4- No escuro

Os dias de folga foram ótimos. Visitas aos amigos e família, parque de diversões, cinema... e tudo isso somente acompanhada pelo som do trânsito de Londres e de crianças, mas não das "suas" crianças, o que já a deixava bem mais tranqüila.
No outro dia já voltaria ao trabalho. Em todos esses dias nem sequer uma vez teve alucinações, o que lhe fez parecer que já havia se curado e que tudo era estresse mesmo.
Assim que terminou de arrumar as coisas para o dia seguinte, Emily foi dormir. Sabia que o próximo dia seria longo.

- Bom dia Srta. Evans! Como vai? –perguntou Claire, sorrindo e jogando seus cabelos loiros para trás.
- Bom dia, Claire. Eu estou absolutamente bem. E você?
- Tudo bem. Parece que a senhorita está bem melhor.
- Ah, e estou, estou bem melhor. Nada que uns bons dias de sossego não resolvam.
Naquele dia havia chegado na hora certa, e logo subiu para a sala de aula, que estava vazia. Sentou-se na cadeira e jogou sua mochila sobre a mesa. Sorriu ao contemplar a sala cheia de desenhos pendurados nas paredes, além de vários lugares em que a mesma estava riscada de giz de cera. Desviou o olhar para a mesa, onde viu uma montanha de papéis. Pegou-os e logo viu que eram desenhos, e que no topo de todas as folhas estava escrito: "Bem vinda tia Emily". Ela riu. Normalmente não gostavam que chamassem as professoras de tia, mas ela se acostumara com aquilo, e os alunos também, sendo que ela era a única pessoa por ali que não tinha irmãos e tinha dezenas de supostos sobrinhos e sobrinhas. Deu uma breve olhada nos desenhos. A maioria deles continha uma Emily desenhada no melhor estilo palitinho, com cabelos negros desgrenhados, grandes olhos verdes díspares e um sorriso enorme. Já ia guardando todos eles em sua mochila quando percebeu um pedaço de papel diferente deslizar de dentro do amontoado de desenhos. Juntou-o do chão e desdobrou o que parecia ser um bilhete.

"Srta. Evans,
Foi muito bom cuidar das suas crianças. Elas se comportam sempre, exceto quando estão acordadas. Pude ver o quanto elas gostam de você, sempre perguntando se a tia Emily não voltaria logo, porque elas não agüentavam mais o tio chato que colocaram para cuidar delas. Não sei, sempre achei que deveria lecionar para maiores de 4 anos.
Apesar de algumas cicatrizes, foi muito divertido cuidar delas, e posso dizer que você tem feito um bom trabalho. Agora elas estão nas suas mãos.
R. J. Lupin"

Emily estreitou os olhos. Sabia que já tinha lido aquelas iniciais em algum lugar, só não recordava onde. Dando de ombros, guardou o bilhete também dentro da bolsa, bem em tempo de ouvir o sinal bater, o que anunciava o começo da aula. Levantou e foi abrir a porta laranjada, logo sendo derrubada por dezenas de crianças que pularam sobre ela gritando o seu nome. Ficou estatelada no chão, coberta por crianças, até que ouviu alguém falar em tom autoritário.
- Crianças, saiam de cima da Srta. Evans senão vocês vão acabar perdendo sua "tia" permanentemente!
Emily, depois de estar sem nenhum serzinho em cima de si, estendeu a mão pedindo ajuda para levantar à senhora Handerson, que havia chegado na hora certa para poupá-la de morrer sufocada.
- Obrigada Sra. Handerson. –ela disse já em pé.
- Essas crianças iriam te matar se eu não entrasse aqui. –a mulher disse com um sorrisinho. –Então, está melhor?
- Ah, bem melhor. –ela disse sorrindo.
- Então seja bem vinda novamente, pelo jeito elas estavam com saudades. Bom trabalho. –Helen disse saindo da sala e deixando Emily com as crianças.
Emily pediu que todos sentassem, e por um momento apenas ficou observando o rosto das crianças, que novamente fingiam ser apenas seres inocentes que não poderiam causar nenhum estrago.

