Olá, está ai mais um capítulo, espero que gostem.
Severus deu-se um tempo para se refazer das acusações mútuas e do sexo com Lucius num dos lugares que mais gostava na mansão, a biblioteca dos Malfoy. Sentia-se a vontade ali, de modo que pegou o livro que precisava e sentou-se na poltrona confortável que usou várias vezes para ler para Draco ou mesmo transar com o pai do afilhado, um sorriso amargo brotou em seus lábios ao lembrar-se disso, mas preferiu ignorar as lembranças e se focar no que havia ido fazer na mansão. Ainda tinha a varinha de Lucius junto da sua e não estranhou quando o loiro chegou na biblioteca quase uma hora depois vestindo um elegante roupão negro com bordados em fio de ouro, estava solto sobre o corpo do outro e Severus evitou olhar para as marcas visíveis no peito que seu chicote havia deixado na pele pálida do outro.
- Você já foi mais perceptivo para entender quando se retirar Snape.
- Vim aqui para falar da segurança do meu afilhado e não para uma foda rápida. – Alfinetou o moreno.
- Não preciso da sua ajuda para cuidar do meu filho Snape! – Disse Lucius calmamente, já com sua postura recuperada.
- Isso é algo a ser discutido, onde você estava mesmo quando ele foi atacado por Greyback?
- Foi uma situação excepcional, Draco nunca sai de casa normalmente.
- Ah, eu tinha me esquecido do quanto ele gosta de ficar isolado como um leproso nessa mansão.
- Estou trabalhando nisso e vamos recuperar terreno, mas aos poucos.
Severus não gostou nada dessa afirmação tranquila, Lucius estava tramando algo e ele pressentia que Greengrass estava no meio disso. O ciúme voltou a carcomê-lo, mas se limitou a girar o livro e empurrá-lo na direção do loiro que se apoiava na beira da maciça escrivaninha da biblioteca.
- Potter me enviou o relatório preliminar. Esse símbolo apareceu na testa do Greyback antes de ele desaparecer numa área protegida por aurores.
Lucius franziu o cenho preocupado, aquele feitiço havia sido inventado por um de seus antepassados e poucas pessoas podiam executá-lo.
- Quem demônios conseguiu atar Greyback tão forte? O maldito animal dá um grande trabalho pra ser domado. – Murmurou Lucius.
- Eu sei, estava lá enquanto você fazia lembra? – Recordou Severus. – Percebe a complexidade do problema Lucius? Tem alguém muito poderoso e inteligente atrás de vocês. E o que me preocupa é que quem quer que seja é esperto e perigoso o suficiente para se manter escondido. Não estamos tratando de uma turba ensandecida ou com fugitivos irritados querendo uma vingança rápida.
- Claro que não, dessa vez é um que quer uma vingança mais elaborada. Mas não acha precipitado dizer que está atrás de nós? Afinal, seja lá quem for não tem como ter sabido que Draco iria aquela boate.
- Tem certeza? Deixaria a segurança do seu filho baseada nisso? – Pressionou Severus.
- Não, mas vou me assegurar. – Cedeu Lucius racionalmente. – Era só isso? – Inquiriu o loiro.
Severus levantou da poltrona e se aproximou do outro deixando-se inebriar pelo perfume que a pele exalava. Deixou os dedos tocarem os vergões no peito do outro, recebendo um estremecimento em resposta.
- Sinto sua falta. – Confessou compungido.
Lucius encaixou a cabeça no ombro do outro e acariciou os cabelos negros. Beijou-lhe a orelha docemente e sussurrou:
- É o preço que se paga por ser um traidor. Agora, fora daqui.
Severus quase sorriu quando viu o loiro apontando com a varinha que havia recuperado de suas vestimentas. Preferiu apenas balançar negativamente a cabeça e sair depois de lançar um olhar dolorido ao outro. Só quando ouviu o amante saindo pela lareira é que Lucius deu-se ao luxo de apoiar-se com as duas mãos na mesa e soltar o fôlego e as lágrimas.
- Também sinto sua falta, maldito traidor. – Sussurrou para a solidão da casa.
