Caraca! Quer dizer que aconteceu tudo isso enquanto eu estive longe? – Hugo perguntou ao primo, enquanto saiam do salão comunal para o pátio a procura diversão.
Aconteceu muito mais coisa. Mas e você? Conseguiu ficar com alguém?
Que nada, mas...
Aonde você pensa que vai, Hugo? – Rose chegou de repente.
Vou para o pátio! – ele respondeu assustado.
Para o pátio uma ova! Você vai estudar! Teddy me disse que passou dever para a sua sala. Lily já fez o dela! – ela colocou as mãos na cintura e ficou olhando duramente para o irmão.
Ótimo! – Hugo respondeu. – Depois eu copio dela! – virou-se de costas e puxou Albus pelo braço.
Então eu vou escrever para mamãe! – Rose cruzou os braços. Hugo a olhou, assustado.
Você não faria isso! – falou com as orelhas vermelhas.
Quer apostar? – ela começou a bater o pé no chão.
Ahhh! Que saco, Rose! – ele bufou.
Vá logo, Hugo... – Albus tentou apaziguar. – Assim você se livra de uma vez!
Tem razão! – ele concordou, carrancudo. – Assim eu me livro dela!
Não! – Albus se prontificou diante da cara amarrada da prima. – Eu quis dizer que se livra do dever!
Tchau para vocês! – Hugo saiu pisando duro, sem dar atenção à explicação do primo.
Rose virou-se para Albus: - E como vai seu braço? – sorriu.
Vai bem. Você é boa nisso! – ele mostrou o antebraço, que agora exibia leves riscos vermelhos, onde Amelie o havia arranhado.
Rose tocou o braço do primo para ter certeza de que tinha usado a poção certa. - Eu tenho dó daquela garota, sabia? Se apaixonar desse jeito, por alguém que não a corresponde...
Albus sentiu um arrepio, por causa do vento que soprava. Sentiu o rosto esquentar, visto que estavam no meio do pátio e o inverno começava a despontar, ressecando a pele. - Por mais que eu não me dê bem com o James, ele fez a coisa certa. – falou puxando o braço e cobrindo-o com a manga da blusa. - Não gostava mais dela, então terminou tudo! – ele fez um gesto com a mão, convidando-a para caminhar um pouco.
É... Eu concordo, mas ainda assim é triste... – ela baixou a cabeça.
Mas você não tem esse problema, não é? – ele sondou. – A pessoa de quem você gosta a corresponde, não?
Não... Quer dizer! – ela ficou vermelha. – Eu não gosto de ninguém, Albus! Não sei porque vocês cismam com isso! – ela sentou-se na mureta da qual se aproximaram e fechou a cara.
Vamos falar sério agora, sim? – Albus sentou-se ao seu lado e falou, decidido. – Você está saindo com o Malfoy, não é? Por que diz que ele não te corresponde? Você acha que ele só está se aproveitando de você?
Não seja bobo, Albus! – ela deu um pulo e se levantou. – Eu não tenho nada com o Scórpio! Só porque eu o cumprimento de vez em quando? Qual problema nisso?
Não é só isso e você sabe! – ele se levantou também, bravo. – Eu vi você trocando um bilhete com ele logo no primeiro dia de aula, Rose!
Rose arregalou os olhos e, instantaneamente suas bochechas ficaram vermelhas. – Não é nada do que você está pensando! – ela enfatizou. – Mas depois continuamos! Teddy está vindo para cá! – ela desconversou.
Teddy apenas passou direto por eles, em direção ao corujal, mas sem deixar de dispensar um tchauzinho simpático para eles.
Você sabe que nossos pais não gostam dos Malfoy, Rose! – Albus insistiu.
Mamãe e a tia disseram que isso é besteira dos nossos pais! – ela emburrou, sentindo a queimação no rosto diminuir.
Então é verdade? – Albus perguntou.
Não tem verdade nenhuma, Albus! – ela bateu o pé. – Eu tenho o que fazer, ok? Com licença!
