Heart's on fire

By Theka Tsukishiro

Disclaimer: Saint Seiya não me pertence... Pertence sim ao tio Kurumada e etc, etc e etceteraetal. Se você não gosta de Yaoi e Lemon (cenas de sexo entre homens) não comece a ler essa fic. Pode fechar ali em cima no xizinho, ou mesmo clicar em voltar em seu navegador, pois não vou aceitar nenhum tipo de reclamação ou comentário maldoso. Ler é por sua conta e risco. Essa fic é sem fins lucrativos, apenas para diversão minha e de quem ler.

Lembretes: Essa fic é UA, angst (um pouco), Deathfic, romance e não apropriada para menores de 18 anos. A música usada neste capítulo: Nerver gonna be alone – Nickelback.

Agradecimentos: Agradeço à minha beta e amiga querida, Nana por sempre estar presente nas horas mais inusitadas, mostrando-me que eu conseguiria sair das maluquices em que eu me colocava. Também quero agradecer a Eliz por muitas vezes aturar minhas neuras e me dar uns toques e por último, mas não esquecida; a minha irmã Tay-chan por que... Ah bem... Ela sabe! Adoro vocês!

Sumário: A promessa de um amor eterno é posta em xeque pelo destino. Um elo denso e, de repente, a guinada. Até que ponto este será capaz de manter um coração aprisionado?

Presente de Amigo Secreto do Fórum Saint Seiya Dreams 2009

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Capítulo IV

Never gonna be alone

Ao parar ao lado do Gran Vitara, Camus coçou a nuca, pensativo. Havia esquecido alguns documentos sem assinar sobre sua mesa. Voltou seus olhos para as nuvens escuras. No horizonte, a chuva parecia já ter começado a cair. Bufou.

"Bem, não tem jeito. Talvez se eu for rápido, não tome chuva." – Pensou ao sair apressado na direção do hangar principal.

Em sua sala, deu uma nova lida nos documentos, já conhecia seu conteúdo, e assinou-os. Levou-os consigo e deixou sobre a mesa de Mask, que não se encontrava mais por ali. Quando chegou à frente do hangar,já havia começado a chover.

- Droga! – Murmurou para si mesmo. Escutou o barulho de um dos jipes se aproximando e não estranhou ao ver quem estava ao volante. A capota erguida. O limpador de pára-brisa quase não vencendo ao aguaceiro.

- Quer carona até o estacionamento? – Perguntou Milo. Em seus lábios, um sorriso devastador.

- Com certeza. – Respondeu Camus. Sentiu uma quentura subir-lhe pelo corpo, mas controlou-se. Era senhor de suas vontades e conseguiu esconder do loiro o que estava sentindo. Esperou que o carro estivesse sobre a cobertura do hangar e entrou rapidamente, acomodando-se do lado do carona. – Obrigado. – Agradeceu.

- Disponha. – Milo pôs o carro em movimento e comentou. – Essa chuva não podia ter esperado um pouco para desabar?

- Concordo. Vai ser um saco parar no bar. – O ruivo comentou ao acaso.

- Eu estou ilhado. De jeito nenhum saio daqui com essa chuva. Saí de casa sem minha roupa de chuva.

- Hmm... Se quiser, você pode deixar sua moto aqui eu te dou uma carona.

Milo voltou seus olhos surpreso para o instrutor. – Eu não quero incomodar ninguém.

- Milo, não é incômodo. – Retrucou o francês ao descer do jipe já no estacionamento coberto. – Vem comigo ou não? – Insistiu.

O loiro voltou seus olhos para o céu. A chuva parecia que não iria parar tão cedo. Ele não estava nem um pouco a fim de ficar sozinho esperando a 'boa vontade' do tempo.

- Está bem. Acho que ninguém vai mexer em minha moto, não é? – Pergunto ao parar ao lado Gran Vitara.

- Fica tranquilo, temos segurança na base. – Respondeu. Acionou o alarme, abriu a porta e acomodou-se atrás do volante. Esperou o grego entrar e colocar o cinto de segurança para manobrar e sair do estacionamento. Na saída da base, ligou o rádio e tomou o rumo do bar. Prestando maior atenção à estrada por conta da chuva, Camus não percebeu que era observado pelo loiro ao lado.

Milo estava curioso. Queria entender como Camus conseguira ficar afastado e afastar homens e mulheres de si. Ele chamava atenção por sua pele clara, os olhos castanho-avermelhados, os cabelos longos e ruivos... No cemitério mesmo ele não havia passado despercebido. Uma vaga ideia formou-se em sua mente, mas ninguém aguentaria viver sozinho. Ele mesmo,após Saga, tivera outras pessoas, mas de fato nenhuma delas havia lhe completado.

- Parece estar piorando, não é? – Comentou Camus, quebrando o silêncio.

- Sim, para descermos no bar vai ser uma coisa. – Milo respondeu ao sair de seus devaneios.

- O jeito é esperar um pouco. – Comentou pensativo.

Milo deu de ombros enquanto o francês parava o carro em uma vaga próxima da entrada. – Kanon e Aldebaran já estão aqui. – O grego falou ao reconhecer os carros estacionados.

- Que tal se arriscarmos correr até a entrada? – Perguntou ao encarar o grego.

- Vai ser engraçado se um de nós dois cair. – Gracejou. – Tome cuidado, ruivo. – Mirou-o nos olhos. Queira saber se ele iria protestar por ter sido chamado daquela forma. Não notou nada diferente. Abriu a porta e afirmou, antes de sair. – Te vejo lá dentro. – Saiu apressado. Bateu a porta e correu até a entrada.

Camus ouviu o grego, a alegria dele o contagiava. Assim que se viu sozinho, desligou o rádio. Tirou a chave do contato e estava pronto para sair do carro quando tomou um susto. Parado ao seu lado, já abrindo-lhe a porta, estava Milo. Ele segurava com uma das mãos um enorme guarda chuva multicolorido.

- Pronto senhor, aqui está sua "limusine". – Gracejou.

Camus sorriu de lado. Saiu do carro, ligou o alarme e voltou seus olhos para o grego. – Onde arrumou isso? – Perguntou.

- Digamos que tenho meus truques. Agora vamos, Camus. – Colocou uma de suas mãos no ombro do ruivo e conduziu-o para o bar.

Ao aproximar-se da mesa onde o pessoal estava reunido, o ruivo pode notar que apenas as pessoas mais chegadas se encontravam ali.

- Camus, quando Kanon disse que você viria, achei que ele estivesse delirando. – Aldebaran sorriu-lhe. – Até que enfim resolveu sair de seu mundinho. Venha, sente-se, vamos tomar alguma coisa.

- Aldebaran, do jeito que você fala, dá a impressão que sou um ermitão. – O ruivo retrucou ao acomodar-se ao lado do ex-cunhado.

- Ora, mas eu pensei que você fosse. – Kanon gargalhou.

Camus revirou os olhos e voltou-se para Milo. – Olha, não acredite neles, eu não sou assim. – E ao ver a garçonete aproximar-se, fez seu pedido.

- Não, longe de mim. Nem me passou pela cabeça imaginar isso de você. – Milo respondeu. Nos lábios, um sorriso divertido e despojado. O ruivo arqueou a sobrancelha e mirou-o nos olhos.

Enquanto esperavam a chegada das bebidas, iniciaram uma conversa animada. Apesar de ainda manter-se muito sério, Camus tentava se soltar um pouco mais. Tal atitude não passou despercebida por Kanon. Quando o ruivo afastou-se para ir até o banheiro, Milo aproveitou-se para sentar no lugar dele e aproximar-se do mecânico.

- Escuta, Kanon... Queria te perguntar uma coisa. – Mirou-o nos olhos e ao perceber que o outro estava esperando, perguntou. – Camus era assim antes? Fechado e sem demonstrar os sentimentos?

Kanon voltou-se um pouco para olhar a movimentação, na verdade queria pensar um pouco antes de responder-lhe. – Camus sempre foi fechado. Mas nem sempre ele ficava assim. Ele parecia ganhar um novo brilho quando estava com meu irmão, Milo.

- Entendo... – O piloto voltou seus olhos para a direção que o ruivo havia ido.

- Escuta, eu percebi o jeito com que olha para ele... Se está interessado, não desista. Apenas não vá com muita sede ao pote. – Comentou.

- Por que diz isso? Acha que ele ainda pode estar vivendo o passado? – Milo tinha de saber.

- Creio que não mais, percebi algumas coisas. – Kanon voltou seus olhos para onde o outro loiro estava olhando e sorriu. O ruivo estava voltando e parara para conversar com alguns conhecidos. – O que eu te disse... O antissocial está mudando.

Milo voltou seus olhos para onde estava o ruivo e não pode evitar sorrir.

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- Camus, estraga prazeres. – Kanon revirou os olhos. Colocou sua parte da conta sobre a mesa e olhou para Milo. – Vai com quem embora, loiro?

- Ainda não sei, para vir, Camus me deu carona. Agora para ir para casa já não sei. – Milo deu de ombros.

- Nada mais justo que Camus te dar carona novamente. – Aldebaran mirou o francês. Nos lábios, um sorriso debochado.

- Ora, mas eu não disse que não o levaria. – Camus protestou e entrou na deles. – Mas se você quiser ir a pé, tudo bem.

- Não, Camus... Eu já lhe disse uma vez que você não é bom com piadas. – Kanon gargalhou.

Milo voltou seus olhos para os dois e aproveitou-se para ficar de pé. Foi seguido pelos outros. – Ora ruivo, não sou adepto a corridas, então se você não se importar, prefiro ir confortavelmente ao seu lado.

- Então vamos, pois amanhã tenho de levantar cedo. – O ruivo saiu apressado.

Fora do bar, despediram-se. Milo e Camus foram os últimos a deixar o local. O francês não tinha pressa. Ao entrarem no bairro, o loiro foi lhe dando as coordenadas e em pouco tempo estava à frente de sua casa.

- Obrigado, Camus. Você quer entrar um pouco? – Perguntou.

- De nada. – Respondeu ao encará-lo. – Vamos deixar para uma próxima vez, Milo. Como disse, está tarde. Você quer carona amanhã? – Perguntou ao vê-lo sair do carro.

- Não quero incomodar...

- Às sete estarei aqui... – O ruivo atalhou-o e sorriu. – Boa noite, Milo. – Desejou.

- Boa noite, ruivo. – Sorriu-lhe e fechou a porta liberando-o para que pudesse ir embora.

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No outro dia pela manhã, Milo já estava pronto, esperando pelo ruivo. Estava tão ansioso que ao escutar o barulho do carro parando à frente de sua casa, controlou-se para não sair sem nem mesmo o ruivo ter anunciado-se.

Pela fresta da janela, o grego observou-o sair do Gran Vitara e aproximar-se da casa. Esperou um pouco após a campainha soar e somente aí dirigiu-se à porta.

- Bom dia, Camus! – Saudou-o. Estava sentindo-se um colegial e não um homem maduro.

- Bom dia, podemos ir? – Perguntou.

- Claro, só deixa eu pegar minha jaqueta. – O loiro respondeu. Apressado, seguiu até o sofá e pegou o que queria. – Pronto! – Saiu. Fechou a porta e seguiu ao lado do ruivo.

Pela manhã, o francês gostava do silêncio para assim conseguir colocar as ideias em ordem. Milo mirou-o de soslaio. Não entendia aquele silêncio todo.

- Aconteceu alguma coisa?

