Capítulo III

Bella voltou a si e logo viu que fora deitada sobre os lençóis úmidos.

O que teria acontecido com ela? Será que fora um desmaio? Claro, mas claro que tinha sido um desmaio! Quem não desmaiaria diante da hipótese e do pressentimento de estar diante de um homem que era um viajante do tempo? Qualquer um. Desmaiar era o mínimo que poderia ter acontecido com ela. O susto tinha sido tão grande que a essas alturas dos acontecimentos poderia estar morta. Ou será que estava morta e ainda não percebera?

Não, não havia morrido. Ela estava certa disso após ter dado uma olhada pelo ambiente.

— Só se o meu quarto e o deus grego me acompanharam até o além.

Ela fechou os olhos. Aquilo tudo não podia estar acontecendo. Era um sonho. Logo acordaria e riria muito daquilo tudo. Quando contasse a sra. Weber que tinha sonhado com um homem que viera diretamente de 1813 para o seu quarto, as duas dariam boas risadas. O difícil seria explicar à amiga o quanto o homem era lindo. Mas já que era tudo fantasia, tinha o direito de sonhar com o que bem entendesse. Ou não?

Bella resolveu ficar em silêncio e manter os olhos fechados. Quando os abrisse estaria de novo na cama, a tempestade teria terminado. Então, ela se levantaria e iria pegar os pedaços de madeira para a sra. Weber.

— Edward, você ainda está aí?

— Continue deitada, mulher, e calada. Ou vai desmaiar de novo.

— Repita — ela pediu.

— Continue deitada, mulher, e calada. Ou vai desmaiar de novo.

— E não é que ele repetiu? — Bella balançou a cabeça de um lado para o outro. — Continue deitada, mulher. E isso lá é maneira de se falar?

Ela abriu os olhos e o inglês vindo dos mares continuava lá: sentado na cama, fitando-a com aqueles dois imensos olhos azuis.

— Edward?

— Pois não, senhora.

—Você existe mesmo?

— A senhora não está bem. Descanse — ele recomendou com paciência.

— Pensei que estivesse tendo um pesadelo.

— Se teve um pesadelo, senhora, eu não sei. Mas tenho certeza que desmaiou.

— Não podia mesmo ser um sonho, um pesadelo. Tinha que ser verdade, Bella Swan. E você ainda ousou duvidar?

— Sobre o que está falando, mulher?

— Achei que estivesse tendo um sonho e quando acordasse, você estaria bem longe daqui. Mas ia ser felicidade demais para uma pessoa só, não acha?

Edward nada respondeu. Apenas ficou olhando atento para ela.

— Me desculpe por esse desmaio fora de hora. Não sou dada a esse tipo de coisa. É a primeira vez que desmaiei em toda a minha vida. A primeira e última.

Vendo que estava falando demais, comportamento que ele ob viamente não gostava, Bella calou-se. Mas tinha deixado de dizer algo importante. Só não se lembrava o quê. Após alguns instantes em silêncio, ela lembrou-se:

— Edward? — Bella deliberadamente evitava-lhe o olhar. — Quer dizer: sr. Cullen, tenho algo muito importante para lhe dizer. É algo que não sei se vai gostar muito de ouvir. Estive pensando que talvez o senhor...

— Não precisa se preocupar, senhora. Eu já sei.

— Sabe? — ela perguntou espantada.

— Sei.

— Mas sabe o quê?

—Sei que não estamos em 1813 — Edward respondeu passando a mão pelos longos cabelos várias vezes.

Bella olhava fascinada para aqueles gestos. Ele tinha dedos longos, fortes. Um corpo que mais parecia ter sido esculpido por algum artista. Uns lábios e um rosto...

"Bella Swan! Pare com isso! O que é que você está pensando? Será que perdeu o juízo? Ele ainda está molhado e cheio de areia. Ele pode ter vindo do passado. E você... você... Levante-se! Le vante-se e saia deste quarto antes que algo de mal lhe aconteça!", ela pensava mas continuava deitada sem se mexer.