Draco odiava dar o braço a torcer, mas o pai tinha razão, ele acordou muito bem depois do sono reparador que a poção havia lhe proporcionado. Claro que acordou com muita fome devido ao tempo sem comer e se arrumou rapidamente para ir tomar café com o pai. Desceu as escadas rapidamente e quando chegou ao salão onde geralmente tomavam café estranhou não ver o pai e apenas o elfo doméstico que comandava os serviços da mansão.
- Meu pai ainda não desceu Tip?
- Ainda não amo Malfoy, senhor.
- Eu estou com fome, que falta de consideração comigo. – Resmungou.
- Concordo com isso querido, seu pai anda muito relapso.
Draco não ousou se virar para confirmar se a voz cristalina que ouvia era mesmo de sua mãe. A morte de Narcisa ainda doía e aquilo só podia ser uma alucinação, produto de um mau funcionamento da poção.
- Mas que filho mau que eu tenho, não vai me dar as boas-vindas?
Com o coração retumbando no peito Draco se virou e viu a figura da mãe sim, diante dele havia um corpo com a aparência de Narcisa Malfoy, mas os olhos totalmente negros e a pele de um cinza doentio não escondia o fato de que aquilo não era sua mãe.
- Não sei o que ou quem você é, mas vai me pagar caro por usar o rosto da minha mãe!
Draco não gostava de matar, mas aquele desrespeito à imagem e a memória da mãe o enfureceram ao ponto de desejar realmente matar aquilo. Ele que nunca fora capaz de usar um Avada na guerra agarrou a varinha firmemente, pronto para atacar. Mas para não ser Narcisa, a coisa tinha bastante da rapidez dela e sem titubear lançou um Bombarda que rebotou num potente escudo que tanto Draco quanto o elfo invocaram.
- Tip protege o amo Draco senhor. Essa não é a ama e não pode machucar o senhorzinho! – Exclamou o elfo com sua voz esganiçada.
Draco ia contra-atacar quando o elfo agarrou-o pela mão e apareceu-o no quarto seguro.
- Tip, seu elfo inútil! Por que fez isso? – Esbravejou o loiro.
- O amo Lucius senhor ordena a todos que protejam o amo Draco senhor. Tip não pode deixar o senhorzinho sair até que seja seguro.
Draco lembrou-se de pronto do pai.
- Onde está meu pai Tip? Você tem que ir busca-lo!
- Tip não pode amo Draco senhor, o amo Lucius ordenou que não saísse do lado do pequeno amo enquanto houver perigo.
- Elfo maldito do demônio! Me obedeça!
Tip começou a choramingar sobre não poder obedecer e logo estava batendo com a cabeça na parede castigando-se. Draco nunca tinha sido colocado no quarto seguro, mas sabia que ali ninguém poderia aparecer-se, nem mesmo seu pai, só os elfos eram capazes de entrar e sair, por isso era o melhor local para a proteção dos herdeiros, afinal, os elfos eram leais ao cabeça da família. O desespero de Draco aumentou quando os barulhos de explosões começaram a chegar até o local, sem poder se conter o loiro chutou a poltrona que estava ali. Odiava não saber o que estava acontecendo.
Lucius havia descido as escadas correndo ao ser avisado por um dos elfos sobre o ataque a Draco, quando chegou ao salão em que costumavam tomar café da manhã encontrou-se com a visão grotesca de algo com a aparência de sua esposa lançando bombardas por sua sala. Sem nem piscar atacou e surpreendeu quando seu feitiço foi interceptado.
- Que cruel Lucius, querendo me machucar. Não fica feliz de me ter de volta?
- Não sei quem é você, mas não interessa em qual buraco está escondido, vai pagar caro por ter feito isso com a minha mulher! – Esbravejou ensandecido.
- Sempre tão astuto, se sabe o que eu fiz, sabe também que seus ataques não vão funcionar. Já os meus ao contrário... crucio!