- Então... –ela disse sentando-se sobre a mesa. –O que vocês aprontaram nesses dias que eu estive fora? –ela disse sorrindo. Isso foi o suficiente para que todas as crianças começassem a falar de uma vez, tornando impossível o entendimento de uma palavra sequer.
Aquele foi um dia como todos os outros dias de trabalho. Assim que terminou as aulas da manhã, Emily almoçou, e logo vieram as aulas da tarde para ocupar seu tempo. Naquele dia ela nem iria à sorveteria, pois estava cansada demais para isso.

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- It's been a hard day's night, and I've been workin' like a dog. It's been a hard day's night. I should be sleepin' like a log… But when I get home to you, I find the things that you do, make me feel alright…
Certamente os vizinhos achavam que ela realmente precisava de um psiquiatra. Emily estava varrendo o chão da sala, enquanto "cantava" a altos brados músicas dos Beatles. Mesmo sendo uma banda super antiga, era a sua preferida. Seu avô tinha uns CD's, e ela lembrava de sempre quando era criança ouvir com ele, e assim foi pegando gosto pela banda.
- When I'm home, everything seems to be right…
Ela havia pegado a vassoura, agora parando de varrer, fingindo que esta era uma guitarra. Será que o psiquiatra estava certo sobre ela não ter problema algum?

- When I'm home, feeling you holding me tight. Tight, yeah. –agora voltava a varrer. –It's been a hard day's night, and I've been workin' like a dog. It's been a hard day's night.

I should be sleepin' like a lo… ah não!
Emily teve que parar com seu showzinho particular: a energia elétrica havia acabado.
- Mas que droga! –ela disse largando a vassoura no chão, e indo até a janela. Afastando a cortina, percebeu que boa parte da cidade estava sem luz. –Ah, muito legal isso. –ela disse sarcástica. Já estava se preparando para ir procurar às escuras uma lanterna na área de serviço, quando... Tlac.
- Ah, meu Deus! –ela disse apalpando o chão em busca de sua vassoura. Assim que conseguiu achá-la, a ergueu em posição de ataque. Silêncio. Podia ouvir uma outra respiração que não a sua, e isso fez com que ela começasse a desferir golpes cegos com o cabo da vassoura. Depois de alguns segundos, ouviu um baque surdo e um gemido. Sentia suas mãos suarem, e seus braços tremerem levemente.
- Calma, Emily, calma... –ela disse para si mesma, esticando os braços para poder se localizar na sala. Deu uns passos para frente e sentiu-se cair. Mas se surpreendeu ao perceber que não era sobre o chão que estava. Ouviu mais uma vez um gemido. As luzes piscaram, até que se acenderam totalmente. Fechou os olhos, com medo de ver o que estava sob seu corpo. Sentiu uma respiração quente em seu rosto, então abriu os olhos.
Assim que deu de cara com um par de olhos cor de mel, sua mão –que estava apoiada no chão –escorregou, fazendo com que ela ficasse completamente estirada sobre quem quer que estivesse sob ela. Fechou os olhos. Sentiu seus lábios esquentarem sobre outros, e seu nariz se chocar contra outro nariz.
Com um grito, ela levantou-se rapidamente, pegando a vassoura e erguendo-a novamente, apontando para quem estava no chão, enquanto massageava o nariz com a outra mão. Corou instantaneamente ao ver quem se levantava do chão de sua sala: era um rapaz de cabelos castanhos e olhos da mesma cor. Era ele.
- OH MEU DEUS! –ela disse jogando a vassoura para um canto e se ajoelhando ao lado do homem. Levou as mãos à boca enquanto sentia seu rosto corar. Se não fosse o suficiente, viu o outro corar, enquanto levava as mãos aos lábios.
A vontade que ela tinha naquele momento, era de cavar um buraco bem fundo e se esconder. Ele sentou-se, olhando para ela.

