Captulo IV
- Hm, Athena, um grande prazer rev-la. - Julian sorriu, aproximando-se dela.
Mas Aioria, aps deixar Shina aos cuidados de Shun, colocou-se em seu caminho, impedindo que Poseidon se aproximasse mais.
- Cavaleiro, eu no vim lutar contra Athena. - Poseidon esclareceu - Vim apenas recuperar aquilo que me pertence.
- No posso entregar-lhe o Anel, Poseidon. - respondeu Athena, com um pequeno gesto afastando Aioria e dando dois passos em direo ao Imperador Voc sabe disso.
- Esperava que me ouvisse, Athena. J que no assim...
Aioria e os demais Cavaleiros ergueram um pouco os punhos, preparando-se para atacar o deus caso Poseidon fizesse o mnimo movimento.
- Vocs no podem me impedir. - disse Poseidon, com um leve sorriso arrogante - Athena, detenha seus Cavaleiros, caso no queira v-los mortos.
- Como ?! - exclamou Mscara da Morte, irritando-se.
Poseidon fechou os olhos calmamente, enquanto erguia um pouco os braos, num gesto de confiana, e acendia sua poderosa Cosmo-energia. Mscara da Morte pulou na direo do Imperador com a clara inteno de atingi-lo com seus punhos, logo sendo seguido por Aioria, que por sua vez disparou raios de Cosmo.
- No! - Saori exclamou, preocupada, ao ver os golpes de seus Cavaleiros serem refletidos de volta para eles, lanando-os alguns metros para trs.
- Ora, seu...! - Mscara da Morte levantou-se, irritado, aps ter quebrado uma grande pedra em seu caminho.
Afrodite fez surgir em sua mo uma rosa branca, mas antes que tivesse tempo de lan-la um raio de luz desviou sua ateno.
E Athena, estupefata, acompanhou, com o olhar, o Anel de Nibelungo sair do dedo de Shina e ir parar na palma da mo de Poseidon como se tivesse vida prpria.
Julian fechou os dedos ao redor do Anel e virou-se com a inteno de ir embora; mas antes que desse o primeiro passo, olhou para trs, na direo de Kanon.
- Drago Marinho, - chamou-o, num tom de voz de quem no admitiria recusas - apresente-se no mais tardar esta noite ao Pilar que ainda est sob sua proteo.
E o Imperador foi embora sem mais palavras. Kanon, por sua vez, foi alvo dos olhares dos demais Cavaleiros, curiosos e preocupados com a resposta do ex-General.
Saori, que curvara a sobrancelha num gesto de preocupao ao escutar Poseidon, virou-se para encarar Kanon; este baixou o olhar no mesmo instante, envergonhado diante da deusa.
O silncio perdurou ainda por alguns segundos, antes de Kanon murmurar:
- Athena... Eu...
- A Casa de Gmeos estar sua espera, Kanon. - Saori respondeu, virando-se para voltar s Doze Casas - Cavaleiros, renam-se no Salo do Mestre sem mais demora. Precisamos discutir alternativas viveis para este problema.
O General suspirou, acompanhando com o olhar o trajeto de Athena escadarias acima. Como se a Armadura pudesse entender seus conflitos interiores, ela brilhou e abandonou seu corpo, remontando-se aos ps do Cavaleiro.
- Voc vai obedecer? - Aioria perguntou, cruzando os braos.
- No me resta outra opo. - retrucou Kanon, nervoso, observando a Armadura de Gmeos dirigir-se Terceira Casa.
- Vai trair Athena?! - exclamou Afrodite.
- Acho que no se trata de traio, Afrodite. - murmurou Shun, olhando para Shina e depois para o amigo, preocupado com as dificuldades impostas aos dois - Ele tambm um Marina, no mesmo?
- Sim. - Kanon confirmou, pesaroso, e afastou-se dos companheiros sem olhar para trs - Eu ainda sou Kanon de Drago Marinho, o General protetor do Pilar do Atlntico Norte. - enquanto caminhava, ergueu os olhos para o cu estrelado, pensativo.
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Saori sentou-se, descansando os braos nos apoios de seu trono, e fechou os olhos.