Não! Rose! – ele deu um passo na direção dela, mas a prima já estava sumindo de vista. - Caramba! – ele resmungou.
hr
b All my life I've been over the top /b
(Toda minha vida eu estive no topo)
b I don't know what I'm doing, /b
(Eu não sei o que estou fazendo)
b All I know is I don't wanna stop /b
(Tudo que eu sei é que não quero parar)
b All fired up, I'm gonna go to the top /b
(All fired up, eu estou indo para o topo)
b I'm as real as the world will make me /b
(Eu sou tão real quanto o mundo me fizer ser)
b I don't wanna stop /b
(Eu não quero parar) James estava sentado numa poltrona em frente à lareira no salão comunal da Grifinória, cantando. Desde que recebera as músicas de seu amigo trouxa, simplesmente não conseguira mais parar de ouvi-las. Já tinha aprendido a maioria das letras e as repetia a plenos pulmões, incansável. James? – alguém o cutucou, mas ele nem ligou. – James? Está dormindo? Nada. Eu hein! – Christine sentou-se na poltrona em frente a ele. Sacudiu o joelho do rapaz. – James! James se mexeu um pouco, mas não abriu os olhos. Moveu a cabeça rapidamente, no ritmo da música. Christine se assustou. Revoltada, levantou-se e saiu do salão comunal. Isso mesmo... – Amelie falou para si mesma, sentada do outro lado, onde não podia ser vista. – Vá embora, mocréia, e não volte nunca mais, porque o James é meu! Só meu! Para sempre! Amelie levantou-se, cautelosa. Olhou para os lados e notou que os poucos alunos que permaneciam no salão comunal nem ligavam para ela. Aproximou-se de James com passos lentos e um olhar apaixonado. James se remexeu um pouco na poltrona, acomodando-se melhor. Amelie parou, assustada, mas depois voltou a andar, notando que ele continuaria concentrado no que ouvia. Divirta-se bastante, meu amor... – ela sussurrou ajoelhada ao lado da poltrona dele. – Porque quando eu terminar você só terá olhos para mim! – ela sorriu. Levantou um pouco o corpo e depositou-lhe um beijo rápido, mas suave nos lábios. James meneou a cabeça afirmativamente, Amelie sorriu. – Você não vai mais querer saber desse negócio estranho... – ela olhou para o aparelho que ele segurava firmemente nas mãos. – Você só vai ter tempo para mim! – afastou uma mecha de seus cabelos espetados, sorriu novamente, e saiu do salão comunal. hr
Hugo chegou à biblioteca muito zangado. Não se conformava por ter perdido um dos últimos finais de semana em que poderia passear pelo pátio com tranqüilidade, sem ter que carregar quilos de blusas de frio. Tudo porque sua irmã, que gostava muito de estudar, achava que ele deveria gostar também.
i "Pelo menos não vou ser o único!" /i – ele pensou, conformado, quando viu uma garota loira saindo do meio das estantes.
Ela estava tão distraída que bateu dolorosamente a perna na quina de uma das mesas.
i "Até que é bonita!" /i – ele sorriu, olhando para a bibliotecária, que estava entretida com o Semanário dos Bruxos. Ele olhou em volta e percebeu que eram os únicos ali. – i "Bem que eu poderia puxar conversa com ela!" /i - ele bagunçou os cabelos, lembrando-se que era isso que o primo fazia quando via uma garota, e começou a se aproximar.
A moça enrolava no indicador um cacho de seus cabelos, enquanto com o mesmo dedo, mas da outra mão, alisava freneticamente uma das páginas do livro, aparentemente o índice. Hugo treinou alguns sorrisos antes de chegar até a mesa dela, e também algumas frases de efeito, mas estancou quando a viu levantar o rosto e olhar novamente para as prateleiras, aborrecida. Tratava-se de Amelie Simpson, a namorada louca de James.
i "Nem pensar!" /i – ele pensou. – i "Vai que ela gama?" /i – decepcionado, sentou-se na mesa mais próxima de onde estava.
Amelie levantou-se de sua mesa e correu para o meio das prateleiras. Voltou minutos depois com três grandes volumes em suas mãos. Tomado pela curiosidade, Hugo ficou olhando-a folheá-los como se sua vida dependesse disso.
