Em um dos camarotes onde se mantinham os presos, Melissa ficou restrita lá – porém sem correntes – até que chegasse a Central para que fosse decidido o destino dela. Seu coração doía dolorosamente sempre que pensava nele. Naqueles tiros e outros ferimentos que agravaram demais a saúde dele. Sequer recebeu notícias de como ele estava. Sentou-se no chão em frente à grande grade e olhou para a porta fechada do camarote. Ficou assim por horas, esperando por algum contato físico que lhe falasse acerca de Corazon. Se ele tinha sobrevivido ou não. E por fim, Tsuru abriu a porta do local para lhe informar as últimas daquele dia.
– Rocinante... está em uma situação crítica. Desculpa-me por lhe informar tal notícia, mas não devo lhe iludir.
– ...tudo bem. – Melissa concordou, sem mostrar nenhuma emoção aparente.
– ...mas ele tem poucas chances de sobreviver. Há muitas fraturas pelo corpo, também perdeu muito sangue... mas podemos acreditar em milagres.
– Eu tenho fé que ele sobreviverá!
Tsuru olhava com dó daquela moça. Mas deveria fazer o que todo oficial da Marinha fazia quando capturava um pirata.
– Também... trouxe notícias a seu respeito. Você será julgada como uma pirata do bando dos Donquixotes. E acredito... que a probabilidade de ser presa é bem grande. Esteja preparada para tudo!
– Sim, senhora. – concordou ela, abaixando a cabeça.
"É difícil acreditar que ela é uma pirata de verdade!", pensou Tsuru, antes de se retirar dali. Ao sair dali, usou seu den den mushi para comunicar-se com Sengoku, para saber das últimas sobre Corazon.
– Está muito debilitado! – Sengoku falava aparentemente alterado.
– Eu... sinto.
– E a prisioneira? Como está?
– Está bem tranquila. Já recebeu cuidados médicos.
– ...quero que traga essa pirata imediatamente! Será julgada como deve ser! – ele falou nervoso.
– ...quando vir essa pobre moça... vai entender que ela não é digna de tanto ódio.
– O que diz, Tsuru?!
– Sei o que digo... é uma longa história, não a falarei aqui.
...
Enquanto Rocinante era cuidado sob o extremo zelo pelos médicos da Marinha, Melissa era julgada por Sengoku e outros oficiais ligados a ele. Respondia normalmente quando era questionada. Calada, escutava as decisões. Já sabia do seu destino e já se preparava para lidar com isso. Eles tomariam a decisão certa? E qual era o seu destino certo? A voz de sua cabeça dizendo para seguir em frente, pois precisava se concentrar em seu filho que precisava nascer sadio. A voz de seu coração dizia que ele sobreviveria. Queria entregar seu bebê são e salvo para ele quando fosse separada dele ao ir para a prisão.
Foi dada a sentença final: Será levada presa inicialmente no Quartel Oficial da Marinha, até que outro julgamento a fizesse ir para Impel Down. Melissa já tinha ouvido falar nessa infame prisão. E a saída de lá era praticamente impossível – a não ser que fosse para ser executada. E aí sim, não veria mais Corazon e nem seu filho. Chorava sozinha em sua cela individual, sem que ninguém percebesse. Tsuru explicou melhor para Sengoku quem era Melissa realmente: uma pirata que trabalhava praticamente à força para Doflamingo. A mulher que amava Corazon. A mulher que esperava um bebê que era dele.
– ...entendo, Tsuru. Mas lei é lei. Ela será julgada como todos os outros seriam julgados.
...
– O que está dizendo? – Doflamingo puxou o colarinho do médico, irritado. Do jeito que nenhum membro do bando havia visto – principalmente os mais recentes.
– Ela fugiu e eu não sei como! – disse o médico, falando naturalmente como se não tivesse culpa de nada, mas por dentro temia o que o loiro poderia fazer.
– Sabe que vai pagar com a vida! Deveria estar ao lado dela protegendo-a! – e ele atirou o médico nas águas geladas.
– P-por fav-vor! N-não sei... n-nadar! – o médico estava congelado e se afogando ali, sem ninguém socorrê-lo. Doflamingo mandou partir com o navio. A Marinha tinha tomado aquela ilha, já imaginava que Melissa tinha sido capturada por uma das marinheiras de Tsuru.
