Se um dia lhe der uma vontade louca de chorar, me chame.

Não lhe prometo faze-lhe sorrir.

Mas posso chorar com você.

Autor desconhecido.

Palavra do dia: candura.

A maldição das mulheres

"Ás vezes você fica tão nervoso que tem medo de falar com ela e prefere se esconder."

Agora Inuyasha via que Miroku realmente tinha razão ao falar isso, pois simplesmente não conseguia arranjar coragem para falar com Kagome.

Maldição! Se amar era assim ele preferia ter ficado na santa ignorância de seus sentimentos, do que agora ficar a esconder-se pelos cantos feito um rato assustado.

E além do mais, como poderia amar Kagome?

Ela parecia um animalzinho assustado, ela era um animalzinho assustado cujo pior pesadelo era os homens, porque uma vez um homem a machucou demais, uma vez um homem a tocou como jamais se deve tocar uma criança, e agora como ela poderia amar a um homem, se tinha tanto medo que outro homem a machucasse como aquele bastardo o fez?

Ele encostou a cabeça na parede e começou a soca-la, praguejando e amaldiçoando mentalmente, mas o que era aquilo agora? Só as garotas sofriam de um amor platônico, porque elas tinham todo aquele negócio de sentimentalismo e tal, não os meninos!

Então o que estava havendo? Ele estava transformando-se em menina por acaso?!

Ao final do corredor Sango olhava-o de braços cruzados e se perguntava por que ele agia tão estranhamente naquela manha, e ainda de braços cruzados ela observou-o endireitar a coluna dizer alguma coisa a si mesmo, como se tomasse coragem, e entrar de peito estufado na sala de aula.

Mas quando viu Kagome sentada ao fundo da sala, ele percebeu que ela não estava só, pois uma garota ruiva, e muito bonita por sinal, estava sentada de pernas cruzadas sobre sua mesa falando com ela, aquilo nunca tinha acontecido antes, Kagome não falava com ninguém e ninguém falava com ela, então Inuyasha não quis atrapalhar e decidiu que não era uma boa hora para conversar com Kagome, ao menos essa foi a desculpa que ele conseguiu dar a si mesmo para não chamar-se de covarde antes de dar meia volta e sair da sala a procura de Miroku e Sango, sem saber que a mesma o olhava do fundo do corredor intrigada com o motivo que o fizera sair correndo da sala de aula como se as calças estivessem em chamas.

_Então você fala com ele? – Ayame, a ruiva, perguntou a Kagome enrolando nervosamente uma mecha de seu cabelo rubro entre os dedos.

Kagome fez que sim com a cabeça e Ayame colocou entre seus dedos um pedacinho de papel com um número de telefone anotado.

_Para o caso dele demonstrar algum interesse.

A ruiva deu uma risadinha e saltou ao encontro de suas amigas, enquanto Kagome vasculhava a sala de aula com o olhar procurando por Inuyasha, pois ele sempre vinha passar o intervalo junto dela, mas naquele dia parecia que ele tinha querido ficar com Sango, e aquele outro rapaz... Como era mesmo o seu nome? Aquele que tinha um sorriso pervertido igual ao dele, e também gostava de tocar as meninas sem que elas permitissem. Qual era o nome dele?

Algo com a letra "M" ela achava, talvez Miguel? Não! Miroku!

Este era seu nome: Miroku.

Então Inuyasha havia ido passar o intervalo com Sango e Miroku. Concluiu vendo que estes dois também não estavam na sala.

Durante a aula vaga Inuyasha seguiu Kagome pelo corredor disposto a dizer "Oi" a ela, mas virou-se e correu para longe assim que a viu entrar no banheiro feminino, convicto de que não era um bom local para falar com ela.

Na aula de Ed. Física quando ela afastou-se ligeiramente para beber água então ele voltou a tentar uma aproximação, mas decidiu que ela estava ocupada e afastou-se, ignorante de que todos os seus movimentos eram friamente observados por Sango, que não muito longe dali fazia os exercícios de alongamento junto com o resto da turma e mais uma vez naquele mesmo dia se perguntava por que ele estava agindo tão estranhamente.

Pensou em perguntar a Miroku, mas então se lembrou de que não era seguro ficar perto do rapaz quando Inuyasha não estava por perto.

Na saída ele fez a sua última tentativa, e teria conseguido... Se não fosse por Sango.

_Olha Inuyasha, preciso falar contigo.

