Capitulo 3: Sobrevivência

Bonney caminha apressada pela floresta, sentia uma fúria crescente pelo pirata Trafalgar Law. Porque ele gritou com ela? Pior, havia a mandado calar a boca e depois a esnobava. Ninguém nunca tinha feito isso antes e ela já havia matado pessoas por muito menos. Porque não havia o transformado e deixado ele morrer lentamente? Isso era algo que ela não saberia responder no momento.

-MALDITO! Não terei nenhuma compaixão. Espero que morra lentamente.

Dizia enquanto chutava qualquer árvore que aparecia no caminho. Era a única maneira descontar toda sua raiva.

-INGRATO...

A pirata mira o chute numa arvore que estava a sua frente, mas este foi tão forte que uma fruta despencou do topo. Ela olha para cima e percebe que a arvore estava carregada com frutas, semelhantes à pêra. Só então ela percebe que estava morrendo de fome. Com grande agilidade ela sobe em seus galhos, arranca duas frutas com cada mão e enfia tudo na boca e enquanto mastigava já ia arrancando outras frutas dos ramos.

-Nhac...bem...feito para ele...Nhac Nhac Nhac...irá morrer de fome Law...

Enquanto saciava sua fome implacável ela pensava num jeito de sair daquela floresta. Observava ao redor, mas tudo que via ao redor era arvores altas que bloqueavam a visão de qualquer outra coisa, mas ao longe ela podia escutar o som do oceano.

- Definitivamente vou achar meu bando e esquecer de tudo que aconteceu aqui.

Essa era a única prioridade de Jewelry Bonney no momento.

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"Law sentia o suor frio escorrer pelo rosto...

Ele tentava fugir de alguém

Atrás de si raios laser eram lançados , ele corria em ziguezague para desviar dos projeteis

No entanto ele fica encurralada num precipício...

Abaixo dele havia uma floresta de espinhos.

Law percebe que não tem saída e a terra começa a rachar

Ele começa a cair lentamente"

Mas antes que ele pudesse atingir os espinhos, ele acorda assustado olhando ao redor. O pirata sentia a roupa ensopada de suor, tinha sido só um sonho, mas o medo da morte foi real.

Law estava queimando de febre e tremendo de frio, sentia seus dentes baterem violentamente, sua cabeça parecia ter piorado, a dor antes localizada na nuca e têmporas irradiava para todo crânio, parecia que alguém estava prestes a explodir seu cérebro.

Ele abre os olhos lentamente e percebe que já havia anoitecido. Quanto tempo ficou desmaiado? Não sabia, mas uma luz chamou sua atenção, havia uma fogueira próxima aos seus pés, que iluminavam boa parte da caverna.

O pirata percebe que estava deitado novamente e estava coberto por roupas coloridas que pertenciam aos quatros caçadores de recompensa, até tinham feito um travesseiro improvisado para ele.

Nos galhos que formavam o teto da caverna, havia alguns retalhos de roupas cortados e alguém se movia nas sombras no fundo da caverna, Trafalgar Law respira acelerado, sentia o medo e a adrenalina correndo por suas veias. Ele tenta se levantar, mas seu corpo já não tinha força nenhuma ele sabia que precisava de cuidados médicos urgentes, provavelmente o ferimento havia infeccionado e causado a febre alta. Precisava pedir ajuda antes de perder a consciência novamente.

-Quem esta ai?

Sua voz soa fraca e frágil, estava totalmente a mercê de quem quer que seja. Alguns segundos se passaram, até que a pessoa se aproxima dele, mas ainda se mantinha oculta nas sombras, parecia estar carregando algo nas mãos.

Ele fecha os olhos, pois respirava com dificuldades, em ultimo caso tentaria usar os poderes de sua akuma no mi e para isso precisava de concentração. Ele sente algo encostar em seus lábios e um liquido escorrer por sua garganta, era um cantil de água fresca. Ao tentar beber com mais avidez acaba se engasgando um pouco.

Logo em seguida um pano molhado era aplicado em sua testa, Law agarra o pulso dessa pessoa e abre os olhos novamente.

-Por que voltou?

Bonney tenta soltar sua mão, mas ele ainda a agarrava com força. Normalmente ela não coraria, mas não conseguiu evitar de sentir suas faces queimarem sobre aquele olhar intenso do médico.

-Não..não lhe interessa. Vim pelo dinheiro.

Trafalgar não sabia se era um delírio da febre ou se ela estava mesmo ali ao seu lado, ele ainda estava segurando o pulso da garota que agora tentava a todo custo se soltar, mas mesmo assim ele ainda era mais forte.

Ele a puxa para cima dele e segura Bonney pela nuca, podia sentir os fios sedosos do cabelo dela entre seus dedos, as madeixas rosa ainda cheirava muito bem.