A maldição dita de forma rápida e precisa pegou no loiro em cheio, logo ele caía vítima dessa dor que lhe atravessava o corpo nublando os sentidos e obrigando-o a gritar. Mas os castigos de Voldemort haviam-no fortalecido além do normal , enquanto a figura de sua esposa ria e se vangloriava ele segurou sua varinha fortemente e se concentrando formulou um feitiço não verbal, um dos poucos de ataque que conhecia e logo seu atacante tinha que lidar com o fato de ter tido a língua cortada. Assim que o crucio parou seu corpo trêmulo e enfraquecido impedia-o de se levantar, mas esforçou-se em ordenar que um dos elfos pedisse ajuda.
Com uma substância viscosa e negra saindo da boca a figura de Narcisa não falava mais com a voz suave da falecida, mas sim com uma voz fina de criança, era perturbador.
- Agora vou ter que te castigar por ter estragado o corpo da minha nova mamãe! Ela agora não pode mais cantar pra mim.
Reunindo forças Lucius apontou sua varinha rapidamente e gritou:
- Diffindo!
Doeu-lhe ver a figura de Narcisa perdendo a mão que segurava a varinha e ainda ter que ouvir os gemidos grotescos que ela emitia. Esforçando-se para colocar-se de pé ele repetiu o feitiço e a figura perdeu a outra mão, o que ele não esperava era receber um feitiço pelas costas, ele não sabia do que se tratava, mas foi como sentir um ferro em brasa adentrando na pele. Seu grito sofrido foi a primeira coisa que Severus escutou quando ele e o elfo apareceram-se na mansão, o moreno não demorou nem dez segundos para chegar ao salão e quando viu o loiro caído e duas figuras que não deveriam estar ali. Narcisa e Bellatrix estavam mortas e aquilo era uma aberração da qual nem Voldemort havia sido capaz.
- Se não é o mestiço traidor que veio para a festa! – Bellatrix continuava com voz de louca mesmo depois de morta.
Severus nem perdeu tempo em tentar lutar com aquela coisa, olhou para o corpo de Lucius e apontou a varinha para ele.
- Accio Lucius!
Antes que qualquer uma pudesse reagir o corpo do loiro tinha voado até ele e instintivamente o moreno apareceu-se em sua casa. Mesmo inconsciente Lucius gemia de dor e Severus sabia que o loiro sangrava porque sentia em seus braços quentes e viscosos. Levou-o para o quarto e colocou-o de bruços na cama, percebeu que ele devia ter sentido mais dor porque soltou um alarido e sua respiração ficou errática.
- Eu tenho que ir buscar o Draco, por favor, aguenta mais um pouco.
Severus não sabia se o grunhido era de dor ou de aquiescência, mas ele não podia esperar para saber, por isso, apareceu-se na mansão novamente. Dessa vez não ouvia barulho nenhum, mas não podia dar nenhuma chance ao azar, lançou um feitiço desilusionador em si mesmo e foi para o segundo andar da casa ouvindo tudo estranhamente silencioso. Ao chegar ao quarto de Draco viu tudo revirado sentiu um aperto no peito. Se ele tivesse chegado tarde tinha certeza que Lucius morreria de tristeza.
- Tip seu elfo dos demônios, venha já aqui. – Murmurou.
Surpreendeu-se quando o elfo obedeceu e apareceu.
- Os intrusos ainda estão na casa?
- Não senhor Snape, senhor. Elas destruíram o quarto do meu senhorzinho, mas não acharam ele porque Tip é um bom elfo e levou o herdeiro para o quarto seguro senhor!
- Então traga meu afilhado aqui.
O elfo encolheu-se e suas orelhas murcharam.
- Tip não pode senhor Snape senhor, o amo Lucius ordenou que o senhorzinho ficasse no lugar seguro até ele aparecer e meu amo não está.
- Tip, Lucius está muito ferido e eu levei-o pra minha casa, preciso que busque o Draco agora! O perigo passou, pode tirá-lo de lá agora.
- Tip vai conferir senhor Snape, senhor.
Em menos de um piscar de olhos o elfo havia desaparecido e Severus pôde sentir uma onda de magia recorrendo a casa. Assim que se deu por satisfeito Tip voltou a aparecer-se na frente do mestre de poções.
- A mansão está segura, vou buscar o meu senhorzinho.