Não só Inuyasha, como também Kagome se virou, ambos surpresos. Ela porque havia andado procurando-o a manhã toda e ali estava ele, bem atrás dela, e ele porque não esperava que alguém o chamasse justo quando finalmente havia tomado coragem.

Olhou para Kagome, mas ela já ia longe ao corredor.

Do lado de fora do colégio, uma mulher tentava se fazer ouvir, virando-se de um lado para o outro falando com um e outro aluno, mas nem um lhe dava atenção, todos tinham pressa de chegar a casa. Mas inferno, ela só queria uma informação!

Suspirou cansada, pondo a mão sobre o ventre avantajado, e recostou-se ao muro, fechando os olhos pela fadiga, mas abrindo-os assim que uma delicada mão tocou-lhe o ombro, e viu delicados e tristes olhos castanhos fitando-a.

Mas por que, uma menina tão jovem e tão bonita teria um olhar tão triste como aquele?

_Está passando bem, moça? – perguntou a menina.

A gestante alegrou-se, finalmente alguém que podia vê-la!

_Sim, só estou um pouco cansada. – respondeu desencostando-se do muro – Mas será que você poderia me responder algo?

_O que?

_Conhece este rapaz? – e colocou entre os dedos da jovem uma foto de um rapaz com uns treze anos de idade, erguendo um skate acima da cabeça com um sorriso feliz no rosto e uma árvore de natal ao lado – Ele está mais velho agora, é claro, mas não mudou muito, na verdade acho que só ficou um pouco mais alto. Chama-se Inuyasha.

_Eu acho que o Inuyasha está ocupado agora.

_Mas não pode levar-me até ele? – a mulher fez cara de triste e pôs a mão sobre a barriga, onde o bebê chutava e rolava – É que eu gostaria muito de dar-lhe a noticia, que em breve, a senhora sua mãe Izayoi Taisho, será vovó.

A menina correu o olhar da barriga avantajada, para o rosto da mulher, que continuava sorrindo, e então novamente para sua barriga, até que empurrou a foto de volta em suas mãos se virou apressada e de forma totalmente atrapalhada pediu que a seguisse.

_Muito obrigada, é muita gentileza sua! – ela agradeceu seguindo-a – A propósito, eu me chamo Takaiama Rin.

A menina olhou-a por cima dos ombros.

_Kagome. – disse simplesmente, e então hesitou. – E... De quantas semanas você já está?

_Ah, 29 semanas. – ela sorriu com candura. – Não é maravilhoso?

Não, aquilo não era maravilhoso, era horrível!

Minutos depois Kagome apontava para uma porta.

_Inuyasha está aí, eu acho, é a nossa classe, mas ele deve de estar ocupado, porque está com Sango...

_Ah, uma garota, é? – Rin sorriu travessa. – Mas que danadinho, que ele é!

Kagome enrubesceu ao pensar nisso, e Rin colocou-se a rir, apanhando uma de suas bochechas e a puxando até fazê-la começar a doer.

_Você é uma menina adorável. Sabia disso?

Ela aproximou-se da porta e abriu-a sem aviso, com certeza planejando flagrar os adolescentes em alguma cena comprometedora, mas se decepcionou ao ver a garota, que deveria ser Sango, sentada de pernas cruzadas em cima da mesa do professor, e Inuyasha sentado numa cadeira logo a frente dela com o rosto apoiado sobre a mão e olhando para o outro lado.

_... Estranho! – dizia Sango – É por causa da Higurashi?

_Deixe-me Sango. – ele suspirou.

_Deixá-lo? – Aquilo pareceu ultrajá-la – Inuyasha o que houve? Sou sua melhor amiga desde... Desde sempre! E de repente, você só quer passar o intervalo com a Higurashi, e só fala comigo quando me trás para a escola ou me leva para casa, e hoje você estava indo atrás dela. Ia deixar-me aqui!

Rin logo concluiu que aquela não era uma boa hora. Mas antes que fechasse a porta e se retirasse para o fundo do corredor, onde esperaria que Inuyasha saísse da sala, Kagome pigarreou, e dois pares de olhos se voltaram para elas.

_Hã... Desculpem-me. – ela murmurou. – É que...

_Ouve conversas particulares agora Higurashi?! – esbravejou Sango – Além de esquisita também é bisbilhoteira?!

