.

Para Bela, a encontro em Hogsmeade às onze, no Café Noir.

Fera.

Sorriu quando viu a letra máscula em seu novo livro. Era a letra dele, conhecia da aula. Olhou para a mesa dos professores e seus olhos pousaram nos dele. Ele acenou a ela sorrindo, com uma caneca de chocolate quente entre os dedos. O outono já trazia algum frio e o clima favorecia a bebida. Ela correspondeu o sorriso gesticulando um muito obrigada. Era quinta-feira e o dia seria longo.

Teria aula de poções, DCAT, Transfiguração e Aritimância, isso fora a aula da Armada. Remo estava ensinando escudos de proteção e feitiços protetivos.

O almoço passou rapidamente e logo chegou a hora de se reunirem na Sala Precisa. Todos estavam lá, inclusive um ou outro de outra casa. Como estavam em número ímpar, Gina fez par com Luna e Harry com Ron, Neville com Cho. Hermione se atrasou alguns minutos e ficou sem par.

"Se importa se eu for o seu par?", Remo a olhou com carinho. Ele parecia mais relaxado desde que conversaram.

"Nenhum pouco. Obrigada pelo livro e pelo chocolate. Belga é o meu favorito", ela disse corando.

"O meu também. Fique em posição", ele disse indo para o centro da sala. "Como a srta. Granger ficou sem par, ela vai me ajudar com a demonstração de hoje. Eu vou agitar a varinha e lançar um feitiço qualquer, em contrapartida, ela vai agitar a dela e dizer Protego", ele falou atraindo a atenção de todos. Ele fez o que disse e ela também. Hermione criou um escudo quase que perfeito, segundo ele. "Reproduzam".

Alguns alunos se desentenderam, outros se divertiram. No final, quase todos sairiam de lá sabendo fazer um escudo simples. Neville conseguiu ricochetear o feitiço e o seu nariz ficou vermelho. Ron quase explodiu um lustre e Harry estava mais preocupado com a súbita aproximação de Gina e Dino.

"Já havia treinado escudos antes? O seu ficou muito bom", Remo perguntou sorrindo, se sentando ao lado dela.

"Sim. Sempre treino alguns simples em casa, no verão", ela tinha o hábito de corar quando estava com ele e isso já estava ficando insuportável.

"Eu gosto", ele disse vendo a expressão dela se transformar pela dúvida. "Quando você fica rosada. É engraçado e bonito", ele disse contendo o riso quando ela corou maus ainda.

"Desculpe", ela riu fracamente.

"Não precisa, Aluado também adora".

"Pensei que você fosse o Aluado", ela levantou uma sobrancelha.

"O lobo é o Aluado, mas Sirius e os outros sempre se referiam a mim assim. Ouvi dizer que Ginevra Weasley e Luna Lovegood estão planejando uma festa do pijama. Você vai?", ele perguntou curioso.

"Sim, são minhas amigas", ela disse rindo vendo as duas darem pulinhos ao ver que o escudo tinha dado certo. "Aonde fica o Café Noir?"

"Ah, abriu a poucos dias. É bem bonito e simples. É protegido pelo feitiço Fidelius para garantir conforto e segurança. Funciona na antiga pousada da vila", ele disse olhando para frente. "Bom, já está um pouco tarde. Acho melhor irem senão vão se meter em encrenca. Boa noite, Hermione", ele disse tocando na mão dela.

"Boa noite, Remo", ela respondeu sorrindo.

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Acorda, paspalhão, hoje é o nosso encontro com a Sabe-Tudo! Ela não pode me ver, mas esteja apresentável para a nossa companheira! O lobo gritava logo cedo, estava ansioso. Remo acordou com a cabeça latejando, tinha tomado um pouco de "coragem líquida" para poder dormir devido a ansiedade e nervosismo. Já passavam das nove, tinha perdido o café da manhã no salão. Chamou Winky e pediu que ela trouxesse algo enquanto ele tomava banho. O vapor fez o banheiro todo ficar quente e embaçou o espelho. Resolveu que iria fazer uma coisa diferente.

Se vestiu simples, com uma calça de tecido grosso, uma camisa cinza e um cardigã também cinza. Calçou os sapatos gastos e vestiu um sobretudo preto. Há anos não se olhava no espelho sem barba, achava estranho. E isso acabou rejuvenescendo-o um pouco.

