Passando pra deixar mais um capítulo e Sim, eu sei que era pra ter ATUALIZADO ONTÉM, mas a louca aqui esqueceu e ficou jogando MU o dia todo, perdida em "outra dimensão". Peço mil perdões e espero que gostem do capítulo.
Ps: Muitíssimo obrigada pelas Reviews. Elas levam qualquer ficwriter ao paraíso!
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Chapter 04 - And there's no turning back, when your heart is under attack...
"Tomou coragem o bastante para se levantar, ir até a frente do espelho de seu quarto. Observou seu pescoço. Não, não haviam marcas alí. Sentiu-se aliviado ao mesmo tempo que decepcionado. Droga... Estava com um... "pequeno" problema e, por Deus, se Minato o pegasse num estado desses, seria uma tarefa árdua demais montar uma explicação convincente. Suspirou e foi em direção ao banheiro. Estava perturbado com certas coisas. Precisava de um banho frio para acalmar seus ânimos e colocar a cabeça no lugar."
— Naruto!
Um grito veio de dentro de seu quarto. A porta de seu banheiro estava apenas cerrada, então, a única coisa que pôde fazer, foi voltar às costas a ela. Em menos de três segundos, ele entrou.
— Bom dia! Não vai descer pro café da manhã?
Sentiu sua face esquentar na medida em que — sabia — ele se aproximava do box.
— Sim, eu vou... Só preciso terminar aqui.
— Quer que eu esfregue suas costas?
Por um segundo, sentiu-se tão ameaçado que seu coração falhou uma batida. Precisou responder o mais rápido possível:
— N-não! Não precisa...
Olhou por sobre o ombro e sorriu amarelo. Minato, percebendo automaticamente algo estranho, resolveu por sair de cena, indo realmente resolver seus assuntos no andar de baixo.
Por um momento, Naruto sentiu-se ameaçado. Seria praticamente impossível se explicar para Minato sem entrar em detalhes do... "sonho" que, infelizmente, havia tido. Sim, infelizmente. Caso precisasse dissimular algo, sabia que não conseguiria. Era fraco demais ante os orbes azuis para esconder a verdade, e então, estaria realmente encrencado. O que, por Deus, ele pensaria se ousasse saber que fora alvo de um dos milhares de sonhos impuros de seu próprio filho?
— Droga...
Reclamou. Precisava sair dalí depressa e achar um jeito de se redimir consigo mesmo por tantos pensamentos pecaminosos que estavam deixando sua pobre alma pesada o bastante para o "lado bom" desaparecer por completo.
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"— Otou-san..."
Minato deixou-se sorrir. Estava sozinho na cozinha imensa, lembrando de certas coisas que haviam alegrado seu dia ainda no início do mesmo. Naruto... Por que diabos estava agindo daquela maneira? Será que... Estava sonhando com seu pobre ser? Bom, não sabia. Não sabia e daria o mundo para descobrir.
Alcançou a bandeja de café da manhã que, por ventura, pensou levar ao quarto do filho e começou a organizá-la. Seus cabelos molhados estavam caindo ante seus olhos e, por Deus, se estivesse sendo alvo dos sonhos de Naruto, queria por todos os mundos, deuses e possibilidades que fosse visto por ele justo agora...
Em menos de um minuto, juntou todas as coisas, organizou a bandeja e começou a subir as escadas. Pôde ouvir o barulho do chuveiro cessar instantaneamente. Seu coração, seu pobre coração, disparou mais que nunca... Agora, em cena, ele, a porta e a bandeja segurada pela mão que, como a que segurava a maçaneta, tremia dissimuladamente.
Abriu e entrou. Era só mais um dia normal afinal de contas. Não podia se deixar afetar por sua mente, dar tanta importância aos pensamentos à ponto de deixar que eles agissem sobre sua realidade. Se bem que seu conceito de realidade não era muito bem definido... mas... enfim: isso era assunto para outra hora.
A bandeja foi colocada sobre a cama e finalmente pôde se assentar ao lado da mesma, respirar fundo e ter ao menos cinco segundos antes que Naruto saísse pela porta branca, apenas uma regata escura — que não reparou muito — e uma boxer branca que contrastava com sua pele, com uma etiqueta na perna esquerda detalhada em dourado.
— Otou-san? O que...
— E-eu te trouxe o café! Hoje é sábado e sei que gosta de estudar pela manhã. Poupar tempo seu, sabe...
Sorrindo, tentando de todos os modos disfarçar a gafe de ser pego observando as pernas do filho. Não as pernas.. Por Deus! Aquela etiqueta era chamativa demais, e difícil demais de se ler!
— Obrigado! Toma café comigo?
— Hai...
Naruto se assentou, e o doce aroma do sabonete de mel que costumava usar se espalhou pelo ambiente. Minato estava sentindo-se corar pouco a pouco. Naruto estava olhando vez ou outra enquanto comia, reparando, podia sentir! E... bom, com o cabelo completamente diferente do usual, sabia que ficava bem mais bonito. Agora só lhe restava hipnotiza-lo o bastante para saber se havia sido protagonista de seus sonhos na última noite...
