Voltei! Depois de uns meses sem muito criatividade para esta fic e tals... Mas graças à insistência dos meus lindos leitores, cá estou! Não posso deixar de agradecer a diva da Cora Comarck e seu livro maravilhoso Losing It pela história GaaHina mais perfeita do mundo! Obrigada e espero que não tenham desistido de mim! Abraços e boa leitura a todos!
Capítulo 4
Se não conseguisse me controlar iria hiper-ventilar com toda a certeza. Estava em pé, no meio do meu banheiro, com uma regata, que mais parecia um top, uma calcinha que poderia deixar qualquer uma envergonhada – Culpa de Ino! – e minhas calças estavam em volta de meus joelhos. Gaara me esperava do outro lado da porta e ele parecia um imã feito especialmente para mim. Ele me dissera para tirar a calça e evitar usar roupas apertadas por cima da queimadura e até tinha se oferecido a me ajudar a retirá-la, coisa que quase me fez vomitar. Então, em vez de ser inteligente e aceitar, recusei, tranquei-me no banheiro e comecei a tentar tirá-la sozinha. Eu deveria impedir que o tecido tocasse o machucado, mas falhei miseravelmente.
Eu abaixei o tecido um pouco mais e esforcei-me para segurar um gemido de dor.
- Hinata? – chamou Gaara batendo na porta. – Está tudo bem?
- Está sim! – eu abaixei a calça novamente e murmurei.
- Hinata, deixe-me te ajudar. Você está me deixando preocupado!
Respirei fundo e tentei pensar em uma maneira de contornar toda a situação. Manquei desequilibrada, por causa de meus jeans nos joelhos, e agradeci por ter encontrado uma saia de cintura elástica dentro do cesto de roupa suja. Morrendo de vergonha de minha situação, passei a saia por minha cabeça e usei-a para tampar minha calcinha indecente, depois me joguei na privada.
Esfreguei levemente meu rosto, certa que deveria estar vergonhosamente vermelha. Não posso fazer realmente nada sobre isso... Conclui mortificada.
- Tudo bem, pode entrar...
A porta abriu vagarosamente e a cabeça de Gaara apareceu antes de seu corpo. Ele analisou minha situação humilhante: a saia amarrotada e o jeans nos joelhos e, provavelmente, notou meu rosto vermelho. E, do nada, ele começou a rir. A gargalhar mesmo.
- Isso é ridículo! – Como posso pensar em fazer sexo com ele agora?
Ele forçou-se a parar de dar risada, mas a diversão nunca saiu de seus olhos verdes.
- Sinto muito. Eu sei que você está com dor. Só que você parece tão...
- Ridícula?
- Lindinha.
Encarei-o de maneira nada agradável.
- Ridiculamente lindinha.
O sorriso que me deu era intoxicante e eu não consegui evitar o sorriso relutante que surgiu em meu rosto.
- Okay... Agora que você já se divertiu, ajude-me logo a tirar minha calça – falei tentando imprimir um sarcasmo que me fizesse sentir um pouco mais confiante.
Ou ele não entendeu o sarcasmo ou ele apenas ignorou, porque ele encarou-me de um jeito tão intenso que eu diria que se tornara quase predatório. De repente, não era só minha perna que estava queimando.
Ele observou-me um por um tempo antes de limpar a garganta e abaixar seus olhos para meus joelhos. Abaixando-se ao meu lado, ele esticou uma de suas mãos e segurou minha perna machucada.
Eu já tinha abaixado bastante a calça jeans, então a queimadura estava coberta naquele momento. Sua mão pairou, levemente, sobre o zíper que parara no meio de minhas coxas. Ele sussurrou um "com licença", com aquele sotaque britânico maravilhoso, e enfiou a mão livre pelo meio de minhas pernas e por dentro da calça.
ATAQUE. CARDÍACO.
Era isso que eu acreditava estar tendo.
Usando a outra mão, ele puxou o jeans para baixo e para longe do machucado o quanto ele podia, justo sobre meus joelhos. Ele olhou para cima, parecia estar um pouco perdido, limpou a garganta novamente e perguntou: - Posso pegar sua mão emprestada?
Eu não consegui responder, mas estiquei minha mão direito em sua direção, ela estava, para meu desespero, incrivelmente suada. Gaara pegou-a com delicadeza e colocou-a dentro da perna de minha calça junto da dele.
- Mantenha sua mão aqui e tente deixar o tecido o mais longe possível de sua perna. Eu farei a mesma coisa pela parte de baixo. E nós tentaremos retirá-la sem tocar no machucado, está bem?
Concordei, ainda sem conseguir falar. Minha mão estava dez vezes mais firme que meu coração.
Ele deslizou sua mão para cima e para baixo, seu leve toque causando arrepios por todo meu corpo. Ele fez como dissera e arrastou o tecido para longe de minha pele e, então, juntos tentamos retirar a calça.
Não foi a melhor maneira de fazer aquilo. O jeans era tão indecentemente apertado – Novamente culpa de Ino! – que às vezes o tecido esbarrava em minha perna e eu me encolhia levemente.