Minerva já estava recolhendo as autorizações, dessa vez Harry iria. Bateu os olhos em Hermione. Ela vestia uma camisa de botões preta e de tecido grosso, um jeans justo e sapatilhas pretas com desenhos. Ostentava um cachecol vinho com as iniciais dela bordadas na ponta. Os cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo. Conversava com Gina e Luna.

"Vamos, Professor Lupin?", a velha mulher dizia sorrindo amavelmente.

"Com certeza, Professora McGonagall", ele retribuiu a gentileza oferecendo o braço a senhora. Ficariam no povoado até às seis da tarde.

Poderiam passear pela Dedosdemel, pela Zonko's, visitar uma livraria de usados. Havia uma lojinha de penas, uma de roupas. Sentaram na carruagem e se deixaram ser guiados até lá. Levaram uma hora para chegar. Logo seriam onze horas e ela já sabia onde chegar.

Ajudou Minerva a descer e a deixou na porta do Três Vassouras. Passou pela livraria e viu alguns títulos trouxas sobre lobisomens, riu deles. O que aqueles livros mostravam era uma meia verdade sobre as feras e ele sabia. Não tinha nenhum aluno ali naquele momento além dela. Ô, imbecil, vai falar com a nossa garota! Agora! Ouviu o que o lobo queria e caminhou lentamente até ela. A viu folhear um livro sobre contos de fada, na página que falava sobre a Bela e a Fera.

"Bela?", ele disse com um tom de graça na voz.

"Fera...", ela disse levantando o rosto.

"Sei que marcamos às onze mas a vi aqui e achei que poderíamos iniciar o nosso encontro mais cedo", ele disse vendo-a elevando a sobrancelha. "Só se concordar, claro".

"Concordo", ela falou sorrindo com o canto dos lábios. "O que quer fazer?", Hermione estava tão nervosa que mordia levemente o lábio inferior, ele notou.

"Podemos ler juntos, temos trinta minutos ainda", ele disse se sentando em um banco com ela ao lado.

Passaram os trinta minutos lendo em uma silêncio confortável. Ele escolheu As Aventuras de Tom Bombadil e ela Roverandom, ambos de Tolkien. Olhou no relógio e viu que já estavam quase atrasados.

"Vamos?", ele disse oferecendo a mão a ela, que desajeitadamente aceitou. "Você quer o livro?"

"Eu... Eu...", ela gaguejou.

Ele tomou gentilmente o livro das mãos dela, se dirigindo a vendedora. "Vou levar os dois", ele falou tirando alguns galeões do bolso.

A velha sorriu quase desdentada e entregou um pacote a ele. "A sua companheira é uma moça encantadora, meu caro", ela disse fazendo os dois corarem violentamente.

"Como...? Como sabe dela?", ambos pareceram confusos comas palavras da mulher.

"Quarenta anos sendo a companheira de um lobisomem me deixaram mais sensível a esse tipo de laço", ela falou apenas. Remo apenas acenou com a cabeça e saíram.

Andaram até uma das ruas adjacentes e viu um rapaz de terno azul. O chamou e ele se aproximou. Parecia ter vinte anos.

"Olá, fiz uma reserva em nome de RJL para às onze, minha mesa está pronta?", Remo disse decidido.

"Venha comigo, senhor", em alguns segundos se materializou uma porta de aparência antiga e clássica. O jovem abriu-a e fez para que entrassem. Haviam alguns casais sentados em mesas redondas no térreo. "Me acompanhem, a mesa de vocês fica lá em cima", o rapaz os guiou escada acima e viram algumas portas de madeira entalhadas com desenhos. "Esta é a sua, senhor. Espero que gostem do Café Noir", ele disse sendo falsamente amigável.

"Agradeço, meu jovem", Remo se limitou a dizer.

Era muito mais do que ele tinha esperado. A sala estava protegida com feitiços para que não ficasse na vista dos alunos e era ampla. Tinha um sofá com mesa de centro e uma pequena mesa com duas cadeiras. Uma estante de livros antigos e uma vitrola. Viu quando ela andou em direção a estante, pegando um livro de capa verde nas mãos. Reconheceu como se tratando da história que inspirou Bram Stoker a escrever Drácula.

"Gosta de criaturas da noite?", ele perguntou curioso a vendo corar. Meu amigo, ela é linda demais quando fica vermelha! Seu idiota, chame-a para dançar! Se afastou um pouco e foi colocar alguma música no ambiente.