- Não, eu apenas gosto de ficar em silêncio logo cedo. Desculpe-me. Estava pensando em como lhe ajudar. – Voltou seus olhos rapidamente para ele. – Sei que apesar de ir para o campo cedo, os pilotos dos helicópteros têm seus afazeres... Mas eu estava pensando, seria bom se você viesse para a torre algumas vezes para ver a ação dos outros pilotos.

- Será que isso dará certo? – Milo arqueou as sobrancelhas, incrédulo.

- Comigo funcionou. – Camus confidenciou. – Quando eu comecei na Brigada Parisiense, eu cometia os mesmos erros. Tive sorte de pegar um instrutor muito bom e exigente. Ele me fez ver vários treinos. Eu tenho certeza que você conseguirá.

- Assim espero. Confesso que estou frustrado. Você viu o que eu sei fazer com um helicóptero.

- Sim, mas você precisa se dar bem com um Canadair. – Camus respondeu pensativo. – Essa manhã estará ocupado com alguma coisa?

- Tenho uma pequena inspeção a ser feita em meu helicóptero, mas isso não leva mais que meia hora. – Milo respondeu. Não estava entendendo onde o ruivo queria chegar.

- Ótimo! Esteja na torre após isso. – O ruivo abriu um sorriso bonito.

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- Ok! Big, é sua vez. Pode aproximar-se. Apenas tome cuidado com o vento.

- Já percebi, Roux. Manter esse bichinho no ar está sendo um tanto difícil hoje. – Aldebaran respondeu. Sua gargalhada gostosa enchendo os ouvidos de todos que estavam na escuta.

O bimotor aproximou-se velozmente, deu uma balançada, mas foi controlado pelo experiente piloto.

- Uou... Isso que eu chamo de mãos e nervos de aço. – Milo gracejou ao parar ao lado de Camus e Afrodite.

- Milo, o que faz aqui? – Afrodite perguntou. Geralmente ninguém além deles permanecia naquela área.

- Eu pedi para que ele viesse, Afrodite. Quero que ele veja os treinos da manhã. – Camus explicou. Ao ver o olhar curioso do sueco sobre si, arqueou uma sobrancelha. – Funcionou comigo.

Dando de ombros, Afrodite sorriu e voltou sua atenção ao treino. Ele sabia o que estava funcionando com o 'cubo de gelo'.

- O que devo fazer? – Milo perguntou observando o próximo avião lançar sua carga sobre o alvo em chamas.

- O que eu quero é que preste atenção ao que peço aos pilotos e, principalmente, que veja o que eles fazem e como se aproximam dos alvos. – Camus respondeu-lhe. – Dúvidas? Basta me perguntar.

Milo concordou com um aceno de cabeça e fez o que o ruivo lhe pediu. Fez até mais do que podia, reparou nas anotações que eram feitas para cada piloto. Sabia que aquilo era necessário, mas achou uma besteira marcar os acertos e erros. Em um incêndio, nada poderia sair errado, pois vidas dependiam deles. Não podiam dar-se ao luxo de errar. Sentiu-se um idiota por estar tentando fazer uma coisa que, pelo visto, não era para si.

- Está prestando atenção, Milo?

- Claro, claro! – Respondeu. – "Depois de tudo o que esse francês deve ter brigado, ou seja lá o que com Mask, não é justo eu perder minha força de vontade e não tentar mais." – Pensou.

- À tarde, quando você estiver treinando, tente estabilizar como faz no helicóptero. A única coisa que deve lembrar-se é de não soltar a carga muito antes ou como se faz no helicóptero, solta-se a carga bem sobre o alvo. – Camus deu-lhe a dica.

- Vou tentar lembrar-me de tudo isso. – Milo respondeu. Tentava passar otimismo, mas não sentia-se assim.

Camus arqueou as sobrancelhas, mas nada disse. Tinha um treino para terminar e prestar atenção.

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Algum tempo depois...

- Milo, você não deve desanimar. – Camus estava parado à frente do hangar onde os seis helicópteros da base ficavam. O grego parecia chateado.

- Camus, eu sinto que talvez tenha tomado uma decisão errada. Deveria ter continuado só como piloto de helicóptero. – Evitou mirá-lo nos olhos.

- Não diga isso. Você já chegou até aqui, não pode desistir. Vamos tentar hoje novamente. – Camus insistiu.

- Juro que não sei por que você perde tanto tempo comigo.

- Simples, por que eu acredito em seu potencial. – Na realidade,o que o ruivo não havia percebido, fora que desde que começara a ajudar o grego e conviver com ele, sua vida dera uma guinada. Ele começara a soltar-se mais. E importava-se com ele.

- Está bem. Eu já vou indo para o hangar. Em dez minutos estarei no ar. – Milo decidiu-se.

Camus sorriu-lhe e aproveitou para dar carona no jipe ao grego. Parou o carro no meio do caminho e desceu na torre, deixando que Milo assumisse a direção e fosse para o hangar dois.

Assim que desceu do jipe, o grego foi recebido por Kanon. O mecânico há muito tempo havia percebido que o loiro estava um tanto chateado. Preocupado, resolveu que seria hora de se intrometer.

- Pronto para acertar os alvos hoje, Milo? – Perguntou.

- Vamos tentar. – Respondeu desanimado.

- Hei... Sem essa de desânimo. Se não acertar agora, chame Camus para conversar, quem sabe ele não te ajude indo junto contigo no Canadair?

- Ele não falou que nunca mais iria pilotar? – Milo perguntou. Havia gostado da ideia.

- Eu não disse que ele irá pilotar, e sim você. – O sorriso matreiro.

- É, pode ser. Bem... Preciso decolar. – Comentou ao entrar no avião. Em pouco tempo, estava no ar.

Na torre, Camus acabara de se posicionar ao lado de Afrodite. Com o binóculo, observava o avião número onze voando baixo sobre a pista três. Já estava quase próximo aos alvos.

- Venon, estabilize. Preste atenção ao seu painel, olhe os instrumentos. – Solicitou. – Isso... Calma agora. Você está quase lá.

- Sim, estou vendo. – Milo respondeu o mínimo possível. Queria concentra-se. Achar uma forma de relaxar. Quando fazia aquilo com helicópteros, não precisava pensar em nada. As coisas aconteciam e pareciam muito simples.

- Solte a carga, solte agora. – Camus pediu.

Preocupado em não errar, Milo apertou o botão de liberação da carga, mas um pouco depois (2). A lama e água que caiu sobre o alvo, não o apagou.

- DROGA! – Grunhiu Milo pelo rádio. Ao fazer o contorno com o avião, vira que havia errado, e feio, o alvo.

- Tenha calma, Ven... Milo... você se precipitou um pouco. Tenha calma. Você não fez nada errado na aproximação então, faça mais uma passagem.

- Camus, não adianta.

- Não discuta comigo, Milo. Você quase acertou. Está fazendo tudo certo. Tente novamente. – O francês voltou seus olhos para Afrodite. Se pudesse, enfiaria um pouco de confiança na cabeça daquele piloto loiro.

- Tenha calma, Camus. – Afrodite pediu-lhe. Estava com seu rádio desligado. – De nada vai adiantar deixá-lo mais nervoso.

O ruivo mirou-o nos olhos. Afrodite tinha razão. Respirou fundo antes de voltar a falar com o grego. – Milo, tente novamente. Pelo menos termine o treino de hoje.

- Ok! Estou fazendo a volta para passar novamente pelo alvo. – Respondeu. As mãos segurando firmemente o manche. O olhar decidido. – "Não posso desapontá-lo... Não posso errar..." – Pensou.

- Isso, Milo... Estabilize. – Pediu o instrutor pelo rádio.

Concentrado, o grego estabilizou o Canadair e lançou a carga, mas novamente errara o alvo. Furioso consigo mesmo, Milo terminou o treino com um único pensamento em mente esó precisava ter um momento oportuno para colocá-lo em prática.

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Camus não entendia o que estava acontecendo com Milo. Era estranho após tanto tempo de treino o loiro não conseguir acertar o alvo. Ele não queria dar-se por vencido. Por que justo com o grego não iria conseguir deixá-lo apto a utilizar o Canadair? Mesmo pensando muito, não conseguia chegar a uma solução. Mas o pior era aquele sumiço repentino do piloto.

No dia seguinte, um pouco antes do horário do treino, o ruivo recebeu um aviso de que Milo não poderia treinar por dois dias por problemas de saúde. Preocupado, no sábado pela manhã o francês seguiu até a casa do outro. Em seu subconsciente, ele martelava a ideia de que estava indo até lá por gostar de Milo como a um irmão e nada mais que isso. Mas o fato é que havia sentido falta do loiro nos treinos e não queria admitir que estivesse começando a apaixonar-se novamente.

Assim que parou o carro à frente da casa do loiro, não imaginou que o encontraria lá fora cuidando da moto. Desceu do carro e ao caminhar de encontro a Milo, sentiu como se seu coração fosse sair pela boca. Milo parecia surpreso.

- Bom dia, Milo! Como vai? Está melhor? – Perguntou. Parou alguns passos de distância, temendo que ele escutasse o tropé que seu coração estava fazendo.

- Bom dia. – Milo respondeu. Ele estava abatido e um tanto pálido. – Agora estou um pouco melhor.

- O que te aconteceu? – Aproximou-se dele e fez uma força fora do comum para conter-se. Sentiu ganas de tocar-lhe o rosto, a testa. Checar se realmente estava tudo bem.

- Comi algo que não me fez bem. – E ao ver o ruivo de olhos arregalados, apressou-se em dizer. – Não se preocupe, como disse: já estou bem melhor. – Limpou as mãos em uma estopa e tentou sorrir.

Camus perdeu-se em seu olhar. Em seu sorriso sedutor. Piscou algumas vezes e continuou em silêncio.

- Quer entrar? Gostaria de conversar com você. – Milo quebrou o silêncio entre eles. Ao ver o francês concordar com um meneio de cabeça, voltou-se para a moto. – Só vou colocá-la para dentro e... - Não teve tempo de terminar de falar, pois sentiu um toque forte e ao mesmo tempo carinhoso em seu ombro.

- Deixe que eu lhe ajude e... – Fez uma pausa ao vê-lo arquear a sobrancelha. – Não adianta reclamar, só me diga onde deixá-la. – A voz fria, porém, decidida.

- Mas... – Começou, mas parou de falar ao receber um olhar gelado. – Ali naquele canto. – Indicou. Revirou os olhos. – Eu só passei mal, ainda não estou impossibilitado de fazer coisas simples. – Retrucou.

Camus fez que não o ouviu e seguiu-o para dentro. Acomodaram-se na sala, Milo em uma poltrona e o ruivo no sofá de três lugares. Ficaram em silêncio por alguns minutos e o ruivo discretamente observou a organização do grego. Ao voltar sua atenção para o grego e tentar perguntar-lhe o que queria consigo, a voz cristalina do loiro tomou conta do local.

- Eu queria falar contigo faz algum tempinho... – Fez uma pausa pensando em como começar o assunto. Não era de ficar preocupando-se com o que ou como dizer. – Camus, eu aproveitei esses dois dias que não pude ir para a base e pensei seriamente em minha vida, em minhas escolhas e creio que eu errei em querer ser piloto de avião tanque. Eu sou um fiasco. Gostaria que você soubesse por mim, mas vou abandonar os treinos e dedicar-me mais ao que eu sou bom.

