- LOVE SICK -
Capítulo IV: Sentimentos
Era mais um dia de inverno.
Sesshoumaru olhou para fora, observando a quantidade de neve que caía e que parecia aumentar a cada minuto que passava. Já era noite e, provavelmente, era o único que estava na empresa. Todos os funcionários já deveriam estar em suas casas, aproveitando as suas vidas fora do ambiente de trabalho, com os seus amigos ou suas famílias. Ele era o único que achava que trabalhar fazia o tempo passar mais rápido.
E, de qualquer forma, não havia ninguém esperando por ele.
Não tinha muito contato com Inuyasha. Aliás, não o via desde que se casara com Kagome. Quando seu sobrinho, Shippou, nascera, pediu para a empregada comprar um buquê de flores e mandar com um cartão de congratulações, desculpando-se por não poder visitá-los pessoalmente, já que estava atarefado demais com o rumo que a empresa tomava. E não que fosse verdade — o lucro crescia a cada ano, mais do que seu pai, já falecido, previra. Mas sabia que poderia ter se ausentado por uma hora e ter ido visitar o novo Taishou.
Porém ele preferiu que fosse daquele jeito. Não gostava de contato ou de afeto. Sabia que a cunhada o faria segurar aquela coisinha minúscula nos braços e sabia que não aguentaria fazer isso. Suspirou. Precisava sair logo da empresa, antes que ficasse preso por causa da tanta quantidade de neve.
Quando estava prestes a se levantar, ouviu passos se aproximando. Logo depois, três batidas na porta e, antes que pudesse responder, a secretária entrou.
— Sesshoumaru-sama.
O empresário observou o rosto eficiente da morena. Apesar de o expediente ter acabado há muitas horas, o coque permanecia firmemente preso e a roupa social não estava amassada ou torta. Apesar de alguns traços de cansaço, pôde perceber que Rin estava satisfeita por ter terminado o que quer que fosse que a havia prendido naquele lugar até àquele momento.
— O que faz aqui, Rin?
Novamente aquele tom cortante. Apesar dos quase três anos que trabalhava como secretária para o grande dono da empresa Taishou, ela ainda não tinha se acostumado. Sua mãe, que trabahara para o pai de Sesshoumaru, sempre dissera que o patrão era simpático, educado, rigoroso, porém, paciente. Por isso, quando ele morrera, sua mãe lhe dissera que já havia se encerrado o ciclo e que ela, Rin, deveria se candidatar para que ocupasse o seu lugar. "Ele deve ser igual ao pai. Não se preocupe."
Mas Sesshoumaru não era igual ao pai. Quer dizer, ele nunca a havia tratado mal, nem lhe faltado com o respeito. Mas o chefe era reservado, não se permitia a sorrir, tratava os outros com frieza e não parecia disposto a algum tipo de contato, fora o profissional. Sabia que ele era extremamente eficiente no que fazia e que fora eleito, por anos consecutivos, o empresário do ano, apesar de ainda não ter completado os 35 anos de idade.
Porém aqueles motivos não eram o suficiente para que ela gostasse dele.
— Tive que terminar de digitar alguns documentos, Sesshoumaru-sama. — A passos rápidos, ela foi em sua direção e deixou os papeis na mesa. Podia sentir os olhos dourados de Sesshoumaru a analisarem friamente.
Sentiu-se como um bicho.
— Não precisava fazer isso. — Ele se levantou, vestindo o casaco que estava pendurado em sua cadeira. Rin observava, estupefata, o quanto ele era bonito. Sim, apesar de não gostar dele, não podia negar a beleza de Sesshoumaru: os fios de cabelo finos, sedosos e prateados, os lábios não tão finos e nem tão carnudos e, sobretudo, os olhos dourados, que pareciam que despiam qualquer mulher quando observada por eles.
— N-Não gosto de deixar para amanhã. Acumula muita coisa...
Acentiu. Pegou os documentos, colocou-os em uma pasta. Sentia-se cansado. Sabia que, em algum momento, as consequências do rítmo frenético de trabalho, apareceriam. Não gostava de admitir, mas precisava de férias. Urgentemente.