Os lábios de Kagome tremeram, e ela apertou o punho cerrado contra os eles, recuando alguns passos, não que estivesse assustada, nada a assustava além dos homens, ela só não sabia como reagir diante de tão gratuita agressividade, embora já devesse ter certa experiência com isso.

Institivamente Rin quis defende-la, talvez fosse os hormônios da gravidez.

_A gentil menina Kagome, só estava me mostrando o caminho porque eu estava procurando por Inuyasha.

_ A mim por quê? – falou Inuyasha pela primeira vez, ele iria defender Kagome, claro que iria, mas Rin havia sido mais rápida.

_Bem. – ela sorriu de lado e pôs a mão sobre o ventre – Porque sua mãe vai ser avó.

Sango oscilou como se fosse cair, e realmente o teria feito se já não estivessem sentada, as pernas tornaram-se moles e se descruzaram, os braços antes cruzados sobre o peito caíram ao lado de seu corpo e a expressão zangada de seu rosto desfez-se.

_O que? – ela balbuciou.

Ris aproximou-se gingando desajeitadamente, e logo Inuyasha viu-se perdido numa maré de tecidos brancos com estampas coloridas, e sendo sufocado por braços finos e supreendentemente fortes eu seu pescoço, dois beijos estalados nas bochechas o pegaram de surpresa e em seguida um rosto sorridente tomou foco em seu campo de visão.

_Eu estou tão feliz! E você Inuyasha, está feliz? E sua mãe, acha que ela ficara feliz com o primeiro netinho ou netinha?

_Espere um pouco! – ele conseguiu falar, afastando-a delicadamente pelos ombros e se pondo de pé com os joelhos trêmulos. – Como isso pode ter acontecido?

Rin enrubesceu imediatamente.

_Ah, bem... Quando um homem e uma mulher se amam, eles acabam...

_Eu já tive aulas de biologia! – ele anunciou tão vermelho quanto ela – O que quero dizer é... – e apontou de sua barriga para seu rosto – Como minha mãe pode estar prestes a se tornar avó se eu nunca te vi na vida?

_Oras, e por acaso tu és o único filho dela? – ela desafiou.

_Está falando de Sesshoumaru? – espantou-se.

_E ela tem outro filho além de vocês dois?

Sango cobriu os lábios com expressão surpresa. E murmurou:

_Então Sesshoumaru e você...?

_Sim. Amamo-nos. – suspirou Rin inclinando o rosto de lado sobre uma das mãos.

Inuyasha caiu sentado novamente, saber que seria tio era talvez ainda mais surpreendente do que achar que seria pai, e sua mãe então? O que diria? Ah, com certeza começaria a alfinetá-la e lançar farpas contra ela, até que a moça começasse a chorar. Izayoi Taisho era uma mulher cruel, e ficaria furiosa em saber que não havia tido a chance de inspecionar a futura mãe do filho, ou filha, de Sesshoumaru. Ou pior ainda: por não ter sido convidada ao casamento.

Estava prestes a sentir pena dela, quando uma duvida surgiu em sua cabeça:

_Se o bebê é de Sesshoumaru, o que você está fazendo aqui?

_Ora é aqui que a família de meu bebê está não é? – ela franziu o cenho como se aquela fosse uma pergunta bastante idiota.

_E o pai não está incluído nessa família? – perguntou Sango, já mais recuperada da surpresa.

Rin preferiu guardar silêncio. Os olhos de Inuyasha arregalaram-se.

_Sesshoumaru está aqui?!

_Chegamos ao sábado de manha. – ela confessou – Mas decidimos esperar até hoje para que eu viesse falar contigo, e aí irmos juntos falar com sua mãe. Ele não queria se arriscar a encontra-la antes, entende?

_Ah sim, é claro que eu entendo. Ele está com medo de enfrentar mamãe, e quer me usar como escudo quando ela começar a gritar.

_Sim, é mais ou menos isso!

Rin deu risada e virou-se indicando que a seguisse, só então percebendo que Kagome havia sumido, partindo tão silenciosamente que nem um deles percebeu.

_Mas então onde está Sesshoumaru? – Sango quis saber saltando da mesa – Se ele veio contido para cá, por que é que não foi ele a vir procurar Inuyasha ao invés de você?

_Ah isso foi ideia minha, eu queria ver a reação do irmãozinho do meu amor, quando eu chegasse aqui anunciando que a sua mãe seria avó e omitindo propositalmente que ele não era o pai. – ela lançou lhes um sorriso travesso, embora um pouco seco quando olhou Sango.