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Olhava o celular em suas mãos. Sabia que ele estava estudando em seu quarto numa hora dessas, e seria tão simples descer a rua e ir até a casa dele! Mas... o único problema — além de centenas de outros, claro — é que lhe faltava coragem. Lhe faltava coragem porque queria repetir a dose e não sabia se, pelo comportamento no dia do acontecido, Naruto ia ao menos querer olhar na sua cara... Bom, precisava tentar, não é mesmo? Quem não arrisca...
Desceu de sua cama e calçou os tênis. Nem se preocupou em ajeitar os cabelos molhados. Não tinha tempo para isso agora, sua coragem iria embora antes de secá-los. Pegou os fones e saiu de casa em pouquíssimo tempo. Até mesmo Itachi, quem estava na sala, ficou intrigado com tanta astúcia. Ele nem mesmo se despedira! E olha que estavam sozinhos alí! Seu Sasuke não sairia antes de deixar um beijo bem dado em seus lábios, ou talvez nem mesmo saísse...
— Eu vou descobrir o que está acontecendo, Sasuke, ah, eu vou.
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Toda aquela conversa estava, de repente, muito estranha. Os olhos azuis investigavam os seus, e sabia, podia sentir, que estava falando demais, mas mesmo assim, não podia evitar. Era Minato, seu pai, aquele em quem confiava totalmente, aquele que, infelizmente, agora sabia detalhes demais, mesmo que alguns falsos, de seu sonho da última noite.
Olhou de esguelha para o relógio. Droga... Ultimamente sentia-se com o coração disparado toda maldita hora! Sabia, era uma confusão imensa de sentimentos, mas não tinha como sair dela, não, não mesmo. Mal tinha forças para suportá-la sem ruir e sair falando centenas de coisas indevidas!
— Otou-san... Pare de me interrogar!
A faca que estava em sua mão, parou subitamente sobre a bancada. As maças que cortava para a salada, pobres frutas, estavam apavoradas demais.
— Eu não estou te interrogando, Naruto! Eu só quero saber com o que realmente sonhou!
Minato estava com um sorriso na cara, querendo ver até que ponto podia chegar com Naruto. Estavam preparando o almoço. Kushina chegaria para ele, ou ao menos esperavam que ela chegasse.
— Mas otou-san, você quer saber demais!
— Não é que eu quero saber demais, Naruto! É um assunto interessante e eu tenho o direito de ficar curioso... Mas tudo bem... Você não quer contar mais, então tá certo... Não precisa.
Ah, como Naruto odiava esse tipo de situação... Ver o sorriso triste no rosto de Minato... Era doloroso demais.
— Otou-san.. Eu já te contei demais!
Se aproximou e tocou o ombro do mais velho. Era interessante sentir-se quase da mesma altura que ele. A pele tão macia, tão sedosa... Recostou-se alí. Seu rosto em contato com o tecido da camisa, sabia que estava perto demais da nuca dele, podia sentir o cheiro doce do shampoo se desprendendo dos fios loiros, podia ver e quase sentir a pele dele se arrepiando aos pouquinhos por causa de sua respiração em contato com a mesma.
— Sonhou com ele. Está mentindo porque sonhou com ele.
Minato disse baixinho, mas ainda assim para que Naruto escutasse. Queria mais informações, mas sabia, estava avançando o limite do filho.
— Não, Minato! Não foi com ele. Droga!
Ouviu a voz do filho engrossar, ouviu o próprio nome de um modo que nunca antes tinha ouvido sair dos lábios dele; o sentiu se afastar de modo brusco e por fim, o viu subir as escadas. Droga... Mas tudo bem, mais tarde ele voltaria, e logo saberia, ele contaria de uma forma ou de outra. Talvez dormissem juntos outra vez e tivesse a chance de arrancar dele enquanto semiadormecido.
Em seu quarto, o garoto pensava nas tantas mudanças que haviam atingido seu caminho nesses curtos dois dias... Pensava também no modo que estava se sentindo, e sabia que estava trilhando pouco a pouco, um caminho perigoso demais. Sabia, ele o estava indagando em busca da verdade, queria ouvir que sim, havia sonhado justo com ele. Talvez isso fosse combustível o bastante para mandar o ego do mesmo para marte, e não, não daria esse gostinho, não agora.
— Droga! — um golpe na parede. A dor física, mesmo que intensa, era centenas de vezes mais suportável do que a maldita confusão que passava em sua cabeça. Estava pecando, estava errado. Nada podia fazer — Otou-san... Por que?
Questionou-se, deixando o corpo cair na grande cama onde haviam passado a última noite regados de doces, filmes e outras coisas... O calor tão bom, mesmo depois de tanto tempo, ainda permanecia ali. Estava se sentindo do mesmo modo que antes, do mesmo modo que se sentira quando entendeu o que estava passando entre si e Sasuke...
— Deus, dai-me forças, porque eu não posso me deixar alcançar esse ponto...
Em sua mente, apenas uma justificativa: "É uma fase difícil pra mim, porque eu sou apenas um adolescente e estou confuso... É só uma fase..."
Uma sentença: "Preciso parar."
Uma certeza: "Não tem mais volta."
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Continua...