— Como é que sabe disso? — Bella quis saber feliz por ter colocado um vestido sobre o biquini antes de entrar naquele quarto.

Não podia imaginar o que aconteceria se ele a visse quase nua andando pela casa. Na certa iria pensar que era uma prostituta do século dezenove.

"Bem, pelo que sei, as prostitutas do século dezenove não usavam biquini, mas que esse homem ia ficar bastante entusias mado, isso ia... Poderia até me atacar! E se ele fizesse isso? O que aconteceria. É claro que não tem o menor interesse romântico em mim. E nem poderia. Tenho trinta e dois anos. Para os homens da minha época, até que sou jovem. Mas para quem vem de uma época em que as mulheres com vinte e um anos eram consideradas velhas demais para se casarem, devo parecer uma anciã. E ele deve ter uns trinta e cinco... Bem, isso se fosse da minha época. Na verdade deve ter mais de duzentos anos... Foi bom, muito bom eu ter pensado nisso! Se um dia disser que não se interessa por mim porque sou muito velha, ele vai ver só!"

Bella se assustou com aqueles pensamentos.

"Bella Swan! Pare de pensar besteira! Você desmaiou ou perdeu totalmente a noção da realidade?"

— Edward, você não respondeu à minha pergunta.

Ele estava sentado na cama com o controle-remoto nas mãos.

— Mas vou responder: é tudo muito óbvio, não acha? Essa casa é muito diferente de todas as que conheci, aquela caixa com um marinheiro dentro... Nunca imaginei que isso pudesse existir. Os americanos podem ser criativos, mas não estamos assim tão longe de vocês. Mas para falar a mais pura verdade, eu usei isso aqui. — Ele mostrou-lhe o controle-remoto.

— Você ligou de novo a televisão enquanto eu estava desmaiada? Meu Deus... Pobrezinho, deve estar muito chocado. — Mais uma vez Bella disparou a falar e estava morrendo de medo de desmaiar de novo. Mas até que aquela não seria uma má ideia: se desmaiasse, adiaria o confronto com aquilo tudo.

— Eu liguei isso, sim... Apertei esse botão aqui e depois alguns outros. O marinheiro desapareceu, mas um homem dentro da caixa me disse.

— E o que foi que ele disse?

— Que estamos em 1994 e não em 1813.

Bella, percebendo que estava longe de desmaiar, queria algo que a ajudasse a enfrentar aquela situação: uma bebida, talvez.

— Então você sabe mesmo.

— Sei. E fiquei sabendo de outras coisa que não tenham a menor noção do que sejam.

— É mesmo?

— A senhora usa expressões de linguagem muito interessantes — Ele sorriu com tristeza e continuou: — Para ser preciso, sei que hoje é 4 de agosto de 1994. Sei também que a temperatura do aeroporto de Atlantic City é de vinte e oito graus. Mas não entendi por que ele disse aeroporto. Se ele tivesse dito porto, água-porto, hidroporto, ou coisa semelhante, teria entendido. No entanto, tenho certeza que o homem disse aeroporto. Aí, fiquei pensando no assunto. E cheguei a conclusão que os americanos devem ter inventado algum balão que o homem controla. Só pode ser isso. O homem também falou sobre a direção do vento e disse que são três horas da tarde. Estava me esquecendo: ele também disse que tem um restaurante chamado Jocelyn onde podemos comer de tudo por preços bem baratos.

Bella estava sentindo muita pena de Edward. Que situação mais difícil ele vivia. Também não era para menos: sair do início do século dezenove e vir parar direto no final do século vinte!

— Estou preocupada com você. — Bella sabia se algo seme lhante acontecesse a ela, não ficaria tão calma. No mínimo sairia correndo pedindo socorro para a mãe, para o pai e para todos os santos. — Tem certeza que vai ficar bem?