Talvez pela forma agressiva com que Sango havia tratado Kagome, sem que a mesma lhe desse razão alguma, e principalmente por ela ser uma menina tão gentil e frágil – ela passava a impressão de ser frágil como uma bonequinha de porcelana – logo de cara Rin já não havia simpatizado muito com ela.

Foi proposital! A constatação foi quase como uma martelada certeira na cabeça de Inuyasha. Com que tipo de mulher Sesshoumaru havia se casado afinal?

Casado? Pensar nisso fez Inuyasha perceber que não havia aliança na mão esquerda da mulher. E por falar nisso, qual era mesmo o nome dela?

_Como se chama?

Ela rapidamente virou-se, com uma expressão surpresa.

_Ah perdão, que grosseria a minha, nem sequer apresentei-me! Eu sou Rin Takaiama a tua cunhada.

Rin Takaiama ela dissera. E não Rin Taisho.

Inuyasha cerrou os olhos, com desconfiança, que tipo de besteira seu irmão "tão responsável" havia cometido naqueles onze anos em que morara por conta própria na grande capital?

_Pensei que não sairia dessa escola nunca mais. – uma voz grave se fez presente, e Rin automaticamente inclinou a cabeça para trás a fim de receber um beijo do dono daquela voz. Capricho que não lhe foi negado. – Perdeu-se lá dentro?

_Claro que não. – ela fez uma careta. – Que ridículo Sesshoumaru! E eu não te disse para esperar-me na esquina?

E ali estava ele, o irmão cruel que não via a mais de dez anos, que o tinha abandonado nas garras da mãe, não estava muito diferente do que era nas fotos, era provável que se não fosse pelas fotos Inuyasha nem sequer lembrasse-se como era o rosto dele ou ao menos de que tinha um irmão em algum lugar do Japão, talvez estivesse mais alto agora, e os cabelos não condiziam com sua suposta maturidade, cortados a altura dos ombros. Quantos anos ele teria agora? Vinte e oito? Trinta?

_Você costumava se perder a caminho do banheiro, no trabalho, Rin.

_Mas dessa vez é diferente, eu tinha uma guia... E por falar nisso você não a viu? É uma menina e tem cabelos escuros, olhos castanhos e tristes, também é pequena e de passos velozes.

Sango pigarreou, incomodada pelo assunto estar se tornando Kagome, e Sesshoumaru finalmente os notou, olhando dela para o rapaz que provavelmente era seu irmão, mas parando o olhar na bicicleta que ele segurava.

_Esta não é minha antiga bicicleta.

_Aquela foi roubada.

_Ah, mas que lastima.

E foi isso. Nada de "há quanto tempo maninho!" ou então "Você cresceu!" e até mesmo quem sabe "Mamãe te explorou muito nestes onze anos?!". Mas e Rin então? O que ela quis dizer ao descrever Kagome como "uma menina de olhos castanhos e tristes"?

Sesshoumaru aproximou-se de Sango e pôs a mão sobre a cabeça dela.

_Você era menor, não? E usava chupeta.

_Onze anos, Sesshoumaru. – ela o lembrou.

Ele ficou calado e fitou seu rosto com mais atenção.

_O que foi?

_Esqueci-me o teu nome.

Kagome deixava o cemitério silenciosamente na companhia de Sir Lancelot. Aquele era o melhor atalho para a casa de sua avó.

Os olhos tristes, perdidos num passado não tão distante quanto ela gostaria.

Como era possível que aquela mulher estivesse tão feliz estando naquela condição em que se encontrava? E não era só ela, Kagome lembrava-se de todas aquelas mulheres na sala de espera, da época de seu pré-natal, trocando experiências e sorrisos umas com as outras, mas Kagome não era como elas, ela não estava escolhendo nomes para aquela coisa, porque quando se dar nomes você se apega, e ela não queria se apegar aquilo, ela não queria saber qual era o sexo e nem mesmo queria estar ali, preferia que o ser morresse, e de preferencia, queria morrer também.

A gravidez é algo maravilhoso, era o que todos diziam, mas era tudo mentira!

Era horrível, como um pesadelo que nunca terminava e do qual não se podia acordar jamais.