Todos estavam abalados, principalmente com o estado em que Doflamingo se encontrava. Ele contatou com Vergo, para ajuda-lo a reencontrar Melissa. Ele suspirava pelos cantos e em raros momentos, acendia um cigarro às escondidas. O loiro de óculos escuros empurrou a porta de onde Melissa estava quando saiu do navio e sorriu, lembrando-se dela ali. Suas mãos apertavam o xale que ela havia deixado em seu quarto quando fugiu. Ele aproximou a peça de roupa próximo ao rosto, sentindo o cheiro adocicado dela. Mas tanto o quarto dela no navio como o quarto dele – onde havia deixado Melissa trancada - estava vazio. Era como se tudo estivesse destruído dentro dela. Ele imaginou que o médico havia ajudado a fugir. E ele mesmo atentado a fugir daquele navio para ir atrás dela. Na frente dos outros, mantinha sua tensão controlada, era como controlar um leão faminto com as mãos apenas. Essa estava sendo sua pior perda. Só queria confirmar que a morena havia sido capturada. Senão, descobriria o paradeiro dela nem que fosse à base da tortura.
– Doffy, soube por um dos homens aqui que foi presa uma jovem mulher que era do nosso bando. – Vergo confirmou a suspeita falando pelo den den mushi.
– É ela! – exclamou o loiro.
– Só que... não será fácil recuperá-la. Até mesmo porque ela está sendo cuidada por causa da gravidez.
– Imagino. Tenta ganhar a confiança "deles"... e veja se pode ter algum contato com ela. Veja se está bem. Depois, fala para mim.
– Certo. Vou ter que cortar a ligação.
– OK. Até!
Um dos oficiais diretos de Sengoku foi até Vergo lhe passar a ordem do superior dele.
– Vamos verificar toda aquela ilha novamente, em busca de pistas que nos possam levar ao paradeiro do bando. Vão fazer aquela mulher confessar tudo o que sabe do bando e...
Vergo quase deixou escapulir uma gota de suor na testa. Sabia que, nessas situações, poderia envolver até tortura. Sua preocupação não era Melissa, e sim vê-la confessar coisas sobre o bando que a Marinha não deve saber.
– Mas... vão ousar torturar uma mulher que está grávida? – ele forjou uma preocupação.
– Como sabe que ela está grávida?
– ...ouvi falar.
– Humm... mas apenas devemos cumprir ordens sem nos envolvermos com os prisioneiros. E quem vai cuidar desse interrogatório será Tsuru. Acredito que, com ela, não haverá necessidade para algum tipo de tortura. Além disso... dizem que é uma pirata até obediente demais.
– ...é ela mesmo... – ele pensou em voz alta.
– Hein? O que você disse?
– Ah... nada, não. Vamos andando! – disse o homem, com um pedaço de carne colada na bochecha.
...
Corazon olhou para baixo sobre o menino. Ele deixou cair as poucas maçãs ele tinha conseguido roubar e sentou-se perto de Law, que dormia profundamente depois de um dia exaustivo. Mais uma vez eles haviam sido expulsos de um hospital. Mais uma vez ele tinha queimado um hospital que recusava atender o garoto. Tinha que existir uma cura. Corazon não queria ver Law morrer e ele faria de tudo para salvá-lo. Tudo mesmo. E quando ele tivesse curado, ambos partiriam em prol de salvar Melissa das garras de Doflamingo.
Sua mão acariciou as bochechas febris da criança e com um movimento fluido, tinha envolvido o cobertor fino apertado ao redor do corpo minúsculo. Ele engoliu em seco e aliviou um de seus cigarros. Estava chateado ao ver o menino sendo escorraçado daquele jeito. Ele sabia que todos aqueles momentos só o faziam lembrar sua trágica vida em Flevance...
E ainda tinha Melissa. Tinha prometido que voltaria para salvá-la, mas já haviam passado seis meses, aproximadamente... e sequer havia conseguido salvar Law.
Acordando aos poucos, Corazon se sentia sufocado e preso com tantos aparelhos que mantinham seu corpo funcionando. Era essa a vida depois da morte? Todas as lembranças envolvendo desde Melissa até o irmão lhe vieram à mente, fazendo-o se perturbar preso naqueles aparelhos todos. Começou a gritar em desespero raiva, frustração. Vieram médicos para acalmá-lo, sendo então sedado com um calmante injetável. Tudo voltava a ficar fosco, nublado em sua vista. Sentia uma misteriosa calma invadindo seu corpo, com isso fechando os olhos.
"Desculpa. Mas era preciso fazer isso. Mas prometo cuidar bem dela e do seu filho…"
De quem tinha ouvido essa frase que apareceu em sua mente durante o efeito do calmante injetável. Era a voz de Doflamingo. Dela... e do seu filho...filho? Essa última palavra o deixou confuso.