Para disfarçar, Hugo tirou um rolo de pergaminho da mochila. Pegou também o tinteiro e a pena, e começou a folhear um livro que trouxera consigo, mas de minuto em minuto olhava para a mesa da garota. Notou que ela lia, quase com o nariz encostado na folha, o índice dos livros. Quando não achava o que queria arremessava-o para o lado, com brutalidade.
Mais um livro foi para suas mãos afoitas, mais uma vez ela quase encostou o nariz na página, acompanhando com o dedo as linhas do índice. Hugo se sobressaltou quando ela bateu a mão na mesa, comemorando. Com um sorriso nos lábios ela folheou o livro e chegou até a página em questão. Nessa hora ela levantou a cabeça para ver se estava sendo observada. Notando isso, Hugo baixou a cabeça e pôs-se a rabiscar um pergaminho, escrevendo qualquer coisa.
Ele levantou a cabeça um tempo depois, Amelie já lia a página que a interessava, sempre com um sorriso nos lábios. Deu batidinhas na página com um dos dedos, e voltou sua inspeção pela biblioteca, assim como Hugo voltou a fingir que escrevia. Sem poder olhar para ela, Hugo apenas ouviu o barulho de uma folha sendo arrancada. Assustou-se. Em seguida ouviu o ruído de um zíper sendo fechado, e os passos apressados da garota que passou por ele.
Agora ele estava realmente intrigado. O que será que levaria uma estudante a arrancar a página de um livro e nem disfarçar? Curioso, ele se levantou e caminhou, discretamente até a mesa em que ela estava. O livro que fora mutilado estava bem no topo da pilha, ainda aberto na página roubada. Ele olhou o número da página anterior, 304, e foi até o índice.
301...FEITIÇO PARA CURAR A PAIXÃO
303...FEITIÇO PARA TRAZER O AMOR
304...FEITIÇO PARA ROUBAR NAMORADOS
305...FEITIÇO PARA AMARRAR O HOMEM AMADO
Caraca! – Hugo exclamou, sem pensar, chamando a atenção de mme Spears.
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Ai! Ainda bem que eu te achei, Lily! – Rose encontrou a prima lendo o Profeta Diário, sentada num local afastado do pátio, completamente vazio. Alguns papéis de bom-bom caramelado estavam espalhados ao lado dela.
Que foi? – Lily perguntou assustada.
Albus está desconfiando de mim! Precisa ver a conversa dele! Perguntando-me se eu estou saindo com o Scórpio. Pior que isso! Ele me viu entregando o bilhete para ele.
Caramba, Rose! E agora? – ela fechou o jornal e fez sinal para que a prima se sentasse.
E você vem me perguntar! Se isso chega no ouvido do meu pai! Eu não quero nem ver! – ela levou as mãos à cabeça, preocupada.
Você tem que ser mais discreta! – Lily aconselhou.
Eu acho que o certo é assumir tudo!
Você ficou louca? – Lily arregalou os olhos. – Eles vão acabar com o Scórpio!
E até quando vamos esconder esse namoro, hein? Eu não gosto disso, Lily! O Albus é meu melhor amigo! Eu odeio ter que esconder coisas dele, mentir para ele.
Mas Rose... – Lily choramingou. – Você não pode fazer isso. Não ainda!
Quando então?
Não sei, mas vamos dar um jeito! – Lily falou decidida. – É muito injusto não poder namorar uma pessoa só porque os pais cismam com a família dele! Scórpio nem era nascido na época! Você ouviu o que nossas mães disseram!
Eu sei, mas é difícil! Eu não nasci para isso, Lily! Ficar mentindo desse jeito! Levar uma culpa por algo tão injusto!
Eu sei, prima... – ela segurou a mão de Rose. – Mas vai ser por pouco tempo. Eu vou dar um jeito nisso!
Como?
Ainda não sei, mas você precisa confiar em mim nisso também! – ela olhou, suplicante, para a prima.
Hum... – ela suspirou. - Você percebeu que não está dando certo, não é? – Rose baixou a cabeça, chateada. – Albus percebeu que eu estou realmente apaixonada, e você não ajudou muito lá no jipe!
Eu sei, eu sei. Desculpe-me, mas eu estou tentando!
Eu acho que deveria desistir, sabe? Ele não gosta de mim! Não do jeito que eu gosto dele!