Como as mulheres poderiam achar que era uma benção estar grávida? Pois não era, aquilo era uma maldição, uma maldição a qual todas as mulheres estavam condenadas! A barriga crescer tanto, e ter o corpo deformado enquanto uma criatura formava-se e criava vida ali dentro, um parasita que sugava toda a vida da hospedeira, que ainda assim o amava incondicionalmente, e a dor então? Será que nunca se lembram da dor do parto? E daí que ela tivera uma cesariana, ela havia passado dias em um hospital sentindo dores depois da cirurgia, isso mais a cicatriz que deixara em seu corpo. Além das dores nas costas que só faziam aumentar conforme a barriga crescia, e também havia o cansaço. Sempre estava cansada por ter que carregar todo aquele peso. Ninguém se importava com isso? E os enjoos matinais e o vomito então? Será que ninguém se lembrava disso? E porque chamavam de enjoo matinal, se aquilo durava o dia todo? E os chutes? Muitos daqueles chutes lhe causavam dores! Isso sem falar dos pés inchados. E sabe toda aquela estória de que quando uma mulher engravida ela fica mais bonita e radiante? Tudo mito! Como aquilo poderia ser chamado de benção?

Estar grávida era uma coisa horrível. Como poderia alguém achar que carregar um parasita como aquele era uma benção?

_Oh Kagome, já esta em casa? – Kaede sorriu para a neta – O almoço está quase pronto minha pequena.

Kagome inclinou a cabeça de lado, tentando afastar os fantasmas que assombravam sua mente, nem havia percebido que já chegara a casa... Talvez se não fosse por Sir Lancelot estaria agora vagando perdida por algum lugar.

Ajoelhou-se para desprender a guia de sua coleira e aproveitou para lhe acariciar o pescoço aveludado.

_Muito bem, meu valente.

E libertou-o para que fosse se esparramar no sofá.

_O sofá vai ficar cheio de pelos. – Kaede resmungou voltando à cozinha – Cão idiota.

_Avó ele não é tão mal assim, ele é um cão maravilhoso! – protestou Kagome entrando na cozinha atrás da avó.

Inuyasha passou a mão no rosto tentando esconder a impaciência.

_Mamãe, não é como se o restaurante fosse desabar só porque você o deixou sem a sua vigilância por alguns minutinhos.

_Inuyasha, eu não sei se você entende isso, mas é deste restaurante que eu tiro o pão pra te alimentar!

_Mamãe. Por favor.

Izayoi pareceu relaxar um pouco.

_É realmente importante?

_É sim.

_Tudo bem, então eu só vou resolver algumas coisinhas por aqui, deixar uma ou duas ordens e estarei em casa em uma hora pelo menos. – ela suspirou – E é melhor que não me tenha aprontado nem uma asneira!

Inuyasha suspirou pondo o telefone de volta ao gancho do telefone, preso a parede, e olhou para o irmão e sua cunhada sentados a mesa logo atrás dele.

_Está a caminho. – informou.

_Diga-me, ela continua tão ruim quanto antes?

_Pior.

Sesshoumaru gemeu. Confrontar sua mãe novamente já seria ruim o bastante pelo fato de não ter dado as caras em casa por mais de uma década, ele não queria nem imaginar qual seria a sua reação quando visse Rin, e o tamanho de sua barriga.

Aquilo era um pesadelo, onde ele estava com a cabeça quando deixou que Rin o convencesse a voltar para casa e leva-la junto?

_Quero que meu bebê nasça no aconchego de uma família Sesshoumaru! – foi o argumento dela.

_Nós somos uma família Rin.

_Mas você não acha que sua mãe gostaria de conhecer o primeiro neto?

_Mandamos uma foto!

_Sesshoumaru!

_Rin você não conhece a minha mãe, não sabe como ela é!

_Tudo bem. – ela virou-se na cama dando as costas a ele. – Eu não queria dizer isso, mas não é bom que eu fique aqui em casa sozinha o dia todo, afinal você não pode tirar licença maternidade só para cuidar da namorada grávida.

_Rin...

_E se eu estiver sozinha aqui em casa e caí, Sesshoumaru?

Ele suspirou, admitindo a sua derrota.

Agora, ele achava que teria sido muito mais simples se ele tivesse contratado uma enfermeira para tomar conta de Rin, ao invés de ter-lhe dado ouvido e tirado de uma vez todas as férias que tinha acumulado durante aqueles onze anos, para leva-la a casa de sua mãe.

Uma pequena mão pousou sobre seu braço.