– Avise ao chefe que ele está reagindo. – disse o doutor que havia injetado o calmante no loiro.
– Sim, doutor! – concordou o outro, saindo dali.
"Filho? ..." Corazon pensava confuso, enquanto permanecia em posição de quem estava dormindo. Achava que estava delirando. Sequer sentiu que havia tomado uma injeção para ficar calmo – nem de longe, era tão fraco para sentir uma dorzinha tão insignificante como a de uma agulha penetrando na carne.
Veio uma enfermeira que tirou parte dos aparelhos, para ajuda-lo a se mover melhor na cama. Ele abriu os olhos e jurava que havia visto a mulher que amava na figura parecida com esta mesma.
– ...Melissa? ...é você?
– O que está falando? – perguntou a médica, que tinha realmente uma semelhança com a morena, até mesmo no jeito calmo e doce de falar.
– Melissa... você... – movendo-se com dificuldade, tentou puxá-la pelos braços, para que ela não fugisse.
– Ei! Está louco?! Solta-me! – ela se sacudia, tentando se soltar daquelas mãos enormes que, mesmo enfraquecidas, conseguiam prendê-la pelos antebraços.
– Melissa... por que está me rejeitando? ... o que aconteceu com você?! – Corazon questionava desolado com a atitude da enfermeira que pensava ser sua amada.
– Doutor! Alguém me ajuda aqui!
Precisaram fazer uma força para separar os dois. Ele era forte e nem os médicos conseguiam fazer soltá-la.
– Devo aplicar outra dose de tranquilizante? – perguntou um deles.
– Não, acabei de dar! – respondeu o outro.
– Ei, ei... olha para mim. – a enfermeira lhe dava uns tapas no rosto, de leve. Aos poucos, começou a enxergar outro rosto. Aquietou-se.
– ...onde está ela?
– Não sei quem é e nem onde está. Só quero que solte meus antebraços já!
– ...
Ele soltou a pobre enfermeira. Respirou fundo, e olhou novamente ao redor. Ela o ajeitou na cama, com cuidado. Por sorte, nenhum aparelho foi danificado com os movimentos dele.
– Fica aí enquanto vamos voltar a falar com o chefe. – ordenou um dos médicos a enfermeira.
– ...sim.
Corazon não fechou os olhos. Não conseguia mais.
– ...onde estou?
– Na Base da Marinha.
– O quê?!
– Acalme-se. Você ainda está fraco. Não se mova demais.
– ...eu...
– Não se preocupa em dar explicações agora. Vá dormir um pouco mais... logo seus superiores virão vê-lo. – ela cuidadosamente ajeitou-o na cama, fazendo colocar a cabeça no duplo travesseiro. Ela sem querer olhou para as cicatrizes em seu corpo – o peito estava nu, com algumas bombas de oxigênio postas no peitoral. Ele percebeu a reação de susto dela, que disfarçou ao ser notada. Ele apenas sorriu para ela, com parte de um dente danificado e a ausência de um incisivo. Ela abaixou a cabeça, encabulada – Tenha uma boa noite. – saiu dali, desobedecendo às ordens que lhe foi dada.
Corazon fechou os olhos. Não se sentiu mal com aquela reação dela. Sequer imaginava que sobreviveria. E já em "casa". Law... será que ele conseguiu fugir? Bateu a mão na cabeça, ignorando os fios que envolviam seu braço.
– Nada deu certo! ... – exclamou.
Sengoku foi o primeiro a querer ver como estava aquele que o considerava como filho. Resolveu não falar sobre a prisão daquela mulher, para não agravar a saúde emocional e física dele. Mas como reagiria caso ele perguntasse...
– A minha mensagem chegou?
– Mensagem? ...não recebemos mensagem alguma. – o velho oficial coçou a longa barba.
– Maldito Vergo!
– Vergo? Ora... você o conhece?
– ...infelizmente o conheci mais que devia! – ele se levantou, sendo contido por Sengoku.
– Fica quieto aí! Não pode se mover muito!
– Ele é um espião do bando do Donquixote!
– Quê? ...que você está dizendo, Rocinante?
– Exatamente. Tivemos uma luta... acabei perdendo... e eu trazia comigo aquele garoto... mas ele fugiu graças a um plano meu, já que não consegui fazer...
– O que diz é grave! – o homem de longa barbicha sacudiu o outro.
– Aiii... devagar. – o loiro fez uma careta de dor.