— Ficarei bem, sra. Swan. Muito bem. Pelo menos penso que sim. — Ele colocou a mão sobre a dela. — Mas agora, ainda gostaria muito que me conseguisse a tina que lhe pedi. Não tomo banho há muito tempo: desde 1813. E isso é muito tempo. É estranho dizer isso, mas acontece que sinto até um certo orgulho.

— De quê? De não tomar banho a quase dois séculos?

— Não. Orgulho-me de estar vivo, quando poderia estar morto. Orgulho-me de estar vivo em pleno 1994. Isso é uma grande aventura! Assombroso! Simplesmente assombroso!

Bella olhava espantada para Edward. Pelo jeito ele estava gostando de tudo o que lhe acontecia. Não, ele só podia estar fingindo. Fingindo até para ele próprio. Se não fizesse isso, como conseguiria continuar vivendo?

— Pegue aquela sacola que eu lhe joguei e siga-me. — Apesar de estar na frente de apenas um homem, ao se levantar da cama Bella tinha a sensação de se encontrar diante de um batalhão. — Se gostou tanto da televisão, nem imagina como vai adorar o meu chuveiro!

Bella ligou o chuveiro, acertou a temperatura e, depois de retirar as etiquetas das roupas que havia comprado para Edward, ficou esperando do lado de fora da porta. Como ele estava demorando muito, Bella também resolveu tomar um banho no outro banheiro. Apesar de ter demorado bastante sob a água, quando voltou no quarto Edward ainda não tinha saído do banho.

— Pelo jeito ele gostou — ela disse sorrindo. — Infelizmente não tinha nem tina nem criado para oferecer ao meu hóspede, mas o chuveiro que ele está usando é fantástico.

Bella esperou mais alguns minutos. Nada. Edward continuava com o banheiro trancado.

— Ainda bem que expliquei tudo direitinho ao meu hóspede. Afinal, tenho que ser uma excelente anfitriã para quem veio me visitar diretamente do início do século dezenove.

Bella havia lhe mostrado como desligava o chuveiro, entregara-lhe uma toalha e uma escova de dente.

— Felizmente tenho um bom estoque de escovas de dente. Todos os meus amigos que vem de Nova York para me visitar não trazem escova de dente.

Edward pôs a cabeça para fora da porta e disse:

— O chuveiro é assombroso, sra. Swan. Num instante a água está lá, molhada, quente. No outro, depois de desligado, ela se vai.

— Só faltava a água ser seca... Ainda não foi inventada uma água que não molhe — Bella disse achando muito graça nas palavras dele.

— Sra. Swan, acho que será impossível usar as roupas que a senhora me comprou.

— Por quê?

Bastante constrangido, Edward saiu do banheiro e ficou diante de Bella.

A camiseta sem manga estava perfeita naquele tórax bronzeado e o short, deixava-lhe as pernas longas, musculosas, de um dou rado invejável. Completando aquele quadro, o cabelo que lhe ultrapassava os ombros tinha sido penteados para trás. Edward Cullen era inegavelmente um homem estonteante.

Bella, ainda abalada por aquela presença marcante, balançou a cabeça e disse:

— Pare de pensar besteira! Pare antes que seja tarde.

— O que foi que a senhora disse?

— Nada. Apenas não entendi o que há de errado com a roupa.

— Não seja estúpida, sra. Swan.

— Não me chame de estúpida. Aqui nessa parte do tempo em que vivemos agora, não é muito educado chamar uma pessoa de estúpida — ela o avisou. — Mas o que há de errado com essa roupa?

— Bem, sra. Swan, desculpe-me se a ofendi. Mas voltando às roupas: vi naquela caixa ali que a senhora chama de televisão que o homem se vestia de uma outra maneira. Ele usava camisa, uma espécie de jaqueta e tinha algo no pescoço. Não era exatamente igual ao que estou acostumado usar nos clubes do meu país, mas também não era em nada semelhante a essas roupas.

— Não acredito... meu hóspede está querendo usar terno e gravata na praia...

