Parte 4: Laços Formados
Usai e Rei conseguiram finalmente arrumar tudo. Chegaram em casa na hora do jantar. Rei apreciou muito a refeição feita por Yuko e percebe como Usagi tem uma vida tão feliz, pois com uma mãe que cozinha tão bem, quem não seria?
Embora tenham lhe oferecido um quarto para dormir, Rei preferiu pernoitar com Usagi, que ofereceu a cama a amiga enquanto ela ficaria no futon, mas Rei não quis aceitar, e ambas discutiram ao ponto de combinarem de naquela noite repartirem a cama. Claro que tiveram que se manter em silêncio, não podendo fazer nada além de um beijo, mas mesmo esse beijo já era algo maravilhoso para as duas.
No dia seguinte, Usagi e os pais foram ao juizado familiar com Rei discutir sobre o caso. Depois de ouvir atentamente os Tsukino, e comovido pelo olhar sincero de Usagi, o juiz permitiu a adoção oficial de Rei. Claro que uma assistente social teria que aparecer de vez em quando para acompanhar o relacionamento deles, mas com certeza o juiz tinha uma boa impressão daquela família.
Para comemorar, todos foram tomar sorvete.
"Então," disse Akio, "um brinde de sorvete a Rei, nossa nova filha."
"E também a minha nova irmã." citou Usagi com um sorriso.
Rei também tomou a palavra com entusiamo. "E a melhor família que eu poderia desejar."
"É esse o espírito." falou Usagi, mas logo olhou para Rei com certa dúvida. "Ei. Por que seu sorvete é maior que o meu?"
"Não reclame. Foi você que escolheu."
"Quero trocar com você."
"Mas não vai, mesmo."
E logo as duas começaram uma tremenda discussão. Akio e Yuko apenas olhavam, e embora Akio parecesse preocupado, Yuko mostrava-se descontraída.
"Que coisa. Mal viraram irmãs e já estão brigando? Pensei que elas se gostassem."
"Mas elas se gostam, querido. Era igual comigo e minha irmã, mas tudo de fachada. Sei que essas duas se dão muito bem. Ao jeito delas, mas se dão."
Nas semanas que se seguiam, Rei se adaptou perfeitamente a família Tsukino. Ela poderia ter seu próprio quarto, mas preferiu ficar no de Usagi. Ainda frequentava outra escola, mas sempre que dava, voltava junto de Usagi, ambas emanando uma forte alegria, bem mais do que antes. Mesmo Ami, Makoto e as amigas viram as mudanças, e estavam felizes pelas duas.
De noite, às vezes, Usagi ouvia sua irmã soluçar e choramingar, possivelmente ainda sentindo falta do avô, e sempre a amparava quando isso acontecia, acariciando seus cabelos e confortando-a até cair no sono e quando conseguia, dormia com um sorriso no rosto.
Rei seguia com suas meditações e práticas espirituais, trazendo bastante positividade a família, sendo que sua própria presença já dava isso, especialmente a Usagi, que não só começou a se dedicar mais aos estudos, como também prestava mais atenção as aulas e melhorou em muito as notas, e quase não se atrasava mais.
Isso foi algo que chamou a atenção da professora Sakurada, que pediu a presença dos pais dela para uma reunião.
"Realmente estou surpresa com o desempenho dela, Sr. e Sra. Tsukino. Está sempre atenta, entrega os trabalhos pontualmente e elevou as notas de uma forma incrível." Sakurada comentou com muita alegria. "Como se deu isso?"
"Bem, devo dizer que começou logo após adotarmos Rei.", disse Yuko.
"Ah, sim. Foi depois do enterro do avô dela. Fiquei comovida por terem feito algo tão altruísta."
"Na verdade, foi Usagi que pediu que a adotássemos. Nossa menina é um verdadeiro anjo. Colocando a felicidade da amiga antes da dela.", comentou Akio.
"E como é viver com ela?"
"Além de dar maior força a Usagi? Ela é gentil, atenciosa, carinhosa, talvez um pouco temperamental e tenha alguns atritos com Usagi, mas nada demais. As duas se gostam como ninguém. Ao modo delas, é claro, mas se gostam.", falou Yuko.
Sakurada ficou um pouco pensativa sobre isso. Os Tsukino repararam que ela parecia preocupada.
"Algum problema, professora?" perguntou Yuko.
"Não, não. Apenas me ocorreu uma coisa."
"Que coisa?"
"É sobre como Usagi e Rei se relacionam. Sabe, não sou do tipo que acredita em fofocas e boatos, e francamente odeio essas coisas, mas há quem ache que elas possam ter algo...um pouco mais do que amizade."
