BLEACH ERÓTICA

CAPÍTULO 04 – INSENSÍVEL...

Abarai Renji suspirou baixinho. Era meio impossível de agüentar aquilo. Tudo bem, eles eram treinados pra demonstrar o mínimo de sentimentos, como se tal demonstração fosse sinônimo de fraqueza. Mas o capitão Hitsugaya não tinha nada de fraco e o cuidado com Hinamori era... simples. Nada fenomenal, que chamasse a atenção. Mas estava lá.

-Byakuya... – suspirou Renji de novo. – Porque tem que ser tudo tão complicado?

O tenente da 6ª.divisão se assustou quando foi tocado levemente no cotovelo. Sua primeira reação foi instintiva. Puxou o braço e se posicionou defensivamente. Ao ver que era o Capitão Tousen, relaxou.

-Boa defesa, fukutaichou. Mas você estava bem perdido em seus pensamentos para não ter percebido minha chegada.

-Ou o senhor chegou desapercebidamente para me surpreender, Tousen-Taichou?

O capitão riu. E sacudiu a cabeça.

-Também. Mas o que lhe deixa tão angustiado, que lhe põe perdido em pensamentos e espalha uma aura de desespero ao seu redor?

O ruivo mordeu o lábio inferior, depois se deu um tapa mental. O capitão Tousen não podia ver seu constrangimento. Então, despejou as razões de sua angústia.

-Byakuya-taichou tem se fechado mais e mais em si mesmo. A cada dia que passa, tem se tornado mais frio que qualquer golpe de Hitsugaya-taichou. Quer eliminar Rukia como se ela não significasse absolutamente nada, uma mancha a ser limpa dos anais da Soul Society.

-Bem, essa indiferença não faz bem para nenhuma alma, mesmo. Até tira o gosto da luta, pergunte ao Kenpachi. Temos que sentir alguma coisa. – Tousen sentia que havia algo a mais, mas aquilo já era motivo suficiente para que ele agisse. – Não se preocupe, Abarai-fukutaichou. Eu vou dar um jeito nisso...

-Mas...

-Eu nunca te encontrei e esta conversa nunca se deu. Boa tarde.

Renji ficou olhando para a trança de Kaname que se afastava. E suspirou novamente.

Byakuya estava tomando chá em seus aposentos. Deixava a mente vazia, os sentidos voltados unicamente para o gosto em sua boca. Se recusava a pensar em Rukia, sua cunhada, para não ter que ver que quebrava a promessa feita no túmulo da esposa. E não pensando em Rukia, não precisava pensar que a esposa estava morta, que ele não tinha mais a quem cuidar e demonstrar carinho... Nem arder no fogo da paixão...

-Acalme-se. – ordenou a si mesmo. – Você não pode pensar naquilo...

Sentiu a presença de Tousen. Bufou, entediado. O que o capitão da nona divisão queria?

-Por favor, Tousen-taichou. Aceita uma xícara de chá?

-Bondade sua, Kuchiki-taichou.

Tomaram o chá em silêncio, Byakuya ainda pensando nos motivos que trariam Kaname aos seus aposentos. Após a primeira xícara, o outro capitão foi rápido e direto.

-Quanto tempo faz que sua esposa faleceu, Byakuya-bo?

O capitão da 6ª.divisão empalideceu, mas não deixou sua surpresa transparecer na voz:

-Anos...

-E você tem sistematicamente se trancado para não sentir nada, não é, Byakuya-bo?

-Kaname-san, acho que os rumos dessa conversa estão ficando íntimos demais para o meu gosto. Isso não é da sua conta e...

Por mais ágil que fosse, Byakuya não estava preparado para o ataque de Tousen. Quando viu, estavam no chão, Kaname por cima de seu abdômen, segurando seus pulsos ao lado da cabeça.

-Agora é da minha conta, Byakuya-chan. Você está se envenenando pouco a pouco, não permitindo a um mínimo sentimento encontrar uma brecha para sair. Está perdendo o gosto e o prazer da luta, e nada pior que um shinigami que luta no automático.

-Kaname... me solta agora!

-E se eu não quiser? – Se aproximando do rosto de Byakuya, se afastou no último segundo de seus lábios pra se aproximar de sua orelha e mordendo o lóbulo, soprar em seguida.