Antes que Severus pudesse esboçar reação o elfo aparecia segurando na túnica de Draco que parecia agitado e preocupado.
- Onde esta meu pai? O que houve?
- Ferido na minha casa, preciso de ajuda para curá-lo, pode aparatar?
- Claro. – Draco disse prontamente e desapareceu junto com o padrinho.
Severus sempre apreciou a capacidade do afilhado de agir calmamente em situações onde a maior parte ficaria histérica. Os dois chegaram a Spinner's End e foram recebidos com os gritos nada graciosos de Lucius. Correndo escada acima os dois chegaram ao quarto onde Lucius se retorcia na cama e estavam empapados de sangue.
- A poção de anestesia? – Perguntou Draco movendo-se para o armário do padrinho.
- Não podemos usá-la. Era uma invocação da Bellatrix, acho que ela usou uma das maldições Black de que tanto gostava.
- Ele vai morrer? – Perguntou o jovem com voz embargada e com alguns frascos nas mãos.
- Não. Sei parar o efeito. Bella sempre teve talento e predileção por maldições de tortura, sorte a nossa que seu pai é mais poderoso que a maioria.
- Mas não pode dar nada pra dor? – Perguntou Draco agoniado de ver o pai sofrendo por causa da maldição.
- Não, por enquanto não.
Os dois se colocaram a trabalhar e Severus não podia impedir que seu peito inchasse de orgulho ao ver a segurança com que o menor lidava com as feridas do pai. Não podia esquecer que o desejo de Draco de ser medimago havia sido negado pelo Ministério e isso o havia irritado muito na época, afinal, o rapaz tinha talento nato para lidar com maldições e emergências. Suas divagações foram interrompidas pelo estremecimento das proteções da casa, com um passe de varinha abriu a porta para o único que lhe fazia visitas. Logo Harry Potter surgia no quarto usando seu uniforme e com o semblante carregado.
- Acabei de chegar do Beco Diagonal e não vai acreditar em quem estava distribuindo maldições por lá.
- Bellatrix suponho. – Disse o professor laconicamente terminado de limpar as feridas com a ajuda de Draco.
- Como sabe? Kingsley me mandou vir até aqui buscá-lo.
- Ela e Narcisa atacaram a Malfoy Manor antes de irem ao Beco e como pode ver conseguiram ferir o Lucius, estou ocupado.
- Por que não o leva a St. Mungo? – Perguntou o moreno incômodo, uma coisa era que não gostasse do homem, outra que o visse sangrando e se retorcendo de dor.
- Nem você pode ser tão ingênuo Potter. – Silvou Draco irritado, estava lutando para manter o pai quieto enquanto Severus passava um unguento que parava a progressão da maldição.
Harry suspirou derrotado e deu de ombros.
- Posso ajudar? – Perguntou ao ver como o loiro tinha dificuldade em conter o pai que gritava de dor enquanto as feridas em suas costas fechavam, mas soltavam uma fumaça negra no processo.
- Pensei que estivesse esperando um convite formal. – Zombou Severus, mas agradeceu mentalmente o par de braços do Gryffindor para imobilizar Lucius.
Foram alguns minutos em que o Malfoy mais velho sofria em agonia e Harry sentiu um aperto no peito ao ver as lágrimas brilhando nos olhos acinzentados de Draco. Iria matar Bellatrix de novo só pelo fato de ter deixado seu loiro triste. O moreno quase soltou o homem quando percebeu a possessividade com que pensava no outro sem nem ter nada com ele.
- Potter! – O grito irritado do objeto de seus pensamentos o fez voltar a realidade. – Já pode soltar meu pai.
Harry corou ao perceber que praticamente abraçava o loiro mais velho enquanto Snape zombava dele com o olhar e Draco o fuzilava. Soltou-o sem fazer comentários e viu como o pocionista fazia o outro beber uma poção a contragosto.
- Que maldição é essa? – Perguntou Harry.
- Uma combinação do Diffindo com Incendio, o segredo é que a maldição continua cortando a carne e os órgãos enquanto a carne queima, não com fogo claro, só com a ardência. – Severus explicou.
- A cara daquela louca, como ela está viva?