- Milo, isso não pode acontecer... Não perca suas esperanças. Confie em você. – O ruivo pediu. Ele não esperava que um homem tão determinado como o loiro, fosse deixar-se abater tanto assim. – Onde está o homem decidido e orgulhoso que me disse, quando me viu a primeira vez, que iria conseguir, pois é bom no que faz? – perguntou.

- Está aqui, Camus. – Milo respondeu. – Mas esse homem caiu em si e percebeu que nem tudo é como queremos. – Respondeu desenxabido.

- Concordo, mas... Podemos tentar mais algumas vezes. – Camus insistiu.

- Ruivo... – Milo baixou os olhos. Coisa que fazia muito pouco. – Estou inseguro e confesso que tudo isso mexeu com minha auto-estima. Eu nunca demorei em voltar à ativa, nunca. – Voltou seus olhos para ele e só então lembrou-se do que Kanon havia lhe dito. – Eu sei que você tem feito muito por mim. Tem tido uma paciência enorme e reconheço tudo isso...

- Não fale mais nada, você não precisa me dizer nada. Estou fazendo o mesmo que faria pelos outros. É meu dever lhe ensinar, por isso não desista. – Nunca iria dizer que fazia aquilo mais por ser ele, por ser o grego audacioso quem lhe impulsionava a querer tanto que tudo saísse bem.

Milo sorriu. – Então, já que insiste, por que alguém mais experiente não vem comigo instruindo-me dentro do avião? Por que você não vem comigo? – Perguntou e sentiu-se pela primeira vez com medo da reação de alguém, mas não por ser qualquer um, mas sim por ser ele.

Pego de surpresa, Camus ficou um tanto pensativo. Coçou a nuca. Nunca havia visto ou ouvido falar de algo assim, mas talvez desse certo. Talvez aquilo ajudasse ao loiro.

- Talvez não seja uma má ideia, Milo. – Camus mirou-o nos olhos. Perdeu-se nas íris azuis. Não podia deixar-se levar. Como já havia dito antes, estava ajudando-o apenas por ser seu dever e faria aquilo com qualquer um. – Acha que estará em condições de apresentar-se na segunda, ou melhor, quem sabe amanhã? – Ao vê-lo olhá-lo surpreso, apressou-se em dizer. – Isso, claro, se você não tiver nada para fazer no domingo.

Milo observou-o com um misto de interesse e surpresa enquanto ele falava e não esperava por aquele rompante do ruivo. – Bem, eu não tenho nada em mente, iria ficar em casa, mas se quiser podemos nos encontrar na base.

- Não sou eu quem tenho de querer, Milo. Eu lhe dei a ideia. Se você disser que não tem condições e quiser esperar... – Camus não conseguiu terminar de falar, pois o loiro com um gesto de mão o interrompeu.

- Que horas? Bem cedo? Mais tarde? – Perguntou.

- Não precisa ser tão cedo. – O ruivo comentou pensativo. Não seria necessário o apoio na torre, um dos controladores estaria de prontidão... – Bem, às oito está bom para você?

- Às nove. – Não que Milo não conseguisse acordar cedo, mas para estar no campo às oito teria de acordar muito cedo.

- Está bem. Às nove lá. – Concordou. – Quer que eu venha buscar-lhe? – Perguntou ao lembrar-se que talvez... Bem, talvez nada! Em seu ser Camus sabia que queria ficar o maior tempo possível com o grego. E por mais que fosse senhor de si e dono de suas emoções, não estava mais conseguindo ignorar o que vinha sentindo e muito menos tentar justificar a si mesmo que os motivos eram outros.

- Não será necessário, eu...

- Será sim. Passo por aqui às oito e trinta. – A voz modulada. O tom decidido.

- Está bem. – Milo concordou rendendo-se ao ruivo. No rosto, um sorriso satisfeito. Os olhos brilhando incontidamente a mirá-lo.

Um tanto sem graça, Camus desviou o olhar. – Preciso ir, tenho de fazer algumas coisas no centro da cidade. – Ao terminar de falar, já estava em pé.

Milo sentiu-se um tanto desapontado, mas nada disse. Ele ainda não havia se esquecido da tentativa frustrada. Levantou-se também e acompanhou o ruivo até próximo ao carro. Despediram-se com Camus lembrando-lhe do outro dia, como se estivesse confirmando o combinado.

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No outro dia logo cedo, Camus já estava de pé. Enquanto tomava café, não conseguia parar de lembrar a todo o momento no loiro e em como o destino parecia estar pregando-lhe peças. Ele lembrava-se muito bem do que havia dito a Kanon sobre não ter espaço em sua vida para mais um loiro. Claro, não havia sido com essas palavras, mas havia dito. Balançou a cabeça, precisava livrar-se daqueles pensamentos e agir profissionalmente. Mas como esquecer o homem que com apenas um beijo fizera-o querer mais. Era um idiota... Mas havia tantas coisas...

Lembrou-se da carta de Saga. Ele queria que fosse feliz. – "Ser feliz... Quem sabe?" – Pensou. Ao voltar seus olhos para o relógio de pulso, deu um pulo na cadeira. Precisava vestir-se, não estava de todo atrasado, mas detestava correria.

Deu um jeito na pouca louça utilizada. Secou-a e guardou nos devidos lugares. Em seu quarto, trajou jeans, uma camisa branca e sapatos confortáveis. Os dias já começavam a se tornar mais quentes. Prendeu os cabelos em um rabo frouxo e já com tudo o que iria precisar, seguiu para a garagem. Assim que o portão automático se abriu, saiu devagar.

Com o som do carro sintonizado em uma rádio local, seguiu para a casa de Milo. Em pouco tempo estava parando no meio fio. Desceu e galgou os três degraus do alpendre. Tocou a campainha e esperou um pouco, até que a porta se abriu revelando-lhe uma bela visão. Milo, com seu sorriso radiante, parecia estar bem melhor.

- Bom dia, ruivo! Começo a achar que você deve ter um pouco de britânico com essa sua pontualidade. – Gracejou.

- Bom dia, Milo! – Camus saudou-o. Sentiu o rosto um tanto quente e não entendeu o que acontecia quando estava perto dele. Já não conseguia conter-se e esconder suas emoções. – Não sei se tenho algum parente inglês, Milo... Eu apenas não gosto de chegar atrasado nos lugares.

Milo riu enquanto fechava a porta e seguiu ao lado do francês à medida que esse lhe falava. Já no carro, seguiram o trajeto todo com ele contando a epopéia que fora sua ida ao hospital. De como o médico o tratara e a impressão idiota que ele havia feito do taxista que o atendera e levara ao hospital. Ao loiro não passara despercebido que Camus parecia estar mais solto e até mesmo sorrindo com facilidade. Ele já tinha o visto sorrir para Kanon, mas aqueles sorrisos que a ele eram destinados, pareciam ser diferentes... Mais bonitos... Algo como cheios de vida...

Em pouco tempo, estavam na base e assim que Camus parou o carro, voltou-se para Milo um pouco sério, surpreendendo-o com sua mudança.

- Vá indo colocar o macacão anti-chamas, enquanto eu vou até a torre. – E ao ver o jeito do loiro completou. – Eu te encontro no hangar.

- Ok! – Concordou Milo, ao subir em um dos jipes da base e sair devagar.

Ao ver-se sozinho, o ruivo pegou um cabide protegido por uma capa protetora que estava no banco traseiro do carro. Pegou outro utilitário da base e seguiu até a torre. Havia pouca movimentação no campo, mas sabia exatamente quem procurar.

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Já fazia algum tempo que Milo estava parado ao lado do Canadair de número onze. Estava começando a preocupar-se quando ouviu o barulho de outro carro chegando. Voltou-se para olhar quem seria e conteve a respiração. Não podia ser... Mas era. A cabeleira ruiva misturando-se com a cor do macacão anti-chamas não deixava confundir-se. Ele nunca tinha visto o outro com aquela vestimenta e achou muito bom. Perfeito e até mesmo sexy.

- Desculpe a demora. – O francês desculpou-se assim que parou ao lado dele. – Está pronto? A equipe de bombeiros está acendendo os alvos.

- Sim, podemos ir. – Milo respondeu ao entrar no avião.

O ruivo seguiu-o, subiu as escadinhas na lateral e fechou a porta para pressurizar a cabine. Deixou que Milo tomasse o lugar do capitão da aeronave e sentou no acento ao lado, que geralmente o copiloto sentava. Após a checagem dos instrumentos, o avião foi taxiado e em poucos minutos, após a liberação da pista um para decolagem, estavam nos céus.

- Tenha um bom treino, Milo. – Desejou Afrodite. O sueco estava de plantão aquele final de semana. – Camus, os alvos estão prontos. – Informou assim que recebeu a confirmação pelo walk talk.

- Obrigado, Afrodite. – Agradeceu. Voltou os olhos para Milo e deu-lhe um meio sorriso. Algo como um incentivo. Voltou sua atenção aos instrumentos do painel. – Agora é com você, Venon. Quando sentir-se pronto, baixe à altura recomendada e estabilize. Não tenha pressa. Faça com calma.

- Ok! – Respondeu-lhe. Concentrou-se, o que não foi uma tarefa nada fácil, visto que estava sozinho com o ruivo ali. Mas tentou e quando sentiu-se concentrado e tranquilo, baixou um pouco e estabilizou o avião.

- Se quiser acertar o alvo, solte a carga... agora! – Pediu.

Ao ganhar altura e retornar, Milo praguejou. Havia errado. Voltou seus olhos para o francês, que com a maior naturalidade, pediu-lhe calma.

- Concentre-se, você irá conseguir. – Camus incentivou-o mais. Seu jeito frio, calmo e determinado tranquilizando um pouco a zanga do loiro. – Você precisa relaxar e achar sua 'inspiração'. Veja bem, quando eu comecei, para me acalmar e buscar minha inspiração, eu cantarolava. Com o tempo não precisei mais fazer isso. – O ruivo confidenciou-lhe. – Quando estiver pronto. – Instigou-o novamente.

- Nunca parei para pensar se fazia algo quando voava no helicóptero. Vou tentar novamente. – Milo sorriu-lhe.

Novo erro e o grego emburrou. Pediu permissão para pousar e fez com que o Canadair tocasse o solo novamente. Enquanto os tanques eram carregados, ambos permaneceram em silêncio.

Pensativo, Camus tentava achar um jeito para ajudar o loiro. Fechou os olhos ao imaginar-se fazendo-lhe uma demonstração. O desafio para si seria terrível, mas talvez já tivesse se libertado do fantasma do acidente com Saga.

- Milo... – Chamou-lhe a atenção. A equipe de apoio liberou o avião quando os tanques ficaram cheios. – Deixe os controles um pouco comigo. – Solicitou ao colocar as mãos sobre o manche. – Pediu liberação à torre e arqueou uma sobrancelha ao perceber a demora do controlador. – Afrodite?

- Roux? Quer dizer, Camus? – Perguntou incrédulo ao ouvir a voz do ruivo.

- Sim, sou eu. Estamos liberados? – Quis saber.

- Sim, estão... – Respondeu Afrodite. – Mesma pista.

- Obrigado. – Agradeceu e em pouco tempo havia feito o Canadair decolar. Estabilizou e baixou um pouco. – Veja, Milo. – Parou de falar e não voltou sua atenção para o grego. Deixou a carga cair e sorriu ao ver que havia acertado quando passou de volta. – Milo, eu disse que não era difícil. Até mesmo eu que estou afastado faz tempo consegui acertar o alvo. Agora tente você.

