Disclaimer: Esta é uma fic sem fins lucrativos, adaptada do livro "Só por uma noite" da autora Miranda Lee e da editora Harlequin Books. Todos os direitos pertencem a autora e a editora, respectivamente.
Os personagens de Harry Potter e cia pertencem a J.K Rowling, Warner e Editora Rocco.
OBS: Quem tava ansiosa pelo capítulo quatro? \o/
CAPITULO QUATRO
— Sinto muito, entendeu? — Beth pediu desculpas. — Não pretendia causar embaraço. Também não menti. Você é o tipo "ame-as e deixe-as". Ou, pelo menos, é o que costuma me dizer.
O irmão mal tinha falado, durante todo o caminho de volta do aeroporto. Ou nas duas horas seguintes. Ao chegarem em casa foi para o quarto de hóspedes, tomou banho, trocou de roupa e dirigiu-se para o terraço dos fundos, para ler o jornal matutino de cabo a rabo em ab soluto silêncio.
Vince já tinha saído para uma cirurgia quando chega rem e não retornaria até as 7 da noite, então Beth tinha a desagradável função de distrair o "Senhor Emburrado" o dia inteiro sozinha. Estava quase feliz por ter uma consulta marcada com a obstetra mais tarde. Enquanto aguardava, recusou-se a continuar por mais tempo a conviver com o mau humor do irmão.
— Por favor, Harry, afinal o que esperava? — pros seguiu, embora ele não respondesse ao pedido de des culpas. — Que a garota fosse se jogar dos braços do noi vo nos seus? Você não é tão irresistível assim.
Mas quando Beth sentou-se, tinha lembrado que Harry, ainda na escola, já era irresistível para o sexo oposto.
E na casa dos trinta era muito mais interessante. Os ombros e o peito estavam mais largos. O cabelo, ainda volumoso e brilhante, mais bem cortado. Os traços esta vam mais marcados e fortes. Algumas linhas ao redor dos olhos não estragavam sua aparência. O rosto tinha uma aparência mais forte, mais experiente e os olhos fundos sugeriam inteligência e um ar mundano, o que as mulheres julgavam misterioso e sexy.
— O problema, Harry Potter — pronunciou, ir ritada — é que está acostumado a conseguir todas as mulheres que quer.
Harry conhecia Beth. Mas isso não o fazia suportar com mais galhardia o fiasco da manhã. E não explicava o porquê de estar tão chateado.
— Não consigo tirá-la da cabeça — disse em voz alta, surpreso ao se dar conta da constatação.
Beth também pareceu surpresa.
— Mas vocês só se falaram por alguns minutos. —- Eu sei.
— Além do mais ela era loura. Harry deu um sorriso atravessado.
— Eu sei. Mas realmente gostei dessa. Era doce. Beth riu.
— Era sexy.
— Não de forma óbvia.
— Ah, sem essa. Com aquele corpo?
Harry congelou. Sim, era sexy e sim, só queria ter a oportunidade de fazer amor com ela. Mas desde o mo mento em que tinha saído de sua vida de manhã, pensa va mais em sua companhia do que em sexo.
— Tenho que encontrá-la —- proferiu.
— Como? Nem sabe o nome dela.
— Sei que fez reserva para uma recepção de casa mento no hotel Regency Royale amanhã. Podem me in formar seu nome e telefone.
— Não vão dizer para você. Harry sacudiu a cabeça determinado.
— Vão sim.
Beth suspirou. Tinha razão. Provavelmente dariam a informação. Harry tinha o dom da palavra. Podia con vencer qualquer um a fazer qualquer coisa.
— Você disse que ia à cidade consultar o médico ao meio-dia, não disse? — perguntou.
— Isso mesmo.
— Fica perto do Regency Royale?
— Uma caminhada de uns dez a quinze minutos. — O consultório médico era na Macquarie Street. O Re gency era perto de Rocks.
— Vou dar um pulo lá, enquanto você está no médi co. Quanto tempo deve demorar?
— Pode levar até uma ou duas horas, se o médico for chamado para um parto. O que acontece com fre qüência.
— Podemos manter contato por telefone.
— Tem certeza de que é uma boa idéia, Harry? Que ro dizer, a pobre garota deve estar muito vulnerável.
— Não tenho intenção de magoá-la, mana. Só quero levá-la para jantar. Conhecê-la um pouco melhor.
Beth virou os olhos. Não adiantava argumentar com Harry. Nunca adiantara. Uma vez tomada uma decisão, nada o impedia de seguir em frente.
— Vou chamar um táxi para as 12:30 então. Não vale a pena ir de carro para a cidade. É um suplício en contrar uma vaga.
Hermione saltou na entrada do Regency Hotel logo depois do meio-dia. Embora tivesse combinado de en contrar o pai e a mãe para almoçar às 12h30, sabia que seus pais, extremamente pontuais, já teriam chegado a Sidney e estariam sentados no hall, esperando por ela. Pensara em se atrasar, mas decidiu, por fim, ser melhor dar as más notícias e resolver tudo o mais rápido possí vel.