- Ela não está viva seu mentecapto! É um feitiço, a figura e os gestos são da Bellatrix, mas não passa de uma casca que aprisiona parte do espírito dela. É o que chamamos de invocação impura. – Explicou Severus em seu tom professoral.
- Entendo, agora, podemos ir até o Ministério? Kingsley está esperando, ele quer saber exatamente o que aconteceu e imagino que vai querer interrogar os Malfoy também.
Snape bufou e Draco ficou tenso.
- Não tão ingênuos para pensar que o Ministério não ia querer revirar essa história? – Foi a vez de o moreno zombar. – Ainda estávamos trabalhando na explosão da boate quando Bellatrix apareceu no meio do Beco, podem imaginar o pânico que isso suscitou na população? Sem querer ser cruel Malfoy, mas não espere muita compreensão, alguns colegas vão achar que esses ataques a vocês são apenas estratégias para acobertar uma possível participação.
Draco ergueu o queixo com altivez e perguntou com sua típica voz arrastada:
- É mesmo? E você? O que acha disso tudo Potter?
Harry deu de ombros.
- Acho que seu pai é uma serpente rasteira, mas esperto o suficiente para não cometer o mesmo erro uma terceira vez depois de ter experimentado uma quase cadeia perpétua em Azkaban. – Explicou dando alguns passos em direção ao loiro. – E você... – Disse segurando o queixo atrevido. – Agora já aprendeu sua lição não é?
Draco sentia-se hipnotizado pelos olhos verdes e brilhantes do outro, os acontecimentos recentes tinham sido um golpe em seus nervos e a luta constante com seus instintos o sobrepassava naquele momento. Sem evitar assentiu para o moreno que sorriu e se inclinou roçando seus lábios nos do loiro que suspirou de prazer, era um bálsamo para seus nervos ter Harry Potter por perto e exalando segurança. A magia do momento foi quebrada pelo gritinho indignado do moreno que se virou furioso para Severus Snape que ainda segurava a varinha em sua direção.
- Isso doeu Severus! – Reclamou o moreno esfregando seu dolorido traseiro.
- Era essa a intenção seu Gryffindor abusado. – Murmurou Severus ameaçador. – Como se atreve a se aproveitar do meu afilhado na minha casa?
Draco corou e Harry apenas sorriu maroto.
- Nem foi um beijo de verdade seu amargurado. Além disso, ele estava gostando.
- Seu.. seu... – Draco não conseguia achar um insulto bom o bastante para sua raiva.
- Companheiro eleito? – Sugeriu o moreno.
Draco empalideceu e olhou acusadoramente para o padrinho.
- O pacote completo então Snape? Traidor e delator, o que vem depois? Vai avisar o Controle de Criaturas Mágicas? Tenho certeza de que Umbridge pode achar uma lei para me enfiar numa jaula e jogar a chave fora. – Disse acidamente.
- Eu não...
- Não fale assim com ele seu mimado mal-agradecido! – Esbravejou Harry defendendo o outro.
- Entendo. Achou um novo pupilo também? – Disse Draco picado pelo duplo ciúme ao perceber que seu padrinho e Potter haviam desenvolvido uma relação amigável. – Cuidado Potter, ele é do tipo que passa anos preparando o momento crucial para te jogar aos leões.
Severus conteve Harry com um aceno.
- Eu nunca disse nada a ele, nem a ninguém. Entendo que esteja bravo, mas ainda me deve respeito meu jovem, ainda mais dentro da minha casa. Essa não foi a educação que seus pais te deram.
Draco avermelhou de raiva e vergonha, olhou para a cama onde o pai dormia agitado, claro que a raiva venceu a vergonha em meio ao caos emocional que o loiro vivia.
- Como se atreve a falar dos meus pais? Justo você! Os dois confiavam em você tão profundamente que você deveria se envergonhar de tudo o que fez! Minha morreu Snape, ela foi morta por um bando de loucos enquanto você recebia uma Ordem de Merlin. O que eles tinham? O que demônios eles tinham para fazer alguém virar as costas a sua própria gente? – Perguntou beirando as lágrimas.
