Hades Legendary Journeys

"Na Época dos Deuses Antigos... Opressores... E... Reis... Uma terra sem lei, clamava por um herói... Hades... Um poderoso rei, forjado no calor da batalha... A força... A paixão... O perigo... A coragem dele mudará o mundo..."

6. A New Friend

"Lântin ainda estava desacordada, isso fazia uma semana em que ela se permanecera imóvel... Isso era muito estranho... Com certeza aquele homem desconhecido saiba o que aconteceu com ela... Mas como poderei encontra-lo...? Mais perguntas martelavam na minha cabeça, anseio descobrir os mistérios que estão destinados á mim... Porém, espero felizmente que eles sejam bons... Não quero que aconteça uma tragédia...".

Era tarde, ou melhor, pude ver o por do sol... De uma estalagem numa cidade que encontramos vagando por ai, estava hospedado na estalagem "O Pônei Saltitante" o nome da estalagem era estranho, mas as pessoas eram gente boa... Senti que podia confiar nelas. O estranho era que todos faziam a mesma coisa, beber, comer e conversar. Ninguém parava.

Nós estávamos no quarto n° 48, três camas grandes e com duas janelas... A mercadoria era boa, a cama era confortável e revestida com lençóis, cobertores e travesseiros brancos.

Havia vários quadros de diversos pintores e assuntos... Thanatos estava lá embaixo, no bar, bebendo.

Deixei Lântin deitada na cama e desci... Vocês sabem que quando um homem bebe... Boa coisa... Ele não faz. Não podia deixa-lo lá sozinho...

Antes que Thanatos falasse demais o puxei para minha mesa... Como ele sentia uma atração por mim não demorou muito para ouvir suas cantadas... Mas eu apenas acenava com a cabeça concordando com tudo o que ele ia dizendo.

Ele já havia bebido duas garrafas de cerveja... Tomei minha liberdade e bebi apenas um copo, afinal tinha que me distrair... Mas logo depois a embriaguez de Thanatos cessou. Isso era bom... Ele havia me perguntado o que tinha acontecido e etc... Disse a verdade. Ele ficou todo vermelho e eu dei risada...

Depois de muita conversa fiada, olhei ao redor e percebi que havia um homem sentado em uma mesa afastada das outras e perto da janela, já havia ficado noite e estava chovendo, ele estava com o rosto coberto até a parte do nariz, não pude ver completamente seu rosto, mas estas vestes lembram-me o homem desconhecido na floresta...

Ele levantou um pouco a cabeça para olhar diretamente para mim, mas eu logo desviei o olhar...

Thanatos percebeu que eu estava preocupado e murmurou.

— Aquele homem é estranho... Ele não é igual aos outros... Ele apenas fica sentado olhando a janela com o rosto coberto e às vezes... Fuma um cachimbo... Ele fica olhando muito pra você, acho que ele quer alguma coisa... — Assenti com a cabeça e atrevi a olhar novamente para o homem, ele não mudara nem um pouco de posição...

— Acho que vou perguntar ao atendente do bar... Esse cara não para de me encarar... — Chamei o atendente e ele disse de forma educada e gentil.

— Pois não?

— Quem é o cara sentado naquela mesa... — Apontei discretamente ao homem desconhecido que ficava num lugar isolado do bar... O atendente respondeu de forma preocupada... O tom de sua voz era de medo.

— Ele é conhecido por vários nomes... Aqui ele é geralmente conhecido como... Espada Solitária... — Assenti com a cabeça para o atendente e, disse para mim mesmo. Ainda observava discretamente o homem...

— Espada... Solitária... Interessante... — Thanatos olhava a todos e olhava disfarçadamente o homem...

Assim como Thanatos não me sentia confortável... Com o Espada Solitária na mesma área...

Depois de alguns minutos, este homem levantou-se e foi para o andar de cima...

— Thanatos o homem subiu... — Thanatos assentiu com a cabeça e parou de beber por um instante dizendo aflito.

— Lântin! Ela está lá em cima! Ele está com um montante! — Saímos correndo para o andar de cima, tínhamos que chegar ao nosso quarto imediatamente...

Quando chegamos, ela não estava mais lá.

Droga. Aquele desgraçado a levou para algum lugar. Logo o desgraçado apareceu no final do corredor guiando-nos para outro local, não tínhamos outra escolha.

