Título: O Guarda-Costas – Capítulo 4

Fandon: Supernatural

Autora: Mary Spn

Personagens principais: Jared / Jensen

Sinopse: Jared Padalecki, um guarda-costas altamente qualificado, é contratado para proteger Jensen Ackles, um famoso ator e diretor de cinema, que tem sua vida ameçada através de cartas anônimas.

Nota: Trata-se de Universo Alternativo, Jared e Jensen são apenas personagens desta fic.

Capa da fic: http : / / img94 . imageshack . us / img94 / 8457 / oguardacostas . jpg. (tirando os espaços)


O Guarda-Costas

Capítulo 4

Jared não conseguiu pregar o olho a noite inteira. Primeiro, a sua imaginação vagou, imaginando Jensen nu em uma banheira de hidromassagem. E depois de muita luta para conseguir afugentar tais pensamentos, não conseguiu tirar a imagem do carro que os estava perseguindo de sua cabeça.

Desistiu de tentar dormir, e foi até o escritório, retirando os bilhetes da gaveta, e os colocando sobre a mesa.

Quem quer que fosse que estivesse ameaçando Jensen, não tinha deixado nenhuma pista. O primeiro bilhete aparecera misteriosamente na mesinha da sala, num momento em que as luzes foram cortadas, e as câmeras externas de segurança tinham misteriosamente parado de funcionar.

Os outros dois tinham chegado anônimos pelo correio, cada um postado em uma cidade diferente. O filho da puta tinha sido esperto, Jared pensou.

Analisou novamente cada um, tentando achar uma pista, alguma indicação, mas nada...

Escrito em uma folha de papel tamanho A-4, como os demais, o primeiro bilhete apenas dizia: "Quanto vale a sua vida?" Parecia uma brincadeira de criança, tanto que ninguém tinha dado importância num primeiro momento. O bilhete era escrito com palavras recortadas de revistas, e não continha nenhuma impressão digital, nem nada que pudesse levar ao seu autor.

O segundo dizia: "Se você não pode ser meu, não será de mais ninguém.", e foi só a partir daí que Clif resolveu procurar a polícia, que passou a investigar o caso.

A primeira e única suspeita até agora, era de que fosse algum fã obcecado, o que era algo bem comum neste meio. Jensen era um ator e diretor muito famoso, bonitão, tinha um corpo desejável, e provavelmente uma lista enorme de fãs fanáticos por ele.

O que ainda parecia apenas uma brincadeira, passou a ser levado mais a sério com o terceiro bilhete. "Você sabe rezar? Está preparado para morrer?" E foi a partir deste que Clif ficou realmente assustado, e resolveu procurar ajuda.

- x -

Jensen se revirou na cama a noite inteira, sem conseguir dormir. Nem mesmo o calmante fizera o efeito desejado, sentia-se muito agitado e nervoso, devido aos acontecimentos do dia.

Resolveu desistir da luta e levantar, então desceu as escadas no escuro, indo a caminho da cozinha, pensando em comer alguma coisa. Logo que desceu as escadas, sentiu alguém o agarrar por trás, e uma arma sendo encostada em sua cabeça.

- Você não deveria perambular pela casa no escuro durante a noite, não é seguro. – Jared falou com calma, bem próximo ao seu ouvido, para só então desengatilhar a arma e soltá-lo.

- Caramba! – Jensen respirou fundo, sentindo seu corpo tremer. – Eu vou acabar sendo morto pelo meu próprio guarda-costas.

- Seria uma matéria e tanto pros jornais. – Jared ironizou, acendendo as luzes da sala.

- O que você faz acordado? – Jensen perguntou, um pouco mais calmo agora.

- Eu protejo donzelas em perigo.

- Você tem senso de humor. É bom saber.

- E você, não deveria estar curtindo o seu sono de beleza?

- Eu não consegui dormir, dia agitado hoje. – Jensen se esparramou no sofá, e Jared sentou no outro a sua frente.

- É bom você ir se acostumando. O próximo final de semana promete ser bem agitado.

- Você acha?

- E você tem alguma dúvida?

- O que você faria no meu lugar? Tipo... eu não quero colocar a minha vida em risco, mas também não posso me esconder pra sempre.

- Se dependesse de mim? Eu trancaria você em um cofre, até a polícia pegar o filho da mãe.

- Num cofre? – Jensen riu. – E você ficaria preso lá dentro comigo? Olha que isso pode ser tentador! – Jensen falou em tom de brincadeira, mas seu sorriso era pura malícia.