- Desculpe. –ele disse massageando a cabeça, onde certamente se formaria um galo.
- Na... não, que é isso, eu que preciso pedir desculpas! –ela disse exasperada. –Você 'tá legal? Eu não te machuquei, não é? É que sabe, você me assustou! Não era minha intenção te dar uma vassourada na cabe...
- Calma... –ele disse levando um dedo até os lábios dela, para que ela se calasse. –Eu entendo. Eu devo ter te dado um grande susto mesmo... –ele disse sorrindo. Ela corou mais uma vez.
- É, você me assustou mesmo. Mas eu não devia ter me desesperado tanto. –ela disse envergonhada com o sorriso insistente no rosto dele. –Está doendo?
- Só quando eu respiro.
- Senta no sofá. –ela disse levantando do chão e indo para a cozinha. –Eu vou pegar um gelo para você colocar na cabeça... ah, caramba...
Ele fez o que ela disse e ficou observando enquanto ela embrulhava algumas pedras de gelo em um pano de prato. Assim que ela saiu da cozinha e percebeu que ele a observava, corou. Okay, o que estava acontecendo com ela? Será que seu sangue não poderia encontrar um outro lugar para ficar, que não fosse seu rosto?!
- Aqui, coloca isso em cima de onde eu te machuquei. –ela disse estendendo o pano de prato para ele, que agradeceu.
- Não se preocupe, eu estava brincando quando disse que doía quando eu respirava. Na verdade, nem machucou tanto assim. –ele disse com um sorriso.
- Ham... tudo bem. Mas ainda estou me sentindo culpada, Remus... –ela disse, mas de repente sentiu que tinha algo estranho em tudo isso. –Hey! –ela disse estreitando os olhos –Por um acaso não foi você que foi...
- Te substituir?
- É!
- Ah sim, fui. Eu conheço há um tempo a Sra. Handerson, e ela me pediu para que fizesse esse favor para ela. Eu fiquei surpreso quando percebi que era justamente a sua turma.
- Caramba! Eu não sabia que você dava aulas. –ela disse, e ele sorriu de volta.

A conversa foi seguindo, se prolongando sem que eles percebessem. Ela lembrava que era bom conversar com ele, mas não lembrava de ser tão bom quanto estava sendo. Depois de um longo tempo, horas, eles finalmente pararam.
- Emily, agora eu tenho que ir para casa sabe, já está tarde...
- Ah, sim... que pena. –ela disse sorrindo e levantando-se do sofá, indo até a porta. –Mas teve uma coisa que você não me contou. –ela disse, parando a mão na maçaneta.
- Hm?
- Afinal, o que você estava fazendo aqui? Quero dizer, como entrou?! –ela falou, franzindo as sobrancelhas.
- Er... –ele disse, parecendo embaraçado. –Lily me passou seu endereço. Hm... a porta lá embaixo estava aberta, e eu acho que por causa do som alto você não me ouviu batendo na porta. Então eu acabei entrando, e bem, o resto você já sabe.
- Hm, certo...
Ele pareceu aliviado depois dessa afirmativa de Emily.
- Mas para que exatamente você veio aqui? Para levar vassourada é que não foi... –ela disse rindo.
- Hm, na verdade... eu vim aqui para te convidar...
- Convidar?!
- Emily, ah, eu não sou muito bom para essas coisas. Okay. Você quer sair comigo? Sei lá, ir em algum lugar diferente e...
- Claro! –ela disse empolgada. –Quer dizer, eu vou sim. –ela disse corando.

- Hm, então 'tá bom. –ele disse sorrindo.
- É, então 'tá bom. –ela disse sorrindo e abrindo a porta.
- Tchau, nós combinamos então um dia desses.

- Okay... tchau. –ela disse dando um beijo no rosto dele, o que assustou até ela mesma. Ele saiu e ela fechou a porta, se encostando logo em seguida na mesma.
- O que foi isso?!

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N/A.: Tchã-nãã! Huahuhauh!
Ok, nem vou dizer que demorei porque isso é bem óbvio. Mas quase ninguém lê mesmo...
Estou postando hoje graças a uma review que recebi xD
Então é isso... logo já está acabando, eu sou péssima com fins, e o próximo capítulo é o último. Então vou começar a postar outra ficzinha, e espero sinceramente que alguém ao menos leia e deixe reviews para mim xP

Para quem lê LH: olha só, eu vou continuar a escrever, apesar da demora. Antes do ano que vem acho que posto. Huahuahhauhahauh!

Obrigada por tudo,

Mia Moony.