"Está querendo dizer o que, professora?" perguntou Akio.
"Só que...na adolescência, os jovens às vezes podem querer ter desejos...um pouco além do que pensamos. E o que parece ser uma forte amizade, quem sabe não é o início de...um relacionamento mais profundo."
Yuko parecia um pouco chocada com as palavras dela e um tanto nervosa.
"Professora. Por acaso está insinuando que nossas meninas...?"
"Ei, ei. Tenham calma. Não insinuo nada. Eu só acho que seria bom vocês falarem com elas sobre isso. Não sou psicóloga, mas sei que é bom uma conversa desse tipo com os filhos. Pode ajudar e muito a lidar com as coisas da vida."
Yuko e Akio viram que a professora Sakurada poderia ter razão. Sabem que chega uma hora na vida que os pais precisam de uma conversa assim com as crianças, ainda mais quando chegam na adolescência, e precisavam reconhecer, Rei e Usagi já eram bem crescidas. Assim, agradeceram a professora e prometeram que falariam com as meninas.
À noite, a família estava reunida aproveitado a sobremesa após a jantar.
"Mamãe. A torta está de fato uma delícia. Sempre foi boa, mas hoje está muito melhor."
"De acordo. Queria saber preparar uma torta tão gostosa."
Yuko sorriu satisfeita para as filhas. "Estou contente que gostaram. Me senti muito inspirada hoje. Acho que é a alegria que sinto quando vejo vocês."
As duas não conseguiam deixar de corar pelo que ouviram. Mas logo Yuko assumiu um aspecto meio sério.
"Meninas. Antes de irem dormir, poderíamos ter uma conversa?"
Usagi olhou um tanto preocupada. "Tem algo com a escola? Eu juro que tenho me esforçado. Viram que melhorei bastante."
"Não, querida. Sabemos que está indo bem. Sua professora mesmo está bem orgulhosa. É sobre...outra coisa.", disse Akio.
"Shingo. Você nos deixaria a sós? É um assunto entre nós e as meninas."
Shingo deu uma olhada provocativa para Usagi. "Aposto que tem a ver com a escola. Acho que descobriram que não é tão esperta quanto pensavam, ou que estava colando, se bem que mesmo uma cabeça oca como você não seria nem de..." Ele nem teve tempo de completar a frase em recorrência a um rápido cascudo que levou de Rei. "Veja como fala. Não é desse jeito que deve tratar sua irmã."
Shingo segurou a cabeça amparando lugar ferido. "Ei, o que é que te deu? Quem pensa que é pra fazer isso comigo, hein?" "Eu sou sua outra irmã mais velha. Agora, cama." Sem esperar por um segundo golpe, Shingo tratou de ir para seu quarto.
Usagi e Rei sentaram no sofá da sala, enquanto seus pais sentavam nas poltronas.
"Bem, meninas." Akio tomou a palavra. "Queríamos ter uma conversa franca com vocês. E fiquem calmas, juramos que não estão encrencadas."
Yuko logo prosseguiu "Pra começar, saibam que apreciamos a forte ligação que vocês duas tem mostrado. Uma sempre dando apoio a outra em todos os sentidos."
As duas irmãs adotivas olhavam maravilhadas como seus pais se mostravam contentes com elas, mas sabiam que tinha algo mais a discutir.
"É o seguinte. Indo direto ao assunto, temos ouvido...umas coisas sobre vocês. Não queremos acreditar em boatos ou coisas assim, mas gostaríamos de ouvir de suas palavras sobre...o que pensam, o que sentem, se tem alguém em suas vidas. É natural na juventude sentirem novas sensações. Por acaso há algo disso rolando?"
Usagi olhava para baixo sem saber o que falar, mas Rei, vendo como ela parecia desanimada, lhe tomou gentilmente a mão em apoio. Usagi perguntou:
"Você acha que é a hora?" Rei concordou com um leve aceno de cabeça. Usagi se animou e decidiu falar.
"Mamãe, papai. Vocês estão certos. De fato...Rei e eu temos...feito umas coisas e achamos ser a hora de saberem, mas...mas..."
"Fique sossegada, docinho. "Yuko tranquilizou-a. "Lembrem, somos os pais de vocês duas e o que quer que estejam fazendo, terão nosso apoio e sei que poderemos resolver. Então, não tenham medo. Podem se abrir conosco."
Rei resolveu dizer.
"Bom, se querem mesmo saber, a verdade é que...é que..."
"NÓS ESTAMOS APAIXONADAS." as duas disseram ao mesmo tempo. "UMA PELA OUTRA."
Xiii. Como será que papai e mamãe vão reagir diante disso?