— Está nevando muito. — Rin se assustou quando o chefe a encarou. — Quer uma carona?
Por um momento, ela não sabia se tinha entendido direito a pergunta. Como ele continuava a encarando, forçou um sorriso.
— Arigatou, Sesshoumaru-sama, mas o meu noivo vem me buscar...
Por que estava se sentindo tão incomodada? Não havia nada de mal naquilo, certo? Muitas funcionárias da empresa iam embora com os seus namorados, ao fim do expediente. Sabia que Sesshoumaru não gostava de contato, mas não era por causa dele que iria se privar de passar mais algum tempo com Kohaku. Sentiu-se irritado com o olhar de Sesshoumaru. Ele a estava analisando novamente, provavelmente pensando como ela era tola.
— Até amanhã.
Passou por ela e fechou a porta, deixando Rin sozinha, perdida em seus pensamentos.
"... Mas o meu noivo vem me buscar..."
Aquela frase não saía de sua cabeça.
Fora em um dia qualquer de trabalho que percebera que gostava da secretária. Não sabia o porquê, mas Rin sempre parecia um pouco distante, um pouco nervosa, quando estava com ele. Pensou, até aquele dia, que a morena sentia algo a mais por ele.
Mas estava errado.
Já se envolvera com muitas mulheres, mas nunca se deixou envolver por nenhuma. Justamente porque sabia que, quando confessasse para si mesmo, que estava apaixonado, seria um fraco, seria um refém de um sentimento idiota, que não tinha qualquer lógica. Contudo, não sabia qual era a sensação de ser rejeitado antes mesmo de ter tentado.
"... Mas o meu noivo vem me buscar..."
Aquela dor que ele estava sentindo era a dor de amor que todos falavam? Uma dor incômoda, que fazia sua garganta fechar e seus olhos arderem. Assim que parou o carro em um farol vermelho, algumas lágrimas caíram de seus olhos dourados, de repente, tão singelas, tão suaves, que Sesshoumaru se surpreendeu.
Há quanto tempo ele não chorava?
Ele já havia chorado depois que deixara de ser criança?
Não chorou quando o pai morreu, vítima de um ataque fulminante. Não chorou quando descobriu a doença da mãe e que ela tinha poucos anos de vida. Não chorou quando, aos quinze anos, seu cachorrinho, Fluffly, foi assassinado ao comer carne com vidro moído, que algum vizinho mal-intencionado deixara no jardim deles.
Mas estava chorando agora, naquele exato momento.
Em seu íntimo, ele estava esperando, todo aquele tempo, que alguém perguntasse se estava tudo bem. Não simplesmente por educação, mas apenas por preocupação. Tentara a qualquer custo se convencer que ser sozinho, não ter vínculos com ninguém e tratar todos os outros com frieza iriam protegê-lo de qualquer golpe que pudesse, eventualmente, sofrer.
Mas tudo aquilo fora em vão. Ele estava em seu carro, sofrendo, chorando, sozinho, sem ninguém com quem contar.
E naquela noite de inverno descobrira que todas as suas esperanças, secretamente guardadas, de se sentir vivo, foram destruídas em apenas seis palavras.
Agradecimentos a Marilia Cullen Black, S2RinS2, Acdy-chan e Cac (é isso? XD), pelas reviews deixadas no capítulo III! ;)
E aí, pessoal?
Sei que publiquei um aviso há alguns dias, dizendo que voltaria só ano que vem, por conta dos vestibulares e tal. Porém hoje acordei com inspiração que veio de sei lá onde. 8D Por isso, decidi colocar tudo no word, em uma só vez, antes que esquecesse tudo. Como já disse anteriormente, esse é um dos meus projetos favoritos.
Já que alguns disseram que só a Rin sofria, decidi escrever algo em que o Sesshy sofre. 8D Sei que não se parece muita coisa com aquilo que ele é no anime, mas aqui ele é apenas um humano, por isso é impossível que ele tenha as mesmas características que ele teria se fosse Youkai.
Espero que vocês tenham gostado! ;) Elogios, críticas, opiniões e sugestões são sempre bem-vindas.
Beijos,
Red Motel.