- É melhor você parar com isso, Jensen. - Jared falou sério desta vez.

- Qual é o problema? Eu não faço o seu tipo? Ou é porque sou homem?

- Eu não me envolvo com clientes. É bom que fique bem claro.

- Não foi o que me disseram.

Jared riu.

- O problema do Clif, é que ele fala demais.

- E o seu, é que fala de menos.

- Você não está me pagando pra conversar, está?

- Então a sua protegida partiu o seu coração.

- Segundo o Clif, eu não tenho um.

- Já sei... não quer falar sobre isso, não é?

- Bingo!

- Eu daria tudo pra desvendar os segredos que você esconde por trás desta máscara.

- Máscara? – Jared riu. – Você anda fazendo filmes demais, Jensen. Está confundindo ficção com realidade.

- Não é por ser um guarda-costas, que você precisa manter esta pose de machão vinte e quatro horas por dia.

- Pose de machão?

- Essa sua arrogância, sua forma fria e calculista de lidar com as pessoas, só pode estar se protegendo de alguma coisa.

- Então, você banca o psicólogo nas horas vagas?

- Não, mas eu gosto de observar as pessoas.

- Melhor você cuidar da sua vida, Jensen. Que pelo visto também não é nenhuma perfeição.

- O que faz você pensar assim?

- Eu vou me deitar. Amanhã vai ser um longo dia. – Jared se levantou e fez menção de sair da sala.

- Não, espera! – Jensen o puxou pela mão, para que voltasse a se sentar. – Eu realmente quero saber. Você me deixou curioso agora.

- Melhor deixar isso pra lá.

- Por favor, Jay. Eu realmente quero saber. – Jensen falou com sinceridade.

- Ok. Você pediu por isso... Eu não acompanhei nenhuma entrevista, nem nada do tipo ainda, mas assim que o Clif me falou sobre você, eu procurei saber tudo ao seu respeito.

- E aí?

- Tem algo que não se encaixa. Você é um excelente ator, mas não fica confortável com as entrevistas, e com o assédio dos fãs e da imprensa. Dá pra perceber nitidamente nos vídeos.

- Culpado! Eu confesso. Eu sou um tanto reservado, e gosto muito de privacidade. Não curto nem um pouco ficar falando sobre a minha vida pessoal para pessoas que eu nem conheço. Já é difícil eu me abrir com os amigos. Próximo?

- Seu casamento. Apesar da cena... picante que eu vi nos vídeos, você e a sua esposa não tem absolutamente nada em comum. Ao oposto de você, ela gosta de extravagâncias, de ostentação. Ou é um casamento de aparências, ou então você se meteu numa grande furada.

- A Daneel é uma amiga de anos, e foi conveniente eu me casar com ela. Ela conseguiu um pouco de fama, riqueza, e eu em troca consegui calar um pouco as fofocas. Sabe, quando você é casado, as pessoas não ficam questionando a sua condição sexual. Pode ser ridículo, mas isso afeta e muito a vida de um ator.

- Eu sei como funciona.

- Mais alguma coisa?

- Não.

- Bom, acho que eu mereço um prêmio, consegui fazer você falar mais do que duas palavras essa noite.

- Isso não é bom.

- Pena que não me esclareceu nada sobre você. Mas eu sou persistente, quem sabe um outro dia, não é?

- Melhor você desistir.

- Você não tem mesmo namorada?

- Não. Meus relacionamentos amorosos não costumam durar mais do que uma noite.

- Deve ser solitário.

- Tenha uma boa noite, Jensen. – Jared deu o assunto por encerrado e saiu da sala, em direção ao seu quarto.

Por mais que tentasse ignorar, tinha algo em Jensen que mexia com a sua cabeça, e com o seu corpo também. O loiro era insistente, e metido demais. Por que queria saber tanto sobre a sua vida? Já não tinha problemas suficientes na vida dele, para ainda querer saber dos seus? – Jared bufou com o pensamento.

Não se meteria em uma roubada como esta novamente. Seria muita burrice se não tivesse aprendido com seus erros da última vez. Como dizem, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Jared se odiou então por ficar repetindo em pensamento as coisas que seu pai vivia tentando enfiar em sua cabeça a vida toda.

Seu pai tinha sido o seu grande mentor. Tudo o que sabia, devia a ele. Desde criança tinha aprendido a amar o seu trabalho. E sentia muito orgulho por tantas vidas que o seu pai havia salvo.