— Além disso sra. Swan, não estou entendendo o que está escrito aqui — ele mostrou a parte de frente da camiseta.

— Você não sabe ler?

— Mas é claro que sei, senhora. Mas não entendi o significado das palavras: Em Ocean City é melhor.

— Mas isso é só uma frase. Hoje em dia as pessoas escrevem frases nas roupas.

— É mesmo?

— É, é sim — ela respondeu com uma certa impaciência na voz.

— Mesmo assim não entendi o significado da frase. O que é melhor em Ocean City? E o que é Ocean City?

— Bem, vamos ver se eu consigo lhe explicar esses pequenos detalhes... Ocean City é o nome da cidade que estamos.

— Interessante...

— Agora você quer saber o significado da frase, não é?

— Quero.

— Ele não desiste. Ele não desiste! — Bella disse baixinho. — Edward, a pessoa que escreveu esta frase aí nesta camiseta apenas estava querendo dizer que é muito bom estar em Ocean City.

— Então por que ele não escreveu exatamente isso?

— Essa é uma boa pergunta. Se eu conhecesse o autor da frase iria lhe sugerir que o procurasse e lhe fizesse essa pergunta. Mas como não conheço...

— As pessoas do século vinte são muito estranhas.

— Obrigada pelo elogio, Edward. Afinal sou a única pessoa do século vinte que conhece. Queria ver você andando pelas ruas de Nova York. Mas esqueça a frase. Posso lhe assegurar que a roupa que está vestindo é muito apropriada para ser usada na praia. Todo mundo usa camisetas semelhantes a essa. Relaxe, e tente ser feliz.

— Continue, sra. Swan. Continue... Divirta-se às minhas custas, mas nada do que diga irá me convencer que é normal andar com uma roupa dessas.

— Ele vai continuar... — Bella já não sabia o que dizer ao seu estranho visitante.

— E não me olhe com tanta empáfia, senhora. Acontece que não quero chamar atenção sobre a minha pessoa, não quero revelar o meu drama para mais ninguém. Preciso de tempo para pensar na situação em que me encontro. De maneira alguma quero me tornar uma atração de excentricidade. É por isso que quero or denar-lhe que volte ao local que adquiriu essas roupas e compre algo mais adequado.

— Edward, com toda a certeza você viu na televisão um homem usando terno — ela disse com paciência. — Se insistir em usar um terno na praia, aí, sim, vai chamar a atenção de todos. Ninguém usa terno na praia, acredite em mim. E tem uma coisa: não quero receber ordens de ninguém. Portanto, pare de falar comigo da maneira como tem feito. Não gosto disso!

Ele a fitou com um certo desdém.

— E para terminar: Ocean City é um local onde as pessoas vem passar as férias. E férias hoje em dia significa alguns dias sem compromissos, sem a necessidade de usar terno e gravata.

— E difícil acreditar.

— Pois acredite. Vamos fazer uma coisa? Enquanto eu preparo algo para comermos, gostaria que desse uma olhada na praia aí na frente. Veja como as pessoas se vestem.

Enquanto Edward conhecia a praia, Bella que não era uma boa cozinheira, preparou dois lanches rápidos pegou dois copos de suco e, depois de colocar tudo em uma bandeja, foi encontrá-lo no terraço.

— Está gostando? — ela perguntou colocando a bandeja sobre uma mesa.

— Não acredito no que vejo — Edward respondeu, de costas para Bella.

Ela olhou para aqueles ombros largos e quis saber:

— Você não acredita em quê?

— Em tudo isso que tenho diante de mim. É gente demais. Quando estava a bordo do Pegasus só vi areia, uma floresta de pinheiros e pássaros. Agora isso aqui parece que foi invadido. Pergunto-me agora se estarei no paraíso ou no inferno.