– Perdão... – ele soltou os braços dele.
– ...acabei pegando algumas informações a respeito de Dressrosa. Só não fiz o relatório porque... não deu.
– Mas sabe de tudo isso?
– Sei.
Corazon falava mais calmo e parecia que estava fora de perigo. Arriscou em falar algumas coisas acerca da captura de uma certa... pirata do bando do Donquixote.
– Nós... conseguimos capturar um pirata do bando.
– Sério? Quem é esse? É uma mulher? – agora Corazon sacudia Sengoku, que teve que dar um cascudo no loiro para ele sossegar. Tinham a intimidade entre pai e filho.
"Não deveria ter falado nada... mas agora... ele vai querer saber tudo.", pensou Sengoku.
– ...sim, estava perdido naquela ilha. Já está sob nossa vigia.
– Mas... não posso saber quem é?
– E por que essa curiosidade?
– ...havia uma mulher naquele bando... que estava sob minha tutela... e era tão vítima daquele homem quanto as crianças.
"Agora, entendo. Essa Melissa não era pirata como os outros...", Sengoku escutou o loiro, analisando os fatos.
– Eu prometi tirá-la daquele meio quando conseguisse voltar para cá, nem que fosse à base do sequestro...
– Rocinante!
– ...não seria exatamente na base do crime que eu resolveria. Mas ela precisa muito sair dali. Aquele homem a perturba querendo fazer dela sua mulher!
– Humm... e pelo visto você morre de ciúmes!
– ...ela é minha. Mas tivemos que manter a discrição, se o outro descobrisse...
– Ah, entendo, entendo! – ele se levantou, cansado de ficar sentado – não sei se devo falar a verdade...
Rocinante ficou sério.
– ...o que houve com ela? ...vocês a capturaram? Ela...
– Não, não! Não fique assim... bem, ela foi encontrada por uma das meninas de Tsuru.
– E então?
– Calma, calma...
– Por favor, seja direito, Almirante Sengoku...
– ... para me chamar assim entre nós dois... você está bem sério em relação a essa pirata.
– Ela nem é uma pirata exatamente! Chegou a atuar por ser forçada por aquele homem.
– ... aquele homem que é seu irmão.
– Irmão? Não... perdi um irmão no dia em que ele quis me matar. Ele me perdeu, assim como eu o perdi. Não tenho mais um irmão... ele agora é simplesmente Doflamingo, um pirata que precisa ser detido o mais breve possível!
– Desculpa... não quis fazê-lo se aborrecer com isso...
– Não, não estou aborrecido... eu... – foi interrompido por uma tosse vinda de sua fraca disposição para falar.
– Chega, amanhã te conto o resto. Descansa... afinal, quero que fique bom o mais rápido o possível!
– ... está bem. Vou ficar quieto aqui... cof, cof...
Sengoku avisou aos médicos que dessem prioridade aos cuidados dele. Precisaram dar outra dose de tranquilizante dele, já que ele estava tão eufórico. Ele sabia que era ela... ela estava na ilha com os outros... precisava se acalmar, para poder falar com ela novamente. Tocá-la novamente. Era horrível aquela ânsia e saudade que só o deixou dormir por causa do calmante. Naquela noite, ele pode dormir com um sorriso no rosto.
...
Vergo havia sido requisitado a tomar conta da cela onde estava Melissa. Aproveitou aquela madrugada para entrar na sala onde estavam as celas, até achar a cela onde Melissa se encontrava sozinha. Ele ficou meio penalizado ao vê-la tão sozinha e quieta. Estava encolhida em um canto, dormindo. Observou aquela que Doffy tanto falava. Sim, era bela. Mesmo com as feições abatidas pelas condições, ainda era bonita.
Ele bateu na grade de leve. Ela despertou aos poucos, olhando em direção ao barulho. Viu um homem com um cabelo cortado como de um índio, a barba e bigode de corte único e com um pedaço de salame fatiado colado no rosto.
– ...
– Não fique espantada comigo. Sou de casa – Vergo justificou.
– De casa?
– Sim. Mas antes, quero que confirme minhas perguntas: você se chama Melissa, certo?
– ...sim.
Era tão doce e clama para falar, a doce voz agradável de ouvir.
– E você é do bando do Donquixote?
– Sim. Você não sabia disso?
– Sabia. Mas quis confirmar falando com você.
– ...tudo bem. Mas... o que faz aqui nessa hora?
– Falar com você, em particular.
– ...pois estou ouvindo.
