Capítulo 04 A Primeira Prova
- Para salvares a humanidade e teu amado planeta, deverás passar pelos obstáculos dos deuses. - O Mensageiro indica uma direção com a ponta do Caduceu - Sigas por este caminho e chegarás a um jardim, Pallas Athena.
Saori faz uma leve reverência para Hermes e segue para o caminho indicado.
O silêncio só é quebrado pelo barulho de seus passos sobre os pedregulhos soltos no chão.
De repente, a terra sob seus pés começa a tremer com o movimento de algo gigantesco e uma enorme serpente emerge do solo com um estrondo.
Imóvel e assustada, Saori vê a serpente de uns 8 metros de comprimento avançar ferozmente em sua direção e começar a rodeá-la. Ela aperta dolorosamente seus ossos e quase sufocada; Saori acende seu Cosmo, porém a serpente resiste apertando-a mais e mais. Num último esforço, Saori queima seu cosmo com mais força e a serpente contorce-se, soltando-a como se estivesse enrolada em uma brasa e é lançada a alguma distância.
O gigantesco animal parte em nova investida contra Athena, que tenta recuperar o fôlego. Mesmo contra sua vontade, Saori novamente acende seu Cosmo e lança um raio de energia de seu báculo na direção dos olhos da serpente, partindo-lhe a cabeça e matando-a. A serpente cai sem vida no solo e vai desaparecendo lentamente.
Imediatamente, uma outra serpente semelhante aparece em sua frente. Saori tenta executar o mesmo golpe que com a serpente anterior, mas esta é mais rápida e a atinge com a cauda, atirando Saori contra as pedras e jogando seu báculo para longe. Novamente o animal avança sobre a deusa, que se levanta com diversas escoriações pelo corpo provocadas pelas pedras.
Saori acende seu Cosmo a tempo de impedir que a serpente a atinja com sua enorme boca. A cobra se assusta e se afasta por uns segundos com o calor do Cosmo de Saori, o que permite a esta um exíguo tempo para alcançar seu báculo que está caído adiante. Ela corre por entre os anéis da cobra e consegue pegar sua arma, atacando-a com um raio de energia que corta seu enorme corpo em dois e o animal não mais se move, também desaparecendo devagar.
Saori suspira e continua andando. Chega então a um vale estranho e escurecido. O chão é coberto de umas espécies de raízes amareladas por todos os lados. Um cheiro muito ruim emana do lugar. Ela decide continuar, mas mal acaba de dar alguns passos, nota que as raízes começam a deslizar à sua volta. Só então Saori percebe que não são raízes e sim serpentes venenosas.
Saori tenta se desvencilhar e corre entre as cobras evitando um ou outro bote. Mas quando está perto de conseguir sair dali, sente uma agulhada em sua perna direita e muita dor. Percebe uma das serpentes com afiadas presas fincadas em sua perna, picando-a por sobre o delicado pano do vestido. Sem dar sequer tempo de reação, a cobra, após terminada a picada, arrasta-se para longe, desaparecendo bem como todas as outras. Saori sente o mundo girar à sua volta e mergulha em um imenso poço de escuridão.
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No Santuário de Athena, Seiya, com a caixa de sua Armadura nas costas, chega em frente à Primeira Casa do Zodíaco e se depara com Mu de Áries.
- Seiya, o que faz aqui? - o Cavaleiro de Áries indaga.
- Senti o Cosmo de Saori enfraquecer e tive um mal pressentimento. Quero ver se ela está bem.
- Athena não está no Santuário.
- O que? Onde ela está?
- Nossa deusa foi ao Olimpo a pedido de Zeus.
- Olimpo? O que ela foi fazer lá?
- Não foi revelado a nós o motivo de sua viagem ao Olimpo.
Seiya volta sua atenção para trás quando escuta uma voz conhecida chamar seu nome:
- Olá, amigos. Vocês também estão por aqui?
Shiryu, com uma venda sobre os olhos, responde:
- Sim. Você também veio ver a Saori?
- É. Eu tive um mal pressentimento...
- Nós também... - Shun comenta.
- Mu, - Shiryu chama sua atenção - não sinto o Cosmo de Athena no Santuário. Onde ela está?
- Ela está no Olimpo. - Seiya responde pelo Cavaleiro de Áries.
Shun / Hyoga / Shiryu: Olimpo?
- Saori foi sozinha para lá? - Seiya pergunta ao guardião da Primeira Casa.
- Não. Athena havia levado a princípio três Cavaleiros de Ouro. Mas nossa deusa nos enviou de volta ao Santuário com o pedido de que nenhum Cavaleiro interfira. Devemos permanecer no Santuário até segunda ordem de Athena.
- Mas por que ela pediu isso?
- Se Athena foi ao Olimpo sozinha, devemos ir também. - diz Shiryu.
- Shiryu..? - Shun murmura.
- Vários deuses já vieram à Terra com o intuito de destruir os humanos... - Shiryu prossegue.
- Está querendo dizer que... - Hyoga começa.
- Sim... - o Dragão confirma - Athena certamente quer impedir uma nova guerra, desta vez contra o Olimpo inteiro.
- Mas se for assim, ela deve estar com problemas. - Seiya preocupa-se - Temos que ir ajudá-la!
- Espere, Seiya... - Hyoga o detém.
- Hyoga..?
- Será difícil chegarmos até o topo do monte Olimpo, que é um local sagrado.
- Mas não podemos desistir, pois somos os sagrados Cavaleiros de Athena!
- Sim, tem razão, Seiya. - Shun afirma.
- Será um longo trajeto... - Hyoga comenta - Nem ao menos sabemos onde se localiza o Olimpo.
- Desobedecerão as ordens de Athena? - Mu os questiona.
- Mu! - Seiya o repreende.
- Athena ordenou que não interferissem.
- Mas não podemos ficar parados enquanto Saori tenta salvar a Terra sozinha. - diz Shun.
- O que estamos esperando? - Seiya fala aos amigos - Vamos!
Shiryu / Hyoga / Shun: Sim!
Mu observa os quatro Cavaleiros de Bronze partirem do Santuário, pensando: "Athena não ordenou que os Cavaleiros de Bronze fossem impedidos de vê-la, portanto..."