Tinha passado maus momentos desde que voltara do aeroporto, cheios de recriminações e arrependimentos. Mas, principalmente, cheios de lágrimas.
Talvez se Louise estivesse em casa fosse capaz de manter o equilíbrio, desabafando e proferindo insultos pela traição de Gary. Mas Louise precisava trabalhar. Enquanto ela tinha uma semana de férias, já que supostamente se casaria amanhã. Cruzaram uma com a outra no hall do prédio, Louise dando-lhe um abraço rápido antes de fazer com que Hermione prometesse não ligar para o cretino do Gary. Uma promessa fácil de fazer e de cumprir. Ela não suportava a ideia de falar com ele, quanto mais ouvir desculpas patéticas.
O efeito do apartamento vazio era devastador: a de pressão invadiu-a em segundos, deixando Hermione pa rada na porta. O silêncio era terrível, sem contar as fotos dela e de Gary, tiradas no aeroporto, na estante do hall. Jogou-as no lixo, depois jogou-se na cama e chorou de angústia, raiva e desespero.
Mais ou menos uma hora depois levantou-se para to mar o café da manhã e responder ao e-mail de Gary dizendo que ele não deveria nunca mais voltar a entrar em contato!
Ao enviá-lo, entretanto, voltou a debulhar-se em pranto.
Controlou-se com razoável rapidez e deu os telefonemas necessários para cancelar o aluguel das roupas, o celebrante, a florista e a suíte que reservara para a noite de núpcias.
Estava muito aborrecida para cancelar também a recepção. Decidiu que o faria mais tarde, pessoalmente, depois de ter falado com os pais. Talvez pudesse convencer o hotel a devolver parte da quantia.
O estrago físico de suas crises de choro não foi fácil de reparar. Uma compressa de gelo ajudara, além de uma maquiagem cuidadosamente feita. Mudou a roupa; o modelo da manhã havia sido escolhido para Gary.
Vestiu calça creme e uma camisa vermelha de mangas três-quartos. Bolsa de palha. Batom vermelho.
— Vai hospedar-se no hotel, senhora? — perguntou o guardador de automóveis, quando saltou do carro.
Hermione controlou a irritação ao ouvir "senhora". Desde quando havia se transformado em senhora? Bem, o rapaz devia ter uns 19 anos; era natural que uma mu lher de 33 anos fosse uma senhora para ele.
De qualquer forma era deprimente, ainda mais dadas as circunstâncias.
— Não — disse, dando um sorriso forçado ao estender as chaves do Kia Rio prata. — Vou encontrar al guém para almoçar — acrescentou.
— Então vai precisar de um ticket de estacionamento, senhora.
Pegando o ticket, virou as costas e empurrou a porta gi ratória, entrando na enorme arcada que conduzia ao hotel.
A arcada era uma armadilha para turistas e hóspedes pensou, enquanto olhava as butiques exclusivas ven dendo roupas de designers, jóias fabulosas e as mais provocantes lingeries. Uma armadilha para noivas; deu um suspiro, pensando no dinheiro gasto na loja de lingerie da última vez em que ali estivera.
Prontamente virou-se para o outro lado, onde não ha via nada que provocasse memórias depressivas, apenas algumas portas. A primeira levava a um bar da moda onde fora umas duas vezes com Louise. A segunda, ao bar em estilo bistrô e restaurante, o Tavera, no qual dera uma espiada e aonde pretendia levar os pais para almoçar. Serviam refeições saborosas e tradicionais o ideal para pessoas do campo que não apreciavam comida à la carte.
— Não suporto comida sofisticada — o pai sempre dizia.
O estômago de Hermione contraiu-se ao lembrar do pai. Mais ainda quando alcançou o fim da arcada e do chão de mármore e pisou no tapete de veludo do lobby do hotel. Só uma olhada na decoração bastava para lembrá-la quão cara era uma recepção de casamento ali, mesmo para apenas cinqüenta convidados. Só o bolo custara uma fortuna!
O único conforto de Hermione era ter optado por ape nas uma madrinha. Se uma das irmãs não estivesse grá vida seriam mais duas!
Mas puxa... como desejava ter dado ouvidos a Gary, que queria uma recepção simples. Seria bem mais fácil. Já era suficientemente ruim ter que contar aos pais que não iria se casar. Pior ainda o pai ter gasto tanto dinheiro!
Sua família, ao contrário de outras, não sofrerá mui tos prejuízos devido à seca constante, mas eram tempos difíceis. Seu pai poderia repor os animais que fora for çado a vender, ou construir uma barragem extra para cobrir o dinheiro do casamento. Ou partir no cruzeiro que sem pre planejara fazer com sua mãe, mas nunca fazia. E ela havia notado o quanto pareciam cansados e velhos no Natal.