Ele nos levou para outro quarto, a estalagem era bem grande, havia duas propriedades, fomos para a segunda. As velas estavam apagadas quando chegamos, mas logo meu coração se aquietou... Vi Lântin deitada e imóvel da mesma forma que antes... Mas ao lembrar-me disso, meu coração se entristeceu.

Espada Solitária sentou-se bem perto da janela tampando o seu rosto e observando o nosso outro quarto e logo eu tive que perguntar sussurrando.

— O que estamos fazendo aqui...?

— Shhh... — Ele disse isso e depois fez um sinal para que ficássemos deitados, eu e Thanatos obedecemos...

Ficamos assim por bons minutos até que quando percebi, Thanatos havia caído no sono, mas eu continuava atento.

Espada Solitária pegou seu cachimbo e começou a fumar discretamente eu me levantei bem devagar e disse...

— Pode me explicar o que está acontecendo...?

— Espere e verá... — A voz dele era de firmeza e segurança, eu podia sentir isso. Mas não podia confiar assim totalmente em um estranho, mas percebi que era a mesma voz que falou em minha mente na última vez... Então disse...

Aníron... Mellon... — Repeti as mesmas palavras que ele me dissera...

—Essa frase não está completa... Aníron Undómiel... Mellon... Logo saberá o que significa... Isílme... — Ele disse outra palavra, novamente em uma língua desconhecida apontando para Lântin...

Isílme? — Olhei para Lântin e depois me voltei para Espada Solitária.

Ele retirou o capuz e pude ver que seus cabelos, iam até metade do pescoço, eram encaracolados e negros. Seus olhos de um azul cristal.

Man nályë? — Novamente a língua estranha... Fiz uma cara de desentendido... — Quem é você?

Ele disse em minha língua e eu agradeci aos deuses por isso...

— Hades... O deus do submundo. E você...? — Parece que este homem não iria me responder, se eu perguntasse na minha língua a mesma coisa que ele acabara de perguntar em outra... Tentei então conversar de outra maneira.

Man nályë? — O homem parou de fumar para poder responder... E disse numa forma respeitosa e gentil.

— Espada Solitária... Cavaleiro da Ordem Sagrada. Man ná? — Ele disse isso apontando para Thanatos... — Quem é?

— Thanatos. — Avistei homens entrando em nossos aposentos, eram nove no total, eles estavam encapuzados e usavam espadas.

Man...? — Não sei se minha pronúncia estava correta, mas pelo que havia visto ele compreendeu e disse.

— Nove Reis corrompidos pelas trevas. São sombras na noite... São espectros.

Reparei que eles estavam lá para nos matar... Então tive que agradecer Espada Solitária que não retirava os olhos dela... Lântin...

Melinyes — Não sabia o que isso queria dizer... Mas, não discuti. Apenas agradeci gentilmente Espada Solitária.

— Obrigada...

Hantalë é obrigado. E úman ná é de nada... — Assenti com a cabeça. E respondi de forma gentil e... Na língua dele.

Hantalë. — Ele assentiu com a cabeça e depois voltou a fumar seu cachimbo...

Eu voltei a dormir, na realidade pude ter certeza de que ele era um homem confiável.

A noite passou-se tranquila, creio que Espada Solitária tenha ficado a noite inteira, acordado... Isso parecia desgastar demais o coitado.

Quando acordei Lântin estava de pé, eu sorri. Ela pareceu notar-me quando sorri, eu apenas levantei normalmente e dei um beijo em sua testa. Espada Solitária parecia estar descansando.

Olhei Thanatos e percebi que ele ainda estava dormindo... Eu o cutuquei para poder acordá-lo.

Ele acordou, demorou um pouco, mas acordou.

Bom, estavam todos prontos.

— Agradeço pelo que fez Espada Solitária... Mas agora precisamos ir...

Ele colocou a mão em meu ombro e disse...

— Não sem mim. Apenas basta pedir... E adentre a porta...

— Você... — Ele havia saído da porta... — Veio de lá... Como... Onde...? — Ele fechou seus olhos e respondeu...

— Basta pedir e adentre...

— Pedir como, vou pedir...? — Tinha que falar na língua desconhecida deles... Mas como...

Lântin posicionou-se e disse algumas palavras simples... Mas literalmente não deu para entender... Eu não sabia falar essa língua, se ela sabia não sei como eu não sei esta língua.