O loiro havia ficado prestando atenção em tudo. Iria conseguir. Colocando as mãos no manche, pode ver quando o ruivo devolveu-lhe o controle ao afastar as mãos do manche à frente dele.

- Agora não direi nada. Tente fazer tudo sozinho.

- Tentarei. – Respondeu Milo. Buscando sua inspiração, o seu algo a mais, o loiro baixou um pouco e estabilizou.

Tomado por uma preocupação sem limites, o ruivo soltou seu sinto de segurança e inclinou um pouco o corpo para frente. Esticou o braço e tocou sobre a mão de Milo que estava no manche.

- Quando eu apertar sua mão, solte a carga.

Milo voltou seus olhos um pouco na direção do instrutor e recebeu uma chamada.

- Não desvie os olhos, Milo! – E ao terminar de falar, apertou-lhe a mão.

Ao darem a volta, avistaram o primeiro alvo sem sinal das chamas.

- Uhuu... Consegui. – Milo festejou.

- Sim, e agora irá tentar sem meu toque. – Só então Camus notou que lhe segurava a mão ainda. Soltou-a um tanto sem graça. – Eu disse para você não perder suas esperanças. – Comentou contente.

- Ainda bem. Agora vou tentar novamente. – Falou Milo ao fazer o retorno e preparar-se.

oOoOoOo

Ao pousar pela penúltima vez aquela manhã, Milo sentia-se perfeito. Nunca imaginara que acharia sua inspiração na confiança, quentura e atenção do ruivo. E o pior de tudo é que não podia contar-lhe, pois não sabia qual seria a reação dele.

- Eu não te disse que bastava confiar mais em si mesmo? – Camus comentou ao ficar em pé.

- É, eu deveria ter engolido meu orgulho e lhe pedido ajuda antes. – O loiro comentou, ao levantar para também esticar as pernas. Ao dar o primeiro passo, enroscou o pé no cinto caído no chão e sentiu mais nada abaixo dos pés. Fechou os olhos preparando-se para o impacto com o piso, mas o que sentiu fez arregalar os olhos. Braços fortes cingiram-lhe o corpo puxando-o de encontro a um tórax protetor.

- Hei... Calma. – Camus pediu. Ajudou-o a firmar-se, mas não sentia vontade de soltá-lo. Estava tão gostoso tê-lo em seus braços.

Milo abriu os olhos devagar ao conseguir firmar os pés com a ajuda do ruivo. Aproveitando-se da situação, aproximou mais seu rosto do de Camus. As respirações misturando-se. Olhos cravados um no outro. À vontade... O desejo...

- Desculpe-me. – A voz rouca em um sussurro e Milo arrebatou-lhe os lábios em um beijo ardoroso.

Pego de surpresa, Camus arregalou os olhos, mas não lutou contra a invasão da língua, que avidamente explorava-lhe cada cantinho macio e úmido de sua boca. Correspondeu às carícias, à sensação e aos sentimentos.

O grego imprensou-o de encontro à lateral da cabine, colando mais os corpos. Mordiscou-lhe o lábio inferior e lentamente abriu os olhos, mirando-o com desejo. Acariciou-lhe a face corada lentamente.

- Camus eu... Não suportava mais...

O ruivo calou-lhe ao tocar com o dedo indicador sobre os lábios. – Eu não estou reclamando, Milo. Se acaso não percebeu, eu também quis. – Sorriu e com isso contagiou ao outro.

- Eu tenho tanto a te dizer... tanto a contar-lhe. – Começou. – Queria tanto estreitá-lo como agora e...

- Milo, vai devagar... Eu, eu não posso dizer que sou indiferente a você, pois não sou, mas não estrague o momento. Vamos deixar as coisas acontecerem gradativamente. – Pediu ao tirar-lhe uma mecha de cabelo do rosto.

- Eu te entendo, mas quero que também entenda que não estou querendo que você me faça uma promessa de amor eterno, mas sim algo eterno enquanto dure. – Milo sabia onde estava pisando. Sabia que havia errado com Saga ao exigir-lhe algo que o outro não queria lhe dar. Agora não iria errar com o ruivo.

Camus arqueou as sobrancelhas. Ninguém estava falando de amor ainda, mas seria melhor deixar para lá. – Eu te entendo, Milo. Mas é como disse, vamos deixar acontecer. Está bem? – Perguntou.

- Está bem. – Concordou. Ouviram o barulho das bombas sendo desligadas. Aquilo queria dizer que já estavam reabastecidos. – Queria parar por aqui... – Ronronou ao mordiscar-lhe o lóbulo da orelha e puxar o elástico que prendia os longos cabelos. – Gosto deles soltos. – Os lábios roçando na pele do pescoço. Regozijou-se ao vê-lo arrepiar.

- Milo... – Camus sentiu-se nas nuvens. Uma sensação gostosa tomou conta de si. Empurrou o loiro para longe e o encarou sério. – Temos de terminar seu treino de hoje e agora irei ficar lá na torre. Vai voar sozinho e irá acertar. – E antes que ele reclamasse, abriu a porta e saiu rapidamente.

O loiro sorriu matreiro. Fechou a porta do Canadair e ao receber nova autorização de Afrodite, decolou. Depois só aproximou-se do alvo quando ouviu a voz ainda rouca do francês.

oOoOoOo

Ao chegar à torre, por mais discreto que Camus pudesse parecer e ser, aos olhos de Afrodite não passaram algo que o francês não havia percebido. Não era à toa que ele tinha o codinome Sentry (sentinela). Sorriu de lado. O controlador queria ter certeza das coisas antes de dizer algo que fosse incorreto. Aprendera a não mexer com o ruivo.

- O que fez para ele conseguir? – Perguntou Afrodite ao parar na porta de comunicação.

- Nada... Ele é bom, só precisava achar sua 'inspiração'. – Sorriu. Sentiu-se satisfeito por ver o avião de Milo passar e acertar o último alvo. – Afrodite, muito obrigado pela ajuda e agradeça ao pessoal por mim.

- Não precisa agradecer. – Respondeu. – Vai pedir para Mask ver o treino dele amanhã?

- Sim, vou. – Acenou-lhe e desceu as escadas. Queria ir encontrar-se com o loiro no alojamento.

oOoOoOo

- Mask, por favor. Se estou dizendo que você tem de vê-lo treinar hoje é porque eu sei o que estou dizendo. – Camus fuzilou o italiano com os olhos.

- Io sei que quello porcaria no irá acertar nada. – Estava nervoso e sempre que isso acontecia o sotaque da terra natal ficava mais acentuado.

- Ora seu... – Camus controlou-se. Estava falando com seu superior, apesar deste ser teimoso e cabeçudo. – Mask, como instrutor eu posso exigir sua presença, por favor, não me faça chegar a isso. Você não irá se arrepender.

- Ah! Está bem. Estarei lá na torre e espero que você tenha razão, ou senão, Venon ficará nos helicópteros. Agora volte para seu treino. – Ordenou. A cara de poucos amigos.

Camus suspirou. Já estava acostumado com o jeito do outro, mas tinha horas que sentia vontade de voar-lhe no pescoço.

Quando finalmente o treino de Milo começou, Mask estava ao lado do francês e do sueco. Com olhos ávidos, observou todas as passagens executadas com perfeição pelo loiro e foi obrigado a engolir seu orgulho e suas palavras ao vê-lo acertar todos os alvos.

- E então? – Camus questionou.

- Ele pode voltar a ser piloto de avião tanque. – Saiu devagar e com cara feia. Parou no quarto degrau da escada e sem voltar-se falou para que ele ouvisse. – Fez um bom trabalho, Camus. Está de parabéns!

Antes que o ruivo pudesse responder-lhe, Mask galgou os últimos degraus e afastou-se no patamar debaixo.

Camus agradeceu a ajuda de Afrodite e pediu a Shion para que Milo pousasse e que fosse até sua sala. Ele não via a hora de contar-lhe a novidade, mas só faria isso quando estivesse frente a frente com ele.

oOoOoOo

Analisando alguns documentos que deveria enviar a Mask, a maioria sendo as folhas espelhos dos pilotos, Camus não notara que já não se encontrava sozinho e era observado. O ar compenetrado, a mão direita segurando uma caneta esferográfica. A mesma mão recostada no queixo. Para uns uma coisa normal e corriqueira, mas não para o observador.

Milo recostou-se no batente da porta e ficou admirando-o. Sorriu de lado. Nunca poderia imaginar que o francês possuía vários trejeitos.

- Você pediu que eu me apresentasse, não é? – Perguntou para quebrar o silêncio e chamar-lhe a atenção. Os olhos azuis brilhando incontidamente.

Surpreso, Camus levantou um pouco a cabeça e arqueou as sobrancelhas. – Sim, eu pedi que viesse aqui. Venha, sente. – Convidou indicando-lhe uma das cadeiras à frente de sua mesa.

- Aconteceu alguma coisa? – Milo perguntou. O ar glacial e sério do ruivo o preocupando.

- Como sabe... – Começou sem responder-lhe. – Mask viu seu treino hoje...

- Ele não achou bom? Eu fiz o meu melhor!

- Milo, não se afobe. Deixe-me falar sem interrupções. – Pediu. Sabia que estava judiando dele, mas não resistira à tentação. Viu quando ele mordeu o lábio inferior e sentiu vontade de pular por sobre a mesa e beijar-lhe demoradamente. Conteve-se, não era daquele jeito e não entendia o que o grego conseguia lhe causar. Ou não queria entender. – Amanhã cedo apresente-se no hangar dois, você conseguiu voltar para o grupo. – Sorriu-lhe. – Mask autorizou seu retorno.

- Sério mesmo? – Perguntou o loiro. Ele parecia não estar acreditando.

- Claro que é sério. – Afirmou Camus. – Já fiz a escala novamente com seu nome incluso.

- Isso merece um prêmio. – Milo sorriu maliciosamente. Levantou-se devagar, deu a volta pela lateral da mesa e recostou as nádegas no tampo próximo ao instrutor.

- Qual prêmio? – A curiosidade do francês impulsionando-lhe a fazer aquela pergunta. Os olhos levemente estreitos, o corpo tombado um pouco para trás no encosto da cadeira e a cabeça levemente inclinada para melhor observar as feições do loiro.

Aproveitando-se dessa situação, Milo inclinou-se um pouco. Segurou o queixo do ruivo com uma das mãos e aproximou seus lábios dos dele roçando lentamente em uma carícia provocante.

Camus fechou os olhos entregando-se ao momento. Aproveitando para deliciar-se mais uma vez com aquela sensação gostosa que sentia toda vez que o grego o beijava. O beijo tornando-se mais exigente. A realidade quase desaparecendo.

Vozes conseguiram quebrar o encanto do momento. Separaram-se. O rosto do francês levemente corado. Nos olhos do grego a pergunta que não fizera: "Por quê?"

- Vamos sair daqui, ir para um lugar onde seja sossegado e livre de olhos curiosos. – Camus falou sem na verdade responder o que havia visto e percebido nos olhos azuis translúcidos.

- Conhece algum lugar? – Milo perguntou.

- Sim. Basta que me siga com sua moto.

