Sem Culpa: Capítulo V - Nuvem cinza
Não acredito nisso, não posso acreditar. Eu não quero que isso seja verdade, mesmo sabendo que isso era uma possibilidade cada vez que ele saía para caçar. Mas quando realmente acontece, tudo se torna mais real e o impacto se torna maior. Não posso acreditar que isso esteja acontecendo justamente agora quando precisamos dele. —Dean entra pela emergência do hospital acompanhado de Rufus, segurando a mão de seu irmão que com ele estava um urso de pelúcia agarrado na altura de seu queixo. Os pensamentos do mais velho ao entrar naquele ambiente estavam completamente em desordem.
- Dean, o que estamos fazendo aqui? Cadê o tio Bobby e o papai?—Sam questionava o outro, mas não recebia respostas, pois ele estava muito preocupado e ansioso para pensar em respondê-lo.
- Rufus, por favor, eu quero ver meu pai e o tio Bobby agora mesmo. Eles estão bem?—Dean se dirige ao mais velho, que lhe responde com uma expressão não muito agradável franzindo a testa. Logo caminhou para próximo ao balcão de atendimento do hospital a fim de saber sobre os pacientes, John Winchester e Bobby Singer, deixando Dean e Sam sentados no banco de espera à frente da recepção.
- Fica calmo, Sammy, já iremos ver o papai. Ele está bem, apenas se feriu um pouquinho enquanto caçava com o tio Bobby. Fica tranquilo que já iremos vê-los, o Rufus está cuidando disso. Vamos esperá-lo. —Dean mente para o menor, afinal nem ele sabia o que de fato havia acontecido com seu pai e tio, pois o Rufus apenas lhe disse que eles se feriram gravemente durante a caçada. Então ele estava na expectativa de que tudo estivesse bem, ainda que ambos estivessem feridos.
Alguns minutos depois Rufus se aproxima dos pequenos e se achega para mais perto do irmão mais velho, dizendo que por agora eles não iriam poder entrar. Não estava permitida a entrada de visitantes ou acompanhantes, pois Bobby estava inconsciente com ajuda de muitos aparelhos em si e seu pai... Estava entrando na sala de cirurgias, pois iria precisar ser operado com urgência.
- Mas como assim? Eles então foram gravemente feridos, meu pai precisa ser operado por quê? Onde? Afinal de contas, o que eles estavam caçando?—Rufus observa o menor rodeado de problemas de adultos no meio daquele cenário de tanto perigo e confusão, sente dó do pequeno envolvido tanto com apenas doze anos de idade.
Dean fita seu irmão sentado no banco de espera ao seu lado segurando o pequeno urso de pelúcia que havia ganhado do pai e sente um aperto no peito, uma vontade de chorar, mas não o faz ao se lembrar de que seu próprio pai sempre o exigiu fortaleza quanto aos problemas ainda que parecessem insuportáveis, pois ele era o homem da família quando o mesmo não estivesse presente.
- Fica calmo, Dean, não podemos nos desesperar agora. Eu não fiquei sabendo sobre o que eles estavam caçando, apenas recebi um telefonema do Bobby e rapidamente ele me disse uma coordenada até que a ligação ficou muda. Eu me apressei e fui seguir as coordenadas, chegando lá encontrei o impala capotado na estrada. E ao me aproximar eu pude ver os corpos dos dois jogados no matagal ao lado...
- Então foi um acidente? Não foram feridos pelo o que estavam caçando?—Dean interrompe o mais velho a fim de saber mais precisamente sobre o ocorrido, estava desejando no fundo que tudo o que aconteceu tivesse uma "reversão".
- Como ia dizendo, tudo parecia um acidente e foi isso que o socorro pensou após chegar ao local. Eu os chamei, mas antes eu pude checar os corpos sem consciência no chão e eles tinham marcas pelo corpo fora do normal e que não poderiam ter sido causadas pelo acidente. Tudo parecia que havia tido uma luta antes, mas eu não tenho como saber o que eles estavam enfrentando. Sinto muito, Dean, mas precisamos ter calma e aguardar por agora... —Rufus puxa o menor para um abraço protetor e acaricia sua cabeça, deixando o outro mais confortável para se sentir menos mal em relação ao que acabou de dizer.
- Eu não acredito que isso esteja acontecendo, mas preciso ser forte. –O mais velho fita Dean Winchester ao ouvi-lo dizer aquela frase, "como alguém tão pequeno poderia estar demonstrando ou sendo tão maduro em uma situação como essa?", pensou Rufos.
- Dean, eu estou com sono... Não iremos ver o papai agora? –O pequeno Sam cutuca o irmão trazendo sua atenção para si.
- Teremos que esperar um pouco, se quiser pode ficar no meu colo e dormir, eu te acordo quando for a hora de vermos o papai e o tio Bobby. Tudo bem?—O mais velho estende o braço oferecendo aconchego para seu irmão caçula que assim o faz.
Logo Sam estava bem locado no colo do irmão ainda segurando seu urso de pelúcia e minutos a mais o mesmo pegou no sono. Dean o protege e coloca a pelúcia sobre seu rosto a fim de bloquear a claridade na face do menor. Rufus decide ir até a máquina de comes e bebes para pegar um café para ele e Dean, que ainda pequeno já tomava, e alguns salgadinhos para lhe manter saciado.
Passam-se horas e mais horas, o sol já começava a emanar feixes de luz iluminando toda a entrada do hospital. Mais uma noite não dormida por Dean e a mal intencionada para o pequeno Sammy. Apreensivo Dean não parava de perguntar para o mais velho se haviam notícias sobre seu pai ou o Bobby, mas sempre que ele ia até a recepção recebia a informação de que nenhuma alteração no quadro havia sido dada, ou seja, nenhuma notícia sobre os pacientes.
Aquilo deixava o pequeno ansioso e preocupado, se questionava se tudo estava indo bem na operação ou se o Bobby não iria acordar logo, precisava saber o que tinha acontecido e queria ver os seus superiores bem de saúde logo. Lembrou-se sobre o Sam chorando e pedindo para o pai não ir caçar anteriormente, Dean sente uma ponta de culpa por não ter entendido ao que o menor estava se referindo ou sentindo quanto àquela saída, e não ter impedido seu pai de ter ido caçar com o Bobby.
- Senhor Rufus Turner?—Um homem com barbas grisalhas e vestindo um jaleco branco se aproxima de onde todos eles estavam sentados no banco da sala de espera e rapidamente o outro se levanta e Dean fica apreensivo sabendo o que a visita daquele homem significava.
- Sou eu... —A voz do Rufus quase não sai soando um pouco falhada. Ele se aproxima do médico à sua frente e se distancia um tanto dos meninos.
- A operação do paciente John Winchester ocorreu tudo bem, mas ele ficará inconsciente por algumas semanas. Já o outro paciente, Bobby Singer, não houve mudança e ele seguirá internado em observações. –"Ao menos a operação ocorreu tudo bem, uma esperança de que tudo fique bem logo", pensou Rufus. Mas ainda sente certo incômodo pelas crianças ter que passar por isso e pior, Dean de apenas doze anos de idade ter que suportar essa situação por dois, por ele e pelo pequeno Sammy.
