N.A.: Olá, pessoas lindas da minha vida. Sorry pelo atraso com esse capítulo, mas se soubessem a zona que esse mês foi... bom, não estou aqui para reclamar da minha vida, né?

Esse capítulo é muito mais uma introdução a ideia de uma parte da fic do que qualquer outra coisa. Por isso não pasmem, ok?

Sorry, mas fiz o máximo que eu consegui. xD

Agradecendo: Kah, Tonks e gabs, vocês são umas fofas!

Boa Leitura, pessoas!

Nada aqui me pertence, apenas as situações que escrevo. Não ganho nada com essa fanfic, apenas comentários lindos e leitores maravilhosos.


Capitulo 3

Eles eram tudo um para o outro, e ainda mais quando estavam apenas eles naquele grande castelo, em épocas como o Natal. Sirius era um adolescente rebelde e que dizia não ligar a mínima para as épocas festivas, que não via propósito em tanta comemoração; entretanto, Remus via a verdade. Ele via o quanto Sirius sentia falta da tradição de Natal que nunca tivera. Via que mesmo ele ficando ali, Sirius ainda precisava de uma família.

Estava sentado em sua cama, Gryffindor em silêncio, como nunca ficava e ele via Sirius lendo um pergaminho enviado por James. Provavelmente dizia que ele os queria ali ou queria estar em Hogwarts com eles. De qualquer maneira, aquilo não ajudava em nada como Sirius sentia-se. Viu-o deixar a carta de lado e aproximar-se de si, abaixando seu livro e fazendo-o lhe olhar. Remus não gostava de ser interrompido quando lia, mas por Sirius naquele dia, não haveria problema.

"Então, creio que todos esses corredores vazios não lhe animem?"

Remus sabia que Sirius sempre estaria a lhe provocar, mas algumas frases que ele dizia, às vezes, eram cheias de duplo sentido.

"E para que, se apenas ficamos nós e alguns outros da Ravenclaw?"

O sorriso que Sirius dera para Remus dizia tudo, e o lobisomem tinha quase certeza de que aquilo não era algo tão bom. Viu-o levantar-se e sorrir ainda mais quando fechou seu livro e saiu da cama, seguindo-o para fora do quarto. Remus sabia que não seria uma boa ideia deixar Sirius sozinho para aprontar, mesmo com a escola vazia. Algo poderia dar errado. Seguiu-o em silêncio pelos corredores, e notou que mesmo com o silêncio e as tochas, a escola parecia mais sombria que o normal.

Talvez as épocas sombrias de mortes e desaparecimentos ajudassem no medo. E Remus não conseguia deixar de pensar em todas as famílias que estariam sofrendo naquele Natal. Virou um corredor atrás de Sirius, sabendo bem que ele acabaria na entrada do Salão Comunal da Ravenclaw, mas então foi jogado para trás.

Remus tentou dizer algo, mas Sirius segurou sua boca, o corpo dele prensado ao seu, empurrando-o para trás de uma estátua, no escuro. Por alguns segundos, tudo que Remus via era a massa de cabelos desorganizados e negros do amigo, e sentia-o empurrando contra as pedras frias da parede. Então, seus ouvidos captaram passos. Não conseguiu escutar vozes, mas eram três pessoas, e agora que estavam mais perto, Remus conseguiu ouvir suas vozes. Sirius virou-se e olhou em seus olhos, o lobisomem vendo as íris cinza brilharem marotas no escuro.

"Veja só isso."

Seu corpo todo estremeceu conforme Sirius falou baixo em seu ouvido. A voz rouca e baixa do amigo parecia que lhe enviara arrepios pela espinha, e Remus não soube reagir.

Viu Sirius girando o corpo, a mão segurando a varinha e apontando-a para frente, para onde passavam três quintanistas da Ravenclaw. Não registrou bem o que o moreno dissera, mas os gritos de sustos que elas deram poderia ter muito bem acordado metade do castelo. Porém, Remus estava mais preocupado com o que havia acabado de acontecer. E precisava entender o que fora aquilo.


Já se fazia dias que Sirius percebera que Remus estava estranho, quieto. Era como se não fosse o mesmo, apesar de que ele sempre fora o mais pensativo, o mais centrado. Arrumava o cabelo molhado no espelho do quarto quando observou-o pelo reflexo, sentado na cama, lendo a mesma página há meia hora.

"Eu acho que vou até a Floresta." Viu o amigo assentir sem olhá-lo e sem prestar atenção. "Matar algumas pessoas em sacrifício." Viu-o assentir novamente, e Sirius comprovou que ele não prestava atenção. "Transar com alguns cadáveres."

Os olhos âmbar de Remus levantaram-se rápidos para Sirius, e o amigo virou-se para olhá-lo. O moreno estava rindo e vira o amigo lhe mirar de forma estranha.

"Ahhh isso chamou sua atenção?"

Saiu da frente do espelho e parou ao lado da cama de Remus, o rapaz parecendo envergonhado de não estar prestando atenção ao que Sirius dizia.

"Estava pensando..."

"Não, você estava em outro plano astral." Sirius mexeu as mãos em deboche, balançando os dedos. "Conte, onde estava e com quem?"