- Eu tenho uma ideia melhor. – O loiro comentou ao encará-lo. Nos lábios, um sorriso sedutor.

oOoOoOo

No silencioso entardecer, o ronco da moto possante quebrava a quietude em que a pista que os levava para a cidade se encontrava. Sentado na garupa e segurando firmemente na cintura do grego, Camus ainda não conseguia acreditar que havia rendido-se à insistência de Milo e deixado seu carro na base. Explicara ao mesmo como chegar até a baía de Corinto e ali estavam eles, vencendo a distância da base até aquele local, que naquela hora avançada estaria deserto.

A vista do pôr do sol dali não era a mais bonita, mas ali estariam sozinhos... Sem olhares curiosos. Ele até pensara na estação de esqui, mas com a chegada dos dias quentes, tudo estaria fechado e o acesso seria um tanto mais difícil. Bem, também tivera uma forte razão para preferir a baía... Adorava o mar.

Quando finalmente chegaram, deixaram a moto e os capacetes em um lugar que pudessem ver. Tiraram os sapatos, meias e, levando-os em uma das mãos, pisaram em uma parte de areia fofa, ainda conservando o calor do dia. Evitaram chegar na parte de pedras pequenas que poderiam ferir os pés e após deixarem os sapatos ao lado na areia, recostaram-se em uma formação rochosa que seguia até o mar adentro. As ondas quebrando na praia era o único barulho naquele lugar calmo e bonito.

O silêncio entre eles começava a passar do limite do suportável quando Milo puxou Camus para seus braços, fazendo-o recostar as costas em seu corpo, abraçando-o por trás. Com uma das mãos, afastou os fios ruivos do pescoço e mordiscou-lhe o lóbulo da orelha.

- Será que posso saber por que agiu daquela forma na base ao ouvir as vozes? – Nunca ele iria deixar algo passar sem explicação.

- Foi impensado, Milo... Algo como automático. Nosso trabalho. Ainda estávamos de serviço... Não vá me dizer... – Fez uma pausa. Arqueou a sobrancelhas não teve como conter o pensamento. – Não, eu prefiro não acreditar que passou pela sua cabeça que eu possa ter ficado com vergonha ou medo de ser visto com você. Quero que saiba que não sou uma pessoa assim. Se vamos ter algo, creio que você deva saber que sou fiel e confiável. – Parou de falar ao sentir ser afastado e virou-se com a ajuda dele. Suas mãos espalmaram no tórax definido. Deixou-se ser abraçado e estreitado, as mãos deslizando para os ombros do grego. Os olhos fixos um no outro.

Milo baixou um pouco a cabeça, seus rostos ficaram a poucos centímetros um do outro. – Você não precisa dizer-me nada... – A voz rouca, em um movimento lento aproximou o rosto mais do dele. – Eu posso perceber. – A cada palavra dita, roçou os lábios nos dele e aproveitou-se quando este abriu a boca para beijá-lo. Um beijo possessivo e ao mesmo tempo inebriante.

Time, is going by
O tempo está passando
So much faster than I
muito mais rápido do que eu
And I'm starting to regret not spending all of it with you
E eu estou começando a me arrepender de não passá-lo com você
Now I'm wondering why, I've kept this bottled inside
Agora eu estou tentando saber porquê, por que deixei isso preso dentro de mim
So I'm starting to regret not telling all of it to you
Então, estou começando a me arrepender de não ter dito tudo para você
So if I haven't yet I've gotta let you know

Então, se eu ainda não o fiz, quero que agora você saiba

Carícias trocadas. Mãos que tateavam cada milímetro, procurando, descobrindo cada canto erógeno. Quando separaram-se em busca de ar, Milo sorriu-lhe. Camus estava com o rosto afogueado, os olhos semicerrados. Admirou-o. Com um movimento rápido de corpo, mudou de posição e imprensou o ruivo contra a rocha. De olhos arregalados, o francês tentou entender o que acontecia, mas estava desnorteado com tudo que estava sentindo.

- O que... – Parou de falar ao sentir a perna do loiro deslizar em uma carícia ousada para o meio das dele. Prendeu a respiração ao sentir seu desejo ser aguçado, massageado e 'apalpado' pela coxa torneada de Milo. – Dieu... – Gemeu ao sentir o baixo ventre protestar.

Milo sorriu maliciosamente. Mordiscou-lhe o pescoço, passou a ponta da língua pelo local e deixou um caminho quente, como se um ferro em brasa estivesse marcando-lhe a pele do pescoço até o queixo que também mordiscou. Lentamente,esfregou o corpo no do instrutor. Queria que ele soubesse que o desejava.

- Milo, devagar. – Pediu sem nenhuma convicção.

- Tem certeza, ruivo? – Encarou-o. Deslizou uma das mãos entre os corpos e, por sobre a calça mesmo, massageou-lhe o baixo ventre.

O ruivo já não tinha mais certeza de nada. Talvez até tivesse, mas aquele piloto audacioso o estava levando à loucura. Mordiscou o lábio inferior e arrebatou-lhe os lábios iniciando um beijo como somente os franceses sabem dar.

You're never gonna be alone
Você nunca vai estar sozinho
From this moment on
de agora em diante
If you ever feel like letting go
Mesmo que você pense em desistir
I won't let you fall
Não vou deixá-lo cair
You're never gonna be alone
Você nunca vai estar sozinho
I'll hold you 'till the hurt is gone
Vou te segurar até a dor passar

Mãos hábeis começaram a abrir os primeiros botões da camisa que o ruivo usava. Milo deslizou os lábios, dentes e língua pela pele alva do tórax de Camus. Devagar, as mãos escorregaram pela lateral do corpo do francês, indo parar no cós da calça de sarja do uniforme. O loiro sentiu-o estremecer e voltou seus olhos para o rosto do ruivo.

- Relaxe... aproveite o momento, Camus. – Sugeriu ao finalmente começar a abrir-lhe a calça.

- Milo... Não aqui. – Ronronou ao mirá-lo nos olhos. As mãos afundaram nos cabelos levemente cacheados.

- Sabe que estamos muito longe de casa e, eu o quero. – Confessou ao roçar os dentes no baixo ventre do outro por cima da calça. Regozijou-se ao ouvir o gemido do francês.

- Sim, eu sei. – Camus conseguiu responder. Segurando-o pelos braços, forçou-o a ficar em pé. Ficaram encarando-se. Olhos nos olhos. As íris transbordando desejo. – Conheço um local. É aqui perto e é bem aconchegante. – Mordiscou-lhe o lábio inferior.

Milo pensou um pouco, soltou-se dele e baixou pegando os calçados. Entregou o par do ruivo e, segurando-lhe pela mão, começou a fazer o caminho de volta. Trajeto esse, feito rapidamente. Após recomporem-se, subiram na moto e em pouco tempo encontravam-se em uma pequena pousada onde alugaram um bangalô.

Com a moto parada na lateral do pequeno casebre, entraram calmamente. Em uma área familiar, o melhor era serem discretos até estarem seguros dentro de quatro paredes. Então, assim que Camus fechou a porta e trancou-a, sentiu sua cintura ser cingida. Deixou-se abraçar e recebeu o beijo correspondendo-o com ardor.

Andaram a esmo, esbarrando em coisas e parando em paredes até conseguirem finalmente chegar ao pequeno, mas ajeitado quarto. Beijos, mordidas, apertões... Carícias... E a cama no caminho. Caíram sobre ela, os rostos colados.

- Você fica lindo quando está corado. – Milo lambeu-lhe a bochecha. Percebeu que o ruivo ficara um tanto sem graça. – Hei... Não fique assim, foi um elogio. Você precisa relaxar um pouco mais, ruivo. Soltar-se. E talvez eu possa fazer isso por nós dois. – Sorriu de lado e beijou-o, roubando-lhe o fôlego.

And now as long as I can
E agora enquanto eu puder
I'm holding on with both hands
Estarei te segurando com ambas as mãos
Cause forever I believe
Pois sempre acreditei

That there's nothing I could need but you
que não há nada que eu precise, a não ser você
So if I haven't yet,
Então, se eu ainda não o fiz,

I gotta let you know

quero que agora você saiba

Abraçaram-se mais, as mãos travando um duelo para juntas retirarem as roupas. Milo inclinou seu corpo sobre o do outro e mordiscou-lhe o pescoço, enquanto com as mãos empurrava a camisa que havia conseguido abrir, desnudando o tórax alvo. O ruivo arfou, deslizou as mãos pelos ombros do loiro em sentido do pescoço, prendeu as mãos por dentro da camisa e a empurrou. As unhas raspando pelas costas do grego. Sorriu ao ouvi-lo gemer.

- Dois podem jogar o mesmo jogo, loiro. – Sussurrou-lhe próximo ao ouvido. Aproveitou-se para mordiscar o lóbulo e serpenteou o corpo ao sentir as mãos em sua cintura.

Milo ergueu o corpo e com luxúria abriu-lhe a calça devagar, livrou-o dos sapatos e meias, e por fim tirou-lhe a calça, deixando-o somente com a boxer preta. Deslizou o dedo indicador do tórax até o baixo ventre e brincou com o cós da peça íntima. Camus segurou-lhe a mão e sentou-se. Mirou-o nos olhos e, sem dizer nada, começou a despi-lo do restante das roupas também. Aproximou seus lábios do ombro do loiro e mordeu-o para depois deslizar a língua pelo local. O gemido alto deixando-o mais excitado.

- Deite-se. – Milo murmurou. A voz rouca carregada de tesão.

Olhos castanho-avermelhados cravaram nos dele. O brilho do desejo, do tesão. Atendendo ao pedido do piloto, o instrutor deitou-se no meio da cama e estendeu-lhe uma das mãos. Um convite mudo que foi aceito. As pernas entrelaçadas, os desejos roçando um no outro ainda tendo as peças íntimas separando-os.

- Milo... – Gemeu Camus ao ter um de seus mamilos enrodilhado pela língua ávida e úmida. Arqueou as costas e aproveitou para serpentear a cintura. Se era para ser provocado, ele também gostaria de provocar. Não era de ficar quieto, nunca fora.

- Hmm... Sabe, ruivo, creio que estamos muito vestidos ainda. – Gracejou ao começar a tirar-lhe a peça que faltava e fazer o mesmo consigo. Enquanto fazia isso, foi admirado pelo acompanhante. Sentiu-se desejado... Desejava dar prazer e ter prazer. Deitou-se novamente sobre o francês, engalfinhou-se com ele, provocando-o.

You're never gonna be alone
Você nunca vai estar sozinho
From this moment on
de agora em diante
If you ever feel like letting go
Mesmo que você pense em desistir
I won't let you fall
Não vou deixá-lo cair
When all hope is gone
Quando toda a esperança tiver desaparecido
I know that you can carry on
Eu sei que você pode continuar
We're gonna see the world on
Vamos ver o mundo sozinhos
I'll hold you till the hurt is gone
Vou te segurar até a dor passar

Mordiscou-lhe o pescoço e deslizou a língua por todo o tórax. Sentiu as mãos do ruivo apertando-lhe os ombros e a nuca, por vezes arranhando-o com as unhas. Gemia, não tinha como não estar gemendo. O francês tinha algo que o enfeitiçava. Que o fazia querer mais.

Milo apertou-lhe a coxa e mirou-o com interesse. Era observado. Encheu-se de ardor e sem delongas, abocanhou a masculinidade do ruivo, sugando-a.

- C-céus, Milo! – Ronronou entre gemidos.