- Desculpe – ele dizia todas as vezes que isso acontecia, como se fosse culpa dele. Eu queria dizer que não precisava disso, mas eu estava tão encantada com o modo como ele dizia "dexxxculpa" que deixei para lá.
Depois de um minuto ou dois de lenta e cuidadosa manobra, meu jeans atingiu o chão.
Nós dois gargalhamos de alívio – da mesma forma que os atores riem em filmes depois que desarmam bombas. E quando eu, finalmente, parei de rir, percebi que sua mão ainda estava ao redor do meu tornozelo e a outra roçava suavemente contra a pele ao redor da queimadura.
Se ele continuar fazendo isso, vou derreter agora.
- Hã... Obrigada.
Ele finalmente notou o que estava fazendo. Seus olhos desceram para suas mãos e, em vez de afastar-se assustado, ele sorriu, escorregou levemente a mão pela extensão da minha perna e, depois, soltou.
- Sempre que precisar. Agora precisamos esfriar a queimadura, devemos colocá-la debaixo da água fria – Eu fiquei imaginando as tentativas falhas em colocarmos minha perna embaixo da torneira da pia ou ao ir parar dentro da banheira. Eu, com certeza, demonstrei o que estava pensando, pois ele completou. – Ou apenas usaremos tecido molhado com água fria.
Concordei e, rapidamente, entreguei-lhe uma toalhinha que estava jogada no cesto. Ele virou-se para a pia e colocou-a embaixo d'água, até que ficasse completamente encharcada. Segurei minha respiração quando ele firmou-a sobre minha pele dolorida, mas o frio era reconfortante e ajudou-me a relaxar pela primeira vez desde que chegamos até ali.
- Melhor?
- Com certeza – concordei amena. – Nunca mais usarei calças apertadas na minha vida.
Ele sorriu divertido: - Isso seria uma verdadeira lástima.
Vou precisar de um ar-condicionado se ele continuar dizendo coisas assim. Pensei revirando-me internamente.
- Olha – começou ficando sério. – Desculpe-me por isto. Eu não teria pedido que subisse na moto se soubesse que este tipo de coisa poderia acontecer.
- Relaxe. Não é culpa sua que eu não saiba nada sobre motos.
- E eu continuo não acreditando que você nunca tenha estado em uma moto.
- Gaara... Há várias coisas que eu nunca fiz.
Ele arqueou uma de suas sobrancelhas: - Como o quê? Pode me dizer?
- Hã... – Meus batimentos aceleraram tanto que jurei que ele pudesse ouvi-los. E, se pudesse, com certeza escutaria algo como "estú-pida", "estú-pida", porque era o que eu estava sendo. – Bem, até hoje nunca tinha conversado com nenhum cara britânico.
Ele riu, passando os dedos por seu cabelo de forma inconsciente, o que me deixou com vontade de passar meus dedos por seu cabelo e, posso garantir, não seria inconscientemente.
- Foi por isso que você me beijou, não é? Todas as Americanas parecem amar sotaques – disse.
Engolindo meu sorriso, retruquei: - Eu acho que foi você quem me beijou, senhor Gaara.
Ele se ergueu, colocando a toalha novamente embaixo d'água e fazendo com que seus cabelos ruivos caíssem sobre sua testa, emoldurando aqueles olhos diabólicos: - É, realmente fui eu.
Gaara retirou o pano o da água e voltou a recolocá-lo em minha queimadura. Entretanto, tudo em mim estava quente demais para que aquilo fizesse alguma diferença real. Sua outra mão voltou a fechar-se em meu tornozelo.
Eu controlei-me o máximo que podia e continue: - Sua vez.
- Hm?
- Diga-me algo que nunca fez.
- Oras, essa é fácil – falou sorrindo. – Eu nunca bati papo com uma garota em um pub antes de hoje.
Eu fiquei com cara de pateta. – Jura? – Como poderia aquilo ser possível? Ele era quase um deus grego... Talvez todas as garotas se jogassem nele antes mesmo de precisar entrar no pub, essa seria a única explicação aceitável para que ele não precisa se incomodar com aquilo.
Ele deu de ombros e, com isso, deixou que seu polegar começasse a roçar levemente contra a parte de cima de meu pé.
- Eu não sou muito a favor do estereótipo Inglês de ficar, hm, bêbado o tempo todo.
- Eu também não – concordei mesmo que minha cabeça ainda estivesse repleta da tequila que tomara mais cedo. – Então o que trás um britânico não estereotipado ao Texas?
- Já estive nos Estados Unidos há alguns anos. Vim para frequentar uma faculdade e depois voltei para a Inglaterra. Só agora resolvi voltar para o Texas.
- Como eu... Voltei para o Texas apenas há alguns anos.
Eu vivera no Texas até meus quatorze anos quando nos mudamos para Minnesota. Desde sempre eu queria voltar para cá e cursar a faculdade aqui.
Ele umedeceu o pano novamente e nós sentamos ali, no meu banheiro, e ficamos conversando. Ele me contou sobre como fora crescer na Inglaterra e o quão estranho fora viver nos Estados Unidos.