Pois eu acho que ele pode acabar gostando! Não vê minha mãe? Foi apaixonada pelo meu pai por anos, mas ele finalmente a notou!
Não quero esperar anos para que ele me ame de verdade!
Não precisaremos de anos para isso! Vamos aos poucos. Você já está fazendo sua parte, não está?
Estou...
Então! – Lily sorriu. – Não descanso enquanto não resolver esse seu problema amoroso, ouviu? Confie em mim!
Hum... – ela suspirou, e coçou a nuca. – Credo.
Que foi?
Tive a sensação de que estávamos sendo observadas. – Rose virou-se para trás, em direção ao castelo.
Será um dos meninos? Papai os colocou para nos vigiar, não foi? – Lily levantou-se e olhou para o mesmo canto.
Acho... Acho que foi só impressão. – Rose falou. – É. Deve ter sido impressão.
i Quando ele achar quem estava procurando
Escute assombrado e você o ouvirá
Uivando para a lua /i
Ouviu isso?! – Lily perguntou, os olhos arregalados.
Ouvi! – Rose respondeu, assustada.
Acho melhor irmos embora, Rose! – Lily recolheu o Profeta Diário e todos os papéis dos bom-bons que havia espalhado.
Deve ser uma brincadeira de alguém tentando nos assustar. – falou, dando as mãos à prima.
Está conseguindo. – Lily afirmou. – Vamos embora, Rose! Acontecem coisas estranhas em Hogwarts, você sabe!
Sei, mas isso foi na época dos nossos pais! Agora não há mais...
i Anos desperdiçados com tormento
Agora ele se levantou /i
Vamos, Rose! – Lily gritou e puxou a prima pela mão. – Vamos! – e as duas correram, desabaladas, para dentro do castelo.
Corra o quanto pode, ruivinha! – a mesma voz que recitou os versos assustadores falou, mas baixo, para que ninguém ouvisse. – Enquanto pode! – ele ficou observando Lily e Rose entrarem no castelo, correndo.
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O lugar seria aquele mesmo. Não haveria erro, já que ninguém ia até lá. James havia lhe contado sobre a falta de visitas àquele banheiro, graças à Murta que Geme. E quantas vezes ele mesmo não a havia levado até lá? Quantas vezes ela não havia sentido as mãos gulosas dele passeando pelo seu corpo, por cima do uniforme. Tinha certeza de que ele havia terminado porque ela não aceitara se deitar com ele.
Mas o que eu poderia fazer? – ela se perguntava, passando suavemente as mãos sobre as pias em que James a encostava com furor. – Eu ainda não estava pronta, mas agora estou! – ela sorriu, trazendo para junto do peito a página arrancada do livro.
Hugo chegou afobado, mas feliz por ter conseguido segui-la a tempo. Espiou para dentro do banheiro feminino, desconfiado. Pouco à vontade com o que fazia. Ficava imaginando o que o pai diria se soubesse que ele andou seguindo garotas até o banheiro feminino, mesmo que fosse o banheiro da Murta.
Amelie estava encostada numa das pias, com a folha do livro nas mãos. Hugo a viu escorregar até o chão e sentar-se com as pernas cruzadas. Ela baixou os olhos, esperançosa, e começou a ler:
FEITIÇO PARA AMARRAR O HOMEM AMADO
CUIDADO, CORAÇÃO APAIXONADO, ISSO NÃO É BRINCADEIRA, NÃO TEM VOLTA, NÃO HÁ COMO SE ARREPENDER DEPOIS. TENHA CERTEZA DO QUE QUER, OU DUAS VIDAS VOCÊ IRÁ DESTRUIR. A SUA, POR SE PRENDER A ALGUÉM QUE NÃO AMA, E A DO OUTRO, POR PRENDÊ-LO NUM AMOR INSANO. MUITO CUIDADO!
Eu tenho certeza do que quero! – ela exclamou. – E tenho certeza de que amarei James para sempre!
SE TEM MESMO CERTEZA DO QUE QUER, SIGA AS INSTRUÇÕES ABAIXO: - continuou.
Você não pode fazer isso! – Hugo entrou no banheiro, sobressaltando a garota.
O que você faz aqui?! Isso é um banheiro feminino! – ela levantou-se rápido, assustada.
