'Cause even if we can't be together

Porque mesmo se nós não pudermos ficar juntos

We'll be friends now and forever

Seremos amigos agora e para sempre

And I swear that I'll be there come what may

E eu juro que ficarei aqui de qualquer jeito

When the night is dark and stormy

Quando a noite for escura e tempestuosa

You won't have to reach out for me

Não precisa me procurar

I will come to you

Eu virei até você

Oh I will come to you

Oh, eu virei até você

I Will Come To you - Hansons

Hermione chegou no dia seguinte, e foi recebida com um delicioso almoço da matriarca Weasley. Todos concordavam que nada poderia ser melhor para reanimar-se depois de uma viagem, e a morena acompanhou os ruivos a Toca logo depois que chegou ao Ministério. Hermione, Arthur e Ginny aparataram nos jardins da bela e humilde casa, sendo recebidos logo depois por Fleur, que trazia Brine nos braços. O almoço foi tranqüilo, cheio de declarações de saudades e lembranças boas. Era uma família feliz. Mas, para Ron, era incompleta.

Os passos no corredor foram totalmente ignorados, e o ruivo esforçava-se para não ouvir também as batidas na porta. Não entendia ao todo o porquê, mas seu humor estava tão ácido que não permitia muitas conversas. Apenas aceitou dormir na sua antiga casa para não fazer desfeita a sua mãe, que queria todos os filhos debaixo de suas asas, pelo menos aquela noite. Um sentimento agora compreendido por Ron.

- Ron? – Ele ouviu a voz baixa e conhecida de Hermione do outro lado da porta. Não respondeu. – Ron, podemos conversar? – O pedido foi feito com tanta doçura que o ruivo cedeu um pouco.

- O que aconteceu? – Perguntou, sem abrir a porta.

- É o que eu quero perguntar! – A morena exclamou. Com um sorriso esboçado nos lábios, ele abriu a passagem.

Ela sentou-se na cama do ruivo – essa um pouco maior do que a cama do apartamento – e convidou-o a fazer o mesmo.

- O que aconteceu com você? – Perguntou, rápido, antes que ele começasse outro assunto.

- Nada.

- Sabia que responderia isso. – Disse, suspirando. – Sua mãe disse que você fez um bom trabalho pro curso, pensei que estaria feliz em se tornar auror e...

- Estudos não são tudo. – Ron afirmou, seco. Claro que ela não concordava com aquilo, mas não demonstraria raiva a alguém que não está bem.

- Eu sei, mas também ouvi dizer que sua vida está maravilhosa, que seus amigos são ótimos, vocês se divertem...

- Talvez... – Ele começou, mas engoliu em seco, tomando coragem para concluir a frase que nunca pensou que diria. – Talvez diversão não seja tudo também. Talvez essa não seja a vida que eu quero.

- E pode me dizer o que, talvez, tenha lhe feito pesar assim?

Não podia mais esconder o que sentia, não podia mais negar que os últimos dias o afetaram de um modo que nada mais afetou. Contou a amiga sobre Isabela, sobre o quanto a menina loura havia sido sua melhor companhia, sua melhor amiga.

- E por que você não a adota? – Hermione perguntou, depois de ouvir pacientemente o relato dos dois dias.

- Oras! – Ron exclamou, exasperado. – Porque... Porque... Eu não estou preparado! – Concluiu, como se aquilo fosse a mais óbvia das coisas óbvias.

- Quem disse isso?

- Como assim? – Ele perguntou, ainda mais surpreso. – Você! Você e o resto do mundo!

- Ron, não é só porque o mundo diz alguma coisa que você não pode provar o contrário. – Um sorriso leve formou-se nos lábios da morena. – Acho que Isabela te ajudou a crescer. E nada mais justo que ajuda-la a crescer também.

O ruivo parou por um momento e refletiu. Ela, como sempre, estava certa. Sem Isa, ele seria a mesma criança de sempre. Com ela, era o melhor pai do mundo. Sorriu para Hermione, em concordância. Tomaria um banho, jantaria rápido e, logo depois, voltaria para a sua menina. Sua sardentinha.

A noite foi tempestuosa, mas nada impediria Ron de ir atrás de Isabela. Quando aparatou na rua atrás do orfanato, sentiu os pingos de chuva molhando-o sem cessar, e o barulho dos trovões deixou-o sem raciocinar durante algum tempo. Tocou a campainha e esperou até a velha recepcionista abri-la, para o conduzir até a diretora. Assinou alguns papéis na sala muito apertada da mulher e logo foi conduzido a um dos quartos. A diretora, que ainda usava um coque apertado na nuca, empurrou a porta com força, ansiando por se livrar da menina esquisita que fazia as bonecas flutuarem. Isabela, que estava sentada na cama, levou um susto que a fez saltar de lá. Quando encarou os olhos azuis de Ron, parou.

- Parece que alguém mudou de opinião, querida. – A diretora disse, com um sorriso cínico o rosto.

Ela não se moveu. Continuou encarando o ruivo, em um misto de surpresa e mágoa. Ron reparou que trazia Sophie nos braços, e que algumas lágrimas manchavam suas bochechas. Talvez o medo de trovões a fizesse chorar. Ou seria saudade? Sara, a boneca, estava na cama que Isabela acabar de deixar, e provavelmente a menina estava abraçada nela poucos minutos atrás.

- Bem... – A diretora continuou, constrangida com a falta de atitude da loira. – Vou deixar vocês a sós. – Dizendo isso, saiu do quarto. Ron sentou na cama de Isabela e segurou Sara nas mãos.

- Não vai arrumar suas roupas? – Perguntou, na esperança de que ela reagisse. A menina virou-se devagar para ele, como se tentasse racionalizar sua pergunta.

- Por que decidiu me adotar? – Questionou, visivelmente segurando as lágrimas.

- Acho que... – Ele começou, sem saber ao certo o que dizer. – Que fiquei pensando que ninguém nesse orfanato cuidaria de você essa noite.

- Mas eles sempre cuidaram de mim e... – Ela ia justificar, mas Ron não deixou.

- Eles sabem que você tem medo de trovões? – Interrompeu. Isabela ficou quieta, mas o ruivo entendeu que não. – Só eu sei que você tem medo de trovões. Só eu posso cuidar de você essa noite.

Isabela fitou-o por mais algum tempo, antes de sair do lugar e procurar uma mala dentro do guarda-roupa. Enquanto arrumava suas roupas e utensílios, Ron andava de um lado para o outro no quarto.

- Você está mentindo. – Isabela sentenciou, levantando, a mala já pronta na mão. Ron olhou-a, curioso. – Você só quer me adotar porque não sabe cozinhar. – Completou, sorrindo.

Ele riu gostosamente, andando em direção a ela e levantando-a nos braços. Acolheu a menina gentilmente, dizendo:

- É, é verdade. Preciso de alguém que me ensine. – Afastou-se dela, ainda sorridente. – Quer ser minha filha?

Um brilho radiante tomou o olhar da menina. Era tudo que mais queria no mundo. Acenou freneticamente com a cabeça, sem palavras pra expressar o quanto o queria.

Foram novamente de metrô para casa. Passaram por ruas alagadas, ouvindo alguns trovões. Mas a menina não ficou com medo. Estava ao lado do seu protetor, seu amigo, aquele que nunca a deixaria sozinha. Seu pai.


N/A: Nããão chorem, ainda tem epílogo! Ficou muito curtinha aa história, né? Prometo que faço fics maiores!

Aliás, vocês gostam de James/Rose?

Aguardo reviews! E não se preocupem, o epílogo sai rápido!