_Ah, Sesshoumaru... Não precisa ficar assim, você já é adulto, não é como se sua mãe fosse deitá-lo nas pernas dela e castiga-lo no bumbum por uma travessura que fez.

_Ah nossa mãe nunca acreditou em castigos físicos. – Sesshoumaru balançou a cabeça.

_Ela dizia que era fácil demais. – completou Inuyasha – Rin, você ainda não a conhece então acho melhor eu ir logo a avisando: aquela mulher, que eu carinhosamente chamo de mãe, é uma mulherzinha diabólica e calculista. Então muito cuidado com ela.

_Eu tentei dizer isso a ela em Tókio, mas ela não me quis escutar!

Rin olhou de um irmão para o outro, sem acreditar que eles pudessem estar falando assim da própria mãe.

_Pelo amor de Deus, ela é a mãe de vocês! – exclamou – Não pode ser tão ruim assim.

Então Inuyasha a olhou muito sério. E disse:

_Rin, você não sabe o que está dizendo.

Quarenta e sete minutos depois, Rin estava adormecida no sofá, com uma porção de travesseiros a sua volta – embora ela achasse que aquilo fosse um tremendo exagero, e também, como era possível haver tantos travesseiros em uma só casa? – e uma revista aberta sobre seu ventre, os pés descalços com o proposito de deixa-la o mais confortável possível, Sesshoumaru disse que por causa do bebê ela cansava-se com muita facilidade, e agora ele estava lá em cima arrumando o antigo quarto para poder acomodá-la. Enquanto Inuyasha ficava sentado no chão da sala, bem próximo ao sofá, servindo de babá a Rin, para garantir que ela não rolasse e caísse do sofá, ou então limpar seu nariz caso ela espirrasse.

E ele se perguntava se Kagome teria ficado tão frágil assim quando havia estado grávida. E será que ela havia tido alguém para cuidar dela e mimá-la como Rin estava tendo agora?

E com um corpo tão pequeno... Na época ela ainda estava no ginásio.

O barulho de chaves abrindo a porta rapidamente o tirou de seus pensamentos, depois passos vieram pelo corredor, e ele ergueu os olhos a tempo de ver sua mãe carregando os sapatos na porta da sala.

_E então? – ela perguntou sem encará-lo ocupada em desabotoar o casaco enquanto entrava na sala – O que era assim tão urgente que não podia esp...

Ela emudeceu ao ver Rin adormecida no sofá e seus olhos arregraram-se ao perceber o tamanho de sua barriga.

_Mãe. – chamou Inuyasha se levantando – Diga olá ao teu primeiro neto.

Não houve muitas review's... Bem, acho que minhas leitoras viajaram nessas férias, né? ^^

Então vou deixar esse capitulo aqui para quando elas voltarem.

Até a próxima. o/

Respostas as review's:

Nane: Muito obrigada pela sua atenção e seu carinho!

Belle: A referência sobre os cavaleiros do apocalipse eu tirei daquela minissérie "Sobrenatural" porque achei muito bacana a temporada que eles apareceram, que bom que você gostou! ^^

Oh não fofa, eu que te peço desculpas! De forma alguma fiquei irritada com sua última review, na verdade estava de certa forma, muito feliz porque mesmo sem me conhecer realmente, você se importa, mas acho que acabei escolhendo mal as palavras, e dando a entender que achei você intrometida, e isso não poderia estar mais longe da realidade! É um grande defeito meu: apesar de escrever histórias, não sei usar bem as palavras e acabo por vezes sendo mal interpretada.

E agora relendo a minha resposta, percebi que se alguém tivesse me escrito aquilo eu realmente também acharia que estavam irritados comigo... Então espero que me perdoe e não fique chateada com a minha grosseria não intencional. ó.ò

E no próximo capítulo de "Donzela maculada"...

Inuyasha está meio ocupado tentando se desviar dos sapatos voadores de sua mãe, por isso hoje eu, Rin Takaiama, narrarei a prévia do próximo capitulo!

Calma sogra pare de gritar deixe Inuyasha explicar a situação... Ah, agora ela esta gritando com Sesshoumaru, espera não precisa gritar comigo também.

Nossa parece que a minha visita à escola deu mesmo o que falar esta vendo só Inuyasha? Você ficou famoso! Olha parece que até aquela menina doce arranjou algumas amigas.

Ei! Que história é essa de me usar como desculpa para ficar mais tempo perto dela?!

Não perca no próximo capitulo de donzela maculada: Os boatos da escola.