Hermione deu uma olhada no lobby com o estômago ainda mais apertado. Mas os pais não estavam lá. Fez uma volta completa, seu olhar checando cada pedaço da recepção. O lugar não estava cheio àquela hora do dia. Muito tarde para fazer o check-out. Muito cedo para o check-in.
Não. Definitivamente não estavam lá.
Poderia ter ligado se tivessem um celular, para che car se haviam se perdido ao chegarem à cidade. Mas é claro que os pais não viviam no século XXI. Provavel mente jamais viveriam.
Hermione sentou-se numa das poltronas de veludo para esperar, o corpo voltado para a entrada da arcada. Seu pais viriam por aquele caminho.
A princípio quase não o reconheceu. Não vestia as mesmas roupas. O terno cinza tinha sido substituído por uma calça jeans escura e uma camisa pólo marinho debruada de branco. Óculos escuros no alto da cabeça. Tê nis marinho e branco.
Hermione precisara de muita força de vontade para afastar o Sr. Harry Potter de seu pensamento após deixar o aeroporto, embora ao chegar em casa tivesse que se ocupar com assuntos mais imediatos e urgentes. Agora, subitamente, lá estava ele de novo, tão perturbadoramente sexy como nunca.
O choque deixou Hermione sem fôlego enquanto a cabeça dele girava em sua direção. Parecia bastante sur preso ao vê-la. E definitivamente, satisfeito.
As costas de Hermione retesaram-se contra a poltrona ao vê-lo caminhar em sua direção. No último momento, levantou-se; melhor do que ficar sentada. Estranho ter que olhar para cima em direção àqueles olhos incríveis.
Tirou os óculos da cabeça enquanto se aproximava e guardou-os no bolso da camisa enquanto a boca abria-se num sorriso encantador, mostrando dentes brancos per feitos e uma cova numa das maçãs do rosto.
Como se ele já não fosse suficientemente atraente.
— Não acredito! — exclamou. — Vim aqui na espe rança de extrair seu nome e telefone do pessoal do hotel e eis você em carne e osso.
O ar saiu todo dos pulmões de Hermione, ao ouvir a confissão. Então não era uma incrível coincidência. Ele estava efetivamente em seu encalço. Seus sentimentos dividiram-se entre fúria e lisonja até deixarem-na simplesmente perturbada.
— Eu disse que iria encontrar meus pais aqui para o almoço — disse, ruborizando. O que tinha aquele ho mem que a fazia agir e sentir-se como uma adolescente idiota ao encontrar seu artista favorito?
— É mesmo? Não me recordo de você ter menciona do. Eu teria lembrado. Mas não importa. Você está aqui. Agora tenho a oportunidade de apagar a má impressão que minha irmã possa ter passado a meu respeito.
— Você simplesmente não aceita um não como res posta, não é mesmo?
— Beth disse o mesmo quando lhe falei que preci sava encontrar você. Ela está aqui na cidade, em con sulta médica, então vim em minha missão de descobrir a identidade da jovem adorável que encontrei esta ma nhã e em quem não consigo parar de pensar.
— Você é um homem muito irritante — declarou, mesmo ficando mais ruborizada. Será que ele não podia entender que a última coisa que ela queria era mais pro vas de quão estúpida tinha sido, pensando estar apaixonada por Gary? Era mortificante a forma como seus olhos continuavam devorando-o. Mas, Deus do Céu, ele era maravilhoso.
Não podia deixar de desejar que tivesse sido aquele advogado de L.A. a cruzar-lhe o caminho na Gold Coast, ano passado. Porque ele não iria olhá-la com olhos românticos. Ele a teria seduzido no ato, para dei xá-la alegremente no dia seguinte. Não teria mentido ou traído ou abandonado. Homens como Harry não preci savam enganar as mulheres para levá-las para a cama. As tolas, inclusive ela, estariam prontas a fazer o que ele quisesse, mesmo sem uma única promessa.
Aquela era a parte mais vergonhosa de seus senti mentos. Como Hermione Granger, uma mulher recém-abandonada, podia desejar um homem como desejava o quase desconhecido parado à sua frente?
— Eu continuo dizendo que não vou jantar com você hoje — pronunciou, rudemente.
— Não tem problema — respondeu ele sem se alte rar. — Amanhã à noite está bem. Ou depois. Estarei em Sidney por uma quinzena.
— Você não está, novamente, prestando atenção. Eu disse que não. Repito: não quero jantar com você. Nunca.
— Não é verdade.
Era. Mas ele não entendia a mensagem.
— Algumas coisas foram feitas para acontecer, lin da. Ou, então, por que o destino colocaria você aqui, es perando por mim?
Hermione suspirou.
— Não estava esperando você. Estava esperando meus pais, já falei. Eles... Oh — A cabeça rodava pelo esforço de manter o controle sobre si mesma e sobre a situação.— Eles estão aqui.
N/A: Desculpa a demora, tenho andada ocupada, mas aqui estou novamente... Espero que tenham gostado do capítulo...
Vejo vocês no capítulo 5.