Mas de repente seu mundo tinha desabado. O seu grande herói, do dia para a noite, tinha se tornado alguém fraco e vulnerável demais aos seus olhos. E não conseguia o perdoar por isso. Pelas humilhações que ele aceitou de boca calada, sem sequer tentar se defender.

Era algo que Jared não conseguia entender, e muito menos aceitar, então o afastamento foi a melhor opção. Se o seu pai queria assim, então que convivesse sozinho com a sua derrota.

Clif retornou na manhã seguinte, e por coincidência, trouxe o assunto a tona, enquanto Jared verificava algumas coisas em seu carro.

- Encontrei com o seu pai ontem. – Clif falou, como quem não quer nada.

Jared continuou o que estava fazendo, sem dizer nada.

- Você não quer saber?

- Saber o que? - Jared perguntou sem paciência.

- Como ele está?

- Clif, o dia em que eu quiser saber como ele está, eu sei onde ele mora, ou melhor, onde ele se esconde, e também o número do seu telefone.

- Não é o que parece.

- Dá um tempo, ok? Eu já disse que não quero saber. - O moreno já estava aborrecido agora.

- Você deveria dar uma chance a ele. Deixá-lo se explicar.

- Eu não vou discutir isso com você.

- Ele está preocupado com você.

- É mesmo? – Jared ironizou. – Você está ficando sentimental, Clif. Isso não é bom.

- E o que você acha bom? Ser autossuficiente feito você?

- Autossuficiente?

- E não? Não é você que acha que pode viver sozinho? Que não precisa de ninguém?

- Pessoas machucam, e decepcionam, e só. Eu estou cheio disso.

- Nem todos são como ela, Jay. Existem pessoas incríveis neste mundo, mas você nunca vai saber se não der uma chance delas se aproximarem.

- Você já acabou com o discurso? Porque eu tenho mais o que fazer, Clif.

- Eu desisto de você.

- Você já falou isso antes.

- É, mas desta vez é sério.

- Acho que eu não esqueci de nada, não é? Está tudo certo pra maldita entrevista de hoje, só falta repassar o plano com os seguranças.

- Pela décima vez? - Clif bufou.

- Até eu achar que está ok.

- Você é louco!

- E por que você me contratou mesmo?

- E por que você me contratou mesmo? – Clif repetiu, imitando a voz de Jared, enquanto ia para dentro da casa.

- x –

Jensen parou ao lado do carro de Clif, e encarou Jared mais uma vez, antes de entrar. Pensou que se sentiria mais seguro dentro do carro dele, mas se este era o esquema, não tinha porque duvidar. Apesar de Jared ser o cara mais estranho e misterioso que já havia conhecido, Jensen não sabia direito o por que, mas confiava nele.

Clif deu a partida no carro, rumo ao hotel, sendo seguido o tempo todo por Jared e seu motorista. Os outros quatro seguranças já estavam no hotel, verificando tudo para garantir que não houvesse nenhum imprevisto. Outros dois seguranças permaneceram na casa. Jensen teve que rir, achando tudo isso uma tremenda ironia do destino.

- Do que você está rindo? – Clif perguntou, estranhando seu comportamento.

- Eu só queria a minha vida de volta, Clif. Droga! Até quando eu vou ter que viver desse jeito?

- Assim como você, eu só espero que isso tudo acabe logo. Mas enquanto isso, é assim que vai ser, Jensen. Você precisa aceitar.

A entrevista correu tranquilamente, apesar de Jensen se sentir estranho com todos aqueles seguranças por perto. Jared estava a poucos metros dele, sempre atento a tudo. O caminho de volta também foi normal, sem nenhuma perseguição desta vez.

Ao chegar novamente em casa, Jensen suspirou aliviado. Teria mais uma semana até a próxima convenção, semana esta que passaria trancado dentro de casa, pensou com desânimo.

Depois de duas semanas sem praticamente sair de perto de Jensen, Jared resolveu que precisava de uma folga.

- Tem certeza que vai ficar tudo ok, Clif?

- Jay, eu já garanti que não vou desgrudar dele por um minuto sequer. Agora vai, some daqui! E por favor, faça muito sexo pra voltar com um humor melhor amanhã.

Jared deu risadas.

- Você é um cretino, Clif! E tenta não pisar na bola, ok?


Continua...

Resposta as reviews:

Alcia Darcy: Realmente muita tensão entre eles, e logo você vai saber sobre o que aconteceu com o Jared, ok? Gostou da Daneel irritada? Hehehe... Beijokas!

cici: Tive que rir com seu comentário, vão abalar as estruturas da casa? rsrs. Fico feliz que esteja gostando! Beijos!