O grego voltou os olhos para ele e continuou o que estava fazendo. Queria-o entregue. Queria-o para si, somente para si. Esticou um braço e acariciou-lhe o rosto, afagou-lhe as madeixas vermelhas. Com o indicador, lentamente, desenhou o contorno dos lábios do ruivo.

Em êxtase, Camus mordiscou-lhe o dedo e, com um olhar sedutor, abocanhou-o, lambendo-o. Com o olhar de um predador, o loiro não perdia uma emoção sequer no rosto bonito. Introduziu mais um dígito entre os lábios do ruivo e deixou-o por alguns minutos. Sorriu ao vê-lo largar o que fazia, com maestria.

- Devo parar? – Perguntou. Na voz, uma pitada de malícia.

- Milo... – Protestou.

Ooooh!
You've gotta live every single Day
Você tem que viver cada dia
Like it's the only one
como se fosse apenas um
What if tomorrow never comes?
Mas se o amanhã nunca chegar
Don't let it slip away,could be our only one
Não o deixe escapulir, poderia ser a nosso único dia

Com um sorriso devastador, baixou a cabeça e lambeu toda a extensão do membro tenso e voltou novamente os olhos para ele. O francês tinha as sobrancelhas arqueadas e um ar transtornado. Ofereceu novamente os dedos para ele e abocanhou a masculinidade pulsante. Sentindo os dedos úmidos, acomodou-se melhor entre as pernas do ruivo e devagar deslizou um dígito, penetrando-o. Os gemidos de Camus instigando-o, dando-lhe maior tesão. Girando devagar o dedo, escorregou outro dígito. Queria prepará-lo, não queria causar-lhe dor, mas sexo entre homens não tinha como ser delicado. Além do que não eram afeminados. Eram homens másculos e duros. Pilotos experientes e bons no que faziam.

Circulou a glande com a língua bem devagar enquanto tentava achar o local que daria mais prazer ao amante. Deslizou os lábios por toda a extensão do membro rijo e pulsante e ao sentir o corpo de Camus estremecer, soube que finalmente encontrara o ponto certo.

Retirou os dedos devagar, posicionou-se entre as pernas dele, as afastando mais um pouco. Deitou-se devagar sobre ele e deixou que sua virilidade esfregasse na de Camus. Beijou-o ardentemente. Liberou-lhe os lábios e gemeu alto ao sentir suas costas serem arranhadas. Apoiou ambas as mãos ao lado do corpo do ruivo e ergueu um pouco o tórax. Deixou que seu peso ficasse todo nos joelhos e flexionou as pernas do outro.

- Camus... – Chamou-o, ao perceber que o ruivo estava com os olhos semicerrados. Talvez esperando a dor da união. – Olhe para mim... – Pediu. Ao ver-lhe as bonitas íris, deslizou seu corpo para dentro do dele. Segurou-lhe as pernas e esperou um pouco para que ele acostumasse com a invasão. Admirou-se ao ver as feições do ruivo mais afogueadas. Os lábios entreabertos, o arfar... O ar escapando em fortes lufadas.

Movendo-se devagar, Camus abriu os olhos e lambeu provocantemente os lábios. Gingou um pouco os quadris. Estava mais que pronto e queria sentir prazer assim como dar. – Milo, por favor. – Pediu ao esticar-lhe a mão direita.

O loiro mirou-o extasiado, segurou-lhe a mão fortemente e começou a mover-se devagar. Saiu totalmente do corpo do amante e sorriu de lado ao vê-lo arregalar os olhos e fazer um muxoxo. Enfronhou-se novamente e gingou os quadris. Queria deixá-lo louco... Ensandecido.

- Oh! Céus, Milo... – O ruivo segurou fortemente a mão dele e arqueou as costas. Impulsionou os quadris de encontro ao corpo do grego e gemeu alto.

You know it's only just begun
Você sabe que apenas começou
Every single day, may be our only one
Cada dia pode ser o nosso único dia
What if tomorrow never comes?
Mas se amanhã nunca chegar
Tomorrow never comes
Amanhã nunca chegar

Tomorrow never comes
Amanhã nunca chegar

Tomado pelo desejo, Milo moveu-se rápida e fortemente, ditando o ritmo. Palavras não conseguiriam expressar as sensações que cada um estava sentindo e provocando no outro. Os gemidos fundindo-se e sendo abafados, contidos e deixados serem ouvidos entre os muitos beijos. Uma mão hábil fechou-se sobre o desejo do francês. O loiro sabia o que queria e teria para si. A entrega faltava muito pouco. Iriam entregar-se juntos.

Camus gemeu palavras desconexas ao sentir seu membro ser massageado no mesmo ritmo que o grego ia ditando. Milo baixou um pouco o corpo e, aproveitando-se disso, o ruivo levou uma mexa loira até o nariz. O perfume másculo do grego misturando-se ao seu, ao cheiro do amor... Puxou-o para si e arrebatou-lhe os lábios. Milo conteve um pouco o peso de seu corpo com a mão livre. Gemeu ao ter o lábio inferior mordiscado e chupado.

Os corpos vibrando em harmonia. As bocas ávidas se procurando, trocando beijos e mordidas em puro êxtase e erotismo. Línguas enroscando-se uma na outra. Sugando, lambendo.

Erguendo um pouco o corpo, Milo passou uma mão por baixo da coxa direita do francês e ergueu-a encostando-a em seu tórax. O encaixe mais fundo e perfeito. Ele não fazia ideia do que estava liberando. Camus sempre quieto e na dele, sentia-se como um vulcão em erupção e, não demorou muito para que o ruivo se derramasse na mão do grego. Extasiado, o grego moveu-se um pouco mais rápido e com uma estocada mais forte e profunda derramou-se com um gemido no interior acolhedor.

Time, is going by
O tempo está passando
So much faster than I
muito mais rápido do que eu
And I'm starting to regret not telling all of this to you
Estou começando a me arrepender de não ter dito tudo para você

Baixou lentamente a perna do ruivo e deitou-se sobre ele. As respirações entrecortadas misturando-se. – Quero confessar-lhe uma coisa. – Murmurou próximo ao ouvido do outro. Desvencilhou-se calmamente dele e deitou ao lado. Puxou o ruivo para seus braços e acariciou-lhe os cabelos que grudavam na pele suada.

Com olhos curiosos, Camus mirou-o. – O que é? – Perguntou.

- Devo confessar que acredito em ditos populares. – Começou. Um sorriso bobo estampado nos lábios. – Acho que apesar de tudo, me interessei por você desde o primeiro dia que nos vimos.

Camus apoiou o queixo no peito do loiro e arqueou uma sobrancelha. Sorriu. – Mas você só me xingou.

Milo ficou pensativo, não poderia contar que havia visto-o no enterro de Saga. Ou poderia. Sem saber, resolveu ficar quieto por enquanto. – Pode ser, mas nunca mais te esqueci. E a cada nova desavença, mais eu ficava 'encantado' por você. – Fez uma pausa. Melhor seria não esconder-lhe nada. – Para dizer a verdade, lembro de você de um ano atrás e nunca mais lhe esqueci. E se quer saber de onde foi, foi no final do enterro de Saga. – Mirou-o preocupado. Talvez aquilo estragasse tudo.

You're never gonna be alone
Você nunca vai estar sozinho
From this moment on
de agora em diante
If you ever feel like letting go
Mesmo que você pense em desistir
I won't let you fall
Não vou deixá-lo cair
When all hope is gone
Quando toda a esperança tiver desaparecido
Know that you can carry on
Eu sei que você pode continuar
We're gonna take the world on
Vamos ver o mundo sozinhos
I'll hold you till the hurt is gone
Vou te segurar até a dor passar

O ruivo ficou quieto, baixou os olhos. Aquilo já era passado. E daí que fora de lá? Ele precisava viver. O fantasma dos sentimentos do grego morto já não mais o assombrava. – Milo, desmancha essa carranca. Aquilo já ficou em meu passado. Estou vivendo o agora e gostaria de vivê-lo com você. – Falou sem temores.

Milo sorriu-lhe e beijou-o rapidamente. – Fico feliz por isso, pois não pense que irá se livrar de mim tão fácil. – Riu divertido. – Foi por sua causa que pedi transferência. Então, por favor, nada de ficar convencido.

Foi a vez de Camus rir. O riso cristalino contagiando ao grego. – Eu não sou assim. Aprenderá com o tempo.

- Tempo é o que mais teremos daqui para frente, ruivo. – Murmurou o loiro ao beijar-lhe a testa. - Viveremos um dia depois do outro. – Suspirou.

I'm gonna be there all of the way
Eu estarei lá para tudo
I won't be missing one more Day
Eu não terei perdido mais um dia
I'm gonna be there all of the way
Eu estarei lá para tudo

I won't be missing one more day

Eu não terei perdido mais um dia

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Temporada de Incêndios

Um mês e meio depois...

Os dias estavam muito quentes e os incêndios não criminosos e criminosos começavam a assustar a população de toda a Grécia. As autoridades pediam para que as pessoas em áreas de risco abandonassem suas casas e seguissem para lugares fora da zona de queimadas. Quase todos os dias as equipes de helicópteros e aviões tanques sobrevoavam as já bem castigadas florestas e arredores das cidades,lançando as cargas de argila e água. Dependendo do lugar, produtos químicos não eram recomendados.

Mesmo com o ar condicionado ligado no quarto, o local parecia um forno. O aparelho parecia não estar ajudando naquela noite de verão. Esparramado na cama, abraçado ao travesseiro, o loiro nem se dera conta que o namorado não estava mais ao seu lado, estava em estado de hibernação e nada o acordaria. O corpo nu ainda em brasa após uma tórrida noite de amor.

Na cozinha, usando apenas sua boxer azul escura, Camus refrescava-se tomando um suco bem gelado. A geladeira aberta iluminando parcamente a cozinha, que permanecia no escuro. Estava com fome, mas aquilo não era hora de comer mais nada. Logo deveriam estar levantando e seguindo para Atenas, iriam aproveitar a folga de ambos. Voltou seus olhos para o relógio de parede sobre a pia. Ainda era cedo, faltava mais de uma hora e meia para levantarem. Coçou a nuca e pegou uma pêra, fechando a geladeira em seguida. Comeu-a com gosto. Espiou pela janela da cozinha e nada de brisa. As árvores continuavam sem se moverem.

Já ia voltando para o quarto quando ouviu o telefone. Arqueou a sobrancelha. Ninguém ligaria àquela hora para eles, ninguém a não ser, é claro, da base. Tentou atender ao telefone antes que esse acordasse o grego, mas como não estava em sua casa, tropeçou na poltrona e mentalmente praguejou até a última geração de quem havia posto aquela coisa no meio do caminho.

Dormindo a sono solto, nem mesmo o calor iria acordá-lo. Não havia nem percebido o sumiço do corpo do amado que aquela hora da madrugada deveria estar ao seu lado. Mas quem achava que ele não acordaria, estava completamente enganado. Assim que o barulho irritante e estridente começou, remexeu-se na cama. Um resmungo. Remexeu-se novamente e fincou o cotovelo no colchão. Com uma das mãos, tateou a mesinha de cabeceira à procura do despertador. Sim, em sua mente embotada pelo sono, somente aquele objeto odioso faria um barulho estridente.

- Camy... Desliga essa porcaria. – Murmurou, ao tocar a mão sobre o telefone. Abriu um olho apenas e viu que o despertador continuava com seu tic-tac costumeiro. Puxou o telefone do gancho e, com um suspiro, começou a falar. – Você ligou para a casa de Milo, após o sinal deixe seu nome e telefone. – Bocejou.