Sirius viu como Remus ficara desconfortável com aquela situação e isso apenas lhe deu o incentivo necessário para pressionar o amigo. Sentou-se ao lado dele, vendo os cabelos castanhos longos caírem sobre seu rosto, mas não tampando sua visão.

"Então, ela é Gryffindor?"

"Não sei do que está falando, Sirius. Nem todo mundo pensa vinte e quatro horas em..."

"Sexo?"

Para Sirius, ver Remus daquele jeito era engraçado. Mas não estava gostando das esquivas do amigo. Aquilo parecia que não estava certo. Queria saber quem era a garota que virara a cabeça dele, e quando aquilo acontecera, pois não vira nada acontecer. Aproximou-se dele, abaixando a cabeça e aproximando seu rosto do dele, fazendo-o lhe fitar.

"Vamos, conte."

Viu-o olhar dentro de seus olhos, e o moreno conseguia sempre senti-se bem com isso. Era bom ter Remus a fitá-lo assim, ele sentia que não conseguiria mentir ou enganá-lo, e que Remus também não conseguiria. Olhou para os lábios dele, a língua passava pelo lábio inferior diversas vezes e ele simplesmente não estava entendendo o nervosismo de Remus.

Ele era um rapaz decente, inteligente, bonito e carinhoso com os amigos, não conseguia entender o nervosismo dele com as garotas. Aproximou ainda mais o rosto, sorrindo em ver Remus ainda mais desconfortável e afastando-se. Riu disso e aproveitou-se do momento, segurando Remus pelos ombros e empurrando-o na cama. O castanho esquivou-se e tentou se soltar, mas Sirius era forte, apesar da aparência magra.

O moreno prendeu Remus a cama, e começou a lhe fazer cócegas. Se não conseguiria arrancar dele quem era a garota, ao menos lhe tiraria aquela cara séria. Ambos riram por muito minutos, Sirius rindo da risada de Remus. E então jogou-se do lado dele na cama, deitando e observando como Remus ainda ria baixo, agora com lágrimas escorrendo do canto dos olhos.

"Você é... um idiota." Viu-o conseguir dizer devagar e riu disso.

"Você me ama, Remus, pare de negar."

Olhou-o sem saber que Remus estava lhe olhando e então seus rostos estavam perto, as bocas próximas demais, respirações chocando-se. Não soube bem o que fazer, mas estava levemente aflito com aquela aproximação. Sorriu. Não poderia negar que sabia que James e Remus era tudo que tinha, e que não conseguia ver-se sem eles. Seu mundo não parecia certo sem os amigos, mas aquilo... aquela aproximação, aquela sensação era... demais.

Levantou-se da cama dele rapidamente, ajeitando a roupa e olhando por cima do próprio ombro, vendo Remus passando as mãos pelo rosto. Talvez ele tivesse pensado a mesma coisa e agora sua cabeça também estivessem confusa. Sorriu e viu-o lhe olhando ainda deitado. Sirius conseguia se ver ao lado de Remus pelos próximos anos, afinal tinham apenas quinze anos e tinham a vida toda para ficarem juntos. Gostou da ideia, fosse como fosse.


Sentou-se em sua mesa e ficou a observar os papéis a sua frente. Ficara até tarde no restaurante com Remus, e agora estava com sono. Havia esquecido como a companhia dele era ótima, como ele era tímido e atencioso, sério e divertido. Já se faziam anos desde que tivera uma oportunidade de conversar livremente com Remus. Sentira falta, e vira que ele também sentira a sua. Recostou-se em sua cadeira de couro antigo e pensou sobre suas conversas com Remus, e como ele sempre evitava lhe dizer como andava o coração. Parecia que o assunto tornava-se proibido quando virava-se a mesa para ele, mas o lobisomem não via problema em que ela falasse sobre a vida amorosa dela. E isso a intrigava, fazendo com que ficasse a pensar em quem poderia ocupar o coração de Remus de tal modo, que ele não conseguisse falar.

Pensou que talvez ele tivesse conhecido alguém em suas viagens pelo mundo, mas sempre vira Remus sozinho, sempre distante, como se esperasse por alguém. Tinha quase que certeza que havia alguém no passado de Remus, e que esse alguém ainda conseguia fazer com que aquele coração de lobisomem batesse mais rápido.

Queria descobrir quem era, queria saber quem o deixava tão constrangido. Começou a vasculhar em sua mente pessoas do passado dele que poderiam significar tanto. Via Sirius, James, Lily... Em sua mente, Hermione apenas conseguia ver aquelas pessoas que mesmo após anos poderiam significar tanto para o moreno. Sabia que não poderia ser Lily, ela era esposa de James, e que não poderia ser James, Remus quase não tocava em seu nome; porém havia aquele de quem ele sempre falava.

Por um momento Hermione fitou sua porta e pensou enquanto soltava os cabelos. Existia uma pessoa, mas por algum motivo ela não conseguia vê-los juntos. E então começou a pensar, abrir a mente para tal possibilidade. Sirius sempre sorria quando o assunto era Remus, ou sua época em Hogwarts. Passou a língua pelos lábios e sorriu. Talvez a possibilidade fosse absurda em seu início, mas qualquer um que parasse para analisar, veria que aquilo poderia muito bem ser real. Muito real.


continua...