Capítulo IV
Dezoito anos em um dia
Leohnora desceu para o café atrasada como sempre, mas para sua surpresa e alegria, Severus ainda estava sentado na cadeira ao lado da sua. Ela vestia uma veste verde clara que contrastava lindamente com seus cabelos acobreados. Assim que entrou no Salão ela o viu erguer os olhos em sua direção. Leoh encaminhou-se para a mesa, mas a meio caminho, foi interrompida por um aluno de último ano que queria retirar uma dúvida sobre a redação que ela pedira. Leohnora deu atenção ao menino e quando ergueu os olhos novamente, Snape quase fulminara o menino com o olhar. Interiormente ela riu.
Sentou-se ao seu lado ,e se serviu de torradas. Snape a encarou e perguntou em seguida
- Sempre é tão solicita com seus alunos ? - Seu tom era de escárnio
- Não, só com os que me procuram. - Ela retribuiu sorrindo
- Talvez devesse ser menos íntima deles - ele retorquiu
- Talvez não devesse se importar com isso - ela completou
Ele se levantou da mesa e saiu abruptamente. Leohnora olhou para os lados não havia mais ninguém ali, deixou seu café quase intocado saindo atrás da figura de negro.
Ela dobrou os corredores rapidamente. Tinha certeza que ele não podia ter tomado tanta dianteira. Desceu outros tantos corredores. Por Merlim estou perdida em Hogwarts! – pensou, quando ia dobrando mais um corredor, deu de cara com Filch , e se esforçando para parecer controlada perguntou ao zelador:
- Sr. Filch, poderia me dizer como chegar nas masmorras?
- É só seguir por aquele corredor a sua esquerda - disse resmungando mais alguma coisa inaudível.
Leoh fez exatamente o que ele dissera e saiu diretamente nas masmorras. Um menino passou por ela correndo, devia ser da Sonserina para estar ali e ela o interpelou:
- Saberia me dizer aonde é o escritório do Prof. Snape ?
- A segunda porta esquerda depois da tapeçaria, professora - ele sorriu e saiu correndo novamente pelo corredor
- Obrigada - ela disse sem ter certeza de que ele ouvira.
Seguiu pelo corredor frio até a porta indicada pelo menino e bateu.
- Entre - a voz de Snape soou do outro lado
Leohnora entrou e parou no mesmo instante. Ao lado de Snape estava um homem alto e loiro com olhos azuis acompanhado por um rapaz de uns dezoito anos igualmente loiro. O coração de Leoh acelerou e ela prendeu a respiração, sua vontade era de dar meia volta e sair por onde viera. Snape a deteve dizendo:
- Professora SaintClair - Ele sorriu-lhe indulgente ,mas as palavras gelaram sua alma - È claro que se lembra de Lucius, não?
- Sim -ela balbuciou e baixou os olhos.- Como vai Malfoy?
- Minha cara srta.SaintClair- Ele se aproximou beijando-lhe a mão - Não sabia que estava lecionando em Hogwarts. Deixe que lhe apresente meu filho, Draco - e dizendo fez um gesto para o menino se aproximar - Soube que vai defendê-lo no julgamento, é verdade?
- É verdade, Lucius - Ela o fitou detidamente. Malfoy estava mais magro e abatido mas não deixara seus maneirismos de lado - Prazer, Draco. – ela disse estendendo a mão em direção ao rapaz - Meu nome é...
- Leohnora Norris SaintClair - O rapaz completou prontamente, e beijando-lhe a mão como o pai fizera antes, disse - Encantado
- Continua linda ,Leoh. - disse-lhe Lucius empurrando o filho para o lado, discretamente. - È uma pena não termos casado.
- Como sempre galanteador, não Lucius? – Foi a vez de Snape interrompê-lo
- Você sabia, não, Severus ? - Sorriu triunfante - Eu deveria ter me casado com a srta. SaintClair a alguns anos atrás... Acho que lhe contei na época. Ela era sua aluna, não?
- Sim, Lucius. - Snape estava pálido, mas se mantinha impassível - Me falou por várias vezes e ainda me fez prometer ficar de olho em sua noiva - completou contrariado.
- Tem razão, tinha me esquecido desse fato. - Lucius fitou-a demoradamente - Meu pai infelizmente foi contra minha escolha depois que Leohnora entrou para o Ministério. Foi quando conheci Narcissa.
Leohnora olhou lívida para Severus que desviou o olhar para Draco. Sentiu de repente faltar-lhe ar nos pulmões, se controlou e viu várias cenas se formarem diante de seus olhos. Viu Malfoy pedindo ao amigo que zelasse pela noiva, depois viu Snape abrindo a carta e lendo que a noiva de seu melhor amigo o amava. Um raio cruzou seus olhos e ela voltou ao presente. As pernas bambearam, ela se sentiu fraca e amparou-se nas paredes. Severus percebeu seu movimento e olhou para ela.