Ao tirar o aparelho do gancho, ouviu o barulho da extensão ser retirada de sua base. A voz rouca e grogue de sono de Milo falando coisas desconexas. – Milo, pode desligar ai, eu já atendi. – Camus falou calmamente.

- Hmm... Camy, se for algum vendedor querendo empurrar alguma coisa, diga que não queremos nada.

Do outro lado da linha uma risada escrachada ribombou nos ouvidos de ambos. – Dio mio, Io mereço. Questro poverello só pode estar exausto. Camus, o que você andou fazendo com ele? – Mask perguntou, sem conter sua curiosidade.

- Mask, creio que da intimidade de Milo e minha você não precise ficar sabendo. – O ruivo respondeu friamente.

- Ora, mas pelo visto, Milo não deu no couro. Seu mal humor é típico de quem não teve uma noite de sexo selvagem. – Gargalhou.

Camus revirou os olhos e, ao fundo, a voz de Afrodite se fez ouvir. – Mask, é uma emergência, não é para ficar querendo saber o que de fato acontece com os dois.

- Vá benne, vá benne, amato mio. – Fez uma pausa. – Camus, temos uma emergência. Precisamos de todos os pilotos na base, acha que consegue acordar Milo? – Agora a voz soava séria e sem o tom de ironia de anteriormente.

- Sim, creio que consigo. Ele ficará bravo, é a folga dele, mas é só o tempo de trocar de roupa e ir para a base.

- Ok! Então, até mais. Vemo-nos na segunda de manhã. – Mask despediu-se. Não havia por que o ruivo ir para a base no final de semana, ele ainda continuava na função de instrutor.

- Até segunda. – Respondeu. Ao colocar o telefone no gancho, algo lhe ocorreu. Talvez fosse melhor ir junto, se precisassem de ajuda quem sabe pudesse fazer a diferença. Com esses pensamentos, rumou até o quarto. Acendeu a luz do abajur e encontrou Milo do jeitinho que havia deixado. Se não fosse pelo chamado urgente da base, ele bem ficaria ali com ele. Observou-lhe melhor o corpo nu e conteve sua libido. – Milo... Milo, acorde... Temos problemas. – Ao vê-lo resmungar, tocou-lhe no ombro e chacoalhou-o levemente. – Mon amour, era Mask no telefone. Estão tendo um problema e precisam de todos os pilotos. Vamos, levante! – Pediu.

O loiro virou-se devagar, piscou algumas vezes e coçou o rosto. – Que horas são? – Perguntou, ao começar a despertar.

- Não passa das cinco da manhã. – Informou. – Vamos, eu vou junto contigo para a base.

- Mas e nosso passeio? – Perguntou ao levantar-se da cama. Arqueou a sobrancelha ao ver o namorado trajando apenas a cueca. – Escuta, você andando assim pela casa é uma tentação.

- Milo...

- Está bem. Banho... – Falou e sumiu banheiro adentro.

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- Hei, Shion qual a situação? Onde está Mask? – Camus perguntou assim que entrou na torre de comando.

O controlador voltou seus olhos para o ruivo, surpreso. – Camus, o que faz aqui? – Respondeu com nova pergunta.

- Mask está na sala de reuniões falando com os pilotos que chegaram agora. – Afrodite informou sem desviar sua atenção do radar.

- Eu vim tentar ajudar. Talvez precisem de alguma coisa, então estarei por aqui. – O ruivo não sabia bem no que poderia ajudar, mas ali estava. De nada adiantaria ficar dentro de casa sabendo que Milo estaria dando tudo de si para salvar vidas e também conter aquele incêndio.

- Deixe Mask voltar, talvez ele precise de alguma coisa. Aqui você sabe, não tem como nos ajudar. – Shion falou. Voltou sua atenção para o radar e voltou a passar as coordenadas que a ele foram solicitadas.

Em pouco tempo, Mask já se encontrava na torre. Voltou seus olhos para Camus e sorriu. – Veio nos ajudar? Se quiser, temos um Bombardier sem piloto. Não conseguimos encontrá-lo. – Ofereceu, apesar de saber que fazia um ano que o ruivo não participava de uma missão.

Camus mirou-o de soslaio. Pilotar ali no campo e apagar alvos nunca fora problema. Na verdade, o que o deixava receoso era cometer um erro como o de tempos atrás, ao aproximar-se das árvores em chamas.

- Ajudarei de outra forma, Mask. – O instrutor respondeu. Voltou seus olhos para onde Afrodite e Shion estavam. Ouvira quando o mais velho havia autorizado a decolagem do grego. – Qual quadrante você colocou Milo? – Perguntou.

- Bem, Milo foi enviado para o quadrante norte, aquela parte está bem afetada. Não está nos limites da cidade, mas sim em uma parte de floresta. – Mask respondeu pensativo.

Camus conhecia muito bem aquele quadrante. Quase todo ano um pedaço de floreta acabava sendo destruído. Suspirou.

oOoOoOo

- Venon, como está a situação por ai? – Shion perguntou-lhe. Ele estava tomando conta daquele quadrante.

- Está um tanto crítica. Eu não consigo manter contato com o pessoal de terra. Vocês têm algum sinal com eles? – A voz de Milo soava preocupada demais aos ouvidos de Camus.

- Não, não temos. – Shion respondeu.

Mask, que prestava atenção, aproximou-se e pegando um dos fones com microfone integrado, começou a participar da conversa. – Venon, deixe um pouco seu microfone ligado. – Havia escutado alguma coisa.

Atendendo ao pedido do comandante da base, Milo deixou ligado o microfone. O motor do Canadair fazia um barulho estranho. Claro que ele sabia do que se tratava, mas nunca iria dizer a verdade. Queria encontrar a equipe em terra nem que para isso colocasse a aeronave em perigo juntamente com sua vida.

Antes de ser o comandante daquele local, Mask já fora um experiente piloto, tanto de caças como de aviões tanques. Conhecia muito bem aquele barulho. Camus mais atrás também sabia o que estava acontecendo. Aproximou um pouco e parou ao lado do italiano.

- O combustível dele está baixo. – Mask falou e olhou para Shion.

- Venon, regresse à base. Ou não irá conseguir. – O controlador concentrou-se no radar.

- Ok, Boss. Estou retornando. – Milo respondeu. Fez a manobra para poder voltar e observou seu marcador de combustível. Estava bem baixo, não abaixo do recomendado, mas ele corria o risco de não conseguir chegar à base. – Vamos lá belezinha. Somos muito bonitos para cairmos aqui. – Gracejou.

- Venon, está tudo bem? – Shion perguntou ao perceber que o rádio havia ficado mudo.

Abrindo a conexão, Milo sorriu nervosamente. – Está tudo sobre controle, já consigo avistar a base ao longe. – Informou. – Meu motor esquerdo resiste... – Informou ao observar pela janela o motor direito parando de funcionar. – Vamos belezinha, falta pouco. Já estamos quase lá. – Um tanto nervoso, acabou deixando o microfone ligado.

Ao ouvir aquilo, Mask olhou para Camus. Ele podia ser o senhor grosseirão, mas tinha certeza que o ruivo entraria em parafuso se acontecesse alguma coisa. Sem muito pensar, acionou o alarme. Com o auxílio de um binóculo e parado do lado de fora da torre, ele observava a aproximação do Canadair. Ao seu lado, o ruivo parecia impaciente como um leão enjaulado.

- Calma, Camus. Milo vai conseguir pousar.

- Assim espero. – Respondeu. Voltou seus olhos para o céu e depois para as escadas. O chefe da segurança estava chegando.

- O que diabos está acontecendo? – Perguntou, assim que parou ao lado dos dois.

- Venon está pousando quase sem combustível. – Mask informou.

- E vocês chamam minha equipe poucos segundos antes dele pousar?

- Era tudo o que tínhamos também. – Mask rosnou.

- Droga! Temos mais um metido.

Sem importar-se com a discussão ao seu lado, Camus observou o avião aproximar-se. Milo deveria estar lutando contra a máquina para mantê-la no ar. O avião estava instável. O outro motor começou a falhar quando este já tocava o solo. Suspirou. Deixou os dois para trás descendo as escadas rapidamente. Precisava chegar até onde o avião iria parar. Quando finalmente chegou onde Milo estava, fuzilou-o com os olhos.

- Perdeu a noção do perigo? – O ruivo perguntou, ao cruzar os braços à frente do corpo.

- Não, eu precisava de um pouco mais de adrenalina, ruivo. – Gracejou o loiro ao conseguir parar de sentir as mãos trêmulas. – E diga que eu não fiz uma aterrissagem perfeita? – Questionou. Um sorriso matreiro nos lábios.

- Seria perfeita se você tivesse um mínimo de combustível para pousar.

- Mas eu tinha...

- Milo, não vou discutir com você sobre isso. Apenas precisa ser prudente.

Ambos voltaram-se para trás ao ouvirem a voz de Aldebaran.

- Mask está chamando a todos os pilotos para a sala de reunião. Parece ter algo importante a dizer. Ele pediu para que fosse junto, Camus. – O brasileiro arqueou uma sobrancelha e aguardou dentro do jipe. – Se quiserem carona...

Milo e Camus trocaram olhares e rapidamente entraram no carro.

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O calor estava insuportável dentro da sala de reuniões. Alguns pilotos que estavam esperando seus aviões serem reabastecidos encontravam-se por ali. O zum zum zum estava tornando-se intolerável quando, finalmente,Mask entrou.

- Sei que devem estar se perguntando o que estão fazendo aqui, quando deveriam estar começando a voltar para aquele inferno. – Começou. Como bom italiano, gesticulava muito com as mãos. Estava nervoso. – Acabamos de receber uma mensagem de um dos nossos, a equipe perdida foi localizada. Eles estão presos pelas chamas. A rota de fuga deles foi barrada pela queda de algumas árvores. Precisamos enviar pelo menos mais um avião para lá, mas não temos o número de contingente para fazermos isso. Não podemos deslocar ninguém para o quadrante de Venon.

- E o que você pretende fazer, Mask? – Camus perguntou. Estava curioso e pensativo. Talvez Mask tinha o chamado ali com a finalidade de fazê-lo ajudar.

- Estava pensando em pegar um dos Bombardier para ajudar... – Calou-se ao ouvir o alvoroço de todos.

- Você não voa há muito tempo, Mask. – Aldebaran arqueou a sobrancelha.

- Isso é verdade e todos nós sabemos que Camus tem voado em treinos.

Milo voltou os olhos para o namorado e observou-o. Ele parecia estar travando uma luta interna. – Camus, você não precisa fazer isso se não quiser. – Murmurou apenas para que o ruivo ouvisse.

O ruivo não respondeu-lhe nada. Não tinha medo de nada e precisava mostrar que estava curado dos traumas do passado. – Eu vou, Mask. E não me olhe assim, eu irei concluir a missão. – Falou decidido. – Enquanto vou colocar meu macacão anti-chamas, pode pedir para preparar o Bombardier. – Pediu com convicção.

- Camy... Tem certeza? – Milo perguntou.

- Tenho, Milo. Vidas dependem disso. – O ruivo respondeu e, sem esperar,saiu rapidamente da sala.

- Ok! Pessoal, todo mundo para seus aviões. Temos um incêndio de grandes proporções para apagar. – Mask encerrou a reunião e seguiu atrás do ruivo. Precisava pedir para que o avião fosse abastecido.