Um banheiro que ninguém mais usa! – ele estancou na frente dela. – E não tente mudar de assunto! Você ficou maluca? Vai tentar enfeitiçar meu primo para fazê-lo gostar de você?!
Amelie olhou para a folha em suas mãos, então a escondeu atrás de si, como se fosse adiantar: - Não seja enxerido, Weasley! Isso não é da sua conta!
Como não é da minha conta?! – ele se enfezou. – É do meu primo que estamos falando! E de magia proibida! – ele se aproximou dela.
E o que você vai fazer? – ela desafiou. – Vai tentar me impedir de fazer o feitiço?
Vou! – ele cruzou os braços e a fitou, firme em sua decisão.
Amelie ficou olhando para ele, indecisa. A folha do livro começava a ficar molhada com o suor de suas mãos. O nervosismo tomava conta de seu ser, e a esperança começou a fugir.
Não faça isso, Hugo, por favor! – ela pediu, os olhos marejados.
Eu é que te peço, Amelie! Não arrisque seu futuro por causa de uma bobagem dessas! Você sabe que essa coisa de feitiços e poções do amor é proibida! Isso pode dar até Azkaban! – ele insistiu.
Amelie estremeceu: - Também não exagere, Hugo!
É verdade! Ou pode criar algum tipo de monstro, como Você-Sabe-Quem! Aposto como você estudou a história dele. Fruto de um amor artificial, provocado por uma poção do amor. Quando o pai descobriu o que se passava foi embora e abandonou a mãe grávida! Você acha que valeu a pena para a pobre mulher apaixonada?
Lágrimas escorriam pela face de Amelie, dividida entre acreditar ou não no que ele dizia. – O efeito desse feitiço não passa! Você me ouviu ler! – ela sacudiu a folha na frente dele. – James nunca me abandonará! Não depois que eu fizer o encantamento!
Me dê isso aqui! – Hugo esticou as mãos tentando arrancar a página da mão dela, mas a moça foi mais rápida.
Nem pense nisso, Weasley! – ela falou, brava. – Eu não vou desistir do meu amor por James!
Então vou ser obrigado a contar para a diretora McGonnagall! – ele virou as costas para sair do banheiro.
NÃO! – Amelie gritou e deu um passo na direção dele. – Se você fizer isso todos ficarão de sobre aviso, e eu nunca mais terei chance!
Essa é a idéia! – Hugo falou.
Não... Por favor! – ela implorou.
Então me dê essa folha – ele estendeu a mão. – E desista desse feitiço. Se quer reconquistar meu primo, faça isso sem medidas sórdidas!
Amelie olhou novamente para a folha e depois para o ruivo a sua frente. – Tente entender!
Eu vou indo, então! – ele se virou novamente.
Não! – ela gritou mais uma vez. – Tudo bem... – ela secou algumas lágrimas. Deu passos em direção a Hugo e lhe estendeu a folha. – Pegue então... – falou. – Mas, por favor, não conte nada a ninguém, sim?
Pode deixar, Amelie! – ele pegou a folha, aliviado. – Eu não pretendo prejudicá-la, pelo contrário, só quero ajudar. Você e o meu primo.
Hum... – ela fungou, depois se jogou no pescoço de Hugo e chorou em seu ombro.
Hum... Cal...Calma Amelie... Também não é para tanto... – inseguro, Hugo deu leves batidinhas nas costas dela, tentando consolá-la.
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O final de semana simplesmente voou. Pelo menos foi a impressão que a maioria dos alunos teve. Rose chegou à sala de aula bem antes de Albus. Não queria correr riscos. Quando atravessou a porta, para sua surpresa, Malfoy já estava lá.
Oi... – ele lhe sorriu.
Oi... – ela falou de volta.
Vi você conversando com seu primo ontem, depois foi falar com a Lily. Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou, preocupado.
No momento em que ela abriu a boca para explicar, um grupo de alunos, entre eles Albus, começou a entrar. Rose arregalou os olhos e escolheu uma carteira qualquer, afastada de Scórpio.
Por que você não me esperou? – Albus sentou-se ao lado dela, olhando desconfiado para Scórpio que parecia nem notar a presença deles ali.