Espada Solitária abriu seus olhos e ele disse...

Pedo mellon a minno... Temos apenas que chegar ao anoitecer no Lago Cristal... E adentrar a câmara... Mas até lá é uma grande viagem. Sei que vocês querem encontrar o Sornë hendu laurëa... — Chega dessa língua esquisita.

— Encontrar quem...? — Fiz uma cara de desentendido e ele suspirou e disse...

Sornë é águia, hendu olhos e, laurëa dourados... — Ele falava de Hypnos... Antes que eu me arrependa... Perguntei.

— Que língua é essa? Por que eu pelo menos nunca tinha ouvido falar...

— É a língua do meu mundo... Devemos ver... Meu irmão Rael... Ele está atrás daquela porta... Que vocês chamam de Porta da Verdade, ou Porta do Mundo dos Sonhos. Eu chamo de Rumíl Ancalimon.

— Ótimo... Apenas queremos chegar lá e pedir... Ou melhor, encontrar Hypnos... Sabe quanto tempo demora...?

— Se não tivermos nenhum encontro desagradável... Um mês... — Um mês...? Como assim um mês, um mês inteiro...?

— Mas... Espada Solitária, um mês... Inteiro, isso é sem trombarmos com acontecimentos desagradáveis...

— Sim. Quanto mais apressado for, mais rápida será a sua ruína. — Fiquei parecendo uma criança perto dele. Mas acredito que a raça dele, ou melhor, os sonhos sejam bem mais antigos.

— Desculpe.

— Tudo bem, vamos Alatáriël.

Alatáriël? Como assim...? — Espada Solitária olhou para mim e disse.

— Esse é o nome dela, Lântin, em uma língua antiga... Ou melhor, a minha língua.

Assenti com a cabeça e fiz um sinal para irmos. Quando saímos da estalagem, havia quatro cavalos um era malhado, um era o meu, Argo, os outros eram para Lântin e Espada Sombria.

Thanatos subiu no cavalo malhado, eu em Argo, Espada Solitária subiu no marrom e Lântin subiu no branco.

— Vamos garoto... — Espada Sombria disse a Thanatos... Colocando a sua mão em seu ombro...

— É garota. O nome dela é Menel... Significa céu.

— Ah... Desculpe senhorita Menel... — Argo estava mais agitado do que o normal... Significa que o perigo se aproximava.

— O nome do garanhão branco é Asfaloth. Eu sugiro que sigam para o Norte, encontrarei vocês lá. Alatáriël mostrará o caminho... Queira perdoar... Eu não posso acompanha-lo ainda, devo te encontrar no Portão, dentro de um mês. Se não cumprir este prazo, podem ir sem mim.

Fiquei sem palavras, o modo de como ele se desculpava e prometia as coisas sem exceção. Era impressionante, devo supor que os sonhos tem um grande senso de honra e fidelidade aos amigos. Creio que agora deva ser a hora de chamá-lo de amigo... Ou melhor, meu novo amigo.

— Sim mellon. Acho que agora... Já posso confiar em você, não nos traiu, avisou-me... Cuidou para que Lântin ficasse boa... Sei que acabamos de nos conhecer... Mas sinto... Que já posso te chamar de amigo... — A sua expressão era de surpresa, parace que eu havia retirado às palavras de sua própria boca.

— Agradeço, por sua gentileza. Mas devem ir, os espectros, eles podem estar por ai. Tenha cuidado. O que os mata mais rápido é... O fogo.

Lântin entristeceu-se quando Espada Solitária se foi. Fiquei com ciúmes, creio que Thanatos tenha sentido o mesmo que eu.

Perguntei a ela de modo gentil e delicado.

— Para onde guia...? — Dei um leve sorriso no canto da boca, o rosto dela pareceu-se animar. Ela começou a dizer de forma sútil e delicada.

— Para o Lago Cristal. — Já tinha ouvido falar no lago Cristal, mas nunca tivera a chance de conhecer, despertei-me de meus pensamentos... Ela continuou falando.

— Devemos chegar lá, quando a lua está no auge. Por isso um mês inteiro. Para que ocorra a Lua Cheia.

— Celebração a Ártemis. — As amazonas, ou melhor, todas elas faziam uma celebração durante a lua cheia, devotadas a Ártemis, ofereciam sacrifícios, objetos, faziam preces e etc...