Saga, com as vestimentas de Grande Mestre e ajoelhado diante de Athena, por um breve instante observou as feies da deusa iluminadas pela luz dos archotes do Salo.
- No imagino o que Poseidon esteja planejando. - Saori murmurou, abrindo os olhos para encarar seu Cavaleiro - O Anel de Nibelungo estar de volta s mos dele me preocupa...
- Sim. Sabemos que Poseidon no medir esforos em prol de algo muito mais complexo do que simplesmente o controle sobre algum humano. - Saga comentou - Precisamos ficar em alerta.
- Tem razo. - a deusa observou a grande porta do salo ser aberta e alguns Cavaleiros entrarem no local.
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Cabo Sunion.
Sorento afastou a flauta de seus lbios e o som das ondas chocando-se contra os rochedos era o nico que ousava interromper a tranqilidade do lugar.
E assim ficou por mais alguns momentos, antes que Sorento se virasse ao escutar o som de passos. Ao ver Poseidon aproximar-se das runas de seu Templo, o General ajoelhou-se diante do Imperador respeitosamente, baixando os olhos e sua flauta, e nada comentou sobre o Anel que ele segurava, apesar de estar um pouco apreensivo.
Poseidon ia dizer alguma coisa ao subordinado, mas um brilho vindo do Anel chamou sua ateno e o fez erguer a mo para olhar.
Sorento sentiu um calafrio ao observar o brilho diablico emitido por aquela jia amaldioada. No estava gostando nada daquilo.
- Foi voc quem me acordou? - Poseidon questionou jia.
A luz do Anel cessou e tudo ficou anormalmente silencioso. Poseidon semicerrou os olhos, srio, e largou a jia, deixando-a cair no cho.
O Anel de Nibelungo rolou no cho algumas vezes, antes de parar estaticamente como se fosse esculpido em chumbo. O lado mais trabalhado da jia, que tinha em baixo relevo um crculo e outros desenhos, ficou apontado para cima, com pequenos pontos cintilantes brilhando em seu interior.
Aquela poeira cintilante comeou a elevar-se para longe do Anel e aos poucos seu brilho desenhou no ar alguns corpos humanides parcamente visveis em meio s trevas da noite.
Sorento ergueu-se de imediato, cerrando o punho em torno de sua flauta e aproximando-se de Poseidon para proteg-lo de qualquer possvel ameaa.
- Espere, Sorento. - ordenou o Imperador, sem se abalar com a apario daqueles seres cujas presenas denotavam maldade e dio - Digam logo a qu vieram.
"Somos deuses de Asgard." - respondeu uma voz que parecia vir de um dos "homens".
Sorento no pde evitar um leve tremor em suas mos ao escutar aquela voz sinistra. Parecia vir de muito longe, ao mesmo tempo em que pareciam lhe sussurrar ao ouvido. Era uma coisa muito estranha de se ouvir. Uma voz nica, composta de vrios timbres.
"Somos os amaldioados." - respondeu outro.
"Somos os vingadores." - disse ainda outro.
- Poupem-me da apresentao. - respondeu Poseidon - Se no soubesse quem so, no os teria usado a favor de meus planos. Digam logo o que querem. Tenho mais o que fazer. - acrescentou, aborrecendo-se.
"Desejamos a completa runa do mundo que Odin tanto preza." - respondeu o segundo ser.
"Desejamos a completa runa de Odin." - respondeu o primeiro deles.
- Odin nada tem a ver com meus planos. - disse o Imperador dos Mares, fechando os olhos por um instante - Se tudo o que tinham a me dizer, sugiro que voltem para...
"Odin preza os humanos." - o terceiro dos seres interrompeu Poseidon, irritando um pouco o Imperador devido ao tom de voz mais autoritrio - "Athena preza os humanos."
"Ns desprezamos os humanos." - acrescentou o primeiro.
- claro. - Poseidon confirmou, a contragosto.
"Os Guerreiros-Deuses de Asgard revelaram-se inferiores aos Cavaleiros de Athena."
"Os Generais Marinas do Imperador Poseidon foram derrotados pelos Cavaleiros que protegem Athena."
- O que esto dizendo?! - Poseidon semicerrou os olhos, descontente com as palavras deles.
"Mas Athena no invencvel."
"H algo que pode derrot-la."
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