- Lucius - disse seco - Peço que me desculpe, mas tenho uma aula para dar. E me parece que a professora deseja algo - e virando-se para ela - Seria mais poção para dormir?
Ela respondeu afirmativamente. Pai e filho fizeram-lhe uma mesura e se encaminhavam para porta, quando Lucius voltou-se para ela e sussurrou ao seu ouvido:- Nos vemos depois ,Leoh. Leohnora não respondeu e ele se foi. Snape esperou que ele fechasse a porta e desceu o degrau na direção dela . Amparou-a até a cadeira, fê-la sentar e deu-lhe algo para beber. Leoh respirou vagarosamente e a cor começou a voltar aos seus lábios.
- Porque não tenta se alimentar? - Ele a encarou sério
- Porque nunca me contou que sabia que eu era noiva de Lucius? - Sua voz estava embargada e as lágrimas caíam de seu olhos, grossas.
- Faria alguma diferença ? - deu-lhe um sorriso amarelo - Seu pai já tinha aceitado o casamento... Pronto era o que bastava!
- Sim. - murmurou enquanto as lágrimas corriam livremente pelo seu rosto.- Você leu a carta, sabia que eu não amava Malfoy!!
- Seu pai não a deixaria casar comigo, acaso esqueceu que sou um mestiço? - As palavras soaram frias como navalhas.
- Meu pai nunca seguiu as idéias de Voldemort - ela falou séria
- Não é uma questão de idéias, Leoh ... É uma questão de família, princípios, sangue! - Ele desviou o olhar
- Para mim isso nunca significou nada! - ela rebateu furiosa e se pôs de pé - Agora não há mais meu pai ou minha família... Qual seria sua desculpa?
- Há sim, ainda há Lucius... Ele não vai desistir fácil – Encarou-a mais uma vez - Eu o conheço bem, você é um troféu que ele nunca teve.
- Eu não o quero! Nunca o quis... - ela ficou de pé e se agarrou nas vestes dele - Você sabe disso muito bem, não sabe?
Snape colocou-a sentada novamente na cadeira a sua frente e foi até sua mesa. Abriu a última gaveta e retirou alguma coisa lá de dentro. Voltou em direção á ela e quando chegou perto, esticou-lhe o braço. Leohnora viu um pergaminho desbotado com o selo rompido e recebeu-o em suas mãos, abrindo-o. Reconheceu a própria caligrafia na parte interna assim que começou a lê-la. Mordendo os lábios e devolveu-lhe o pedaço de papel.
- Eu guardei isso durante esse tempo todo - Pegou o pergaminho e colocou-o no bolso das vestes - Sabe o quanto sofri esses anos todos? - Ele a fitou. Seus olhos cintilavam de fúria e continuou: - Você me insultava todos os dias que nos víamos na Ordem, como se já não bastasse ter que esconder meus sentimentos por causa de Lucius! Por causa de Voldemort! Por sua causa!
- Você nunca demonstrou que me amava.- Um soluço estremeceu o corpo dela - Você sempre foi grosso e estúpido.
- Bom, agora você sabe por que a mantive sempre longe - Sua voz era mais calma - Viu tudo o que tive que fazer, não viu? São coisas das quais não me orgulho muito. Cheguei ao ponto de matar Dumbledore, o único que acreditou realmente em mim, e... Não sei se vou conseguir provar minha inocência. Pelo menos Voldemort está morto.
- Eu vou provar sua inocência - Ela segurou a mão dele - Vou encontrar Sibylla. Eu vi as memórias de Dumbledore, sei que é inocente.
- Desde quando sabe ? - Ele parecia surpreso e arqueou a sombrancelha.
- Há três anos eu vi as memórias, mas só fiz a ligação entre o que vi e o que aconteceu a pouco mais de dois meses - Ela o encarou - Dumbledore e Minerva me pediram para lecionar aqui para isso... Sou eu quem vai defendê-lo no Ministério, Sevie.
- Você vai me defender? - disse aturdido - Como conseguiu isso?
- Coloquei meu cargo de chefe do departamento á disposição, caso eu perca - retorquiu.
- Você fez o que? - disse incrédulo - Está louca? Dedicou sua vida para conseguir isso...
- Sinceramente, professor...- sorriu infantil - Você vale mais que qualquer cargo.
Ela se levantou da cadeira, foi até ele e beijou-lhe suavemente os lábios. Snape a abraçou ternamente e ficaram parados assim durante algum tempo.