— Inferno? — Inconformada com aquele comentário, Bella olhou para a esquerda e depois para a direita. — Não concordo com você. Aqui é um dos lugares mais famosos de Ocean City. Férias aqui fica uma verdadeira fortuna. Se duvida posso lhe mostrar o recibo que o proprietário da casa me forneceu. Mas por que você acha que aqui é o inferno?

Ele virou e a fitou com um sorriso malicioso.

— Bem, não diria que esse local é exatamente o inferno, mas me surpreende que as pessoas vivam dessa maneira tão primitiva.

— Primitiva? Ocean City?

— Primitivas, sim. O mundo precisa de progresso. E o que eu vejo aqui? Nada. É certo que conheci chuveiro elétrico, televisão... Mas olhe para essa pessoas. Elas fazem a maior confusão. Gostaria de saber sra. Swan, se hoje todos na América andam assim quase nus.

— Você está se queixando Edward? Gostaria que essa sua viagenzinha toda particular através do tempo o tivesse levado para o século dezessete?

— Não sei...

— Essa sua aparência de modelo vai levá-lo a ser endeusado por essas mulheres quase despidas que vai encontrar na praia. Será que iria preferir se encontrar com mulheres inteirinhas vestidas com tecidos pesados, quase que totalmente encobertas?

— Não entendi uma das palavras que a senhora disse.

— E qual palavra é essa?

— Modelo.

Bella explicou-lhe como era que muitos homens e mulheres bonitos ganhavam a vida.

— Entendeu? — ela perguntou no final da explicação.

— Nem tudo. Mas me dou por satisfeito. Agora quero o meu café.

— Sente-se aqui. Preparei dois sanduíches congelados.

— Mas como vou alimentar-me com algo congelado?

— Edward, acredite, se fosse lhe explicar mais esse detalhe dessa nossa civilização, os sanduíches iriam esfriar.

— Mas a sra. acabou de dizer que a comida está congelada.

— Isso foi só força de expressão.

— E onde está o meu café?

— Eu não trouxe café, Edward. Trouxe os sanduíches e suco de laranja.

— Vá buscar o meu café, mulher!

— Vá você! — ela gritou. — Já disse que não gosto que me dêem ordens.

— Nenhuma mulher falou assim comigo antes — Edward estranhou a maneira que Bella havia respondido.

— Sempre tem a primeira vez para tudo, não é?

— Quero o meu café. Agora.

Bella não deixou por menos e respondeu:

— Vá buscá-lo você. Agora.

Edward ficou sem saber o que fazer.

— O café está na garrafa térmica.

— Garrafa térmica? O que é isso?

— Tudo bem, Edward. Tudo bem. Eu vou buscar o café, está bem? Sente-se, coma o seu sanduíche, tome o seu suco, que eu vou buscar o café. E pode ficar tranquilo: a comida é boa. Nada vai lhe acontecer de mal. Você precisa se alimentar direito. Quem sabe quando estiver mais adaptado eu o leve a almoçar ou jantar no Jocelyn? Por enquanto não vai dar. Você terá que se contentar com os meus congelados. E, por favor: não pergunte nada sobre congelados. Certo?

Bella foi até a cozinha, pegou a garrafa térmica, duas xícaras e voltou para o terraço.

Edward estava terminando de comer o sanduíche.

— A senhora acha que ficarei aqui por muito tempo?

— Aqui nesta casa?

— Não, no século vinte.

— E isso é pergunta que se faça? E eu sei lá! Como vou saber umas coisa dessas? Não entendo nada de viagem através do tempo. Minha imaginação é fértil, mas nem tanto assim.

— Acho que tudo o que aconteceu tem a ver com a tempestade. Um dos marinheiros me disse que eu não poderia ir ao convés por causa do Olho, mas não lhe dei a menor atenção.

— Pelo jeito faz muito tempo que você age da mesma maneira — ela disse sorrindo.

— Só pode ter sido isso. Foi a tempestade que me trouxe até aqui. Tudo na vida tem uma explicação, sra. Swan. É só procurarmos por ela. Entretanto, não pretendo mais sair pelos mares a bordo de uma galera.