Tirou do bolso uma fita cassete escrito "A Bela e a Fera - Primeiro Encontro", era uma fita que ele tinha gravado para ela num dos poucos dias em que foi permitido ir a Londres visitar Shaklebolt. Comprou um walkman antigo em uma loja de usados e fones de ouvido pequenos, encantando-os para que funcionassem dentro da escola e em Hogsmeade. Mexeu no aparelho e colocou a fita para tocar. Colocou um lado do fone no seu ouvido e o outro estendeu a ela.

"Bela, me daria a honra desta dança?", ele disse chamando-a com a mão.

"Sim, Fera", ela respondeu sorrindo timidamente para ele. A primeira música que tocou foi Black, do Pearl Jam, uma balada mais melancólica. Ela estava meio travada, os movimentos eram péssimos mas nem assim ele reclamou. Aluado estava rosnando baixo com o contato, não era suficiente mas estava se contentando aos poucos com o cheiro do cabelo dela.

Não resistindo ao impulso, ele passou o braço protetoramente ao redor da cintura da castanha, como se temesse se separar dela. Estava completamente inebriado pelo cheiro dela, de morangos e cerejas. Sentiu o rosto dela esquentar com esse gesto. Mais algumas músicas tocaram e enfim se separaram. O que você pensa que está fazendo, paspalhão? Eu quero mais! Não deu ouvidos a Aluado, puxou uma cadeira para que ela se sentasse. Assim que se sentou com ela, conjurou a refeição que havia escolhido. Um bule de chá, duas xícaras e uma cesta de pãezinhos com geleia apareceram na frente deles.

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"Então, como foi a festa do pijama no dormitório da Corvinal?", ele perguntou servindo as xícaras. Controle-se, Hermione, ele vai notar que está mais nervosa que um balaço.

"Foi... Bom, muito bom. Gina e Luna são malucas", a castanha falou ficando vermelha. Ele a olhava diferente, como se sorrisse também com os olhos. "Eu posso fazer uma pergunta referente à minha condição de companheira?"

Pensou que ele fosse simplesmente dizer mão, surtar, mas não, as linhas do rosto continuaram iguais. "Prossiga".

"O que o lobo espera de mim?", ela perguntou receosa. "Diga a verdade, por favor".

Viu ele engolir a seco, um gesto de nervosismo. Tomou um gole de chá e repousou a xícara de volta na mesa, como que tentando buscar palavras. "Ele quer você. Ele é apaixonado por você", ele disse suspirando. "Eu queria que tudo fosse mais fácil".

"E você, o que quer?", ela perguntou corando violentamente. Sabia que ele gostava disso e se amaldiçoou mentalmente.

"Eu partilho dos mesmos sentimentos dele", ele disse relaxando as costas na cadeira.

Nunca imaginou que isso estivesse acontecendo. Era tudo um sonho ou estava mesmo ouvindo que Remo João Lupin tinha sentimentos por ela, sendo que estes não eram apenas do lobo dentro dele? A castanha tossiu um pouco do chá mas se recompôs logo.

"Eu também tenho sentimentos por você", ela disse fechando os olhos, como se com eles abertos não tivesse coragem para falar. "E adoraria que me trouxesse em mais encontros", essa com certeza foi a deixa dela para dizer que aceitava a condição de companheira, do modo mais clássico que havia. Ela seria dele e ele seria dela.

"Eu sei que não tenho o direito de perguntar, mas você abdicaria de todos por mim? Esse tipo promessa vinda de uma companheira é o laço mais forte que há, nos manterá unidos de fato para sempre", ele falou sério. Hermione se viu em um caminho sem volta, se prometesse, viveria até o fim dos dias com ele e por ele, tinha lido sobre isso.

"Eu prometo", ela disse pausadamente. Não era um impulso, se ela um dia seria dele, o agora parecia bem mais atrativo.

Ela se levantou da cadeira e se distanciou um pouco dele, sentou-se no chão perto da lareira e encostou as costas no sofá, chamando-o com os dedos para que viesse para junto. Ela abriu as pernas para acolhê-lo e ele sentou-se com ela, repousando a cabeça no ombro dela, com os cabelos cor de areia roçando na bochecha da castanha. Era para sempre agora, ela tinha aceitado a condição e se manteria fiel à promessa.


N/A: Aqui acabei fazendo uma coisa que não estava nos meus planos: juntei os dois logo rsrsrs mas é por uma causa bem bacana: a Hermione vai começar a aprender o que significa ser uma companheira nos próximos capítulos e vai descobrir que o negócio não é tão simples assim, como ela pensava muahahaha