Capítulo 4

A noite anterior havia sido tensa. Ninguém imaginara que o estado de Snape fosse tão grave, e a revelação feita pelo Dr. Diego Andrews de que ele poderia estar pensando em se suicidar deixou todos em choque. Porém, o choque não durou muito tempo, sendo logo substituído pela determinação em ajudar o ex-espião a retomar o gosto pela vida.

Os quatro discutiram formas de tratamento durante a noite e boa parte da madrugada, e por fim criaram um esquema diário para tentar tirar Snape de sua profunda depressão e fazê-lo voltar a viver. Remus e Harry ficaram responsáveis pela parte da manhã, tendo que garantir que Snape tomasse café da manhã e almoçasse, Diego viria logo após o almoço para uma sessão de terapia durante à tarde e Kingsley chegaria à noite para garantir que Snape jantasse e para fazer-lhe companhia, talvez até conversar. A partir da manhã seguinte, Grimmauld Place entrou em sua nova rotina.

Ao contrário do que todos esperavam, Severus não teve nenhum ataque de fúria ao se ver preso ao esquema que eles formularam e, apesar disso os ter deixado um pouco apreensivos, resolveram continuar com o plano. O que eles não esperavam era que a situação regredisse ao invés de progredir.

Mesmo com os constantes cuidados, com o passar dos dias Snape ficava cada vez mais magro e apático. Remus, Harry e Kingsley levavam todas as refeições ao quarto de Severus, mas ele mal beliscava a comida, e quando o fazia era de maneira mecânica. Diego raramente conseguia que Snape o atendesse, e quando era bem sucedido não havia conversa nem terapia, apenas um monólogo da parte de Diego. Kingsley tentava todas as noites conversar com Severus, mas este estava alheio a qualquer coisa que o outro lhe dissesse, concentrado apenas em seus livros e rascunhos.

Os dias seguiram na mesma rotina e, no final da segunda semana, os quatro se reuniram para avaliar o que haviam conseguido durantes esses quatorze dias.

- Diego, você teve algum progresso durante suas sessões com Severus? – Remus perguntou.

- Não. – suspirou e continuou – Snape está cada vez mais distante, ele continua concentrado unicamente em tentar resgatar Sirius Black.

- Não consigo entender como alguém com a inteligência de Severus está se destruindo para tentar algo que todos nós sabemos ser impossível. – disse Kingsley numa voz cansada.

- Amor, saudade e desespero. – Harry disse calmamente.

- Você está querendo dizer... – Remus perguntava quando foi interrompido por Harry.

- Apesar de ser algo improvável, Severus ama Sirius. Os dois demoraram muito tempo para ficarem juntos e, quando aconteceu, Sirius foi rapidamente tirado dele. Como estávamos no meio da guerra contra Voldemort, ele teve que reprimir todos os seus sentimentos para nos ajudar a vencer. Quando guerra finalmente acabou, Severus foi inundado por esses sentimentos e resolveu largar tudo e tentar o impossível para voltar a ficar junto de seu amado... Não é uma questão de inteligência. – concluiu.

- Concordo com você. – Diego disse. – Snape está sendo guiado por suas emoções, parece-me que há muito tempo ele deixou a razão de lado.

- Nós só estamos reafirmando impressões que já tínhamos antes. – Kingsley protestou. – Tudo o que fizemos durante os últimos dias se mostrou infrutífero e precisamos de um novo plano de ação.

- Você está com razão, mas não vejo muitas alternativas para esta situação. – Remus pausou e continuou. – E se nós o internássemos...

- Internar?! – Harry o interrompeu com uma expressão chocada.

- Não, não. – Diego interveio – Interná-lo no St. Mungo's só iria piorar o estado dele. Eu tenho um plano em mente, mas antes preciso de algumas informações de vocês.

- Que informações? – os outros três perguntaram juntos.

- Na época em que Sirius caiu no Véu, alguém tentou resgatá-lo?

- Vários membros da Ordem procuraram todo tipo de informações sobre o Véu, mas não encontraram nada que ajudasse. – Remus respondeu.

- Não havia o que fazer. – Harry disse. – O próprio Dumbledore nos disse que era impossível.

- Hmm, e algum de vocês conhece os livros que Snape tanto consulta?

- Não. – Harry e Remus responderam.

- São livros de Artes das Trevas, muito raros, pois há anos atrás foram caçados e destruídos pelo Ministério da Magia. – Kingsley disse.

- Já que foi feito de tudo para salvar Sirius, creio que meu plano pode ser bem sucedido. – Diego afirmou.

- E qual é o plano? – indagou Remus.

- Vamos arrumar todos os ingredientes da poção que Snape estava fazendo e dar para ele.

- Deixá-lo fazer uma poção ilegal? – Harry perguntou alarmado.

- Você viu o que aconteceu da última vez que ele tentou. – colocou Kingsley.

- Entendo a preocupação de vocês, mas esta pode ser a única solução. – ponderou Diego. – Diremos a Snape que o ajudaremos na poção se ele concordar em fazer pelo menos três refeições diárias e que quando a poção estiver pronta iremos com ele ao Departamento de Mistérios. Assim garantimos que ele se alimente e estaremos prontos para ajudá-lo quando ele perceber que a poção não funcionou.

Os três concordaram com Diego e, logo pela manhã Remus foi ao quarto de Severus para conversar. Snape concordou com as condições e passou a Remus a lista com os ingredientes necessários para fazer a poção.

Remus, Harry, Kingsley e Diego tiveram que se esforçar para conseguir todos os ingredientes, pois a maioria deles era de substancias proibidas ou muito raras. Após uma semana de intensa procura todos os ingredientes foram entregues a Snape, que já exibia uma imagem menos cadavérica depois de sete dias de boa alimentação.

O preparo da poção levou cinco longos dias, ela exigia cuidados constantes, mas no final do quinto dia um Snape satisfeito admirava um frasco com um líquido rosado quase translúcido. A poção estava pronta e perfeita, uma obra de mestre.

Naquela mesma noite cinco pessoas se dirigiram ao Ministério da Magia. Para facilitar a entrada, Harry pedira a Hagrid que facilitasse a entrada deles no Departamento de Mistérios. Ao chegarem a sala do Véu, os quatro apenas assistiram enquanto Snape caminhava em direção ao pano negro.

Severus observou o Véu por alguns instantes e disse: eu estou indo, Sirius. Voltaremos a ficar juntos, agora falta muito pouco.

Snape retirou o frasco do bolso, o destampou e bebeu todo o seu conteúdo de uma única vez. Então esticou sua mão direita e tocou o Véu. Uma fenda prateada surgiu no meio da pano negro e vozes mais tenebrosas do que nunca foram ouvidas. Severus olhou para os quatro e sorriu.

Entre maravilhados e assustados, Remus, Harry, Kingsley e Diego assistiram Snape atravessar o Véu.

Continua...