— É... isso eu acho que você não vai conseguir, mesmo.

— Já que sou um homem sozinho, sem família...

— Você não tem família?

— Meus pais faleceram há cinco anos. Continuando, sra. Swan: Já que não tenho ninguém, estou pretendendo me estabelecer aqui na América, no século vinte mesmo. Tenho certeza que serei capaz de sobreviver.

— Pelo jeito você não tem outra opção. Ainda não inventaram nenhum tipo de máquina que levem as pessoas de volta ao passado. E já que teremos de conviver com a ideia de nunca mais voltar, acho que você vai precisar de alguma transformações.

— Transformações?

— Não pode continuar usando aquela roupa.

— Por quê?

— Ela chamaria muito a atenção das outras pessoas.

— É estranho. Minha roupa é discreta.

— No século dezenove, até pode ser. Mas aqui, iriam pensar que veio de outro planeta.

— Habitantes de outros planetas também estão visitando a Terra?

— Não, Edward. Não estão. É só uma maneira de dizer.

— Então fale direito, mulher.

Não me chame mais de mulher! Entendeu?

— Mas você é uma mulher.

— Quanto a isso não tenho a menor dúvida. Mas essa maneira de você dizer, soa muito agressivo.

— Não estou querendo ser agressivo.

— Sei disso. Agora, Edward precisamos comprar roupas para você. Só que você vai ficar aqui. Não acho que já chegou a hora de sair aí. Antes precisa se acostumar com o mundo moderno. Você fica na minha casa assistindo televisão e eu vou fazer compras. Não quer comer o meu sanduíche?

— Será que não seria abuso da minha parte?

— Não, pode comer. Antes de sair deixarei mais sanduíches preparados.

— Parece que não como há séculos.

— Você sabe fazer piadas. Quem sabe não encontra um emprego como comediante? — Antes de sair para fazer compras, Bella lhe disse:

— Deixei os sanduíches na pia. E pode ficar à vontade. Logo estarei de volta. E não me chame mais de sra. Swan.

— Quero lhe dizer, senhora... — Edward percebeu que de novo a estava chamando de senhora e interrompeu a frase. — Não, não é assim: tentarei de novo. Quero lhe dizer, Bella, que jamais esquecerei tudo o que está fazendo por mim. Serei para sempre um eterno criado.

— A frase melhorou, Edward, mas continua muito formal. Você ainda tem muito que aprender.

No centro da cidade, além das compras, Bella passou na companhia telefonica e pediu que o telefone da casa de praia fosse ligado.

— Tudo bem com você Edward? — ela perguntou assim que entrou.

Antes que ele respondesse, o telefone começou a tocar.

— Eu sabia... Eu sabia que seria besteira mandar ligar o telefone. Agora estou perdida.

— Que barulho é esse? — Edward perguntou assustado.

— Pode ficar tranquilo que não é a cavalaria chegando. Depois eu lhe explico. — Ela atendeu à chamada. Era engano.

Bella desligou o telefone, sentou-se próxima a Edward e explicou-lhe como funcionava o telefone.

— Será que não é apenas uma brincadeira de sua parte, Bella?

— De jeito nenhum. Pode acreditar. Daqui onde estamos podemos falar com qualquer lugar do mundo.

— Com a Inglaterra também?

— Com a Inglaterra, com a China, com o Japão... E por falar em Japão, preciso fazer uma ligação para lá agora. Foi para isso que mandei a companhia ligar o telefone. — Ela se levantou e discou um número.

— Não tem ninguém em casa — ela disse após mais umas três tentativas e desligou o telefone.

— Como é que você sabe? — Edward quis saber.

— Simples. Ninguém atendeu à chamada.


N/A: Oi pessoal! Aí está o capítulo 3, espero que tenham gostado. Eu vou postar o próximo capítulo até segunda, porque terça eu vou viajar e só volto dia 14 ou 15.
Feliz ano novo *-*