- A primeira vez que alguém me disse que tinha gostado das minhas calças, eu fiquei tão surpreso e perdido que achei que tinha saído de casa sem as calças mesmo.
- Mas...
- Calças é o modo como chamamos nossas roupas íntimas, amor.
- Ah! – concordei rindo. – É bom saber.
- Já pedi a um colega um esfregão, que vocês chamam de borracha, e todos riram tanto que quase voltei imediatamente para Londres!
[Nota da Autora: Pessoas, na Inglaterra cueca = pants e borracha = rubber, que nos EUA é esfregão. Só para não deixar passar e para as pessoas que não conhecem!]
Eu tentava segurar minha risada, mas falhei e nem senti-me realmente culpada, ele merecia isto depois de rir da minha situação com as calças, antes.
- Deve ter sido horrível!
Ele colocou a gaze, que eu pegara antes, delicadamente sobre a queimadura e tampou as bordas enquanto continuava:
- Eu me acostumei. Estou há tanto tempo aqui que já consigo disfarçar bem. Às vezes, quando visito meus pais, eu volto e tenho novos problemas de ajustes, mas, no geral, estou quase completamente Americanizado.
- Com certeza você não está falando do seu sotaque.
Ele sorriu safado: - Agradeço por ainda tê-lo, afinal, como eu atrairia a atenção de coisas lindas como você?
- Ao ler Shakespeare em um bar, claro.
Ele riu e sua risada reverberou por meu corpo e cérebro, deixando-me completamente tonta.
- Você é lindinha – afirmou.
Revirei meus olhos: - Sim... Ridiculamente. Eu ouvi da primeira vez.
- Então deixe eu me corrigir e dizer que você é ridiculamente sexy.
Assim tão facilmente ele destruiu a paz que eu tinha construído e minha respiração começou a ficar superficial e agitada. Eu fiquei sem resposta. Como eu poderia responder àquilo?
- Por que me encara desse jeito? – perguntou aproximando-se um pouco.
Eu não sabia o que responder. Minha cabeça girava com todas as emoções que eu conhecia e sabia nomear e com as que eu nem imaginava que existiam. Um pouco perdida por sua resposta inesperada, apenas dei de ombros.
- Você está agindo como se nunca tivesse sido chamada de sexy – E eu realmente não tinha sido... – O que eu acredito que não seja verdade, não pelo que eu vi hoje. E mesmo que eu não tivesse visto, eu continuaria tendo que fazer força para não te agarrar e apenas deixar minhas mãos sobre você, sendo que mal nos conhecemos. Ficarei envergonhado se não puder aproveitar mais disso.
Pronto. Eu podia ser virgem, mas eu sabia quando um homem estava tentando me seduzir descaradamente. E, pela primeira vez na minha vida, eu não estava nem aí! Na verdade, tudo que eu queria naquele momento era que ele realmente fizesse o que suas palavras prometiam. Sua proximidade estava me deixando louca. Sua mão ainda descia e subia vagarosamente por meu tornozelo e se ele não me beijasse novamente e logo eu entraria em combustão.
- Olhe para mim. Eu nem consigo manter minhas mãos longe de você agora...
Eu tentei engolir, mas minha garganta estava tão seca que pareceu que uma pedra estava presa nela.
Ele se ajeitou até ficar de joelhos e parado entre minhas pernas. Sua mão traçou um caminho perigoso do meu tornozelo pelo lado de fora de minha panturrilha machucada. Gaara quase grudou nossos quadris enquanto eu ficava ali, entre chocada e maravilhada.
- Diga-me que não estou ficando louco – pediu com um sussurro.
Eu não era a pessoa certa para afirmar aquilo. Eu, diferente dele, tinha certeza de ter perdido minha sanidade horas atrás, quando o encontrara lendo Shakespeare e aceitara sua bebida sem saber seu nome.
- Diga-me que posso beijá-la.
Isso... Isso eu posso responder.
- Você pode...
Eu não consegui terminar minha frase. Seus lábios cobriram os meus com uma vontade que eu nunca sentira antes e minha queimadura foi completamente esquecida por nós dois.
Então, vou fazer a mesma coisa que faço em Mares e O Preço do Amor! Responderei aos comentários aqui, no final do capítulo!
Claro, antes de mais nada tenho que agradecer à linda da Ray! Que me pressionou e foi a primeira a ler esta fic e não me deixou abandoná-la! E que está sendo perfeita e me ajudando até agora! \o/
TiaLua e Aruel-chan, as duas que comentaram no último capítulo! Peço perdão a vocês (e a todos os leitores) pela demora. Não darei muitas desculpas, mas não deixarei-as sem o final da história! Obrigada por estarem acompanhando e espero que tenham gostado deste capítulo! (Aryel-chan, obrigada pelo reviews perguntando quando eu voltaria, me deu uma força a mais para continuar!).
Enfim, deixem seus comentários de agora e esperem porque eu não desisti! Obrigada! \o/