Bonney é pega de surpresa, ele a matinha tão próxima dele, conseguia sentir a respiração dele em seus ouvidos.

-Bonney...remédio...Erva

Ela o afasta com as mãos, havia ficado tempo demais apoiada nele, sentia seu coração pulsar rápido, mas acreditava ser pela surpresa do gesto dele.

-O que? O que disse?

A pirata fala confusa. Não fazia idéia do que ele tinha falado. Law olhava atentamente para os lábios da jovem, mas não respondia nada. Então ela pergunta novamente

-Você está me ouvindo?

Ele confirma com a cabeça, mas antes que ela pudesse continuar perguntando ele tenta explicar da melhor forma possível para a pirata, ela era sua única salvação.

-Erva-santa*...pegue a planta..e faça um emplasto...

Sua voz começava a sumir, sentia sua visão ficar turva e começava a perder os sentidos novamente.

-Planta...cica...tri...za...ção...de...fe-ri-das

Assim que acaba de falar Law perde os sentidos. Bonney coloca a mão sobre a testa dele e percebe que a febre tinha aumentado, ele estava piorando muito rápido.

Erva-santa, ela já tinha ouvido falar desse nome, lembrou de um episódio que ocorreu há tempos atrás com sua tripulação, haviam utilizado essa planta devido ao um acidente no navio.

Inicio do Flashback

O navio seguia navegando pela Grand Line com a marinha perseguindo logo atrás. O navegador desviava das balas de canhões com maestria, enquanto Bonney e os outros tripulantes lutavam com os marinheiros que atiravam contra os piratas.

No meio da batalha, alguns piratas ficaram feridos pelas armas de fogo, mas no fim haviam conseguido destruir o navio da marinha e fugirem. Agora o cenário era pós guerra. Havia marcas de tiros, balas de canhões pelo convéns e algumas pessoas caídas feridas.

- RÁPIDO SEUS MOLENGAS... CONCERTEM O NAVIO

A capitã gritava com sua tripulação, enquanto o médico se aproxima dos feridos com uma cesta de ervas medicinais. A jovem observava tudo de perto.

- Que espinafre esquisito

Bonney pega um ramo da verdura e começa a comer, segundos depois percebe seu erro e começa a cuspir a comida. O gosto era horrível e tinha um cheiro forte. Atrás de si o médico gritava com a capitã.

-NÃO COMA TUDO O QUE VÊ PELA FRENTE...

Fim do Flashback

-Você fica me devendo essa...

Diz enquanto põem o casaco marrom e pega uma lenha da fogueira. Bonney caminha para longe do abrigo a procura da planta medicinal. Ela observava a vegetação rasteira que crescia pela floresta.

-Espinafre...espinafre...espinafre...

Desse jeito ela ia se aprofundando pelo arquipélago, rastejava pelo chão, sujava suas mãos e roupas e na sua busca acabava ganhando arranhões e cortes devido à vegetação fechada. Mas em nenhum momento ela se queixou ou desistiu. Estava determinada a achar a planta medicinal.

Depois de muitas horas de procura ela encontra a planta numa pequena moita, Bonney arranca uma pequena parte da folha e experimenta. O gosto amargo e o cheiro forte a faz se arrepiar. Sem duvida a planta era aquela.

Ao retornar para a caverna, a pirata tritura a planta e procura por um caule com a extremidade afuniladas, assim poderia usá-lo como um recipiente. Ela usa o cabo do punhal para macerar as folhas e criar um creme. Se lembrava que o médico do seu bando tinha feito aquilo e aplicado sobre a ferida.

Bonney se aproxima de Law, ele estava dormindo e tremia devido à febre alta, as ataduras estavam manchada de sangue novamente, a pirata faz a assepsia do local e aplica na ferida, mesmo inconsciente Law demonstrava sinais de dores.

-Melhore logo...

Enquanto as horas passavam, Bonney ficava de vigia ao lado do rapaz, sempre trocando os panos úmidos sobre a testa, na esperança de que o remédio fizesse efeito e a febre passasse.

CONTINUA...

NOTA* = A Erva-de-santa-maria (Chenopodium ambrosioides) é uma planta de caráter medicinal. Tem as propriedades de ser um cicatrizante, antiinflamatório, ativador de circulação, acelera a regeneração muscular e reduz as manchas roxas (provocadas por contusões) [carece de fontes].

Também conhecida como mastruz ou mentruz, a erva-de-santa-maria é pertencente à família Amaranthaceae e à subfamíliaChenopodioideae, mesma do espinafre. Para alguns, essa planta de cheiro forte e inconfundível é apenas uma planta invasora, mas para outros essa espécie tem características medicinais importantes. É utilizada para fins cicatrizantes, através da maceração das folhas junto com sal e aplicada no local da ferida. Também se adicionada ao leite tem ações anti-helmínticas (combate aos vermes).