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Sobrevoando a área do incêndio, o Canadair voava baixo. Milo já sabia a posição que deveria lançar as cargas anti-incêndio. – Boss, estou me aproximando do local. E até o exato momento nenhuma comunicação.

- Também não sabemos o que pode ter acontecido, Venon. Não temos notícias da equipe de terra. Mantenha seu curso. Roux está dez minutos atrás de você. – Informou. – Como está a situação?

- Muito quente, quase não se tem muita visibilidade. A fumaça escura está dificultando um pouco, mas vamos conseguir. – Milo respondeu. – Estou quase sobre o alvo. – Ao terminar de falar, estabilizou o avião e lançou sua primeira carga.

- Roux, Boss falando. Tome cuidado. Ouviu pelo rádio? – Perguntou o controlador.

- Sim, eu ouvi. Não se preocupem. Também estou começando a sobrevoar a área em chamas. – Comunicou.

As labaredas altas lambendo a fuselagem e esquentando mais a temperatura já elevada da cabine do Bombardier. Tudo parecia estar indo bem com o francês. Nenhum sinal de pânico ou mesmo de algo que o fizesse deixar a missão incompleta.

- Roux, estou fazendo o retorno para fazer nova passagem. – Milo informou. – Tome cuidado com as árvores, elas estão explodindo feito bombas. O calor chega a ser insuportável.

- Tomarei, pode ficar tranquilo. – Camus respondeu e começou a baixar mais o Bombardier. Nivelou e estabilizou o avião. Um pouco antes de chegar ao alvo, uma árvore explodiu quando estava passando. O avião perdeu a estabilidade e a carga, apesar de ter sido lançada na hora certa, acabara não ajudando muito. – Droga, errei. Uma explosão. – Praguejou. Ao dar a volta com o avião ainda em altitude baixa, nova explosão atingiu-lhe a asa esquerda. A fumaça negra encobrindo-lhe a visão por alguns minutos. Sim, alguns minutos, mas para o ruivo, haviam se passado muito mais que míseros minutos.

- Camus? Está tudo bem? – Perguntou Milo preocupado. Não obteve respostas. – Camus?

Em silêncio, o francês parecia ter sido congelado. O terror de um ano atrás sendo revivido. O suor frio escorrendo-lhe pela testa. Como se fosse um robô, automaticamente fez a aeronave ganhar mais altura e, desesperado, tirou o capacete, fone de ouvido e microfone, os empurrando para trás.

- Camus, o que aconteceu? – Milo insistiu.

- Venon, o que está acontecendo? – Shion perguntou.

- Não sei, uma explosão pode ter danificado a antena do avião de Roux. Ele não me responde. Mas olhando daqui o avião parece estar funcionando perfeitamente bem. – O loiro informou.

- Então isso serve para os dois... Roux, espero que esteja ouvindo.

Sim ele estava. Os fones estavam caídos em seu pescoço bem próximos das orelhas.

- Dêem a volta e continuem lançando as cargas naquele local. Precisamos salvar a equipe. – Shion ordenou. Não poderia dar-se ao luxo de agir com polidez.

De olhos arregalados e assustado, Camus ouvia a tudo e parecia a cada instante reviver em um círculo vicioso a morte de Saga. Definitivamente, ele não devia ter aceitado ajudar. Pilotar um avião tanque e lançar as cargas em um dia de treino é muito fácil, mas pilotar em um incêndio de verdade, é outra coisa totalmente diferente.

Puxando o microfone para perto de seus lábios, o ruivo imaginou o que falar. – Estou com problemas. – Começou.

- O que aconteceu, Roux? – Mask perguntou. A voz levemente rouca e brava.

- Creio que meu rádio e o compartimento de cargas estejam danificados. Estou ouvindo vocês com chiado e muitas vezes a mensagem chega cortada.

- Camus, Milo não pode ficar sozinho aí. Vidas precisam ser salvas. Se sabia que iria congelar aí em cima, por que se ofereceu? Eu poderia estar aí, eu já tinha dito que iria. – Mask estava muito bravo. E tinha toda razão em dar aquela bronca no francês.

- Não tenho culpa, aconteceu.

- Camy... - Milo estava desapontado e deixava transparecer isso em sua voz. – Eu sei que você sofre, mas não foi sua culpa. Eu confio em você, sei do que é capaz.

O ruivo sentiu o coração falhar uma batida. Não poderia desapontar ao namorado. Voltou seus olhos para a asa, nada havia acontecido. Em seu ser, ele batalhava para conseguir vencer as imagens que o seguiam há tanto tempo.

- Milo, deixe-o... Faça seu serviço, vou tentar mandar alguém para ajudar-lhe. – Mask ordenou. – Shion, por favor, veja o avião mais próximo. Talvez seja a hora de sabermos realmente que Camus não deve nunca mais colocar os pés dentro de um avião.

Ao escutar aquilo, Camus sentiu uma fúria tremenda. O que Mask quis dizer com aquilo? Bufando, guinou o avião para retornar. Não era um covarde, era senhor de suas emoções, de si. Iria conseguir vencer seus fantasmas... Seus temores. Ao longe, avistou o Canadair de Milo lançando mais uma carga. Estreitou os olhos e seguiu em frente. Nivelou e estabilizou, voando muito rente as árvores.

- Milo, acho bom ter deixado algo para que eu possa apagar. – Falou. A voz fria e sem emoção. Algo dentro de seu peito estava rugindo, como se fosse um dragão adormecido. Não era covarde... Não tinha medo de nada.

- Camus... – O loiro murmurou. – Mask, Roux voltou. Mais duas passagens e os bombeiros presos entre as chamas poderão chegar até o riacho.

- Ótimo! – Mask grunhiu.

Após as duas passagens restantes, a equipe de terra pode salvar-se entrando no riacho.

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Milo e Camus haviam perdido a conta de quantas vezes voltaram para a base a fim de colocar combustível e voltar para o local do incêndio. Mas no final tudo acabara bem ou quase bem. Os bombeiros foram salvos, tendo uma baixa apenas, do chefe, que fora pego por uma árvore em chamas, que caiu sobre si.

Quando finalmente encontraram-se em solo firme, Milo deu-lhe um sorriso sedutor. O francês aproximou-se devagar e recebeu o loiro em seus braços, sem importar-se com ser reservado ou não.

- Obrigado...

- Por que me agradece?

- Por que você acreditou em mim quando ninguém mais acreditava. – Confidenciou.

Milo sorriu-lhe sedutoramente e beijou-lhe. Um beijo apaixonado. Ao longe, Kanon sorriu satisfeito enquanto alguns pilotos, mecânicos e o pessoal de terra faziam algazarra. Um tanto envergonhado, Camus puxou o grego para outro lugar e não pode evitar rir. Ele não sabia o que acontecia quando estava com Milo, mas já não se importava mais. Importava, apenas, que eles se amavam.

- Sobre o que disse, eu não fiz nada. Você saiu dessa sozinho. Fico feliz por você. Agora quero muito voltar pra casa. Tomar um bom banho, uma massagem...

- Milo...

O grego gargalhou e puxou-o para o alojamento.

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Pela janela do quarto do casal, a bruxuleante luz da lua cheia invadia o local iluminando parcamente a penumbra. Emaranhados entre os lençóis, os corpos nus, as respirações ainda ofegantes. Milo apoiou-se no cotovelo para mirar o ruivo.

- Camus, eu te amo! – Começou ao acariciar-lhe o rosto com a outra mão. Prendeu entre os dedos uma mecha de cabelos ruivos e levou até as narinas. Inalou o perfume másculo... Suspirou. – Como nunca amei ninguém. Foi paixão à primeira vista, amor ao primeiro toque. Sinto que completamo-nos. Apesar das diferenças...

- Milo, por favor, não comece. Você sabe... – A voz baixa e levemente rouca.

- Sim, sei. Você não consegue declarar-se como eu. – Sorriu sedutoramente. - Sim, você sabe que sou possessivo e um tanto ciumento às vezes, mas sei e entendo que você goste da liberdade; que precisa de um momento a sós.

- Não é só isso. – Declarou, cabisbaixo. O que não queria era novamente a promessa do amor eterno. Ouvir de seu amado que nunca seria feliz com outro. Não suportaria outra perda assim, outra promessa.

- O fardo que carregou é muito grande. Não faria isso, não se preocupe... – Baixou um pouco a cabeça e deu-lhe um leve beijo nos lábios. - Eu já lhe disse uma vez, vou repetir. Eu te amo de todo o meu âmago. Quero que estejamos juntos. Quero, apenas, que nosso amor seja eterno enquanto durar. Nada de ficar vivendo o futuro. Continuemos no presente. E que presente... – Sorriu malicioso ao deslizar uma das mãos pelo tórax dele.

- Milo... – Protestou. Sentia o rosto esquentar. Estava corado. Respirou fundo. - Tudo bem, Milo. Às vezes não tem como ganhar de você em uma discussão. Se quer saber, eu também te amo profundamente. Gosto de estar ao seu lado, conviver e partilhar a minha vida contigo.

- Não foi a melhor declaração de amor que eu recebi, mas certamente a mais sincera. – Riu divertido. - Te amo, tal como é!

- Seremos felizes até...

- Até nada! Seremos felizes e ponto. Amando-nos, vivendo um dia por vez e nos superando. Combinado? - Arqueia a sobrancelha.

- Combinado. - Sorri. - Obrigado! Muito obrigado, meu amor. Por tudo... – Roçou levemente os lábios nos dele.

- Hmm... Tudo bem. Só faço meu melhor. - Dá de ombros.

- Dieu! Quanto ego.... – Revirou os olhos.

- Posso me achar, pois tenho o melhor homem do mundo ao meu lado. - Pisca.

- Milo... – Suspira. - Então sejamos felizes. Juntos.

- Sim, sejamos felizes... "para sempre!" - Completa, em sua mente.

Fim

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Momento Aquariana no divã:

Confesso que quando comecei a escrever essa fic, nem me passou pela cabeça que ela poderia ficar desse tamanho.

Querida Virgo, não me canso de dizer que fiquei muito admirada por saber que temos o mesmo gosto para filme (Always também é um filme que gosto muito). Devo admitir que foi um desafio e tanto para mim, e a surpresa pela sua aceitação foi muito boa. Como sabe não tenho costume de misturar Saga ao casal 20, mas valeu pela experiência.

Mask: O que? Sem divã? * olhos arregalados e surpresos. *

Isso mesmo Maskita, sem divã... * olhando para os lados. * Eu perdi minha querida inspiração. – fazendo beicinho.

Mask: Dio mio como é...

Como é o que, carcamano. Fica quieto no seu canto e me deixa terminar. * fazendo cara feia. * Quero agradecer as pessoas queridas que me deixaram review e que acompanharam essa epopéia e também aquelas que leram e não colocaram seu comentário.

Milo: Eu até tentei deixar-te um review, mas eu não tenho acesso ao PC.

Camus: Mon Dieu... * revirando os olhos. *

* Ficwriter sem entender nada. Ou entendendo tudo. XD * Tudo bem Milo, eu sei que você é um escorpiano muito ocupado e que nas horas vagas só tem olhos para o Camus. * Vendo o escorpiano agarrar o ruivo o puxar para longe. * E eu tenho de ver essas coisas!

Bem... é isso! Até o próximo surto...

Theka Tsukishiro

Março/2010