- Eles estavam contra aquele louco Draco, sabe que ele tinha que ser parado.
Draco deu um sorriso amargo que não combinava com seu rosto na opinião de Harry.
- Sabe que o meu pai só se uniu a ele de novo porque estava com medo do que ele faria se descobrisse que eu sou... essa coisa. – Disse o loiro envergonhado baixando a cabeça.
Harry não aguentou isso e foi até o loiro erguer seu queixo novamente.
- Você não é uma coisa, é mágico e especial. É o meu veela de língua afiada e atrevido. E seu padrinho não me disse nada, eu te disse, sou o herdeiro dos Black e descobri isso por acaso na biblioteca de Grimmauld Place.
- Não sou seu! Eu... eu... – Draco começava a perder o controle perto do moreno que insistia em tocá-lo.
- Eu sempre pensei que essa coisa das nossas magias fosse por causa da raiva que sentíamos quando brigávamos, mas não é isso certo? É a sua magia me chamando pra perto, me seduzindo... me tentando. – Sussurrou o moreno de encontro aos lábios entreabertos de Draco.
- Eu não faço isso. – Defendeu-se Draco precariamente.
- Ah sim, você faz. Está fazendo agora mesmo, me tentando...
Sem se conter Harry juntou seus lábios aos do loiro e introduziu a língua na boca entreaberta do outro, achando-o deliciosamente suave e doce. Quando as línguas se tocaram ele sentiu um calafrio delicioso atravessando seu corpo e percebeu encantado que o outro não era muito experiente e que o respondia com uma timidez excitante.
- Potter largue o meu afilhado seu degenerado! – Esbravejou Severus.
Harry soltou o outro assustado de ter se esquecido da presença do ex-professor, mas para desgosto do homem abraçou o loiro que agora mal chegava-lhe ao queixo.
- Que estraga prazeres.
- Eu vou te cruciar até que...
- Não pode me machucar, lembre-se que seu afilhado escolheu a mim para companheiro. Se eu sofrer ele sofre.
Draco escolheu esse momento para regalar uma tremenda cotovela nas costelas do moreno que o soltou e gemeu de dor.
- Não seja imbecil Potter, acho que andou lendo contos de fada em vez dos livros dos Black. Não somos vinculados quatro-olhos.
Harry franziu as sobrancelhas, confuso.
- Vinculados? Mas sou seu escolhido.
Tanto Draco quanto Severus bufaram com desprezo ante a falta de informação do moreno.
- Por Merlin, vocês dois fazem isso igual, mas eu não li nada sobre... ah droga! Temos que ir Severus. – Disse o moreno pegando sua insígnia de auror que brilhava.
- Não quero deixar eles sozinhos.
- Não seja tolo, ninguém pode entrar nessa casa. Prometo que te liberamos logo, mas precisamos de ajuda nisso.
Severus olhou para Draco que deu de ombros.
- Acho que já podemos voltar a mansão e...
- Não! – Disseram os dois morenos do quarto ao mesmo tempo.
- Você fica aqui Draco, a proteção de sangue da mansão é ineficaz contra a invocação da Narcisa, ela pode entrar porque a magia a reconhece como família e pode levar quem quiser. – Argumentou Severus. – Pense no que seu pai faria.
Draco engoliu a má resposta e assentiu.
- Bom, voltarei assim que possível. – Disse colocando a capa negra.
- Nos vemos logo loirinho, estou louco para passarmos um tempo a sós! – Disse o moreno piscando coquetemente para Draco que revirou os olhos.
Assim que os dois desapareceram o jovem que ficou se sentou na cama ao lado do pai que ainda tinha espasmos de dor durante o sono e ficou acariciando o cabelo do mais velho.
- Não sei o que fazer com ele. Será que posso confiar nesse Gryffindor? Tem que acordar pra me ajudar papai. – Se queixou como um garotinho e se recostou ao lado de Lucius vencido pelos acontecimentos da manhã caótica.
Se chegou até aqui seja legal e deixe um comentário para eu saber o que acha da história. No próximo tem mais de Harry/Draco, mas precisava dar fundamento a relação, eles não podiam começar a se pegar do nada.