Desculpe, mas precisava devolver um livro na biblioteca! – ela sorriu, nervosa.
Sei... Quantos livros para devolver, hein? E as provas nem estão próximas!
Humpf! – ela bufou.
Bom dia, senhores. – a voz grave de Álvaro Néstor, novo professor de Poções, alcançou os ouvidos dos sonolentos alunos naquela fria segunda-feira de manhã. – Hoje aprenderemos a poção da alucinação. – ele virou-se para o quadro e acenou a varinha. O giz voou do descanso e começou a descrever os ingredientes e os passos para a perfeita realização da poção. – Dividam-se em duplas e comecem. Os ingredientes, como sempre, estão nos armários. Qualquer dúvida basta me procurar.
Houve um leve barulho de arrastar de carteiras e o tilintar dos caldeirões sendo colocados sobre as mesas. Albus se levantou em busca dos ingredientes, assim como metade dos alunos, enquanto Rose anotava a poção e lia os passos com muito cuidado. Albus enchia a mão com os ingredientes e vinha até a mesa quando não conseguia mais segurá-los nos braços. Em seguida dirigia-se novamente para o armário. Rose já picava os ingredientes quando ele voltou com a última remessa deles.
Eu não achei as asas de morcego. – ele falou.
Como não? Eles são o ingrediente principal para essa poção. – Rose falou, terminando de picar os talos de papoula.
Não estão lá. – ele afirmou e sentou-se, puxando uma porção de olhos de rã para amassar.
Eu vou olhar! – ela sentenciou.
Boa sorte. – ele disse simplesmente, sabendo que não adiantaria teimar com ela.
Rose deu uma longa e desnecessária volta para chegar ao armário. Passou pela mesa de Scórpio e deixou cair um bilhetinho dentro do caldeirão dele que, por sorte, estava vazio. Voltou para sua mesa pouco tempo depois, decepcionada. – Também não achei! Nem a Spencer, ou o Bright.
Estranho... – Albus falou. – E o que… - mas a mão de Rose já sacudia no ar.
Sim, srta Weasley? – o professor perguntou, solícito. Gostava de Rose, por ser ela a melhor aluna que ele já tivera.
Acho que acabaram as asas de morcego, professor.
Acabaram? – ele levantou as sobrancelhas. – Mas... – levantou-se da mesa e foi até o armário. – Realmente... – falou. – Aguardem um minuto. – o professor atravessou a porta que ficava atrás de sua mesa, ao lado do quadro negro, e demorou-se algum tempo lá atrás.
Os alunos podiam ouvir o tilintar de vidros se chocando, caixas sendo abertas, e ervas sendo vasculhadas. Ele voltou em seguida.
Puxa vida! – ele exclamou. – Acabaram inclusive as do estoque! Mas que estranho.
Professor? – Estela Conner levantou a mão. – O senhor não leu o Profeta Diário dessa manhã? Havia uma reportagem falando sobre o sumiço de morcegos em todo o país.
É mesmo? – ele franziu a testa. – Mas esses bichos são tão abundantes! Como podem acabar desse jeito?
Alguns alunos começaram a opinar, mas todos ao mesmo tempo, de modo que não se podia entender com certeza nenhum deles.
Ok, ok, ok! – o professor levantou as mãos pedindo silêncio à classe. – Guardem os ingredientes no lugar e passemos a outra poção, então. Uma que não use morcegos.
E o que eu faço com os ingredientes que eu já piquei? – Rose perguntou, preocupada.
Traga até mim, srta Weasley. Tentarei aproveitá-los. – falou com um sorriso simpático no rosto.
O professor acenou com a varinha novamente e os escritos na lousa foram substituídos por outros.
Faremos então a poção da ilusão, que é muito parecida, mas não usa asas de morcego. Esses são os ingredientes. – ele apontou para a lousa com a varinha. – Podem começar.
Os alunos começaram a acender o fogo, picar os ingredientes, pesá-los, ou amassá-los, mas ainda estavam intrigados com o caso do sumiço dos morcegos, a não ser Rose e Albus. Ela preocupada em saber o que Scórpio responderia sobre o bilhete. Albus preocupado com o que Rose havia escrito nele.