Aquilo enviou milhares de agulhas subindo e descendo pela espinha do capitão da sexta divisão. Foi tão atordoante que ele chegou a pensar que Tousen estava usando seus poderes contra ele. Mas não. Era seu corpo traidor reagindo mal mesmo.

Kuchiki-taichou pode dizer a seu favor que tentou lutar bravamente, mas uma vez rompido o lacre, sua sexualidade extravasou qual represa. E quando Kaname o beijou, ela tomou as rédeas da situação. Não deixou que o cérebro oferecesse resistência nenhuma, quando o capitão da sexta foi despido, permitindo que a língua, os lábios e os dedos do outro capitão acariciasse seus mamilos, tórax, abdômen, virilha, pernas. Kuchiki apertou os lábios, não querendo ceder à última barreirinha, mas Kaname sabia muito bem, com a sensibilidade natural dos cegos, onde tocá-lo. E ele teve que gemer. Gemer alto e longamente. Ofegar. De repente, silêncio e sossego. Se Kaname fosse capaz, Byakuya diria que ele tinha parado para contemplá-lo.

Mas não. O outro capitão tinha parado para torturá-lo. Para que seu corpo, agora novamente de posse dos sentidos, todos em alerta, quisesse mais. Kuchiki se amaldiçoou internamente. E se rendeu, buscando roçar no corpo firme, querendo mais contato, querendo tudo de novo, que aquele fogo em suas veias continuasse correndo até queimá-lo por inteiro. Kaname ficou passivo, obrigando Byakuya a corresponder, tocando e beijando, acariciando, movendo... Depois deitou-o no solo de novo, os lábios na virilha de Kuchiki, sugando com voracidade, as mãos descendo e apertando o traseiro pálido, os dedos já procurando o caminho...

Byakuya tremeu de ansiedade ao sentir os dedos roçando pela sua entrada, girando, acariciando sem entrar. Rebolou, procurando se empalar neles. Não a intenção de Tousen ir entrando assim, de boa. E Kuchiki teve que se submeter novamente, sem saber se a voz estava rouca de tesão ou se recusava a sair por orgulho. Mas mandou tudo "pra casa dos Hollows" e gemeu, pediu e implorou pra ser penetrado.

Atendido por Kaname, gritou ao se ver invadido, primeiro pelos dedos depois pelo pênis do outro capitão. A visão da pele negra contrastando com a sua, branca, lhe excitava a níveis nunca imaginados. Gemeu, choramingou, se sentiu ferido, mas o melhor era extravasar tudo que tinha amordaçado por dentro. Sua ereção dolorida pedia alívio e ele se masturbou, sem pejo algum. Ouvia Tousen ofegar, agora por detrás dele e fazia coro aos seus gemidos.

Quando o orgasmo veio, as lágrimas que o acompanharam eram muito mais que um simples alivio. Do mesmo jeito que veio, Tousen se retirou. Byakuya se deixou ficar deitado, sentindo os músculos tremerem do exercício. Suspirou e foi tomar um banho. Depois andar um pouco.

Passando pelos aposentos de Renji, viu seu tenente escovando os longos cabelos ruivos. Achou os movimentos fluidos e belos. Achou o cabelo brilhante e teve vontade de conferir se eram mesmo macios. E pela primeira vez, não teve a mínima vontade de reprimir o desejo. Entrou no quarto.

Renji se assustou com a visita inesperada e deixou a escova cair. Byakuya a pegou num movimento rápido e com a outra mão segurou o pulso de seu tenente.

-Deixe... eu faço isso. Sempre quis fazê-lo.

-Já quis fazer mais alguma coisa?

-Sim. Acho que hoje é o dia ideal pra fazer tudo que eu já tive vontade.

Abarai-kun sorriu. Sem promessas, sem pieguice, mas soava como um bom começo.

N/A: Hummm... Acho que vou ter que fazer uma continuação, pelo bem do ruivo... 04/11/06. Deixei a data original pra vocês – e eu também – terem uma idéia desde quando eu to tentando. Byakuya foi, é e sempre será um desafio. Porque o homem consegue ser o cubo de gelo dos cubos de gelo dos animes. Mexer muito com ele sem o tornar totalmente OOC é complicado. Bem, mas a gente vai tentando, ne? Pras fãs. 30/01/2007.