– Tenho contato com Doffy...
Melissa abriu bem os olhos, e ficou de pé.
– ... e o que quer dizer com isso?
– Bem, tenho como manter informada sobre o bando e, quem sabe, posso fazê-la voltar para o bando.
– Nunca!
– ...como?
– Isso mesmo. Sou uma prisioneira que já aceitou pagar pelo que fiz quando estava lá...
– Pagando pelo que fez? ...ora... Doffy disse que você era a criatura mais dócil e poupada de nossa família. Está aqui injustamente, Melissa!
– Prefiro estar presa aqui... que voltar para aquele bando.
Vergo olhou pasmado. Não imaginava ouvir aquilo dela.
– ...vejo que está sendo bem rebelde.
– E não devo ser? Vi Doflamingo matar o próprio irmão! – mesmo sem a confirmação da morte dele, ela assim disse.
– Ele fez algo imperdoável. Ele nos traiu nos entregando para a Marinha.
– ...e o que vocês fazem é tão correto?
Vergo viu melhor aquela moça de pé. O ventre volumoso. Aquele filho... do traidor.
– ... não estou aqui para ouvir lições de moral. Vejo que também é uma traidora. Doffy ficará desapontado ao saber disso. Ele gosta muito de você, sabia?
– ...não me importa isso. Diga para ele que me magoou demais quando atirou em Corazon. Mas diga mesmo!
– ...sim, também direi. E pensar que queremos tirá-la daqui, desse inferno... e é assim que nos agradece? Nós a acolhemos das ruas e...
– Corazon... Corazon me acolheu das ruas. Poucos ali me aceitavam. Fui salva por ele quando estava sendo atacada, ele se arriscou em me colocar no meio em que vivia. Pode confirmar isso com Doflamingo, se quiser.
– ...já vi que não dá para discutir com você.
– Pode perguntar o que quiser, responderei tudo com sinceridade. Mas nem pensa em me fazer retornar para lá! Estou desapontada com Doflamingo.
Vergo suspirou.
– Bem... pelo menos pude conhecer o antigo membro de nossa família.
– Isso, tudo bem. Prazer em conhecê-lo também.
Vergo quase riu. A calma e a sinceridade daquela mulher não eram irritantes. Mesmo se declarando contra Doflamingo daquele jeito, não passava rancor em seu tom e em suas palavras.
– Antes de ir... posso lhe dizer algo?
– Pode.
– Você... é muito encantadora. Com razão Doffy está apaixonado por você.
Melissa sentiu os olhos dançarem em suas órbitas, ficando meio sem jeito diante daquelas palavras dele. Pedindo licença, ele saiu dali, voltando a vigiar por fora daquela sala. Melissa voltou para seu canto, sentando-se naquele chão frio. Nada era mais frio que as incertezas do seu futuro ali. Ficou olhando a própria barriga. Era tão quieta aquela criança que estava se formando, mesmo diante de tantas alterações emocionais dela. Melissa achava que era a força do pai que estava herdando. Sequer tinha certeza se ele estava vivo ou morto. Era horrível, queria tanto saber logo.
Somente no dia seguinte, por Tsuru, ela pode saber o que tanto queria saber. E da melhor forma.
– Ele sobreviveu, mas ainda está sob cuidados. Está muito frágil.
– ...então... ele realmente está vivo? – ela estava com os olhos em lágrimas de felicidade.
– Sim.
– E... ele vai ficar com meu filho?
– Não se preocupa com isso, ele vai saber do filho que você espera.
– Fico muito grata por tudo! – ela pegou nas mãos da Almirante.
– ...eu que... peço perdão por toda essa situação. – Tsuru parecia comovida com ela – Olha, você quer comer alguma coisa?
– Não... não sinto fome ainda, não preciso comer agora...
– Claro que precisa! Kyra! – ela chamou a marinheira que havia encontrado Melissa perdida na ilha – vá me trazer aquele bolo que está no meu escritório, agora mesmo!
– Sim, senhora!
Naquele mesmo dia, Melissa pode comer alguma coisa melhor e também pode cuidar do asseio pessoal, também ganhando outras roupas limpas de prisioneira. Kyra, sob as ordens de Tsuru, ficou cuidando dela às escondidas de outros marinheiros ali. Melissa viu aquilo como uma comemoração pela sobrevivência daquele que tanto amava e sentia saudades. Era uma pena ele não estar ali com ela. E como ele vai agir... quando souber que ela é uma prisioneira por tempo indeterminado? Ela pensava nisso constantemente...