Lântin assentiu e disse de modo sério.

— Pelo que Espada Solitária disse, devemos manter em segredo a localização da Porta, para o caso de... — Thanatos a interrompeu.

— Zeus encontrar a passagem e destruir o outro mundo que tem a chave para detê-lo. — Lântin assentiu e continuou falando...

— Sim. Se Zeus encontrar a passagem, não existe homem, mulher, deus, semideus, deuses ou até mesmo uma criança capaz de detê-lo. Se Hades morrer... Não haverá mais ninguém, mas é difícil matar um deus. Zeus vai precisar de muita ajuda pra querer te matar, ele vai te perseguir... Vai usar os seus pontos mais fracos e volta-los contra você. Um conselho meu: não deixem de acreditar nos amigos verdadeiros, como eu, Hades, Thanatos, Espada Solitária e cada um que vocês acharem que merecem sua confiança.

— Sim... Mas, como saberemos quem são nossos amigos...? Bom, quero dizer... Bem, vocês entenderam. — Thanatos pareceu retirar as palavras de minha boca. Creio que Lântin havia as respostas...

— Quando olha pra uma pessoa, o que você vê...?

— Um pedaço de carne ambulante...? — Levantei uma sobrancelha e fiquei com uma cara tipo: sério...? Sério mesmo... Cara...?

Lântin fuzilou-o com o olhar e disse de forma séria.

— Cara... Você necessita de um médico... Urgente. Qual seu problema...?

Thanatos deu de ombros e disse.

— Ahh... Tanto faz... Não estou nem ai pra elas... Principalmente quando você confia em alguém e ela te dá às costas ou te engana da forma mais descarada possível... — Ele disse toda essa frase olhando diretamente pra mim. Eu olhei de forma descarada, cruzei os braços e fiquei com a cara do tipo: Isso foi uma indireta...? Ele entendeu meu olhar e pude ver o contorno de seus lábios do tipo... Isso foi mais uma direta.

Lântin nos olhou por que depois que ele falou, formou-se um silêncio mortal. Eu e Thanatos apenas nos encarávamos... Os olhares dele diziam as seguintes palavras: Eu ainda não esqueci o que você fez... Ou algo semelhante, respondi por pensamentos...

Arrã... E você adora por uma faísca aonde não deve. Adora ser provocativo... Na minha mão você está... Ferrado!

E eu fiz um movimento com minha mão e ele começou a me imitar com a mãozinha... Revirei o olhar e Lântin disse de forma sútil...

— Bem... Dane-se a conversa... Mental ou... Seja lá o que for... Devemos prosseguir... Os carinhas lá... Devem estar nos seguindo ou... — Ela fez uma cara de vocês já sabem o que eu quero dizer, parem de discutir agora, se não dou um soco na cara dos dois...

Dei de ombros e comecei a cavalgar... Por algum fenômeno ou dislexia mental, Thanatos ficou colado, bem perto do meu cavalo e começou a me empurrar... Eu olhei para cara dele...

— Tem algum problema? É melhor falar logo, por que isso tá enchendo o saco já... Seu... Guarda-rancor.

— Ui tá nervosinho é...? Eu faço o que eu quero quando bem entender.

Lântin chegou, nos ultrapassando e nos dando tapas um na cara do outro... E eu tenho que admitir, realmente doeu. Ela bate muito, mas muito forte.

— Aiiii! Doeu! Sabia? — Thanatos reclamou e começou a passar a mão em seu rosto, no local que fora sido atingido.

Fiz o mesmo que ele...

— Gente, quantos anos vocês dois tem? Dois, três ou quatro anos de idade? Pelo amor de deus. Agora se as duas criancinhas pararem de brigar, podemos continuar.

Nós dois ficamos quietos. Não queríamos discutir, na realidade, estávamos mesmo agindo como crianças... Apesar de eu ter na realidade, trezentos e quarenta milhos de anos, ou até mais... Não paro pra contar meus anos de vida imortal.

Realmente... A convivência entre mim e ele, deveria melhorar. Como poderíamos trabalhar em equipe juntos? Nem eu mesmo sei. Teria que conversar com ele novamente... Só que em outra hora...

Seguimos em frente... Mas ainda tinha a sensação de que outra pessoa estava me observando. Não questionei, deixei que me observasse. Mas, não quer dizer que eu não tenha ficado curioso.